quarta-feira, 11 de julho de 2012

DAMAIA Posto de abastecimento preocupa moradores


Combustíveis a baixo preço podem entupir acessos. Obras do parque urbano já arrancaram

As obras do parque do Neudel, na Damaia, já são, finalmente, visíveis para alívio dos moradores que compraram ali casa com a expectativa de que aquele terreno baldio seria transformado na maior área verde urbana do concelho. Porém, agora é a implantação de um posto de combustíveis naquele local que inquieta os residentes. Foi após as queixas sucessivas dos moradores que já há vários anos pugnam pela construção de um parque junto à urbanização do Neudel que as obras arrancaram para satisfação de quem ali vive. No entanto, a construção nas imediações de um posto de abastecimento de combustível associado a uma marca ‘low cost’ preocupa quem ali vive, tendo em conta a esperada grande afluência de automobilistas. “A Câmara está a pensar rever os acessos?”, questionou Paulo Pereira, morador no Neudel, no decorrer da última Assembleia Municipal da Amadora. “Todos sabemos que as gasolineiras ‘low cost’ têm muitos mais clientes do que as outras e, tendo em conta o preço dos combustíveis, prevê-se o caos nas vias de acesso àquele posto”, referiu. Ora, o presidente da Câmara da Amadora (CMA), Joaquim Raposo, justifica que “quando é lançado um concurso para a exploração de bombas de gasolina não se sabe quais as características da marca vencedora”. O autarca garantiu, no entanto, que “as acessibilidades serão estudadas”. Raposo voltou ainda a relembrar que a licença de utilização para o funcionamento do posto de combustíveis só será dada “após a conclusão do parque”, sossegando assim os moradores que já vêem aquela área de serviços quase concluída, enquanto as obras do parque ainda só estão no início. Para a construção de um parque urbano no local foi necessária a elaboração de um plano de pormenor, aprovado em conselho de ministros. Numa área de cerca de 40 mil metros quadrados, estão previstos espaços públicos de lazer, um edifício multifunções, esplanada, um quiosque de apoio e vários equipamentos lúdicos. Esta obra, condicionada à construção de uma bomba de gasolina, tem conclusão prevista em 2013.
Milene Matos Silva

BOMBEIROS DA AMADORA Finanças em alerta máximo


Dinheiro já não chega para as despesas

A situação de estrangulamento financeiro que tem vindo a afectar as corporações de bombeiros do país, devido às alteração no financiamento do transporte de doentes não urgentes, já levou a corporação da Amadora a falhar o pagamento dos subsídios de férias. Na semana passada, a direcção ponderou alertar a população para as dificuldades económicas da corporação que estão a afectar a prestação do serviço. O futuro da instituição pode estar em risco. Os bombeiros já venderam duas viaturas, mas mesmo assim isso não chega para fazer face às despesas que crescem de dia para dia, sem que os apoios sofram aumentos. “Neste momento, temos uma despesa fixa em ordenados e combustíveis no valor de 100 mil euros por mês, mas só recebemos apoio de 63mil euros da Câmara Municipal, 16 mil euros da Autoridade Nacional de Protecção Civil e de 7 mil euros do INEM, de fora ficam ainda o pagamento de dívidas a fornecedores”, explica Maria Alcide Marques, presidente da instituição, acrescentando que “a situação é insustentável”. Segundo a presidente, “alguns membros da direcção já chegaram a colocar dinheiro do seu bolso para pagar a fornecedores, mas esta não pode ser a solução”. Mas nem os esforços para recolha de donativos, com a realização de bailes e noites de fado, conseguem fazer face às despesas de modo a equilibrar as contas. “Temos tido aumentos de combustíveis e de electricidade por um lado, por outro temos tido cortes nos apoios, sendo que o subsídio da Câmara se tem mantido” explica Maria Alcide Marques. “Podemos apelar à população e empresas para nos apoiarem, mas estas são receitas pontuais, nunca serão a solução para os nossos problemas financeiros”, explica, acrescentando que “também as empresas estão a passar por dificuldades, como tal, este apoio deveria vir do Estado”. “Precisamos da colaboração da Câmara para que as autoridades nacionais que têm o dever de nos financiar nos possam ouvir”, afirma. Se a corporação de bombeiros nunca deu lucro, desde o início do ano, com a alteração da forma de pagamento do transporte de doentes não urgentes, a associação agravou ainda mais os prejuízos. “Era através desse serviço que ainda garantíamos alguma sustentabilidade”, garante Maria Alcide Marques. O comandante e vice-presidente da associação, Mário Conde, diz que “a prestação dos serviços já está a ser afectada. Em Maio, recusámos 93 pedidos de socorro e, em Junho, tivemos que pedir a outras corporações para acorrer a 123 pedidos”. “Numa situação em que acorremos a um pedido feito pelos bombeiros de Queluz relativa a um acidente no IC19, momentos depois tivemos dificuldades em ter pessoal para um outro acidente no nosso território”, exemplifica Mário Conde.  O comandante acrescenta: “Na última semana houve um incêndio na Serra das Brancas e tivemos que enviar três carros dos bombeiros. Nesse dia gastámos o combustível que daria para uma semana”. A corporação já foi obrigada a dispensar quatro elementos contratados a prazo para poupar nas despesas. Porém,  depois faltam os meios necessários. Como exemplo, a situação criada com o último incêndio num sexto andar de um prédio. “Deveria ter enviado três viaturas, mas por falta de pessoal optei por não enviar uma auto-escada. Por acaso, o problema resolveu- se de outra maneira, mas poderia ter tido um mau desfecho”, considera o comandante. Apesar de manter o transporte de doentes não urgentes, a Associação dos Bombeiros Voluntários da Amadora reduziu substancialmente o serviço protocolado com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo desde o início de Junho. “Espero que não seja necessário uma catástrofe para que as autoridades olhem para nós”, conclui Maria Alcide Marques.
Milene Matos Silva

TURISMO CASCAIS Baía vai receber paquetes de luxo


Primeiro cruzeiro vai chegar em Agosto

A Baía de Cascais vai receber, a partir de Agosto, cruzeiros de luxo. Até ao final de 2013, estão confirmados 11 paquetes luxuosos, afirmando assim Cascais como um novo destino a visitar por passageiros e tripulantes destas embarcações. A chegada destes navios promete um grande impacto económico na Vila, uma aposta na requalificação e regeneração urbana e uma ‘golfada de ar fresco’ para o comércio local. "King's Coast" é o nome da empresa que criou o projecto da chegada de paquetes de luxo, tendo vencido, em 2010, o Concurso de Ideias e Negócios, promovido pela empresa municipal DNA Cascais. No passado dia 3 de Julho, foi assinado o protocolo que teve por objecto definir os termos e as condições de uma parceria entre Câmara Municipal e a Marina de Cascais de modo a proporcionar um aumento da procura da infra-estrutura náutica por embarcações de embarque e desembarque de passageiros. O presidente da Câmara de Cascais vincou que “formalizámos o contrato que coloca Cascais na rota dos cruzeiros. Com os nossos parceiros da Marcascais, o operador King’s Coast e com a Associação Empresarial de Cascais, estamos a dar o primeiro passo num plano mais ambicioso que visa aumentar a atractividade e a actividade económica na nossa vila, manter e criar postos de trabalho, gerando dinâmicas para o nosso tecido empresarial”. Carlos Carreiras frisou o empreendedorismo que cresce
em Cascais: “As boas ideias em Cascais são sempre bem-vindas. Esta, vencedora do concurso de ideias de negócio, é mais uma criada  e gerada com DNA de Cascais”. O edil sublinhou ainda que estamos perante “uma nova aventura. Uma aventura controlada. Era uma aspiração há muito tempo esperada”. “A experiência que temos dos outros países é que a chegada destes cruzeiros desperta outros interesses e outras marcas”, disse. “Podemos estar hoje a iniciar uma bonita história no concelho de Cascais que é criar um destino cada vez mais forte, com novas oportunidades para Cascais”. “The World” é o primeiro paquete de luxo a chegar e irá trazer cerca de 800 passageiros. Conhecido como navio-apartamento, “é um paquete onde os passageiros compram os quartos e as pessoas dão a volta ao mundo de barco. É a primeira vez que vai estar em Portugal e em Cascais, durante três dias”, frisou Manuel Ribeiro, da King's Coast. “Até Dezembro vamos ter um paquete por dia. Serão barcos mais pequenos com cerca de 300 pessoas. São clientes com muita capacidade financeira”, salientou este responsável. O presidente da Associação Empresarial do Concelho de Cascais (AECC) acredita neste projecto como força impulsionadora da revitalização e promoção do comércio de proximidade. Armando Correia disse que “é um projecto que pode ser uma mais-valia muito importante porque estamos perante turistas com um poder económico muito forte”. Pedro Garcia, responsável pela Marcascais, frisou que “o projecto é uma mais-valia para Cascais. A Marina é instrumental tanto para estes cruzeiros como para os eventos. Este projecto vai marcar a nossa vila. Será um sucesso. É importante para Cascais e também para a dinamização do comércio local”. Os paquetes de luxo vão ficar atracados na Baía e farão o transbordo dos passageiros para a Marina através de outras embarcações, sendo proporcionado aos visitantes um conjunto de serviços turísticos como golfe, prova de vinhos, degustação gastronómica e passeios turísticos pela região.
Francisco Lourenço

Câmara de Cascais promove apoio a famílias sobreendividadas


Município apresenta estratégia para a promoção da literacia financeira

Prevenir situações de sobreendividamento e reforçar a capacidade das famílias para a poupança e investimento são alguns dos objectivos da estratégia concelhia 2012-13 de “Promoção da Literacia Financeira e Apoio às Famílias Sobreendividadas” que a Câmara de Cascais apresentou esta segunda-feira, dia 9 de Julho. Este plano vai ser concretizado através de um conjunto de acções no âmbito da literacia financeira, transversais às várias faixas etárias, apostando numa lógica pedagógica. A autarquia não pretende “dar o peixe, mas antes ensinar a pescar”. Entre as acções de combate à redução das dívidas, no biénio 2012/2013, contam-se ‘workshops’ práticos, formação de técnicos, acções nas escolas, informação ao consumidor, sessões de sensibilização para seniores sobre burlas financeiras e jogos pedagógicos para crianças. Em declarações ao JR, Carlos Carreiras, presidente da Câmara, justificou a adopção desta estratégia: “Vivemos numa era em que a tolerância e condescendência perante o risco financeiro levou ao colapso de instituições, de famílias e até de países. Por isso, avançamos para um projecto que faz parte de uma visão estratégica que visa a criação de respostas sociais para situações de sobreendividamento. Fazemo-lo, dotando os consumidores de informação vital para que possam tomar decisões conscientes”. Carlos Carreiras considera que o sucesso da formação depende de cada um: “A decisão quanto às melhores escolhas para a nossa vida é individual. Mas cabe à Câmara dar as ferramentas necessárias para se evitarem situações de sobreendividamento. É por isso que ao nível autárquico, tomamos a iniciativa de dar apoio a famílias em situação de risco financeiro, nomeadamente através de gabinetes concelhios com técnicos especializados nesta matéria”. Durante a apresentação da estratégia, a Câmara, a Junta de Freguesia de Cascais e a Fundação Agir Hoje assinaram um protocolo de colaboração que visa a criação de um gabinete em Cascais, de atendimento à família sobreendividada. O “Gabinete Dívida Zero” vai estar em funcionamento a partir de dia 19 de Julho, todas as quintas-feiras, no período da manhã, na Rua do Poço Novo, em Cascais. Os munícipes que estejam em situação de sobreendividamento e que pretendam ser apoiados podem ligar para o número 808 78 2001 (linha de custo reduzido a partir da rede fixa) e agendar um atendimento. A par do que existe na ABLA (Associação de Beneficência Luso-Alemã) que funciona em parceria com a Junta de Freguesia de Carcavelos, este será o segundo “Gabinete Dívida Zero” a funcionar no concelho. Para implementar esta estratégia, a Câmara de Cascais conta com vários parceiros definidos, entre os quais, a Fundação Montepio, IBM, PSP, GNR, APAV, ABLA, Fundação Agir Hoje e Juntas de Cascais e de Carcavelos. 
Francisco Lourenço

quinta-feira, 5 de julho de 2012

OEIRAS Centro do Cafeeiro produz plantas à prova de pragas

 

O mundo do café não seria o mesmo sem investigação feita no concelho de Oeiras, na maior plantação da Europa

Poucos o sabem, mas Oeiras tem a maior plantação de café da Europa! Situa-se na Quinta do Marquês e ocupa meio hectare em estufas. Naturalmente, ali não se cultiva arábica ou robusta para produzir a revigorante bebida. Mas faz-se um trabalho que, desde 1955, tem sido essencial para manter muitos países produtores de café, desde o Brasil à Colômbia, passando pela Tanzânia ou Timor, a salvo de doenças que atacam em exclusivo aquele género de plantações, as principais das quais são a ferrugem alaranjada e a antracnose dos frutos verdes. Naquela época, temendo que o fungo que provoca a primeira daquelas maleitas (o Hemileia vastatrix) invadisse, também, o continente americano, os Estados Unidos investiram cerca de 116 mil dólares na construção das estufas em Oeiras para que ali fossem estudadas formas de combater aquela doença. De lá para cá, o Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC) recebeu milhares de cafeeiros e juntou uma colecção única no mundo que será o maior pesadelo de qualquer agricultor deste sector: mais de 3000 amostras de ferrugem, que permitiram identificar 45 estirpes do Hemileia! Num jogo de gato e rato entre fungos e humanos, os produtores de café ficaram a ganhar, prevenindo a dizimação das suas colheitas através de espécies mais resistentes e evitando, assim, o recurso à pulverização com pesticidas, técnica mais onerosa e, também, agressiva para o meio ambiente. Tão ou mais espantoso do que o facto de Oeiras ter o maior cafezal da Europa – na verdade, só o é porque não há outros no continente europeu, exceptuando projectos de menor dimensão em França – é a constatação da dimensão planetária do serviço prestado pelo CIFC. “Mais de 90% das variedades de cafeeiro com resistência às principais doenças cultivadas a nível mundial foram obtidas a partir de estudos feitos directa ou indirectamente no nosso centro”, sublinha ao JR a sua directora, Maria do Céu Silva, lembrando as relações de cooperação com mais de 40 países cafeicultores. Embora possa ser intrigante a escolha de Portugal para este efeito, a explicação é simples. Na verdade, só num país onde não há condições naturais para se cultivar café é que faz sentido este tipo de investigação, pois assim se evita que os fungos, que atacam apenas o cafeeiro, possam ir contaminar áreas inteiras de produção. “Mas também porque temos boas temperaturas, que permitem poupar no aquecimento das estufas e, ainda, porque tínhamos ligação à cultura do café nas antigas colónias e havia já investigação em curso”, acrescenta Vítor Várzea, responsável pela área de trabalho prático com os cafeeiros. A partir de 1989, os estudos com a ferrugem alaranjada foram estendidos à antracnose dos frutos verdes (Colletotrichum kahawae). Ambas as doenças estão disseminadas no continente africano, de onde a antracnose ainda não conseguiu sair, o que não evita que os produtores dos outros continentes temam esse desfecho. Por isso, os contributos do CIFC nas duas vertentes têm sido devidamente aproveitados. Um dos mais importantes foi a descoberta do híbrido de Timor, uma planta que mistura arábica com robusta e se revelou imune a todas as estirpes do Hemileia vastatrix que então se conheciam. Do cruzamento com outras variedades feito no CIFC resultaram, a partir de meados do século passado, plantas muito resistentes em vários pontos do mundo. “O nosso centro distribuiu as sementes das plantas híbridas de Timor, cruzou-as para obter outras variedades, que também enviou a praticamente todos os países que produziam café na altura”, realça Maria do Céu Silva. Tudo a troco de nada ou quase nada, o que nos dias que correm – em que a “ajuda” internacional só chega na condição de juros altos ou altíssimos – dá que pensar... “Temos um convénio com uma instituição privada da Colômbia desde há 35 anos que tem sido a fonte de receitas mais regular, embora tenha vindo a diminuir de valor; do México e do Brasil surgem algumas verbas de forma intermitente. Agora vamos avançar com um projecto na China, onde 90% de todo o material que eles lá têm foi mandado pelo centro, mas algumas das variedades estão a perder resistência e eles querem reatar a cooperação connosco”, revela a directora do CIC, aludindo ainda as relações fortes com a Índia, a colaboração com países africanos de língua inglesa, como o Quénia e a Tanzânia, ou com Angola que, antes da guerra, chegou a ser um dos principais produtores de café robusta em África. “Estão a tentar voltar à produção, já lá fomos duas vezes e fizemos propostas para reabilitar a cafeicultura, vamos a ver…”. O Brasil assumiu, ainda, uma forma de pagamento muito peculiar: “Em homenagem e reconhecimento ao trabalho feito pelo centro decidiram dar o nome Oeiras a uma das variedades que obtiveram em campo a partir de plantas que lhes enviámos”, orgulha-se Maria do Céu Silva. Jorge A. Ferreira

OEIRAS ‘Queremos ser guerreiros contra a crise’


Novo presidente da AITECOEIRAS, Eduardo Correia, antevê etapa mais ambiciosa

Colocar no ar uma espécie de “Ídolos” para seleccionar potenciais empreendedores e trazê-los para Oeiras, garantir grande proximidade com o AICEP Portugal Global e identificar as melhores empresas fora do concelho para eventual integração no conceito Oeiras Valley são as linhas mestras da estratégia de Eduardo Correia. Realizar uma espécie de “Ídolos” do empreendedorismo,
ou seja, um concurso televisivo que promova a identificação, em todo o país, de talentos na criação de novos negócios e os traga para Oeiras, é uma das apostas, provavelmente a mais mediática, com que a nova liderança da AITECOEIRAS – Associação para a Internacionalização, Tecnologias, Promoção e Desenvolvimento Empresarial de Oeiras, pretende dar um novo fôlego a esta entidade criada em 2008, na qual a Câmara Municipal é sócio fundador de referência. Cerca de um mês após iniciar funções como presidente da direcção, Eduardo Correia já tem uma ideia clara dos principais objectivos e desafios que tem pela frente e assume que esta é uma nova etapa na vida da AITECOEIRAS, “sem rupturas, mas com um estilo diferente, o que é natural, e uma interpretação própria da sua missão”. Aquele que foi o mentor do Movimento Mérito e Sociedade (MMS, constituído como partido em 2008) entende que o desejado concurso televisivo será “a forma mais rápida de promover, de uma forma massificada, ética, meritocrática e transparente, a entrada de novos projectos para criação de emprego e inovação” na região. “Há por este país fora muitos jovens empreendedores com capacidade ao nível do melhor do mundo, mas que, por falta de apoios, acabam por ver desperdiçado o seu talento… Oeiras tem todas as condições para ser o berço de um impulso decisivo neste domínio”, afirma, convicto, Eduardo Correia. Outra aposta programática será “acelerar” a operacionalização do protocolo efectuado, no início de 2010, com a AICEP Portugal Global (a agência nacional vocacionada para a globalização da economia portuguesa), “avançando para uma relação de grande proximidade que permita aproveitar a sua rede mundial de contactos (em cerca de 80 mercados) em benefício de um menu de empresas de Oeiras”. Ligada a esta vertente, mas num patamar diferente em dimensão e ambição, surge, ainda, a rede de localidades com as quais o município oeirense é geminado, nomeadamente em países de língua oficial portuguesa. Prosseguir o levantamento das melhores empresas existentes fora do concelho, com vista à sua eventual atracção para o município, completa o trio de pilares destacados ao JR por Eduardo Correia. Neste caso, o objectivo passa por “olhar para os concelhos vizinhos e para os distritos fora de Lisboa e identificar as melhores empresas com base em dois critérios: dimensão e talento/capacidade de inovação”. Depois, será preciso “tentar perceber quais, dentro desse grupo, são as que melhor se encaixam no aspecto central da identidade do concelho de Oeiras: a sua qualidade de vida, aquilo que distingue Oeiras dos outros concelhos”. No entanto, o novo presidente da direcção da AITECOEIRAS parte para esta empreitada consciente de que há muito para fazer. “Do ponto de vista operacional, arranca-se próximo do zero”, admite. De facto, o objectivo da internacionalização de negócios ainda só contemplou uma empresa oeirense desde que a AITECOEIRAS existe – a NWC. “Não há como pôr culpas porque não é fácil: Portugal não é país que no exterior seja reconhecido pela sua capacidade de fazer boas marcas e boas empresas; dele apenas se conhece, em geral, o fado e o futebol”, faz notar o nosso interlocutor, completando: “Os portugueses são bem vistos enquanto trabalhadores individuais, mas não enquanto gestores e geradores de marcas”. Por outro lado, os índices de notoriedade da associação não são os mais desejados, razão pela qual também está em curso uma mudança ao nível da sua imagem. Eduardo Correia desdramatiza e garante: “Esta nova etapa será muito mais operacional do que a anterior, o que é natural porque até aqui tratou-se de juntar as ferramentas necessárias para se poder avançar, agora, com mais aceleração e, porventura, com uma maior ambição”. A nova liderança da AITECOEIRAS terá "um estilo diferente”, nomeadamente na forma de lidar com a equipa de oito pessoas que dirige. “Estavam muito compartimentadas nas suas funções, hoje há maior discussão e partilha, assim como uma maior transparência entre todos”. Uma equipa que entre as palavras-chave que escolheu para caracterizar a sua acção incluiu o termo “Guerreiros”. Eduardo Correia explica o alcance da mesma: “Não sendo uma palavra central face às outras, de facto, faz sentido um espírito guerreiro porque estamos no meio de uma guerra económica contra uma crise relativamente à qual muitos de nós não somos responsáveis e em que só a força das nossas convicções e a confiança nas nossas capacidades podem assegurar que alcançamos um cais de melhor conforto”. E, a propósito de crise… “A AITECOEIRAS vive as mesmas dificuldades financeira do país”, admite o novo presidente, logo apontando o reverso positivo: “Nem outra coisa eu poderia aceitar, pois se não sentíssemos na pele a crise seríamos apenas seus comentadores e nós o que queremos é ser guerreiros contra a crise!” 
Jorge A. Ferreira

ALMADA Comércio critica mobilidade


Inquérito revela causas para quebras no negócio

Nos últimos dez anos quase metade das lojas do comércio local no perímetro de Almada Centro encerraram. As contas estão retratadas num relatório elaborado pela Delegação de Almada da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal (ACSDS), apresentado na passada semana, e que é tido pelas forças políticas eleitas no concelho como credível. Segundo a associação, no eixo central da cidade, que chegou a ser alvo do projecto “Almada Centro – Shopping e Lazer” desenvolvido em parceria com a autarquia, a contagem aproximava-se dos “500 espaços comerciais”, mas até Janeiro de 2012 o estudo apura que “encerraram 240 espaços comerciais”, o que “implicou directamente a perda de 500 postos de trabalho”. Para o presidente da Delegação de Almada, Gonçalo Paulino, este estudo “prova que a situação não pode ser apenas justificada com a actual crise económica” e atribui responsabilidades “ao Plano de Mobilidade XXI implementado pela Câmara de Almada”. O relatório teve por base 213 questionários, distribuídos no primeiro trimestre deste ano, abrangendo um universo representativo de todos os agentes económicos com porta aberta em Almada Centro. A estes correspondem 112 estabelecimentos de comércio a retalho; 29 de hotelaria e restauração; 13 de cabeleireiro e estética; 2 farmácias; 6 imobiliárias; 43 de serviços, instituições bancárias e seguradoras; 8 serviços de saúde. Verifica-se que neste perímetro cerca de 52,58 por cento dos inquiridos são agentes de comércio a retalho, sendo os serviços a segunda actividade mais representativa em Almada Centro. Com um total de oito questões o inquérito pretendeu apurar várias conclusões desde a situação do negócio, a afluência de pessoas a este eixo, desde que começaram as obras do metro até ao momento em que este funciona em pleno, o estacionamento, a pedonalização de parte deste eixo, a proibição de circulação automóvel e as novas regras de estacionamento. De uma forma global os agentes do comércio e serviços locais estão descontentes. A maioria aponta que o volume de negócios diminui, enquanto 89,67 por cento afirma que a afluência de pessoas em Almada Centro teve uma quebra desde a aplicação do Plano Mobilidade – Acessibilidades XXI. O inquérito apurou ainda indicadores expressivos, pela negativa, quanto à satisfação das pessoas relativamente aos impedimentos de circulação automóvel e à falta de estacionamento. O estudo reflecte também a opinião dos agentes económicos locais que apontam seis medidas para melhorar a vida na cidade. Estas passam, entre
outras, pela abertura ao trânsito no canal Centro Sul-Cacilhas, assim como do acesso directo à Avenida Cristo Rei. Pela racionalização da actuação da ECALMA, promoção dos espaços comerciais da cidade e criação de protocolos com empresas de transportes de turistas. Aliás, a falta de medidas para atrair turistas à cidade é uma das críticas apontadas pelo presidente da ACSDS.“Em Almada não há sinalética a dirigir os turistas para o centro da cidade”. Ao mesmo tempo Francisco Carriço não entende por que razão “a Câmara de Almada deixou de ouvir os comerciantes”, inclusivamente lembra um estudo conjunto entre a autarquia e a associação elaborado “há cerca de dez anos, que foi abandonado”. Um estudo que entre várias propostas definia acções de dinamização da cidade. “Se nos ajudarem temos capacidade para apresentar ideias tanto para dinamizar o centro da cidade de Almada, como da cidade da Costa da Caparica”.
A isto Gonçalo Paulino acrescia que a Delegação de Almada “já apresentou várias sugestões para melhorar a circulação na cidade”, inclusivamente “à equipa que está a elaborar a revisão do Plano Director Municipal” mas “não nos dão importância”. Para o presidente da Delegação de Almada “já não há tempo para mais experiências com a mobilidade de Almada, é precisar resolver”. Entretanto a maioria CDU que gere a autarquia, sem fazer grandes comentários a este relatório apresentado também na última Assembleia Municipal, avançou através da presidente da Câmara, que “está em curso uma avaliação das soluções implementadas em todo o concelho no âmbito do Plano de Mobilidade – Acessibilidades XXI”. Segundo Maria Emília de Sousa, está a ser feito um trabalho, que está “em fase avançada”, de “longo alcance para perceber as soluções que são de manter e as que são de alterar”, ao que acrescentou: “Temos tido o cuidado de perceber a mobilidade da população que vive no território de Almada”. 
Humberto Lameiras