quinta-feira, 12 de abril de 2012

HOSPITAL GARCIA DE ORTA Urgência polivalente só deverá perder valências à noite

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Ministro da Saúde nega encerramento do único serviço de referência na Margem Sul A urgência polivalente no Hospital Garcia de Orta (HGO) deverá manter-se, estando no entanto a ser estudada uma articulação com o Hospital S. Francisco Xavier. O certo é que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, veio a público afirmar a manutenção deste serviço na unidade de Almada. O ministro veio assim desmentir as afirmações do presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo Luís Cunha Ribeiro, que em entrevista à Antena 1 disse que as urgências destes dois hospitais passariam de polivalentes para médico- cirúrgicas. As dúvidas estão agora em como será feita a reorganização das urgências que Paulo Macedo diz estar a ser feita por peritos. “Poderá haver uma reorganização em termos de valências, a qual é desejável e necessária” Ou seja, estas unidades poderão passar a ter menos valências no período nocturno. Mas sobre esta alegada alteração, o HGO diz não ter ainda qualquer conhecimento e mantém as afirmações da directora clínica, Ana França, publicadas na última edição do Jornal da Região. O HGO “é o único hospital diferenciado, polivalente, a sul do Tejo”, por isso a decisão do Governo “tem de ser em defesa da vida”. O único problema deste serviço é a “falta de recursos humanos”. Aposta na formação O HGO decidiu apostar mais fortemente na formação, ensino e investigação. Para isso foi criado um centro que vai trabalhar estas três áreas que já existiam dentro da unidade, o qual é dirigido pela ex-ministra da Saúde Ana Jorge. “Este centro está organizado para dar mais corpo a projectos de investigação e também obter maior reconhecimento no exterior do trabalho aqui feito”, refere a sua presidente. Esta estrutura começou a organizar-se no final de Janeiro deste ano e está ainda a estudar as linhas de investigação que irá seguir. “Primeiro temos de analisar quais as áreas de investigação que estão em curso no HGO e ouvir os profissionais que aqui trabalham”, refere Ana Jorge. Um trabalho que será muito da responsabilidade comissão científica deste centro. Uma coisa é certa, “vão ser abrangidas diversas áreas”. Neste âmbito de trabalho estão previstas parcerias com outras organizações, nomeadamente laboratórios, com vista a criar todo um conjunto de boas práticas clínicas e tratamentos em favor de “prestar sempre melhores cuidados de saúde para os utentes”. No caso concreto da área da investigação, Ana Jorge refere que “estão a ser feitos contactos com empresas de consultadoria para estabelecer protocolos, sem custos financeiros directos”. Aliás, em matéria financeira Ana Jorge avança que o centro “tem de ser gerador dos seus custos”, isto através do desenvolvimento de estudos e ensaios. “Não esperamos que o HGO coloque dinheiro no centro, temos de ser auto-sustentáveis”. Entretanto está agendado um ciclo de cinco conferências sobre áreas temáticas actuais com relação com o Centro de Formação, Ensino e Investigação. A primeira decorreu no passado dia 28 de Março, mas a próxima está marcada para 2 de Maio e irá debater a "Organização Interna e a Governação dos Hospitais como Factor de Eficiência e Satisfação". Humberto Lameiras

COSTA DA CAPARICA Comboio de praia tem os dias contados

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Indefinição no Polis acaba com o Transpraia O comboio de praia da Costa da Caparica vai recomeçar as viagens entre a cidade e a Fonte da Telha no próximo dia 25 de Abril, apenas aos fins-de-semana. A partir da segunda quinzena de Junho o mais antigo transporte turístico do concelho vai percorrer os carris diariamente, pelo menos até Setembro. Mas este poderá ser, definitivamente, o último ano de funcionamento do Transpraia que há 52 anos faz parte da paisagem da frente atlântica de Almada. Um fim que estará associado ao impasse das obras do programa Polis na Costa da Caparica. Com estas obras o comboio turístico foi obrigado, há quatro, a deslocar-se da frente urbana de praias para a zona do Bairro do Campo da Bola, e com esta mudança “perdeu 75 por cento dos passageiros”, afirma António Pinto da Silva, proprietário deste transporte lançado pelo seu pai. Aos 68 anos, o responsável pela empresa afirma que este negócio “já não tem capacidade financeira para resistir” e determina que se nada mudar o Verão de 2012 “será o último do Transpraia”. “Para além de estar afastado da zona urbana, o Transpraia está quase escondido”, queixa-se António Silva, e “longe da rede de transportes rodoviários”, acrescenta. Ou seja, os novos visitantes da Costa da Caparica não conhecem este transporte turístico que percorre a frente de praias porque não o vêem, e quem sabe que ele existe não se dispõe, com o calor, a andar uma grande distância para o usar. Uma das soluções imediatas para dar novo élan ao Transpraia seria deslocá-lo para frente ao Hotel Costa da Caparica. “Seria um ganho para o turismo na Costa da Caparica”, defende o proprietário. Esta opinião é partilhada pelo presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica. Diz António Neves que o comboio de praia “é mais uma vítima” do impasse do programa Polis. “As obras estão paradas” e as consequências “negativas” para o desenvolvimento desta localidade turística “já foram apresentadas, por escrito, ao Governo”, inclusivamente ao Ministério do Ambiente gerido pela ministra Assunção Cristas. “Mas ainda não obtivemos qualquer resposta” afirma o autarca. “Existe um silêncio estanho sobre este processo”, acrescenta. No caso concreto do Transpraia, em Setembro do ano passado foi dado conhecimento, por escrito, aos ministérios da Economia, Ambiente e ao primeiro-ministro sobre o risco deste transporte acabar caso não fossem cumpridas as infra-estruturas necessárias para a sobrevivência deste transporte turístico, e prometidas pelo programa Polis. Mas também sobre este alerta “não obtivemos resposta”, lamenta António Neves. O mesmo “silêncio” obteve o alerta da autarquia sobre o risco do rompimento dunar caso não seja cumprido o processo de enchimento artificial de areias. “Da mesma maneira que existe o risco de termos o mar a entrar pela zona norte da cidade da Costa da Caparica, o mais provável é perdermos umdos nossos símbolos turísticos”, ou seja: o Transpraia. Humberto Lameiras

terça-feira, 10 de abril de 2012

SINTRA ‘Um grito de esperança’

ver edição completa Padre Avelino Alves promove 5.º Compasso Motard
Pelo quinto ano consecutivo, no domingo de Páscoa, o padre Avelino Alves ‘anunciou a Ressurreição de Cristo’ em cima de duas rodas, em mais uma edição do Compasso Motard que uniu as paróquias de Pero Pinheiro e de Montelavar. Este ano, os ‘motards’ voltaram a percorrer as localidades das duas freguesias, mas estenderam a ‘Palavra do Senhor’ a Algueirão-Mem Martins e Almargem do Bispo, num percurso que terminou em pleno Largo da Igreja de Montelavar. Como acontece desde 2008, o Compasso Motard surge como "um grito" para que todos aqueles que o vêem passar, "não se deixem esmagar pela cruz da vida e façam da sua vida uma ressurreição". Uma mensagem de esperança, como adiantou o padre Avelino ao JR, "perante a crise mundial, nacional e, sobretudo, local, onde 90% das empresas fecharam ou estão a fechar,o aumento do desemprego, o que provoca um grande desespero". "O nosso objectivo é dizer a esta gente que não desespere, que ainda há esperança, que não desanime, e, também, chamar a atenção dos nossos governantes para estes problemas sociais", sublinhou o pároco, o grande impulsionador deste Compasso Motard que reúne, além de ‘motards’ a título individual, membros do Grupo Motard de Morelena e do Club Motard Bip Bip (Anços). Com o agudizar da crise, que tem afligido a indústria da pedra de forma acentuada, com o encerramento de inúmeras fábricas de transformação de rochas ornamentais, a Igreja tem sido um porto de abrigo da região. "Há lágrimas, dor, falências, desemprego, dívidas, mas, mesmo assim, a alma tem de ser mais forte", alerta o padre, que caracteriza ainda o Compasso Motard como uma provocação contra um mundo indiferente. "Com o nosso barulho, o nosso ruído, a nossa presença, vamos acordar essa gente porque, hoje em dia, vivemos numa sociedade resignada e indiferente", frisou o padre Avelino Alves, para quem estamos perante também "uma festa de juventude, de liberdade e um convívio salutar". Para o ano, garantiu o pároco, vamos ter o 6.º Compasso Motard. "Não paramos...". João Carlos Sebastião

MIRA SINTRA E PENDÃO CECD reforça respostas

Ver edição completa Novos equipamentos inaugurados pelo ministro Pedro Mota Soares
À semelhança do que sucedeu com as creches e os lares de idosos, o Governo quer aumentar o número de vagas nas unidades residenciais destinadas a acolher pessoas portadoras de deficiência. A intenção foi revelada pelo ministro Pedro Mota Soares, após a inauguração de uma nova unidade residencial em Mira Sintra e do Pólo do Pendão (Queluz) do Centro de Actividades Ocupacionais do CECD Mira Sintra – Centro de Educação para o Cidadão Deficiente. O responsável governamental, que tutela as pastas da Solidariedade e da Segurança Social, considerou como fundamental o alargamento das vagas das estruturas residenciais, nomeadamente para permitirem o "descanso do cuidador". "Algumas das vagas das estruturas residenciais devem permitir que, no caso de quem cuida de pessoas com um grau de dependência muito elevado, essas pessoas sejam acolhidas, seja porque o cuidador necessita de fazer uma viagem, de gozar férias ou efectuar uma intervenção cirúrgica", advertiu o ministro, para quem, tal como aconteceu com as creches e os lares de idosos, há que ter em conta "bom senso na aplicação das regras" e permitir aumentar o número de vagas disponíveis. Uma medida que surge perante a constatação da insuficiência do número de vagas neste tipo de valência, como se verifica no CECD. A instituição dispõe de cinco unidades residenciais, todas em Mira Sintra, que dão resposta a um total de 30 utentes. A unidade agora inaugurada, em instalações cedidas pelo município sintrense, acolhe sete utentes e "veio substituir uma existente no Pendão que não correspondia às exigências legais", salienta Carina Conduto, directora-geral da instituição. "As unidades residenciais são, efectivamente, uma grande lacuna não só para dependentes, mas também para autónomos, porque, se promovemos o emprego e a formação, e, por outro lado, perante a ausência da família, não satisfazemos necessidades básicas como a habitação e a alimentação, não conseguimos dar a plena cidadania a determinada pessoa", frisa a responsável do CECD,que alerta ainda para a lacuna existente ao nível do serviço de apoio domiciliário. "O que temos identificado, quer em Mira Sintra, quer no Pendão, é que existe a necessidade de aumentar o serviço de apoio domiciliário que, muitas vezes, evita a institucionalização das pessoas. Nós temos essa capacidade, através dos refeitórios que temos, agora faltam os acordos com a Segurança Social", salienta Carina Conduto. Com 36 anos de actividade em prol das pessoas com deficiência, promovendo os seus direitos e melhorando a sua qualidade de vida, o CECD Mira Sintra reforçou também a oferta ao nível de actividades ocupacionais, com o Pólo do Pendão a dar resposta a mais 60 utentes, jovens e adultos, maiores de 16 anos, com deficiência intelectual ou multideficiência, no sentido de "promover e maximizar o desenvolvimento da sua autonomia pessoal e social" e "o bem-estar individual, respeitando as necessidades especiais, com vista a uma melhor integração sociofamiliar e comunitária". Para o efeito, no Pólo do Pendão, os utentes vão poder desenvolver actividades ligadas à área da olaria, desporto, movimento e drama, cabeleireiro, tecnologias de informação, entre outras, divididas pelos quatro pisos do novo equipamento, construído também pelo município e inicialmente destinado a centro comunitário. A autarquia respondeu ao repto do CECD que necessitava de alargar a respectiva valência de actividades ocupacionais, que se limitava à casa-mãe da instituição, em Mira Sintra, onde dá resposta a 116 utentes. "É um dia muito especial para todos quantos constituem o CECD Mira Sintra, para as famílias, os profissionais e, sobretudo, os clientes da nossa casa, porque conseguimos, mais uma vez, concretizar um sonho", destacou a presidente da direcção da instituição, Carmen Duarte. Na inauguração do equipamento, Marco Almeida lembrou o desafio efectuado à instituição, "que nos disse logo que sim, sem ligar aos constrangimentos do edifício". "O CECD foi, de facto, uma porta aberta para aquilo que era também o anseio da Câmara de Sintra", salientou o vice-presidente do município, que realçou estarmos agora perante "um equipamento que serve a população, um equipamento cheio de afectos". João Carlos Sebastião

quarta-feira, 4 de abril de 2012

CASCAIS Fomentar a inclusão nos bairros sociais

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Contrato Local de Desenvolvimento Social vai prolongar-se por mais dois anos Promover acções de combate à pobreza persistente e à exclusão social nos territórios dos bairros Calouste Gulbenkian (Cruz Vermelha), Alcoitão e Adroana é o objectivo do segundo Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDC), celebrado na Adroana, no passado dia 26 de Março, com a presença do ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares. Segundo este compromisso, nos próximos dois anos, serão investidos perto de um milhão de euros (400 000 euros por parte do Instituto da Segurança Social, e o restante pela Câmara Municipal de Cascais). Com a coordenação da Fundação Aga Khan, esta segunda edição terá uma duração de dois anos em vez dos três da primeira edição e alarga-se no território, passando a incluir também, além dos bairros Calouste Gulbenkian e Adroana, a zona do Bairro de Alcoitão. No Bairro da Adroana, o principal investimento será na área do desemprego masculino e na ocupação das lojas enquanto elementos geradores de mudança de imagem do território. Nos bairros Calouste Gulbenkian e de Alcoitão, a intervenção vai privilegiar a requalificação do território com um investimento no trabalho de rua, criação de redes de parceria e capacitação da população, com recurso a várias acções de formação. O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, salientou que a assinatura do contrato vai “renovar vontades e compromissos para com o desenvolvimento das nossas comunidades”. “Adroana, Alcoitão e Calouste Gulbenkian não são bairros que aparecem nos postais”, frisou edil, “mas as pessoas destas três comunidades fazem parte de um concelho que queremos unido de norte a sul, em todas as freguesias, em todos os bairros” Dirigindo-se ao ministro da Solidariedade e Segurança Social, Carlos Carreiras salientou que, “no meio de toda esta crise, há um dado adquirido: só ultrapassaremos os problemas se juntarmos esforços a nível central e local, se juntarmos os poderes públicos e privados. É isso que temos vindo a desenvolver em Cascais com projectos a que demos o nome de parcerias público-públicas em diversas áreas como a segurança, a educação e a saúde. Também no apoio social queremos avançar por este caminho”. Pedro Mota Soares realçou a importância do trabalho em rede, nos tempos que correm. “O Estado não pode abdicar das suas responsabilidades e de melhorar os sistemas sociais e assegurar a sua sustentabilidade, mas tem de reconhecer o trabalho valioso de outros e ter a humildade de pedir ajuda aos que nasceram para ajudar, aos que sabem ajudar”, salientou o ministro da Solidariedade, dando o exemplo, entre outros, das Instituições Particulares de Solidariedade Social e das Misericórdias. Francisco Lourenço

SAÚDE CASCAIS Uma unidade hospitalar próxima da comunidade

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Balanço de dois anos de actividade do Hospital de Cascais “O Hospital de Cascais tem de se entranhar no tecido social”, salientou o presidente da comissão executiva da unidade hospitalar de Cascais, Adalberto Campos Fernandes, na passada sexta-feira, durante a apresentação do balanço de dois anos ao serviço da comunidade de Cascais e também de oito freguesias de Sintra, na área materno-infantil. Este responsável revelou que a unidade hospitalar, desde a sua abertura em Fevereiro de 2010, tem apostado em sistemas e metodologias de melhoria contínua para prestar serviços com segurança e qualidade e, neste momento, está em processo de acreditação por uma entidade internacional – Joint Commission International, para garantir a qualidade e segurança do seu serviço assistencial. A proximidade com a comunidade é outros dos objectivos, vincou Adalberto Campos Fernandes: “O hospital faz parte do território e da comunidade e, por isso, não deve ser visto como um castelo fechado”. “Tem de se entranhar no tecido social para que os cidadãos sintam o hospital como seu”, salientou este responsável. Por esse motivo, em Maio, vão decorrer umas jornadas de abertura do hospital à comunidade. João Varandas, director clínico, acrescentou que “temos como objectivo estabelecer com a comunidade, até ao final do ano, um código de compromisso e responsabilidade para que o hospital seja uma instituição bem gerida e que possa continuar a prestar um serviço de excelência”. Do ponto de vista económico e financeiro, Adalberto Fernandes revela que a realidade “é satisfatória. Aproxima-se de um ponto de equilíbrio até ao final do ano. É um hospital sustentável nos domínios ambientais e orçamentais”. Segundo o director executivo da unidade, “todos os cascalenses que estavam afastados dos serviços de saúde estão a aproximar-se de novo do hospital”. Quanto ao número de médicos que existem, Adalberto Fernandes revelou que “está alinhado com o que existe no contrato. Em alguns casos, estão acima. Mas, temos o número de médicos suficientes para prestar auxílio ao concelho de Cascais”. Francisco Lourenço

TEATRO AMADORA Companhias lutam para sobreviver

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Aloés e Passagem de Nível são exemplo na cidade São duas as companhias de teatro com actividade regular no concelho da Amadora, sendo uma delas profissional. O Teatro dos Aloés, criado em 2000, nasceu “da vontade de fazer teatro na periferia de Lisboa”, como explica José Peixoto, actor, encenador e fundador da companhia. O Teatro dos Aloés teve na sua origem num grupo de actores que vinha da Amascultura, antiga associação cultural dos municípios de Loures, Amadora, Vila Franca de Xira e Sobral de Monte Agraço, para a gestão do espaço da Malaposta, em Odivelas. “O teatro precisa de estar ao pé da porta das pessoas”, justifica o encenador, acrescentando que “há o conceito de que a periferia é servida pela criação cultural do centro, mas as pessoas da Amadora precisam de ter uma oferta cultural porque depois do trabalho podem ir a casa desempenhar as suas tarefas e ganham mais tempo para ir depois ao teatro, se ele estiver perto de casa”. Através deste princípio, a companhia de Teatro dos Aloés apresenta a sua programação regular na sala dos Recreios da Amadora, ao abrigo de um protocolo celebrado com a autarquia. “O público começa agora a crescer, não tanto como desejaríamos, gostaríamos de ter um por cento da população da Amadora a vir aos Recreios”, confessa José Peixoto. Embora faça digressões por todo o país, a companhia faz questão de estrear sempre na cidade onde foi criada. “Tentamos cumprir sempre essa regra, já estreámos noutros locais, mas isso depende das parcerias celebradas”, explica José Peixoto. Por estes motivos, o encenador e actor “não vê a necessidade da companhia sair da Amadora”. “Foi aqui que iniciamos e é aqui que continuaremos a fazer o nosso trabalho, embora já nos tenham feito o convite para ir para outros lados”, refere. Com a crise e a incerteza de apoios por parte do Estado a todos os sectores das artes, José Peixoto garante apenas o funcionamento “da companhia até ao final do ano. A partir daí tudo será uma incógnita”. “Ambicionamos um teatro que seja serviço público, como tal deve ser apoiado, sendo que as companhias têm de ter um caderno de encargos e cumpri-lo”, tendo em conta que “o preço do bilhete não paga o espectáculo”. Apesar de amadora, também a companhia de Teatro Passagem de Nível (TPN) se debate com algumas dificuldades. Embora nenhum dos seus membros seja pago pelo papel que desempenha, as receitas de bilheteira não chegam para cobrir as despesas da maior parte das peças. “Os bilhetes custam em média cinco euros”, como faz questão de sublinhar Ricardo Mendes, explicando que há vários encargos com a montagem dos espectáculos que têm que ser suportados pela associação. Criada há 31 anos, dois anos depois da constituição do município da Amadora, a TPN tem um protocolo com autarquia para a gestão do Auditório de Alfornelos. Mas o encerramento do espaço durante cerca de um ano (2010) devido às más condições do edifício fez com que a companhia tenha perdido algum público. “Estamos, desde Setembro de 2011, a voltar em grande força com várias actividades e temos tido uma grande procura pelas peças infantis”, acrescenta Ricardo Mendes. “O público das peças infantis é maioritariamente da zona de Alfornelos, mas quando se trata de peças para adultos temos visitantes de toda a Grande Lisboa”, conclui. Luís Mendes, presidente da associação, considera haver espaço para a existência de teatro amador, no concelho, tendo em conta que “nenhum de nós vive disto, não nos podem exigir o mesmo que a uma companhia profissional”. Neste caso, os apoios financeiros não serão tão exigentes, uma vez que não há ordenados para pagar. No entanto, para permitir a sustentabilidade do projecto, o TPN abre o seu espaço também para festas de aniversários para crianças. A Câmara cede o espaço e paga o condomínio do auditório de Alfornelos, em troca o TPN apresenta uma programação regular e cuida de todo o espaço. Em paralelo são estabelecidas parcerias com outras companhias. Para o TPN,o futuro não será assim tão incerto. O objectivo será conquistar cada vez mais público e isso passará obrigatoriamente por uma aposta na divulgação. Milene Matos Silva