quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

CASCAIS CERCICA inaugura centro de recursos

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Novo pólo de Tecnologias de Informação e Comunicação A CERCICA (Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais) inaugurou, no passado dia 16, o novo pólo de formação em Tecnologias de Informação e Comunicação, com o objectivo de combater a infoexclusão das pessoas com deficiências e incapacidades. O novo Centro de Recursos TI para a Inclusão foi criado em parceria com a Fundação Vodafone Portugal e com a Câmara de Cascais e está equipado com amais moderna tecnologia, adaptada a várias incapacidades. Vai estar aberto não só aos 200 utentes da CERCICA, mas também a um conjunto alargado de professores, formadores, monitores e a toda a comunidade no sentido de potenciar as excelentes oportunidades que as Tecnologias de Informação proporcionam para aumentar a autonomia pessoal do cidadão com deficiência. Pedro Alarcão, presidente da CERCICA, disse que “com este novo projecto vamos aumentar os nossos serviços e capacidades para as mais diversas pessoas com deficiência e profissionais que com elas trabalham.Todas as pessoas do concelho poderão também usar este centro”. A Fundação Vodafone Portugal ofereceu todo o equipamento informático e disponibilizou os seus colaboradores para a montagem da tecnologia, enquanto a Câmara de Cascais financiou a adaptação do edifício. António Carrapatoso, presidente da Fundação Vodafone Portugal, realçou a satisfação pelo envolvimento neste projecto: “Nós não damos apenas um cheque, procuramos também estabelecer parcerias com as instituições porque há muito a aprender”. Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, frisou a importância da Internet nos tempos que correm: “Está tudo na Internet, mas nem todos estão na Internet. Na Internet criou-se liberdade, conhecimento e oportunidades para muitos. Mas outros foram deixados fora do futuro. Hoje, na CERCICA, com a inauguração de uma sala dedicada às Tecnologias de Informação, demos um grande passo para derrubarmos os muros do preconceito e da exclusão. Ligámos mais cidadãos em rede dando-lhes a oportunidade de criar novos laços e descobrir novos mundos. À Vodafone Portugal agradeço o apoio à Cercica que, juntamente com a Câmara de Cascais, contribuiu para ligar mais cidadãos como nós a este nosso mundo global”. O centro funcionará numa sala de formação com equipamento informático e periféricos adaptados a problemas neuromotores, cognitivos e visuais e com ‘software’ específico de comunicação facilitador da utilização dos equipamentos por todas as pessoas com deficiências e incapacidades. Francisco Lourenço

CASCAIS ‘Há muito por fazer’ no fundo do mar

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Apresentação dos resultados da campanha de levantamento subaquático ao largo de Cascais Ainda há “muito trabalho a fazer” para juntar todas as peças do ‘puzzle’ que compõem a história dos naufrágios à entrada de Lisboa e ao longo da costa de Cascais. Esta é, porventura, a conclusão mais sólida de todas as que foram apresentadas, na passada quinta- feira, no Museu do Mar, pelo grupo de arqueólogos que, no último trimestre do ano passado, mergulharam a fundo, literalmente, neste tema ao longo da costa de Cascais, entre a Guia e Carcavelos e ao largo do Forte de São Julião da Barra. Os trabalhos consistiram no registo gráfico e fotográfico e na georreferenciação dos vestígios mais relevantes, a incorporar na Carta Arqueológica Subaquática de Cascais. Uma missão que trouxe, por arrasto, a descoberta de novos vestígios, além de colocar em causa algumas ideias feitas quanto às peças recolhidas noutros anos, nomeadamente uma “excessiva ligação” ao célebre naufrágio da nau “Nossa Senhora dos Mártires”, ocorrido em 1606, em São Julião da Barra. “A reavaliação desses materiais permitiu-nos ter evidências de outras épocas, desde o século XVI ao século XX, apontando para realidades culturais de diferentes países, como Portugal, Espanha,França e Inglaterra”, explicou ao JR Jorge Freire, responsável pela Carta Arqueológica e co-responsável pelos trabalhos ao largo daquele forte, situado na fronteira entre os concelhos de Oeiras e Cascais. Razão pela qual o esclarecimento cabal dos muitos naufrágios ocorridos naquela porta marítima de entrada para Lisboa (os mais antigos na barra Norte e os mais recentes na barra a Sul) exige futuras expedições. Uma continuidade assegurada, segundo garantiram os arqueólogos. “No fundo, o que fizemos foi uma tentativa de conhecer melhor a realidade para nos próximos anos procurarmos, então, intervir de forma mais consistente”, resumiu aquele investigador do Centro Histórico Além- -Mar (CHAM), entidade que se associou, em protocolo, com a Câmara de Cascais para este projecto, que beneficiou, ainda, do apoio do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e da Câmara de Oeiras, para além de empresas privadas e particulares. O mapeamento agora concretizado pretendeu trazer maior rigor às referências geográficas anteriormente disponíveis. “Não havia os meios técnicos que existem agora”, explicou António Fialho, arqueólogo ao serviço da autarquia cascalense e co-responsável pela Carta Arqueológica Subaquática de Cascais, explicando que a diferença reside no facto de agora se colocar o GPS ‘mesmo em cima’ do vestígio encontrado, ao passo que anteriormente o aparelho era accionado a bordo, à superfície. Quase nada do que foi visto nas profundezas do oceano foi trazido para terra, na senda das práticas recomendadas pelos organismos internacionais, que apelam à preservação dos vestígios onde eles estão. A excepção foi um pedaço de uma peça de faiança azul que ficaria em risco de se perder caso não fosse resgatada. O reconhecimento agora realizado permitiu rectificar a realidade conhecida, nuns casos, e alargou-a noutros. “O importante da monitorização e de voltar aos sítios é precisamente relocalizar mais coisas porque há sempre processos sedimentares, ou há um desassoreamento na sequência do qual há mais peças que aparecem e é necessário registá-las; por outro lado, no decurso do próprio método prospectivo acabamos por encontrar mais coisas”, confirmou Jorge Freire. E prosseguiu dando exemplos:“Em Carcavelos, andávamos a tentar localizar – e acabámos por localizar – uma âncora e um canhão. Infelizmente, havia mais um conjunto de cinco canhões, mas esse não conseguimos localizar. Em contrapartida, encontrámos um destroço de navio, bem composto, com o qual não contávamos e, por isso mesmo, este ano vamos ter de lá voltar para o caracterizar com maior precisão”. Outra das novidades apareceu a 30metros de profundidade – o mais fundo detectado até agora – na zona da Guia. Se estes dois exemplares se revelaram bastante coesos, um terceiro navio que até agora não era conhecido foi encontrado, igualmente na área da Guia, mas em estado de dispersão dos elementos. A estes juntam-se, na linha Carcavelos-Guia, outras embarcações que já estavam referenciadas no trabalho realizado nos três anos mais recentes, num total de 10. “São navios de ferro, do século XIX a maior parte, alguns já provavelmente do início do século XX”, indica Jorge Freire. Para além de “um conjunto de espólio que são achados, num total de 24, que podem ser ou não destroços de navios naufragados”. Quanto ao mar junto ao Forte de São Julião da Barra, verdadeiro ‘alfobre’ de naufrágios, José Bettencourt, arqueólogo do CHAM e responsável por aquela zona, também frisou que as peças assinaladas “são só um ponto de partida para um trabalho mais profundo”, uma vez que “é enorme o potencial a explorar”. Segundo explicou, a zona foi dividida em três áreas, englobando um total de “57 ocorrências com valor patrimonial”, entre canhões, balas de ferro ou de pedra, âncoras e muitos outros materiais… No entanto, os 28 sítios que estavam referenciados à partida não foram confirmados, ainda, pelas expedições realizadas em Outubro e Novembro do ano passado. “Há erros bastante significativos no posicionamento dos diversos materiais em relação ao que estava descrito”, sublinhou aquele investigador. Tal como a associação ao naufrágio do Nossa Senhora dos Mártires foi “excessiva” em relação a vários vestígios já conhecidos. No campo das hipóteses fica “uma estrutura de madeira”, agora encontrada, e que “pode ou não estar ligada” aos despojos daquela nau, deixando porta aberta a novas revelações. Certo, portanto, é que ainda há muitas dúvidas e mistérios por desvendar no fundo do mar de Cascais… Para já, segundo adiantou António Carvalho, director do Departamento de Cultura do município, a próxima fase do projecto será de avaliação científica dos vestígios e a sua preservação no novo centro de reservas arqueológicas. Jorge A. Ferreira

AMADORA Funerais ficam por pagar

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Agências querem receber directamente da Segurança Social As agências funerárias também se debatem com problemas de cobranças. Nos últimos tempos tem aumentado o número de casos em que os funerais ficam por pagar, acarretando centenas de euros de prejuízos para as empresas. O assunto é delicado, mas reflecte o momento de crise em que vivemos e também a falta de escrúpulos. Muitos cidadãos solicitam crédito junto das agências para a realização de determinado funeral com a promessa de realizar o pagamento logo que a Segurança Social avance com o respectivo subsídio. Porém, como o subsídio é entregue aos descendentes ou herdeiros, e não às funerárias, muitas são as vezes em que o pagamento fica por fazer. A situação “afecta todas as funerárias”, lamenta Maria Cândida Pedroso, proprietária de uma agência na Amadora. “A lei obriga a que se faça o funeral e só com a factura respectiva é que a família pode reclamar o reembolso do valor junto da Segurança Social. Mas, o que acontece é que muitos recebem a verba e nunca chegam a pagar o funeral” lamenta. Isabel Pedro, uma outra proprietária de uma agência funerária familiar, situada na Venda Nova, queixa-se de dívidas “à volta de oito mil euros, referentes a sete situações diferentes”. Casos que “têm vindo a aumentar nos últimos anos”, lamenta. “São circunstâncias em que as pessoas se apanham com o dinheiro atribuído pela Segurança Social na mão e acabam por não pagar, tornando a cobrança muito difícil”, considera. Estas situações ocorrem, sobretudo, nos casos que não há descendentes com direito a receber pensão, sendo o funeral pago pela Segurança Social. “Já alertámos os responsáveis para estas situações. Defendemos que deveria haver um ‘plafond’ que seria entregue directamente à funerária”, afirma Nuno Monteiro, presidente da ANEL (Associação Nacional de Empresas Lutuosas). Sem respostas por parte da Segurança Social, a ANEL aconselha a que “sejam as funerárias a ponderar se avançam ou não com o funeral” quando não há garantias de pagamento, tendo em conta que “nestes casos, para todos os efeitos, sendo necessária a factura para pedir o reembolso é como se o funeral tivesse sido pago”, considera Nuno Monteiro. Para além disso, ao emitir a factura, a agência fica também responsável pela entrega ao Estado do respectivo valor de IVA, mesmo sem o ter recebido. Situação que agrava ainda mais o prejuízo. O responsável da ANEL adianta que embora tenha conhecimento da situação nunca recebeu queixas directas. Todavia, admite a existência de vários casos, embora pouco expressivos. Milene Matos Silva

VENTEIRA (AMADORA) Ruínas do Lido despertam nostalgia

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Edifício abandonado continua sem projectos Do antigo Lido, centro comercial onde funcionou o famoso cineteatro e mais tarde uma danceteria, restam apenas memórias. O edifício, abandonado há vários anos, situado nos limites de concelho, entre o bairro de Janeiro e Queluz (Sintra), está em avançado estado de degradação, muito por culpa de um fogo ocorrido em Fevereiro de 2009. A ruína daquele espaço que já foi um marco da cidade da Amadora causa um misto de preocupação e de perplexidade entre a população local. Há quem peça a sua recuperação e há também quem defenda a sua demolição. Mas, todos concordam com a ideia de que é preciso fazer algo. A antiga sala de cinema do Lido data da década de 60 do século passado e era muito procurada por habitantes da Amadora e não só. Para ali deslocava-se gente de toda a linha de Sintra, mas também de Lisboa. Apesar da degradação, para os mais saudosos, a hipótese de demolição é desoladora. “A primeira vez que vi um filme projectado numa tela de cinema foi no Lido. E lembro-me mais tarde de frequentar as matinés da danceteria. Lamento, naturalmente, que aquele espaço esteja fechado há anos, sem qualquer uso. Poderia ali funcionar um teatro ou um cinema, uma vez que a Amadora apenas tem em grandes centro comerciais. Existe apenas o D. João V e os Recreios da Amadora que têm uma fraca oferta cultural”, critica Carina Mendes, moradora na Amadora. Sem projectar um único filme há mais de duas décadas, o cine estúdio foi, mais tarde, transformado em discoteca. Em meados dos anos 90 ainda serviu como local de culto para uma igreja.Em2009, um incêndio que se adivinhava devido à degradação do espaço consumiu a cobertura e grande parte do interior. “Com tudo isto ao abandono e com os toxicodependentes que ali se abrigavam, já se esperava que tal viesse a acontecer”, garante um morador. Há mais de 40 anos no bairro de Janeiro, imediações do antigo centro comercial, este residente, que solicitou anonimato, considera, porém, “muito importante que o edifício seja demolido, para que seja feita uma ligação rodoviária do bairro de Janeiro à rotunda que liga a Queluz”. Embora recorde com alguma saudade os tempos em que o Centro Comercial Lido atraía muitas pessoas, trazendo mais dinamismo ao bairro, considera que “a sua demolição é o caminho, depois de se terem instalado interesses para o encerramento do cinema”. Ora, para Sérgio Marques, que embora resida em Queluz sempre esteve ligado ao bairro de Janeiro, a opinião é bem diferente. “Cresci aqui e foi aqui que comecei a trabalhar. Assisti a vários espectáculos ainda o Lido tinha o cine estúdio a funcionar, com a participação de diversos artistas que vinham de Lisboa”, recorda. Começou a trabalhar como ajudante de carpinteiro no bairro de Janeiro e lembra-se de ter ajudado a construir o fosso da orquestra para o cine estúdio Lido. “O que acabou com este espaço foi a transformação da sala de cinema em discoteca”, admite. Agora, defende que se faça algo no local: “O edifício até nem é feio. Poderia ser recuperado e transformado de novo em centro comercial porque o bairro não tem nada”. Sendo propriedade privada, a Câmara da Amadora pouco poderá fazer. “A população tem mostrado preocupação em relação ao edifício, mas nem a Câmara sabe o que pode fazer, tendo em conta que aquele não é um espaço municipal”, reconhece a presidente da Junta de Freguesia da Venteira, Carla Andrade Neves, adiantando, no entanto, que “a recuperação do Lido é desejável”. “Se fosse transformado numa estrutura ao nível social seria o ideal, mas qualquer intervenção seria bem acolhida”, sublinha. Milene Matos Silva

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SINTRA Voos civis na BA1 provocam apreensão

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Base de Sintra é uma das hipóteses para receber companhias ‘low cost’ Nas Raposeiras, nos limites das freguesias de Algueirão-Mem Martins e Pero Pinheiro, olha-se com apreensão para o céu. No horizonte surge a eventual escolha da Base Aérea de Sintra (BA1) para localização de um novo aeroporto para receber voos ‘low cost’. A decisão deve ser conhecida em final de Abril, na sequência da constituição de um grupo de trabalho pelo Governo, com os principais candidatos a recaírem nas infra-estruturas militares de Alverca, Montijo e Sintra. A escassos quilómetros da pista da Granja doMarquês, a pacatez marca a paisagem do Bairro das Raposeiras. Com uma reduzida actividade operacional na BA1, os seus moradores quase que se esquecem da proximidade da pista, mas tudo pode mudar. Mas, até que ponto é que vai mudar? Essa é a questão que se coloca e motiva aAssociação de Proprietários do Bairro das Raposeiras (APBR) a lançar um apelo, em forma de comunicado, para que o processo de escolha do novo aeroporto seja muito bem ponderado e informadas as populações. "Sem ouvir as populações, é inadmissível falar em hipóteses deste tipo que, a serem aplicadas, desvalorizariam propriedades e habitações em toda a zona envolvente, perspectivando um inferno sonoro nas muitas localidades das redondezas", alerta a APBR. "Há muita falta de informação para um assunto tão importante", lamenta Hugo Neto, quando se trata de uma questão que vai mexer com a vida das pessoas. "Se calhar, vão ter aviões, de 15 em15minutos, a passar sobre as suas cabeças", adverte o presidente da direcção da APBR. Segundo os órgãos sociais da associação, em causa estão os "problemas de insegurança", "os inqualificáveis níveis de poluição sonora e ambiental", com "drástica diminuição da qualidade de vida das populações", que acabaria por resultar da utilização da base militar de Sintra. Embora temendo pela sua situação, uma área urbana situada a poucos quilómetros da pista, os moradores no Bairro das Raposeiras recordam que "os corredores de acesso para aterragem" englobam "as maiores concentrações urbanas" do concelho – as cidades de Queluz e de Agualva-Cacém e as freguesias de Rio de Mouro e Algueirão-Mem Martins – "direccionando-se (as aeronaves) para a pista a poucas dezenas de metros de altura do Bairro da Cavaleira". Hugo Neto alerta para os riscos que decorrem de sobrevoar aglomerados densamente povoados e recorda que já houve acidentes, com aviões da Força Aérea, que só não atingiram maiores proporções em função da perícia dos pilotos. "Com a construção que existe, um avião, que tenha algum problema quando for a aterrar, vai ter dificuldades em encontrar um sítio para qualquer aterragem de emergência, sem ser em cima das casas". Estas populações vão acabar por ser prejudicadas, "sem a qualidade sonora e o direito ao descanso", denuncia a associação de proprietários, para quem os alegados benefícios económicos, invocados por autarcas sintrenses para defender a escolha da BA1, são questionáveis. "Não consigo ver que benefícios económicos o aeroporto vai trazer para o concelho; só se formais turistas. Mas, um turista que aterre em Lisboa, seja em que local for, certamente vai fazer o IC19 para visitar Sintra", acentua Hugo Neto. Os responsáveis da APBR prometem reforçar as diligências junto de várias autarquias no sentido das populações serem informadas deste processo. "A falta de informação é grande", reforça este dirigente, que apela a que a análise em curso, pelo grupo de trabalho nomeado pelo Governo, tenha em conta "o acréscimo de perigos e prejuízos económicos e ambientais" que podem resultar do novo aeroporto em Sintra. A posição dos moradores do Bairro das Raposeiras surge após a Assembleiade Freguesia de Algueirão-Mem Martins ter aprovado, no final de 2011, uma moção em que recomenda ao executivo que acompanhe este processo "e crie condições para que a população da freguesia seja ouvida antes de serem tomadas decisões definitivas". Apresentada pelo Bloco de Esquerda, a moção, aprovada por unanimidade, adverte que esta nova infra-estrutura, para voos ‘low cost’, pode traduzir-se em "aterragens e levantamentos de aviões pesados de poucos em poucos minutos e todos os dias do ano". Confrontado com o apelo dos moradores do Bairro das Raposeiras, o presidente da Junta de Algueirão-Mem Martins, Manuel do Cabo, acentua que estamos perante um "assunto muito sério" e que tem de ser tratado com "ponderação e não ser bandeira de nenhum partido". "A vinda de um aeroporto para voos ‘low cost’ para a BA1 seria o maior projecto económico-financeiro do concelho de Sintra, com criação de centenas de postos de trabalho e permitiria desenvolver a região em termos turísticos e económicos", considera Manuel do Cabo, dando conta que vários municípios, como Montijo ou Alverca, estão a lutar por receberem esta nova infra-estrutura. "Sintra faz bem em criar um ‘lobby’ forte para que esta mais-valia económico-financeira possa vir para o concelho de Sintra", acrescenta o autarca. Sobre as preocupações invocadas no alerta, Manuel do Cabo considera que tais argumentos "é não ter noção das novas tecnologias em termos de navegação aérea. Não há perigo nenhum. Há centenas de aeroportos nos centros da cidade, em todo o mundo, e não houve problema algum". A localização do novo aeroporto na Granja do Marquês já foi publicamente defendida, em diversas ocasiões, pelo presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara. João Carlos Sebastião

CASAL DE SÃO JOSÉ (SINTRA) Bombeiros por um dia

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Petizes ajudam a lançar projecto social em bairro de Algueirão-Mem Martins “Salvei um ursinho de peluche do fogo. Ele estava debaixo da cama, mas eu vi-o e puxei-o cá para fora”, dizia, orgulhosa, a pequena Seomara, de seis anos, passando o capacete de bombeiro para o ‘voluntário’ seguinte cumprir a missão: entrar numa casa que está a arder e percorrer as diversas divisões à procura de pessoas a precisarem de auxílio. “Eu adorei!”, testemunhou o Ismael no final da sua aventura, desmontando a expressão de choro que estava a armar só para impressionar os colegas. Fazer o circuito nos contentores sobrepostos que constituem a Unidade de Treinos onde os candidatos a bombeiros ‘a sério’ simulam sinistros em habitações foi uma das actividades em que se envolveram, na semana passada, 15 crianças provenientes do Bairro Casal de São José e que, pela primeira vez, estiveram no quartel dos Bombeiros Voluntários de Algueirão-Mem Martins. Outra fonte de emoções fortes foi a prática de ‘rappel’ na torre de exercícios daquela corporação. Os petizes puderam, ainda, visitar as instalações e fazer alguns jogos, com direito a lanche e brindes no final. Naturalmente, após tantos salvamentos e manobras de cortar o fôlego, os participantes na iniciativa “Bombeiro por Um Dia”, organizada pela associação de solidariedade social Diakonia, estavam cansados mas satisfeitos. Tal como os dirigentes desta IPSS que com esta acção visou estreitar os laços de comunhão com a população daquele bairro municipal onde está a iniciar um ambicioso projecto de desenvolvimento. Criar um Gabinete de Inserção Profissional para enfrentar o flagelo do desemprego, e um espaço de ocupação dos tempos livres para dar às crianças uma alternativa às brincadeiras na estrada e ajudar a inverter os números do insucesso e abandono escolares, são os pilares desse projecto, alicerçado num protocolo firmado, em 2009, com a Câmara de Sintra e cimentado pelo trabalho conjunto de voluntários e profissionais de Serviço Social. Nos últimos meses, a Diakonia promoveu um levantamento exaustivo da realidade e das necessidades mais prementes da população do Casal de São José, que alberga perto de 170 famílias em habitações camarárias. Agora há que cativar os moradores para as actividades que aquela associação se prepara para proporcionar e para as suas potencialidades. Foi nesse sentido que surgiu a iniciativa “Bombeiro por Um Dia”. O objectivo é que lá em casa, para além da animada narrativa sobre a façanha de descer dezenas de metros em ‘rappel’ suspensos por cordas, os gémeos Edgar e Edi, como todos os amigos do bairro, passem aos adultos uma mensagem de esperança. “É uma porta de entrada. São famílias que, muitas vezes, estão fechadas sobre os seus problemas e nós queremos que elas os partilhem connosco para encontrarmos soluções em conjunto”, salienta Carlos Lúcio, da direcção da Diakonia. “As crianças vão trazer até nós os irmãos mais velhos e o resto da família e ajudar a estabelecer uma relação de maior confiança”, confere Helena Cassapo, técnica responsável pelo Projecto de Desenvolvimento do Bairro Casal de São José. De resto, “o simples facto de poderem sair do contexto do bairro para outras realidades, por si só, já é muito positivo”, acrescenta. Jorge A. Ferreira

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Oeiras já tem 150 esculturas

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Investimento não agrada a todos Um busto, uma estátua ou outra peça simbólica compõem as 150 esculturas que decoram Oeiras, um motivo de orgulho para a Câmara, mas contestado por alguns munícipes que preferiam ver o espaço público preenchido com "coisas mais úteis". Umas discretas, outras visíveis a longa distância, umas mais perceptíveis e outras abstractas, simples ou muito elaboradas, de um autor famoso ou nem tanto. A cada quilómetro quadrado encontram-se três esculturas, o que faz de Oeiras um dos municípios com maior concentração destas peças no país. Contudo, este dado, de que a Câmara de Oeiras se diz orgulhar, não tem grande significado para alguns munícipes ou para a Associação Cultural de Oeiras Espaço e Memória, que, embora valorize todos os investimentos na arte, considera algumas esculturas "desnecessárias". "É sempre importante investir na cultura e aí valorizamos o esforço da Câmara, mas a verdade é que há coisas que são dispensáveis e parecem ser apostas forçadas e sem interesse", disse à Lusa o vice- presidente, José Meca. Como exemplo, apontou o "investimento avultado e desnecessário" no conjunto escultórico de comemoração dos 250 anos de atribuição do foral ao município pelo Marquês de Pombal, uma obra que custou mais de um milhão de euros. Localizada na Rua Dr. José da Cunha, em Oeiras, o conjunto de esculturas em pedra, inaugurado há cerca de cinco meses, é para muitos moradores daquela zona "um exagero" que "não serve para nada". "Se ainda aqui tivessem posto uns bancos de pedra para as pessoas se sentarem ou qualquer coisa para os miúdos brincarem… Agora, isto assim são umas paredes que aqui estão que não servem para nada", disse Pedro Barreiros à Agência Lusa. A mesma opinião tem a proprietária de uma loja de decoração, que, embora reconheça o "bom trabalho" feito no Parque dos Poetas, considera aquela obra um "exagero" que "não agrada a ninguém". Já na rotunda de Queijas, está também uma estátua de grandes proporções de S. Miguel Arcanjo, mas em que muitos já nem reparam. "A verdade é que já nem ligo. Isto está numa rotunda e tem impacto quando se vem a primeira vez, mas depois já ninguém olha", afirmou João Sousa, sublinhando que "os tempos não estão para se investir em estátuas". A jovem Patrícia Oliveira, residente em Carnaxide, considera o número de esculturas "elevado" e defende novos investimentos dirigidos aos jovens: "Acho que se podia apostar na juventude, disponibilizar espaços para artistas poderem utilizar a sua arte urbana para pintar algumas paredes, por exemplo. Em vez de construir estátuas deviam apostar em espaços mais inovadores". Também Catarina Matos, 24 anos, defende que a valorização do espaço público não passa pela colocação de estátuas, mas pela "recuperação de espaços que não estejam tão bem cuidados" e por "investir em eventos de animação". A Câmara tem previsto encomendar mais obras de arte para decorar o concelho e, segundo o presidente do executivo, Isaltino Morais, a crise não pode ser desculpa para tudo. "Não é por vivermos em tempos de crise que deixamos de valorizar o espaço público. É fundamental investir na valorização do património", afirmou à Lusa. Recentemente, foi inaugurado em Miraflores o conjunto escultórico relativo aos Doutores da Igreja. Para este ano está ainda previsto inaugurar a escultura ‘A flor e o fruto’, um investimento de 111 mil euros. Além disso, segundo a autarquia, há projectos em estudo para encomendar novas esculturas de homenagem aos Escuteiros Baden Powel (Caxias) e aos dadores de sangue (Queijas).