quinta-feira, 8 de maio de 2008

CAPITAL PREPARA FESTA DE ARROMBA

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Nos próximos meses não se vai falar de crise em Lisboa. Marchas, fado, futebol e festivais diversos marcam o programa das Festas da Cidade

Tristezas não pagam dívidas é mote que assenta como uma luva aos lisboetas nos dias que correm. Já parece fado esta sina de mandar a realidade para atrás das costas amiúde, pelo menos por uns dias. Com as Festas de Lisboa à porta, tudo depende dos gostos e dos gastos. E por falar em sina e em fado, cruzam-se estes parentes próximos (no significado, mas também na cor negra comum ou na própria Severa…) para se afirmarem como eixo central do cartaz de eventos promovidos este ano pela empresa camarária responsável pela gestão de equipamentos e animação cultural (Egeac), através de umconjunto de iniciativas que tem o povo cigano como inspiração (em Ano Europeu do Diálogo Intercultural), e de múltiplos espectáculos onde a canção nacional é protagonista.
Mas a capital vai continuar a poder orgulhar-se do cheiro a sardinha que impregna muitos largos ou recantos dos seus bairros no mês de Junho, e até do cheiro a suor, que é coisa indispensável amarchante que se preze, sinal claro de empenho no despique das marchas populares que se inicia no Pavilhão Atlântico uns dias antes da apoteose em plena Avenida da Liberdade, na noite de Santo António. (...)

(...) Continuação na página 6 do Jornal da Região da Lisboa 126, de 9 de Maio de 2008

1 comentário:

luigi pirandelli disse...

Câmara pobre parente da rica ...
Segundo o vosso artigo a CML prevê um orçamento de 2 milhões de euros para a realização das festas alfacinhas.Embora considere que as mesmas são um excelente cartaz de promoção da cidade não posso deixar de me mostrar estupefacto pois é mais que sabido o entupimento financeiro em que a edilidade lisboeta se encontra.Certo que grande parte do investimento está assegurado pelos diversos patrocínios envolvidos no projecto,mas também é certo que alguns dos fornecedores da CML. se encontram à beira da falência porque os seus compromissos ainda não foram honrados impedindo o saneamento financeiro dessas empresas e colocando até postos de trabalho em risco.
Creio que seria um acto de coragem a gestão camarária abdicar , temporáriamente , destas festas e tentar , isso sim , encontrar uma solução rápida e eficaz para o problema financeiro em que se encontra e que envolve e estrangula físicamente dezenas de empresas suas fornecedoras.
Curiosamente e enquanto residente na cidade de Lisboa vou escutando as quotidianas queixas da sua gente mas que fazer se por tradição não podemos perder uma festa de arromba mesmo que para isso limitemos o aconchego dos nossos estômagos;temos a Câmara que queremos com menos ou mais dinheiro.
E num prepositado distorcer do refrão lá me atrevo a escrever à moda da minha santa terrinha: « lá bamos cantando e rindo marchando por ruas de Lisvoa sem fim,minhas votas belhas cardadas quanto mais belhinhas e estragadas mais eu gosto delas assim ».