quinta-feira, 10 de maio de 2012

Oeiras e São Julião unidas há 112 anos


Comemorações marcadas pela contenção

Esta quinta-feira, dia 10 de Maio, Oeiras e São Julião da Barra assinalam 112 anos passados sobre a junção destas antigas duas paróquias. Foi em 1900 que a união se concretizou ficando a extinção de S. Julião da Barra a dever-se, segundo documento do Patriarcado de Lisboa, “à insuficiência do rendimento do pé-de-altar e à inexistência de côngrua derramada pelos paroquianos, pelo que havemos por bem anexá-la a essa freguesia/paróquia (Oeiras) enquanto não for ordenado o contrário, ficando V. Exas. e os seus sucessores, obrigados a administrar os sacramentos aos paroquianos daquela freguesia/paróquia (S. Julião da Barra)”. As comemorações arrancaram já no passado dia 28 de Abril e prolongam-se até 26 de Maio. A vontade de celebrar é
muita, tal como a necessidade de contenção nas despesas. A solução foi “envolver uma percentagem muito significativa das forças vivas” da freguesia, como salientou ao JR o presidente da Junta, lembrando qual é a prioridade em termos de gastos públicos daquela autarquia. “Dada a conjuntura, naturalmente que é prioritário dar resposta às necessidades sociais dos nossos fregueses, apoiando instituições, ouvindo as pessoas em relação às suas dificuldades, procurando a Junta ajudar na medida do possível ou, caso não possa, pelo menos encaminhar para outras entidades que possam prestar o auxílio necessário”, explicou Carlos Morgado. Devido à sua proximidade com as populações, as juntas são um barómetro bastante certeiro do evoluir das condições de vida em geral. No caso de Oeiras e São Julião da Barra o diagnóstico faz-se facilmente atentando no número de atendimentos contabilizados no seu Gabinete de Apoio Psicossocial. “No ano passado, as nossas duas técnicas (uma a tempo inteiro e outra parcial) fizeram cerca de 850 atendimentos”, revela o presidente da Junta, acrescentando que aquele serviço vem registando aumento de procura incessante. “E a tendência é aumentar mais ainda, infelizmente”, conclui. Outro reflexo da crise constata-se, claro, no próprio orçamento das juntas de freguesia, no qual tem grande relevo as verbas oriundas da celebração de protocolos de delegação de competências com a Câmara. Nesta vertente, as notícias também não têm sido as melhores. “É claro que a crise, afectando a Câmara, também nos afecta a nós, juntas, em termos das verbas disponibilizadas no âmbito da delegação de competências”, faz notar Carlos Morgado, admitindo uma “redução de um terço” neste tipo de financiamentono corrente ano. “Só com a ajuda dos nossos parceiros, da própria Câmara, com criatividade e junção de esforços é que se consegue ir ultrapassando as situações”, contrapõe o autarca, não escondendo, porém, que “em termos de obras de manutenção e de intervenção na via pública claramente que vai haver, já há, alguma dificuldade e as pessoas vão ver a sua qualidade de vida algo afectada”. Ainda assim, para além do apoio social, Carlos Morgado destaca o trabalho feito na requalificação dos parques infantis da freguesia, dos quais apenas falta intervir no espaço situado na Rua de Belém. De relevo, também, a animação no centro histórico de Oeiras, reforçada com as zonas de esplanadas junto ao Palácio do Egipto, onde, de resto, decorre grande parte dos eventos integrados na iniciativa da Junta local “Vem à Vila”, em curso. Sem esquecer o processo de reabilitação de alguns imóveis adquiridos pela Câmara naquela mesma área nobre da vila, destinados a Habitação Jovem. O programa de comemorações do 112.º aniversário da Junta de Oeiras e São Julião da Barra incluem, esta noite (quinta-feira), uma sessão solene no Forte de São Julião da Barra (20h30), um concerto pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras (sábado, 21h00, na Igreja de S. Julião da Barra) e outro pelo Grupo Coral Paz e Bem (dia 19, na Capela da Santa Casa da Misericórdia de Oeiras), um triatlo escutista(dias 19 e 20), um rastreio cardiovascular (21 e 22, pela Clínica Parque dos Poetas, no Passeio Marítimo, junto ao Inatel), terminando, a 26, com um concerto do CRAMOL, na Capela do Palácio dos Marqueses de Pombal. 

Jorge A. Ferreira

OEIRAS Assembleia recomenda a adopção de acções de formação e emprego


Moção do PSD motiva contestação, mas acaba por ser aprovada

Uma moção para recomendar à Câmara de Oeiras, em articulação com o IEFP, a adopção de medidas que promovam um programa de formação qualificante para jovens desempregados residentes no concelho... À primeira vista, a proposta do PSD, apresentada em recente reunião da AMO, até poderia parecer pacífica. Mas acabou por sermuito mal recebida por grande parte dos deputados municipais e, embora tenha sido aprovada, graças aos votos dos socialistas – após solicitarem alterações ao texto inicial – recebeu fortes críticas de quase todas as bancadas (a excepção foi o CDS-PP). Entre os mais cáusticos, o vice-presidente da Câmara, Paulo Vistas, reorientou a recomendação para outro destinatário. “O que esperava do PSD eram propostas para
o Governo avançar em prol de uma nova vitalidade da economia, porque sem economia não há emprego. Podemos fazer todas as feiras de emprego e acções de formação, envolver todos os parceiros possíveis, que se não houver economia então isso será apenas para inglês ver – neste caso para a ‘troika’ ver”, salientou. Algo genérica, a recomendação viria a integrar acções mais concretas por sugestão do PS, envolvendo as juntas de freguesia e outras instituições na “criação de um programa de formação qualificante com a duração mínima de um ano, recorrendo a fundos comunitários, bem como de uma feira local de emprego”, para além de “acções de formação profissional e para o empreendedorismo”. Mesmo assim, não convenceu a maioria dos intervenientes. “Numa altura em que o desemprego é um flagelo a nível nacional, eu não compreendo que o PSD, partido que é poder e que já foi poder, venha propor acções pontuais que não deixam de ser positivas, mas que não têm dimensão para combater este grave problema”, reiterou Paulo Vistas. O vereador que tem, entre outros, os pelouros das Actividades Económicas e do Turismo, preferia ver propostas que alertassem o Governo para a urgência de “decisões políticas que demoram eternidades a serem tomadas e das quais estão suspensos investimentos nacionais e estrangeiros, pondo em causa milhares de empregos – isso sim, seriam medidas de emprego com dimensão estruturante”, concluiu o autarca. Daniel Branco, da CDU, chamou à iniciativa do PSD uma “ironia” em vésperas do 1.º de Maio e sublinhou tratar-se de matéria fora das competências do município. António Moita (IOMAF) discordou do alvo da proposta, uma vez que “esta Câmara tudo tem feito para atrair empresas para o concelho”. Já o deputado Pedro Jorge (CDS/PP) frisou a impossibilidade de votar contra “uma recomendação para que a Câmara faça o que lhe for possível para trazer ao município programas de formação qualificante através de fundos europeus”. Jorge Pracana, um dos proponentes do documento, rejeitou as críticas e lembrou que a Câmara tem actuado noutras áreas que são da competência formal do Governo (construindo centros de saúde ou escolas, por exemplo). Salientando que, apesar de ser baixa, “o ideal era que a taxa de desemprego em Oeiras fosse zero”, o deputado afirmou, por isso, não conseguir compreender tanta oposição. No final da discussão, Isaltino Morais juntar-se-ia ao coro de críticas. “Não é com moções destas que vamos lá”, disse, aproveitando para lembrar que os estágios na Câmara terminaram por acção do Governo. Quanto aos programas de formação qualificante, “esta moção também se dispensava porque a Câmara já utiliza todos os programas”, disse, ainda, o líder municipal. A proposta de recomendação teve votos contra do BE, da CDU, um do PS e um do IOMAF, as abstenções do CDS-PP, do IOMAF e dos dois deputados não inscritos, e os votos favoráveis do PSD e PS.
Jorge A. Ferreira

quarta-feira, 9 de maio de 2012

SINTRA ‘Os jovens têm safa?’


Na Paróquia de Pero Pinheiro, Marcelo Rebelo de Sousa aborda o futuro da juventude

Em tempo de crise, com o desemprego a assumir números assustadores, os jovens têm safa? Esta foi a pergunta que Marcelo Rebelo de Sousa foi desafiado a responder, no arranque do ciclo "Venha tomar café com...", uma iniciativa da Paróquia e da Junta de Freguesia de Pero Pinheiro. Com  um salão paroquial repleto, na noite da véspera do 1.º de Maio, o professor Marcelo começou por justificar o ligeiro atraso com que chegou a Pero Pinheiro. "Eu nunca chego atrasado. Mas, tenho um ‘Tom Tom’, um GPS barato, muito antigo, que não tem a A16 e uma série de sofisticações e, portanto, andei um bocadinho perdido". Perdidos sentem-se, aliás, muitos jovens após acabarem o período de formação. Para o conhecido comentador político, "os jovens têm safa" mas, para isso, "têm de estar atentos aos sinais dos tempos", o que passa por estarem informados, perceberem a realidade e, essencialmente, descobrirem a sua vocação. "Num tempo de exigência e de crise, os jovens têm de fazer um esforço para se conhecerem mais e melhor", alertou o orador, embora reconhecendo que, muitas vezes, o contexto família acaba por tornar esta missão quase impossível. "Cada vez se fala menos em família. As famílias são paragens
de autocarro ou de camioneta. As pessoas cruzam-se: ‘Olá, estás bom? Vais apanhar a carreira?’/ ‘Vou, sim senhor. E tu, estás a chegar?’/Estou’". Ao longo de três horas e meia, Marcelo Rebelo de Sousa abordou o futuro dos jovens em Portugal. Professor de Direito há 40 anos, já contactou
com várias gerações. Os jovens de hoje,"num mundo em mudança de forma alucinante", estão condenados a ter "12, 15 actividades ao longo da vida", ao contrário das gerações anteriores que eram formadas "para ter a mesma profissão ao longo da vida". "Estes jovens vão ter imensas actividades ao longo da vida, vão viver mais, vão viver mais intensamente..." e tal vai acontecer em território nacional ou noutro lado qualquer. Em relação à questão da emigração, cada vez mais na ordem do dia, o professor Marcelo remeteu a decisão para a esfera pessoal. "Não sou apóstolo
de dizer ‘o problema de Portugal resolve-se se nós, em vez de dez milhões, formos seis milhões, logo quatro milhões, rua. Ou os dizimamos com uma peste ou rua...’", gracejou. Mas, também não defende "a violentação dos jovens para que fiquem cá à força". "Estes jovens tiveram a pouca sorte de apanhar uma crise no mundo, uma crise na Europa e a crise portuguesa que vem sendo arrastada e agora é mais evidente", frisou o orador, para quem o atraso do país tem raízes antigas. "A factura chegou agora, mas com parcelas muito antigas, que mostram bem os problemas de outros tempos: o atraso económico, o atraso social, o atraso educativo... Tudo isso vem ao de cima quando nos integrámos no clube da Europa". Mas, ironizou, "o país sempre viveu em crise. Começou com umfilho a bater na mãe: D. Afonso Henriques contra D. Teresa". Apesar do desemprego estar a assumir contornos cada vez mais expressivos, Marcelo Rebelo de Sousa está convicto que, após a ‘dobragem do Cabo das Tormentas’, "há novos empregos que se vão criar", nomeadamente na área social. "Vão aparecer empregos sociais no futuro, empregos em novas actividades que não se imagina. O facto de Portugal estar a ficar um país envelhecido, vai aumentar no futuro, passados estes dois/três anos mais tormentosos, os empregos sociais em torno dos idosos, de zonas de carência social mais grave e em termos das crianças", salientou o convidado. Marcelo Rebelo de Sousa desafiou ainda os jovens a participarem mais na vida comunitária. "Os jovens têm de participar na mudança desta sociedade. À medida que informados,
percebendo os problemas, e que considerem que há coisas a mudar, têm de participar: não podem seguir o caminho de que ‘isto não há ponta por onde se lhe pegue’". Para o comentador político, os jovens devem ter um papel mais activo na sociedade e podem, por exemplo, promover petições, através da Internet, ou defender causas. "Não podem é deixar cair os braços", concluiu. E, para aqueles que consideram que esta atitude não têm efeito nenhum, contrapõe que "as grande mudanças fazem-se de pequenas mudanças e o que é preciso mudar neste país, em muitas coisas, é a mentalidade, a cultura cívica, a não participação das pessoas, a impunidade...".
João Carlos Sebastião

SINTRA - NECESSIDADES ESPECIAIS Apoio às crianças em unidade móvel


CERCITOP propõe projecto em contexto escolar

Autónomo desde 2008, o Serviço de Intervenção e Apoio à Criança da CERCITOP (Centro de Educação e Reabilitação de Deficientes de Todo o País) quer dar um novo salto e ir ao encontro dos utentes com multideficiências ou necessidades educativas especiais. Para o efeito, a instituição pretende adquirir uma unidade móvel equipada com recursos terapêuticos ajustados às necessidades das crianças, para colmatar as dificuldades de deslocação das famílias, mas, também, alargar o leque de beneficiários do apoio especializado na área da terapia ocupacional, fisioterapia, terapia da fala e psicologia. Com núcleos em Massamá (em instalações cedidas pela Junta de Freguesia) e em Mem Martins (em Ouressa), este serviço presta apoio a cerca de 85 crianças por mês, com idades compreendidas entre os zero e os 16 anos. Mas, os afazeres profissionais dos progenitores acabam por dificultar o acesso ao serviço, assegurado por uma equipa multidisciplinar. "Uma coisa é ir a uma consulta, pontualmente, outra é a necessidade de efectuar duas ou três sessões terapêuticas por semana", salienta Mafalda Rodrigues, coordenadora do serviço, que enuncia que, para além da compatibilização das rotinas, há crianças e jovens com problemas motores, que se deslocam em cadeiras de rodas, que acabam por ter dificuldades em aceder ao apoio especializado. Ao jeito de ‘se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé’, os responsáveis da CERCITOP pretendem prestar o apoio especializado nas próprias escolas, no quadro dos 11 agrupamentos com os quais têm protocolos de cooperação. Mas, também aqui se depara um obstáculo: a inexistência de "salas disponíveis nos estabelecimentos para, durante uma manhã ou um dia, uma intervenção de qualidade". Perante esta realidade, o projecto assenta em adaptar uma viatura e transformá-la numa unidade móvel, "dotada do material necessário para poder fazer avaliações e intervenções terapêuticas no contexto escolar", explica ainda Mafalda Rodrigues. Cotado na Bolsa de Valores Sociais desde Janeiro de 2010, o projecto ascende a 58,5 mil euros, para a aquisição de uma das duas unidades móveis que o serviço pretende oferecer, cinco dias por semana, numa carga horária de acordo com o número de utentes por agrupamento. "Temos tido uma grande procura para as pessoas perceberem os objectivos, mas a compra de acções tem sido mais complicada", sublinha a coordenadora do serviço que, face a este quadro, não se compromete com uma previsão para o arranque do projecto. Para além de dar resposta às dificuldades de deslocação de utentes e seus familiares, o projecto vai assegurar, também, o apoio a crianças de famílias de escassos recursos económicos ou excluídas devido à legislação em vigor mas que apresentam problemas relacionados
com dislexia, terapia da fala ou ocupacional e distúrbios emocionais ou psicológicos. "Com o decreto 3/2008 das necessidades educativas especiais, houve imensas crianças que ficaram de fora do apoio, como crianças com dislexia, défice de atenção e concentração", lamenta Mafalda Rodrigues. Nos agrupamentos escolares, a CERCITOP dá apoio a cerca de 250 crianças, mas as necessidades vão muito para além desse número. "Há muitas, muitas crianças que, neste momento, não estão a ter qualquer tipo de apoio", reforça esta técnica. "Estamos a falar de muitas centenas de crianças", sublinha José Bourdain, presidente da direcção da cooperativa de solidariedade social. "Todos os anos, quando nos candidatamos a projectos, junto do Ministério da Educação, para dar apoio às crianças nas escolas, vemos apoiado cerca de 10%/15% das necessidades", acentua José Bourdain. Numa altura em que decorre a fase de candidatura para o próximo ano lectivo, Mafalda Rodrigues tem a convicção de que, em agrupamentos que têm sinalizadas 120 crianças com necessidades educativas especiais, só serão apoiadas cerca de 20. Para responder às famílias com reduzidos recursos financeiros, o projecto prevê autofinanciar-se num prazo de três anos, mediante um sistema de pagamento dividido por três escalões: gratuito para famílias com dificuldades económicas; moderado para famílias de rendimento médio; e elevado para famílias com maior capacidade económica. Mas, mesmo neste último escalão, o valor
praticado será inferior ao cobrado por entidades privadas.  

João Carlos Sebastião

quinta-feira, 3 de maio de 2012

CASCAIS Parque das Gerações em S. João do Estoril


Equipamento construído ainda este ano

O concelho de Cascais está a um pequeno passo de ver arrancar a construção de um dos melhores parques de desportos urbanos da Europa: o Parque das Gerações, que ficou em segundo lugar no Orçamento Participativo de 2011, e visa implantar um equipamento único no terreno baldio situado junto ao Centro de Saúde de São João do Estoril. Com vista para o mar, o espaço vai permitir o convívio de diferentes gerações e a prática de skate, bmx e ‘inline’ (‘street’, rampa, ‘bowls’ e ‘snake run’), dispondo de espaços verdes, circuito de manutenção, esplanada, ludoteca, miradouro e zona de estacionamento. Com o estudo prévio validado em reunião com a Câmara Municipal de Cascais (CMC), Pedro Coriel, um dos mentores do projecto, disse ao JR que “o nosso objectivo é ter o projecto de execução concluído durante a primeira quinzena de Junho, começar a construir em Julho/Agosto, e inaugurar a obra entre Novembro deste ano e Janeiro de 2013”. O projecto está orçado em 300 mil euros e será implantado dentro dos limites dos terrenos camarários. O Orçamento Participativo foi a oportunidade que faltava para levar a cabo este projecto, que aguardava ‘um lugar ao sol’ há cerca de quatro anos. Em Novembro de 2008, foi apresentado na CMC assumindo a forma de Skate Parque, da autoria de Pedro Coriel (então presidente da Associação de Moradores da Quinta da Carreira) e do arquitecto Francisco Lopez. “Com  o OP vi uma oportunidade de o concretizar e foi o segundo projecto mais votado”, diz Pedro Coriel, que não quer que seja “um parquezinho de skate”: “Vai ser um dos melhores parques de desportos urbanos do mundo, capaz de atrair provas e demonstrações internacionais, capaz de elevar o nome de Cascais, uma vez mais, a grande altura” e “vai juntar várias gerações porque também vai ter um parque infantil e um circuito de manutenção”. O Parque das Gerações será implantado numa área de cerca de 12 000 m2 de terreno baldio. Bruno Pinto, arquitecto paisagista, disse ao JR que será “ambiental e financeiramente sustentável”: “A ideia é fazer um espaço com o mínimo de manutenção, que seja sustentável e privilegie a vegetação autóctone. As zonas pavimentadas ou são permeáveis ou drenam para os espaços verdes envolventes, que assentam numa premissa de potenciação da regeneração natural, sendo compostos por um mosaico de prados de sequeiro roçados num primeiro plano e em segundo plano por zonas de vegetação mais alta”. Francisco Lopez, atleta de skate e arquitecto autor do Parque das Gerações (em conjunto com os arquitectos Bruno Pinto e Rita Pinheiro), disse ao JR que a área onde vai ser implantado o equipamento é uma localização privilegiada para atrair a população de Cascais e da região de Lisboa. “Quanto às pistas, pretendemos trazer várias valências para os praticantes iniciados e profissionais. Vamos seguir a nova tendência mundial que é a 'street plaza', com uma ‘pool’ ao estilo da tradição do skate na Califórnia e que cá só existe uma na Ericeira. Vamos também introduzir um ‘snake run’, que só há em Albufeira, entre outros obstáculos", realça Francisco Lopez, para quem estamos também perante "um parque que vai desmistificar que a prática do skate é uma actividade marginal e onde vai haver sempre pessoas com os filhos e com os netos a circular”. 
Francisco Lourenço

Centro de Alcoitão entre os melhores


Na comemoração do 46.º aniversário, estudo enaltece desempenho na área da reabilitação

O Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) comemorou o seu 46.º aniversário, no passado dia 20 de Abril, com a apresentação de um estudo que dá a conhecer o desempenho e os resultados da instituição nos últimos anos e a compara com o Centro de Medicina de Reabilitação do Sul e o Instituto Guttmann, em Badalona. Os resultados do estudo são positivos e colocam o CMRA numa posição de excelência. Em declarações ao JR, a directora clínica do CMRA explicou a importância do estudo para manter a instituição na vanguarda da reabilitação: “Este é um estudo comparativo. Dizemos que somos uma instituição de excelência, mas também temos de dizer o que somos comparativamente com as outras instituições como estas que têm as mesmas características. É um estudo comparativo para tentarmos perceber o que temos menos bem para melhorar. É uma mais-valia”. Avaliando alguns critérios de qualidade, como o tempo de internamento, verifica-se que, se em 2010 a média de tempo de internamento se situava nos 78 dias, em 2011 esse valor é reduzido para 63 dias. Trata-se de um indicador que permite avaliar a eficiência da utilização dos recursos, assim como a melhoria dos serviços prestados que, desta forma, contribuíram para que fossem eliminados 2517 dias de internamento. Em termos de patologias que levam os utentes a recorrer a Alcoitão, o relatório apresenta o aumento de casos de incapacidade por AVC que, nos últimos anos, constituem o principal motivo de reabilitação, sendo o segundo motivo as lesões medulares traumáticas. Maria de Jesus disse que “60% dos doentes são AVC. O que mostra que as patologias mudaram e temos que nos adequar e optimizar recursos”. O estudo resulta de uma análise comparativa realizada por uma consultora independente de saúde a três das principais instituições de reabilitação da Península Ibérica (Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, Centro de Medicina de Reabilitação do Sul e Instituto Guttmann) e que coloca o CMRA como um centro de excelência.  
Francisco Lourenço

CRIL Um ano de queixas e benefícios


Entidades traçam balanço positivo, utentes também

Há um ano, José Sócrates, então primeiro-ministro, inaugurava a conclusão da controversa via que permitiu a ligação de Algés (Oeiras) a Sacavém (zona Norte de Lisboa). A CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) foi, finalmente, concluída após mais de 20 anos de avanços e recuos, num processo marcado pela contestação. Embora seja reconhecida a sua importância, as críticas mantém-se, mas para outros a via veio contribuir para uma melhoria da qualidade de vida. Teresa Barata é moradora no Alto da Mira, Casal de São Brás. Esta trabalhadora em Almada garante ter ganho muito com a abertura do último troço da via. “Passei a entrar na CRIL junto ao Casal da Mira, em direcção aAlgés, saindo rumo à A5 para chegar à Ponte 25 de Abril. Anteriormente este percurso era feito pelo centro da Amadora e frequentemente apanhava muito trânsito, mas neste momento não necessito de o fazer, poupando em média cerca de 15 minutos em cada viagem, cerca de 30 minutos no final do dia”. Esta munícipe assegura que o percurso até ao trabalho passou de cerca de 40 minutos para ser feito em menos de meia hora, poupando “não só em tempo, mas também em gasolina”. Já o vereador responsável pela mobilidade na Câmara Municipal da Amadora (CMA), Gabriel Oliveira, que sempre pugnou pela construção da via apresentado projectos alternativos aos que haviam sido avançados até então, considera que “a conclusão da via só teve aspectos positivos”. “Reduziu-se substancialmente o trânsito de passagem do centro da Amadora, temos neste momento menos trânsito dentro da cidade, em particular nas horas de ponta. Uma via que beneficia os residentes na Amadora, mas também de outros concelhos”, afirma Gabriel Oliveira. Para o responsável autárquico, a obra veio trazer ainda uma melhoria do espaço público “porque toda a zona foi requalificada” e “ao nível do ruído os impactos estão muito abaixo do estimado”, revela. Gabriel Oliveira adianta, no entanto, que “ainda há coisas por resolver como a construção do caneiro na Damaia, cuja obra terá início até ao final do ano, assim
como ao nível dos prejuízos causados aos moradores pelos impactos das obras que estão neste momento a ser negociadas entre as Estradas de Portugal e as companhias de seguros”. Quanto ao muro que acabou por ser erguido na Damaia, o vereador reconhece que “aquela não tinha sido a nossa solução, mas um ano depois tudo parece mais pacífico, com aquelas populações a habituarem-se aos novos espaços”. 

Segunda Circular maior beneficiária 
Segundo os números da empresa Estradas de Portugal, a abertura do último troço da Circular Regional Interna de Lisboa permitiu retirar entre 50 a 60 mil carros por dia da Segunda Circular. No que respeita ao escoamento do trânsito, a abertura do último troço da CRIL “excedeu as expectativas”, segundo o administrador da EP, Rui Nelson Dinis. “Tornou-se numa das vias mais utilizadas por quem precisa de se deslocar aos concelhos de Loures, Odivelas, Lisboa, Amadora e Oeiras”, afirma. Em entrevista à Agência Lusa, o responsável disse que a Segunda Circular (via já dentro da capital) foi a grande beneficiária desta abertura. Dados da EP que comparam o tráfego entre Janeiro de 2011 e Janeiro de 2012, entre a rotunda do aeroporto e o Campo Grande, na Segunda Circular, mostram que se registou uma redução de 72 mil veículos por dia. No entanto, só entre 50 a 60 mil se devem à CRIL – os restantes são resultado da quebra de tráfego resultante da crise. “No troço novo circulam 50 mil carros por dia. O aumento global nos restantes troços anda na ordem dos 20 mil por dia”, indicou Rui Nelson Dinis. Segundo o administrador, há um ano as projecções apontavam para benefícios económicos directos entre os 20 e os 25 milhões de euros por ano com a construção do último troço da CRIL. Hoje, “esse número foi globalmente atingido”. Rui Nelson Dinis salientou ainda a segurança daquela via, frisando que não há registos de mortes em acidentes na CRIL. Desde o início do ano, registaram-se oito acidentes, dos quais não resultaram feridos graves ou ligeiros. O último troço da CRIL liga a Pontinha (Odivelas) à Buraca (Amadora), tem 3,6 quilómetros e foi inaugurado a 17 de Abril de 2011. O projecto do último troço levou um morador da zona abrangida a interpor uma acçãocontra o Ministério das Obras Públicas e a Estradas de Portugal para pedir a anulação da declaração de utilidade pública urgente para as expropriações, alegando que a obra “viola manifestamente não só a Declaração de Impacte Ambiental emitida, como as regras da Lei de Bases do Ambiente”. Um processo que ainda decorre nos tribunais. A obra motivou desde logo a contestação de associações de moradores da zona envolvente – Santa Cruz de Benfica (Lisboa) e Alfornelos, Damaia e Venda Nova (Amadora), que ainda acusam o Governo do PS de ter prestado falsas declarações e apresentado inicialmente fotomontagens distorcidas da empreitada que não correspondem à intervenção efectuada. Os residentes têm protestado não só contra o impacto ambiental (tendo em conta a proximidade dos edifícios), mas também devido a alguns estragos dentro das habitações. Até agora não viram o problema resolvido. 
Milene Matos Silva, com Lusa