quarta-feira, 18 de abril de 2012

Falagueira dá terras para cultivo

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Freguesia já tem lista de espera para hortas sociais Numa altura em que proliferam hortas urbanas pelo concelho, a Junta de Freguesia da Falagueira lançou um projecto inovador. Passa pela cedência de 48 talhões com cerca de 30 metros quadrados aos habitantes interessados em cultivar os terrenos situados junto à Escola Secundária Mães d’Água, no Casal do Silva. A iniciativa arrancou em Setembro de 2011 e já está a dar os primeiros frutos. Daí, a festa das Almoinhas, realizada na passada semana. Tomates, alfaces, favas, tremoços, batatas,melancias e ervas aromáticas são alguns dos produtos que António Sabino retira do seu pequeno talhão. “Fui dos primeiros a quem foi atribuída uma pequena parcela de terreno e, neste momento, já consigo levar para casa muitos produtos”, adianta este residente da Falagueira. Há mais de 30 anos que saiu da pequena aldeia de Santo Aleixo da Restauração, situada no concelho de Moura, onde era agricultor, para vir trabalhar para a fábrica Cabos d’Ávila. “Sempre gostei de trabalhar a terra e nunca o deixei de fazer. Quando soube que a Junta de Freguesia estava a ceder estes terrenos resolvi inscrever-me de imediato”, revela. Para além do gosto que tem pela agricultura, esta é também uma forma de equilibrar as contas da casa que partilha com a mulher, dois filhos e dois netos, pois a magra reforma que recebe “não chega para as encomendas”. Este projecto que nasceu em Setembro do ano passado, para além da vertente pedagógica, estabelecendo um contacto com os alunos da escola, visa também apoiar a Loja de Emergência Social da Falagueira com o reforço de alguns produtos que sobram aos hortelãos. A ideia partiu do próprio presidente da Junta, Manuel Afilhado, que não esconde a paixão pelo cultivo e defende o regresso da população ao tratamento das terras para daí colher uma parte do seu sustento. “Este projecto surge para dar resposta à população carenciada, que tem vindo a aumentar na freguesia nos últimos anos. Decidimos, por isso, disponibilizar os terrenos à população, na maioria reformada ou desempregada, para que sejam cultivados. Ao mesmo tempo, angariamos alguns produtos para a Loja Social, que tem vindo a apoiar cerca de cem famílias”, explica Manuel Afilhado. Para já, são apenas 48 os hortelãos, mas a ideia é atribuir mais talhões. Até porque, “há mais de cem pedidos em lista de espera”, adianta. Os utilizadores das hortas receberam uma formação específica sobre agricultura biológica. A horta comunitária foi simbolicamente inaugurada, no dia 14 de Abril, com a presença de dezenas de pessoas, entre moradores e autarcas numa “festa das Almoinhas”, como intitulou o presidente da Junta. Presente esteve também o presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, numa cerimónia em que foram premiados os talhões mais bonitos. No final teve lugar um almoço com uma sopa feita com produtos da horta. Milene Matos Silva

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Volvo Ocean Race une Oeiras e Lisboa

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O empresário João Lagos, promotor da escala de Lisboa da Volvo Ocean Race (VOR) em vela 2011/12, revelou, no passado dia 4, que já foi apresentada a candidatura da capital portuguesa para o acolhimento de escalas nas edições de 2014 e 2017 e reafirmou a vontade de manter a VOR por estas paragens “durante 20 anos”. Falando durante a cerimónia de apresentação da prova, que estará entre nós de 31 de Maio a 10 de Junho, o empresário sugeriu que deveria avançar-se para a formação de uma campanha lusa para a edição de 2014, com o apoio de empresas do Brasil e Angola. “Um projecto desta ordem só pode ser feito em partilha e em colaboração, eventualmente com outros países e com empresas globais à escala mundial”, justificou. No evento estiveram presentes os secretários de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, e Desporto e Juventude, Alexandre Mestre, além do edil de Lisboa, António Costa, e do vice-presidente e vereador do Desporto na Câmara de Oeiras, Paulo Vistas. Os autarcas deixaram claro que João Lagos pode contar com o seu apoio. Da parte de Oeiras, Paulo Vistas destacou o “potencial do turismo náutico”, lembrando, em declarações à agência Lusa, o projecto de implantação de uma marina para iates de grande porte junto ao terrapleno de Algés. “Estamos a desenvolver um estudo com a APL [Administração do Porto de Lisboa] de ocupação da área entre a Torre dos Pilotos e os Fermentos Holandeses e Alto da Boa Viagem”, referiu o autarca. O ‘vice’ do executivo oeirense lembrou que a VOR “pode trazer um enorme valor acrescentado se não se ficar apenas por uma etapa”. O objectivo é “dar o exemplo para que este ‘cluster’ de desenvolvimento económico possa ser uma realidade para o nosso país”. Sublinhando o “bom relacionamento” entre Oeiras e Lisboa, Paulo Vistas reiterou a ideia de que “o que é bom para Lisboa é bom para Oeiras e vice-versa e o que é bom para ambos é bom para o país”. Por seu turno, António Costa formulou votos para que a VOR sirva para incluir Lisboa no “circuito das grandes navegações” e na “rota dos grandes iates”. O autarca de Lisboa também destacou a “enorme mais-valia” do projecto na recuperação da “zona decadente” da Doca de Pedrouços numa “zona de oportunidades” e uma “plataforma articulada” no conjunto da frente ribeirinha. Durante a apresentação do evento foi, ainda, confirmado o apoio da Presidência da República à iniciativa e o seu enquadramento nas comemorações do 10 de Junho (Dia de Portugal), precisamente o dia da largada dos seis veleiros para Lorient. O programa desportivo e cultural da estadia inclui uma regata costeira Cascais-Algés- Cascais, com várias classes de vela ligeira (dias 2 e 3 de Junho), provas de vela adaptada (a 4 e 5). Entre 31 de Maio e 5 de Junho realizar-se-ão sessões diárias de baptismo de vela. Recorde-se que está previsto que Oeiras, para além de outras animações específicas, traga para o recinto da “Race Village” uma roda gigante, dando a possibilidade aos visitantes de visualizar todo o espaço do evento a partir de um ponto elevado.

PEDROUÇOS ‘Não saímos sem garantias de um novo porto de pesca!’

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Sindicato dos Pescadores alerta para a situação que afecta armadores e tripulantes de 60 embarcações da Docapesca Tal como os velejadores que vêm ocupar o lugar que há muito era seu na Docapesca de Pedrouços, também os pescadores profissionais das áreas fluviais e marítimas mais próximas de Lisboa enfrentam duras provas, diariamente, quando deixam terra firme. Para além dos perigos quando sopram maus ventos e dos preços irrisórios pagos pelo peixe que trazem nos barcos, sentem na pele a falta do que mais abunda nos barcos à vela que vêm a Lisboa competir na Volvo Ocean Race: apoios à sua actividade. A começar por um porto de pesca digno desse nome. Por causa dessa ‘injustiça’ os homens do mar estão dispostos a estragar a festa náutica internacional que atraca na capital portuguesa a 31 de Maio. No próximo dia 18, os pescadores reúnem-se com a Secretaria de Estado das Pescas, num último esforço para conciliar posições. Não muito longe de Pedrouços, a Praia Velha de Paço de Arcos surge cada vez mais como uma possível solução, ainda que subsistam, aparentemente, divergências entre a Câmara de Oeiras e a Administração do Porto de Lisboa (ver caixa). Para os pescadores a hora é de exigir uma solução duradoura e de futuro. “Já chega de sermos tratados como um estorvo, é inaceitável que Lisboa não tenha um porto de pesca”, resume Joaquim Piló, na sede do Sindicato Livre dos Pescadores (SLP) que está por dias até ir abaixo, obrigando à transferência para Santos. Se a mudança se confirmar, ficará perto da estação de comboios e da doca para onde a Administração do Porto de Lisboa (APL) quer que vão agora armadores e tripulantes de 60 embarcações que até há poucos meses acostavam na Docapesca. “Só iremos para lá com garantias de que a mudança é provisória, de que vão construir um porto de pesca com as condições necessárias, e com a certeza de que alguém se responsabiliza pelas embarcações e os materiais; caso contrário, estamos dispostos a enfrentar a polícia de choque se for preciso”, garantiu o presidente daquela estrutura sindical, com a indignação bem espelhada na voz. A hipótese de irem para a doca de Santos não agrada aos pescadores. Sentem-se como um polvo a entrar no covo que o há-de prender por mais que esbraceje depois. “Onde é que vai caber todo este material em Santos?”, pergunta Piló, apontando os montes de artes do mar acumulados no cais da Docapesca, ao longo de largas dezenas de metros. “Em Julho, tudo o que está no mar vai ter de ser trazido para terra, para lavarem e arranjarem tudo porque é o defeso do polvo, por três meses. Onde é que vão pôr tudo isso?”. Como se não bastasse, “os restaurantes não nos querem lá, mas há uma coisa que eles vão ter de perceber: homens domar é fogareiro e carvão para assarem peixe, panelas e tachos para as caldeiradas. Porque a vida do mar é assim e não podem cortar a cultura das pessoas de um momento para o outro”. Ademais “os turistas até apreciam…”. Na Docapesca, contrapõe, “chegavam a estar cerca de 100 embarcações e cabiam todas. Antes de 2003, descarregavam 40 a 50 embarcações por dia”. Agora, resta ir para a Trafaria, onde foram realizados “alguns melhoramentos por pressão do nosso sindicato”, mas as obras mais avultadas acabaram por não se realizar, devido a razões várias, incluindo ambientais, o que torna aquela lota – a única no estuário do Tejo, após o fecho da doca de Pedrouços, onde os pescadores artesanais podem ir descarregar o peixe – insuficiente para o fluxo de pescado. “Não se quis gastar 18 milhões no porto de pesca na Trafaria e agora vão gastar aqui rios de dinheiro numa regata de 10 dias para depois darem tudo a alguém. É como o BPN!”, protesta o líder do SLP. Bem melhor seria a opção Paço de Arcos. “Nós defendemos essa alternativa. Vamos pedir uma reunião com o presidente da Câmara de Oeiras para saber a sua posição”, anuncia o dirigente sindical, embora com algumas reservas, já que “em princípio, o que a Câmara pretendia era quase tudo para recreio e uma miniatura para a pesca, só para as poucas embarcações que lá estão”. Sem querer interferir nas negociações que decorrem entre APL e a autarquia oeirense, sempre vai adiantando que, na sua opinião, “para gastarem dinheiro mais vale gastar numa coisa como deve ser…”. Já vai sendo tempo, diz, depois “do crime lesa-pátria que foi o fecho da Docapesca”. Jorge A. Ferreira

HOSPITAL GARCIA DE ORTA Urgência polivalente só deverá perder valências à noite

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Ministro da Saúde nega encerramento do único serviço de referência na Margem Sul A urgência polivalente no Hospital Garcia de Orta (HGO) deverá manter-se, estando no entanto a ser estudada uma articulação com o Hospital S. Francisco Xavier. O certo é que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, veio a público afirmar a manutenção deste serviço na unidade de Almada. O ministro veio assim desmentir as afirmações do presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo Luís Cunha Ribeiro, que em entrevista à Antena 1 disse que as urgências destes dois hospitais passariam de polivalentes para médico- cirúrgicas. As dúvidas estão agora em como será feita a reorganização das urgências que Paulo Macedo diz estar a ser feita por peritos. “Poderá haver uma reorganização em termos de valências, a qual é desejável e necessária” Ou seja, estas unidades poderão passar a ter menos valências no período nocturno. Mas sobre esta alegada alteração, o HGO diz não ter ainda qualquer conhecimento e mantém as afirmações da directora clínica, Ana França, publicadas na última edição do Jornal da Região. O HGO “é o único hospital diferenciado, polivalente, a sul do Tejo”, por isso a decisão do Governo “tem de ser em defesa da vida”. O único problema deste serviço é a “falta de recursos humanos”. Aposta na formação O HGO decidiu apostar mais fortemente na formação, ensino e investigação. Para isso foi criado um centro que vai trabalhar estas três áreas que já existiam dentro da unidade, o qual é dirigido pela ex-ministra da Saúde Ana Jorge. “Este centro está organizado para dar mais corpo a projectos de investigação e também obter maior reconhecimento no exterior do trabalho aqui feito”, refere a sua presidente. Esta estrutura começou a organizar-se no final de Janeiro deste ano e está ainda a estudar as linhas de investigação que irá seguir. “Primeiro temos de analisar quais as áreas de investigação que estão em curso no HGO e ouvir os profissionais que aqui trabalham”, refere Ana Jorge. Um trabalho que será muito da responsabilidade comissão científica deste centro. Uma coisa é certa, “vão ser abrangidas diversas áreas”. Neste âmbito de trabalho estão previstas parcerias com outras organizações, nomeadamente laboratórios, com vista a criar todo um conjunto de boas práticas clínicas e tratamentos em favor de “prestar sempre melhores cuidados de saúde para os utentes”. No caso concreto da área da investigação, Ana Jorge refere que “estão a ser feitos contactos com empresas de consultadoria para estabelecer protocolos, sem custos financeiros directos”. Aliás, em matéria financeira Ana Jorge avança que o centro “tem de ser gerador dos seus custos”, isto através do desenvolvimento de estudos e ensaios. “Não esperamos que o HGO coloque dinheiro no centro, temos de ser auto-sustentáveis”. Entretanto está agendado um ciclo de cinco conferências sobre áreas temáticas actuais com relação com o Centro de Formação, Ensino e Investigação. A primeira decorreu no passado dia 28 de Março, mas a próxima está marcada para 2 de Maio e irá debater a "Organização Interna e a Governação dos Hospitais como Factor de Eficiência e Satisfação". Humberto Lameiras

COSTA DA CAPARICA Comboio de praia tem os dias contados

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Indefinição no Polis acaba com o Transpraia O comboio de praia da Costa da Caparica vai recomeçar as viagens entre a cidade e a Fonte da Telha no próximo dia 25 de Abril, apenas aos fins-de-semana. A partir da segunda quinzena de Junho o mais antigo transporte turístico do concelho vai percorrer os carris diariamente, pelo menos até Setembro. Mas este poderá ser, definitivamente, o último ano de funcionamento do Transpraia que há 52 anos faz parte da paisagem da frente atlântica de Almada. Um fim que estará associado ao impasse das obras do programa Polis na Costa da Caparica. Com estas obras o comboio turístico foi obrigado, há quatro, a deslocar-se da frente urbana de praias para a zona do Bairro do Campo da Bola, e com esta mudança “perdeu 75 por cento dos passageiros”, afirma António Pinto da Silva, proprietário deste transporte lançado pelo seu pai. Aos 68 anos, o responsável pela empresa afirma que este negócio “já não tem capacidade financeira para resistir” e determina que se nada mudar o Verão de 2012 “será o último do Transpraia”. “Para além de estar afastado da zona urbana, o Transpraia está quase escondido”, queixa-se António Silva, e “longe da rede de transportes rodoviários”, acrescenta. Ou seja, os novos visitantes da Costa da Caparica não conhecem este transporte turístico que percorre a frente de praias porque não o vêem, e quem sabe que ele existe não se dispõe, com o calor, a andar uma grande distância para o usar. Uma das soluções imediatas para dar novo élan ao Transpraia seria deslocá-lo para frente ao Hotel Costa da Caparica. “Seria um ganho para o turismo na Costa da Caparica”, defende o proprietário. Esta opinião é partilhada pelo presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica. Diz António Neves que o comboio de praia “é mais uma vítima” do impasse do programa Polis. “As obras estão paradas” e as consequências “negativas” para o desenvolvimento desta localidade turística “já foram apresentadas, por escrito, ao Governo”, inclusivamente ao Ministério do Ambiente gerido pela ministra Assunção Cristas. “Mas ainda não obtivemos qualquer resposta” afirma o autarca. “Existe um silêncio estanho sobre este processo”, acrescenta. No caso concreto do Transpraia, em Setembro do ano passado foi dado conhecimento, por escrito, aos ministérios da Economia, Ambiente e ao primeiro-ministro sobre o risco deste transporte acabar caso não fossem cumpridas as infra-estruturas necessárias para a sobrevivência deste transporte turístico, e prometidas pelo programa Polis. Mas também sobre este alerta “não obtivemos resposta”, lamenta António Neves. O mesmo “silêncio” obteve o alerta da autarquia sobre o risco do rompimento dunar caso não seja cumprido o processo de enchimento artificial de areias. “Da mesma maneira que existe o risco de termos o mar a entrar pela zona norte da cidade da Costa da Caparica, o mais provável é perdermos umdos nossos símbolos turísticos”, ou seja: o Transpraia. Humberto Lameiras

terça-feira, 10 de abril de 2012

SINTRA ‘Um grito de esperança’

ver edição completa Padre Avelino Alves promove 5.º Compasso Motard
Pelo quinto ano consecutivo, no domingo de Páscoa, o padre Avelino Alves ‘anunciou a Ressurreição de Cristo’ em cima de duas rodas, em mais uma edição do Compasso Motard que uniu as paróquias de Pero Pinheiro e de Montelavar. Este ano, os ‘motards’ voltaram a percorrer as localidades das duas freguesias, mas estenderam a ‘Palavra do Senhor’ a Algueirão-Mem Martins e Almargem do Bispo, num percurso que terminou em pleno Largo da Igreja de Montelavar. Como acontece desde 2008, o Compasso Motard surge como "um grito" para que todos aqueles que o vêem passar, "não se deixem esmagar pela cruz da vida e façam da sua vida uma ressurreição". Uma mensagem de esperança, como adiantou o padre Avelino ao JR, "perante a crise mundial, nacional e, sobretudo, local, onde 90% das empresas fecharam ou estão a fechar,o aumento do desemprego, o que provoca um grande desespero". "O nosso objectivo é dizer a esta gente que não desespere, que ainda há esperança, que não desanime, e, também, chamar a atenção dos nossos governantes para estes problemas sociais", sublinhou o pároco, o grande impulsionador deste Compasso Motard que reúne, além de ‘motards’ a título individual, membros do Grupo Motard de Morelena e do Club Motard Bip Bip (Anços). Com o agudizar da crise, que tem afligido a indústria da pedra de forma acentuada, com o encerramento de inúmeras fábricas de transformação de rochas ornamentais, a Igreja tem sido um porto de abrigo da região. "Há lágrimas, dor, falências, desemprego, dívidas, mas, mesmo assim, a alma tem de ser mais forte", alerta o padre, que caracteriza ainda o Compasso Motard como uma provocação contra um mundo indiferente. "Com o nosso barulho, o nosso ruído, a nossa presença, vamos acordar essa gente porque, hoje em dia, vivemos numa sociedade resignada e indiferente", frisou o padre Avelino Alves, para quem estamos perante também "uma festa de juventude, de liberdade e um convívio salutar". Para o ano, garantiu o pároco, vamos ter o 6.º Compasso Motard. "Não paramos...". João Carlos Sebastião

MIRA SINTRA E PENDÃO CECD reforça respostas

Ver edição completa Novos equipamentos inaugurados pelo ministro Pedro Mota Soares
À semelhança do que sucedeu com as creches e os lares de idosos, o Governo quer aumentar o número de vagas nas unidades residenciais destinadas a acolher pessoas portadoras de deficiência. A intenção foi revelada pelo ministro Pedro Mota Soares, após a inauguração de uma nova unidade residencial em Mira Sintra e do Pólo do Pendão (Queluz) do Centro de Actividades Ocupacionais do CECD Mira Sintra – Centro de Educação para o Cidadão Deficiente. O responsável governamental, que tutela as pastas da Solidariedade e da Segurança Social, considerou como fundamental o alargamento das vagas das estruturas residenciais, nomeadamente para permitirem o "descanso do cuidador". "Algumas das vagas das estruturas residenciais devem permitir que, no caso de quem cuida de pessoas com um grau de dependência muito elevado, essas pessoas sejam acolhidas, seja porque o cuidador necessita de fazer uma viagem, de gozar férias ou efectuar uma intervenção cirúrgica", advertiu o ministro, para quem, tal como aconteceu com as creches e os lares de idosos, há que ter em conta "bom senso na aplicação das regras" e permitir aumentar o número de vagas disponíveis. Uma medida que surge perante a constatação da insuficiência do número de vagas neste tipo de valência, como se verifica no CECD. A instituição dispõe de cinco unidades residenciais, todas em Mira Sintra, que dão resposta a um total de 30 utentes. A unidade agora inaugurada, em instalações cedidas pelo município sintrense, acolhe sete utentes e "veio substituir uma existente no Pendão que não correspondia às exigências legais", salienta Carina Conduto, directora-geral da instituição. "As unidades residenciais são, efectivamente, uma grande lacuna não só para dependentes, mas também para autónomos, porque, se promovemos o emprego e a formação, e, por outro lado, perante a ausência da família, não satisfazemos necessidades básicas como a habitação e a alimentação, não conseguimos dar a plena cidadania a determinada pessoa", frisa a responsável do CECD,que alerta ainda para a lacuna existente ao nível do serviço de apoio domiciliário. "O que temos identificado, quer em Mira Sintra, quer no Pendão, é que existe a necessidade de aumentar o serviço de apoio domiciliário que, muitas vezes, evita a institucionalização das pessoas. Nós temos essa capacidade, através dos refeitórios que temos, agora faltam os acordos com a Segurança Social", salienta Carina Conduto. Com 36 anos de actividade em prol das pessoas com deficiência, promovendo os seus direitos e melhorando a sua qualidade de vida, o CECD Mira Sintra reforçou também a oferta ao nível de actividades ocupacionais, com o Pólo do Pendão a dar resposta a mais 60 utentes, jovens e adultos, maiores de 16 anos, com deficiência intelectual ou multideficiência, no sentido de "promover e maximizar o desenvolvimento da sua autonomia pessoal e social" e "o bem-estar individual, respeitando as necessidades especiais, com vista a uma melhor integração sociofamiliar e comunitária". Para o efeito, no Pólo do Pendão, os utentes vão poder desenvolver actividades ligadas à área da olaria, desporto, movimento e drama, cabeleireiro, tecnologias de informação, entre outras, divididas pelos quatro pisos do novo equipamento, construído também pelo município e inicialmente destinado a centro comunitário. A autarquia respondeu ao repto do CECD que necessitava de alargar a respectiva valência de actividades ocupacionais, que se limitava à casa-mãe da instituição, em Mira Sintra, onde dá resposta a 116 utentes. "É um dia muito especial para todos quantos constituem o CECD Mira Sintra, para as famílias, os profissionais e, sobretudo, os clientes da nossa casa, porque conseguimos, mais uma vez, concretizar um sonho", destacou a presidente da direcção da instituição, Carmen Duarte. Na inauguração do equipamento, Marco Almeida lembrou o desafio efectuado à instituição, "que nos disse logo que sim, sem ligar aos constrangimentos do edifício". "O CECD foi, de facto, uma porta aberta para aquilo que era também o anseio da Câmara de Sintra", salientou o vice-presidente do município, que realçou estarmos agora perante "um equipamento que serve a população, um equipamento cheio de afectos". João Carlos Sebastião