quinta-feira, 5 de julho de 2012

Polis da Costa na mesa de Cristas


Autarcas de Almada reúnem com ministra do Ambiente. PS exige explicações ao Governo

Assunção Cristas vai receber no próximo dia 9 de Julho os autarcas de Almada para debater a reprogramação do Programa Polis na Costa da Caparica. Esta reunião acontece depois dos autarcas terem pedido a intervenção do próprio primeiro-ministro e protestado contra a reprogramação, alegadamente à revelia do accionista município, apresentada recentemente pelo conselho de administração do accionista Estado, que representa 60 por cento da Sociedade CostaPolis. Para além de exigir que seja mantido o enquadramento financeiro para este programa, a autarquia considera que o mesmo só tem possibilidade de se realizar integralmente se o prazo de execução for alargado até 2017. Ora a proposta do Estado é que o Polis da Costa da Caparica termine já em2013. “Isto não é possível”, afirmava recentemente a presidente da Câmara de Almada ao Jornal da Região. Dos oito projectos estruturantes do programa apenas dois têm planos de pormenor em fase final, pelo que é de esperar que na reunião de segunda-feira os autarcas apresentem à ministra a realidade que está no terreno e voltem a exigir umprazo de obras até 31 de Dezembro de 2017. A continuidade deste plano estratégico foi, aliás, aprovada na última Assembleia Municipal de Almada. O PSD e CDS de Almada votaram contra a moção apresentada pela CDU, mas o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, eleito pelo PSD, absteve-se. Após a votação, o social-democrata António Neves fez uma declaração de voto onde
não poupou o Governo. “Infelizmente o Governo não consegue ver que está a ser mal informado por quem está contra o desenvolvimento sustentado da Costa da Caparica”. Para o presidente da cidade da Costa não é entendível que em outras zonas turísticas do país “tudo seja feito para a requalificação e atracção turística”, enquanto na Costa da Caparica, “nem as escadas de acesso ao areal são reparadas. Algumas terminam a mais de dois de altura da praia”. Socialistas vão interpelar Governo Os deputados socialistas eleitos por Setúbal vão avançar com uma iniciativa parlamentar na Assembleia da República para clarificar responsabilidade da gestão sobre as obras do Programa Polis da Costa da Caparica. “Não podemos permitir que o desinvestimento que agora se anuncia comprometa o investimento que foi feito no passado, e estamos certos que é possível que o Governo, a Administração Central e a Câmara Municipal de Almada encontrem formas de articulação e de relacionamento que permitam aproveitar todas as potencialidades que o Polis tornou possíveis na Costa da Caparica”, afirmou a deputada Eurídice Pereira, durante a visita da passada segunda-feira à Costa da Caparica. A deputada receia que o Governo se esteja a preparar para abandonar este Polis lançado em 2001, quando lhe atribui um prazo de conclusão já para o próximo ano. Para os socialistas este é demasiado curto para executar os planos de pormenor em falta. Durante esta visita os deputados socialistas ouviram representantes dos concessionários da cidade atlântica, que manifestaram “desagrado e incompreensão” pela taxação que irá surgir do estacionamento de superfície, por decisão da autarquia. Consideram os comerciantes locais que, “num momento de crise, este é mais um factor que contribui para o afastamento de turistas e visitantes”.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Sintra reforça bem-estar animal


Novo Canil Municipal tem capacidade para receber 250 animais por mês

Após um investimento de um milhão e meio de euros, as novas instalações do Canil Municipal de Sintra foram, finalmente, inauguradas. Dois anos mais tarde do que chegou a ser anunciado, os animais à guarda do município passam a dispor de condições de bem-estar no novo Gabinete Médico Veterinário Municipal de Sintra. O equipamento foi inaugurado no Dia do Município, na passada sexta-feira. O novo Canil Municipal ocupa uma área de oito mil metros quadrados, dividido por áreas médica/administrativa e serviços, sequestro e quarentena, triagem, alojamento para cães (adopção) e gatil. As novas instalações dispõem, ainda, de uma zona reservada para animais de grande porte, como cavalos e ovinos errantes na via pública. O projecto foi idealizado para dar resposta às necessidades do concelho, podendo receber mensalmente cerca de 250 animais abandonados ou vítimas de maus-tratos. Para trás fica o antigo canil que constituía "um espaço único, com os animais confinados a pequenas boxes, com todos os problemas que daí resultavam, nomeadamente a transmissão de doenças infecto-contagiosas, aumento da agressividade entre animais e falta de condições de internamento", como alertava ao JR, já em 2009, a médica veterinária municipal, Alexandra Pereira. Nas instalações agora inauguradas, a zona médica está dotada de uma sala de cirurgia, diversos consultórios e sala de raio-X, para atendimento dos animais ali instalados. O espaço de sequestro e quarentena está dotado de 48 boxes individuais, onde os animais ficam oito dias, "para se perceber se desenvolvem alguma doença infecto-contagiosa ou se são reclamados pelos proprietários". Após o período de quarentena, os animais serão encaminhados para a ala de adopção que dispõe de uma zona coberta para pernoita e pátios exteriores, num total de mais de 48 boxes. A construção do novo canil, situado paredes-meias com as antigas instalações, junto à Polícia Municipal de Sintra, "significa um dos principais investimentos públicos de canis municipais no país, sendo uma obra emblemática para o concelho e para o país, principalmente num tempo em que sentimos que há cada vez mais animais abandonados", frisou Fernando Seara. O edil frisou, aliás, que até os tribunais estão a solicitar cada vez mais que o Canil Municipal proceda à recolha de animais, no âmbito de acções de despejo. "São os sinais da crise...", frisou o presidente da Câmara. "Há muitas situações de abandonos de animais e estamos constantemente a ser requisitados, por parte do tribunal, para irmos buscar animais a apartamentos e mesmo a quintas", acentua Ana Duarte, vereadora responsável pelo Gabinete Médico Veterinário Municipal, que, para esta semana, já tem uma notificação para a recolha de cerca de 50 cães numa quinta. "De um dia para o outro, temos de ter espaço para todas estas solicitações", adverte a autarca. A elevada taxa de adopção acaba por evitar o caos no canil situado na Avenida Almirante Gago Coutinho, na estrada que liga a Portela de Sintra a Mem Martins. Para Ana Duarte, "com as novas instalações, será mais fácil a adopção, porque nas antigas as pessoas não tinham oportunidade de ver os animais. No novo canil, a recuperação também será mais rápida, por dispormos de excelentes meios médicos". Na área de sequestro e quarentena do canil, são visíveis ainda muitos cães de raças potencialmente perigosas, como pitbull, "que são abandonados após lutas de cães". Em 2011, o Canil Municipal recebeu 1777 animais, dos quais 1394 foram recuperados pelos proprietários ou reencaminhados para adopção. Já em 2012, no primeiro semestre, deram entrada cerca de mil cães e gatos, tendo sido recuperados ou adoptados 775 animais.
João Carlos Sebastião

SINTRA Recuperar património alicia jovens


Escola Profissional divulga cursos no exterior do Museu de Arte Moderna

É um trabalho de muito mérito, mas ainda pouco conhecido, aquele que se faz na Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra. Muitos visitantes de palácios e monumentos olham com aprovação para os edifícios históricos e seus recheios devidamente cuidados, mas raros são os que sabem como se faz e quem executa esse trabalho de resgate sobre o tempo que passa. Numa iniciativa inédita, entre terça-feira e domingo passado, o simples transeunte, indígena ou forasteiro, pôde ver de perto e ao vivo, no pátio exterior de entrada do Museu de Arte Moderna, alunos a trabalhar nas seis áreas que constituem o Curso de Conservação e Restauro ministrado por aquela escola: azulejaria, cantarias, estuques, madeiras, metais e pintura mural. Naturalmente, a ocasião foi aproveitada, também, para cativar o interesse de eventuais candidatos à frequência daquele curso ou dos outros dois (fotografia e ‘design’) disponibilizados naquele estabelecimento de ensino criado e apoiado pela Câmara de Sintra e que conta, de momento, com cerca de 140 alunos e perto de meia centena de professores. “Ainda estávamos amontar esta intervenção e já havia jovens a inscreverem-se na escola”, testemunhou ao JR Ana Bettencourt, directora da EPRPS, satisfeita com a iniciativa “A Escola Sai à Rua” e planeando mesmo a sua repetição regular no futuro, estendendo-se para outros locais públicos de Sintra. Com capacidade para 25 alunos, o Curso de Conservação e Restauro tem tido sempre bastante procura, o que até permite fazer alguma selecção. “Todos os que se inscrevem fazem provas para definirmos se têm mesmo aptidões e vontade de estar nesta área, que é uma área difícil: uma formação de três anos, com 3200 horas, grande parte delas de componente prática, exige muito esforço”, sublinhou aquela responsável. Em contrapartida, a recompensa pode estar bem perto. “É um curso que continua a ter uma grande empregabilidade porque a construção de novos edifícios está parada e o que está a progredir é a conservação/reabilitação e o restauro, mesmo por intermédio de grandes empresas de construção civil que também se viraram mais para esta área”. Muitos alunos da EPRPS (ensino técnico-profissional, permitindo fazer do 10.º ao 12.º ano de escolaridade) acabam por ingressar no Ensino Superior, seja na Universidade Nova de Lisboa – um ensino mais teórico, com muita aprendizagem de química – ou na Escola Superior de Tecnologia de Tomar, numa vertente mais prática. “Essa opção em prosseguirem os estudos satisfaz-nos muito porque os nossos alunos ficam ainda com mais habilitações para intervir futuramente. Mas mesmo os que terminam estudos no 12.º ano acabam por encontrar emprego aqui no concelho porque há bastantes empresas a trabalhar em conservação e restauro no património de Sintra”. Incentivos a que se junta a perspectiva de que mais trabalho possa surgir nesta área por via da nova legislação sobre o arrendamento urbano… “Na verdade, não temos mãos a medir!”, conclui Ana Bettencourt. A directora da escola não esconde, porém, que este ano lectivo registou um número de desistências entre os alunos que não se verificava anteriormente, mesmo que “sem grande significado” em termos quantitativos. “Muitos dos casos são motivados por razões económicas, às quais nós tentamos acudir, mas nem sempre é possível…”, reconhece, atribuindo a situação aos “constrangimentos económicos e financeiros que o país enfrenta”. Na realidade, os cursos são gratuitos, mas há sempre encargos a considerar. Tiago Gonçalves, de 20 anos, sabe disso, mas apenas pelo que vê acontecer a outros. “Reduziram o desconto no passe para estudantes com menos de 18 anos e isso tornou a despesa um bocado pesada demais”, confirmou o aprendiz, enquanto executava trabalhos de cinzelagem em latão com a
supervisão de um dos vários mestres presentes na iniciativa. O início da sua relação com a EPRPS não terá sido muito diferente  da de outros alunos. “Estava a fazer o 11.º ano na Escola Secundária de Seomara da Costa Primo, na Amadora, um pouco farto do meu curso (Artes Visuais) porque não via grandes propostas de futuro e ainda tinha de melhorar muito as notas…”, contou, justificando a interrupção dos estudos. Até que um dia… “A minha mãe descobriu esta escola e eu fiquei muito entusiasmado com o que vi no ‘site’. Todas as disciplinas me cativaram logo, mas sobretudo metais e estuques, que ainda hoje são as minhas favoritas”, acrescentou o jovem. Terminado o 2.º ano do curso, ambiciona seguir o Ensino Superior daqui a um ano, quando completar o curso. “Para poder passar de assistente para conservador”, indica, embora já “mentalizado” para a provável necessidade de ter de deixar esse passo para mais tarde, uma vez que “Tomar ainda fica longe e implica outro tipo de despesas”. Por ora, cumprirá mais um ano para enriquecer a sua aprendizagem na EPRPS. O que antevê com entusiasmo: “É uma escola com excelentes condições, e agora vou ter ainda mais aulas práticas, mais trabalhos de restauro para fazer em vários locais interessantes”.
Jorge A. Ferreira

quarta-feira, 27 de junho de 2012

ESTORIL Feira de Artesanato anima Verão na Linha


Organização espera cerca de 120 mil visitantes

A Feira de Artesanato do Estoril (FIARTIL) já tem as portas abertas, desde a passada quinta-feira, com mais de três centenas de artesãos a mostrarem as suas peças, num recinto enriquecido por restaurantes, esplanadas e um vasto programa de animação musical, que inclui nomes como Paulo de Carvalho, Vitorino, Lenita Gentil, Carlos Alberto Moniz, Ana Lains e Cuca Roseta. Aberta até ao próximo dia 2 de Setembro, a FIARTIL, que já vai na sua 49.ª edição, será um dos lugares de eleição para as noites de Verão da Costa do Estoril. Este ano, apresenta como novidade um concurso de Fado, que visa descobrir novos talentos da canção classificada como Património Imaterial da Humanidade. Com oito espaços de restauração, zonas de petiscos, padaria e pastelaria, a feira disponibiliza, semanalmente, demonstrações gastronómicas de várias regiões do país e oferece ainda um espaço infantil com monitores especializados, onde as crianças podem participar em ateliês, espectáculos e jogos. “São esperados cerca de 120 mil visitantes”, disse o presidente da Cascais Dinâmica, empresa municipal organizadora do evento. Duarte Nobre Guedes está esperançado que a crise económica não vai afectar este certame. “Já o ano passado estávamos a viver a crise e a feira esteve sempre cheia. É um óptimo local para as pessoas e famílias visitarem e darem um passeio. As entradas, durante a semana, são de apenas um euro”. Oliveira Martins, director da FIARTIL, apresentou entre outras novidades, o concurso do Fado ao Domingo, que terá a grande final no dia 2 de Setembro.“Ao longo de 11 semanas, vamos ter dois grupos de 24 cantores que vão sendo eliminados até restarem dois. Vamos ter um júri composto de grandes profissionais nesta área para descobrir a voz 2012 do Fado. O vencedor terá direito a um prémio monetário de 1500 euros, mais a gravação de um CD em estúdio, o agenciamento de espectáculos e entrevistas nos ‘media’”. Na inauguração da feira, o presidente da Câmara, Carlos Carreiras, salientou a importância do certame para “reforçar mais a componente e o apoio aos artesãos portugueses e à nossa gastronomia”. Além do programa de música, que conta também com grupos etnográficos, ranchos folclóricos, orquestras, bandas filarmónicas e jazz, as atenções centram na centena de 'stands' que evidencia o mais variado artesanato. José do Bau veio de Lisboa e apresenta uma forma original de trabalhar a madeira, ferro e chapa. “Reproduzo peças com estes materiais e procuro ser original. Tento apresentar coisas que ainda não existem no mercado, seguindo a minha linha. Aqui estão algumas das minhas peças que podem ser usadas no interior como no exterior, como nos jardins para onde estou a desenvolver uma linha de carpetes de madeira”, salientou este artesão. Esta é a segunda vez que está presente na FIARTIL. “Considero esta feira muito importante para divulgar os meus trabalhos. É um evento muito procurado por estrangeiros e dessa forma os meus artigos também ultrapassam fronteiras quando os compram”. Catarina Imhof veio de Oeiras e é a responsável pelo expositor “Trapos by Imhof”. Altera roupa com novas ideias. “Estou na Fiartil há três anos. Costumava fazer 15 dias de exposições e vendas, mas este ano vou ficar os dois meses. Tenho tido uma boa receptividade. As pessoas voltam e recomendam as minhas peças. Já trabalho neste projecto há quatro anos e meio. Através da alteração da roupa a preços acessíveis e com qualidade, fabrico peças únicas garantindo assim a fidelidade dos clientes”, salienta Catarina Imhof, que está agora a lançar a moda de homem. 
Francisco Lourenço

AMADORA Demolições geram novo protesto


Bairro de Santa Filomena vai mesmo abaixo
Um ferido ligeiro foi o resultado da contestação de um grupo de moradores do bairro de Santa Filomena que apoiados pela Plataforma do Direito à Habitação se manifestaram na quinta-feira, 21 de Junho, em frente à Câmara Municipal da Amadora (CMA). Um confronto que terá ocorrido quando os manifestantes tentavam entrar no edifício municipal no decorrer do protesto. O presidente da autarquia, Joaquim Raposo, garante que “o bairro é para demolir” e “só terá casa quem tem direito a ela”. A história repete-se e mais de seis anos depois do fim do bairro da Azinhaga dos Besouros, em Alfornelos, que levantou tanta polémica devido às demolições, agora é a vez dos moradores do bairro de Santa Filomena que estão fora do Programa Especial de Realojamento (PER) exigirem uma alternativa habitacional aquando do fim do bairro. Motivo que levou meia centena de pessoas a protestar na quinta-feira, dia 21 de Junho, junto às instalações da autarquia contra as demolições, que estão previstas ocorrer até ao final do mês. Um dos moradores do bairro de Santa Filomena, Daniel Lopes Barros, contou à Lusa que os manifestantes entraram na Câmara e conseguiram entregar a carta que tinham para o presidente do município, Joaquim Raposo. O mesmo morador indicou que esta pretendia ser uma “manifestação pacífica para tentar negociar com a vereadora”, que na quarta-feira recebeu uma delegação do bairro e que terá referido na reunião que quem não tiver direito ao realojamento “deve regressar à terra de onde veio e que a Câmara paga”. Magda Alves, da Plataforma pelo Direito à Habitação, afirmou também à Lusa que “centenas de pessoas, mais de metade são desempregados, receberam cartas de despejo com datas de 15 de Junho e 05 de Julho”. Junto à Câmara, os manifestantes empunhavam cartazes onde se podia ler: “quem não tem casa não tem nada” e “não queremos esmola da câmara, mas sim solução”. Num comunicado, a Plataforma do Direito à Habitação e os moradores do bairro de Santa Filomena indicam que os habitantes se recusam a ser tratados como “lixo” pela autarquia. “Várias dezenas de nós, moradores e moradoras do bairro de Santa Filomena – Amadora temos estado a receber notificações camarárias informando-nos que as casas onde habitamos vão ser demolidas brevemente”, lê-se no texto. Caso avancem as demolições, os moradores garantem que vão ser forçados a “viver na rua”. “A Câmara Municipal da Amadora deu-nos a ‘escolher’ um de dois caminhos: a repatriação para Cabo Verde, ou três meses de renda. Depois, cada um que se amanhe. Somos pobres, muitos de nós desempregados ou subempregados (quem ainda consegue arranjar trabalho)”, acrescenta o comunicado. O presidente da autarquia, em declarações ao JR, lamentou que o protesto pelo direito a habitação seja feito sempre pelos mesmos. “Os manifestantes são os mesmos que há vários anos ocuparam os telhados da Azinhaga dos Besouros, só mudaram de telhado”, ironizou Joaquim Raposo, aludindo ao envolvimento da Plataforma pelo Direito à Habitação. O autarca esclareceu que "no século XXI não é admissível a existência de bairros como os que existem na Amadora, como o de Santa Filomena, Quinta da Lage, 6 deMaio e Estrada Militar da Damaia” e, por isso, “todos eles têm os dias contados”. Quanto à atribuição de casas com rendas sociais apoiadas, “só vai ser realojado quem cumprir os requisitos exigidos, caso contrário, não seria justo, porque todos nós pagamos para que as pessoas carenciadas possam ter direito a uma renda apoiada”. “Esta questão das casas custa a todos e todos temos que pagar”, reafirma, acrescentando que “as casas vão abaixo e quem tem direito a casa é realojado e quem não tem direito não é”. Em comunicado, autarquia fez ainda saber que “desde há largos meses que se vem procurando, num trabalho conjunto entre as famílias e as entidades públicas, encontrar soluções de acordo com as características e necessidades de cada agregado familiar”. 
Milene Matos Silva, com Lusa

quinta-feira, 21 de junho de 2012

MARIA EMÍLIA DE SOUSA ‘Em Almada tomamos medidas de fundo’


Presidente da Câmara analisa actual estado do concelho, a propósito do Dia do Município, que se comemora a 24 de Junho

A presidente da Câmara de Almada considera que o Governo está a aplicar leis que sufocam os municípios. Em entrevista ao Jornal da Região, a comunista Maria Emília de Sousa é dura nas palavras e afirma que o Poder Local está em risco.Diz ainda que uma das soluções para tirar o País da crise é avançar com as Regiões e rentabilizar o património local.
Quase no fim de mais um ciclo das Opções Participativas pelas onze freguesias do concelho, que conclusão tira das sugestões, e por vezes queixas, da população?
Este novo ciclo confirma que o trabalho feito com base nas contribuições das populações em 2011, foi efectivo. Para além de termos respondido às questões colocadas pelas pessoas, muitos dos contributos foram tidos em conta na elaboração das Opções do Plano e Orçamento 2012, e estamos a executar esse plano. Os novos contributos, para além de ajudarem a orientar a nossa intervenção, vão ser considerados no Plano para 2013.
A mobilidade no concelho de Almada é destacada pela população como um dos grandes problemas. Que decisões tomou o executivo da Câmara Municipal?
A mobilidade não é apenas uma questão local. No que depende da Câmara tem havido uma actuação permanente, mas estamos dependentes de opções e políticas nacionais. Para aliviar os problemas de trânsito dentro do concelho é determinante construir os nós de acesso à A2; há mais de 20 anos que alertamos os governos, mas tem sido sempre adiado. Os autarcas de Almada, Seixal e Barreiro pediram ao actual ministro da Economia uma audiência para tratarmos desta questão, entre outras, mas ainda não teve tempo para nos receber. Esperamos que o faça, porque este é um problema que afecta diariamente as populações e condiciona o desenvolvimento económico e social da região. Não faz sentido que muito do trânsito que atravessa a Ponte 25 de Abril tenha de passar pelo Centro Sul. Isto só se resolve quando o troço entre o Fogueteiro e a Praça da Portagem for assumido como urbano, e isso implica a abertura do nó de Corroios.
O índice de cobertura dos Transportes Públicos é outra das críticas repetidas pela população. O que pode a Câmara fazer nesta matéria?
É outro dos assuntos que pretendemos colocar ao ministro da Economia. Os Transportes Colectivos dependem dos decisores nacionais e dos operadores. As pessoas queixam-se não só da redução de carreiras, mas também da falta de articulação entre os diferentes modos de transporte. Não são os municípios que atribuem as indemnizações compensatórias aos operadores rodoviários.
Defende que deviam ser os municípios a lançar o concurso público para a concessão da exploração do transporte rodoviário urbano. Porquê?
É uma garantia para as populações serem mais bem servidas. Não me refiro ao transporte rodoviário interurbano ou regional, essa competência tem de ser estabelecida noutro patamar. Mas todos deveriam estar articulados na Autoridade Metropolitana de Transportes, mas este organismo
ora avança, ora recua, e tem sido assim sempre que muda o governo. A Autoridade Metropolitana de Transportes tem de ter competências de fiscalização, articulação, tarifários e outras matérias. A Área Metropolitana de Lisboa devia corresponder a uma autarquia regional eleita por sufrágio directo e universal, com Assembleia Metropolitana e uma Junta Metropolitana com poderes deliberativos e executivos. Se assim fosse a Autoridade Metropolitana de Transportes já existia.
Ultimamente tem insistido na necessidade de existirem Regiões. Porquê?
Depois de 34 anos como autarca, dos quais 25 anos como presidente da Câmara e com experiência também ao nível da Área Metropolitana de Lisboa, tenho conhecimentos que me permitem ter opinião sobre esta matéria. Se existissem as cinco regiões-plano com órgãos eleitos por sufrágio universal, os fundos comunitários teriam sido mais bem geridos e o País não teria chegado ao atraso a que chegou. Isto não é difícil de perceber, basta olhar a evolução do país pelo que foi feito pela mão do Poder Local. Se as regiões existissem, com competências descentralizadas pela administração central, teríamos um território nacional desenvolvido de forma equilibrada. 

Mas temos um País gerido a partir do Terreiro do Paço. Aliás, a criação das Regiões está prevista na Constituição da República. Acredita que as Regiões poderão, um dia, ser criadas? 
O panorama actual é continuar a adiar. O País é um laboratório permanente onde diferentes políticos vão ensaiando as suas ideias.As comunidades intermunicipais e as autoridades metropolitanas, não eleitas directamente pelas populações, não funcionam. Mas em vez de se criarem as Regiões são aplicadas políticas para acabar como Poder Local. Actualmente quem executa os planos regionais são os ministérios. Isto é um absurdo.
Qual a situação do Programa CostaPolis depois de ter estado um ano a aguardar a eleição da assembleia-geral?
A Sociedade CostaPolis é formada pelo accionista Estado (com 60 por cento), e o accionista município (40 por cento). É ao accionista maioritário que compete marcar a eleição da assembleia-
geral, o que já foi feito (o Estado tem dois administradores e a autarquia um). Quando o actual Governo tomou posse pedimos uma audiência à ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (Assunção Cristas). Eu, o presidente da Assembleia Municipal e o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica fomos recebidos, em Setembro do ano passado, e a senhora ministra garantiu-nos que o plano estratégico não estava em causa, que o tempo para a sua concretização seria aquele que fosse necessário e que o resultado da venda dos terrenos cedidos pela autarquia e Estado seria aplicado na operação. Disse também que o Orçamento de Estado não contemplaria verbas para o Polis face à situação nacional, mas ficou a possibilidade do programa poder beneficiar de recursos financeiros do QREN. 

E ficaram tranquilos?
Ficámos! Mas estranhámos que o processo continuasse parado e pedimos a intervenção do senhor primeiro-ministro que nos remeteu novamente para a ministra, que não nos voltou a receber. Entretanto, recentemente, fomos confrontados com uma reprogramação apresentada em conselho de administração da CostaPolis que não respeita o plano estratégico. Uma reprogramação que não teve a participação do accionista município. Esta determina que o programa é para ser executado até 2013. Isso é impossível. Significa uma amputação do plano estratégico. O representante da autarquia votou contra a reprogramação e pedimos uma reunião à senhora ministra, com carácter de urgência. Foi-nos dito que será este mês. 

O município exige que o Programa Polis decorra até 2017, mas perante o limite de 2013 o que vai ser executado? 
Esta situação não está resolvida. A decisão final será tomada em assembleia-geral, através do accionista Estado e accionista município. É preciso saber se a proposta apresentada resulta de instruções dadas pelo Governo aos seus administradores na CostaPolis, ou não. Por isso neste momento tem de ser o primeiro-ministro a clarificar esta situação. É preciso saber se o que o Governo quer é enterrar o Polis da Costa da Caparica e adiar o potencial da freguesia. 
E os projectos dependentes da Unidade de Gestão do Programa Operacional  Regional de Lisboa (POR), qual o ponto de situação?
O Governo pretende limpar o QREN e, entretanto, a plataforma POR está bloqueada não permitido aceder para saber o ponto de situação. Temos tudo em marcha, esperamos que as candidaturas aprovadas não estejam em causa. Mas é preciso confirmar. Entretanto o Tribunal de Contas está a pedir documentação sobre as candidaturas aprovadas, mas com a plataforma bloqueada não temos acesso às reprogramações e tudo isto causa atrasos nas candidaturas no âmbito do QREN.
O município está num impasse nesta matéria?
É absurdo que o Tribunal de Contas não aceite uma declaração do município a garantir que, mesmo sem QREN, as obras serão feitas. Estas obras são pequenos contributos para a nossa economia, mas muito importantes para as empresas.
E quanto aos grandes projectos como Almada Nascente – Cidade da Água e o Arco Ribeirinho Sul, há garantias de que avançam?
Estão também adiados. Os municípios estavam a trabalhar com a Sociedade Arco Ribeirinho Sul e já tínhamos em perspectiva as sociedades executoras locais. Já estava clarificado como seria a transformação deste território (Margueira, Siderurgia Nacional e Quimiparque) e qual o valor financeiro. Mas o Governo decidiu extinguir a Sociedade Arco Ribeirinho Sul. Mas em substituição criou a empresa Baía do Tejo. Mas veio alterar o ritmo de trabalho. Estávamos a trabalhar no plano de urbanização de Almada Nascente, que está aprovado e em condições de ser executado. Também me preocupa a substituição de todas as pessoas do conselho de administração, com isto perdeu-se a memória de um processo que foi construído por etapas. Estávamos, inclusivamente, a elaborar um plano de ‘marketing’ promocional para ser apresentado dentro e fora da Europa sobre o potencial aqui existente. Entretanto foi apontado um grupo de acompanhamento presidido pelo presidente da CCDR-LVT, com as três câmaras e organismos ministeriais, vamos ver.
Considera que se está perder tempo na execução de projectos que podem ajudar a acalmar a crise financeira nacional? 

É necessário rentabilizar o património que temos para ajudar o País a sair do buraco. Não basta dizer que estamos em crise e cumprir bem a lição. É preciso transformar o que temos em dinheiro, dar trabalho às empresas nacionais e criar postos de trabalho, isso passa por transformar áreas industriais desactivadas e desenvolver uma Costa atlântica que tem um valor incalculável. A recuperação financeira do País não passa por vender empresas e alienar o pouco que o Estado ainda tem. É bastante crítica do Livro Verde da Reforma da Administração Local. Já lhe chamou “golpe de estado” legislativo. É o Livro Negro de destruição da autonomia e natureza do Poder Local. É o caminho da marcha atrás para a qualidade vida e direitos sociais das populações. Foram gerações de entrega a um Poder Local que está a caminho de ser destruído.
Refere-se à extinção de freguesias?

O corte de freguesias é uma machadada tremenda na vida das populações. Já tiraram escolas, centros de saúde, tribunais, agora são as freguesias, isto a pretexto da rentabilidade. Mas que rentabilidade? E a qualidade de vida das pessoas? A rentabilidade social é indissociável da rentabilidade económica. É preciso pensar nas consequências. Há aqui uma visão estreita e tacanha que tem responsáveis. É muito perigoso quando o poder económico domina o poder político, isto põe em causa a democracia. E o argumento usado para aplicar a Lei dos Compromissos também é uma falsidade. E a proposta de lei sobre a redução dos quadros dirigentes diz ser “estúpida”. É uma loucura. O corte é para aplicar à Câmara Municipal e Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, em que cada estrutura tem o seu quadro de pessoal. O que se pretende é criar limites aos dirigentes no somatório das duas entidades, tendo por base a população. Ou seja, uma câmara com a mesma população que o nosso município que tenha criado várias empresas municipais e ficou com pouco para gerir nos seus serviços, pode ter tantos dirigentes como a Câmara de Almada que tem toda a gestão de serviços internamente. É uma lei estúpida. O critério não pode ter por base o número de população. O adequado é estabelecer um critério em que os encargos com a estrutura dirigente seja uma percentagem da massa salarial da Câmara.
Qual é então o objectivo desta lei?
É privatizar. O objectivo é esvaziar o Poder Local e as funções do Estado. Por isso digo que é um “golpe de estado” por via legislativa, que coloca em causa os direitos dos cidadãos inscritos na Constituição da República. A lei dos dirigentes e do Sector Empresarial Local ainda está da Assembleia da República; vamos ver.
As novas regras impostas às empresas municipais colocam em causa a Ecalma?
A Ecalma está de boa saúde. O Sector Empresarial Local pretende empurrar os municípios para privatização dos serviços públicos. Primeiro criam o garrote à gestão e depois vêm com a bondade de que podem recorrer a capitais privados. As novas regras obrigam as empresas municipais a terem como receita 50 por cento das despesas de funcionamento. A Ecalma tem receita para a sua despesa de funcionamento. O que precisou, quando foi criada, foi de investimento em instalações, material circulante, equipamento, etc.; e isso não entra nestas contas.
Que leitura faz do memorando de acordo assinado entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses para ajudar as autarquias endividadas?
Nem todas as autarquias estão de acordo com um memorando que não promove a economia local. Os mil milhões de euros que o Governo diz que vai disponibilizar aos municípios com dívidas, são o que nos foi tirado pelo Orçamento de Estado nestes últimos três anos. Por outro lado, o memorando não dá dinheiro às autarquias, empresta e cobra juros. Mais ainda, obriga os municípios, durante 14 ou 20 anos, a aplicarem as taxas máximas no IMI, na Derrama, nos resíduos sólidos e água e a rever as licenças nivelando por cima. Impede ainda os municípios de fazerem protocolos com o movimento associativo e reduzir as despesas ao essencial. O que é reduzir ao essencial quando estamos a falar de serviços à população? 

Almada vai precisar de recorrer a este memorando?
Não! A nossa situação financeira não precisa. Só espero que não nos tirem o tapete. Este memorando obriga ainda os municípios que recorrerem ao empréstimo a desistirem dos processos judiciais que avançaram contra o Estado. No caso de Almada, teríamos de desistir do processo que exige um milhão de euros que o Ministério da Cultura deve ao município pela construção do Teatro Municipal e tínhamos de desistir da providência cautelar contra a cobrança de 5 por cento do IMI de 2011. Por isso, digo que este memorando é uma chantagem.
Humberto Lameiras

Isaltino condena ‘ataque’ ao Poder Local


Foi um presidente de Câmara confiante e ao ataque contra um Governo que “quer fazer todas as autarquias iguais, mas nivelando por baixo, instalando a mediocridade” aquele que tomou a palavra no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Carnaxide, na sessão solene do Dia do Município, a 7 de Junho. Num discurso extenso, mas com “dedos na ferida” quase a cada parágrafo, Isaltino Morais condenou o “anátema” de má gestão que diz ter sido lançado pelo Executivo de Passos Coelho sobre os 308 municípios portugueses quando, “na verdade, estas mesmas autarquias, sendo responsáveis por apenas 4% do endividamento, são promotoras de mais de 50% do investimento público nacional”. E nem o tema da corrupção ficou de fora dos reparos do edil de Oeiras, que criticou quem acha “que o combate à corrupção deve ser feito com manifestações em praça pública, quando a corrupção deve ser combatida com leis claras e transparentes”, até porque “quando chega a absolvição muitas vezes já é tarde”. Isaltino não tem dúvidas de que o actual Governo está a fazer o “maior ataque ao Poder Local” em democracia. “Uma ignomínia que devia fazer corar de vergonha a própria Associação Nacional de Municípios Portugueses”, instituição que – acusou, sem peias – “está hoje absolutamente domesticada, com uma cúpula que parece apenas aguardar por um qualquer lugar de nomeação”. No saco de “actos legislativos inconsequentes que demonstram o distanciamento (…) em relação à realidade do país” o presidente da Câmara colocou a “pseudo-reforma administrativa” que “resume-se à extinção das freguesias, de forma compulsiva e autoritária”; a redução, “sem qualquer critério de racionalidade ou operacionalidade”, do número de dirigentes da administração local; ou a proibição de contratar funcionários – o que “aumenta a despesa por via da contratação externa de serviços, gerando uma mais-valia extraordinária que vai para os bolsos dos responsáveis das empresas de ‘outsourcing’”. E se um dia o Governo avançar com a privatização do abastecimento de água e saneamento, ficou já a saber o preço a pagar pelos rentáveis SMAS de Oeiras e Amadora: não menos de 500 milhões de euros. “A única saída que o Governo tem perfeitamente apontada aos portugueses é a porta dos fundos: a da emigração, empurrando a mais qualificada das gerações portuguesas para fora do país para aí serem rentabilizados!...”, resumiu Isaltino Morais, contrapondo as estatísticas de sucesso do município que dirige. Para concluir: “Em Oeiras não apontamos a porta de saída aos portugueses”. 
Jorge A. Ferreira