quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CASCAIS Protecção Civil em estado de exibição

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Grupos escolares são o principal público-alvo da Semana da Protecção Civil, no CascaiShopping Dar a conhecer os diferentes agentes de Protecção Civil e sensibilizar a população da existência de um sistema de Protecção Civil pronto a actuar é um dos objectivos da Semana da Protecção Civil de Cascais que decorre até dia 4 de Março, no CascaiShopping, com várias exposições e diversas actividades, entre as 10h00 e as 23h00. “É uma semana que pretende dar conhecimento à população em geral, e aos munícipes de Cascais em particular, o que a Protecção Civil faz e mostrar quem são os agentes que participam nas acções de socorro à população. Vamos ter vários 'stands' e também o trabalho de alguns alunos que retrata o conhecimento que têm da actividade da Protecção Civil. É uma semana de sensibilização e é isso que pretendemos fazer”, disse ao JR, o vereador da Protecção Civil Municipal, Pedro Mendonça. “Estimamos a visita de cerca de 1500 alunos e 28 escolas do Ensino Básico”, salientou o autarca. Para o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, “este é o reconhecimento de todo o serviço da Protecção Civil Municipal. Este é um exemplo de serviços que só são bons quando ninguém dá conta deles, mas que também não esquece o profissionalismo de todos os agentes. Fica sempre mais barato prevenir do que remediar e, por isso, a Câmara tem feito esforços para se preparar para o que ainda não surgiu”. Os pontos altos da semana vão ter lugar no dia 1 de Março, e correspondem a um exercício de busca e resgate, associado a uma colisão entre dois veículos, e ainda ao seminário “Sismos e Tsunamis em Cascais”, no Centro Cultural de Cascais, com a participação do Embaixador do Japão, Nobutaka Shinomiya, que irá falar sobre a forma como os japoneses reagiram à grande calamidade do ano passado. Até lá, o Dia Internacional da Protecção Civil será também comemorado, no átrio principal do CascaiShopping com uma exposição que visa dar a conhecer os diferentes agentes da Protecção Civil, entre os quais as corporações de Bombeiros Voluntários de Alcabideche, Carcavelos-S. Domingos de Rana, Estoris, Parede e Cascais, da PSP, GNR, Polícia Marítima, Polícia Municipal, EMAC, BARC – Brigada Autónoma de Resgate Canino, ARC–Associação de Resgate Cinotécnico, ANAFS – Associação Nacional dos Alistados das Forças Sanitárias, Câmara de Cascais e Sonae Sierra. Tanto no interior (átrio e salas de cinema), como no exterior do centro comercial decorrem diversas acções destinadas a proporcionar à população um melhor conhecimento do que fazem os agentes da Protecção Civil. São disso exemplo sessões de sensibilização sobre medidas de autoprotecção em caso de sismo para escolas e público em geral e demonstrações cinotécnicas e de salvamento de vítimas. A semana será também marcada por visitas diárias das escolas do concelho à exposição, bem como pela realização de demonstrações das unidades cinotécnica (PSP), de cavalaria (GNR) e de explosivos (GNR) e ainda de um exercício de busca e resgate, associado a um acidente rodoviário. Na passada segunda-feira, foi a vez da visita da Escola EB1 de Manique. Os alunos puderam, entre outras actividades, experimentar a plataforma de simulação de sismos. Foi o caso de Margarida Torrens, de 11 anos, que confessou “um bocado de medo. Tremeu muito”. Carolina Gonçalves, de 10 anos, foi, por seu turno, uma das alunas que viu o seu trabalho exposto no CascaiShopping. “Fiz um trabalho de grupo que era um panfleto com os cuidados a ter em caso de sismos. Por exemplo, devemos baixar-nos e proteger-nos. Se estivermos na rua, devemos ir para um sítio sem construções à volta”. A lição também foi aprendida por Tatiana Lucena que achou “giro o simulacro de sismos”. Francisco Lourenço

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Bons exemplos empresariais em Sintra

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Ministro da Economia visita fábrica das míticas pastilhas Gorila e enaltece capacidade exportadora da Lusiteca Fazem parte das recordações de infância de milhares de portugueses e a fábrica que as produz, sediada no concelho de Sintra, quer recuperar a projecção que a marca já teve. Falamos das míticas pastilhas Gorila, produzidas pela Lusiteca, em Mem Martins, e que, apesar da perda de quota de mercado no nosso país, são muito apreciadas em vários países do Médio Oriente ou de África. É para aí que vai grande parte das quatro mil toneladas de pastilhas, caramelos e rebuçados que a Lusiteca produz anualmente, a que corresponde um volume de facturação na ordem dos dez milhões de euros. "São as únicas pastilhas cem por cento portuguesas. Por dia, fazemos mais de 2,5 milhões", destacou Francisco Ramos, director-geral de área de negócio da Lusiteca, durante a visita que o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, realizou àquela unidade fabril na tarde de sexta-feira. "Temos aqui 160 postos de trabalho e o objectivo é crescer, a partir de um novo posicionamento das marcas Gorila e Penha, de modo a expandir e a aumentar o volume de vendas em Portugal e conquistar outros mercados, como Marrocos ou a Rússia", revelou o mesmo responsável. Ao lado de Fernando Seara, o ministro da Economia percorreu toda a fábrica, contactou com os funcionários e demonstrou curiosidade sobre os métodos de fabrico dos milhares de caramelos, rebuçados e pastilhas que saíam das respectivas linhas de produção. "Ora aqui está um belo exemplo de uma empresa que está a apostar no seu crescimento", referiu o ministro por diversas vezes, antes de anunciar aos jornalistas algumas das medidas que o Governo tem para moralizar o emprego e as exportações. Antes da Lusiteca, Álvaro Santos Pereira já tinha visitado outra empresa de sucesso no concelho, a Würth, líder mundial em produtos de montagem e fixação. Neste caso não se coloca o factor exportação, mas antes a forma de escoar produtos para dois dos sectores mais afectados pela crise: a construção civil e a indústria automóvel. Os responsáveis da Würth lembraram ao ministro que a "falta de crédito" está a asfixiar muitas das empresas clientes da multinacional sediada na Abrunheira, responsável por 730 postos de trabalho (em todo o país) e por um volume de vendas superior a 55 milhões de euros. No seu périplo por Sintra, o titular da pasta da Economia contactou ainda com uma realidade empresarial bem diferente, a da Parques de Sintra-Monte da Lua, responsável pela gestão e manutenção dos parques históricos de Sintra e agora também pelos palácios nacionais da Pena, Sintra e Queluz. Na Pena foi mostrado todo o trabalho de restauro em curso no interior do monumento, nomeadamente, das cúpulas douradas, do salão nobre, da janela neomanuelina, de pinturas murais e da colecção de vitrais de D. Fernando II. Paulo Parracho

SEGURANÇA Belas exige esquadra

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PSP assume importância de dispor de nova unidade Belas, a maior freguesia sob responsabilidade da PSP, continua a reivindicar a instalação de uma esquadra no seu território. Ano após ano, as promessas têm sido inúmeras, mas a freguesia de Belas continua sem instalações das forças de segurança. Por ironia das ironias, Belas até dispõe da sede da elite da PSP, que integra o Grupo de Operações Especiais e o Corpo de Segurança Pessoal, mas, no dia-a-dia, o patrulhamento resume-se aos efectivos destacados pela esquadra de Massamá. Para o presidente da Junta de Freguesia, Guilherme Dias, apesar de ressalvar o bom trabalho dos agentes destacados, "não é o pessoal da esquadra de Massamá que consegue dar assistência a uma área tão grande como é Belas". A freguesia assume-se, aliás, como um ponto de passagem das rotas da criminalidade. Guilherme Dias recorda que, quando a GNR tutelava aquele território, alguns assaltos feitos em Colares acabavam em perseguição e detenções em Belas. "Os responsáveis da PSP têm reconhecido, ao longo dos anos, que Belas é um ponto vital para ter uma esquadra, faz falta como do ‘pão para a boca’. O Belas Clube de Campo já está com problemas de segurança", alerta o eleito. A própria dinâmica comercial de Belas impõe um reforço do policiamento. "Uma esquadra faz-nos muita falta", reforça o autarca, dando conta de frequentes assaltos a estabelecimentos comerciais. Mas, também já ocorreram situações de roubos de "cabos telefónicos e linhas aéreas". Apesar de muitas localizações já terem sido apontadas, para a esquadra da PSP, o autarca identifica instalações privadas situadas nas imediações da Rotunda do Bombeiro, na Rua Domingos Jardo, "que era o ideal" e já foi mesmo visitado por elementos do Ministério da Administração Interna para avaliarem a necessidade de obras de adaptação. "Mas, vão passando os dias, as semanas e os meses e este processo não anda", lamenta o presidente da Junta de Freguesia, que considera que um efectivo de 40 agentes seria suficiente. O autarca lança o repto à Câmara de Sintra para que possa contribuir para o avanço da instalação da PSP na freguesia. Confrontado com esta reivindicação, o comandante da Divisão de Sintra, Hugo Palma, reconhece que "Belas, sendo a maior freguesia em termos de área sob a nossa responsabilidade, faz sentido ter uma esquadra". Mas, uma decisão nesse sentido cabe à esfera política. "A decisão é política, as propostas estão feitas", acentua o responsável da PSP. "O centro da Vila de Belas é da responsabilidade da esquadra de Massamá que, de facto, está um pouco afastada em termos geográficos", salienta este operacional que reconhece que veria com bons olhos a abertura de nova unidade em Belas. "Enquanto comandante de Divisão, quanto mais subunidades tiver disponível, maior será o número de efectivos policiais que me serão atribuídos", frisa Hugo Palma. No entanto, este responsável adverte que parte da freguesia de Belas acaba por ser patrulhado pelos efectivos da Esquadra de Casal de Cambra. "Tendo em conta que Casal de Cambra é uma freguesia pequena, a esquadra local acaba por assegurar o patrulhamento mais a norte da freguesia de Belas, como a zona da Serra de Casal de Cambra, Belas Clube de Campo e Serra da Silveira". João Carlos Sebastião

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

FREGUESIA DA CAPARICA Pólo de centralidade tecnológica

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Junta quer promover desenvolvimento local A Freguesia da Caparica, segunda mais antiga do concelho mas também a segunda com mais população jovem, é a que concentra mais pólos de ensino superior e empresas das novas tecnologias. No entanto, ainda é classificada como freguesia rural, o que para a presidente da Junta “é ridículo”. Diz Teresa Coelho que a localidade está em franco desenvolvimento, mas este “planeamento” demora algum tempo a ser reconhecido. O certo é que a freguesia da Caparica abriga instituições como a Faculdade de Ciências e Tecnologia, a Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz e o Instituto de Cardiologia Preventiva de Almada, entre outros espaços como o Madan Parque, considerados de primeira linha à escala europeia. Isto, para além de muitos estudos na área de protecção civil, a nível nacional e internacional, decorrerem neste território. Mesmo assim, “não existe um reconhecimento sobre o desenvolvimento desta freguesia”, lamenta a autarca. “Tem faltado promoção”, considera. O facto é que a freguesia cresceu em demografia passando de 16 mil para cerca de 20 mil e 400 residentes entre os censos de 2001 e 2011, que perceberam as vantagens de residir numa localidade que está próxima do centro do concelho, tem as praias da Costa como vizinhas e está a um passo de Lisboa. De facto, a localidade continua muito associada aos bairros sociais, mas até esta realidade está a ser alterada. Em Abril deverá ser inaugurado o Centro Cívico da Caparica e com este a população local vai dispor de um complexo de piscinas e uma biblioteca. “Estes equipamentos reforçam a nova centralidade da freguesia”, comenta Teresa Coelho que aponta ainda para projectos em andamento como o novo jardim do centro urbano e espaços pedonais na zona histórica da vila. “Tudo nesta freguesia está a ser planeado”. Mesmo assim a autarca considera necessárias mais obras a nível de infra-estruturas, particularmente para apoio à população mais idosa. “Preocupa-me muito a solidão em que muitos vivem”. E diz que muitos encontram amparo nas colectividades locais, mas não dispensa a construção de “um centro de dia no Monte de Caparica”. Outro problema são os “novos pobres”. “Todos os dias surgem- me famílias a pedir auxílio”, afirma. Esta realidade leva Teresa Coelho a considerar a necessidade de ser criado outro tipo de respostas porque “a acção social não está preparada para estas situações”. E mais a preocupa ainda quando está na ordem do dia o “aumento das rendas sociais”. “Vai ser outra luta” diz, e garante não baixar os braços, mais ainda numa freguesia que tem a marca de trabalho solidário, com muitas instituições com este carácter aqui instaladas. “Quando vim para a freguesia, em 1988, nem parques infantis existiam, hoje temos várias instituições de solidariedade aqui a funcionar, como a UMAR e a AMI, para além de várias valências da Santa Casa da Misericórdia de Almada", conclui. Humberto Lameiras

Trafaria quer manter-se independente

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Fusão de freguesias debatida pela população A conclusão das obras do mercado e dos planos de pormenor do Torrão, 2.º Torrão e Frente Ribeirinha são algumas das preocupações da população da freguesia da Trafaria. Foram matérias apresentadas no primeiro fórum público deste ano, integrado no ciclo “Opções Participativas”, organizado pela Câmara de Almada. Um debate que no entanto acabou por ser mais marcado pelo debate sobre a agregação da freguesia, com alguns intervenientes a defenderem opções alinhadas com a Lei n.º 44/XII, sobre a Reorganização Administrativa Territorial Autárquica, proposta pelo Governo, enquanto outros não aceitam que a Trafaria perca a condição de freguesia. Diferenças de opinião que deram origem a um debate aceso, principalmente quando o munícipe Alexandre Guerreiro defendeu a tese divulgada pelo CDS que aponta para a “fusão” da freguesia da Caparica/Trafaria, e que a mesma “não implica extinção”; ou seja, recuar até à divisão de território que existia em 1985. De imediato se fizeram ouvir na sala contestações a esta proposta por parte de outros munícipes, com alguém a lembra que “depois do Governo querer isolar a Trafaria tirando-nos a ligação fluvial, agora querem acabar com a freguesia". Mas para a presidente da Junta de Freguesia da Trafaria, Francisca Parreira, este é um argumento que não colhe. “Quando algo se funde algo se extingue” e no caso da freguesia da Trafaria “é impensável recuar no tempo e unir duas freguesias com diferenças assinaláveis”. No mesmo sentido foi a intervenção de José Manuel, natural da Trafaria, que para além de não abdicar da condição de freguesia, ressalvou que a prioridade é resolver alguns problemas relacionados com os esgotos e “impedir a vinda de contentores, do Porto de Lisboa, para a Trafaria”. É que esta localidade “não pode transformar- se numa zona assombrada”. Lembra este trafariense que a terra “já conseguiu vencer muitas lutas e vai conseguir vencer mais algumas”. Uma opinião que abriu a porta à presidente da Câmara de Almada para reafirmar que o município não aceita a redução do número de freguesias de onze para cinco, como tem sido proposto. Maria Emília de Sousa vincou a descentralização da Câmara passou para as freguesias, “com as devidas verbas” e elevou o trabalho destas até nas questões económicas. “Da mesma forma que os concelhos gerem melhor as obras locais que o poder central, também as freguesias conseguem fazer obra economizando mais do que as câmaras”. Para a edil isto só é possível “pela proximidade com a população e melhor conhecimento dos problemas no seu território”. Humberto Lameiras

OEIRAS Comandante de Cascais lidera PSP de Oeiras

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A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP) considera que o facto de as divisões da PSP de Oeiras e Amadora estarem sem comandante "há vários meses" põe em causa a operacionalidade e a segurança destes dois concelhos. "A Amadora está sem comandante há meio ano e Oeiras já vai para dois meses. Não me parece que seja aconselhável que estas divisões estejam tanto tempo sem comandante porque, assim, a divisão não pode seguir uma política de segurança e dar resposta as solicitações em termos de criminalidade que possam acontecer naqueles concelhos", disse à Agência Lusa o presidente da distrital de Lisboa da ASPP/PSP, José Mendes. O responsável sindical adiantou que a divisão da Amadora está a ser liderada pelo comandante de Sintra e que a de Oeiras se encontra a ser chefiada pelo comandante de Cascais, uma vez que os antigos responsáveis se aposentaram. "Isto repercute-se na área operacional. Um comandante de divisão é um comandante operacional, que tem que conhecer a área, para poder dar resposta ao tipo de criminalidade que é praticada naquela zona", disse. José Mendes considerou que o facto de não haver um comandante destacado apenas para uma divisão faz com que "uma delas fique em segundo plano". A Agência Lusa tentou obter esclarecimentos da direcção nacional da PSP, mas não obteve resposta até ao momento.

RIBEIRA DA OUTURELA Primeira horta comunitária na forja

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Projecto arranca em Maio Até finais de Maio, Oeiras assistirá ao nascimento da sua primeira horta comunitária. No trilho de iniciativas semelhantes já desenvolvidas em concelhos vizinhos, a Câmara Municipal está a ultimar os preparativos para lançar à terra, na Outurela (Carnaxide), mais concretamente na margem esquerda da ribeira que ali existe (perto da Escola Amélia Vieira Luís), a semente que promete frutificar e começar a responder aos cada vez mais numerosos pedidos para a criação deste tipo de estruturas. Além deste projecto-piloto, que terá 20 talhões com cerca de 30 m2 cada, há réplicas na calha para outras zonas do concelho, de que são exemplos a Urbanização do Alto da Terrugem (Paço de Arcos, junto ao Hotel Real Oeiras), um quarteirão interior localizado em Cacilhas (freguesia de Oeiras) e no chamado Quintalão de Algés. O objectivo é proporcionar aos novos ‘agricultores’ as vantagens associadas a estas iniciativas: ocupação saudável de tempos livres, terapia anti-stress, convívio, e estímulo ao consumo auto-sustentável e ao contacto com a Natureza. Fora de enquadramento legal ficam, por agora, as inúmeras hortas clandestinas que têm surgido na via pública e onde o cultivo de produtos obedece a motivações de maior angústia: em vez da fome de beleza e de bem-estar, nestas parcelas de terreno improvisadas há mesmo a intenção de matar a fome... Segundo revelou ao JR Augusto Couto, arquitecto da Divisão de Espaços Verdes (DEV), o grupo de trabalho que vem desbravando caminho nesta nova área de actuação camarária já submeteu a consideração superior, para avaliação e decisão, informação global sobre os vários modelos existentes, bem como uma proposta mais concreta. As ponderações incluem deixar a gestão a cargo das juntas de freguesia, de empresas especializadas ou ser a própria Câmara a assegurar essa função, mas também a necessidade de ministrar formação adequada aos munícipes aderentes, o pagamento ou não de uma quantia simbólica pelo acesso às hortas, a necessidade de um regulamento que uniformize os diferentes locais de cultivo... De momento, o modelo proposto pelo grupo de trabalho interdisciplinar aponta para a possibilidade de ser a autarquia a fazer a gestão destes espaços, cobrando uma quantia simbólica, “mas todas as possibilidades estão em aberto”. Certo é que “em finais de Maio já haverá uma horta comunitária a funcionar na Outurela, e as outras que estão previstas poderão surgir praticamente em paralelo, se tal se enquadrar na definição de prioridades da Câmara”, indica Augusto Couto. A área disponibilizada para projecto-piloto diz respeito a um terreno cedido como contrapartida do urbanizador pela construção dos prédios ali existentes. “Será uma mistura de jardim com horta, uma obra inserida no projecto de corredor verde da Ribeira da Outurela”, especifica aquele elemento da DEV, adiantando que os futuros agricultores terão acesso a água disponibilizada pela autarquia e não à da ribeira que ali corre ao lado, uma vez que “infelizmente, as águas das ribeiras ainda têm poluição em níveis não isentos de riscos para poder ser usada em rega de plantas para alimentação”. Apesar de estar em fase de conclusão um levantamento das hortas espontâneas existentes no concelho, por agora a acção da Câmara restringir-se-á às hortas comunitárias, vocacionadas para a classe média, deixando para mais tarde a abordagem às de génese espontânea. Estas podem ser clandestinas ou particulares (sendo que aquelas se referem apenas às que são criadas em espaço público e onde o papel fiscalizador e ordenador da edilidade se impõe) e dizem respeito a uma agricultura de subsistência, muitas vezes praticada junto a bairros municipais, em terrenos públicos improvisados ou privados, geralmente por pessoas que vêem nelas um complemento importante para a sua alimentação diária. “Temos tido cada vez mais pedidos de criação de hortas comunitárias”, salienta Augusto Couto, adiantando que a Câmara tem recebido propostas por parte de empresas e associações ligadas a esta área. Quanto à necessária formação, aquele responsável reconhece que a autarquia não tem especialistas nesta área, podendo, pois, vir a ser necessário recorrer a contratação externa, caso não haja oferta desse serviço por parte de alguma associação habilitada para tal. Com maior ou menor dificuldades, certo é que este “é um projecto com grande capacidade de expansão, havendo inclusivamente a ideia de o estender a algumas antigas quintas de recreio do concelho”. Jorge A. Ferreira