quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SINTRA Voos civis na BA1 provocam apreensão

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Base de Sintra é uma das hipóteses para receber companhias ‘low cost’ Nas Raposeiras, nos limites das freguesias de Algueirão-Mem Martins e Pero Pinheiro, olha-se com apreensão para o céu. No horizonte surge a eventual escolha da Base Aérea de Sintra (BA1) para localização de um novo aeroporto para receber voos ‘low cost’. A decisão deve ser conhecida em final de Abril, na sequência da constituição de um grupo de trabalho pelo Governo, com os principais candidatos a recaírem nas infra-estruturas militares de Alverca, Montijo e Sintra. A escassos quilómetros da pista da Granja doMarquês, a pacatez marca a paisagem do Bairro das Raposeiras. Com uma reduzida actividade operacional na BA1, os seus moradores quase que se esquecem da proximidade da pista, mas tudo pode mudar. Mas, até que ponto é que vai mudar? Essa é a questão que se coloca e motiva aAssociação de Proprietários do Bairro das Raposeiras (APBR) a lançar um apelo, em forma de comunicado, para que o processo de escolha do novo aeroporto seja muito bem ponderado e informadas as populações. "Sem ouvir as populações, é inadmissível falar em hipóteses deste tipo que, a serem aplicadas, desvalorizariam propriedades e habitações em toda a zona envolvente, perspectivando um inferno sonoro nas muitas localidades das redondezas", alerta a APBR. "Há muita falta de informação para um assunto tão importante", lamenta Hugo Neto, quando se trata de uma questão que vai mexer com a vida das pessoas. "Se calhar, vão ter aviões, de 15 em15minutos, a passar sobre as suas cabeças", adverte o presidente da direcção da APBR. Segundo os órgãos sociais da associação, em causa estão os "problemas de insegurança", "os inqualificáveis níveis de poluição sonora e ambiental", com "drástica diminuição da qualidade de vida das populações", que acabaria por resultar da utilização da base militar de Sintra. Embora temendo pela sua situação, uma área urbana situada a poucos quilómetros da pista, os moradores no Bairro das Raposeiras recordam que "os corredores de acesso para aterragem" englobam "as maiores concentrações urbanas" do concelho – as cidades de Queluz e de Agualva-Cacém e as freguesias de Rio de Mouro e Algueirão-Mem Martins – "direccionando-se (as aeronaves) para a pista a poucas dezenas de metros de altura do Bairro da Cavaleira". Hugo Neto alerta para os riscos que decorrem de sobrevoar aglomerados densamente povoados e recorda que já houve acidentes, com aviões da Força Aérea, que só não atingiram maiores proporções em função da perícia dos pilotos. "Com a construção que existe, um avião, que tenha algum problema quando for a aterrar, vai ter dificuldades em encontrar um sítio para qualquer aterragem de emergência, sem ser em cima das casas". Estas populações vão acabar por ser prejudicadas, "sem a qualidade sonora e o direito ao descanso", denuncia a associação de proprietários, para quem os alegados benefícios económicos, invocados por autarcas sintrenses para defender a escolha da BA1, são questionáveis. "Não consigo ver que benefícios económicos o aeroporto vai trazer para o concelho; só se formais turistas. Mas, um turista que aterre em Lisboa, seja em que local for, certamente vai fazer o IC19 para visitar Sintra", acentua Hugo Neto. Os responsáveis da APBR prometem reforçar as diligências junto de várias autarquias no sentido das populações serem informadas deste processo. "A falta de informação é grande", reforça este dirigente, que apela a que a análise em curso, pelo grupo de trabalho nomeado pelo Governo, tenha em conta "o acréscimo de perigos e prejuízos económicos e ambientais" que podem resultar do novo aeroporto em Sintra. A posição dos moradores do Bairro das Raposeiras surge após a Assembleiade Freguesia de Algueirão-Mem Martins ter aprovado, no final de 2011, uma moção em que recomenda ao executivo que acompanhe este processo "e crie condições para que a população da freguesia seja ouvida antes de serem tomadas decisões definitivas". Apresentada pelo Bloco de Esquerda, a moção, aprovada por unanimidade, adverte que esta nova infra-estrutura, para voos ‘low cost’, pode traduzir-se em "aterragens e levantamentos de aviões pesados de poucos em poucos minutos e todos os dias do ano". Confrontado com o apelo dos moradores do Bairro das Raposeiras, o presidente da Junta de Algueirão-Mem Martins, Manuel do Cabo, acentua que estamos perante um "assunto muito sério" e que tem de ser tratado com "ponderação e não ser bandeira de nenhum partido". "A vinda de um aeroporto para voos ‘low cost’ para a BA1 seria o maior projecto económico-financeiro do concelho de Sintra, com criação de centenas de postos de trabalho e permitiria desenvolver a região em termos turísticos e económicos", considera Manuel do Cabo, dando conta que vários municípios, como Montijo ou Alverca, estão a lutar por receberem esta nova infra-estrutura. "Sintra faz bem em criar um ‘lobby’ forte para que esta mais-valia económico-financeira possa vir para o concelho de Sintra", acrescenta o autarca. Sobre as preocupações invocadas no alerta, Manuel do Cabo considera que tais argumentos "é não ter noção das novas tecnologias em termos de navegação aérea. Não há perigo nenhum. Há centenas de aeroportos nos centros da cidade, em todo o mundo, e não houve problema algum". A localização do novo aeroporto na Granja do Marquês já foi publicamente defendida, em diversas ocasiões, pelo presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara. João Carlos Sebastião

CASAL DE SÃO JOSÉ (SINTRA) Bombeiros por um dia

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Petizes ajudam a lançar projecto social em bairro de Algueirão-Mem Martins “Salvei um ursinho de peluche do fogo. Ele estava debaixo da cama, mas eu vi-o e puxei-o cá para fora”, dizia, orgulhosa, a pequena Seomara, de seis anos, passando o capacete de bombeiro para o ‘voluntário’ seguinte cumprir a missão: entrar numa casa que está a arder e percorrer as diversas divisões à procura de pessoas a precisarem de auxílio. “Eu adorei!”, testemunhou o Ismael no final da sua aventura, desmontando a expressão de choro que estava a armar só para impressionar os colegas. Fazer o circuito nos contentores sobrepostos que constituem a Unidade de Treinos onde os candidatos a bombeiros ‘a sério’ simulam sinistros em habitações foi uma das actividades em que se envolveram, na semana passada, 15 crianças provenientes do Bairro Casal de São José e que, pela primeira vez, estiveram no quartel dos Bombeiros Voluntários de Algueirão-Mem Martins. Outra fonte de emoções fortes foi a prática de ‘rappel’ na torre de exercícios daquela corporação. Os petizes puderam, ainda, visitar as instalações e fazer alguns jogos, com direito a lanche e brindes no final. Naturalmente, após tantos salvamentos e manobras de cortar o fôlego, os participantes na iniciativa “Bombeiro por Um Dia”, organizada pela associação de solidariedade social Diakonia, estavam cansados mas satisfeitos. Tal como os dirigentes desta IPSS que com esta acção visou estreitar os laços de comunhão com a população daquele bairro municipal onde está a iniciar um ambicioso projecto de desenvolvimento. Criar um Gabinete de Inserção Profissional para enfrentar o flagelo do desemprego, e um espaço de ocupação dos tempos livres para dar às crianças uma alternativa às brincadeiras na estrada e ajudar a inverter os números do insucesso e abandono escolares, são os pilares desse projecto, alicerçado num protocolo firmado, em 2009, com a Câmara de Sintra e cimentado pelo trabalho conjunto de voluntários e profissionais de Serviço Social. Nos últimos meses, a Diakonia promoveu um levantamento exaustivo da realidade e das necessidades mais prementes da população do Casal de São José, que alberga perto de 170 famílias em habitações camarárias. Agora há que cativar os moradores para as actividades que aquela associação se prepara para proporcionar e para as suas potencialidades. Foi nesse sentido que surgiu a iniciativa “Bombeiro por Um Dia”. O objectivo é que lá em casa, para além da animada narrativa sobre a façanha de descer dezenas de metros em ‘rappel’ suspensos por cordas, os gémeos Edgar e Edi, como todos os amigos do bairro, passem aos adultos uma mensagem de esperança. “É uma porta de entrada. São famílias que, muitas vezes, estão fechadas sobre os seus problemas e nós queremos que elas os partilhem connosco para encontrarmos soluções em conjunto”, salienta Carlos Lúcio, da direcção da Diakonia. “As crianças vão trazer até nós os irmãos mais velhos e o resto da família e ajudar a estabelecer uma relação de maior confiança”, confere Helena Cassapo, técnica responsável pelo Projecto de Desenvolvimento do Bairro Casal de São José. De resto, “o simples facto de poderem sair do contexto do bairro para outras realidades, por si só, já é muito positivo”, acrescenta. Jorge A. Ferreira

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Oeiras já tem 150 esculturas

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Investimento não agrada a todos Um busto, uma estátua ou outra peça simbólica compõem as 150 esculturas que decoram Oeiras, um motivo de orgulho para a Câmara, mas contestado por alguns munícipes que preferiam ver o espaço público preenchido com "coisas mais úteis". Umas discretas, outras visíveis a longa distância, umas mais perceptíveis e outras abstractas, simples ou muito elaboradas, de um autor famoso ou nem tanto. A cada quilómetro quadrado encontram-se três esculturas, o que faz de Oeiras um dos municípios com maior concentração destas peças no país. Contudo, este dado, de que a Câmara de Oeiras se diz orgulhar, não tem grande significado para alguns munícipes ou para a Associação Cultural de Oeiras Espaço e Memória, que, embora valorize todos os investimentos na arte, considera algumas esculturas "desnecessárias". "É sempre importante investir na cultura e aí valorizamos o esforço da Câmara, mas a verdade é que há coisas que são dispensáveis e parecem ser apostas forçadas e sem interesse", disse à Lusa o vice- presidente, José Meca. Como exemplo, apontou o "investimento avultado e desnecessário" no conjunto escultórico de comemoração dos 250 anos de atribuição do foral ao município pelo Marquês de Pombal, uma obra que custou mais de um milhão de euros. Localizada na Rua Dr. José da Cunha, em Oeiras, o conjunto de esculturas em pedra, inaugurado há cerca de cinco meses, é para muitos moradores daquela zona "um exagero" que "não serve para nada". "Se ainda aqui tivessem posto uns bancos de pedra para as pessoas se sentarem ou qualquer coisa para os miúdos brincarem… Agora, isto assim são umas paredes que aqui estão que não servem para nada", disse Pedro Barreiros à Agência Lusa. A mesma opinião tem a proprietária de uma loja de decoração, que, embora reconheça o "bom trabalho" feito no Parque dos Poetas, considera aquela obra um "exagero" que "não agrada a ninguém". Já na rotunda de Queijas, está também uma estátua de grandes proporções de S. Miguel Arcanjo, mas em que muitos já nem reparam. "A verdade é que já nem ligo. Isto está numa rotunda e tem impacto quando se vem a primeira vez, mas depois já ninguém olha", afirmou João Sousa, sublinhando que "os tempos não estão para se investir em estátuas". A jovem Patrícia Oliveira, residente em Carnaxide, considera o número de esculturas "elevado" e defende novos investimentos dirigidos aos jovens: "Acho que se podia apostar na juventude, disponibilizar espaços para artistas poderem utilizar a sua arte urbana para pintar algumas paredes, por exemplo. Em vez de construir estátuas deviam apostar em espaços mais inovadores". Também Catarina Matos, 24 anos, defende que a valorização do espaço público não passa pela colocação de estátuas, mas pela "recuperação de espaços que não estejam tão bem cuidados" e por "investir em eventos de animação". A Câmara tem previsto encomendar mais obras de arte para decorar o concelho e, segundo o presidente do executivo, Isaltino Morais, a crise não pode ser desculpa para tudo. "Não é por vivermos em tempos de crise que deixamos de valorizar o espaço público. É fundamental investir na valorização do património", afirmou à Lusa. Recentemente, foi inaugurado em Miraflores o conjunto escultórico relativo aos Doutores da Igreja. Para este ano está ainda previsto inaugurar a escultura ‘A flor e o fruto’, um investimento de 111 mil euros. Além disso, segundo a autarquia, há projectos em estudo para encomendar novas esculturas de homenagem aos Escuteiros Baden Powel (Caxias) e aos dadores de sangue (Queijas).

OEIRAS Terapeutas apostam na mobilidade

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Instituição reforça acompanhamento a menores com necessidades educativas especiais Terapeutas especializados que vão aonde a criança estiver, seja à escola, ao hospital ou ao domicílio. Este carácter itinerante, que procura encaixar as consultas no ritmo familiar quotidiano evitando a sobrecarga de incómodos, tempo e dinheiro com as deslocações, marca o serviço prestado pela EMDIIP – Equipa Móvel de Desenvolvimento Infantil e Intervenção Precoce. Surgida em 2009, a partir da iniciativa de um punhado de alunos finalistas do Curso de Reabilitação Psicomotora da Faculdade de Motricidade Humana (Cruz Quebrada-Dafundo), esta IPSS não tem parado de crescer, provando que o trabalho desempenhado corresponde a necessidades reais e prementes no terreno. O projecto, que para ser economicamente sustentável cobra um preço mínimo pelo acompanhamento semanal das crianças com necessidades educativas especiais (50 euros por mês, valor que aumenta consoante o rendimento das famílias), passou de 67 casos em 2010 para 120 actualmente, abrangendo, sobretudo, os concelhos de Oeiras, Sintra, Cascais e Lisboa. Paralelamente, o número de técnicos já chega aos 14. Em Dezembro último passou a ter uma sede sua, no bairro municipal de São Marçal (Outurela/Carnaxide), em instalações cedidas pela Câmara. Apesar do pouco tempo de vida é já um trabalho de assinalável dimensão social. Para isso bastante contribuiu a Fundação Luís Figo, através de um patrocínio que permitiu à EMDIIP retirar 50 crianças à lista de espera de famílias que não acediam aos seus serviços por carência económica. Um apoio que veio motivar os jovens dirigentes. “Foi bastante importante porque a nossa filosofia baseia-se no objectivo de sermos bons no que fazemos e de colocarmos esse trabalho ao alcance de todos, independentemente, o mais possível, da sua condição económica”, salienta ao JR André Rica, director da EMDIIP. Nesse contexto, e porque a “grande maioria” dos acompanhamentos feitos pela instituição refere-se a famílias que pagam a mensalidade mínima ou pouco mais, a sustentabilidade do projecto é uma preocupação sempre presente. Hoje mais do que nunca porque a crise prolongada começa a causar danos concretos. “A nossa regra de ouro é que a qualidade não é negociável, apenas o preço. O ano passado já foi preciso fazermos uma certa ‘ginástica’ para que as pessoas não desistissem, mas este ano apareceram alguns casos em que não se trata já de tentar ajustamentos, mas sim da absoluta impossibilidade de pagarem”, lamenta aquele responsável. Sem qualquer apoio da Segurança Social, a solução passa por poupar o mais possível os recursos disponíveis. “Os móveis da sede foram dados pelo Banco de Utilidade Social de Trajouce”, diz o nosso interlocutor. E por acreditar que a qualidade do trabalho desenvolvido vai continuar a ser a melhor publicidade da instituição, junto de fundações, jardins-de-infância, escolas e unidades de saúde. “Pode perguntar-se porque é que temos este papel social se não temos apoio do Estado… A resposta é que quem tem posses já está servido e nós queremos é ajudar onde possamos estar a fazer falta”. De resto, é assim desde o início. “A EMDIIP surgiu a partir do Estágio de Intervenção Precoce que a FMH realizava e cuja eliminação foi imposta pelo Processo de Bolonha”, recorda André Rica. “Isso colocou um problema – então as crianças que estavam a ser acompanhadas em Algés, na Cruz Quebrada, em Queijas, iam ficar sem esse apoio dos estagiários da Faculdade?! – e forçou o aparecimento de uma alternativa para responder a uma nova necessidade”. Assim, a instituição cresceu ocupando o espaço deixado vago em instituições que, “convidadas” a apertarem o cinto em nome da austeridade, foram dispensando profissionais especializados em ajudar crianças com necessidades educativas especiais. No entanto, todos os dias surgem evidências de que esse trabalho a montante era e é necessário… “Há escolas que nos dizem não precisar do nosso trabalho, mas depois vêm bater-nos à porta famílias de alunos dessas mesmas escolas…”, exemplifica o director da EMDIIP, sublinhando, em jeito de alerta: “Uma aposta em profissionais que possam trabalhar as crianças com estas problemáticas o mais cedo possível evita custos muito maiores posteriormente, quando o Estado for chamado a sustentar um cidadão apenas por não lhe terem sido dadas, atempadamente, condições para a sua autonomia”. Jorge A. Ferreira

ALMADA Rádio + XL, do Laranjeiro para o mundo

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Rádio feita por jovens e destinada aos jovens nasceu de projecto de apoio social A Rádio + XL arrancou ‘online’ na passada semana e promete muita música, debates e desafios culturais. Uma rádio feita por jovens para jovens, nasceu da iniciativa do Projecto + XL integrado na Associação Solidariedade e Desenvolvimento do Laranjeiro (ASDL) e conta com o apoio do Programa Escolhas. “Inicialmente a intenção era apenas passar música, mas os jovens que participam neste projecto rapidamente procuraram novas ideias”, conta Ricardo Rodrigues, coordenador do Projecto + XL. E um som que poderia ter ficado apenas dentro da associação, pode agora ser ouvido em todo o mundo. “O nosso objectivo é criar uma oportunidade para os jovens demonstrarem o seu trabalho”. Direccionado para a comunidade do Laranjeiro e Feijó, o Projecto + XL é frequentado por cerca de 150 jovens, dos quais cerca de 30 vão diariamente a este espaço que tem por objectivo fomentar a escola, formação e emprego, associado ao desenvolvimento de competência e também o empreendedorismo. A Rádio + XL “veio ao encontro destes objectivos ao motivar os jovens a trabalharem em diversas áreas”, refere o coordenador do projecto. O desafio da rádio foi lançado por Nuno Chanoca, outro dos responsáveis do Projecto + XL e de imediato os jovens “começaram a recolher informações para fazerem uma rádio legal”, o que obrigou, inclusivamente, a reunir com a Sociedade Portuguesa de Autores, refere. Com o projecto concebido e aprovado pela ASDL e apoio financeiro do Programa Escolhas para equipamentos, estes jovens “desenvolveram um ‘hobby’ profissional e criaram a sua pegada digital”. Foi com esta responsabilidade profissional que os jovens Odair Graça, Yuran e Valter meteram mãos à obra para a Rádio + XL estar ‘online’. “É emocionante ver que conseguimos”, comenta Odair que tem por missão garantir o funcionamento técnico da rádio. “Isto para mim é como um pequeno emprego”, depois das aulas. E reconhece que este projecto pode dar-lhe motivação para o futuro. E motivação foi o que não faltou aos jovens do projecto que, para além da rádio em si, “quiseram ser eles a construir o estúdio e a definir os conteúdos que vamos apresentar”, lembra Ricardo Rodrigues. “Com isto estão a desenvolver competências próprias”. Levar os jovens a desenvolverem competências é uma das missões do Programa Escolhas. Para Cristina Gonçalves, elemento da equipa técnica deste programa e que faz a avaliação dos projectos, o trabalho construído pelo Projecto + XL “tem uma muito boa avaliação. É mesmo um dos melhores da área de Lisboa”, afirma. Considera esta responsável do Escolhas que este projecto integrado na ASDL tem vindo a fazer “um trabalho progressivo e evoluído bastante”, e a Rádio + XL “é prova desta evolução”, uma vez que “leva os jovens a criar, estrutura e consolidar um trabalho que é transversal a várias acções”. Com isto “sentem que fazem parte de um todo e que o resultado do seu trabalho é transmitido para o exterior”. E para o ouvir, basta ir ao ‘site’ http://projectomaisxl.programaescolhas.pt/radio, e clicar no ‘link’ Rádio + XL. Para além do Projecto + XLda ASDL, o Programa Escolhas apoia ainda no concelho de Almada o projecto “Dar à Costa”, desenvolvido pela Junta de Freguesia da Costa da Caparica, o “Vive as tuas escolhas”, do Agrupamento Vertical da Trafaria, a “Geração Cool” desenvolvido pela Santa Casa da Misericórdia de Almada e o “Agir” do Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro. Humberto Lameiras

COSTA DA CAPARICA Alerta para as marés de Março

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Junta de Freguesia exige reforço da defesa costeira A erosão costeira na orla marítima da Costa da Caparica continua no centro das preocupações do presidente da Junta de Freguesia desta cidade. António Neves receia que ainda este Inverno o mar volte a galgar a zona de transição para as praias de São João e revela ter exposto esta sua preocupação, por escrito, à ministra Assunção Cristas. Porém, passados três meses lamenta que a titular do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAMAOT) ainda “não tenha respondido” à exposição que alerta existirem “fracturas notórias” na defesa aderente nesta frente de praias, mais concretamente na zona dos parques de campismo do INATEL e do Clube de Campismo de Lisboa (CCL). Na carta enviada em Outubro do ano passado a Assunção Cristas, o presidente da Junta de Freguesia relembra que a terceira fase da operação de enchimento artificial de areias tem sido “sucessivamente adiada”, desde 2010, e receia que o mesmo possa acontecer em 2012, o que a acontecer “é de enorme preocupação”. Com isto, António Neves começa a ter sérias dúvidas se o Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) no que cabe ao Instituto da Água (INAG) para 2012 contempla a continuidade da obra de reabilitação costeira. Ao que parece, em 2011, o INAG viu ser aprovado o lançamento do concurso público para a empreitada da terceira fase da alimentação artificial das praias da Costa da Caparica e de São João, uma obra que incluía a reabilitação da defesa costeira nas zonas que António Neves aponta como mais críticas. Mas a falta de resposta às suas preocupações leva o autarca a admitir que algo terá impedido o processo de avançar. Uma das hipóteses que tem sido levantada é a possibilidade desta verba não ter sido aprovada pelo Ministro das Finanças, o que inviabilizou a empreitada no ano passado. De facto, o gabinete de comunicação do ministério de Assunção Cristas avançou ao Jornal da Região que o INAG “tem preparadas e aprovadas as peças de procedimento para lançamento do concurso público de uma empreitada da terceira fase da Alimentação Artificial das praias da Costa da Caparica e São João da Caparica”, bem como acções de “fiscalização, monitorização de sedimentos e levantamentos topográficos”. Refere a mesma fonte que “estão a ser avaliados cenários de intervenção tendo presentes os resultados da monitorização que tem vindo a ser levada a cabo por uma equipa multidisciplinar”. É de supor que o instituto terá reforçado junto do MAMAOT a necessidade do seu PIDDAC para este ano contemplar verba para esta intervenção que, inclusivamente, tinha financiamento comunitário aprovado. No total, esta intervenção necessitará de cerca de 3,5 milhões de euros. É que o INAG poderá já ter concluído que, tal como António Neves afirma, “a defesa costeira na zona dos parques de campismo do INATEL e CCL está degradada”. Entretanto, António Neves reafirma ter dúvidas se a terceira fase desta obra vai continuar este ano. E nisto o MAMAOT, em resposta ao Jornal da Região, não é completamente esclarecedor. Ao mesmo tempo que garante que a situação “está a ser monitorizada”, quando questionado se no PIDDAC o INAG tem verba para avançar com a intervenção em 2012, diz que “no presente ano serão efectuados levantamentos, com vista a prosseguir a necessária monitorização das intervenções efectuadas e que permitam melhor fundamentar as tomadas de decisão face aos cenários em estudo”. A isto acrescenta que “após a avaliação em curso que está a ser realizada pelo INAG, com a colaboração da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e Faculdade de Ciências/ARH do Tejo, em articulação com a Administração do Porto de Lisboa, serão equacionadas as soluções a implementar, algumas das quais podem ser implementadas no decorrer do presente ano”. Humberto Lameiras

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sátira política e económica em Cascais

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Corsos de Carnaval percorrem as ruas da Malveira da Serra e de Janes A tradição do Carnaval ainda se mantém acesa na Malveira da Serra e em Janes, duas localidades vizinhas que, por carolice, ainda brincam, dançam, tocam e trazem milhares de pessoas de Cascais e não só para assistir ao corso carnavalesco que promete animar as ruas daquelas duas localidades da freguesia de Alcabideche. A sátira social, económica e política, nacional e internacional, fazem parte dos temas dos corsos. Figuras a representar o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, a Madeira e Alberto João Jardim ou mesmo construções alusivas à situação económica da Grécia e de Portugal estarão presentes. Os preparativos começaram em Janeiro e os carros alegóricos estão quase concluídos, conforme verificou o JR numa visita que fez às duas colectividades. Na Malveira da Serra, há cerca de 32 anos que se brinca ao Carnaval. A comissão organizadora do corso carnavalesco, o grupo dos “Tarrabuças”, em parceria com a Sociedade Recreativa da Malveira da Serra, vai levar por adiante as festas, com a realização de um corso, no domingo e na terça-feira às 15h00, com a participação de oito grupos de dança e cerca de 160 pessoas. Vai levar para a rua cinco carros, mais um da Azóia e outro de Manique e conta ainda com a presença dos “miúdos de Almoinhas Velhas”. Quim Físico e Hélder Gomes, dos "Tarrabuças", contaram que “o tema do corso carnavalesco são as artes". “Como acontece das outras vezes, tentamos sempre juntar a sátira política à brincadeira. Vamos ter uma caravela a representar Portugal a afundar e as ruínas da Grécia a cair. Iremos ter também o carro da música com os nossos principais políticos a dar música à gente, como sempre fazem, e o Alberto João Jardim a dançar que é o que ele faz mais”, explicou Quim Físico. Hélder Gomes adiantou ao JR que “isto é feito com muita carolice, dias e noites seguidas. Temos de tudo um pouco, pedreiros e electricistas a trabalhar. Não queremos deixar morrer esta tradição que conta com várias gerações. Já cá esteve omeu pai, agora já cá tenho o meu filho”. Em Janes, o tema do corso são os brinquedos. Hélder Gonçalves, vice-presidente da Sociedade de Instrução e Recreio de Janes e Malveira, disse que “vai haver de tudo um pouco. Barbies, bonecos de corda, tio Patinhas, papagaios e o Cavaco a tomar conta do menino Alberto João Jardim para este não fazer mais buracos”. Com cerca de 200 pessoas a participar no desfile, o corso de Janes parte às 15h00 da Sociedade para as ruas de Janes e no regresso junta-se ao da Malveira da Serra. “Vamos ter dois bonecos esqueletos andantes que poderão representar um pouco o país se continuar como está. Temos ainda a participação de 13 grupos do samba”, referiu ainda Hélder Gonçalves. A animação começa na sexta-feira e vai durar até terça-feira, dia 21 de Fevereiro. Lucélia Correia, também vice-presidente da Sociedade de Janes e Malveira, considera que “é importante que os dois corsos existam para manter viva a tradição do Carnaval em Cascais”. Hélder Gonçalves acrescenta que “este ano há um apoio declarado da Câmara de Cascais. O que foi uma boa surpresa para nós. Foi o reconhecimento do nosso trabalho de mais de duas décadas”. Este responsável disse que “no ano passado o presidente Carlos Carreiras viu pela primeira vez o nosso corso e mostrou-se muito surpreendido pela movimentação de pessoas. Este ano, deu um subsídio igual aos dois corsos e consente que os funcionários da autarquia que participem nos corsos possam fazer tolerância de ponto. O que é muito positivo”. Idêntica opinião tem também Quim Físico, para quem “é muito boma Câmara facilitar a participação no corso aos trabalhadores da autarquia”. Francisco Lourenço