quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pelos recantos de Sintra


Uma forma diferente, divertida, ecológica e inovadora de conhecer a área Património Mundial

“A renovação do olhar sobre a paisagem única” de Sintra Património Mundial é o que propomos para este Verão. Uma forma diferente, divertida, ecológica e inovadora de conhecer Sintra é o que os visitantes têm ao dispor com os Sight Sintra. Pequenos veículos eléctricos, equipados com sistema de GPS e áudio-guia, que levam qualquer um a conhecer de perto os principais recantos da Paisagem Cultural. Com três percursos predefinidos, os visitantes podem conhecer o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena (2h30/45 euros), Monserrate com ou sem visita à Quinta da Regaleira (2h30/45 euros ou 1h30/35 euros) e os recantos de Sintra (0h30/15 euros). O aluguer à
hora, pelo preço de 25 euros, está também disponível. A estes preços acresce o pagamento das entradas nos parques e palácios da Parques de Sintra-Monte da Lua. De origem italiana, os veículos têm uma autonomia de 60 km, mas, após uma utilização, “levam uma carga de uma a duas horas e ficam a 80 por cento”, salienta João Paulo Soares, director comercial da Sight Sintra. Num destes dias, em que o microclima sintrense não fez das suas e a brisa da deslocação amenizava o calor, o JR teve oportunidade de constatar o quão agradável se torna um passeio até ao Parque de Monserrate a bordo dos pequenos veículos, fáceis de conduzir e silenciosos e que permitem apreciar a paisagem. Com o sistema áudio disponível em três línguas, português, inglês e espanhol (em breve será alargado a francês e italiano), houve preocupação das informações do GPS se intrometerem, o menos possível, com a fruição da paisagem. E mesmo as explicações históricas de Sintra, que não esquecem as inúmeras fontes que brotam da serra, também permitem manter despertos todos os cinco sentidos. Na Rota da Pena, o guia áudio desvenda, ainda, lendas de Sintra, enquanto se sobe em direcção ao Castelo dos Mouros e ao Parque da Pena, com retorno por São Pedro de Sintra. Nos recantos de Sintra, o passeio de 30 minutos permite conhecer zonas menos turísticas, mas, ao mesmo tempo, dignas de serem apreciadas como o Jardim da Vigia e a Igreja de Santa Maria. A caminho de Monserrate, não são esquecidos alguns famosos que se encantaram por Sintra, como Lord Byron, mas também a constatação de que este projecto, que se iniciou no terreno em final de Março, não está isolado numa ilha: “No final deste passeio, aproveite para assinalar este dia, levando uma típica peça de artesanato, para degustar os doces típicos de Sintra ou, porque não, visitar um dos nossos museus”. Os responsáveis da Sight Sintra, que não se esqueceram de destacar “as saborosas queijadas e os deliciosos travesseiros”, querem, aliás, estreitar parcerias com os empresários locais no sentido de “promover produtos típicos” de Sintra. Com cerca de uma centena e meia de alugueres por mês, são os estrangeiros que mais procuram este meio alternativo de conhecer aVila e a Serra de Sintra, com diferentes nacionalidades, como australianos, americanos, holandeses, belgas, italianos, brasileiros e do leste europeu. Instalados num parque de estacionamento junto à estação ferroviária, a frota de cinco Sight Sintra acaba por ser procurada, fundamentalmente, por quem se desloca a Sintra de comboio. “São turistas que vêm visitar Lisboa e que, no mínimo, tiram um dia para vir a Sintra. Mas, também acontece que alguns
ficam tão encantados com Sintra e voltam outro dia”, destaca José Paulo Gonçalves, outro dos responsáveis da empresa. Ainda este Verão, um novo pólo Sight Sintra vai ser criado na Volta do Duche, junto à entrada do Parque da Liberdade, para captar mais clientes. “Mas, a Vila é que seria ouro sobre azul”, frisa José Paulo Gonçalves, que aguarda que estejam reunidas as condições logísticas para o efeito. Tanto à entrada de Monserrate como do Castelo dos Mouros e do Parque da Pena, os pequenos veículos têm reservado um espaço para estacionamento e os turistas poderem visitar, com tranquilidade, os monumentos. “Contamos, desde o início, com o apoio da Câmara de Sintra, da Parques de Sintra e da Empresa Municipal de Estacionamento”, salienta João Paulo Soares. “São parceiros fundamentais a este tipo de negócio”, reforça José Paulo Gonçalves. Em carteira, também já para este Verão, está a aquisição de mais alguns veículos e a disponibilização de um veículo familiar, com quatro lugares, para captar novos segmentos de clientes.  
João Carlos Sebastião

Quatro meses sozinho a remar contra a crise


A bordo do ‘Paraguaçú’, remador português vai enfrentar o Atlântico Sul

Sozinho num barco a remos, durante quase quatro meses, enfrentando a vastidão do Atlântico desde a costa africana até ao Brasil. O desafio que José Tavares coloca a si próprio, a partir de 15 de Dezembro, quando largar de Marrocos no pequeno “Paraguaçú”, é quase tão difícil como o de exprimir esta aventura em palavras e ter a sensação de que são suficientes. Não é por acaso que o intrépido remador vai dedicar a esta expedição, de mais de 5000 km, um livro – “Ensaio sobre a Solidão” – que já vai ameio só com os preparativos. Para além de toda a carga em mantimentos e equipamentos diversos, que chega aos 600 quilos, este lisboeta de 45 anos vai transportar consigo o peso da responsabilidade dos grandes desígnios e alertas que escolheu para bandeiras da sua viagem. “Chamar a atenção para a ecoeficiência energética e a necessidade de defender a Natureza e a Amazónia em particular como pulmão do mundo; associar-me aos 90 anos da travessia aérea pioneira de Gago Coutinho e Sacadura Cabral; e, na sequência de livros que já publiquei sobre os grandes exploradores lusos, dos de ‘quinhentos’ aos modernos (como o João Garcia ou a Elisabete Jacinto), manter acesa a chama dessas gloriosas epopeias”, resumiu José Tavares ao JR. Ao mesmo tempo que vira costas à crise que grassa no país e na Europa, vê nesta aventura um factor positivo para ajudar os que ficam em terra a enfrentar esse “Adamastor” da nossa era… “Além de lembrar que a eficiência energética é algo que pode estimular a economia e criar muitos empregos, será sempre um bom tónico para que os portugueses consigam ver mais do que o lado negativo, terem alguma iniciativa…”, explica. Quem vai ao mar, avia-se em terra. José Tavares tem estado a treinar no Tejo e em remo ‘indoor’ (com o apoio do Clube Naval de Lisboa). Agosto será passado nas praias do Algarve, em iniciativas promocionais. A componente psicológica será o factor mais importante. Naverdade, José Tavares nunca fez algo parecido. Nem, de resto, qualquer outro português. Como salienta, “foram feitas 86 travessias do Atlântico neste tipo de condições, mas todas das Canárias para as Caraíbas, sempre no Hemisfério Norte. Cruzando o Equador para Sul só houve um navegador italiano a fazê-lo”. E entre quem se propôs atravessar oceanos a remos, uns quantos tiveram de ser resgatados e alguns desapareceram… “Trata-se de um grande desafio de resistência, física e psicológica”, confirma o multifacetado explorador luso, que nos últimos anos tem trabalhado na Serra Nevada, em Espanha. “Sou instrutor de ski e também organizo acampamentos na montanha”, revela, aproveitando para recordar outra façanha: “No ano passado, fui o primeiro português a fazer uma descida de ski a partir dos oito mil metros, na 6.ª montanha mais alta, o Cho Oyu, no Nepal”. Olhando a licenciatura feita em Gestão de Empresas, quem diria?!... Para ajudar a enfrentar a solidão, José Tavares leva um mp3 e livros. “Acho que o tempo passa depressa dentro do barco… Provavelmente, ao fim de algumas semanas vou sentir qualquer coisa, mas penso que será só uma fase”. A ementa a bordo será muito à base de comida liofilizada (porções secas a que se juntam água quente e… ‘bon appetit’). Mas, como bom português, não faltará um ou outro chouriço para desenjoar… Quanto a bebida, será obtida a partir de um dessalinizador, embora o lastro do barco inclua 130 litros em garrafas de água. A energia para alguns destes equipamentos virá de três placas solares que o ecológico “Paraguaçú” leva “às costas”. Quando estiver cansado ou a dormir o barco ficará à deriva. “No Inverno, os ventos são favoráveis para sul”, perspectiva o explorador, que terá a ajuda de GPS, bússola e, claro, binóculos. Numa embarcação com 7,2 mx 2mx 1,6 m, ficar exposto na frente de um navio ou de uma baleia distraída não é nada aconselhável. Para se “fazer ver”, poderá usar o sistema rádio e, em caso de perigo maior, accionar o socorro de um sistema de vigilância com sede em Inglaterra, onde o “Paraguaçú” está registado. Sem filhos, mas com um pai que já desistiu de o fazer desistir e se aliou ao projecto, José Tavares está preparado para lidar com a saudade. Sabendo que sem ela os reencontros não seriam tão memoráveis. “Se pudesse, partia já hoje”, diz ao JR.Mas ainda falta reunir apoios e patrocínios. Nesse sentido, o navegador oferece um lugar na história desta aventura a quem puder ajudar: com um mínimo de 50 euros, o benemérito ganha direito a ter o seu nome escrito no convés do barco e no livro; a partir de 100 euros, para além disso, receberá uma chamada para o telemóvel com origem em pleno oceano. Não é todos os dias… Mais informações em tra vessiaoceanica.blogspot.com ou pelo 92 569 87 76.
Texto: Jorge A. Ferreira
Fotos: Filipe Guerra

Palmilhar Lisboa, até que a voz nos doa


Lisboa é vista como a terra do Fado, mas será que alguma vez partimos à descoberta da cidade com a canção na boca? É essa a proposta do Museu do Fado para quem passa o Verão em casa. Nomes tão conhecidos como Ana Sofia Varela, António Pinho Basto ou Teresa Tapadas, num naipe
consideravelmente abrangente, fazem a visita guiada, perdão, a visita cantada a um dos bairros mais castiços da capital: a Mouraria. Acompanhados à guitarra portuguesa com António Parreira ou Ricardo Parreira, e à viola de fado com Guilherme Carvalhais, as visitas do Museu do Fado extravasam as portas e saem para as ruas típicas das desgarradas, só neste Verão. A Mouraria tem uma ligação privilegiada com o Fado que remonta aos tempos da Severa e do Conde de Vimioso, do Amâncio e da Adelaide da Facada e é interessante adivinhar o que diriam aquelas pedras da calçada se falassem. As visitas são orientadas pelos guias da Associação Renovar a Mouraria e realizam-se todas as sextas-feiras, sábados e domingos de Julho, Agosto e Setembro, sempre às 18h30. O ponto de encontro é na Igreja de Nossa Senhora da Saúde, no Martim Moniz, e daí parte num de dois percursos pelo bairro. A participação é gratuita. Está à espera de quê para dar corda aos sapatos e sair para o coração de Lisboa? Mais informações pelo telefone 92 219 18 92 ou ‘e-mail’ geral@renovamouraria.pt.

Tudo ao léu ao sol da Caparica


Na Costa da Caparica ainda há praias desertas, próprias para a prática do naturismo

Com praias classificadas como de “oiro” pela associação ambientalista Quercus e com cinco zonas galardoadas com Bandeira Azul, mais do que no ano passado, as praias da Costa da Caparica, como ambiente natural, estão classificadas entre as melhores do país e mesmo da Europa. Por outro lado, ao estarem às portas de Lisboa são das mais frequentadas. Os dados estatísticos apontam que a Costa da Caparica é procurada por cerca de 8 milhões de turistas na época balnear. Esta grande afluência leva a que muitos banhistas procurem areais menos ocupados e rumem na direcção de zonas entre a frente de praias urbanas e a Fonte da Telha e mesmo para lá desta localidade. E aqui também os amantes do naturismo encontram o seu espaço. Há largos anos que os naturistas frequentam praias da Costa da Caparica e, em 1996, a da Belavista foi reconhecida pela Assembleia da República com praia oficial de Naturismo. Um extenso areal ao qual se pode ter acesso tanto pela estrada que liga a Costa da Caparica à Fonte da Telha, como através do Transpraia até à paragem 19. Caso se queira desfrutar ainda de um passeio com o mar
e mata florestal no horizonte, a opção certa é mesmo usar esta linha do comboio de praia. Mas ainda há mais oferta naturista nas praias do concelho. Outra das opções é seguir pela Fonte da Telha, no sentido sul, até a uma longa extensão de areal que se prolonga até à Lagoa de Albufeira, onde a prática de naturismo é tolerada. O único problema é que o acesso é menos fácil obrigando a uma boa caminhada pela praia, o que até pode ser bom para quem leva o resto do ano sem praticar qualquer exercício. Inconveniente ainda é a ausência de apoios de praia apesar da segurança no mar ser assegurada pelos nadadores-salvadores da Associação Âncora. Já no caso da praia da Bela Vista, para além da vigilância assegurada pela Caparica Mar, tem concessionários que lhe permitem sair da praia e refrescar-se numa das esplanadas. O incómodo são as filas de automóveis para sair da praia e o pó levantado pelo piso de terra. Para fugir a este nervosismo depois de um bom dia de praia, a melhor opção mesmo é usar o Transpraia e em 20 minutos está na área urbana da Costa da Caparica. Mas, na Margem Sul existe ainda outra opção para os naturistas. Do lado de Sesimbra têm a praia do Meco, outra praia oficial, entre a Praia do Moinho de baixo e a Praia das Bicas. Porém aqui é melhor estar atento ao mar porque não é dos mais confiáveis.
Humberto Lameiras

Um barco Sublime para passeios pela região


Com um olho no fundo do mar e outro em terra

É de fabrico russo e só há mais dois do mesmo género em Portugal, um localizado em Lagos e outro nos Açores. Chama-se Sublime e é um barco diferente. Instalado desde o início deste ano na Marina de Oeiras, dá nas vistas por fora, com a sua proa preenchida por uma rodela de vidro, e oferece vistas invulgares por dentro graças a um amplo ‘olho de vidro’ oval instalado no fundo da embarcação, com cómodos assentos a toda a volta, que permite ter visibilidade para o fundo do mar, até 9 metros de profundidade. Apesar de nem sempre e em toda a parte as águas da Costa do Estoril, algo turvas e agitadas, permitirem ver uma grande variedade da fauna e flora subaquática, o comandante Luís Pité, proprietário do barco, atesta que já foram avistados, desta forma, desde polvos nas rochas a estrelas do mar, passando por ouriços do mar e alforrecas… “No Búgio vê-se mais claramente o fundo”, indica aquele responsável, profissionalmente oriundo da Marinha Mercante. De qualquer forma, para além da vertente derivada da transparência do seu casco, o Sublime também se assume como uma óptima maneira de passear no rio e mar desta região, permitindo redescobrir, a bordo, a paisagem em terra, incluindo todo o seu património cultural, histórico, arquitectónico e turístico. “Mais habitualmente, fazemos percursos entre o Cabo da Roca e a zona da Expo, em Lisboa, mas também podemos ir até ao Seixal ou a Sesimbra”,
resume o comandante Luís Pité. A grandiosidade natural do ponto mais ocidental da Europa, “onde a terra acaba e o mar começa”, nas palavras de Camões, a mítica Boca do Inferno, a zona da Guia, a Marina de Cascais com os seus iates imponentes e luxuosos, o Estoril com as suas praias emblemáticas, Oeiras e a sua marina multigalardoada, mais as numerosas fortificações marítimas que se localizam ao longo dos dois concelhos, e ainda o Bugio, Belém e a sua Torre, o charme imenso do casario antigo de Lisboa e o ar moderno junto à Ponte Vasco da Gama… Muita coisa para ver a partir de água, muitos palácios e monumentos para identificar, uma grande diversidade arquitectónica para constatar. Ou então simplesmente virar costas a terra e saborear a companhia a bordo… Um dos programas especiais da empresa Come 2 Sea, que explora o Sublime,
tem o sugestivo nome de Sunset (pôr-do-sol), dura 90 minutos e inclui uma bebida de boas-vindas a bordo, pelo preço de 45 euros por pessoa. Por duas horas, o preço passa a 55 euros e por quatro horas é preciso desembolsar 100 euros (neste caso com oferta de um ‘snack’).
Já os programas regulares prevêem a possibilidade de se realizarem passeios de apenas 30 minutos (a 20 euros cada pessoas) ou de uma hora (30 euros). Importante a ter em conta é que qualquer destas viagens só se realiza se houver um mínimo de seis participantes. Crianças dos 4 aos 12 anos (inclusive) têm desconto de 20%. Para além dos passeios turísticos estabelecidos, há ainda a possibilidade de alugar o Sublime por parte de particulares ou empresas, seja para uma festa de aniversário diferente ou para o lançamento de um novo produto, por exemplo, num evento que pode ser personalizado à medida do acontecimento pretendido. A realização de grandes eventos náuticos em Lisboa, como aconteceu com a Volvo Ocean Race ou, mais recentemente, com a Tall Ships Race, é outra oportunidade de usufruir das potencialidades do Sublime que, dotado de um motor que permite boas velocidades, também pode ser uma óptima maneira de apreciar estas provas muito mais de perto. O ponto de partida e de chegada é a Marina de Oeiras ou a de Cascais, mas esta última sob pagamento de taxa de embarque e mediante reserva. 
Jorge A. Ferreira

quinta-feira, 19 de julho de 2012

OEIRAS Detenções disparam, diminuem roubos e crimes violentos


Divisão de Oeiras da PSP revela dados relativos ao primeiro semestre de 2012

Menos crimes violentos e graves, bem como uma diminuição na ocorrência de roubos e furtos, destacam-se de forma positiva nas estatísticas apresentadas pela Divisão de Oeiras da PSP, em reunião efectuada recentemente no âmbito do Conselho Municipal de Segurança. Aqueles indicadores referem-se já ao primeiro semestre deste ano, em comparação com período homólogo do ano passado, onde se constata, por outro lado, um aumento geral da criminalidade na ordem de 1,5%. Os dados satisfazem o presidente da Câmara, Isaltino Morais, que tem destacado as tendências de queda nos principais tipos de crime em Oeiras, cenário que sobressai positivamente no âmbito da Área metropolitana de Lisboa. Concretamente, os dados referente ao 1.º semestre revelam que a criminalidade violenta e grave decresceu 9,2%, os furtos baixaram 14,1% e os roubos 9,5%. Por outro lado, contrariando estas descidas, verificou-se um aumento muito significativo do número de detenções (44,3%), o que estará relacionado com o aumento de 39,6% nos crimes ligados à proactividade policial (operações para despiste de casos de condução sem habilitação legal ou sob influência do álcool – este último indicador, aliás, subiu de 103 para 192, comparando os primeiros seis meses de 2011 com igual período de 2012). As detenções também aumentaram no que respeita a situações de tráfico de estupefacientes (de 15 para 39) e de tráfico de armas proibidas (de 21 para 30), igualmente englobadas nos crimes apurados por via da proactividade policial. Na referida reunião do Conselho Municipal de Segurança, realizada no auditório da Assembleia Municipal de Oeiras, os dados – apresentados pelo comissário Rui Pereira, adjunto do comando da Divisão de Oeiras da PSP – incluíram, ainda, a comparação entre os anos, completos, de 2010 e 2011. Nesta comparação, os dados agora apresentados revelaram que a criminalidade geral foi sensivelmente a mesma, a criminalidade violenta e grave aumentou na ordem dos 3,9%, os crimes de proactividade policial tiveram um aumento de 18,8%, os furtos cresceram 1,3%, os roubos apenas 0,9%, tendo-se registado um acréscimo de 22,3% de detenções. 
Jorge A. Ferreira

OEIRAS ‘Revolução’ à vista na zona ribeirinha


Novos projectos na forja incluem duas marinas e outros tantos hotéis

Novas marinas, empreendimentos de hotelaria, escritórios e habitação com vista para o mar, mais espaços de restauração junto aos areais, sem esquecer a chegada do Passeio Marítimo de Paço de Arcos à Cruz Quebrada, são as principais obras com que a Câmara de Oeiras pretende “revolucionar” a orla ribeirinha do concelho e tornar esta zona num “novo centro de desenvolvimento turístico na Área Metropolitana de Lisboa”. Em tempo de austeridade e dificuldades de financiamento, os projectos na forja podem fazer desconfiar os menos optimistas, mas segundo Paulo Vistas, vice-presidente do executivo municipal oeirense e vereador do Turismo, as maiores dificuldades prendem-se menos com falta de capitais – públicos e, sobretudo, privados – do que com impedimentos de ordem burocrática por parte da Administração Central. “Todavia, isso não nos impedirá de desenvolvermos este território, pois o seu enorme potencial é a maior garantia de que os projectos avançarão”, garantiu Paulo Vistas durante uma viagem de barco recentemente organizada pela autarquia para dar a conhecer os diversos projectos para a zona, os quais, no total, orçam em algumas centenas de milhões de euros. Partindo de Algés com meta na Marina de Oeiras, a viagem é fértil em obras projectadas e outras que têm história recente. A seguir ao novo Centro Náutico de Algés e ao terrapleno onde decorre habitualmente o Optimus Alive, surge uma área que será ganha ao rio, através de aterro, com o objectivo de alargar o espaço de actividades desportivas, culturais e de lazer. O local acolherá as novas instalações do Sport Algés e Dafundo, incluindo escola de vela, além de restaurantes e outras estruturas. Por outro lado, permitirá, ainda, a acostagem de barcos de maior calado do que sucede actualmente. “Estamos num grupo de trabalho como Porto de Lisboa para elaborar um 'masterplan' para toda aquela área, da Torre VTS à Cruz Quebrada, para que haja uma continuidade na vertente turística desde a parte de Lisboa, nomeadamente desde a requalificada Docapesca”, explicou Paulo Vistas aos jornalistas embarcados. Um pouco mais à frente, a margem
direita da foz do Rio Jamor albergará um dos mega-empreendimentos previstos. Iniciativa do Grupo SIL, o projecto, com 83 120 m2 de área de construção, inclui uma nova marina (privada), um hotel de 5 estrelas, 325 fogos, uma nova estação de comboios (Cruz Quebrada), escritórios, comércio e um parque de estacionamento para quase 500 lugares. A edilidade, por seu turno, vai construir um nó de ligação rodoviária, para ligar à CREL por viaduto, num investimento de 4,5 milhões de euros, e receberá, como contrapartidas, uma piscina municipal no local, uma nova rotunda no Jamor e uma pequena ecopista de ligação ao passeio ribeirinho. Entre capitais públicos e privados, o montante a aplicar cifra-se em 250 milhões de euros. Ainda mais avultado é o investimento previsto para o Alto da Boa Viagem (Caxias, em terrenos fronteiros ao cruzamento da Marginal com a ligação à A5). São cerca de 300 milhões de euros a cargo de um fundo de investimento imobiliário. O projecto está em fase de licenciamento da operação de loteamento, mas a necessidade de desanexar algumas parcelas de terreno pertencentes ao Estádio Nacional tem travado o processo. Prevê-se a construção de quase 430 fogos, um hotel de 5 estrelas, um aparthotel de luxo, comércio, serviços e, ainda, um pavilhão multiusos para diversas modalidades – poderá mesmo abrigar o Estoril Open ou integrar o projecto Casa das Selecções. Em Paço de Arcos ficará outra futura marina, esta de gestão municipal, com capacidade para 400 embarcações (maior do que a actual, de Oeiras), cuja construção, porém, não deverá avançar antes de 2014. Ali ao lado, também os pescadores da Praia Velha serão contemplados com mais espaço para a sua actividade, prevendo já a deslocação de pescadores da Docapesca (Pedrouços), num projecto que está a ser preparado pelo Porto de Lisboa em diálogo com a Câmara oeirense – mesmo que nem sempre tenha havido sintonia entre ambas as instituições quanto à dimensão do futuro porto de pesca... A concretização da 3.ª fase do Passeio Marítimo, entre o Forte de São Bruno (Paço de Arcos) e a Cruz Quebrada (cerca de 2 km, com a novidade de incluir uma ciclovia), que deverá acontecer durante o próximo ano e orçar em quatro milhões de euros, bem como a abertura do Hotel Palácio dos Arcos (prevista para o 1.º semestre de 2013), são outras das obras com que a edilidade oeirense pretende transformar a orla ribeirinha. No que respeita às praias que este ano ganharam esta classificação oficialmente – só a Torre assim era considerada – Paulo Vistas salientou a qualidade dos areais e das águas do mar, adiantando que no próximo ano Caxias, a única não vigiada, também terá nadador-salvador, disponibilizando-se a Câmara a suportar esses custos enquanto o Porto de Lisboa não concluir o processo para concessionar aquela praia. 
 Jorge A. Ferreira