sexta-feira, 9 de julho de 2010

SATUO - Isaltino reitera viabilidade

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Oposição questiona futuro perante prejuízos de 17 milhões O SATUO não pára... de acumular prejuízos. São já 17 milhões de euros desde a sua inauguração, em 2004. O relatório de contas de 2009, discutido em Assembleia Municipal recentemente, indica que o Sistema Automático de Transporte Urbano, do qual a Câmara de Oeiras é a principal accionista, aumentou, só no ano transacto, o balanço negativo em mais 3,3 milhões de euros, para uma receita de apenas 293 mil euros. Um fardo pesado, mais ainda numa altura em que os cofres da autarquia andam em ritmo semelhante ao do próprio SATUO, que tem muitas e boas intenções, mas poucos passageiros lá dentro para sustentar os objectivos... No entanto, aquele que foi o grande impulsionador do sistema eléctrico não desarma e mostra-se confiante de que o mesmo chegará a bom porto: “É um projecto ecológico e de mobilidade fundamental para a qualidade de vida das populações”, reiterou ao JR Isaltino Morais, destacando os “milhares de carros retirados das estradas”. O problema "foi que, no período em que eu não estive na Câmara, a autarquia não fez a candidatura que deveria ter efectuado ao Fundo de Coesão e Transportes da UE”. O edil frisa, contudo, que há uma janela de oportunidade a abrir-se para desbloquear a situação. “Com os reajustamentos em curso ao nível de fundos europeus, vamos apresentar, já em Setembro, uma candidatura de financiamento patrocinada pela Câmara”, revela Isaltino Morais. Perseverança em defesa do interesse público, dizem uns; teimosia prejudicial para o erário público, lamentam outros. As posições estão extremadas quanto ao futuro de um projecto que há muito já deveria ter crescido até aos cerca de 2,5 km de extensão e chegado ao Lagoas Park. Não passa, ainda, dos 1,2 km que distam entre o cais de embarque dos Navegantes (junto à estação de comboios de Paço de Arcos) e o terminal “forçado” no Fórum (acesso ao Centro Comercial Oeiras Parque e ao Parque dos Poetas), passando pela estação intermédia da Tapada. Em fase posterior, o objectivo é chegar ao Cacém, na Linha de Sintra, passando pelo TagusPark. “Aí é que se verá, à evidência, os benefícios do SATUO em todo o seu potencial”, garante Isaltino. Para os deputados municipais da oposição, porém, o peso do presente fala mais alto. Para já, todos querem respostas: quem paga o prejuízo do SATUO? Porque é que a autarquia não tem liquidado a sua percentagem dos prejuízos (cerca de 8,5milhões de euros)? E que viabilidade terá a execução do que falta no plano de expansão? Os deputados da CDU defenderam mesmo que o SATUO seja desactivado, o que seria “um acto de inteligência da Câmara”, enquanto o Bloco de Esquerda propôs que “fosse vendido a um euro”. Na referida reunião da Assembleia Municipal, o vice-presidente da Câmara, Paulo Vistas, admitiu “partilhar” das mesmas preocupações. Quanto ao pagamento da dívida, “o entendimento da Câmara [do acordo assinado entre os dois accionistas] é que nesta 1.ª fase do projecto, o município não tem de entrar com investimento”, já que o mesmo acordo refere que “a Teixeira Duarte assegura o investimento e o prejuízo até ao Lagoas Park”. A partir daí será a Câmara [que detém 51% do capital] a assumir tais funções, “mas o prejuízo que vem de trás não conta”, clarificou Paulo Vistas, rematando que “não há nenhum interesse em que o SATUO se mantenha assim”, pelo que se “a Teixeira Duarte entender parar o transporte a Câmara de Oeiras não tem nada a opor”. Adiantou, ainda, que, após uma reunião entre os parceiros e o secretário de Estado dos Transportes, Carlos Fonseca, “o Governo garantiu reunir todos os esforços para encontrar um financiamento público para a 2.ª fase”.

1 comentário:

Nuno disse...

Vivo e trabalho em Oeiras e estou a 100% com os esforços da CMO e Teixeira Duarte de viabilizar o projecto.