quinta-feira, 3 de maio de 2012

CASCAIS Parque das Gerações em S. João do Estoril


Equipamento construído ainda este ano

O concelho de Cascais está a um pequeno passo de ver arrancar a construção de um dos melhores parques de desportos urbanos da Europa: o Parque das Gerações, que ficou em segundo lugar no Orçamento Participativo de 2011, e visa implantar um equipamento único no terreno baldio situado junto ao Centro de Saúde de São João do Estoril. Com vista para o mar, o espaço vai permitir o convívio de diferentes gerações e a prática de skate, bmx e ‘inline’ (‘street’, rampa, ‘bowls’ e ‘snake run’), dispondo de espaços verdes, circuito de manutenção, esplanada, ludoteca, miradouro e zona de estacionamento. Com o estudo prévio validado em reunião com a Câmara Municipal de Cascais (CMC), Pedro Coriel, um dos mentores do projecto, disse ao JR que “o nosso objectivo é ter o projecto de execução concluído durante a primeira quinzena de Junho, começar a construir em Julho/Agosto, e inaugurar a obra entre Novembro deste ano e Janeiro de 2013”. O projecto está orçado em 300 mil euros e será implantado dentro dos limites dos terrenos camarários. O Orçamento Participativo foi a oportunidade que faltava para levar a cabo este projecto, que aguardava ‘um lugar ao sol’ há cerca de quatro anos. Em Novembro de 2008, foi apresentado na CMC assumindo a forma de Skate Parque, da autoria de Pedro Coriel (então presidente da Associação de Moradores da Quinta da Carreira) e do arquitecto Francisco Lopez. “Com  o OP vi uma oportunidade de o concretizar e foi o segundo projecto mais votado”, diz Pedro Coriel, que não quer que seja “um parquezinho de skate”: “Vai ser um dos melhores parques de desportos urbanos do mundo, capaz de atrair provas e demonstrações internacionais, capaz de elevar o nome de Cascais, uma vez mais, a grande altura” e “vai juntar várias gerações porque também vai ter um parque infantil e um circuito de manutenção”. O Parque das Gerações será implantado numa área de cerca de 12 000 m2 de terreno baldio. Bruno Pinto, arquitecto paisagista, disse ao JR que será “ambiental e financeiramente sustentável”: “A ideia é fazer um espaço com o mínimo de manutenção, que seja sustentável e privilegie a vegetação autóctone. As zonas pavimentadas ou são permeáveis ou drenam para os espaços verdes envolventes, que assentam numa premissa de potenciação da regeneração natural, sendo compostos por um mosaico de prados de sequeiro roçados num primeiro plano e em segundo plano por zonas de vegetação mais alta”. Francisco Lopez, atleta de skate e arquitecto autor do Parque das Gerações (em conjunto com os arquitectos Bruno Pinto e Rita Pinheiro), disse ao JR que a área onde vai ser implantado o equipamento é uma localização privilegiada para atrair a população de Cascais e da região de Lisboa. “Quanto às pistas, pretendemos trazer várias valências para os praticantes iniciados e profissionais. Vamos seguir a nova tendência mundial que é a 'street plaza', com uma ‘pool’ ao estilo da tradição do skate na Califórnia e que cá só existe uma na Ericeira. Vamos também introduzir um ‘snake run’, que só há em Albufeira, entre outros obstáculos", realça Francisco Lopez, para quem estamos também perante "um parque que vai desmistificar que a prática do skate é uma actividade marginal e onde vai haver sempre pessoas com os filhos e com os netos a circular”. 
Francisco Lourenço

Centro de Alcoitão entre os melhores


Na comemoração do 46.º aniversário, estudo enaltece desempenho na área da reabilitação

O Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) comemorou o seu 46.º aniversário, no passado dia 20 de Abril, com a apresentação de um estudo que dá a conhecer o desempenho e os resultados da instituição nos últimos anos e a compara com o Centro de Medicina de Reabilitação do Sul e o Instituto Guttmann, em Badalona. Os resultados do estudo são positivos e colocam o CMRA numa posição de excelência. Em declarações ao JR, a directora clínica do CMRA explicou a importância do estudo para manter a instituição na vanguarda da reabilitação: “Este é um estudo comparativo. Dizemos que somos uma instituição de excelência, mas também temos de dizer o que somos comparativamente com as outras instituições como estas que têm as mesmas características. É um estudo comparativo para tentarmos perceber o que temos menos bem para melhorar. É uma mais-valia”. Avaliando alguns critérios de qualidade, como o tempo de internamento, verifica-se que, se em 2010 a média de tempo de internamento se situava nos 78 dias, em 2011 esse valor é reduzido para 63 dias. Trata-se de um indicador que permite avaliar a eficiência da utilização dos recursos, assim como a melhoria dos serviços prestados que, desta forma, contribuíram para que fossem eliminados 2517 dias de internamento. Em termos de patologias que levam os utentes a recorrer a Alcoitão, o relatório apresenta o aumento de casos de incapacidade por AVC que, nos últimos anos, constituem o principal motivo de reabilitação, sendo o segundo motivo as lesões medulares traumáticas. Maria de Jesus disse que “60% dos doentes são AVC. O que mostra que as patologias mudaram e temos que nos adequar e optimizar recursos”. O estudo resulta de uma análise comparativa realizada por uma consultora independente de saúde a três das principais instituições de reabilitação da Península Ibérica (Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, Centro de Medicina de Reabilitação do Sul e Instituto Guttmann) e que coloca o CMRA como um centro de excelência.  
Francisco Lourenço

CRIL Um ano de queixas e benefícios


Entidades traçam balanço positivo, utentes também

Há um ano, José Sócrates, então primeiro-ministro, inaugurava a conclusão da controversa via que permitiu a ligação de Algés (Oeiras) a Sacavém (zona Norte de Lisboa). A CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) foi, finalmente, concluída após mais de 20 anos de avanços e recuos, num processo marcado pela contestação. Embora seja reconhecida a sua importância, as críticas mantém-se, mas para outros a via veio contribuir para uma melhoria da qualidade de vida. Teresa Barata é moradora no Alto da Mira, Casal de São Brás. Esta trabalhadora em Almada garante ter ganho muito com a abertura do último troço da via. “Passei a entrar na CRIL junto ao Casal da Mira, em direcção aAlgés, saindo rumo à A5 para chegar à Ponte 25 de Abril. Anteriormente este percurso era feito pelo centro da Amadora e frequentemente apanhava muito trânsito, mas neste momento não necessito de o fazer, poupando em média cerca de 15 minutos em cada viagem, cerca de 30 minutos no final do dia”. Esta munícipe assegura que o percurso até ao trabalho passou de cerca de 40 minutos para ser feito em menos de meia hora, poupando “não só em tempo, mas também em gasolina”. Já o vereador responsável pela mobilidade na Câmara Municipal da Amadora (CMA), Gabriel Oliveira, que sempre pugnou pela construção da via apresentado projectos alternativos aos que haviam sido avançados até então, considera que “a conclusão da via só teve aspectos positivos”. “Reduziu-se substancialmente o trânsito de passagem do centro da Amadora, temos neste momento menos trânsito dentro da cidade, em particular nas horas de ponta. Uma via que beneficia os residentes na Amadora, mas também de outros concelhos”, afirma Gabriel Oliveira. Para o responsável autárquico, a obra veio trazer ainda uma melhoria do espaço público “porque toda a zona foi requalificada” e “ao nível do ruído os impactos estão muito abaixo do estimado”, revela. Gabriel Oliveira adianta, no entanto, que “ainda há coisas por resolver como a construção do caneiro na Damaia, cuja obra terá início até ao final do ano, assim
como ao nível dos prejuízos causados aos moradores pelos impactos das obras que estão neste momento a ser negociadas entre as Estradas de Portugal e as companhias de seguros”. Quanto ao muro que acabou por ser erguido na Damaia, o vereador reconhece que “aquela não tinha sido a nossa solução, mas um ano depois tudo parece mais pacífico, com aquelas populações a habituarem-se aos novos espaços”. 

Segunda Circular maior beneficiária 
Segundo os números da empresa Estradas de Portugal, a abertura do último troço da Circular Regional Interna de Lisboa permitiu retirar entre 50 a 60 mil carros por dia da Segunda Circular. No que respeita ao escoamento do trânsito, a abertura do último troço da CRIL “excedeu as expectativas”, segundo o administrador da EP, Rui Nelson Dinis. “Tornou-se numa das vias mais utilizadas por quem precisa de se deslocar aos concelhos de Loures, Odivelas, Lisboa, Amadora e Oeiras”, afirma. Em entrevista à Agência Lusa, o responsável disse que a Segunda Circular (via já dentro da capital) foi a grande beneficiária desta abertura. Dados da EP que comparam o tráfego entre Janeiro de 2011 e Janeiro de 2012, entre a rotunda do aeroporto e o Campo Grande, na Segunda Circular, mostram que se registou uma redução de 72 mil veículos por dia. No entanto, só entre 50 a 60 mil se devem à CRIL – os restantes são resultado da quebra de tráfego resultante da crise. “No troço novo circulam 50 mil carros por dia. O aumento global nos restantes troços anda na ordem dos 20 mil por dia”, indicou Rui Nelson Dinis. Segundo o administrador, há um ano as projecções apontavam para benefícios económicos directos entre os 20 e os 25 milhões de euros por ano com a construção do último troço da CRIL. Hoje, “esse número foi globalmente atingido”. Rui Nelson Dinis salientou ainda a segurança daquela via, frisando que não há registos de mortes em acidentes na CRIL. Desde o início do ano, registaram-se oito acidentes, dos quais não resultaram feridos graves ou ligeiros. O último troço da CRIL liga a Pontinha (Odivelas) à Buraca (Amadora), tem 3,6 quilómetros e foi inaugurado a 17 de Abril de 2011. O projecto do último troço levou um morador da zona abrangida a interpor uma acçãocontra o Ministério das Obras Públicas e a Estradas de Portugal para pedir a anulação da declaração de utilidade pública urgente para as expropriações, alegando que a obra “viola manifestamente não só a Declaração de Impacte Ambiental emitida, como as regras da Lei de Bases do Ambiente”. Um processo que ainda decorre nos tribunais. A obra motivou desde logo a contestação de associações de moradores da zona envolvente – Santa Cruz de Benfica (Lisboa) e Alfornelos, Damaia e Venda Nova (Amadora), que ainda acusam o Governo do PS de ter prestado falsas declarações e apresentado inicialmente fotomontagens distorcidas da empreitada que não correspondem à intervenção efectuada. Os residentes têm protestado não só contra o impacto ambiental (tendo em conta a proximidade dos edifícios), mas também devido a alguns estragos dentro das habitações. Até agora não viram o problema resolvido. 
Milene Matos Silva, com Lusa

AMADORA Apoios tardam em chegar


Associação Amigos da Damaia à espera da Segurança Social e da Câmara da Amadora

Fundada há 38 anos, a Associação dos Amigos da Damaia presta apoio a cerca de 400 crianças que ali dispõem de várias valências e actividades, desde as modalidades desportivas, berçário ou ocupação de tempos livres. Porém, a instituição aguarda há muito pela concretização de um apoio do Estado através da celebração de um acordo com a Segurança Social que teima em não avançar. De acordo com o presidente, Vítor Ferreira, “as excelentes instalações poderiam apoiar ainda mais famílias e mais projectos, não fosse esta situação de impasse”. A Associação dos Amigos da Damaia luta pelo apoio da Segurança Social para que as famílias cujos filhos estejam ao cuidado da instituição possam beneficiar de maiores descontos no pagamento das mensalidades nas valências de creche  ou ATL. Mas, esta luta ganhou uma maior dimensão com a construção da nova sede da instituição, em 2008. "Temos uma cozinha industrial com óptimas condições e sabendo que a população da Damaia, muito envelhecida, passa dificuldades temos todo o interesse em cozinhar refeições para estas pessoas, mas nunca nos foi dada essa oportunidade”, lamenta o responsável. A concretizar-se, o acordo com a Segurança Social no que
toca ao apoio para berçário, creche e ATL, valências frequentadas por quase 200 crianças, aliviará as mensalidades cobradas aos pais, mas servirá sobretudo para que “a instituição possa avançar com outros projectos”, refere Vítor Ferreira. O responsável acusa ainda a falta de apoio da autarquia: “Temos tido falta de apoio da Câmara Municipal da Amadora no que toca a esta matéria, mas também ao projecto de apoio domiciliário a que a associação se tem vindo a candidatar, sucessivamente”. “Até agora não obtivemos qualquer resposta por parte da autarquia, temos uma cozinha equipada que poderia confeccionar as refeições para a população idosa desfavorecida, mas necessitamos do apoio municipal, pelo menos, para a aquisição de uma carrinha de transporte”, acrescenta. Vítor Ferreira lembra ainda que “devido à crise económica temos tido muitas famílias com dificuldades a pagar as mensalidades e chegámos a ter um caso de desistência”. Situações a que a instituição não pode ficar alheia, mas que se tornam cada vez mais difíceis de ultrapassar. “Vivemos apenas das mensalidades dos pais e das cotas dos nossos cerca de 950 associados”, acrescenta Vítor Ferreira. A funcionar no edifício cedido pela autarquia que foi construído em 2008 ao abrigo de um programa comunitário, a associação espera voltar a renovar o contrato de cedência no próximo ano.  

Milene Matos Silva

quinta-feira, 26 de abril de 2012

OEIRAS Menores lembram direitos e apontam soluções para problemas


Assembleia Municipal aprova ‘Declaração de Oeiras’

Em vésperas do ‘Dia da Liberdade’, dezenas de crianças e jovens de numerosas escolas e instituições do concelho ‘ocuparam’ não só a agenda, como também muitos lugares da Assembleia Municipal de Oeiras (AMO). Numa sessão especial, realizada no passado dia 17, concretizaram o direito de se fazerem ouvir. Os que hoje são a esperança de um melhor amanhã transmitiram aos adultos a ‘Declaração de Oeiras’, um documento com mais de 60 pontos extraídos a partir de um levantamento exaustivo de problemas detectados pelos menores em cada freguesia e respectivas propostas de solução. A apresentação aos deputados e vereadores foi o corolário de um processo iniciado no final de 2009, na sequência de um desafio lançado pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras para reforçar a percepção pública dos direitos daqueles que apoia diariamente. Um “exercício de cidadania muito válido e enriquecedor”, foi a opinião unânime dos profissionais da política. Para os jovens, o importante foi a participação e o exemplo deixado à juventude em geral. “Desta iniciativa fica a tentativa de sensibilização junto de quem tem a função de decidir. Mas também foi muito positivo para os jovens perceberem que, em vez de se fecharem no seu mundo, podem e devem ter um papel mais activo em relação ao que vêem à sua volta, apontando defeitos, mas também maneiras de os corrigir”, resumiu ao JR Fábio Graça, de 18 anos, estudante da Escola Aquilino Ribeiro, de Porto Salvo. “Com esta crise pode ser difícil arranjar meios para resolver tantos problemas, mas a verdade é que há medidas que não são assim tão dispendiosas e continuam por aplicar”, acrescentou. Foram cinco as áreas ‘investigadas’ pelas crianças e jovens, entre os 3 e os 16 anos, desde o jardim-de-infância até ao Secundário: Ambiente; Saúde; Educação, Cultura e Lazer; Condições de Vida; Segurança. Divididos por grupos, enumeraram aspectos positivos e, sobretudo, os negativos, desde os mais abrangentes (como a falta de centros de saúde) aos mais pontuais (falta de passadeiras), muitas vezes com fotografias e localização exacta. Dialogaram entre si, com os professores e os presidentes de juntas de freguesia. A estes últimos pediram e receberam pareceres sobre os problemas assinalados. Talvez sem clara consciência disso, fizeram política. “É uma excelente forma de comemorar Abril!”, considerou Domingos Santos, presidente da Assembleia Municipal, que explicou o funcionamento daquele órgão autárquico e fez votos de que “as crianças saiam daqui com vontade reforçada de intervir para deixarem aos seus filhos um mundo melhor”. Quanto aos “senhores deputados, presidente da Câmara e vereadores, saem daqui rejuvenescidos e enriquecidos”. Mais concordantes do que o habitual, os deputados convergiram na ressalva de que boa parte dos problemas apontados não é competência do Poder Local, mas sim do Governo. E, também, nos elogios à iniciativa. Ainda assim, cada grupo político tratou de puxar a brasa à sua sardinha… Miguel Pinto, do BE, exortou os jovens a serem os primeiros defensores dos seus direitos, até porque “Portugal tem muitas leis e boas, o problema é que não se aplicam ou aplicam-se mal”. E considerou justos os reparos apontados a vários aspectos do quotidiano no concelho, como a recolha de lixo ou o estado de alguns jardins. Diferente foi o enquadramento feito pela maior bancada na AMO:“Ainda bem que jovens deste concelho são exigentes. E, apesar de viverem num concelho com um desenvolvimento muito acima da média, identificam problemas em várias áreas. Têm razão: é sempre preciso fazer mais e melhor e é isso que as estruturas directivas do concelho têm feito”, opinou Luís Santos, do IOMAF. Joaquim Cotas, da CDU, o deputado com mais idade na AMO, enalteceu a iniciativa e lamentou a “aberração” de se formar jovens para depois os obrigar a emigrar. “Mas desengane-se quem pensa que não há volta a dar porque Portugal já esteve em situações tão ou mais difíceis e esta também vai ser ultrapassada através da luta”, disse. Já o presidente da Câmara, embora elogiando o exercício de cidadania, acabaria por destoar do tom geral. “Faltam os afectos a esta declaração!”, criticou Isaltino Morais. “Onde está a identidade do território?”, perguntou, lamentando a “falta de maior enquadramento” a nível da história do Município, políticas desenvolvidas ou até dados estatísticos… “Tal como está é algo asséptico”, concluiu o edil, discordando, por outro lado, do tom genérico da Declaração. “Por exemplo, a poluição das ribeiras foi um problema há dez anos, mas hoje já não é! Falta iluminação pública? Dizem que a solução é mais candeeiros, mas se numa
rua qualquer falta uma lâmpada, noutro lado pode até ter a mais”... Ainda assim, Isaltino Morais
mostrou-se aberto a que o documento venha a contribuir para delinear políticas sectoriais. “Podemos até criar mecanismos informais de consulta e participação para que os jovens possam dar continuidade a este trabalho”, incentivou o autarca.
Jorge A. Ferreira

PARQUE DA PAZ(ALMADA) Utilizadores substituem seguranças


Clube chama gente ao parque, mas há quem tema falta de vigilância


 Durante anos foi conhecido como Quinta do Chegadinho, um local aberto que alguns amantes do atletismo aproveitavam para treinar. Hoje é um espaço natural qualificado pela autarquia como Parque da Paz que atrai tanto atletas direccionados para a competição, como amadores da prática de exercício físico ou famílias que simplesmente aproveitam este espaço de 40 hectares para passear ou ficarem junto ao lago a observar as aves e divertir as crianças. E espaço natural concebido também como bacia de retenção das chuvas para evitar cheias na zona da Cova da Piedade, é diariamente local de encontro de centenas de pessoas e, muito mais ainda aos fins-de-semana. Por isso, foi com alguma estranheza que os seus utilizadores viram a autarquia retirar os seguranças que ali faziam serviço. O assunto chegou a ser colocado num encontro das Opções Participativas do Feijó e foi justificado pela presidente da Câmara de Almada pela “necessidade de contenção de verbas”. No entanto Maria Emília de Sousa considera que os próprios utilizadores do parque “são os seus melhores vigilantes”, e nisto muito contribuem os elementos do Clube de Atletismo Amigos do Parque da Paz. Um clube que, tal como o espaço que utiliza, cresceu rapidamente. Começou com apenas sete pessoas, em pouco tempo passou a reunir meia centena de praticantes e actualmente tem quase 200 sócios e um‘site’ com 70 mil visitantes. “Como clube existimos há cerca de um ano”, diz o seu presidente, Luís Roque. “As pessoas contactam-nos para colocar as mais diversas questões sobre o Parque da Paz”. Uns pretendem ser informados sobre a prática desportiva e se o clube organiza competições, enquanto outros colocam questões como fazer festas de aniversário neste espaço natural. “Há pessoas que nos consideram os vigilantes do Parque da Paz. Mas não o somos, nem queremos ter essa responsabilidade”, afirma Luís Roque que também lamenta a saída dos seguranças deste espaço. É que ao clube chegam queixas relacionadas com o desaparecimento de algumas aves, actos de vandalismo, problemas com as pessoas que deixam os cães à solta, e outras que “tiveram de fugir para não serem assaltadas”. Para além disto “o parque está mal iluminado”. Enquanto algumas pessoas utilizam mais o cerca de um quilómetro em volta do lago, outras optam pelos três quilómetros do circuito, e é quando passam nas zonas mais isoladas que os problemas se colocam. “No Inverno, quando há menos luz, as pessoas usam o parque só até ao início da tarde". No entanto Luís Roque entende que o Parque da Paz, por ser um espaço natural, “pode não ser adequado para receber algumas estruturas, como abrigos”, outro dos elementos que é apontado como estando em falta. Já quanto à iluminação, considera que a autarquia “deve encontrar uma solução”, é que o parque apenas é procurado se as pessoas o considerarem seguro. Por seu lado, o Clube de Atletismo Amigos do Parque da Paz, criado em Maio do ano passado, pretende dar maior dinamismo às suas actividades. Para além de participar no “Almada Mexe Comigo”, entre outras acções, pretende vir a criar uma prova oficial, o que não será fácil uma vez que o perímetro do Parque da Paz é pequeno para isso, mas “podemos pensar na possibilidade da prova partir do Parque da Paz, fazer um percurso pela cidade e terminar neste espaço”, avança Luís Roque. Outra das intenções do clube, para além de vir a ter uma sede, é que a autarquia permita que os seus sócios efectivos utilizem a pista de Atletismo da Sobreda sem terem de pagar os três euros por utilização livre.
Humberto Lameiras

ALMADA Preço da água até pode baixar


SMAS contrariam tendência e admitem aliviar factura. O pior são as taxas de saneamento

O preço da água em Almada “não vai aumentar”. A garantia é dada pelo presidente dos Serviços  Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada em declarações ao Jornal da Região. Aliás, pelas contas de José Gonçalves o preço da água no concelho “poderá baixar” nos próximos anos, embora a factura venha a apresentar um valor superior “devido à taxa de saneamento”. É  que as Estações de Tratamento de Água Residuais “têm um custo de manutenção elevado”, o que se reflecte na factura final. Com isto, o presidente dos SMAS pretende desmistificar a afirmação da ministra do Ambiente que considera “inevitável” a subida do preço da água para que o sector seja sustentável. Assunção Cristas identificou, recentemente, uma dívida das autarquias à Águas de Portugal no valor de 3 milhões de euros, pelo que justifica a necessidade de subir o preço da factura para evitar um escalonar “crónico” negativo do sector. A solução é, por isso, privatizar. Para José Gonçalves o discurso da ministra esconde outros interesses. “O Governo pretende que o sector das águas seja ainda mais atraente para o privado”. Portugal “paga menos pela água que os outros países  da Europa”, diz o responsável pelos SMAS, e faz contas: “Considera-se que os portugueses pagam cerca de um por cento do seu rendimento pela água que consomem, quando na Europa esta taxa está em 3 por cento”. Portanto, “o que o Governo está a dizer aos privados é que o sector da água é  rentável, mas por de ser ainda três vezes mais rentável”. Quanto a dívida de muitos municípios à Águas de Portugal, para José Gonçalves isto prova que “é um erro desmunicipalizar o sector”. Na sua opinião o negócio com a Águas de Portugal veio “sufocar” financeiramente os municípios. “Para evitar que as populações paguem a água a preços elevadíssimos os municípios tiveram que financiar esse custo e caíram num processo de dívida”. No caso de Almada, que não alinhou neste sistema, o sector “dá lucro, é mais barato para a população e permite que os SMAS invistam anualmente na renovação da rede”. Diz José Gonçalves que o investimento, global, previsto para este ano está no nível dos “14 milhões de euros”, estando neste momento a decorrer obras de renovação da rede no Feijó e na Rua da Liberdade, entre a Cova da Piedade e Almada. Um investimento que o autarca tem muitas dúvidas que viesse a acontecer caso o sector fosse privatizado. “A água é um bem essencial e não pode ser pensado na lógica de um negócio. A receita que os SMAS obtêm é reinvestida para melhorar o serviço de água e saneamento. Um privado não tem esta lógica de funcionamento”. Por isso, insiste que Almada “está contra a privatização de um sector que tem de ser público”. É que as pessoas “não podem passar sem água”, por isso colocar este sector na lógica do negócio “é uma violência”, avalia. 
Humberto Lameiras