quinta-feira, 21 de junho de 2012

OEIRAS Crise não corta boas ideias dos munícipes


Com última sessão agendada para sexta-feira, Orçamento Participativo ajuda a melhorar Oeiras

A crise não impediu que aparecessem muitas e boas ideias para ajudar a Câmara Municipal a melhorar a qualidade de vida dos seus munícipes, no âmbito do Orçamento Participativo 2012/13. É certo que a quantidade foi bem menor do que a qualidade das propostas nas cinco Assembleias Participativas previstas – a última das quais se realiza esta sexta-feira, no Edifício Atrium (em frente ao centro comercial Oeiras Parque) – mas da falta de sugestões, com custos variáveis entre um euro e um milhão de euros, ninguém se poderá queixar... Do clima de entusiasmo cívico foi testemunha o JR na primeira das assembleias participativas realizadas na história do município, decorrida na nova Escola Básica do 1.º Ciclo, com JI, do Alto de Algés. Participaram 16 pessoas, incluindo o presidente da Junta local, Joaquim Ribeiro. Não tendo sido uma grande afluência, também não faltaram desculpas válidas: era noite de Santo António e não há transportes públicos para aquela zona da freguesia. A sessão, iniciada com uma intervenção do vice-presidente da Câmara, Paulo Vistas, permitiu a formação de três mesas de trabalho, as quais seleccionaram nove projectos. O “Família 360º – Alto dos Barronhos” colheu maior número de votos: um total de 17. A sua autora, Odete Feliz, explicou que a iniciativa se destina, como o nome indica, a toda a família, numa espécie de “banco intergeracional”. “Inicialmente teria de haver um apoio de técnicos da autarquia, mas o objectivo seria a comunidade civil organizar-se para ter um serviço de 'babysitting' social feito pelos idosos, com ateliês de saúde, nutrição, desporto, desenvolvimento social e ocupação dos tempos livres. Os jovens apoiariam os idosos nas actividades quotidianas, como ir ao supermercado, ao banco, ou fazendo companhia”. Rodo-Dente, apresentado por João Ferreira, obteve 11 votos. Propõe a criação de uma viatura dotada de gabinete/laboratório de Medicina Dentária, com possibilidade de inclusão de outras áreas médicas, muito útil para idosos, portadores de incapacidades e crianças, podendo abranger famílias carenciadas. Com o Lemon Aid (7 votos), Maria Conceição sugere a venda de limonada nas praias e outros espaços públicos, usando limões que os fruticultores não aproveitam por não terem o calibre ideal e a água da torneira, de boa fama, dos SMAS de Oeiras e Amadora, ocupando jovens de famílias carenciadas e cujo lucro reverteria para ajudar os seus resultados escolares. “Há muitos trabalhadores-estudantes que dificilmente conseguem conciliar as duas vertentes. Desta forma, eles poderiam trabalhar só no Verão e estudar no Inverno, auferindo de uma pequena percentagem do seu rendimento no Verão, sendo o restante dinheiro gerido ao longo do ano como bolsa de estudo”, explicou a munícipe, salientando que “a bolsa dependeria dos resultados escolares obtidos”, no ensino superior ou numa área técnico-profissional. Joaquim Venâncio, presidente da Assembleia de Freguesia de Algés e da União Desportiva e Recreativa de Algés, entre outros cargos, propôs o Centro Cívico e Educacional e de Ocupação dos Tempos Livres para jovens dos 10 aos 16 anos (7 votos), os quais “ficam na rua a fazer nem sempre o melhor para eles e para os outros porque não são acolhidos em ATL ou outras estruturas de apoio por falta de condições monetárias”. O Centro “poderia ocupá-los e dotá-los daquilo que lhes vai faltando: saberem ser cidadãos, respeitarem os equipamentos da comunidade, mas também serem ajudados no apoio escolar e terem a liberdade de se exprimirem por outras formas que não os grafitos”... O projecto, com horário do meio da tarde até às 22h00, “teria uma base de apoio técnico financiado pela Câmara, com ajuda de voluntários, seniores já reformados e até pessoas desempregadas, por exemplo”. O alargamento e rebaixamento do túnel na estação de comboios de Algés, proposto pelo presidente da Junta local, para dar mais visibilidade e segurança àquela área, recolheu 5 votos e completou o lote de cinco ideias com votação suficiente para passar à fase de análise de viabilidade técnica. De fora ficou apenas o projecto “O Tecto – abrigo de emergência”, da autoria de Deolinda Machado, que propõe a criação de um espaço de refúgio para casos de idosos em abandono, crianças em perigo, violência doméstica e outros. Estas e outras propostas podem ser consultadas no ‘site’ da Câmara de Oeiras, onde já estão expostas dezenas de ideias. Após a assembleia participativa a realizar esta sexta-feira, termina o período de votação nas propostas ‘online’ recolhidas previamente, o que pode ser feito em http://op2012.cm-oeiras.pt. 
Jorge A. Ferreira

ALMADA Festival de Teatro com novas parcerias


Certame decorre de 4 a 18 de Julho. Programa é revelado apenas na sexta-feira (dia 22)

A 29.ª edição do Festival de Almada realiza-se entre 4 e 18 de Julho e, a continuar uma porta aberta à reflexão, fica-se na expectativa de ouvir o director do Festival, e da Companhia de Teatro de Almada (CTA), na apresentação de um dos maiores festivais de teatro do mundo, cuja programação e homenageado só serão conhecidos esta sexta-feira, dia 22 de Junho. Mas já se sabe que existem novas parcerias. Em 2010, Joaquim Benite trouxe um Festival “anticrise” – como o próprio apelidou – com mais produções e palcos de sempre. Na altura afirmava: “Quando falo de teatro só falo de economia”. Um ano depois a previsão do director do festival revelava-se e chamava “desastrosa” à política socialista no Ministério da Cultura, ao mesmo tempo que dizia ser um “milagre” a companhia conseguiu manter de pé o Festival. Chegou a lembrar que o financiamento público “tem vindo a ser reduzido desde 1996”, ano do “grande impulso dado ao Festival pelo Ministério de Manuel Maria Carrilho” (PS). Fica-se assim na expectativa sobre a edição deste ano. Em termos financeiros todos os partidos representados na Câmara de Almada aprovaram o orçamento de 200 mil euros para apoiar a organização do Festival, o que representa a mesma verba do ano passado. Resta saber que outros apoios financeiros foram conseguidos para atingir uma verba que, nos últimos anos, tem andado acima dos 550 mil euros. Aliás, para o vereador socialista António Mendes, o Festival “é uma máquina de promoção de Almada e da cultura nacional”, por isso defende que a Câmara deveria “aumentar” o apoio financeiro, para isso bastava “diminuir” verbas na promoção das Festas Populares. Quanto ao Governo, “tem de apoiar o Festival”, disse. Da parte do vereador da Cultura, António Matos, ouviu um “estou surpreendido e muito satisfeito”, mas o autarca comunista também disse não estar de acordo em reduzir verbas na promoção das festas. Levantando ligeiramente a ponta do véu, o Festival de Teatro de Almada 2012 para além de acolher, como sempre, companhias portuguesas e produções da CTA, vai apresentar grupos provenientes de Espanha, Itália, França, Alemanha, Bélgica, Roménia, Israel e Dinamarca, e terá a presença de alguns dos mais prestigiados encenadores do teatro mundial, caso de Peter Stein e Christoph Marthaler. Merece ainda relevo a companhia berlinense Schaubühne, que traz um espectáculo em co-produção com o Teatro Nacional de Israel, e para a presença de Victoria Chaplin, filha de Charlie Chaplin e Oona O’Neill. Este ano o espectáculo de Honra, – o mais votado pelo público na edição anterior – será “Que faire? (Le retour), protagonizado por François Chattot, um dos principais actores de teatro franceses. Para além das novas parcerias estabelecidas com o Festival ao Largo, do Teatro Nacional S.Carlos e com o Theatro Circo de Braga, o Festival de Almada terá palco no Teatro Municipal de Almada, na Escola D. António da Costa (onde actuará um dos mais afamados bailarinos de flamenco, Israel Galván), no Fórum Municipal Romeu Correia e na Casa da Cerca. Em Lisboa vai estar no Teatro Nacional D. Maria II, S. Luiz, Culturgest, Teatro Maria Matos, Instituto Francês, Teatro da Politécnica e no Teatro do Bairro Alto.  
Humberto Lameiras

terça-feira, 19 de junho de 2012

SINTRA Ajuda alimentar vai continuar a crescer


Programa abrange a doação mensal de 2100 refeições, mas números estão longe da realidade

Implementado desde Março último, o Programa de Apoio Alimentar já chegou a 230 famílias, num universo de 350 pessoas, mas os números tendem a crescer de dia para dia. "Gostaria de não ter tantos processos a entrar", desabafa a vereadora responsável pelo pelouro da Acção Social, Paula Simões. "É muito preocupante o nível de fragilidade de algumas famílias do nosso concelho", reforça a autarca, em declarações ao JR. Após uma experiência mal sucedida no âmbito do Programa Direito à Alimentação, que acabou por não se traduzir em acções concretas, a Câmara de Sintra deu as mãos ao Movimento Zero Desperdício que, por sua vez e entre outras parcerias, abriu as portas dos supermercados Pingo Doce. "Esses excedentes alimentares estão a ser distribuídos pelas nossas associações âncora e redistribuídos pelas famílias carenciadas", frisa Paula Simões, que destaca o envolvimento de várias instituições numa vasta rede social. Em breve, além dos excedentes alimentares, "que não são sobras", também o restaurante do Pingo Doce do Forum Sintra vai entrar nesta cadeia de ajuda alimentar. "Por outro lado, houve entidades, como colégios, centros sociais e casas de saúde, que se quiseram aliar a este projecto, dando refeições. Nos seus próprios refeitórios, decidiram que doariam à Câmara de Sintra, para este programa, dez refeições diárias, por exemplo", salienta a vereadora. "Lamentavelmente, demos resposta a toda a gente e temos capacidade para dar mais", frisa Paula Simões, que explica que qualquer agregado familiar, residente no concelho e que viva numa situação de extrema debilidade económica, pode apresentar a sua candidatura ao Programa de Apoio Alimentar. Para o efeito, devem preencher o respectivo requerimento nos serviços municipais, gabinetes de Apoio ao Munícipe ou Departamento de Acção Social, Saúde e Habitação, nas juntas de freguesia ou em instituições de cariz social. "A informação é cruzada com as juntas de freguesia e com as redes sociais para não haver duplicação", acrescenta. Em comunicado, o município salienta que "o Programa de Apoio Alimentar não será, seguramente, a resposta para a situação fragilizada em que vivem muitas famílias,mas já está, objectivamente, a fazer a diferença na vida de centenas de pessoas. Com um simples gesto: a doação de refeições ou de um cabaz de alimentos". A vereadora Paula Simões resume a importância do programa a uma simples frase: "Quem tem fome, precisa de ser alimentado!". Apesar da pobreza envergonhada de muitos, as situações de desespero acabam por falar mais alto e as famílias (ou pessoas que vivem sós) vêem-se obrigadas a recorrer à ajuda alimentar. "Os rendimentos ‘per capita’ das pessoas são, efectivamente, muito baixos", alerta a eleita na Câmara de Sintra, preocupada com os altos índices de desemprego. "Em muitos casos, das duas pessoas do casal", acrescenta, dando conta que "Rio de Mouro é uma das zonas mais fustigadas pelos pedidos" apresentados ao Programa de Apoio Alimentar. Com 230 famílias a beneficiarem de apoio alimentar,
que se traduz em 2100 refeições doadas mensalmente e 190 cabazes de géneros alimentares, a capacidade de resposta do programa está muito longe de esgotada. Infelizmente, as necessidades são, também, cada vez mais... 
João Carlos Sebastião

PORTELA DE SINTRA Estacionamento grátis tem os dias contados

 

Empresa Municipal vai assumir a gestão do parque situado junto ao Departamento de Urbanismo

O parque de estacionamento situado junto ao Departamento de Urbanismo, na Portela de Sintra, vai passar a ser pago. A gestão do espaço vai transitar para a EMES (Empresa Municipal de Estacionamento de Sintra), conforme deliberou o executivo municipal na última reunião camarária, realizada no passado dia 4 de Junho. A decisão acabou por merecer apenas os votos favoráveis da coligação ‘Mais Sintra’ (PSD-CDS/PP). Embora seja desconhecido ainda o tarifário a aplicar, os habituais utilizadores, em especial quem trabalha nos serviços públicos envolventes, como SMAS, Finanças e CTT, já ‘torcem o nariz’ à medida. "A maneira de resolver os problemas do país, é sacar dinheiro a quem trabalha", lamenta-se um munícipe, sobre o aumento das receitas municipais subjacente à cobrança de estacionamento. A decisão camarária é justificada, na proposta aprovada pelo executivo municipal, pela necessidade de "promover a regulamentação do espaço e
a rotação de lugares" e "impedir a saturação de estacionamento", mas também criar "acessos de peões e de veículos de emergência" e, ainda, "dar um novo aspecto estético ao local". Quotidianamente utilizado por quem trabalha na Portela, por se tratar da única grande bolsa de estacionamento gratuito, o parque é utilizado ainda por quem necessita de acorrer aos serviços públicos, sejam o Departamento de Urbanismo, SMAS, Finanças ou CTT. Também quem se desloca para a capital, através da Linha de Sintra, procura evitar o pagamento do parque situado no interface da Portela. O pagamento do estacionamento "já se fala há bastante tempo", reconhece um munícipe que preferiu o anonimato. Habitual utilizador deste espaço municipal, este munícipe alerta que quem trabalha na zona, é que vai ser penalizado com mais um encargo mensal. No caso dos SMAS, por exemplo, o edifício-sede acolhe mais de uma centena de trabalhadores. "Os SMAS e as outras empresas têm de assumir as suas responsabilidades e cumprir a lei: ter um conjunto de lugares reservados para os seus funcionários", adverte este munícipe. "Enquanto as pessoas que vêm aqui tratar de assuntos, poderão queixar-se do custo do estacionamento pago, pontualmente, quem trabalha vai ter mais dificuldades", salienta. Apesar de lamentar a decisão, este munícipe reconhece que aquele espaço carece de algumas mudanças. A começar pela melhoria dos espaços destinados a pessoas com mobilidade reduzida. Os espaços estão definidos, mas um deficiente depara-se com obstáculos intransponíveis, desde logo o acesso em escada. "Não há uma rampa, nem sequer um simples corrimão de apoio...". Entregue aos arrumadores, que vão gerindo o estacionamento a seu bel-prazer e à mercê das contribuições dos automobilistas, o espaço carece de ser delimitado, "não estar assim numa bandalheira", salienta, por seu turno, José Duarte Sebastião. Utilizador do parque de estacionamento, de quando em vez, nomeadamente quanto necessita de aceder, por exemplo, aos CTT, este munícipe considera que a vigilância devia ser assegurada "por alguém da Câmara" e não por arrumadores. "A gente vem tratar de um assunto, demora pouco tempo. Se for na zona de parquímetros, metemos 50 cêntimos ou um euro. Aqui, temos que dar o mesmo valor ao arrumador", lamenta José Duarte Sebastião. ‘Caça à receita’ Questionado pelo JR sobre esta decisão municipal, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria e São Miguel, Eduardo Casinhas, compreende que os municípios, como o de Sintra, "devem criar condições para obter mais recursos financeiros", mas também entende que, mais uma vez, será o munícipe a pagar. "Sendo um espaço onde as pessoas se socorrem para resolver algumas situações da sua vida particular ou da sua empresa, mais uma penalização vão ter com o estacionamento. E, como todos sabemos, os serviços não são céleres na resolução ou no atendimento, sejam as Finanças, os CTT ou mesmo o Departamento de Urbanismo", salienta o autarca. A freguesia de Santa Maria e São Miguel, que, juntamente, com São Martinho constituem as únicas com parquímetros,  deixa de dispor de uma grande bolsa de estacionamento gratuito. Com a agravante, lamenta Eduardo Casinhas, da EMES estar, desde há poucos meses, numa autêntica "caça à receita". Por estes dias, "uma senhora que veio à Conservatória mostrar um papel, e estacionou mesmo defronte da Junta de Freguesia, ficou com o carro bloqueado", relata o autarca. Sem querer utilizar o termo de ‘caça à multa’, Eduardo Casinhas considera que "há excesso de autuações" e nem todos os casos devem ser medidos pela mesma bitola. "Devia haver uma acção pedagógica. Um carro rebocado são 90 e tantos euros", adverte. "Antigamente, passavam uma multa de dois euros e meio, agora não, além da multa, as viaturas são logo bloqueadas", lamenta. 
João Carlos Sebastião

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cascais aposta na limpeza da Serra


Para prevenir incêndios, Protecção Civil Municipal promove intervenções nas manchas florestais

Com o Verão a bater à porta, as temperaturas a aquecerem e com vista a prevenir os riscos de incêndios florestais na Serra de Sintra, o Serviço Municipal de Protecção Civil de Cascais fez um balanço do trabalho realizado de Outubro a Março, no âmbito do PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural). O trabalho desenvolvido teve por base dois eixos fundamentais: Uma limpeza de faixas (100 metros) no perímetro dos aglomerados urbanos e em faixas de 10 metros junto a caminhos florestais, em cerca de 12 km. O Gabinete Técnico Florestal apresentou, assim, ao presidente da Câmara, Carlos Carreiras, e ao vereador da Protecção Civil, Pedro Mendonça, o trabalho que tem sido efectuado na Serra de Sintra para evitar qualquer catástrofe e reduzir o combustível vegetal. Uma actividade que nem sempre se dá por ela, mas que permite acentuar a preocupação em termos ambientais. Para Carlos Carreiras, a visita serviu “para fazer o reconhecimento de todos os profissionais que trabalham na Serra, quer do Gabinete Técnico Florestal do Serviço Municipal de Protecção Civil, que inclui os Sapadores Florestais, a Agência Municipal Cascais Natura, quer o SPNA – Serviço de Protecção da Natureza da GNR, pelo trabalho que têm feito e é evidente”. “As coisas não acontecem não é por acaso, é porque há pessoas que estão a trabalhar”, disse o edil, que considera importante a recuperação da Serra “que é um património riquíssimo para Cascais. Não sendo uma competência nossa, é nossa a obrigação de salvaguardar os nossos munícipes”, salientou Carlos Carreiras, que convidou a população em geral a visitar a Serra: “Estes patrimónios são melhor salvaguardados se forem vividos e puderem ser fruídos por todos”. Sete sapadores florestais asseguram a limpeza da Serra de Sintra, numa intervenção dificultada por vastas áreas florestais degradadas e dominadas por espécies invasoras, como as acácias. “Os trabalhos mais pesados são adjudicados a empresas com equipamento que não temos”, explicou ao JR, o vereador da Protecção Civil. Pedro Mendonça sublinhou que “este trabalho é muito importante. Não se nota e muito pouca gente sabe o que temos feito na Serra”. De acordo com o Gabinete Técnico Florestal, “foram realizadas ao longo do ano, sobretudo fora das épocas de maior calor, acções de limpeza em torno dos aglomerados populacionais da Malveira Sul (cerca de 60 hectares, com um investimento de aproximadamente 52
mil euros), Malveira Norte (cerca de 51 ha e gastos 60 mil euros) e Pisão (cerca de 16 ha e 20 mil euros de investimento), num total de 128 hectares, representando um investimento municipal de 133 312,00 euros”. No primeiro trimestre de 2012, os Sapadores Florestais garantiram a manutenção e recuperação de 12 quilómetros de caminhos florestais. Em curso está uma intervenção ao longo de mais 10 quilómetros, para regularização de caminhos e criação de bermas.
Durante a época crítica, os Sapadores Florestais vão assegurar a vigilância e primeiras intervenções no terreno. No âmbito do PRODER, foi realizada a gestão de combustíveis florestais através de trabalhos de limpeza moto ou manual numa área de 47 de um total de 74 hectares, fruto de um investimento de 54 800 euros. A Câmara de Cascais tem ainda em curso uma candidatura com vista à execução da limpeza de mais parcelas de terreno no âmbito do PRODER 2012, para minimização de riscos num total de 98 hectares, junto da Pedra Amarela e da Barragem do Rio da Mula. Em Fevereiro, no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, a Protecção Civil Municipal de Cascais promoveu acções de fogo controlado em três parcelas localizadas na Malveira da Serra e na Encosta da Peninha (num total de 15 hectares), com vista a reduzir o combustível vegetal através de um método natural e eficaz de prevenção de incêndios.  

Francisco Lourenço

Tamariz perde prestígio


Primeira praia a ver hasteada a Bandeira Azul, há 25 anos

Outrora de reis e elites, a Praia do Tamariz, no Estoril, vê-se hoje sem o prestígio de antigamente, embora continue a erguer a bandeira que há 25 anos a tornou na primeira praia do país com qualidade reconhecida. Em 1987, Tamariz foi a escolhida para receber a primeira Bandeira Azul do país. A missão cumpriu-se até 1989, ano em que perdeu o estatuto que só viria a recuperar em 1996 e novamente em 1998. Daí em diante, o galardão foi atribuído em quase todos os anos até 2012, excepto em 2002 e 2010. Segundo a coordenadora nacional da Associação Bandeira Azul da Europa, Catarina Gonçalves, este percurso instável estará relacionado com a pressão urbana que foi crescendo naquela praia e também com a crescente exigência dos critérios de qualidade. "Todas as praias têm alguns problemas que têm de ser resolvidos e muitas vezes é opção, bastante sensata, de não candidatar a praia para resolver esses problemas e repor as condições de qualidade de excelência e é isso que tem acontecido nesta Praia do Tamariz", explicou a responsável à Lusa. Além da crescente exigência de critérios que hoje são "de recomendação, mas
também imperativos", a "elevada pressão urbana" prejudica a manutenção da qualidade de excelência, nomeadamente a qualidade da água. Contudo, Catarina Gonçalves reconheceu que a Praia do Tamariz melhorou bastante as suas condições de qualidade, nomeadamente na "educação ambiental, segurança, equipamentos e acessibilidades". Referência na Costa do Estoril, a Praia do Tamariz continua a ser um dos locais de eleição dos turistas. Contudo, quem conhece o local há muitos anos recorda com nostalgia o tempo em que era conhecida como uma praia de ‘glamour’, onde só iam as pessoas de alta sociedade. Sousa Gonçalves, residente no Monte Estoril, lamenta que o prestígio se tenha perdido. "A praia estragou-se completamente. Os milionários que aqui vinham deixaram de vir, com esta palhaçada que às vezes se vê aqui aos fins-de-semana, com o barulho. As pessoas aborreceram-se e foram para o estrangeiro", disse o morador, que considera que a Praia do Tamariz deveria ser preservada e limitada ao turismo ‘rico’. Também Maria Vitória, de 81 anos, não deixa de fazer o seu exercício físico matinal pelo paredão, mas já não frequenta a praia: "Quando era nova vinha para aqui, a praia era tranquila, completamente diferente do que é hoje. Hoje é uma praia mais popular, antes era um bocadinho de elite". A mesma recordação tem Armando Neves, funcionário do Restaurante Praia do Tamariz, o primeiro a existir, que assistiu à crescente afluência ao areal. "Até há 25 anos, esta praia era considerada uma praia privada. Vinham aqui ministros, o Salazar, os reis de Espanha, era muito influente. A partir de uma certa altura começou a ser um bocadinho mais degradada pelas pessoas que a frequentam", lamentou. Episódios de violência registados há dois anos ajudaram a mudar a imagem do Tamariz, que agora, durante a época balnear, tem um reforço de elementos de segurança. No entanto, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, recusa que a praia tenha perdido prestígio. "A Praia do Tamariz continua a gozar de prestígio, tanto entre a população residente como entre a que nos visita. Naturalmente que os fenómenos de construção de uma grande área metropolitana na zona de Lisboa exerceram grande pressão sobre praias da Linha de Cascais que, não há muitos anos, eram frequentadas por muito menos pessoas. Ainda assim, ao longo dos anos temos sabido manter o elevado nível de qualidade das praias”, referiu o autarca numa nota escrita enviada à agência Lusa.

AMADORA Munícipes chamados a participar no orçamento municipal


Câmara destina um milhão de euros para resposta às propostas apresentadas pela população

A população da Amadora volta a ser chamada este ano a participar no Orçamento do Município de 2013. Pelo terceiro ano consecutivo, a Câmara Municipal da Amadora (CMA) está a acolher as propostas e ideias dos munícipes. Nesta edição, os projectos mais votados serão incluídos no plano de actividades para o próximo ano. Nesta edição do Orçamento Participativo, a CMA vai disponibilizar um milhão de euros distribuídos por dois anos, promovendo “uma maior aproximação dos cidadãos à política”. “Como temos dois anos de experiência, o Orçamento Participativo já ganhou maturidade. Entendemos, por isso, disponibilizar uma verba maior para ser aplicada ao longo de dois anos e permitir também que seja a população a escolher o ou os projectos a serem colocados em prática”, explica Carla Tavares, vice-presidente da CMA. Neste momento, os munícipes da Amadora já podem contribuir com propostas de projectos para incluir no próximo orçamento camarário através da página da Internet da autarquia. As propostas serão aceites até 31 de Agosto, ou podem ser apresentadas nas duas reuniões públicas a realizar, estando a primeira marcada para o dia 20 de Junho, às 18h30, no auditório do edifício dos Paços do Concelho. A execução das obras das anteriores edições têm transitado para o ano seguinte, assim
como as verbas afectas, motivo pelo qual a autarquia decidiu que o OP 2013 seria dotado de um orçamento de um milhão de euros, para um período de dois anos. Carla Tavares justifica a “importância deste projecto”, porque “a cidade se possa pronunciar sobre os projectos, envolvendo-se no processo”. Este ano o modelo adoptado pressupõe a eleição das propostas mais votadas pela população. “Os actores locais podem votar e desta forma escolher os projectos a incluir nas Grandes Opções do Plano e Orçamento 2013. As propostas serão colocadas à votação, entre 1 e 22 de Outubro, após uma avaliação prévia quanto à sua exequibilidade técnica e ajustamento à dimensão financeira”, acrescenta. 

Milene Matos Silva