sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Trafaria quer manter-se independente

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Fusão de freguesias debatida pela população A conclusão das obras do mercado e dos planos de pormenor do Torrão, 2.º Torrão e Frente Ribeirinha são algumas das preocupações da população da freguesia da Trafaria. Foram matérias apresentadas no primeiro fórum público deste ano, integrado no ciclo “Opções Participativas”, organizado pela Câmara de Almada. Um debate que no entanto acabou por ser mais marcado pelo debate sobre a agregação da freguesia, com alguns intervenientes a defenderem opções alinhadas com a Lei n.º 44/XII, sobre a Reorganização Administrativa Territorial Autárquica, proposta pelo Governo, enquanto outros não aceitam que a Trafaria perca a condição de freguesia. Diferenças de opinião que deram origem a um debate aceso, principalmente quando o munícipe Alexandre Guerreiro defendeu a tese divulgada pelo CDS que aponta para a “fusão” da freguesia da Caparica/Trafaria, e que a mesma “não implica extinção”; ou seja, recuar até à divisão de território que existia em 1985. De imediato se fizeram ouvir na sala contestações a esta proposta por parte de outros munícipes, com alguém a lembra que “depois do Governo querer isolar a Trafaria tirando-nos a ligação fluvial, agora querem acabar com a freguesia". Mas para a presidente da Junta de Freguesia da Trafaria, Francisca Parreira, este é um argumento que não colhe. “Quando algo se funde algo se extingue” e no caso da freguesia da Trafaria “é impensável recuar no tempo e unir duas freguesias com diferenças assinaláveis”. No mesmo sentido foi a intervenção de José Manuel, natural da Trafaria, que para além de não abdicar da condição de freguesia, ressalvou que a prioridade é resolver alguns problemas relacionados com os esgotos e “impedir a vinda de contentores, do Porto de Lisboa, para a Trafaria”. É que esta localidade “não pode transformar- se numa zona assombrada”. Lembra este trafariense que a terra “já conseguiu vencer muitas lutas e vai conseguir vencer mais algumas”. Uma opinião que abriu a porta à presidente da Câmara de Almada para reafirmar que o município não aceita a redução do número de freguesias de onze para cinco, como tem sido proposto. Maria Emília de Sousa vincou a descentralização da Câmara passou para as freguesias, “com as devidas verbas” e elevou o trabalho destas até nas questões económicas. “Da mesma forma que os concelhos gerem melhor as obras locais que o poder central, também as freguesias conseguem fazer obra economizando mais do que as câmaras”. Para a edil isto só é possível “pela proximidade com a população e melhor conhecimento dos problemas no seu território”. Humberto Lameiras

OEIRAS Comandante de Cascais lidera PSP de Oeiras

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A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP) considera que o facto de as divisões da PSP de Oeiras e Amadora estarem sem comandante "há vários meses" põe em causa a operacionalidade e a segurança destes dois concelhos. "A Amadora está sem comandante há meio ano e Oeiras já vai para dois meses. Não me parece que seja aconselhável que estas divisões estejam tanto tempo sem comandante porque, assim, a divisão não pode seguir uma política de segurança e dar resposta as solicitações em termos de criminalidade que possam acontecer naqueles concelhos", disse à Agência Lusa o presidente da distrital de Lisboa da ASPP/PSP, José Mendes. O responsável sindical adiantou que a divisão da Amadora está a ser liderada pelo comandante de Sintra e que a de Oeiras se encontra a ser chefiada pelo comandante de Cascais, uma vez que os antigos responsáveis se aposentaram. "Isto repercute-se na área operacional. Um comandante de divisão é um comandante operacional, que tem que conhecer a área, para poder dar resposta ao tipo de criminalidade que é praticada naquela zona", disse. José Mendes considerou que o facto de não haver um comandante destacado apenas para uma divisão faz com que "uma delas fique em segundo plano". A Agência Lusa tentou obter esclarecimentos da direcção nacional da PSP, mas não obteve resposta até ao momento.

RIBEIRA DA OUTURELA Primeira horta comunitária na forja

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Projecto arranca em Maio Até finais de Maio, Oeiras assistirá ao nascimento da sua primeira horta comunitária. No trilho de iniciativas semelhantes já desenvolvidas em concelhos vizinhos, a Câmara Municipal está a ultimar os preparativos para lançar à terra, na Outurela (Carnaxide), mais concretamente na margem esquerda da ribeira que ali existe (perto da Escola Amélia Vieira Luís), a semente que promete frutificar e começar a responder aos cada vez mais numerosos pedidos para a criação deste tipo de estruturas. Além deste projecto-piloto, que terá 20 talhões com cerca de 30 m2 cada, há réplicas na calha para outras zonas do concelho, de que são exemplos a Urbanização do Alto da Terrugem (Paço de Arcos, junto ao Hotel Real Oeiras), um quarteirão interior localizado em Cacilhas (freguesia de Oeiras) e no chamado Quintalão de Algés. O objectivo é proporcionar aos novos ‘agricultores’ as vantagens associadas a estas iniciativas: ocupação saudável de tempos livres, terapia anti-stress, convívio, e estímulo ao consumo auto-sustentável e ao contacto com a Natureza. Fora de enquadramento legal ficam, por agora, as inúmeras hortas clandestinas que têm surgido na via pública e onde o cultivo de produtos obedece a motivações de maior angústia: em vez da fome de beleza e de bem-estar, nestas parcelas de terreno improvisadas há mesmo a intenção de matar a fome... Segundo revelou ao JR Augusto Couto, arquitecto da Divisão de Espaços Verdes (DEV), o grupo de trabalho que vem desbravando caminho nesta nova área de actuação camarária já submeteu a consideração superior, para avaliação e decisão, informação global sobre os vários modelos existentes, bem como uma proposta mais concreta. As ponderações incluem deixar a gestão a cargo das juntas de freguesia, de empresas especializadas ou ser a própria Câmara a assegurar essa função, mas também a necessidade de ministrar formação adequada aos munícipes aderentes, o pagamento ou não de uma quantia simbólica pelo acesso às hortas, a necessidade de um regulamento que uniformize os diferentes locais de cultivo... De momento, o modelo proposto pelo grupo de trabalho interdisciplinar aponta para a possibilidade de ser a autarquia a fazer a gestão destes espaços, cobrando uma quantia simbólica, “mas todas as possibilidades estão em aberto”. Certo é que “em finais de Maio já haverá uma horta comunitária a funcionar na Outurela, e as outras que estão previstas poderão surgir praticamente em paralelo, se tal se enquadrar na definição de prioridades da Câmara”, indica Augusto Couto. A área disponibilizada para projecto-piloto diz respeito a um terreno cedido como contrapartida do urbanizador pela construção dos prédios ali existentes. “Será uma mistura de jardim com horta, uma obra inserida no projecto de corredor verde da Ribeira da Outurela”, especifica aquele elemento da DEV, adiantando que os futuros agricultores terão acesso a água disponibilizada pela autarquia e não à da ribeira que ali corre ao lado, uma vez que “infelizmente, as águas das ribeiras ainda têm poluição em níveis não isentos de riscos para poder ser usada em rega de plantas para alimentação”. Apesar de estar em fase de conclusão um levantamento das hortas espontâneas existentes no concelho, por agora a acção da Câmara restringir-se-á às hortas comunitárias, vocacionadas para a classe média, deixando para mais tarde a abordagem às de génese espontânea. Estas podem ser clandestinas ou particulares (sendo que aquelas se referem apenas às que são criadas em espaço público e onde o papel fiscalizador e ordenador da edilidade se impõe) e dizem respeito a uma agricultura de subsistência, muitas vezes praticada junto a bairros municipais, em terrenos públicos improvisados ou privados, geralmente por pessoas que vêem nelas um complemento importante para a sua alimentação diária. “Temos tido cada vez mais pedidos de criação de hortas comunitárias”, salienta Augusto Couto, adiantando que a Câmara tem recebido propostas por parte de empresas e associações ligadas a esta área. Quanto à necessária formação, aquele responsável reconhece que a autarquia não tem especialistas nesta área, podendo, pois, vir a ser necessário recorrer a contratação externa, caso não haja oferta desse serviço por parte de alguma associação habilitada para tal. Com maior ou menor dificuldades, certo é que este “é um projecto com grande capacidade de expansão, havendo inclusivamente a ideia de o estender a algumas antigas quintas de recreio do concelho”. Jorge A. Ferreira

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

CASCAIS CERCICA inaugura centro de recursos

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Novo pólo de Tecnologias de Informação e Comunicação A CERCICA (Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais) inaugurou, no passado dia 16, o novo pólo de formação em Tecnologias de Informação e Comunicação, com o objectivo de combater a infoexclusão das pessoas com deficiências e incapacidades. O novo Centro de Recursos TI para a Inclusão foi criado em parceria com a Fundação Vodafone Portugal e com a Câmara de Cascais e está equipado com amais moderna tecnologia, adaptada a várias incapacidades. Vai estar aberto não só aos 200 utentes da CERCICA, mas também a um conjunto alargado de professores, formadores, monitores e a toda a comunidade no sentido de potenciar as excelentes oportunidades que as Tecnologias de Informação proporcionam para aumentar a autonomia pessoal do cidadão com deficiência. Pedro Alarcão, presidente da CERCICA, disse que “com este novo projecto vamos aumentar os nossos serviços e capacidades para as mais diversas pessoas com deficiência e profissionais que com elas trabalham.Todas as pessoas do concelho poderão também usar este centro”. A Fundação Vodafone Portugal ofereceu todo o equipamento informático e disponibilizou os seus colaboradores para a montagem da tecnologia, enquanto a Câmara de Cascais financiou a adaptação do edifício. António Carrapatoso, presidente da Fundação Vodafone Portugal, realçou a satisfação pelo envolvimento neste projecto: “Nós não damos apenas um cheque, procuramos também estabelecer parcerias com as instituições porque há muito a aprender”. Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, frisou a importância da Internet nos tempos que correm: “Está tudo na Internet, mas nem todos estão na Internet. Na Internet criou-se liberdade, conhecimento e oportunidades para muitos. Mas outros foram deixados fora do futuro. Hoje, na CERCICA, com a inauguração de uma sala dedicada às Tecnologias de Informação, demos um grande passo para derrubarmos os muros do preconceito e da exclusão. Ligámos mais cidadãos em rede dando-lhes a oportunidade de criar novos laços e descobrir novos mundos. À Vodafone Portugal agradeço o apoio à Cercica que, juntamente com a Câmara de Cascais, contribuiu para ligar mais cidadãos como nós a este nosso mundo global”. O centro funcionará numa sala de formação com equipamento informático e periféricos adaptados a problemas neuromotores, cognitivos e visuais e com ‘software’ específico de comunicação facilitador da utilização dos equipamentos por todas as pessoas com deficiências e incapacidades. Francisco Lourenço

CASCAIS ‘Há muito por fazer’ no fundo do mar

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Apresentação dos resultados da campanha de levantamento subaquático ao largo de Cascais Ainda há “muito trabalho a fazer” para juntar todas as peças do ‘puzzle’ que compõem a história dos naufrágios à entrada de Lisboa e ao longo da costa de Cascais. Esta é, porventura, a conclusão mais sólida de todas as que foram apresentadas, na passada quinta- feira, no Museu do Mar, pelo grupo de arqueólogos que, no último trimestre do ano passado, mergulharam a fundo, literalmente, neste tema ao longo da costa de Cascais, entre a Guia e Carcavelos e ao largo do Forte de São Julião da Barra. Os trabalhos consistiram no registo gráfico e fotográfico e na georreferenciação dos vestígios mais relevantes, a incorporar na Carta Arqueológica Subaquática de Cascais. Uma missão que trouxe, por arrasto, a descoberta de novos vestígios, além de colocar em causa algumas ideias feitas quanto às peças recolhidas noutros anos, nomeadamente uma “excessiva ligação” ao célebre naufrágio da nau “Nossa Senhora dos Mártires”, ocorrido em 1606, em São Julião da Barra. “A reavaliação desses materiais permitiu-nos ter evidências de outras épocas, desde o século XVI ao século XX, apontando para realidades culturais de diferentes países, como Portugal, Espanha,França e Inglaterra”, explicou ao JR Jorge Freire, responsável pela Carta Arqueológica e co-responsável pelos trabalhos ao largo daquele forte, situado na fronteira entre os concelhos de Oeiras e Cascais. Razão pela qual o esclarecimento cabal dos muitos naufrágios ocorridos naquela porta marítima de entrada para Lisboa (os mais antigos na barra Norte e os mais recentes na barra a Sul) exige futuras expedições. Uma continuidade assegurada, segundo garantiram os arqueólogos. “No fundo, o que fizemos foi uma tentativa de conhecer melhor a realidade para nos próximos anos procurarmos, então, intervir de forma mais consistente”, resumiu aquele investigador do Centro Histórico Além- -Mar (CHAM), entidade que se associou, em protocolo, com a Câmara de Cascais para este projecto, que beneficiou, ainda, do apoio do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e da Câmara de Oeiras, para além de empresas privadas e particulares. O mapeamento agora concretizado pretendeu trazer maior rigor às referências geográficas anteriormente disponíveis. “Não havia os meios técnicos que existem agora”, explicou António Fialho, arqueólogo ao serviço da autarquia cascalense e co-responsável pela Carta Arqueológica Subaquática de Cascais, explicando que a diferença reside no facto de agora se colocar o GPS ‘mesmo em cima’ do vestígio encontrado, ao passo que anteriormente o aparelho era accionado a bordo, à superfície. Quase nada do que foi visto nas profundezas do oceano foi trazido para terra, na senda das práticas recomendadas pelos organismos internacionais, que apelam à preservação dos vestígios onde eles estão. A excepção foi um pedaço de uma peça de faiança azul que ficaria em risco de se perder caso não fosse resgatada. O reconhecimento agora realizado permitiu rectificar a realidade conhecida, nuns casos, e alargou-a noutros. “O importante da monitorização e de voltar aos sítios é precisamente relocalizar mais coisas porque há sempre processos sedimentares, ou há um desassoreamento na sequência do qual há mais peças que aparecem e é necessário registá-las; por outro lado, no decurso do próprio método prospectivo acabamos por encontrar mais coisas”, confirmou Jorge Freire. E prosseguiu dando exemplos:“Em Carcavelos, andávamos a tentar localizar – e acabámos por localizar – uma âncora e um canhão. Infelizmente, havia mais um conjunto de cinco canhões, mas esse não conseguimos localizar. Em contrapartida, encontrámos um destroço de navio, bem composto, com o qual não contávamos e, por isso mesmo, este ano vamos ter de lá voltar para o caracterizar com maior precisão”. Outra das novidades apareceu a 30metros de profundidade – o mais fundo detectado até agora – na zona da Guia. Se estes dois exemplares se revelaram bastante coesos, um terceiro navio que até agora não era conhecido foi encontrado, igualmente na área da Guia, mas em estado de dispersão dos elementos. A estes juntam-se, na linha Carcavelos-Guia, outras embarcações que já estavam referenciadas no trabalho realizado nos três anos mais recentes, num total de 10. “São navios de ferro, do século XIX a maior parte, alguns já provavelmente do início do século XX”, indica Jorge Freire. Para além de “um conjunto de espólio que são achados, num total de 24, que podem ser ou não destroços de navios naufragados”. Quanto ao mar junto ao Forte de São Julião da Barra, verdadeiro ‘alfobre’ de naufrágios, José Bettencourt, arqueólogo do CHAM e responsável por aquela zona, também frisou que as peças assinaladas “são só um ponto de partida para um trabalho mais profundo”, uma vez que “é enorme o potencial a explorar”. Segundo explicou, a zona foi dividida em três áreas, englobando um total de “57 ocorrências com valor patrimonial”, entre canhões, balas de ferro ou de pedra, âncoras e muitos outros materiais… No entanto, os 28 sítios que estavam referenciados à partida não foram confirmados, ainda, pelas expedições realizadas em Outubro e Novembro do ano passado. “Há erros bastante significativos no posicionamento dos diversos materiais em relação ao que estava descrito”, sublinhou aquele investigador. Tal como a associação ao naufrágio do Nossa Senhora dos Mártires foi “excessiva” em relação a vários vestígios já conhecidos. No campo das hipóteses fica “uma estrutura de madeira”, agora encontrada, e que “pode ou não estar ligada” aos despojos daquela nau, deixando porta aberta a novas revelações. Certo, portanto, é que ainda há muitas dúvidas e mistérios por desvendar no fundo do mar de Cascais… Para já, segundo adiantou António Carvalho, director do Departamento de Cultura do município, a próxima fase do projecto será de avaliação científica dos vestígios e a sua preservação no novo centro de reservas arqueológicas. Jorge A. Ferreira

AMADORA Funerais ficam por pagar

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Agências querem receber directamente da Segurança Social As agências funerárias também se debatem com problemas de cobranças. Nos últimos tempos tem aumentado o número de casos em que os funerais ficam por pagar, acarretando centenas de euros de prejuízos para as empresas. O assunto é delicado, mas reflecte o momento de crise em que vivemos e também a falta de escrúpulos. Muitos cidadãos solicitam crédito junto das agências para a realização de determinado funeral com a promessa de realizar o pagamento logo que a Segurança Social avance com o respectivo subsídio. Porém, como o subsídio é entregue aos descendentes ou herdeiros, e não às funerárias, muitas são as vezes em que o pagamento fica por fazer. A situação “afecta todas as funerárias”, lamenta Maria Cândida Pedroso, proprietária de uma agência na Amadora. “A lei obriga a que se faça o funeral e só com a factura respectiva é que a família pode reclamar o reembolso do valor junto da Segurança Social. Mas, o que acontece é que muitos recebem a verba e nunca chegam a pagar o funeral” lamenta. Isabel Pedro, uma outra proprietária de uma agência funerária familiar, situada na Venda Nova, queixa-se de dívidas “à volta de oito mil euros, referentes a sete situações diferentes”. Casos que “têm vindo a aumentar nos últimos anos”, lamenta. “São circunstâncias em que as pessoas se apanham com o dinheiro atribuído pela Segurança Social na mão e acabam por não pagar, tornando a cobrança muito difícil”, considera. Estas situações ocorrem, sobretudo, nos casos que não há descendentes com direito a receber pensão, sendo o funeral pago pela Segurança Social. “Já alertámos os responsáveis para estas situações. Defendemos que deveria haver um ‘plafond’ que seria entregue directamente à funerária”, afirma Nuno Monteiro, presidente da ANEL (Associação Nacional de Empresas Lutuosas). Sem respostas por parte da Segurança Social, a ANEL aconselha a que “sejam as funerárias a ponderar se avançam ou não com o funeral” quando não há garantias de pagamento, tendo em conta que “nestes casos, para todos os efeitos, sendo necessária a factura para pedir o reembolso é como se o funeral tivesse sido pago”, considera Nuno Monteiro. Para além disso, ao emitir a factura, a agência fica também responsável pela entrega ao Estado do respectivo valor de IVA, mesmo sem o ter recebido. Situação que agrava ainda mais o prejuízo. O responsável da ANEL adianta que embora tenha conhecimento da situação nunca recebeu queixas directas. Todavia, admite a existência de vários casos, embora pouco expressivos. Milene Matos Silva

VENTEIRA (AMADORA) Ruínas do Lido despertam nostalgia

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Edifício abandonado continua sem projectos Do antigo Lido, centro comercial onde funcionou o famoso cineteatro e mais tarde uma danceteria, restam apenas memórias. O edifício, abandonado há vários anos, situado nos limites de concelho, entre o bairro de Janeiro e Queluz (Sintra), está em avançado estado de degradação, muito por culpa de um fogo ocorrido em Fevereiro de 2009. A ruína daquele espaço que já foi um marco da cidade da Amadora causa um misto de preocupação e de perplexidade entre a população local. Há quem peça a sua recuperação e há também quem defenda a sua demolição. Mas, todos concordam com a ideia de que é preciso fazer algo. A antiga sala de cinema do Lido data da década de 60 do século passado e era muito procurada por habitantes da Amadora e não só. Para ali deslocava-se gente de toda a linha de Sintra, mas também de Lisboa. Apesar da degradação, para os mais saudosos, a hipótese de demolição é desoladora. “A primeira vez que vi um filme projectado numa tela de cinema foi no Lido. E lembro-me mais tarde de frequentar as matinés da danceteria. Lamento, naturalmente, que aquele espaço esteja fechado há anos, sem qualquer uso. Poderia ali funcionar um teatro ou um cinema, uma vez que a Amadora apenas tem em grandes centro comerciais. Existe apenas o D. João V e os Recreios da Amadora que têm uma fraca oferta cultural”, critica Carina Mendes, moradora na Amadora. Sem projectar um único filme há mais de duas décadas, o cine estúdio foi, mais tarde, transformado em discoteca. Em meados dos anos 90 ainda serviu como local de culto para uma igreja.Em2009, um incêndio que se adivinhava devido à degradação do espaço consumiu a cobertura e grande parte do interior. “Com tudo isto ao abandono e com os toxicodependentes que ali se abrigavam, já se esperava que tal viesse a acontecer”, garante um morador. Há mais de 40 anos no bairro de Janeiro, imediações do antigo centro comercial, este residente, que solicitou anonimato, considera, porém, “muito importante que o edifício seja demolido, para que seja feita uma ligação rodoviária do bairro de Janeiro à rotunda que liga a Queluz”. Embora recorde com alguma saudade os tempos em que o Centro Comercial Lido atraía muitas pessoas, trazendo mais dinamismo ao bairro, considera que “a sua demolição é o caminho, depois de se terem instalado interesses para o encerramento do cinema”. Ora, para Sérgio Marques, que embora resida em Queluz sempre esteve ligado ao bairro de Janeiro, a opinião é bem diferente. “Cresci aqui e foi aqui que comecei a trabalhar. Assisti a vários espectáculos ainda o Lido tinha o cine estúdio a funcionar, com a participação de diversos artistas que vinham de Lisboa”, recorda. Começou a trabalhar como ajudante de carpinteiro no bairro de Janeiro e lembra-se de ter ajudado a construir o fosso da orquestra para o cine estúdio Lido. “O que acabou com este espaço foi a transformação da sala de cinema em discoteca”, admite. Agora, defende que se faça algo no local: “O edifício até nem é feio. Poderia ser recuperado e transformado de novo em centro comercial porque o bairro não tem nada”. Sendo propriedade privada, a Câmara da Amadora pouco poderá fazer. “A população tem mostrado preocupação em relação ao edifício, mas nem a Câmara sabe o que pode fazer, tendo em conta que aquele não é um espaço municipal”, reconhece a presidente da Junta de Freguesia da Venteira, Carla Andrade Neves, adiantando, no entanto, que “a recuperação do Lido é desejável”. “Se fosse transformado numa estrutura ao nível social seria o ideal, mas qualquer intervenção seria bem acolhida”, sublinha. Milene Matos Silva