quarta-feira, 21 de março de 2012

CASCAIS Parcerias para a segurança

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Câmara de Cascais celebra protocolo com Ministério da Administração Interna Dotar a polícia de mais meios e melhores condições de trabalho está na base da primeira parceria público-pública celebrada entre a Câmara de Cascais e o Ministério da Administração Interna, durante as comemorações do 145.º aniversário do COMETLIS – Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, no passado dia 13 de Março, que tiveram lugar no Largo 5 de Outubro. A autarquia ofereceu uma 'prenda' à Administração Central, no valor de 1,9 milhões de euros, traduzido em imóveis (nas proximidades da antiga Praça de Touros) para acolher a 50.ª Esquadra de Cascais, Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial e ainda a Esquadra de Investigação Criminal, mas também em meios como três veículos ligeiros, dois motociclos e diverso material informático e administrativo. O protocolo integra ainda uma nova esquadra, fruto da cedência de um espaço e da realização de obras de ampliação e remodelação das instalações da 56.ª esquadra de Trajouce, em S. Domingos de Rana, promovidas pela Câmara Municipal de Cascais. A autarquia, por seu turno, vai dispor da possibilidade de dar novas funções aos edifícios que acolhiam a antiga esquadra na Travessa da Assunção e o Posto de Turismo na Baixa. Durante o seu discurso, o presidente da Câmara de Cascais lembrou que a 50.ª Esquadra estava em instalações provisórias desde 1954 e explicou a importância deste novo conceito de parcerias: “Hoje, a Câmara de Cascais dá, à sua escala, um contributo para que algumas dessas limitações sejam ultrapassadas. Para que as nossas forças de segurança tenham dignidade e capacidade operacional. Na presença do sr. ministro e do director Nacional da PSP e do comandante Metropolitano de Lisboa, assinámos um protocolo de um novo tipo. Chamámos-lhe ‘Parcerias para a Segurança, uma visão de futuro’. Parcerias que prevêem uma série de investimentos autárquicos na reorganização de esquadras e no reequipamento da PSP, com as devidas contrapartidas para a autarquia”. Carlos Carreiras esclareceu também a razão da autarquia estar a “meter a foice em seara alheia”: “Muitos, de forma legítima, perguntar-se-ão o que leva uma câmara municipal a investir em segurança, quando segurança é uma competência exclusiva do Estado através do Ministério da Administração Interna? Têm razão. A segurança dos cidadãos não é uma competência da autarquia. Mas é da nossa competência que os cidadãos vivam em segurança. E é por isso que investimos na PSP e noutras forças de segurança que actuam no nosso concelho”. Sobre os imóveis ao dispor do município, Carlos Carreiras acentuou que, “para além de ganhar policiamento de proximidade útil a todos nas nossas freguesias, os cascalenses beneficiam de um protocolo onde constam os mais elementares princípios de racionalização económica. Falo, nomeadamente, da rentabilização de património anteriormente vedado ao público que vai, a partir de agora, estar ao serviço da dinamização do nosso tecido urbano”. A cerimónia, que juntou várias dezenas de efectivos da PSP, contou com a presença do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que pretende desenvolver parcerias destas com vários municípios do país: “Estamos a trabalhar com várias câmaras, e Cascais é um excelente exemplo neste domínio, no sentido de encontrar novas soluções para a recuperação de património que é indispensável para o desenvolvimento da actividade da PSP”. Miguel Macedo frisou que “a maior satisfação para o Ministério da Administração Interna é que deste trabalho resultaram melhores condições para os agentes da PSP”. Durante a cerimónia, foram ainda atribuídas várias condecorações a elementos policiais, entre as quais, a entrega da medalha de prata de serviços distintos ao subintendente Paulo Onofre. Seguiu-se depois a inauguração, após obras de requalificação e alargamento, da 56.ª Esquadra em Trajouce. Francisco Lourenço

AMADORA Antigo ringue dá lugar a centro de saúde

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Instalações provisórias da Unidade de Saúde Familiar de São Brás prontas em Abril Um antigo ringue situado em pleno coração de São Brás, a freguesia com mais habitantes do concelho da Amadora, vai acolher provisoriamente uma Unidade de Saúde Familiar que irá funcionar em contentores amovíveis. A vice-presidente da Câmara Municipal da Amadora (CMA), Carla Tavares, aponta esta como a “solução possível”, tendo em conta a conjuntura económica, para “dar resposta às necessidades da população”. Dadas as fortes restrições orçamentais levadas a cabo pelo Governo, a autarquia da Amadora cedeu o terreno de um antigo ringue desportivo situado ao lado da Escola Básica de 1.º Ciclo Artur Martinho Simões, para que a ARSLVT (Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo) pudesse instalar aí vários contentores amovíveis para acolher uma Unidade de Saúde Familiar que terá perto de dez médicos de família. “Decidimos avançar com a cedência daquele terreno porque era o único espaço disponível no centro da freguesia que já estava equipado com esgotos, água e luz. A par desta cedência, a autarquia disponibilizou um outro terreno, junto à Santa Casa da Misericórdia, para a instalação definitiva da unidade, no entanto, devido à situação que o país vive não se prevê a sua construção tão cedo”, adiantou Carla Tavares. Para já, a autarca assegura que “esta era uma solução necessária” porque “vivemos numa crise e é importante optimizar recursos. Mesmo que provisórias, as instalações servem a população e isso é que é necessário”. Carla Tavares vai mais longe e explica que “estes contentores têm todas as condições de funcionamento, melhores até que algumas unidades de saúde do concelho”. Curiosos são os olhares de quem passa pelo antigo ringue. As obras estão avançadas e a previsão é que entre em funcionamento em meados do mês de Abril. A população embora tema que as instalações provisórias podem passar a definitivas aplaude a iniciativa devido à falta de médicos e as dificuldades em obter uma consulta no Centro de Saúde da Amadora (Venteira). Acácio Carvalho, morador há mais de duas décadas na freguesia, considera que “fazia muita falta um centro de saúde, tratando-se esta de uma das maiores freguesias da Amadora, com mais população”. Este residente reconhece não ter problemas com a marcação de consultas na sua unidade de saúde por ter médico de família atribuído, mas assiste a longas filas daqueles que não têm a mesma sorte. Carlos Santos é um dos muitos utentes afectados pela falta de médicos de família. Nem sempre consegue consulta porque por vezes “vou para o centro de saúde às 6 horas e já tenho mais de duas centenas de pessoas à minha frente”. No entanto, este morador há 30 anos na freguesia não compreende porque “estão a construir agora umas instalações provisórias, para mais tarde voltar a construir outras? Assim, estão a gastar o dinheiro duas vezes”. Também Rosário Cláudio, outra moradora, teme que “o provisório passe a definitivo”, mas mantém a esperança que o acesso aos médicos de família melhore. “Pode ser que resolva os problemas de marcação de consulta”, considera. Milene Matos Silva

AMADORA (IC19) Hortas ilustram paisagens urbanas junto a grandes vias

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Desemprego e necessidade levam muita gente a procurar sustento na terra Num pedaço de terra encravado entre a Estrada Nacional 117 e o IC19, com acesso que só pode ser feito atravessando as vias por onde passam por dia centenas de carros, juntam- se quase diariamente quatro dos chamados agricultores citadinos. Da terra tiram couves, favas, ervilhas, batatas, entre outros produtos hortícolas que ajudam a minimizar as despesas de alimentação, muito embora garantam não dar nem para alimentar a família. Admitem, contudo, que aquela é apenas uma forma de ocupar o tempo que lhes sobra cada vez mais, devido à falta de emprego. Pedro Tavares tem 53 anos e está desempregado. É o mais novo agricultor do grupo que todos os dias se junta para tratar a terra nos taludes do IC19 e da Nacional 117. Era operador de máquinas, mas como “não há trabalho”, pelo menos em Portugal, aproveita o tempo livre para tratar dos terrenos que estão ao abandono. No último Verão trabalhou no Algarve. Porém, até hoje o patrão ainda lhe deve esse dinheiro. Garante que já estaria a viver no Luxemburgo com os seus três filhos, não fosse a autarquia querer retirar-lhe a casa que construiu ao longo da sua vida em Portugal, no bairro clandestino da Estrada Militar da Damaia. “Vivo há mais de trinta anos naquela casa que fui construindo ao logo da vida. Pago impostos, mas, apesar disso, a Câmara quer proceder à sua demolição, caso vá para o estrangeiro trabalhar”, explica Pedro Tavares, natural de Cabo Verde. No intervalo dos biscates que vai fazendo para sustentar a família, junta-se aos amigos para cultivar a terra e para conviver um pouco. Os quatro dividem o que colhem. Pouco imaginavam que os terrenos junto ao IC19 pudessem ser tão férteis, a ponto de ali se poder tirar favas, batatas, couves, ervilhas, cebolas e até mesmo cana-de-açúcar, como faz questão de mostrar Augusto Cardoso, reformado e também originário de Cabo Verde. Foi o primeiro a começar a tratar aquela terra. Dez anos depois garante que “se não fosse a seca teríamos muito mais coisas para comer”. Escolheram aquele local pela proximidade com o bairro da Estrada Militar da Damaia, onde todos residem. “Ainda cheguei a cultivar mais perto de casa, nuns terrenos baldios que existiam, mas depois vieram as máquinas para a construção de uma urbanização e comecei a vir para aqui”, conta. Chega ao talude, todos os dias, perto das 10 horas e só sai por volta das 17. “É uma boa forma de passar o tempo, em vez de estar nos cafés do bairro”. Com os amigos divide o trabalho e organiza almoços com os produtos que a terra dá. “Hoje, fizemos um cozido de peixe, com os grelos e as batatas daqui”, explica. Cada um traz uma coisa e juntam-se na pequena barraca construída para guardar as ferramentas e resguardar da chuva, onde comem e jogam cartas. Armando Brito, também natural de Cabo Verde, estaria a receber subsídio de desemprego, caso o seu antigo patrão tivesse entregue todos os descontos na Segurança Social. Com a crise económica que o país atravessa e sem perspectivas de novo emprego, viu-se obrigado a juntar-se aos amigos. “Se houvesse trabalho não estaríamos aqui, mas não há”, diz com mágoa. Os produtos hortícolas que leva para casa mal chegam para fazer uma refeição, mas gosta de ir todos os dias à horta, acima de tudo “pelo convívio com os companheiros”. Partilha as tarefas agrícolas com os outros, mas também os alimentos e alguns almoços na própria horta. Também Augusto Cardoso, beneficiário do Rendimento Social de Inserção, se debate com a falta de emprego. Para ele, a horta é uma forma de escapar à crise.No entanto, as colheitas este ano também não estão favoráveis, devido à seca. “O tempo não tem ajudado, sem chuva não temos forma de regar o que plantamos”, afirma explicando que “costumamos deixar os bidões sem tampa para que quando chove, consigamos captar alguma água, mas como não tem chovido temos que trazer alguma água, mas não é suficiente para que os legumes possam crescer”. Em Julho do ano passado, a anterior concessionária do IC19, a Ascendi, procedeu, em concertação com a Câmara da Amadora, à remoção de algumas das hortas.No entanto, oito meses depois, os agricultores, na sua grande maioria de origem cabo-verdiana, voltaram a semear e a colher da terra alguns alimentos, por vezes, fundamentais para a sua subsistência. Para Armando Brito “o cultivo não vai acabar porque é uma tradição de Cabo Verde, que todos querem manter”. Milene Matos Silva

quinta-feira, 15 de março de 2012

COSTA DA CAPARICA Cansados de esperar por obras

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Populares e autarcas exigem conclusão do Polis A indefinição sobre a continuidade do Programa Polis, os riscos decorrentes da erosão costeira e a falta de transportes públicos estiveram à cabeça das preocupações levantadas pela população no encontro Opções Participativas dedicado à cidade da Costa da Caparica. Mas sobre estas questões os autarcas lembraram que pouco mais podem fazer do que tomar nota e continuar a pressionar o Governo para que ponha em marcha compromissos anteriormente assumidos pelo Estado. “Temos persistido junto da tutela para que a Sociedade CostaPolis reúna para nomear os órgãos de gestão para poder decidir a continuidade do programa e exigir a manutenção e reparação da obra a quem de direito”, afirma o presidente da Junta da Costa da Caparica. Para António Neves é necessária uma decisão “urgente” e o mesmo diz a presidente da Câmara de Almada. Maria Emília de Sousa defende que a Costa da Caparica pode ser um destino turístico de qualidade, mas para isso é preciso que o Polis avance. O problema é que a Sociedade CostaPolis, após a extinção da Parque Expo “está sem conselho de administração”. Aliás, de uma sociedade que depende em 60 por cento do Estado e 40 por cento da autarquia, apenas o elemento nomeado pela Câmara é conhecido. É que outro dos elementos nomeados pelo Estado era a ex-presidente da CCDR-LVT, Teresa Almeida, que já não está em funções. “O Polis está a marcar passo há mais de um ano, mas não vamos desistir”, afirma a edil que relembra que em conjunto com o presidente da Junta da Costa de Caparica e com o presidente da Assembleia Municipal pediram “uma audiência ao primeiro-ministro” que remeteu resposta para o mega Ministério de Assunção Cristas. Porém, “ainda não tivemos resposta”, acrescenta António Neves. Entretanto os autarcas dizem já ter contactado também com o Ministério das Finanças e Ministério da Defesa, ao mesmo tempo que insistem ser recebidos por Pedro Passos Coelho. Isto porque na Costa da Caparica “há vários ministérios envolvidos”, mas até agora “ainda não tivemos resposta”, reafirma a presidente da Câmara. Outro dos problemas apontados neste encontro foi a erosão dunar. “As pessoas estão muito preocupadas”, afirma António Neves, que aponta a defesa costeira entre a praia Norte e a de S. João como em “elevado risco de colapso”. Sobre isto Maria Emília de Sousa leu as diligências que têm sido feitas junto da ministra Assunção Cristas. “Em Setembro dissemos que era importante o Orçamento de Estado ter verba para a última fase de alimentação artificial de areias para as praias”. E como já não existe Governo Civil, órgão que anteriormente acompanhava o processo, a autarquia deu conhecimento ao Ministério da Administração Interna sobre o perigo de, em caso de avanço, o mar causar danos em pessoas e bens. Mas o carácter de urgência pedido para a continuidade do Polis mereceu a mesma resposta para o risco da erosão dunar, dizem os autarcas que continuam à espera de respostas. Já quanto aos transportes públicos para a Costa da Caparica, António Neves afirma que esta cidade turística “não pode estar dependente apenas dos TST” e Maria Emília de Sousa reafirmou a necessidade do Metro Sul do Tejo chegar a esta localidade. A edil diz existirem dinheiros do QREN para a obra e que esta implica pouco mais do que “montar carril entre a zona da Universidade da Caparica e a Costa da Caparica”, uma vez que esta operação decorre em terrenos já definidos para receberem o Metro. “No projecto ficou previsto o espaço canal e há também material circulante para fazer esta operação”. Aliás, já se sabe que o Metro, se chegar à Costa da Caparica, vai conjugar com a rotunda a ser construída na estrada 377-2 à entrada da cidade. O MST seguirá pela Avenida 1.º de Maio, Avenida General Humberto Delgado até ao início do Bairro do Campo da Bola onde inverte por dentro até ao actual cruzamento que dá acesso ao IC20. “Tudo depende da vontade do Governo avançar”, lembrou a edil. Mas ao que se sabe o Governo não está muito virado para a execução de obras. Humberto Lameiras

CACILHAS Falências na Cândido dos Reis

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Socialistas insistem no apoio ao comércio de Cacilhas Desde o início das obras de requalificação da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas, “já encerraram cerca de uma dezena de lojas”, entre estas “três restaurantes”, afirma o socialista Manuel Baptista, elemento da Assembleia de Freguesia local e da Assembleia Municipal de Almada. Estes números foram apurados no terreno em recente visita organizada pelo PS de Almada. “Os comerciantes estão muito preocupados”, afirma. Os socialistas continuam a apontar o dedo à gestão da Câmara de Almada por não ter tomado medidas quando “em Agosto do ano passado soube” que as obras nesta rua iam derrapar no tempo – deveriam ter terminado em Dezembro de 2011 – e insistem que a Câmara avance com um mecanismo de compensação para o comércio local em Cacilhas. Aliás, como o Jornal da Região noticiou na última edição, esta matéria foi apresentada pelo grupo parlamentar do PS na Assembleia Municipal de Fevereiro e foi chumbada com os votos da CDU. Manuel Baptista esclarece que este mecanismo de compensação para os comerciantes “para minimizar a perda de negócio durante as obras pode não ser monetário, mas sim ao nível da isenção de taxas”. Sobre este plano acrescenta que a Junta de Freguesia de Cacilhas durante este período “deixou de cobrar taxa pelas esplanadas”, mas também diz que esta operação “não teve qualquer efeito porque com a rua em obras não podiam montar esplanadas”. Entretanto a nova empresa que vai retomar as obras de requalificação e pedonalização desta artéria da cidade, uma das mais povoadas com restauração, já montou o estaleiro mas “as obras ainda não começaram”, refere o socialista lembrando que se tudo correr agora como o planeado “só deverão estar concluídas no Verão”. O problema é que “muitos dos proprietários da restauração afirmam que não têm capacidade financeira para resistirem até lá”, a iminência “é fecharem”. Mesmo os que resistirem receiam que a pedonalização da rua não venha ajudar ao negócio. Do que ouviu dos proprietários, Manuel Baptista conta que uma boa parte da facturação destes “é ao almoço durante a semana” e com a rua sem trânsito e o estacionamento “relativamente afastado, as pessoas optam por outros lados”. A hipótese é recuperarem negócio ao fim-de-semana, mas “os comerciantes não acreditam que seja suficiente”. Mas para já “é preciso compensar a quebra do negócio por causa das obras”, afirma o socialista que revela existir um grupo dentro do partido a estudar “medidas específicas” sobre esta matéria. “A Câmara de Almada não avança com qualquer medida, mas o PS não vai ficar parado”, garante. Humberto Lameiras

Oeiras projecta novas marinas

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Município vai avançar com infra-estrutura em Paço de Arcos e privados na Cruz Quebrada Apesar da crise, o negócio das marinas vai de vento em popa. Sinal disso mesmo é a constante lista de espera no Porto de Recreio de Oeiras que, ano após ano, mostra resultados muito positivos emotiva os dirigentes da autarquia a promoverem mais locais de atracação. Essa é, de facto, a intenção da Câmara de Oeiras, que projecta construir, por sua iniciativa, uma nova marina, que será consideravelmente maior do que a actual, localizada em Paço de Arcos (quase em frente ao Palácio dos Arcos). “Estamos a elaborar estudos preliminares, em conjunto com a APL”, dá conta Paulo Vistas. Mas há mais: de responsabilidade privada, uma outra estrutura semelhante deverá nascer na zona da Cruz Quebrada (junto das antigas fábricas, abandonadas, da Lusalite e dos Fermentos Holandeses), no âmbito do empreendimento Porto Cruz, do Grupo SIL, que prevê a construção de vários espaços de serviços, escritórios e comércio naquela área. Uma intenção cuja concretização está dependente, no entanto, de aprovação por parte da Administração Central. “Oeiras tem uma enorme potencialidade também na área do turismo náutico, por força da sua frente ribeirinha, local de passagem de muitos barcos em viagem transatlântica ou para o Mediterrâneo”, destaca o vice-presidente,acrescentando: “É um tipo de turismo de elevado poder de compra, que gera muito valor do ponto de vista económico”. A propósito, a autarquia prepara-se para aproveitar a onda de promoção que se está a formar com a chegada a Lisboa de uma das etapas da famosa Volvo Ocean Race, no próximo dia 31 de Maio, um evento com a João Lagos Sports ao leme. Aquela que é considerada a maior competição de vela do mundo atracará em Pedrouços, concretamente nas antigas instalações da Docapesca. Mesmo ao lado, já em território oeirense, situa-se o Centro Náutico de Algés (uma concessão pública recente) que está preparado para acolher embarcações para reparação. A seguir, há um restaurante mexicano, depois o aterro onde costuma realizar-se o festival Optimus Alive, e à frente todo um concelho para descobrir a pé ou até de barco... Por agora só o Porto de Recreio de Oeiras tem beneficiado desta vertente turística e de lazer. Os números de 2011 falam por si: uma taxa de ocupação de cerca de 90% estabilizada, cerca de 480 mil visitantes por terra (a confluência com o Passeio Marítimo ajuda a explicar a cifra), 806 embarcações passantes, e um número de pernoitas na ordem de 3650. O balanço entre custos e proveitos reflecte-se em 796 mil euros e 1,26 milhões de euros, respectivamente. Valores que, ainda assim, revelam uma ligeira retracção face a 2010. Em termos de projectos futuros, José Manuel Constantino lembra o projecto, apresentado à Câmara, de criar uma espécie de ginásio ao ar livre na área do Porto de Recreio (a replicar no Passeio Marítimo...), com aparelhos de ‘fitness’ de características intergeracionais. Mas também a necessidade de continuar a promover um conjunto de actividades que possam ser atractivas em terra e mar, sejam as competições náuticas, a recreação de lazer (a pesca ou mergulho), uma maior abertura a organizações desportivas e associativas, para além do uso como espaço de treino e estágio para profissionais de alta competição... Jorge A. Ferreira

OEIRAS 'A nossa aposta é o turismo de negócios'

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Mais e melhor oferta para rentabilizar deslocações empresariais ou académicas a Oeiras Duas novas marinas (uma de iniciativa camarária e outra privada), vários novos hotéis (dois em construção e sete em estudo), a 3.ª fase do Passeio Marítimo, a 2.ª fase do Parque dos Poetas, os percursos pedonais e cicláveis nas margens das ribeiras, o Cabanas Golfe, o reforço da oferta cultural e, claro, a conclusão do famigerado Centro de Congressos, Feiras e Exposições… Estes são os principais argumentos com que Oeiras pretende aumentar a sua atractividade turística. Depois de uma análise aos factores diferenciadores em relação aos concelhos vizinhos, e numa lógica de complementaridade, o vice-presidente da Câmara, Paulo Vistas, não tem dúvidas quanto ao enfoque estratégico: “A nossa aposta é o turismo de negócios”, sustenta. “Independentemente de, nos últimos anos, termos já registado uma evolução muito positiva, esta área tem, ainda, um grande potencial de crescimento, seja em número de turistas, gasto médio ou tempo de permanência”, revela aquele responsável, em entrevista ao JR. Para concretizar os objectivos neste sector, o vereador do Turismo advoga mais diversidade e qualidade na oferta turística para quem vem a Oeiras no âmbito das actividades empresariais ou académicas que o concelho acolhe, mormente nos seus parques tecnológicos e empresariais. “Uma intervenção transversal que permita responder às variadas necessidades das pessoas que trabalham nessas empresas e instituições”, especifica o vereador do Turismo, propondo, sem rodeios: “Temos de ser mais fortes naquilo que os outros não têm”. Ora, se Cascais brilha pelas suas praias e pelo casino, Sintra tem trunfos insuperáveis a nível do património natural e histórico, e se Lisboa é um íman poderoso devido à própria condição de capital, deverá Oeiras explorar de forma incisiva o seu filão mais óbvio, aquele que as estatísticas destacam desde há vários anos: "As maiores empresas de tecnologias de informação e comunicação do país estão em Oeiras e mais de 10% das maiores empresas têm a sua sede no concelho, o qual foi considerado recentemente o melhor para trabalhar em Portugal”, recorda Paulo Vistas. Sem esquecer o vasto conjunto de instituições de investigação científica e universitárias que são, também elas, focos de disseminação do saber e de atracção de novos capitais humanos e financeiros. Um manancial cuja expressão turística urge potenciar, agora mais do que nunca. Por ser uma resposta possível à crise e independentemente da mesma. Paradoxal? Talvez não… “Qual o país da Europa que tem um clima como este?Ea gastronomia? Se juntarmos mais e melhores condições para recebermos os turistas, nomeadamente os que se deslocam a Oeiras em negócios ou actividades académicas, com mais hotéis, mais lazer, mais oferta cultural, teremos tudo para sermos ainda mais bem-sucedidos”, antevê Paulo Vistas. É que, “apesar da recessão económica, os nossos centros empresariais e tecnológicos e de investigação continuarão em actividade, a promover encontros e eventos, a receber inúmeros especialistas…”. Razão pela qual, o Centro de Congressos, Exposições e Feiras, malparado na Quinta da Fonte por falha de financiamento por parte dos parceiros privados, “é muito urgente, pois poderá gerar uma grande dinâmica neste segmento, sobretudo quando tivermos outras infra-estruturas turísticas concluídas, também, gerando os benefícios próprios dessa complementaridade”. A finalizar, o autarca ressalva um aspecto basilar, “a que nem sempre se tem dado o devido valor”, que é a segurança pública. “Para o turismo em geral, para o de negócios em particular, é essencial que haja um clima de segurança. E é um facto que Oeiras, desde há vários anos, projecta um sentimento positivo nesta área, muito mais do que qualquer outro concelho vizinho. Isso acontece graças à sua coesão social, que é essencial para cativar, ou pelo menos para não afastar, os turistas”, frisa Paulo Vistas, acrescentando que “paralelamente, o turismo é importante para criar emprego e riqueza, ajudando, assim, a reforçar a própria coesão social”. O que, numa altura de crise, não é coisa pouca. Jorge A. Ferreira