quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Gelados Santini aumentam produção


Novo laboratório em Carcavelos

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, inaugurou, no passado dia 6 de Setembro, o novo laboratório de produção dos gelados Santini, situado no Mercado de Carcavelos. Esta nova unidade vai permitir aumentar a produção do 'Gelatti Più Fini del Mondo', para dar resposta ao aumento da procura que resultou da abertura da loja da marca no Chiado. Para o Verão de 2013, está prevista a entrada em funcionamento de uma nova loja em simultâneo com a inauguração do renovado Mercado Municipal. Tudo começou na praia do Tamariz. Seis décadas depois, a “marca Santini” apresenta três lojas: Cascais, Chiado e São João do Estoril e inaugurou agora uma nova unidade de produção que vem substituir a localizada em São João do Estoril. A construção do novo laboratório iniciou-se em 29 de Junho deste ano e representa “um novo passo rumo à consolidação da marca Santini enquanto produtora do ‘Gelatti Più Fini del Mondo’”, explicou Filipe de Botton, sócio da marca desde 2009. “A saída do seu pequeno laboratório de São João do Estoril passou a ser inevitável desde o dia em que abriu a loja no Chiado, em Julho de 2010. A passagem para Carcavelos fez com que o espaço de produção triplicasse e, com isso, a Santini viu resolvido o seu problema de armazenamento de matéria-prima e produto acabado”, salientou. Muito em breve, à produção de gelados junta-se a produção de cones, segundo a receita original do fundador Attilio Santini. Na inauguração, Filipe de Botton frisou que “o novo laboratório é um marco também pela sua dimensão e que nos permite expandir a marca a nível nacional”. A nova unidade tem uma área de 800 metros quadrados, representa um investimento de 1,2 milhões de euros e permitiu a criação de 20 postos de trabalho. Na inauguração da nova unidade, Isabel Santini, filha do fundador Attilio Santini, falou do sonho do pai na difusão da marca, mas realçou também que “a minha mãe foi a trave que segurou o edifício, que segurou o meu pai, esteve na sombra, mas que foi muito importante”. O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, frisou que Attilio Santini “mostrou-se um grande empreendedor”: “Lembro-me que a filha me disse que o pai tinha chegado a Portugal com 20 escudos”. Para Carlos Carreiras, a abertura desta nova unidade vem reforçar a aposta na criação de novas cadeias de valor e, consequentemente, de mais postos de trabalho. “A nova unidade é um bom exemplo de como, conjugando esforços de poderes públicos e privados, é possível trabalhar no sentido da regeneração e reinvenção do espaço urbano”, sublinha ainda o presidente da Câmara de Cascais, acrescentando que a marca Santini vai reforçar ainda mais a capacidade de “projectar interna e externamente o nome de Cascais.” Por seu turno, Álvaro Santos Pereira reforçou que a marca Santini “mostra o espírito empreendedor de muitas das nossas marcas”. O ministro da Economia disse que “são precisos investimentos como este em que se investe forte numa marca”. O responsável governamental considerou, ainda, importante que “as empresas apostem na inovação e criatividade como o Santini”. “Mais do que uma loja, marca ou gelado, Santini é uma causa. Uma causa que envolve todos – colaboradores, proprietários e, mais do que tudo, clientes e amigos que, ao longo de mais de seis décadas, souberam contribuir (e de que maneira!) para que esta casa fosse uma referência indelével de Cascais e sinónimo de qualidade e perseverança”, salientou Filipe de Botton. Com a parceria entre as duas famílias – Santini e Botton – o negócio desenvolveu-se com a abertura de novas lojas, o lançamento do ‘home-delivery’, a criação dos ‘cocktails’ Santini e a mais recente criação da pão de forma ‘Vantini’.
Francisco Lourenço

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

OEIRAS Ciclopatrulhas pedalam contra a criminalidade


Meios de vigilância da PSP mantêm crime em ‘maré baixa’ nas zonas balneares

Os casos de criminalidade associados ao natural aumento da população junto às zonas balneares nos meses de Verão têm estado ‘em maré baixa’ no concelho. E o uso, recente, de patrulhas em bicicleta, é apontado como um dos maiores contributos para que as ocorrências que podem estragar um dia de praia estejam em níveis ‘residuais’. Embora ainda sem dados absolutos e tratados em toda a sua dimensão, a PSP de Oeiras avançou ao JR que, “considerando o tipo de crimes que normalmente poderão estar relacionados com o aumento do número de população flutuante durante a época estival, temos a salientar apenas uma redução no número de furtos (-19%), sendo que os restantes indicadores se mantiveram em linha com os resultados do ano passado”. Os dados, referentes ao período entre 1 de Junho e 28 de Agosto, “correspondem à análise da criminalidade, ainda não oficial, nas zonas balneares do concelho de Oeiras”. Segundo o comissário Rui Pereira, adjunto do comando da Divisão Policial de Oeiras, tudo aponta para números ‘residuais’ nesta vertente da acção de vigilância policial. “Tem havido uma evolução positiva de há cerca de três anos para cá, com novos meios e novas estratégias”, justifica. Os recursos usados este ano pela PSP para vigiar as zonas balneares mais procuradas pelos munícipes – os quais, aliás, se mantêm activos até ao final da época balnear – incluem um Posto de Atendimento Móvel, localizado no Jardim de Oeiras (junto à Praia de Sto. Amaro de Oeiras); Equipas de Patrulhamento Apeado, junto dos principais itinerários pedonais (normalmente percursos entre as estações de comboios e as praias); Equipas de Patrulhamento Auto, que reforçam a vigilância junto dos parques de estacionamento; Ciclopatrulhas, que de forma rápida e próxima do cidadão fornecem um apoio às ocorrências junto da linha de praia, parques de estacionamento e percursos pedonais; e, finalmente, Equipas de Intervenção Rápida, em prontidão junto das praias para fazer face a eventuais alterações da ordem pública. As ciclopatrulhas foram introduzidas na vigilância das praias em Oeiras a meio da época balnear do ano passado. Seguindo, de resto, o exemplo de outros concelhos com praias no seu território que tiveram bons resultado com a adopção deste sistema. “Dão muito maior mobilidade ao agente sem pôr em causa a proximidade com o cidadão – as pessoas não podem falar facilmente para um carro que circula em patrulha...”, analisa Rui Pereira. No caso de Oeiras, há uma equipa de dois elementos da força de segurança a circular de bicicleta entre as praias da Torre e de Santo Amaro e outra equipa em Caxias, sendo que esta, por razões de geografia do terreno, por vezes também usa motociclo. O patrulhamento faz-se dentro dos horários dos agentes e dependendo das necessidades, umas vezes da parte da manhã, outras no período da tarde.  
Jorge A. Ferreira

Praias da Costa salvas de afogamentos


Reforço da vigilância tem sido fundamental para evitar mortes

Pelo segundo ano consecutivo as praias da Costa da Caparica não sofreram nenhuma morte por afogamento. O registo dos primeiros três meses da época, de 1 de Junho a 31 de Agosto, representa assim um balanço “bastante positivo” para esta zona, mas não deixa o comandante Nuno Leitão, do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), descansado. É que a época balnear só termina a 30 de Setembro e “há zonas de praia” na frente atlântica de Almada que “são bastante perigosas”, afirma ao Jornal da Região. Por isso deixa mais uma vez o alerta de que “os banhistas têm de respeitar as regras mais elementares de segurança”. E relembra que esta zona balnear era onde ocorriam mais acidentes mortais. Com cerca de 250 mil pessoas diariamente nos 28 quilómetros de frente de praias, o trabalho dos nadadores-salvadores nos últimos dois anos está a ser coordenado dentro de um projecto que envolve três associações de nadadores-salvadores reconhecidas pelo ISN (Caparica-Mar, Costa do Sol e Âncora) e um protocolo de intercâmbio com a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, que tem 20 elementos nas praias nacionais sendo que 13 estão nas associações da Costa da Caparica. “Fizemos uma análise global dos salvamentos aquáticos coordenados pelo ISN e, para além de estabelecermos protocolos, foram disponibilizados mais meios pela autoridade marítima”, refere Nuno Leitão, que destaca ainda o trabalho feito pela equipa de cinco fuzileiros que vigiam a frente de praias da Costa da Caparica. “Operam como meio complementar” com duas viaturas de socorro a banhistas, três moto-quatro e
uma moto-de-água. No total estas praias são vigiadas por cerca de uma centena de nadadores-salvadores que, diariamente, são chamados a intervir a muitas acções de socorro quer de salvamento no mar, ou picada de peixe-aranha, ou indisposição física. Um dos casos que obrigou à intervenção dos nadadores-salvadores foi o contacto de várias pessoas com os tentáculos venenosos da hidromedusa caravela-portuguesa, que este ano passou pela costa de Almada. Uma situação considerada anormal nas águas da Margem Sul. Duas mortes nas praias de Lisboa No entanto nos três primeiros meses da época balnear morreram por afogamento nas praias do país nove pessoas, seis de nacionalidade portuguesa, duas inglesa e uma alemã. Cinco das mortes ocorreram em praias marítimas não vigiadas e outras duas em praias fluviais não vigiadas. Duas das situações foram na área de Lisboa; praia de Santo Amaro, Oeiras, no dia 10 de Junho, em que morreu um jovem de 17 anos e a 26 de Agosto morreu outro jovem de 21 anos na Praia Grande, Sintra. De acordo com o comandante Nuno Leitão, as mortes registadas em praias marítimas vigiadas aconteceram por incumprimento das regras de segurança. O responsável do ISN falava aos jornalistas à margem da cerimónia do balanço dos primeiros três meses da época balnear, que decorreu em Tavira, com a presença do ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco. No ano passado não se registaram mortes em praias vigiadas, mas morreram seis pessoas em praias marítimas não vigiadas e uma numa praia fluvial não vigiada. Contudo, Nuno Leitão sublinhou que Portugal é dos países com menor taxa de mortalidade verificada nas praias, que classifica como “seguríssimas”.  
Humberto Lameiras, com Lusa

PORTELA DE CARNAXIDE Família Global ajuda mais 43 famílias


Instituição reforça apoio alimentar, enquanto aguarda por novas instalações

Com uma “pressão diária” de novos pedidos de inscrição nas listas de espera para apoio alimentar, a Projecto Família Global (PFG), com instalações na Portela de Carnaxide, viu-se obrigada a solicitar mais apoios ao Banco Alimentar Contra a Fome. O objectivo é integrar, a partir do corrente mês, mais 43 famílias neste tipo de apoio. “Significa um aumento de 23%”, informa Carlos Ribeiro, presidente da direcção da APG. Paralelamente, verifica-se uma diminuição na quantidade de bens doados por parte dos sócios da instituição ou de terceiros. “Apesar de sempre ter constituído uma pequena parcela do que é distribuído e consumido vermos estes donativos a reduzirem-se implica mais investimento nas aquisições próprias”, sublinha aquele responsável Segundo Carlos Ribeiro, apesar dos bens fornecidos pelo Banco Alimentar – maioritariamente, em produtos não perecíveis a curto prazo que vão compor os cabazes alimentares distribuídos regularmente – “o Projecto Família Global sempre tomou a seu cargo a aquisição de produtos de talho e peixaria, bem como ovos e outros produtos frescos, necessários às refeições confeccionadas na cozinha comunitária”, as quais se destinam ao apoio domiciliário e aos almoços e lanches de colaboradores e das crianças acolhidas na creche. Porque, “infelizmente, o precioso apoio do Banco Alimentar nunca foi suficiente para suprir as necessidades”. Só que, entretanto, a despensa, “que nunca conseguimos caracterizar como cheia” revela-se cada vez mais complicada de gerir. “Dificilmente a adjectivávamos, também, de vazia, pois, até a um passado recente, nos foi possível gerir de forma equilibrada as existências e as necessidades, mas essa realidade inverteu-se”. A solução está tão perto e tão longe ao mesmo tempo: as novas instalações destinadas a acolher e alargar os serviços da instituição estiveram em construção – nas proximidades da sede actual da associação –, mas a falta de financiamento bancário que se verificou no país com a crise em curso levou a que a obra, resultante de uma parceria entre a Câmara Municipal de Oeiras e investidores privados, esteja parada há muito tempo. “Alimentamos a esperança de que, também em Carnaxide, o cidadão anónimo, isolado ou em grupo, se solidarize com a nossa causa para que possamos continuar a ajudar quem mais necessita”, conclui o presidente da PFG, que escreveu, recentemente, uma carta de pedido de apoio a cerca de 60 empresas livreiras e da área alimentar, precisamente para tentar colmatar falhas na despensa e no fornecimento de material escolar às crianças.

AMADORA População discute fusão de freguesias


Proposta de reorganização administrativa apresentada pela Câmara Municipal prevê redução de cinco freguesias

No ano em que celebra o seu 23.º aniversário, o município da Amadora tem pela frente a reorganização administrativa, decorrente de uma imposição do Poder Central. Para antecipar uma decisão do Governo, o executivo Municipal já elaborou um projecto que prevê a redução de 11 para seis Freguesias. As fronteiras vão mudar num território com pouco mais de 24 quilómetros quadrados, mas estas reformas não ditarão o fim das políticas de proximidade. Só no último ano, a Câmara Municipal apoiou a criação de dois pólos de juntas de freguesia, em zonas que estavam muito afastadas da sua sede. Na altura, em que já se falava, por parte do Poder Central em reduzir freguesias, o presidente da Câmara, Joaquim Raposo, defendia cada vez mais a importância de criar estes pólos para que a população possa estar mais próxima dos serviços. Carenque e Damaia de cima passaram a disponibilizar de alguns serviços das respectivas juntas. Uma tendência que se deverá manter com o desaparecimento de cinco freguesias. “Cientes e conhecedores do nosso território, não quisemos deixar em mãos alheias essa tarefa, por isso a Câmara decidiu partir dos pressupostos do Livro Verde e apresentar o seu projecto de reorganização administrativa”, justificou o presidente da Câmara Municipal da Amadora, Joaquim Raposo. Para elaborar a proposta que a autarquia apresentará ao Governo, os serviços técnicos da Câmara Municipal tiveram em conta a adaptação dos critérios legais, decorrentes da lei aprovada pelo Governo, à realidade do território. Para isso, foram tidas em conta as barreiras físicas, como as linhas de água ou a morfologia do território, as barreiras construídas, como a linha de caminhos-de-ferro, a existência de equipamentos ou infra-estruturas, como centros de saúde, a densidade populacional ou a história do concelho. O estudo propõe a criação das freguesias de Mina d´Água (que resulta da fusão das freguesias da Mina e de São Brás), Santa Teresinha e São Francisco (fusão da Brandoa com Alfornelos), Águas Livres (junta Damaia e parcelas da Buraca e da Reboleira) e Falagueira-Venda Nova (agregação da Falagueira com a Venda Nova). A Venteira mantém-se e recebe parte do território da Reboleira. Já Alfragide fica com o bairro do Zambujal que pertence à Buraca. Ao mesmo tempo que esta nova organização do território se deverá implementar, o projecto da autarquia prevê também que haja um reforço de competências e de recursos financeiros para as juntas de freguesia. Sendo a redução de freguesias uma obrigatoriedade imposta pelo Governo, a CMA quis tomar a iniciativa de elaborar uma proposta, para que mais tarde ela seja considerada pelo Governo, antecipando assim aquilo que poderia vir a ser feito pelo Poder Central. “Partimos de um princípio que é este: a reforma é para se fazer e, por isso, ela vai-se fazer, de uma forma ou de outra. É evidente que prefiro tomar a iniciativa, fazê-la de acordo com um conjunto de critérios e de princípios que são os nossos”, explica o presidente da autarquia, Joaquim Raposo. Muito se debateu sobre esta questão, com alguns partidos da oposição a apresentarem os seus próprios projectos. “Partimos do princípio do zero. Olhámos para o território da Amadora como se não existissem Freguesias, os 24 quilómetros quadrados de área, da população que temos, dos equipamentos, das condicionantes e desenhámos um novo mapa”, acrescentou o autarca. Embora tenha sido votado pelo executivo camarário por maioria, a proposta será agora apreciada pela população que poderá dar o seu parecer até ao final do mês, através de reuniões que irão decorrer nas onze freguesias. Depois a proposta final será apreciada pela Assembleia Municipal da Amadora. 
Milene Matos Silva

AMADORA Escolas já têm quadros interactivos


Autarquia investe 400 mil euros para instalar meios tecnológicos nas escolas do 1.º Ciclo

É um sinal dos tempos modernos. Escolas do Ensino Básico do concelho da Amadora substituíram os velhos quadros a giz por painéis electrónicos interactivos. Em tempo de férias, na preparação do regresso às aulas, o JR faz um balanço do que foi o último ano nas salas de aula da Amadora. Já são 92 salas de aula das escolas de 1.º Ciclo do Ensino Básico do município da Amadora que dispõem dos quadros interactivos que permitem, ao mesmo tempo que os alunos aprendem os conteúdos das diferentes disciplinas, a utilização de novas tecnologias que tem como objectivo final uma maior interactividade entre alunos e professores. Este projecto está inserido no plano tecnológico do 1.º Ciclo que arrancou no último ano lectivo, resultado de uma candidatura conjunta dos municípios que integram a Área Metropolitana de Lisboa. Para a sua concretização, que implica a implementação de uma rede de comunicações sem fios, a Câmara Municipal da Amadora (CMA) adquiriu ainda 92 quadros e mais de uma centena de computadores. "A utilização destes quadros oferece aos professores a possibilidade de criar lições inovadoras e dinâmicas pela incorporação de ficheiros de texto, imagens e som, assim como a utilização de ‘links’ com carácter educativo disponíveis na Internet", refere a autarquia em comunicado. Para que a Internet e as novas tecnologias cheguem mais rapidamente aos alunos, neste momento 30 estabelecimentos de ensino já dispõem desta tecnologia em pelo menos duas salas de aula. “As escolas estão a utilizar
e estão a entender estas novas tecnologias como uma mais-valia para a passagem de competências aos alunos”, salienta Carla Tavares, vice-presidente da autarquia e responsável pela área da educação. Este processo levado a cabo pela CMA visa “garantir a generalização do uso do computador e da Internet em banda larga potenciando o acesso ao conhecimento, a redução da infoexclusão, visando ainda a utilização de uma nova ferramenta de ensino”, refere ainda o documento. Até ao momento, a autarquia já investiu no plano tecnológico cerca de 400mil euros em aquisição de infra-estruturas de comunicação e redes, assim como em computadores e quadros interactivos. Segundo atestam vários estudos mundiais, “a introdução de quadros interactivos nas salas de aula permite um maior envolvimento dos alunos, aumentando a sua motivação ao mesmo tempo que promove a aprendizagem colaborativa”, dá nota o documento. Ainda a preparar o ano lectivo, a autarquia procedeu à requalificação de alguns estabelecimentos de ensino, aproveitando o período de férias. As obras de maior dimensão ocorreram na EB1/JI Águas Livres, na Damaia, e na EB1/JI Moinhos da Funcheira, em São Brás. Milene Matos Silva

PRESIDENTE DOS SMAS ALMADA EM ENTREVISTA ‘Aqui a água é mais barata pela eficiência de gestão’


José Gonçalves admite baixar os preços da água e critica a possibilidade de privatização de um sector fundamental

A água em Almada pode baixar de preço. Quem o afirma é o presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada. Em entrevista ao Jornal da Região, José Gonçalves garante que vai lutar contra as intenções do Governo em privatizar a água e parece já ter um plano. Está convicto que com a privatização os cidadãos vão pagar mais e serão pior servidos.
Os SMAS de Almada comemoraram, no ano passado, 60 anos de serviço público municipal. Que legado ficou dessas comemorações?
Foram lançados vários projectos para o futuro, mas um dos mais marcantes foi o “Beba Água da Torneira”. É um projecto ambiental que visa chamar a atenção para a qualidade da água no concelho de Almada e os procedimentos inerentes à sua gestão. Inicialmente aderiram a este programa 24 entidades e, neste momento, já são 60 aderentes; como escolas, colectividades, empresas, unidades hospitalares e os vários serviços municipais.
Este programa é um selo de garantia dos SMAS sobre a água que consome no concelho?
Fomos uma das primeiras entidades do país a terem um plano de segurança da água, portanto desde há muitos anos que temos um plano de controlo da qualidade da água. Isto significa que o percurso da água é monitorizado permanentemente desde a captação até à casa das pessoas, o que nos permite conhecer não só a qualidade da água na rede, mas também aplicar um conjunto de acções de prevenção de risco. Podemos afirmar que o projecto “Beba Água da Torneira” chama a atenção para um produto acessível, económico e de qualidade sempre garantida. 
Como controlar a qualidade da água na torneira do consumidor quando em causa pode estar a rede interna dos edifícios?
O projecto tem duas grandes componentes: sensibilização e informação.Os SMAS informam as entidades neste projecto sobre a qualidade da água e também informação específica sobre a água que sai nas suas torneiras. Podemos assim identificar problemas que levam à perda de qualidade por causa da deterioração da rede interna dos edifícios e avançamos soluções. 
E o universo dos consumidores como pode integrar este projecto? 
Temos 107 mil contratos, pelo que não existe condição imediata para os integrar a todos neste projecto. Mas qualquer cidadão que queira saber qual a qualidade da água na torneira da sua casa basta contactar os SMAS e estamos disponíveis para a analisar. Em breve vamos enviar a todos os nossos consumidores um folheto sobre a responsabilidade partilhada entre os SMAS e os proprietários, onde chamamos a atenção para avaliar cada caso. 
Em Abril deste ano afirmou ao Jornal da Região que o preço da água em Almada não ia aumentar – houve de facto um acréscimo no valor da factura mas relacionado com a taxa de saneamento. Aliás, chegou mesmo a dizer que a tendência, no concelho, era o preço da água baixar. Isto contraria a ministra do Ambiente, Assunção Cristas, que tem afirmado que o sector só será rentável se o preço da água aumentar.Quem tem razão?
Temos nós!Não se deve cobrar às pessoas mais do que o necessário para o bom funcionamento do sistema. Os SMAS conseguem ter o sistema da água a funcionar cobrando menos taxas aos consumidores. Se o preço da água for generalizado deixa de ser considerado o custo social da exploração. Este é um factor decisivo na determinação do preço e a política nacional que visa generalizar o preço retira este factor de ponderação.
Mas como consegue reduzir o preço da água?
Cobramos aos cidadãos menos pela água porque conseguimos eficiências na sua gestão, o que nos permite prestar o mesmo serviço taxando menos na água. A gestão e o investimento são factores de ponderação das taxas. Este é o mesmo princípio que nos leva a dizer que a taxa de saneamento tem de crescer nos próximos anos porque não podemos partilhar as taxas da água com a de um outro serviço cuja exploração é mais onerosa. 
O que explica o saneamento ser mais caro que a captação da água?
As ETAR têm de funcionar permanentemente, têm exigências técnicas grandes e custos de manutenção muito elevados. Por exemplo: só a remodelação da ETAR da Quinta da Bomba, neste momento a decorrer, implica um investimento de 11 milhões de euros. 
Todos os consumidores do concelho estão integrados na rede de saneamento?
Neste momento sim. Em Janeiro tínhamos 98 por cento do saneamento ligado à rede, com o novo regulamento –aprovado este ano – assumimos a gestão da rede a 100 por cento. Ou seja, mesmo as habitações que têm fossa passaram a pagar saneamento sendo a recolha assegurada pelos SMAS. Com isto o conjunto da factura manteve-se porque as pessoas que não pagavam saneamento passaram a fazê-lo, o que permitiu alguma sustentabilidade. Mas no futuro certamente será necessário aumentar a taxa de saneamento, sendo que a eficiência na gestão global será maior. 
Já reconheceu que a luta para manter a gestão do ciclo da água como serviço público municipal vai ser difícil. Será que os defensores da privatização do sector estão um passo
mais à frente? 
Nos últimos meses os defensores da água pública ganharam maior posição. Embora os defensores da privatização sejam o Governo da República, estão com dificuldades em implementar essa orientação. O facto de a senhora ministra Assunção Cristas ter dito que a prioridade era a privatização do sector e ainda não ter dado passos definitivos nesse sentido é indiciador das dificuldades que enfrenta na sociedade portuguesa. As pessoas sabem que onde o sector foi privatizado houve perda de qualidade do serviço e passaram a pagar mais. Não há nenhum bom exemplo a favor da concessão do sector, o objectivo da privatização é somente o lucro. 
Por isso afirma que é um erro desmunicipalizar o sector? 
Almada é um dos exemplos onde este sector tem elevados indicadores de gestão e elevados indicadores de cobertura, porque é municipal. Se um dia for privatizado a orientação do negócio será outra e a população ficará a perder. 
E se surgir legislação a forçar a privatização?  
Mesmo que a fórmula actual tenha de mudar por força da legislação, em Almada estamos convictos que vamos conseguir que o sector continue público e municipal. 
Humberto Lameiras