quarta-feira, 16 de maio de 2012

CASCAIS Mercado da Vila tem nova imagem


Investimento de um milhão de euros vai transformar a funcionalidade do equipamento

O Mercado da Vila de Cascais vai ser um novo pólo de atracção, ganhar uma nova centralidade e ser uma imagem de marca de Cascais, ao mesmo tempo que estará mais próximo dos munícipes com os eventos que lá serão organizados. Inaugurado a 9 de Julho de 1952, passados que são 60 anos, o Mercado da Vila de Cascais ainda é uma referência a ter em conta na dinamização da vida de Cascais e a pensar nisso a Câmara quer reanimá-lo com criatividade, mas sem descurar o comércio que deu origem à sua construção. Em declarações ao JR, o presidente da Câmara de Cascais frisou que o Mercado “prepara-se para entrar numa nova era”. Carlos Carreiras realça que a Câmara pretende “um mercado mais perto da vila, com acessos mais fáceis para quem tem mobilidade reduzida, com uma imagem de marca que todos podem reconhecer”. O edil explicou que “o Mercado da Vila, designação que vai adoptar, vai constituir-se como um novo pólo de atracção fruto da criação de um restaurante-escola e da Mercearia da Vila. O restaurante vai exigir uma intervenção em mais de 300 metros quadrados, dando um novo rosto ao antigo pavilhão da fruta. A Mercearia da Vila, que terá um horário alargado, até às 22h00, estará alinhada com a imagem do mercado, mas criando uma marca de qualidade/‘gourmet’ para os produtos de Cascais”. O novo rosto do Mercado da Vila representa um investimento no valor de um milhão de euros, com as obras a serem executadas por fases. Carlos Carreiras disse que “a mudança, que conta com o envolvimento dos comerciantes deste espaço, vai começar a ser visível no início do Verão, já com a imagem de marca aplicada aos edifícios, sacos de compras e outros elementos visuais distintivos, que se juntam a um selo que certificará todos os produtos locais de Cascais”. Além do comércio e da restauração, o edil acrescentou que “ainda na perspectiva de maior atractividade, o novo Mercado da Vila vai contar com um plano de eventos que, além dos tradicionais mercados de quarta-feira e sábado, envolvem a realização de acções como um Mercado Solidário, para que as várias associações de solidariedade social, possam ex- por e comercializar os artigos que os alunos/utentes produzem, ou uma Feira Made In Cascais, onde será permitida apenas a venda de produtos produzidos no concelho de Cascais”. Outros projectos estão também pensados para o Mercado da Vila, como a realização de Feiras do Livro e Música, Feira de Oportunidades, Empreendedor por um Dia, Feira do Queijo, Vinho e Enchidos, Feira do Mel, da Castanha e muitas mais para ir conhecendo e acompanhando ao longo do ano. “Aliando a cultura e o lazer às actividades económicas, ao longo do ano, o Mercado da Vila vai ainda acolher a realização de concursos de fotografia, desfiles de moda, degustação de produtos, bem como várias iniciativas que permitam animar musicalmente o mercado, à noite”, disse Carlos Carreiras. Além dos comerciantes residentes, está previsto ainda o Mercado da Vila receber a feira quinzenal que se costuma realizar aos domingos na Adroana (antigamente feita em redor da Praça de Touros). O vice-presidente da Câmara, Miguel Pinto Luz, disse ao JR que “vamos trazer a Feira da Adroana para ser realizada na rua ao redor do Mercado da Vila. Esta feira não vai prejudicar o estacionamento porque vai continuar a haver lugares para estacionar. Com esta feira aqui vamos ter mais um motivo de animação neste espaço”. As obras de reestruturação, conforme consta do projecto da autarquia, apresentado no passado sábado, contempla a transferência dos serviços afectos à gestão do mercado por forma a libertar os espaços comerciais que estão a ocupar. Será feita ainda uma reorganização dos espaços comerciais, da zona do mercado saloio e da área envolvente.
Francisco Lourenço

CASCAIS Bairro da Torre fica sem serviço de autocarros


Transportes públicos deixaram de circular no
interior do bairro, devido a actos de violência

Actos de violência sobre os autocarros e os condutores da Scotturb, por jovens moradores no bairro social da Torre, terá provocado a cessação do serviço de transporte público naquele aglomerado urbano. Há cerca de dois meses que os moradores daquele aglomerado se vêem privados de poder apanhar o autocarro que saía do Terminal de Cascais (no CascaisVilla) e entrava pelas ruas do bairro, deixando os passageiros à porta de casa. Agora, quem não tem carro próprio, e “não teve nada a ver com os episódios de violência”, tem de procurar alternativas de transporte colectivo para chegar a casa, seja carregado com sacos de compras, seja vindo do trabalho ou mesmo da escola. “Por uns pagam os outros”, queixaram-se alguns moradores ao JR, que não quiseram ser identificados. “O que aconteceu foi que alguns motoristas da Scotturb, para evitar represálias, deixavam entrar jovens sem cobrar bilhetes. Foi uma situação que se repetiu várias vezes. Toda a gente via, mas não dizia nada. Até que, a determinada altura, começaram a não deixar entrar e esses jovens revoltaram-se e começaram a atirar pedras aos autocarros, partindo vidros. Creio que houve situações de violência também sobre os condutores noutras situações. Ouvi falar também em agressões com facas”, relata uma munícipe. Um outro morador lamenta: “Agora quem paga somos nós, que não tivemos nada a ver com o que se passou. Acho muito mal toda esta violência sobre os autocarros e os condutores que estão a fazer o seu trabalho. Até porque as pedras podiam também atingir crianças que andam nos autocarros, mas também não se deveria ter dado azo a isto. Não deveria haver favores para ninguém para se evitar estes problemas”. Sem autocarros a passarem no Bairro da Torre, os passageiros residentes têm de andar mais de 500metros para chegar a casa. “O autocarro agora pára perto da Rotunda da Torre e temos de andar muito para chegar a casa. Se viermos carregados com sacos ainda é pior”, disse uma residente de 70 anos. Outra alternativa é o Buscas com paragem ao pé do Dramático de Cascais. “Mas, para o utilizarmos temos de descer ou subir a estrada do cemitério, o que também é complicado (cerca de 500 metros)”, lamenta outro morador. A Associação de Moradores do Bairro da Torre já efectuou um abaixo-assinado para os autocarros da Scotturb voltarem a circular pelo interior do bairro. Esses documentos estiveram disponíveis em dois cafés da localidade. Um outro morador também alega que “os serviços de autocarros não estão a ser tão frequentes como eram. Antes tínhamos autocarros de 20 em 20 minutos, agora é de hora a hora”, queixa-se, salientando que "tenho o passe pago e não tenho o serviço feito. Assim como eu, estão muitas outras pessoas”. Como solução, propõem alguns residentes, “a Scotturb deveria voltar a fazer o seu serviço e, se tem receio, deveria andar com polícias à paisana porque há pessoas que não têm nada a ver com o que se passou e estão a ser prejudicadas”. O problema, concluem, “é haver apenas uma empresa rodoviária no concelho que faz o que lhe apetece”.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

PSD quer Cacilhas mais acessível


Pedonalização da Rua Cândido dos Reis não prevê acesso a estacionamentos

As obras de pedonalização da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas, depois de terem parado por falência do empreiteiro, parecem estar a avançar a bom ritmo e tudo indica que no início do Verão estão concluídas. Mas para o PSD não basta terminar as obras para devolver esta artéria aos moradores e voltar a chamar os turistas aos muitos restaurantes ali existentes. “Cacilhas é um dos pólos de atracção turísticos do concelho de Almada, mas é preciso que seja dinamizada e tenha bons acessos”, comenta Nuno Matias, líder do PSD de Almada. Ao ver alguma calçada já colocada, o comércio local, principalmente a restauração, começa a acreditar que o negócio pode recuperar, mas receia que a interdição a viaturas possa afastar os clientes. Uma das soluções que apontam é a construção de uma passagem pedonal entre o estacionamento no morro de Cacilhas e a Rua Cândido dos Reis. Uma obra que tem sido defendida pelos autarcas do PSD, mas “é recusada pela maioria CDU”, lamenta o deputado municipal e de freguesia Miguel Salvado. No passado sábado os vereadores do PSD percorreram esta artéria em obra e ouviram a intenção de alguns proprietários de avançarem com um abaixo-assinado a entregar à Câmara de Almada a exigirem a construção desta via pedonal. “Não somos contra a pedonalização de vias secundárias,
mas tem de ser assegurado o acesso aos parques de estacionamento e a mobilidade local” defende Nuno Matias que não entende a renitência do executivo da Câmara em abrir uma passagem que “apenas obriga a uma pequena obra. O espaço praticamente já existe”. Para o PSD o que está em causa é dinamizar a economia local, pois “é preciso fazer com que as pessoas voltem a frequentar Cacilhas”. E a Rua Cândido dos Reis não é o único pólo de interesse da freguesia, Nuno Matias aponta a zona do Ginjal como outro dos pontos de atracção turística e mostra satisfação por a Câmara de Almada já ter contratualizado um projecto para a revalorização daquela frente do Tejo. Só lamenta que “ao fim de 38 anos de poder local, sempre com a mesma força política a gerir o concelho (CDU), não se tenha feito muito mais”. Outro caso é a zona da Margueira em que o líder social-democrata considera que o executivo comunista devia ter começado a preparar a reconversão da zona assim que a Lisnave abandonou o estaleiro. Agora existe o projecto Almada Nascente – Cidade da Água, mas considera que se “perdeu demasiado tempo”. Mas, agora é a Câmara que receia que a reconversão desta zona possa ser travada por o actual Governo ter acabado com a Sociedade Arco Ribeirinho Sul que iria gerir este projecto, tal como a reconversão da Siderurgia (Seixal) e Quimigal (Barreiro) substituindo-a pela Baía do Tejo. Mas para o vereador do PSD Pedroso de Almeida, “é preciso desmistificar” este receio e afirma que a Baía Tejo “vai dar continuidade aos projectos”. O que o Governo fez “foi apenas alterar uma estrutura excessiva como era o Arco Ribeirinho Sul". 
Humberto Lameiras

SOBREDA Insegurança na estrada preocupa


População revela queixas nas ‘Opções Participativas’

A insegurança na circulação viária, regularização de valas e alguns casos de inundações estiveram
no centro do debate com a população da Sobreda, no âmbito do fórum ‘Opções Participativas’. Trata-se de um leque de encontros que estão a decorrer em todas as freguesias e, com base na opinião das populações, a Câmara de Almada irá elaborar o Plano e Orçamento de 2013. No encontro do ano passado o executivo ouviu queixas sobre a circulação em alguns acessos e este ano parte das queixas repetiram-se. É o caso da Estrada Nacional 10-1 onde “é urgente intervir”, afirma Maria Joaquina, residente na Sobreda. “É preciso evitar que os carros circulem a alta velocidade e não respeitem as passadeiras”, para isso sugere que seja colocada sinalética de limite de velocidade. Outro dos problemas são os cruzamentos em várias artérias. Moradores como Vítor Claro sugerem a colocação de rotundas para agilizar o trânsito e apontou o caso concreto do bairro de S. João. Mas existem outros pontos, como o cruzamento do Texugo que não sossegam os moradores. São caso que o vereador Rui Jorge Martins, responsável pela Mobilidade, afirma estarem a ser observados. Mas também referiu que “o traçado de algumas vias não permite a colocação de rotundas”. Já quanto à segurança na Estrada Nacional 10-1, a própria presidente da Câmara de Almada assumiu ser uma questão central. “É um problema para o qual temos de encontrar uma solução”. Um trabalho que Maria Emília de Sousa diz estar a ser feito também na regulação da iluminação pública. Alguns moradores queixaram-se que existem zonas urbanas mal iluminadas e a edil garantiu que em conjunto com o presidente da Junta de Freguesia da Sobreda, tal como aconteceu nas restantes freguesias, “foi feito um levantamento para identificarmos as zonas onde podemos poupar no custo de energia". “Pagamos quase 2,5 milhões de euros à EDP, é preciso reduzir esta factura sem colocar em causa a segurança da população”. Já quanto à regularização das valas e alguns casos de inundações, são problemas antigos da localidade que o vereador responsável pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento diz serem “constantemente acompanhados”. Um dos trabalhos que está a ser feito é criar bacias de retenção das águas pluviais, outro é a rede de sumidouros. O problema é que são muitas as Áreas Urbanas de Génese Ilegal que ainda não estão resolvidas e não é fácil colocar sumidouros em estradas não alcatroadas. “É preciso observarmos caso a caso diz o vereador”. Outro problema detectado são as descargas indevidas das fossas para as valas. Uma situação que não era fácil de detectar, mas que José Gonçalves diz já ter sido adquirido equipamento para saber que está a infringir a lei.
Humberto Lameiras

Oeiras e São Julião unidas há 112 anos


Comemorações marcadas pela contenção

Esta quinta-feira, dia 10 de Maio, Oeiras e São Julião da Barra assinalam 112 anos passados sobre a junção destas antigas duas paróquias. Foi em 1900 que a união se concretizou ficando a extinção de S. Julião da Barra a dever-se, segundo documento do Patriarcado de Lisboa, “à insuficiência do rendimento do pé-de-altar e à inexistência de côngrua derramada pelos paroquianos, pelo que havemos por bem anexá-la a essa freguesia/paróquia (Oeiras) enquanto não for ordenado o contrário, ficando V. Exas. e os seus sucessores, obrigados a administrar os sacramentos aos paroquianos daquela freguesia/paróquia (S. Julião da Barra)”. As comemorações arrancaram já no passado dia 28 de Abril e prolongam-se até 26 de Maio. A vontade de celebrar é
muita, tal como a necessidade de contenção nas despesas. A solução foi “envolver uma percentagem muito significativa das forças vivas” da freguesia, como salientou ao JR o presidente da Junta, lembrando qual é a prioridade em termos de gastos públicos daquela autarquia. “Dada a conjuntura, naturalmente que é prioritário dar resposta às necessidades sociais dos nossos fregueses, apoiando instituições, ouvindo as pessoas em relação às suas dificuldades, procurando a Junta ajudar na medida do possível ou, caso não possa, pelo menos encaminhar para outras entidades que possam prestar o auxílio necessário”, explicou Carlos Morgado. Devido à sua proximidade com as populações, as juntas são um barómetro bastante certeiro do evoluir das condições de vida em geral. No caso de Oeiras e São Julião da Barra o diagnóstico faz-se facilmente atentando no número de atendimentos contabilizados no seu Gabinete de Apoio Psicossocial. “No ano passado, as nossas duas técnicas (uma a tempo inteiro e outra parcial) fizeram cerca de 850 atendimentos”, revela o presidente da Junta, acrescentando que aquele serviço vem registando aumento de procura incessante. “E a tendência é aumentar mais ainda, infelizmente”, conclui. Outro reflexo da crise constata-se, claro, no próprio orçamento das juntas de freguesia, no qual tem grande relevo as verbas oriundas da celebração de protocolos de delegação de competências com a Câmara. Nesta vertente, as notícias também não têm sido as melhores. “É claro que a crise, afectando a Câmara, também nos afecta a nós, juntas, em termos das verbas disponibilizadas no âmbito da delegação de competências”, faz notar Carlos Morgado, admitindo uma “redução de um terço” neste tipo de financiamentono corrente ano. “Só com a ajuda dos nossos parceiros, da própria Câmara, com criatividade e junção de esforços é que se consegue ir ultrapassando as situações”, contrapõe o autarca, não escondendo, porém, que “em termos de obras de manutenção e de intervenção na via pública claramente que vai haver, já há, alguma dificuldade e as pessoas vão ver a sua qualidade de vida algo afectada”. Ainda assim, para além do apoio social, Carlos Morgado destaca o trabalho feito na requalificação dos parques infantis da freguesia, dos quais apenas falta intervir no espaço situado na Rua de Belém. De relevo, também, a animação no centro histórico de Oeiras, reforçada com as zonas de esplanadas junto ao Palácio do Egipto, onde, de resto, decorre grande parte dos eventos integrados na iniciativa da Junta local “Vem à Vila”, em curso. Sem esquecer o processo de reabilitação de alguns imóveis adquiridos pela Câmara naquela mesma área nobre da vila, destinados a Habitação Jovem. O programa de comemorações do 112.º aniversário da Junta de Oeiras e São Julião da Barra incluem, esta noite (quinta-feira), uma sessão solene no Forte de São Julião da Barra (20h30), um concerto pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras (sábado, 21h00, na Igreja de S. Julião da Barra) e outro pelo Grupo Coral Paz e Bem (dia 19, na Capela da Santa Casa da Misericórdia de Oeiras), um triatlo escutista(dias 19 e 20), um rastreio cardiovascular (21 e 22, pela Clínica Parque dos Poetas, no Passeio Marítimo, junto ao Inatel), terminando, a 26, com um concerto do CRAMOL, na Capela do Palácio dos Marqueses de Pombal. 

Jorge A. Ferreira

OEIRAS Assembleia recomenda a adopção de acções de formação e emprego


Moção do PSD motiva contestação, mas acaba por ser aprovada

Uma moção para recomendar à Câmara de Oeiras, em articulação com o IEFP, a adopção de medidas que promovam um programa de formação qualificante para jovens desempregados residentes no concelho... À primeira vista, a proposta do PSD, apresentada em recente reunião da AMO, até poderia parecer pacífica. Mas acabou por sermuito mal recebida por grande parte dos deputados municipais e, embora tenha sido aprovada, graças aos votos dos socialistas – após solicitarem alterações ao texto inicial – recebeu fortes críticas de quase todas as bancadas (a excepção foi o CDS-PP). Entre os mais cáusticos, o vice-presidente da Câmara, Paulo Vistas, reorientou a recomendação para outro destinatário. “O que esperava do PSD eram propostas para
o Governo avançar em prol de uma nova vitalidade da economia, porque sem economia não há emprego. Podemos fazer todas as feiras de emprego e acções de formação, envolver todos os parceiros possíveis, que se não houver economia então isso será apenas para inglês ver – neste caso para a ‘troika’ ver”, salientou. Algo genérica, a recomendação viria a integrar acções mais concretas por sugestão do PS, envolvendo as juntas de freguesia e outras instituições na “criação de um programa de formação qualificante com a duração mínima de um ano, recorrendo a fundos comunitários, bem como de uma feira local de emprego”, para além de “acções de formação profissional e para o empreendedorismo”. Mesmo assim, não convenceu a maioria dos intervenientes. “Numa altura em que o desemprego é um flagelo a nível nacional, eu não compreendo que o PSD, partido que é poder e que já foi poder, venha propor acções pontuais que não deixam de ser positivas, mas que não têm dimensão para combater este grave problema”, reiterou Paulo Vistas. O vereador que tem, entre outros, os pelouros das Actividades Económicas e do Turismo, preferia ver propostas que alertassem o Governo para a urgência de “decisões políticas que demoram eternidades a serem tomadas e das quais estão suspensos investimentos nacionais e estrangeiros, pondo em causa milhares de empregos – isso sim, seriam medidas de emprego com dimensão estruturante”, concluiu o autarca. Daniel Branco, da CDU, chamou à iniciativa do PSD uma “ironia” em vésperas do 1.º de Maio e sublinhou tratar-se de matéria fora das competências do município. António Moita (IOMAF) discordou do alvo da proposta, uma vez que “esta Câmara tudo tem feito para atrair empresas para o concelho”. Já o deputado Pedro Jorge (CDS/PP) frisou a impossibilidade de votar contra “uma recomendação para que a Câmara faça o que lhe for possível para trazer ao município programas de formação qualificante através de fundos europeus”. Jorge Pracana, um dos proponentes do documento, rejeitou as críticas e lembrou que a Câmara tem actuado noutras áreas que são da competência formal do Governo (construindo centros de saúde ou escolas, por exemplo). Salientando que, apesar de ser baixa, “o ideal era que a taxa de desemprego em Oeiras fosse zero”, o deputado afirmou, por isso, não conseguir compreender tanta oposição. No final da discussão, Isaltino Morais juntar-se-ia ao coro de críticas. “Não é com moções destas que vamos lá”, disse, aproveitando para lembrar que os estágios na Câmara terminaram por acção do Governo. Quanto aos programas de formação qualificante, “esta moção também se dispensava porque a Câmara já utiliza todos os programas”, disse, ainda, o líder municipal. A proposta de recomendação teve votos contra do BE, da CDU, um do PS e um do IOMAF, as abstenções do CDS-PP, do IOMAF e dos dois deputados não inscritos, e os votos favoráveis do PSD e PS.
Jorge A. Ferreira

quarta-feira, 9 de maio de 2012

SINTRA ‘Os jovens têm safa?’


Na Paróquia de Pero Pinheiro, Marcelo Rebelo de Sousa aborda o futuro da juventude

Em tempo de crise, com o desemprego a assumir números assustadores, os jovens têm safa? Esta foi a pergunta que Marcelo Rebelo de Sousa foi desafiado a responder, no arranque do ciclo "Venha tomar café com...", uma iniciativa da Paróquia e da Junta de Freguesia de Pero Pinheiro. Com  um salão paroquial repleto, na noite da véspera do 1.º de Maio, o professor Marcelo começou por justificar o ligeiro atraso com que chegou a Pero Pinheiro. "Eu nunca chego atrasado. Mas, tenho um ‘Tom Tom’, um GPS barato, muito antigo, que não tem a A16 e uma série de sofisticações e, portanto, andei um bocadinho perdido". Perdidos sentem-se, aliás, muitos jovens após acabarem o período de formação. Para o conhecido comentador político, "os jovens têm safa" mas, para isso, "têm de estar atentos aos sinais dos tempos", o que passa por estarem informados, perceberem a realidade e, essencialmente, descobrirem a sua vocação. "Num tempo de exigência e de crise, os jovens têm de fazer um esforço para se conhecerem mais e melhor", alertou o orador, embora reconhecendo que, muitas vezes, o contexto família acaba por tornar esta missão quase impossível. "Cada vez se fala menos em família. As famílias são paragens
de autocarro ou de camioneta. As pessoas cruzam-se: ‘Olá, estás bom? Vais apanhar a carreira?’/ ‘Vou, sim senhor. E tu, estás a chegar?’/Estou’". Ao longo de três horas e meia, Marcelo Rebelo de Sousa abordou o futuro dos jovens em Portugal. Professor de Direito há 40 anos, já contactou
com várias gerações. Os jovens de hoje,"num mundo em mudança de forma alucinante", estão condenados a ter "12, 15 actividades ao longo da vida", ao contrário das gerações anteriores que eram formadas "para ter a mesma profissão ao longo da vida". "Estes jovens vão ter imensas actividades ao longo da vida, vão viver mais, vão viver mais intensamente..." e tal vai acontecer em território nacional ou noutro lado qualquer. Em relação à questão da emigração, cada vez mais na ordem do dia, o professor Marcelo remeteu a decisão para a esfera pessoal. "Não sou apóstolo
de dizer ‘o problema de Portugal resolve-se se nós, em vez de dez milhões, formos seis milhões, logo quatro milhões, rua. Ou os dizimamos com uma peste ou rua...’", gracejou. Mas, também não defende "a violentação dos jovens para que fiquem cá à força". "Estes jovens tiveram a pouca sorte de apanhar uma crise no mundo, uma crise na Europa e a crise portuguesa que vem sendo arrastada e agora é mais evidente", frisou o orador, para quem o atraso do país tem raízes antigas. "A factura chegou agora, mas com parcelas muito antigas, que mostram bem os problemas de outros tempos: o atraso económico, o atraso social, o atraso educativo... Tudo isso vem ao de cima quando nos integrámos no clube da Europa". Mas, ironizou, "o país sempre viveu em crise. Começou com umfilho a bater na mãe: D. Afonso Henriques contra D. Teresa". Apesar do desemprego estar a assumir contornos cada vez mais expressivos, Marcelo Rebelo de Sousa está convicto que, após a ‘dobragem do Cabo das Tormentas’, "há novos empregos que se vão criar", nomeadamente na área social. "Vão aparecer empregos sociais no futuro, empregos em novas actividades que não se imagina. O facto de Portugal estar a ficar um país envelhecido, vai aumentar no futuro, passados estes dois/três anos mais tormentosos, os empregos sociais em torno dos idosos, de zonas de carência social mais grave e em termos das crianças", salientou o convidado. Marcelo Rebelo de Sousa desafiou ainda os jovens a participarem mais na vida comunitária. "Os jovens têm de participar na mudança desta sociedade. À medida que informados,
percebendo os problemas, e que considerem que há coisas a mudar, têm de participar: não podem seguir o caminho de que ‘isto não há ponta por onde se lhe pegue’". Para o comentador político, os jovens devem ter um papel mais activo na sociedade e podem, por exemplo, promover petições, através da Internet, ou defender causas. "Não podem é deixar cair os braços", concluiu. E, para aqueles que consideram que esta atitude não têm efeito nenhum, contrapõe que "as grande mudanças fazem-se de pequenas mudanças e o que é preciso mudar neste país, em muitas coisas, é a mentalidade, a cultura cívica, a não participação das pessoas, a impunidade...".
João Carlos Sebastião