sexta-feira, 8 de junho de 2012

ÉPOCA BALNEAR Costa receia invasão de turistas


Crise chama visitantes, mas deixa menos receitas

A época balnear arrancou no primeiro dia deste mês e a Costa da Caparica prepara-se para receber milhares de turistas. Provavelmente até mais do que é habitual considerando que a diminuição económica das famílias impõe um corte nos gastos com as férias, e para quem vive na Grande Lisboa o mar e sol mais perto fica nas praias da frente atlântica de Almada. O esperado aumento de veraneantes preocupa o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica que ao ver o programa CostaPolis parado, as praias sem reforço de areia e os novos acessos a esta localidade num impasse, receia que se instale o caos. “Temos problemas estruturais graves que há muito deviam ter sido resolvidos”, afirma António Neves que responsabiliza em grande parte quem empatou a continuidade do Programa CostaPolis. Já quanto à segurança nas praias, o autarca afirma que os nadadores-salvadores estão a postos e, em termos ambientais, “o nosso mar é recomendável”. Ao todo três, as associações de nadadores-salvadores protegem os banhistas desde as praias de S. João até à Lagoa de Albufeira. Cinco das praias de S. João estão vigiadas por uma nova associação que derivou da Caparica Mar, enquanto esta vai responsabilizar-se por parte desta zona até à Praia da Bela Vista. A partir daí, e até à Lagoa, estão os nadadores da Associação Âncora. Para além de meios próprios as associações contam ainda com meios cedidos pelo Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). A única questão é que o ISN terá exigido mais nadadores-salvadores do que aqueles que existem disponíveis para as associações (dois elementos  por praia), mas esta é uma situação que “está a ser resolvida” afirma Luís Vitorino da Caparica Mar. Por seu lado, António Santos da Âncora, diz ter uma estrutura montada para socorrer tanto nas praias como na piscina do Golfe da Aroeira, que contratou a sua vigilância. Com os nadadores-salvadores organizados, as preocupações de António Neves, para além dos problemas que a CostaPolis deixou por resolver, volta-se para a economia local. “Receio que a crise financeira cause dificuldades ao comércio local”. A mesma preocupação tem João Carreira, presidente da Associação de Concessionários da Praia da Costa de Caparica e da Fonte da Telha, que também responsabiliza os responsáveis pela CostaPolis por terem deixado a obra a meio. “Os acessos ao areal estão danificados, os concessionários precisam de obras e temos um matagal a crescer entre o tabuado que foi colocado no acesso às praias”, diz João Carreira que aponta ainda a subida do IVA na restauração como uma “falta de visão económica do Governo”, para além dos aumentos na factura energética. Com tudo isto, antevê que “alguns concessionários não vão manter- se para além desta época balnear”. 
Humberto Lameiras

ALMADA Bombeiros ‘aquecem orelhas’ ao Governo


Dez das 24 corporações do distrito de Setúbal já estão em rotura financeira operacional

Os bombeiros do concelho de Almada estão descontentes com o Governo e afirmaram-no no Dia Municipal do Bombeiro, no passado domingo, 3 de Junho. Perante as três corporações do concelho, o presidente dos Voluntários de Cacilhas afirmou que os bombeiros “deixaram de ser um parceiro, para serem um empecilho para o Ministério da Saúde”. Clemente Mitra criticava as últimas decisões do Governo aplicada ao funcionamento dos bombeiros. “Estamos permanentemente prontos para auxiliar as populações, mas muitos políticos esquecem isso”. E com muitas associações“ em falência” questionava: “Quantas irão sobreviver?”. E acrescentava outra questão para os governantes pensarem: “Quem vai socorrer as populações?”. Com tudo isto “o fim do voluntariado está à vista”, afirmava. A última acha para a fogueira das relações entre as corporações de bombeiros e o Governo veio com a portaria que regulamenta o transporte de doentes que saiu em Diário da República a 15 de Maio e teve publicação revista a 1 de Junho. Esta cria o Veículo de Transporte Simples de Doentes (VTSD) que permite que um doente, salvo algumas excepções, pode ser transportado por uma qualquer viatura de nove lugares, conduzida por alguém que não precisa de ter conhecimentos de socorros. “Os bombeiros hoje têm viaturas extremamente bem equipadas, pessoal formado, mas para o Ministério da Saúde isto de nada serve”. Com esta portaria, “a mesma viatura pode ir buscar peixe à Ribeira de madrugada, depois transportar doentes para as clínicas e a seguir carregar tijolos para uma obra”, ironizava Clemente Mitra que vê nesta decisão a “asfixia das corporações de bombeiros”. E quase asfixiadas estão já “dez das 24 corporações de bombeiros do distrito de Setúbal, em rotura financeira operacional”, afirma o presidente da Federação os Bombeiros do Distrito de Setúbal. O clima de descontentamento para com o Governo continuou com a presidente da Câmara de Almada. Maria Emília de Sousa que foi elogiada por Eduardo Correia e Clemente Mitra pelo apoio que o município tem dado às três corporações de bombeiros (Almada, Cacilhas e Trafaria), começou por lembrar os 67 bombeiros do país que nos últimos 11 anos faleceram em defesa das populações. E após um minuto de silêncio, afirmou que “o que está a ser feito neste país é um absoluto desprezo. Isto é destruir”, afirmou. Durante o Dia Municipal do Bombeiro em Almada apresentaram-se 26 novos bombeiros, e foram entregues medalhas de Ouro, Prata e Bronze a 18 bombeiros pelos serviços prestados. A Medalha de Ouro de Bons Serviços prestados à causa pública foi entregue pelo município ao vice-presidente da direcção da Associação Reviver Mais, José Francisco do Rio França de Sousa.  
Humberto Lameiras

Escola de vida na Outurela


António Ramalho incute, através do boxe, valores como rigor, disciplina e respeito pelos outros

Um murro contra a crise, outro contra o desemprego, mais um pelo azar ao jogo e ao amor… O saco pendurado no tecto absorve, compreensivo, todas as frustrações e queixas dos praticantes de boxe que, dessa forma, ficam com o espírito mais aliviado de energias negativas. Mas também se pode encher o saco de porrada só para aliviar o corpo de quilos a mais. Ou, ainda, para seguir carreira neste desporto onde Portugal tem tido, aliás, alguns nomes sonantes a nível internacional. Todas estas metas podem ser alcançadas na Outurela Escola de Boxe, situada do Parque Desportivo Carlos Queiroz, naquele mesmo bairro de Carnaxide. Não admira, por isso, que ali se possa encontrar miúdos levados pelos pais para praticarem um desporto que, além do mais, os ensina a defenderem-se de eventuais agressores, jovens a tentarem esquivar-se do desemprego ou dos baixos salários almejando a profissionalização no ringue ao lado de outros que apenas querem ganhar mais autoconfiança; adultos em busca da forma física perdida por descuido ou por força do horário de trabalho e que aproveitam a hora de almoço ou o final do dia para deitar fora o stress acumulado… Homens, sobretudo, mas também mulheres… A todos António Ramalho acolhe – na sala que tem o seu nome desde a homenagem prestada, em Março, pela empresa municipal Oeiras Viva – com simpatia e o mesmo profissionalismo que o guindou a um plano de destaque na história do boxe em Portugal. Aos 52 anos, o treinador continua a fazer tudo o que pode e sabe pela modalidade que o apaixona desde que se iniciou como pugilista, aos 14 anos. “Um desporto completo, acessível a todos sem distinção de classe ou idade, e com excelentes resultados no corpo e no carácter”, frisa, relevando o seu especial impacto positivo junto dos jovens. “Ao contrário do que talvez muita gente ainda pensa, influenciada por filmes que não espelham a realidade, o boxe torna os miúdos menos agressivos, pois aprendem a defender-se e tornam-se mais autoconfiantes”, salienta António Ramalho, completando: “Ao sentirem-se mais fortes e confiantes conseguem pensar melhor, já não reagem à primeira e isso pode fazer toda a diferença”. Salvador Maria, de 11 anos, é um dos benjamins na academia de António Ramalho. “Está cá há mês e meio e vê-se que gosta muito disto; a mãe vem deixá-lo às 18h00 e só sai depois do treino rigorosamente cumprido”, enaltece o treinador, brincando com o facto de o petiz estar sempre a desafiar os mais crescidos. “A minha mãe queria que eu fizesse desporto. E eu é que lhe disse que preferia boxe porque sempre gostei dos desportos de combate”, diz o pequeno pugilista, no 5.º ano da Escola Vieira da Silva, em Carnaxide, não escondendo que costuma visualizar na Internet os vídeos com os duelos de Mike Tyson, Hollyfield e outras estrelas. O treinador, porém, está atento aos riscos de uma visão distorcida do pugilismo: “A nossa ideia é formar os jovens, não só no boxe, mas igualmente para a vida, de maneira que mesmo quem não queira ou não possa ser campeão beneficie, também, dos valores que esta prática incute, como sejam rigor, disciplina, confiança em si e respeito pelos outros”, garante. Mais confiança é o que procura Hélder Cruz, 18 anos, morador na Amora. A fazer o curso de Mecatrónica em Pina Manique, um dia resolveu pôr à prova as suas capacidades futebolísticas na “escola do Manchester” (a “Football by Carlos Queiroz”). “Não correu bem e então falaram-me que havia boxe mesmo ao lado do campo, e eu fui até lá, falei com o senhor Ramalho e comecei a vir cá treinar, já lá vão cinco meses”, conta o jovem, ele próprio surpreendido. “Nunca planeei fazer isto. Na Margem Sul também há sítios para praticar boxe, mas eu não gostava do ambiente e pensei que era tudo igual, mas aqui é diferente, vale a pena”. As vantagens já se notam no aspecto físico e na sensação de segurança. “Antes de vir para aqui tinha medo de levar na cara e até de dar golpes, agora encaro isso com mais calma porque já sei defender-me melhor”. Agora até pensa se não terá vocação: “Estou ansioso por lutar no ringue”, diz. A jogar em casa está Ruben Lopes, de 24 anos, “Nhacorapazinho” de nome artístico derivado de projectos musicais num estúdio do bairro. Desempregado há dois meses, “à partida estou cá só para manter a forma, mas se sentir que estou preparado é para ir combater em competição porque tudo o que eu faço é a sério, sempre profissional”, diz o jovem, que também já fez teatro. Para já, o boxe “é uma maneira de me libertar das grades invisíveis que existem lá fora porque lá fora é que é violento não é aqui no boxe, estar desempregado é que é violento…”, atira, quase em jeito do estilo ‘rap’ de que é apreciador. 
Jorge A. Ferreira

CARNAXIDE Parques infantis prestes a reabrir


Moradores da zona central da freguesia há muito que clamam por zonas de recreio

Há muito tempo que os moradores da zona central de Carnaxide sentem a falta dos dois parques infantis a que estavam habituados, bem perto um do outro, junto ao Centro Cívico. “É incrível que, com tanta gente que aqui mora, se esteja tanto tempo sem se poder levar os miúdos a um parque sem ter de utilizar o carro”, queixa-se Rosa Lourenço, que se tem deslocado a Miraflores com os filhos para suprir esta necessidade. “Mas a avó deles não conduz, poderia estar aqui em Carnaxide com eles e assim não pode”, acrescenta. Esta lacuna, porém, está prestes a ser preenchida. “O parque infantil Fernando Pessoa tem estado em obras desde há alguns meses, é um facto, mas neste momento está em fase de conclusão”, disse ao JR o presidente da Junta local, Jorge Vilhena, especificando que na semana em curso a Divisão de Espaços Verdes executará os arranjos exteriores e para meados de Junho fica prometida a reabertura do parque já com os novos equipamentos, obra que está a cargo da Junta de Freguesia. Quanto ao parque infantil Cesário Verde, continua fechado a cadeado, apesar de terem sido retirados, na semana passada, os últimos brinquedos que ali permaneciam. “Por questões de segurança, pois as crianças, mesmo que fosse só para jogarem à bola, poderiam aleijar-se no pavimento, que está desnivelado e esburacado”, explicou Jorge Vilhena. A execução do plano de requalificação previsto para este parque, a cargo da Câmara Municipal, foi adiada devido à actual contenção de despesas. Em contrapartida, “há a hipótese” de ser implementado um projecto mais pequeno, ocupando o mesmo espaço, mas com novo pavimento. A boa notícia transmitida por Jorge Vilhena é que também este parque deverá estar reaberto “em princípio, até Julho”. Com estas duas obras, Carnaxide “passará de quatro para sete parques infantis”, frisou o presidente de Junta, comparando com 2005. Já em termos do concelho, segundo informação prestada pelo vereador deste pelouro, Ricardo Rodrigues, outros três recintos estão na calha: Tercena (ao lado do Mercado), Queluz de Baixo (junto à farmácia) e no Bairro Comendador Joaquim Matias (antigo J. Pimenta, em Paço de Arcos). O que aumentará para 67 o número de espaços reabertos. Ficarão a faltar, ainda, outros 13 para se voltar a atingir a cifra de parques infantis que existiam no concelho (80) há cerca de dois anos, quando o município decidiu encerrar os equipamentos e prevenir possíveis multas da ASAE devido às exigências da legislação. “Claro que as pessoas estão mais atentas e reivindicam mais, mas penso que este é um bom resultado. Outros municípios à nossa volta não têm a cobertura que Oeiras tem neste tipo de estruturas, além de que estamos a renovar os parques”, salientou Ricardo Rodrigues ao JR.  
Jorge A. Ferreira

terça-feira, 5 de junho de 2012

SINTRA São Martinho reforça apoio aos seus fregueses


Com um investimento de 17 mil euros, a Junta de Freguesia de São Martinho supriu uma lacuna, a inexistência de uma viatura, e vai contribuir para melhorar a prestação de cuidados de saúde aos seus fregueses. O órgão autárquico adquiriu duas viaturas, um ligeiro comercial, destinado ao apoio social, e uma carrinha de caixa aberta, em primeira linha destinada ao trabalho de manutenção dos parques infantis. O veículo ligeiro vai assumir ainda outra missão, a de permitir a deslocação dos profissionais da Unidade de Saúde Familiar Monte da Lua, sediada na Várzea de Sintra, para consultas ou tratamentos ao domicílio. "Esta Junta não possuía qualquer viatura", salienta Fernando Pereira, dando conta dos problemas que se colocavam quando era necessário transportar algum material e que obrigavam mesmo a recorrer a veículos particulares. A área da Acção Social da Junta, com um número crescente de atendimentos a fregueses carenciados, também há muito necessitava deste recurso. “Devido à criação do Gabinete de Acção Social, precisamos, permanentemente, de andar na rua na visita aos utentes que estão referenciados na nossa base de dados”, justifica o autarca, que, consciente das dificuldades também sentidas pela unidade de saúde da Várzea de Sintra, vai ceder a viatura às segundas, quartas e sextas-feiras de manhã. “A USF da Várzea de Sintra estava dependente da cedência de viatura ao serviço do Centro de Saúde de Sintra”, lamenta o autarca, com esta dependência a dificultar a gestão do apoio domiciliário. “Com esta viatura, a USF tem garantida a prestação de cuidados de saúde às segundas, quartas e sexta-feiras de manhã, seja para a troca de pensos ou para outros tratamentos que sejam necessários”, salienta Fernando Pereira. Joaquim Martins, director do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Sintra-Mafra, que abrange a área da freguesia de São Martinho, congratulou-se com a parceria estabelecida com a Junta que vai conferir “autonomia à USF para cuidados de ambulatório”. Este responsável reconhece que a estrutura que coordena, que se estende por uma área territorial de 530 quilómetros quadrados, dispõe de poucas viaturas e tal acaba por penalizar a resposta dos serviços. “Com a cedência desta viatura, a qualidade dos cuidados de saúde vai melhorar e responder a uma necessidade actual: uma intervenção mais próxima das pessoas e na comunidade”, salienta o director do ACES Sintra-Mafra. A USF Monte da Lua é um bom exemplo de uma maior prestação de cuidados no domicílio e na comunidade. “Estas equipas de ambulatório têm também uma actividade que diz respeito à grávida, ao recém-nascido,a visita a famílias de risco e alguns cuidados continuados menos pesados”, salientou este responsável. A cerimónia de recepção das viaturas, que decorreu no passado dia 23 de Maio, contou com a presença do presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, e da vereadora responsável pelo pelouro da Acção Social, Paula Simões.  
João Carlos Sebastião

SINTRA Três mil processos de menores em risco


Comissões de protecção de crianças e jovens do concelho apresentam dados relativos a 2011

As duas comissões de protecção de crianças e jovens do concelho de Sintra deram resposta, no ano passado, a 3074 processos de menores em risco. Um ligeiro decréscimo em relação a 2010, menos 67 casos, mas que não faz descansar as suas responsáveis. As realidades até são divergentes: enquanto em Sintra Ocidental, que abrange Algueirão-Mem Martins, Rio de Mouro, Vila de Sintra e a zona rural (11 freguesias), houve um decréscimo de 1576 para 1427 processos (menos 149 casos); Sintra Oriental, que engloba nove freguesias urbanas, registou uma subida de 1565 para 1647 (mais 82 casos), sendo mesmo a comissão com mais processos a nível nacional. A negligência e a exposição a modelos de comportamentos desviantes continuam a liderar as situações, em muitos dos casos em resultado do conflito parental que acabam por penalizar os filhos. O absentismo e abandono escolar é outra das preocupações no concelho, sendo as escolas, aliás, uma das principais entidades sinalizadoras de casos, em conjunto com as forças de segurança e as unidades de saúde. Além de casos de crianças dos zero aos dois anos, há um volume significativo de processos instaurados dos 11 aos 14 anos, idade em que começam a assumir comportamentos mais agressivos nos estabelecimentos de ensino. Os números foram apresentados na Casa da Juventude, na Tapada das Mercês, na passada quinta-feira, numa sessão que contou com a presença do presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens, Armando Leandro, e da vereadora responsável pelo pelouro da Acção Social, Paula Simões. O ligeiro decréscimo não satisfaz totalmente a autarca, "porque continuamos a ter um número excessivo de crianças em risco, em especial vítimas de negligência". Paula Simões teme, aliás, que, com o agudizar da crise, "os números de 2012 não sejam tão ‘simpáticos’". Em Sintra Oriental, num universo de 1647 processos, o grosso da fatia, 938, transitou de 2010, a que se somaram 650 instaurados e 59 reabertos. Para 2012, "transitou o quarteto 1111", ironiza Helena Vitória, presidente da CPCJ Sintra Oriental, que não esconde a preocupação de ver os números sempre a subir desde 2005, altura em que foi decidido dividir o concelho em duas comissões. As freguesias mais problemáticas são Agualva, Queluz, Cacém e Monte Abraão. Em tempo de balanço da acção desenvolvida no ano passado, as responsáveis das comissões não esquecem os constrangimentos, com a falta de recursos humanos no topo da lista, em especial os provenientes de diferentes instituições da Administração Central. "Estamos feitas num oito", lamenta Helena Vitória, enunciando a média de tempo disponível para cada processo: oito horas por ano. "Sentimos necessidade de uma intervenção parental diversificada, de recursos a nível da saúde mental e de formação adaptada a crianças e jovens com necessidades educativas", frisou a presidente da CPCJ, que alertou ainda para as necessidades crescentes de formação alternativa para jovens com cerca de 15 anos, devido ao aumento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano. "Se já temos absentismo e abandono escolar com elevados valores, os problemas vão começar a disparar", advertiu Helena Vitória. Outro dos problemas é a falta de instituições de acolhimento, para situações que exijam essa medida, num constrangimento que se estende à totalidade do território nacional. Em Sintra Ocidental, que acompanhou 1427 processos, 796 transitaram de 2010, foram instaurados 548 e reabertos 83. Para o ano em curso, transitaram 644 processos e foram instaurados, nestes primeiros meses, 329. Além das freguesias urbanas a cargo da CPCJ Sintra Ocidental, Algueirão-Mem Martins e Rio de Mouro, Teresa Villas está preocupada com a realidade ao nível das freguesias rurais (ver caixa). Neste caso, o topo das preocupações vai residindo nas freguesias de Almargem do Bispo, Colares e São João das Lampas. Os casos de crianças e jovens em risco em Sintra Ocidental são também liderados por situações de negligência
e exposição a comportamentos desviantes. Os maus-tratos físicos estão a descer, mas a presidente da CPCJ está preocupada com os maus-tratos psicológicos. "As pessoas perceberam que há processos-crime, em caso de maus-tratos físicos, que passaram a ser camuflados", frisa Teresa Villas. "Há crianças fechadas em casas de banho, às escuras, durante horas, que é um mau-trato psicológico", lamenta esta responsável, que não esconde ‘um nó na garganta’ perante os relatos de algumas das vítimas. "Não sei se não é melhor dar uma tareia", brinca. E até há casos de (quase) sozinhos em casa, com poucos anos de vida. Duas crianças, com três e quatro anos, estavam à guarda de dois irmãos mais velhos, um com 17 e outro com 20, este suspeito de homicídio num posto de abastecimento de combustíveis. O caso foi sinalizado pela PJ e a CPCJ apurou que os pais tinham ido para Angola, há dois anos, e os menores estavam entregues à sua sorte. Teresa Villas recorda que a crise, ao nível do aumento dos casos de menores em risco, acentuou-se há dois anos com o agudizar dos conflitos parentais que penalizam os filhos. "As pessoas vivem em conflito permanente, mas na mesma casa, que têm de pagar ao banco. Matam-se e esfolam-se, controlam-se mutuamente, e fazem sofrer os filhos", lamenta. "Numa família em que o pai e a mãe estão a noite inteira a discutir, a chamar nomes um ao outro, que partem a loiça toda, como é que o menino consegue estar atento na escola? Não está, tem défice
de atenção e hiperactividade". 

João Carlos Sebastião

quarta-feira, 30 de maio de 2012

CASCAIS Largo Cidade Vitória acolhe novos quiosques


Vendedores ambulantes estão receosos quanto aos efeitos da mudança nos respectivos negócios

A venda ambulante da antiga Rua Direita e a que se fazia nos pontos de venda da Baía de Cascais passaram agora para os novos quiosques instalados no Largo Cidade Vitória, onde se situam as instalações da Junta de Freguesia de Cascais, que foram inaugurados no passado dia 17 de Maio. A Câmara de Cascais concentrou a venda ambulante licenciada e dotou esses comerciantes de outras condições de trabalho. A intenção da autarquia é também a de ordenar o espaço público no centro da vila de Cascais e dinamizar o Largo Cidade Vitória. Dez novos quiosques fazem, assim, parte da nova imagem da baixa histórica de Cascais. Estes novos pontos de venda representaram um investimento municipal de 90 mil euros e vão manter as actividades de artesanato, roupa, conchas e búzios, atoalhados e transporte sustentável (‘segway’). Segundo Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, “a inauguração destes quiosques corresponde ao cumprimento de uma promessa antiga, tão antiga como as aspirações dos vendedores ambulantes, que há décadas marcam presença no nosso espaço público, em terem melhores condições de trabalho. Nesse sentido, a instalação destes quiosques, de 'design' moderno e funcional, vai, em primeiro lugar, dar a estes vendedores condições de trabalho dignas, como o acesso a pontos de electricidade, possibilidade de horário prolongado, abrigo do tempo”. Com um 'design' que foge ao traçado comum da baixa histórica de Cascais, o estilo dos quiosques suscitou uma divergência de opiniões. Joana Silva, responsável por um quiosque da Baía de Cascais, ainda se está a adaptar ao novo local: “Preferia a Esplanada dos Pescadores na Baía, porque já estávamos há 40 anos ligados àquele local”. Sobre o novo ponto de venda, disse que “é pena serem pequenos, se fossem um pouco maiores seria melhor”. E o estilo? “É o estilo moderno que a autarquia adoptou”. Alzira Vale praticava a venda ambulante na Rua Direita “há mais de 30 anos” e todos os dias montava e desmontava a banca. Disse ao JR que “era desagradável porque estava numa esquina e apanhava vento. Em termos de comodidade, estou bem melhor. Mas, em termos de venda, vamos ver. O quiosque é bonito”. Canisse Ussena recorda que estava na Rua Direita desde 1985. “Acho bons estes quiosques, mas penso que não estão protegidos da chuva. O espaço é pequeno, mas é melhor do que nada”, salientou este vendedor. Maria Teresa Cavaco, há 30 anos na Baía, disse que “vamo-nos adaptar se Deus quiser. O espaço é pequeno, mas paciência”. Por sua vez, Julia Alão realça que “para quem esteve na rua durante 30 e tal anos, estou muito satisfeita”. Para o presidente da Associação Empresarial do Concelho de Cascais, Armando Correia, “estes quiosques vêm concentrar uma situação que temos vindo a dizer que não era o mais bonito para o 'glamour' que Cascais tem”. A inauguração contou com a presença do vice-presidente da Câmara de Cascais, que visitou cada um dos quiosques e ouviu os comerciantes. Miguel Pinto Luz explicou ao JR que “com os novos quiosques libertámos a frente do mar para desenvolvermos actividades e eventos”. Sobre a estrutura e espaço dos quiosques, disse que “a área é a mesma da que foi apresentada aos comerciantes”. Em projecto para o local está também a realização de alguns eventos “para trazer mais gente aqui”, acrescentou Fernando Marques, responsável pelas Actividades Económicas de Cascais. 
Francisco Lourenço