quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

OEIRAS Terapeutas apostam na mobilidade

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Instituição reforça acompanhamento a menores com necessidades educativas especiais Terapeutas especializados que vão aonde a criança estiver, seja à escola, ao hospital ou ao domicílio. Este carácter itinerante, que procura encaixar as consultas no ritmo familiar quotidiano evitando a sobrecarga de incómodos, tempo e dinheiro com as deslocações, marca o serviço prestado pela EMDIIP – Equipa Móvel de Desenvolvimento Infantil e Intervenção Precoce. Surgida em 2009, a partir da iniciativa de um punhado de alunos finalistas do Curso de Reabilitação Psicomotora da Faculdade de Motricidade Humana (Cruz Quebrada-Dafundo), esta IPSS não tem parado de crescer, provando que o trabalho desempenhado corresponde a necessidades reais e prementes no terreno. O projecto, que para ser economicamente sustentável cobra um preço mínimo pelo acompanhamento semanal das crianças com necessidades educativas especiais (50 euros por mês, valor que aumenta consoante o rendimento das famílias), passou de 67 casos em 2010 para 120 actualmente, abrangendo, sobretudo, os concelhos de Oeiras, Sintra, Cascais e Lisboa. Paralelamente, o número de técnicos já chega aos 14. Em Dezembro último passou a ter uma sede sua, no bairro municipal de São Marçal (Outurela/Carnaxide), em instalações cedidas pela Câmara. Apesar do pouco tempo de vida é já um trabalho de assinalável dimensão social. Para isso bastante contribuiu a Fundação Luís Figo, através de um patrocínio que permitiu à EMDIIP retirar 50 crianças à lista de espera de famílias que não acediam aos seus serviços por carência económica. Um apoio que veio motivar os jovens dirigentes. “Foi bastante importante porque a nossa filosofia baseia-se no objectivo de sermos bons no que fazemos e de colocarmos esse trabalho ao alcance de todos, independentemente, o mais possível, da sua condição económica”, salienta ao JR André Rica, director da EMDIIP. Nesse contexto, e porque a “grande maioria” dos acompanhamentos feitos pela instituição refere-se a famílias que pagam a mensalidade mínima ou pouco mais, a sustentabilidade do projecto é uma preocupação sempre presente. Hoje mais do que nunca porque a crise prolongada começa a causar danos concretos. “A nossa regra de ouro é que a qualidade não é negociável, apenas o preço. O ano passado já foi preciso fazermos uma certa ‘ginástica’ para que as pessoas não desistissem, mas este ano apareceram alguns casos em que não se trata já de tentar ajustamentos, mas sim da absoluta impossibilidade de pagarem”, lamenta aquele responsável. Sem qualquer apoio da Segurança Social, a solução passa por poupar o mais possível os recursos disponíveis. “Os móveis da sede foram dados pelo Banco de Utilidade Social de Trajouce”, diz o nosso interlocutor. E por acreditar que a qualidade do trabalho desenvolvido vai continuar a ser a melhor publicidade da instituição, junto de fundações, jardins-de-infância, escolas e unidades de saúde. “Pode perguntar-se porque é que temos este papel social se não temos apoio do Estado… A resposta é que quem tem posses já está servido e nós queremos é ajudar onde possamos estar a fazer falta”. De resto, é assim desde o início. “A EMDIIP surgiu a partir do Estágio de Intervenção Precoce que a FMH realizava e cuja eliminação foi imposta pelo Processo de Bolonha”, recorda André Rica. “Isso colocou um problema – então as crianças que estavam a ser acompanhadas em Algés, na Cruz Quebrada, em Queijas, iam ficar sem esse apoio dos estagiários da Faculdade?! – e forçou o aparecimento de uma alternativa para responder a uma nova necessidade”. Assim, a instituição cresceu ocupando o espaço deixado vago em instituições que, “convidadas” a apertarem o cinto em nome da austeridade, foram dispensando profissionais especializados em ajudar crianças com necessidades educativas especiais. No entanto, todos os dias surgem evidências de que esse trabalho a montante era e é necessário… “Há escolas que nos dizem não precisar do nosso trabalho, mas depois vêm bater-nos à porta famílias de alunos dessas mesmas escolas…”, exemplifica o director da EMDIIP, sublinhando, em jeito de alerta: “Uma aposta em profissionais que possam trabalhar as crianças com estas problemáticas o mais cedo possível evita custos muito maiores posteriormente, quando o Estado for chamado a sustentar um cidadão apenas por não lhe terem sido dadas, atempadamente, condições para a sua autonomia”. Jorge A. Ferreira

ALMADA Rádio + XL, do Laranjeiro para o mundo

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Rádio feita por jovens e destinada aos jovens nasceu de projecto de apoio social A Rádio + XL arrancou ‘online’ na passada semana e promete muita música, debates e desafios culturais. Uma rádio feita por jovens para jovens, nasceu da iniciativa do Projecto + XL integrado na Associação Solidariedade e Desenvolvimento do Laranjeiro (ASDL) e conta com o apoio do Programa Escolhas. “Inicialmente a intenção era apenas passar música, mas os jovens que participam neste projecto rapidamente procuraram novas ideias”, conta Ricardo Rodrigues, coordenador do Projecto + XL. E um som que poderia ter ficado apenas dentro da associação, pode agora ser ouvido em todo o mundo. “O nosso objectivo é criar uma oportunidade para os jovens demonstrarem o seu trabalho”. Direccionado para a comunidade do Laranjeiro e Feijó, o Projecto + XL é frequentado por cerca de 150 jovens, dos quais cerca de 30 vão diariamente a este espaço que tem por objectivo fomentar a escola, formação e emprego, associado ao desenvolvimento de competência e também o empreendedorismo. A Rádio + XL “veio ao encontro destes objectivos ao motivar os jovens a trabalharem em diversas áreas”, refere o coordenador do projecto. O desafio da rádio foi lançado por Nuno Chanoca, outro dos responsáveis do Projecto + XL e de imediato os jovens “começaram a recolher informações para fazerem uma rádio legal”, o que obrigou, inclusivamente, a reunir com a Sociedade Portuguesa de Autores, refere. Com o projecto concebido e aprovado pela ASDL e apoio financeiro do Programa Escolhas para equipamentos, estes jovens “desenvolveram um ‘hobby’ profissional e criaram a sua pegada digital”. Foi com esta responsabilidade profissional que os jovens Odair Graça, Yuran e Valter meteram mãos à obra para a Rádio + XL estar ‘online’. “É emocionante ver que conseguimos”, comenta Odair que tem por missão garantir o funcionamento técnico da rádio. “Isto para mim é como um pequeno emprego”, depois das aulas. E reconhece que este projecto pode dar-lhe motivação para o futuro. E motivação foi o que não faltou aos jovens do projecto que, para além da rádio em si, “quiseram ser eles a construir o estúdio e a definir os conteúdos que vamos apresentar”, lembra Ricardo Rodrigues. “Com isto estão a desenvolver competências próprias”. Levar os jovens a desenvolverem competências é uma das missões do Programa Escolhas. Para Cristina Gonçalves, elemento da equipa técnica deste programa e que faz a avaliação dos projectos, o trabalho construído pelo Projecto + XL “tem uma muito boa avaliação. É mesmo um dos melhores da área de Lisboa”, afirma. Considera esta responsável do Escolhas que este projecto integrado na ASDL tem vindo a fazer “um trabalho progressivo e evoluído bastante”, e a Rádio + XL “é prova desta evolução”, uma vez que “leva os jovens a criar, estrutura e consolidar um trabalho que é transversal a várias acções”. Com isto “sentem que fazem parte de um todo e que o resultado do seu trabalho é transmitido para o exterior”. E para o ouvir, basta ir ao ‘site’ http://projectomaisxl.programaescolhas.pt/radio, e clicar no ‘link’ Rádio + XL. Para além do Projecto + XLda ASDL, o Programa Escolhas apoia ainda no concelho de Almada o projecto “Dar à Costa”, desenvolvido pela Junta de Freguesia da Costa da Caparica, o “Vive as tuas escolhas”, do Agrupamento Vertical da Trafaria, a “Geração Cool” desenvolvido pela Santa Casa da Misericórdia de Almada e o “Agir” do Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro. Humberto Lameiras

COSTA DA CAPARICA Alerta para as marés de Março

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Junta de Freguesia exige reforço da defesa costeira A erosão costeira na orla marítima da Costa da Caparica continua no centro das preocupações do presidente da Junta de Freguesia desta cidade. António Neves receia que ainda este Inverno o mar volte a galgar a zona de transição para as praias de São João e revela ter exposto esta sua preocupação, por escrito, à ministra Assunção Cristas. Porém, passados três meses lamenta que a titular do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAMAOT) ainda “não tenha respondido” à exposição que alerta existirem “fracturas notórias” na defesa aderente nesta frente de praias, mais concretamente na zona dos parques de campismo do INATEL e do Clube de Campismo de Lisboa (CCL). Na carta enviada em Outubro do ano passado a Assunção Cristas, o presidente da Junta de Freguesia relembra que a terceira fase da operação de enchimento artificial de areias tem sido “sucessivamente adiada”, desde 2010, e receia que o mesmo possa acontecer em 2012, o que a acontecer “é de enorme preocupação”. Com isto, António Neves começa a ter sérias dúvidas se o Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) no que cabe ao Instituto da Água (INAG) para 2012 contempla a continuidade da obra de reabilitação costeira. Ao que parece, em 2011, o INAG viu ser aprovado o lançamento do concurso público para a empreitada da terceira fase da alimentação artificial das praias da Costa da Caparica e de São João, uma obra que incluía a reabilitação da defesa costeira nas zonas que António Neves aponta como mais críticas. Mas a falta de resposta às suas preocupações leva o autarca a admitir que algo terá impedido o processo de avançar. Uma das hipóteses que tem sido levantada é a possibilidade desta verba não ter sido aprovada pelo Ministro das Finanças, o que inviabilizou a empreitada no ano passado. De facto, o gabinete de comunicação do ministério de Assunção Cristas avançou ao Jornal da Região que o INAG “tem preparadas e aprovadas as peças de procedimento para lançamento do concurso público de uma empreitada da terceira fase da Alimentação Artificial das praias da Costa da Caparica e São João da Caparica”, bem como acções de “fiscalização, monitorização de sedimentos e levantamentos topográficos”. Refere a mesma fonte que “estão a ser avaliados cenários de intervenção tendo presentes os resultados da monitorização que tem vindo a ser levada a cabo por uma equipa multidisciplinar”. É de supor que o instituto terá reforçado junto do MAMAOT a necessidade do seu PIDDAC para este ano contemplar verba para esta intervenção que, inclusivamente, tinha financiamento comunitário aprovado. No total, esta intervenção necessitará de cerca de 3,5 milhões de euros. É que o INAG poderá já ter concluído que, tal como António Neves afirma, “a defesa costeira na zona dos parques de campismo do INATEL e CCL está degradada”. Entretanto, António Neves reafirma ter dúvidas se a terceira fase desta obra vai continuar este ano. E nisto o MAMAOT, em resposta ao Jornal da Região, não é completamente esclarecedor. Ao mesmo tempo que garante que a situação “está a ser monitorizada”, quando questionado se no PIDDAC o INAG tem verba para avançar com a intervenção em 2012, diz que “no presente ano serão efectuados levantamentos, com vista a prosseguir a necessária monitorização das intervenções efectuadas e que permitam melhor fundamentar as tomadas de decisão face aos cenários em estudo”. A isto acrescenta que “após a avaliação em curso que está a ser realizada pelo INAG, com a colaboração da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e Faculdade de Ciências/ARH do Tejo, em articulação com a Administração do Porto de Lisboa, serão equacionadas as soluções a implementar, algumas das quais podem ser implementadas no decorrer do presente ano”. Humberto Lameiras

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sátira política e económica em Cascais

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Corsos de Carnaval percorrem as ruas da Malveira da Serra e de Janes A tradição do Carnaval ainda se mantém acesa na Malveira da Serra e em Janes, duas localidades vizinhas que, por carolice, ainda brincam, dançam, tocam e trazem milhares de pessoas de Cascais e não só para assistir ao corso carnavalesco que promete animar as ruas daquelas duas localidades da freguesia de Alcabideche. A sátira social, económica e política, nacional e internacional, fazem parte dos temas dos corsos. Figuras a representar o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, a Madeira e Alberto João Jardim ou mesmo construções alusivas à situação económica da Grécia e de Portugal estarão presentes. Os preparativos começaram em Janeiro e os carros alegóricos estão quase concluídos, conforme verificou o JR numa visita que fez às duas colectividades. Na Malveira da Serra, há cerca de 32 anos que se brinca ao Carnaval. A comissão organizadora do corso carnavalesco, o grupo dos “Tarrabuças”, em parceria com a Sociedade Recreativa da Malveira da Serra, vai levar por adiante as festas, com a realização de um corso, no domingo e na terça-feira às 15h00, com a participação de oito grupos de dança e cerca de 160 pessoas. Vai levar para a rua cinco carros, mais um da Azóia e outro de Manique e conta ainda com a presença dos “miúdos de Almoinhas Velhas”. Quim Físico e Hélder Gomes, dos "Tarrabuças", contaram que “o tema do corso carnavalesco são as artes". “Como acontece das outras vezes, tentamos sempre juntar a sátira política à brincadeira. Vamos ter uma caravela a representar Portugal a afundar e as ruínas da Grécia a cair. Iremos ter também o carro da música com os nossos principais políticos a dar música à gente, como sempre fazem, e o Alberto João Jardim a dançar que é o que ele faz mais”, explicou Quim Físico. Hélder Gomes adiantou ao JR que “isto é feito com muita carolice, dias e noites seguidas. Temos de tudo um pouco, pedreiros e electricistas a trabalhar. Não queremos deixar morrer esta tradição que conta com várias gerações. Já cá esteve omeu pai, agora já cá tenho o meu filho”. Em Janes, o tema do corso são os brinquedos. Hélder Gonçalves, vice-presidente da Sociedade de Instrução e Recreio de Janes e Malveira, disse que “vai haver de tudo um pouco. Barbies, bonecos de corda, tio Patinhas, papagaios e o Cavaco a tomar conta do menino Alberto João Jardim para este não fazer mais buracos”. Com cerca de 200 pessoas a participar no desfile, o corso de Janes parte às 15h00 da Sociedade para as ruas de Janes e no regresso junta-se ao da Malveira da Serra. “Vamos ter dois bonecos esqueletos andantes que poderão representar um pouco o país se continuar como está. Temos ainda a participação de 13 grupos do samba”, referiu ainda Hélder Gonçalves. A animação começa na sexta-feira e vai durar até terça-feira, dia 21 de Fevereiro. Lucélia Correia, também vice-presidente da Sociedade de Janes e Malveira, considera que “é importante que os dois corsos existam para manter viva a tradição do Carnaval em Cascais”. Hélder Gonçalves acrescenta que “este ano há um apoio declarado da Câmara de Cascais. O que foi uma boa surpresa para nós. Foi o reconhecimento do nosso trabalho de mais de duas décadas”. Este responsável disse que “no ano passado o presidente Carlos Carreiras viu pela primeira vez o nosso corso e mostrou-se muito surpreendido pela movimentação de pessoas. Este ano, deu um subsídio igual aos dois corsos e consente que os funcionários da autarquia que participem nos corsos possam fazer tolerância de ponto. O que é muito positivo”. Idêntica opinião tem também Quim Físico, para quem “é muito boma Câmara facilitar a participação no corso aos trabalhadores da autarquia”. Francisco Lourenço

CASCAIS Reorganização da PSP na mira do município

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‘Edifício Amarelo’ deverá ser demolido. Divisão de Cascais vai ocupar instalações da Brigada Fiscal O conhecido ‘Edifício Amarelo’, construído para receber a Divisão de Cascais da PSP, deverá ser demolido, anunciou ao JR, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras. Implantado em terreno camarário cedido ao Ministério da Administração Interna (MAI), situado na Avenida Eng. Adelino Amaro da Costa, o edifício nasceu para ser uma superesquadra, mas não passou de uma ‘supermonstruosidade’. O prazo inicial para a execução estava estimado em 16 meses, pelo preço de cerca de 1 800 000,00 euros. O edifício manteve-se inacabado anos sem conta, devido a problemas com o empreiteiro inicial, e já foram gastos mais de dois milhões de euros. Para a completa operacionalidade seria necessário investir mais cinco milhões de euros no reforço da sua estrutura. Mesmo assim, Carlos Carreiras considera que seria uma esquadra inoperacional. “É um projecto que já não está conforme as necessidades da polícia actual”, frisa o edil. “A intenção é que seja demolido porque não se conhece as suas funcionalidades, mas vamos ver a capacidade de poder ser adaptado”, sublinha Carlos Carreiras. Esta proposta faz parte de um pacote apresentado ao MAI para reorganizar a PSP no concelho. Dele fazem parte ainda o realojamento da Divisão de Cascais (esquadras territorial e de turismo) no antigo edifício da Brigada Fiscal da GNR, junto à lota de Cascais, e a construção no Quartel da Bateria da Parede, recentemente comprado pela autarquia ao Estado, das novas instalações para os profissionais da Parede e Carcavelos, bem como da Esquadra de Trânsito de Carcavelos e da Brigada Anti-Crime que actualmente está no Monte Estoril. Será ainda construída uma nova esquadra na Abóboda e ampliadas as instalações da esquadra de Trajouce. O protocolo com todas as disposições para a reorganização da PSP deverá ser assinado a 13 de Março, data em que se assinala o aniversário do Comando Metropolitano de Lisboa e cujas comemorações vão decorrer, este ano, em Cascais. No caso da 50.ª esquadra de Cascais, o presidente da Câmara pretende pôr fim a um caso "urgente", uma vez que os profissionais da Divisão da PSP trabalham em "condições degradantes", em instalações provisórias "há mais de 60 anos”. Estes agentes e a Esquadra de Turismo vão mudar para as antigas instalações da Brigada Fiscal. O actual edifício será destinado para “habitação e indústrias criativas”. A autarquia pretende também uma esquadra no Quartel Militar da Bateria da Parede, que concentre os profissionais da PSP da Parede e de Carcavelos, a Esquadra de Trânsito e a Investigação Criminal. A reorganização da PSP em Cascais passa também pela construção de uma nova esquadra na Abóboda, na freguesia de São Domingos de Rana, cuja obra já tinha sido adjudicada a uma empresa que entretanto abriu falência. Neste caso, a autarquia assume a responsabilidade da obra, que custará cerca de um milhão de euros, valor suportado pelo MAI. "De igual modo, a Câmara de Cascais concluirá a intervenção em curso de requalificação e ampliação das instalações da esquadra de Trajouce", acrescentou Carlos Carreiras. A Câmara aprovou, entretanto, a aquisição de três viaturas (Fiat Punto) que irá entregar à PSP de São Domingos de Rana, Estoril e Parede e pretende adquirir ainda duas motos. Além dos veículos, a autarquia vai disponibilizar também coletes reflectores (500), lanternas com bolsas (500), luvas (500), coletes (150) e outro equipamento, num investimento superior a 150 mil euros. Francisco Lourenço

Utentes querem voltar para a Damaia

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Protesto contra a transferência de oito mil pessoas para o centro de saúde da Buraca A Comissão de Utentes do Centro de Saúde da Damaia (CUCSD) voltou a concentrar mais de meia centena de pessoas, na quinta-feira, 9 de Fevereiro, à porta do edifício da unidade de saúde, num protesto contra a transferência de utentes sem médico de família para as instalações Buraca. Os manifestantes estavam determinados em não arredar pé até que fossem recebidos pela directora do Agrupamento dos Centros de Saúde da Amadora. A concentração decorreu até às 15 horas. A manhã fria não afastou os populares, na sua grande maioria idosos, que não desmobilizaram da porta das instalações do Centro de Saúde da Damaia. A dispersão só ocorreu após a comissão de utentes ter reunido com a directora do Centro de Saúde da Damaia, que garantiu “até ao final do mês, a reintegração de todos os utentes”, segundo avançou José Flores, representante da comissão. O protesto foi agendado porque todos os utentes inscritos no Centro de Saúde da Damaia sem médico de família atribuído, cerca de 8 mil, foram transferidos em Outubro para a unidade da Buraca, que funciona num prédio de habitação, sem elevadores, passando a abranger uma população de mais de 34 mil utentes. Ainda de acordo com José Flores, “a directora do agrupamento comprometeu-se a realizar a limpeza dos ficheiros até ao final do mês e, segundo as contas que nos apresentou, vai permitir reintegrar todos os utentes que haviam sido transferidos”. Luísa Delgado, moradora há 45 anos na Damaia, foi uma das utentes que em Outubro passou a ser atendida no Centro de Saúde da Buraca. “Aquele espaço não tem condições nenhumas, já vi utentes em cadeiras de rodas à espera no rés-do- -chão que os médicos desçam as escadas para serem atendidos”, relata. Apesar de ser hipertensa e diabética foi, assim mesmo, transferida. “Tenho de apanhar um autocarro que custa 1,75 euros e tem dias que vou lá duas vezes”, lamenta. Também Maria de Lurdes de Pina Ferreira contesta a transferência. “Deveriam ter vergonha daquilo que nos estão a fazer, lutámos tanto para que se construísse aqui um Centro de Saúde e agora o equipamento está a funcionar, mas está quase vazio”, lamenta. Existem perto de 24 mil utentes inscritos no Centro de Saúde da Damaia, porém, de acordo com os últimos dados dos Censos, na freguesia residem apenas cerca de 21 mil habitantes. Na Amadora, num universo de 206 mil habitantes, há mais de 86 mil que não têm médico de família. Milene Matos Silva

AMIAMA Animais abandonados podem ser apadrinhados

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Crise está a levar muita gente a abandonar animais domésticos Quem não tem condições para ter um cão em casa, pelos mais variados motivos, pode, assim mesmo, usufruir da sua companhia por apenas 10 euros por mês, através da campanha de apadrinhamento que está a ser desenvolvida pela Associação dos Amigos dos Animais e do Ambiente da Amadora (AMIAMA). São inúmeros os esforços da AMIAMA para doar os cães abandonados e encontrados na rua, mas também para angariar fundos para os que ainda permanecem no abrigo, de forma a dar-lhes mais conforto e uma vida digna. Como solução, a direcção da associação está a promover, para além das habituais campanhas, o apadrinhamento dos cães que ainda permanecem na instituição de forma a garantir a sua alimentação e cuidados de saúde. Por apenas 10 euros por mês, o padrinho garante que o seu afilhado possa ter diariamente comida e acesso a medicamentos ou tratamentos. Em troca, os padrinhos podem passar o fim-de-semana na sua companhia ou apenas levá-los a passear durante algumas horas. Mariana Pais, presidente da associação, refere ser esta “uma boa forma que ajuda a angariar verbas”, mas acima de tudo, promove o convívio e o lazer de animais que passam a semana fechados. “Já que não podem ter um lar pelo menos passeiam ao fim-de-semana”, acrescenta a responsável. Há mais de um ano que Luísa Pereira apadrinhou o Tony, um cão encontrado na rua com cerca de seis anos. Tem dois cães em casa, um dos quais foi buscá-lo à AMIAMA. Motivo pelo qual não pode levar mais, mas ajuda sempre que necessário. Todos os domingos passeia o seu afilhado, mas também outros cães do abrigo. Voluntária e madrinha, já tinha adoptado um cão cego e cardíaco, “aquele que ninguém queria”, refere. “Levei-o porque ele não se estava a adaptar às condições da AMIAMA,que apesar de serem boas, não são iguais às proporcionadas por um lar”, explica. Vive num apartamento, em Alfragide, e garante que “só não tem condições para ter animais quem não quer”. Esta campanha tem-se revelado “um sucesso”, de acordo com Mariana Pais, que acrescenta: “Todos os ‘Patudinhos’ que estão na AMIAMA têm um padrinho, alguns têm mesmo mais do que um, porque nem todos podem vir passeá-los”. A responsável sublinha ainda que “temos tido alguns casos em que os padrinhos levam os seus afilhados aos fins-de-semana e acabam por adoptá-los, o que é também um dos nossos objectivos”. O abrigo da AMIAMA, com capacidade para cerca de 80 cães, acolhe todos os animais errantes, porém a maioria é muitas vezes deixada à porta ou mesmo nas imediações. Mariana Pais diz que há cada vez mais situações, mas recusa a desculpa da crise: “É apenas mais uma desculpa, porque quando me ofereço para doar sacas de ração para que as pessoas mais carenciadas possam continuar a manter os seus animais domésticos, elas muitas vezes recusam”. Oq ue leva ao limite a capacidade de resposta do abrigo. “Recolhemos sempre mais animais do que aqueles que conseguimos doar”, remata. Mariana Pais é a presidente da AMIAMA desde 2009. Quando chegou à instituição encontrou dívidas, herança da direcção anterior. “Neste momento, já conseguimos equilibrar as contas da associação e todas as campanhas são necessárias para que isso aconteça”, assegura. A AMIAMA vive do trabalho voluntário.Neste momento, já são mais de 30 pessoas que dão o seu tempo para ajudar a instituição e os seus animais. Milene Matos Silva