quinta-feira, 15 de março de 2012

OEIRAS 'A nossa aposta é o turismo de negócios'

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Mais e melhor oferta para rentabilizar deslocações empresariais ou académicas a Oeiras Duas novas marinas (uma de iniciativa camarária e outra privada), vários novos hotéis (dois em construção e sete em estudo), a 3.ª fase do Passeio Marítimo, a 2.ª fase do Parque dos Poetas, os percursos pedonais e cicláveis nas margens das ribeiras, o Cabanas Golfe, o reforço da oferta cultural e, claro, a conclusão do famigerado Centro de Congressos, Feiras e Exposições… Estes são os principais argumentos com que Oeiras pretende aumentar a sua atractividade turística. Depois de uma análise aos factores diferenciadores em relação aos concelhos vizinhos, e numa lógica de complementaridade, o vice-presidente da Câmara, Paulo Vistas, não tem dúvidas quanto ao enfoque estratégico: “A nossa aposta é o turismo de negócios”, sustenta. “Independentemente de, nos últimos anos, termos já registado uma evolução muito positiva, esta área tem, ainda, um grande potencial de crescimento, seja em número de turistas, gasto médio ou tempo de permanência”, revela aquele responsável, em entrevista ao JR. Para concretizar os objectivos neste sector, o vereador do Turismo advoga mais diversidade e qualidade na oferta turística para quem vem a Oeiras no âmbito das actividades empresariais ou académicas que o concelho acolhe, mormente nos seus parques tecnológicos e empresariais. “Uma intervenção transversal que permita responder às variadas necessidades das pessoas que trabalham nessas empresas e instituições”, especifica o vereador do Turismo, propondo, sem rodeios: “Temos de ser mais fortes naquilo que os outros não têm”. Ora, se Cascais brilha pelas suas praias e pelo casino, Sintra tem trunfos insuperáveis a nível do património natural e histórico, e se Lisboa é um íman poderoso devido à própria condição de capital, deverá Oeiras explorar de forma incisiva o seu filão mais óbvio, aquele que as estatísticas destacam desde há vários anos: "As maiores empresas de tecnologias de informação e comunicação do país estão em Oeiras e mais de 10% das maiores empresas têm a sua sede no concelho, o qual foi considerado recentemente o melhor para trabalhar em Portugal”, recorda Paulo Vistas. Sem esquecer o vasto conjunto de instituições de investigação científica e universitárias que são, também elas, focos de disseminação do saber e de atracção de novos capitais humanos e financeiros. Um manancial cuja expressão turística urge potenciar, agora mais do que nunca. Por ser uma resposta possível à crise e independentemente da mesma. Paradoxal? Talvez não… “Qual o país da Europa que tem um clima como este?Ea gastronomia? Se juntarmos mais e melhores condições para recebermos os turistas, nomeadamente os que se deslocam a Oeiras em negócios ou actividades académicas, com mais hotéis, mais lazer, mais oferta cultural, teremos tudo para sermos ainda mais bem-sucedidos”, antevê Paulo Vistas. É que, “apesar da recessão económica, os nossos centros empresariais e tecnológicos e de investigação continuarão em actividade, a promover encontros e eventos, a receber inúmeros especialistas…”. Razão pela qual, o Centro de Congressos, Exposições e Feiras, malparado na Quinta da Fonte por falha de financiamento por parte dos parceiros privados, “é muito urgente, pois poderá gerar uma grande dinâmica neste segmento, sobretudo quando tivermos outras infra-estruturas turísticas concluídas, também, gerando os benefícios próprios dessa complementaridade”. A finalizar, o autarca ressalva um aspecto basilar, “a que nem sempre se tem dado o devido valor”, que é a segurança pública. “Para o turismo em geral, para o de negócios em particular, é essencial que haja um clima de segurança. E é um facto que Oeiras, desde há vários anos, projecta um sentimento positivo nesta área, muito mais do que qualquer outro concelho vizinho. Isso acontece graças à sua coesão social, que é essencial para cativar, ou pelo menos para não afastar, os turistas”, frisa Paulo Vistas, acrescentando que “paralelamente, o turismo é importante para criar emprego e riqueza, ajudando, assim, a reforçar a própria coesão social”. O que, numa altura de crise, não é coisa pouca. Jorge A. Ferreira

terça-feira, 13 de março de 2012

SINTRA Promover o empreendedorismo

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Escola Secundária de Mem Martins recebe, nos dias 20 e 21 de Março, feira de divulgação de oferta formativa e saídas profissionais Promover o empreendedorismo é o principal objectivo da 1.ª Feira da Empregabilidade e Empreendedorismo da Escola Secundária de Mem Martins, que vai decorrer nos próximos dias 20 e 21 de Março, no período compreendido entre as 10h00 e as 16h30. Palestras, ‘workshops’, ateliês e divulgação (através de 'stands') são os pontos fortes do evento, aberto a toda a comunidade escolar do concelho de Sintra, mediante inscrição prévia. Escolas profissionais, universidades, entidades empregadoras e Forças Armadas (Força Aérea, Marinha e Exército) vão divulgar aos alunos, em especial os do 9.º e do 12.ª anos, a respectiva oferta formativa. "Um dos primeiros objectivos é promover o empreendedorismo, mas também divulgar as ofertas formativas, porque vamos ter vários ‘stands’ de universidades, escolas profissionais e escolas com Cursos de Especialização Tecnológica", começa por explicar Cristina Garcia, professora de Economia e Contabilidade, uma das responsáveis pela organização do evento. "A feira pretende ainda divulgar diferentes percursos de formação, com vista à empregabilidade: divulgar negócios emergentes de jovens empreendedores, esclarecer os jovens acerca do seu percurso formativo e, ainda, apostar na formação enquanto veículo de promoção pessoal com vista ao desenvolvimento intelectual dos alunos". No fundo, pessoas esclarecidas e informadas têm melhores ferramentas com vista à criação ou obtenção do seu posto de trabalho. "Queremos abrir os horizontes dos nossos alunos,muitos dos quais, devido a dificuldades financeiras, não pensam em ir para o Ensino Superior e tencionam começar a trabalhar", sintetiza Luís Almeida, docente de Informática. "Como a escola aposta muito em cursos profissionais, temos a vantagem de dotá-los de ferramentas que podem permitir, facilmente, sem grandes custos, criar o seu próprio negócio como, por exemplo na área da Informática, através da criação de ‘websites’", salienta este professor, conferindo um grande enfoque na aposta ao nível do empreendedorismo. "Vamos ter palestras sobre o que é o empreendedorismo, o que é o investimento, assim como ateliês, por exemplo, de Marketing, Relações Públicas e Publicidade", enuncia Cristina Garcia. A feira vai servir, aliás, para a apresentação de um projecto de empreendedorismo, o Historyou (As minhas histórias nas tuas mãos), que se insere na iniciativa "Junior Achievement – Aprender a Empreender". Três jovens (do 11.º ano do Curso Profissional de Vendas) estão a "criar uma editora ‘low cost’ em que qualquer pessoa, que goste de escrever, tem a possibilidade de publicar o seu livro, utilizando as novas plataformas digitais", explica Cristina Garcia. O projecto foi seleccionado para ser apresentado no decurso da Futurália, na FIL (Parque das Nações), no próximo sábado, dia 17. "Já temos um livro disponível em IPad e IPhone e outros estão a ser trabalhados", salienta a docente, que coordena o projecto, e que tem contado com o apoio, em regime de voluntariado, do arquitecto Hugo Branco. Um exemplo prático de empreendedorismo que pode e deve ser replicado por outros jovens, mas que, para isso, precisam de ser motivados. Apesar dos tempos de crise, muitos jovens continuam alheios à realidade do mundo que os rodeia, sob a pala protectora do pais, enquanto outros, por outro lado, têm dificuldades em conciliar os estudos com os trabalhos precários a que já foram obrigados a recorrer. "Estamos a viver uma realidade em que existe uma desmotivação generalizada da própria sociedade, que rapidamente passa aos alunos, que vêem pouco futuro: ‘Bom, vou para a faculdade para quê? Há licenciados que não têm emprego e estão numa caixa de supermercado’", lamenta Cristina Garcia, que quer contrariar este conformismo. "Aos nossos jovens falta um pouco de ambição", adverte Luís Almeida. "E, a ambição é fundamental na vida. Não a ambição desmedida, mas a ambição pessoal de querer ser melhor e querer fazer mais", conclui Cristina Garcia. João Carlos Sebastião

Almoçageme dispõe de novo centro clínico

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Bombeiros Voluntários reforçam oferta de valências médicas Os Bombeiros Voluntários de Almoçageme vão inaugurar esta sexta-feira, dia 16 de Março, pelas 18h00, o seu novo centro clínico, que resulta da adaptação do edifício do antigo CCO (Centro de Coordenação Operacional) situado nas instalações da associação. O novo equipamento vai permitir oferecer mais valências médicas à população, que se encontram ainda em fase de negociação com os respectivos profissionais de saúde, e melhorar as condições de atendimento das especialidades já disponibilizadas no posto clínico existente: medicina interna, ginecologia/obstetrícia, oftamologia, odontologia/dentista, urologia, psicologia clínica, terapia da fala e psiquiatria. Embora ainda sujeito a negociação, pediatria, dermatologia e ortopedia são algumas das novas especialidades que podem reforçar os serviços à disposição da população. "O novo centro clínico vai estar mais bem equipado, deixa de ser um simples posto médico e, para além disso, tem acoplado um centro de fisioterapia", realça Maurício Barra, presidente da direcção dos Bombeiros de Almoçageme, que enuncia as vantagens do novo centro clínico em termos de aumento das valências médicas, associado à melhoria das instalações. Enfermagem e análises clínicas vão continuar também a ser disponibilizados à população de Almoçageme e zonas envolventes. "Uma outra inovação é que o novo centro clínico vai estar completamente informatizado, ou seja, todos os médicos estarão em rede para poderem cumprir as novas normas de prescrição médica", salienta o dirigente. "O Centro Clínico de Almoçageme é, a par do Centro de Saúde de Colares, o equipamento de saúde mais procurado nesta zona ocidental da Serra de Sintra", realça Maurício Barra, que continua a contar com a colaboração do dr. Teixeira Botelho, o médico que, ao longo de 30 anos, "deu fama ao posto clínico dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme". O novo equipamento vai funcionar paredes-meias com o Centro de Fisioterapia, entregue à exploração de privados. "O centro quando estava sob exploração da associação, em que não estava a funcionar rigorosamente de acordo com a lei, tinha prejuízo. Agora, uma actividade, que tinha um prejuízo anual de quase 40 mil euros, vai passar a dar lucro", salienta o responsável da associação de bombeiros. Além das obras de adaptação do interior do imóvel, a principal intervenção residiu na renovação da cobertura do edifício, numa área que se destinava a heliporto. "O telhado antigo estava estragado e deixava entrar água no edifício. Tivemos que remover a antiga pista de helicópteros, foram retiradas 160 toneladas de entulho do telhado e, depois, construir um telhado novo", adiantou Maurício Barra, dando conta de um investimento directo na ordem dos 72 mil euros, para o qual contaram com o apoio da própria população, a que acresce o empenhamento do corpo de bombeiros, "com muito trabalho gratuito por parte dos nossos operacionais". João Carlos Sebastião

quarta-feira, 7 de março de 2012

AMADORA Câmara volta a apresentar boas contas

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Amadora lidera o ‘ranking’ dos grandes municípios com melhor gestão financeira Pelo terceiro ano consecutivo a Câmara Municipal da Amadora (CMA) ocupa o primeiro lugar no ‘ranking’ global dos melhores municípios de grande dimensão em eficiência financeira. Para o presidente da autarquia, Joaquim Raposo, este é “um resultado do trabalho desenvolvido nos últimos anos que se deve a uma rigorosa gestão”, que tem por base o corte “na despesa e não no investimento”. “Este resultado deve-se ao rigor nas contas, só se gasta o que se tem”, sublinha o autarca, justificando assim os bons resultados da Amadora alcançados no Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, referente às contas consolidadas de 2010, divulgado, na semana passada, pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, com o patrocínio do Tribunal de Contas e do Centro de Investigação em Contabilidade e Fiscalidade. Numa altura em que os municípios defrontam fortes restrições orçamentais, “estes resultados alcançados pela Câmara têm ainda maior significado. Decorrem de uma política de gestão criteriosa de gestão de dinheiros públicos ao serviço do desenvolvimento e apoio de projectos e acções centrais para a prossecução da estratégia global de qualificação do quadro de vida das pessoas e das empresas que aqui trabalham e vivem”, refere a autarquia em comunicado. Mas, apesar das boas contas da Câmara Municipal, esta vê-se impedida de contrair um empréstimo “para conseguir cumprir os compromissos assumidos pelo Estado, nomeadamente para resolver as questões da habitação”, lamenta o autarca que apontando o dedo ao Governo. Raposo considera mesmo que “os municípios que cumprem são penalizados”, tendo em conta que, neste momento, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) conseguiu negociar uma linha de crédito para que as autarquias com dívidas a fornecedores possam fazer os respectivos pagamentos.“É injusto que os municípios que não cumprem possam contrair empréstimo, mas os que não têm dívidas continuam impedidos de o fazer”, reafirma o autarca. Apesar da posição da Amadora garantir um lugar “confortável”, caso a autarquia necessite de “recorrer a crédito bancário”, considera o autarca. Alcançar estes resultados pelo terceiro ano consecutivo, é para Joaquim Raposo “motivo de orgulho”, mas só é possível graças ao “corte na despesa”. O município, ainda assim, vai continuar a apostar na área da coesão e inclusão social e, simultaneamente, na inovação e da modernidade. Para chegar a estes resultados, há já alguns anos, por exemplo, os vereadores da CMA não têm direito a cartão de crédito e cada um deles tem apenas um adjunto. Milene Matos Silva

AMADORA Plano municipal combate violência doméstica

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Autarquia da Amadora pioneira em plano que envolve várias entidades como parceiras Com o objectivo de identificar os casos de violência, acompanhar as vítimas, prevenir situações futuras e estudar o fenómeno social, a autarquia da Amadora lançou na semana passada o Plano Municipal contra a Violência Doméstica (PMCVD), tornando-se no primeiro município do país a fazê-lo. De acordo com a vice-presidente da Câmara, Carla Tavares, este projecto “só foi possível com o envolvimento de todos os parceiros”. O Ministério Público, a PSP, o Hospital Fernando da Fonseca (vulgo Amadora-Sintra), associações e instituições, juntas de freguesia, centros de saúde, entre outras entidades locais, são todos parceiros da Câmara Municipal da Amadora (CMA) para a sinalização, encaminhamento e acompanhamento dos casos de violência doméstica, quer das vítimas, quer do agressor. “Somos o primeiro município do país a apresentar este plano porque temos tido um grande desenvolvimento nesta área, mas isto não seria possível sem um verdadeiro trabalho em rede”, explicou a autarca, na quinta-feira, 1 de Março, durante a apresentação do PMCVD, que teve lugar na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos. De acordo com a vice-presidente da autarquia, o que se pretende com este plano “é intervir de forma mais estruturante e mais efectiva”, para que nas mais variadas situações “possam ser encaminhados os casos para as diferentes respostas sociais”. A responsável deu como exemplo casos em que a PSP, depois de receber uma queixa, pode encaminhar a vítima para uma instituição de acolhimento, se necessário. No âmbito do plano será criado um observatório que irá estudar o fenómeno da violência doméstica no município da Amadora. Este estudo será realizado em parceria com o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade Técnica de Lisboa. Dália Costa, professora deste instituto, apelou à participação de todos os parceiros “com o fornecimento de dados”, tendo em conta que “este observatório só terá razão de existir com esta partilha”. Os resultados do estudo permitirão analisar melhor o fenómeno e depois tomar decisões políticas. “Temos tido, por exemplo, acções nas escolas e sabemos que essa será uma aposta a ser feita porque sabemos que quanto mais cedo se actuar nesta área mais efeitos positivos teremos”, refere Carla Tavares. Desde que foi criado, em 2008, no gabinete de apoio à vítima no âmbito da Rede Integrada de Intervenção para a Violência na Amadora (RIIVA), já foram feitos 183 atendimentos. O trabalho já efectuado e as práticas implementadas na Amadora já serviram de exemplo nacional. “Sempre que falamos de boas práticas a nível nacional referimos o Município da Amadora porque tem sido pioneiro de algumas medidas, seguindo as políticas nacionais”, salientou Marta Silva da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CCIG), organismo do Estado de que dependem as campanhas nacionais contra a violência doméstica. Milene Matos Silva

Cascais lança linha para os seniores

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No âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações A Câmara de Cascais já tem em funcionamento a Linha Sénior Cascais, um atendimento telefónico especializado para prestar apoio sobre questões relacionadas com a idade sénior. Apresentado, no passado dia 2 de Março, no Centro Cultural de Cascais, no âmbito do programa de comemorações do município para o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações, este novo serviço conta com a parceria do Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos. Com a Linha Sénior Cascais é possível obter informações sobre as mais variadas temáticas relacionadas com a faixa etária sénior: abandono, solidão, violência doméstica, acção social, serviços, projectos e equipamentos existentes, habitação, isolamento, lazer, legislação, obrigações familiares, respostas sociais, entre outras. Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, lançou a linha de apoio aos cidadãos seniores: “Eu acredito que só seremos um território próspero e feliz se combatermos a solidão. Solidão que é, no fundo, muitas vezes a grande doença que afecta os nossos idosos”. Além do envelhecimento activo, Carlos Carreiras falou também da solidariedade entre gerações, sublinhando a herança deixada àqueles que agora começam o seu percurso profissional: “A solidariedade entre gerações é uma estrada com dois sentidos”, reconheceu, dizendo de seguida que “o futuro dos nossos jovens foi amplamente prejudicado por gerações mais velhas que lutaram por direitos adquiridos para si, à custa de direitos subtraídos a outros”. Para que haja harmonia social, disse, “é fundamental que algumas injustiças que estão a ser cometidas contra os nossos jovens sejam reconhecidas. Sem isso, não há solidariedade entre gerações que resista”. A apresentação do programa direccionado aos seniores de Cascais foi ainda marcado pelos testemunhos de um munícipe sénior de Cascais e de três jovens estudantes da Escola Ibn Mucana (Alcabideche) envolvidos num dos muitos projectos intergeracionais desenvolvidos no concelho, destinados a proporcionar um envelhecimento activo à população. Na sessão estiveram também presentes Mariana Ribeiro Ferreira, presidente do Instituto da Segurança Social, e Frederico Pinho de Almeida, vereador da Habitação e Acção Social da Câmara de Cascais. A Linha Sénior junta-se, assim, à ampla oferta já existente no concelho de Cascais nos domínios do envelhecimento e da velhice, através de centros de convívio, apoio alimentar, lares para idosos, serviço da oficina social, teleassistência, ajudas técnicas, centros de dia e projectos como o Avós n@ net e Academia Móvel (formação em Tecnologias da Informação e da Comunicação), Seniores em Movimento (exercício físico), e outros – da responsabilidade da autarquia e organizações não- -governamentais. A Câmara de Cascais quer preparar o seu plano de actuação junto dos seniores, com base nos pilares do envelhecimento activo: “Participação, saúde e segurança”. Francisco Lourenço

CASCAIS Em plena harmonia com a Natureza

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Quinta Pedagógica Armando Villar permite vivenciar tradições e o contacto com fauna e flora O moinho de vento desperta a curiosidade de quem passa na 3.ª Circular. Mas é dentro da Quinta Pedagógica Armando Villar, situada na Quinta das Patinhas, que se fazem as maiores descobertas. Aprende-se a amassar o pão, conviver com os animais (burro de Miranda, porco preto, galinhas pretas lusitânicas, ovelhas da raça merino, peru saloio, entre outros) e conhecer os tradicionais instrumentos de rega (como a picota e a nora), bem como distinguir o cheiro das diferentes ervas aromáticas. Quando se atravessa a ponte de madeira, o mundo citadino fica para trás e uma nova realidade surge à frente do visitante, especialmente dos mais pequenos. Semeadas em fila, inúmeras plantações vão aparecendo. Pessegueiros, ameixoeiras, macieiras, antecedem a chegada à zona das hortas onde é possível ver alfaces, couves, amendoeiras em flor, favas, ervilhas, entre muitos outros produtos hortícolas. “A captação de água é feita pelosmeios tradicionais através do moinho americano de vento, anterior a 1900, que já esteve no mercado de Cascais, da picota (original da Mesopotâmia) e da nora, uma das principais atracções para as crianças que a visitam”, descreve Ricardo Villar. O responsável da Quinta Pedagógica Armando Villar contou ao JR como surgiu a ideia de criar este espaço direccionado para as crianças, famílias e visitas de estudo. “Nasci aqui e isto era o nosso jardim e tínhamos muitos animais domésticos. Com o passar dos anos, constatei que era uma obrigação minha partilhar um pouco com as crianças esta vivência que eu tive com os animais e as hortas. Dei o nome do meu avô à Quinta Pedagógica porque foi ele que a comprou (em 1940) e fez as primeiras obras”. A quinta pedagógica foi fundada em 2010 (Ano Internacional da Biodiversidade), mas até conseguir reunir as condições para concretizar o projecto de educação ambiental foi um longo caminho. “Quando peguei nela era um matagal de três metros de altura. Lembro que por causa das cheias, os muros da Ribeira das Vinhas estavam todos caídos. Tive de limpar quase um quilómetro de ribeira (da 3.ª Circular até à A5). Era tudo silvado e matagal”, frisou Ricardo Villar. Mas agora, “temos uma grande biodiversidade de espécies hortícolas e todos os animais de uma quinta portuguesa, com a particularidade de estarem em ambientes adequados. Por exemplo, temos as cabras em cima das rochas, patos e gansos com acessos directos ao rio, porco preto alentejano ao pé do sobreiro. Tudo raças autóctones reconhecidas por especialistas”. Um espaço para visitar, mas, acima de tudo, para aprender. “Isto não é um jardim zoológico. Aqui as crianças podem entrar e brincar com os animais. Pretendemos que as crianças interajam com os animais, que mexam nos ovos, nas galinhas e nos pintos e, assim, tenham respeito pelos animais, enquanto seres vivos”, revela Ricardo Villar. As espécies aromáticas são também uma das atracções: “Temos um espaço só de aromáticas, onde se pode distinguir a alfazema, do alecrim, a erva do caril”. Além disso, acrescentou este responsável, “as crianças têm também contacto com as formas de adubar as terras, como o composto (folhas secas e verdes) onde entram as minhocas e tornam isto num nutriente natural fabuloso”. Várias actividades pedagógicas decorrem ao longo da visita à Quinta. Elisabete Cortegano, engenheira agrónoma e coordenadora da Quinta Pedagógica, salienta que “este espaço foi projectado com o intuito de proporcionar às crianças a realização das actividades diárias de uma quinta tradicional, alertando-as para a importância da preservação da água e do meio ambiente. Para além de experimentarem os engenhos tradicionais de captação de água (picota e nora), e observarem o funcionamento de sistemas de rega tradicionais, o moinho de vento, as nossas hortas biológicas, pomares e jardim de aromáticas, os nossos pequenos visitantes podem interagir directamentecomos animais, participando na alimentação e tratamento diários das nossas espécies autóctones. As nossas actividades têm a duração de 2h30. Poderá escolher uma visita geral de duas horas ou quatro ateliês de trinta minutos”. Elisabete Cortegano acrescentou ainda que, “durante a semana, estamos reservados para escolas, temos como novidade a actividade relacionada com o ciclo do pão, na qual as crianças aprendem todo o processo de panificação”. “Aos sábados de manhã, das 10h00 às 12h30, estamos abertos para famílias. O valor da entrada é de 5 euros, excepto para crianças com menos de dois anos que não pagam. As inscrições devem ser feitas até à 5.ª-feira que antecede a visita. Dispomos ainda de um programa mensal de ‘workshops’ que podem ser consultados no nosso ‘site’: www.quintadovillar.com”, salienta esta responsável. Para os períodos de pausas lectivas, “dispomos de programas de Férias na Quinta. Já temos planeado o programa Férias na Quinta - Páscoa 2012 , que inclui actividades como passeios de burro, ateliês na horta, tratamento dos animais, ateliês de culinária, visita ao hotel para cães, insufláveis, artes plásticas e muitas surpresas”. A não perder, e tão perto do mundo urbano, paredes-meias com a A5, junto à 3.ª Circular. Francisco Lourenço