terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

SINTRA ‘Valorizar o património e torná-lo sustentável’

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Presidente da Parques de Sintra, António Lamas, enuncia os principais desafios e prioridades para o corrente ano "O nosso objectivo é valorizar este património e torná-lo sustentável, uma vez que vivemos, exclusivamente, das receitas dos visitantes". António Lamas sintetiza a missão da Parques de Sintra-Monte da Lua (PS-ML), nas primeiras semanas de um novo ano que promete trazer novidades nos parques históricos da Paisagem Cultural de Sintra. Para o presidente do conselho de administração da PS-ML, o principal desafio de 2012 compreende a assunção da gestão dos palácios nacionais de Sintra e de Queluz. A formalização da transferência, da tutela do Instituto de Museus e da Conservação, ainda não se tornou oficial, mas a empresa de capitais públicos, criada em2000, já tem consciência das potencialidades e dificuldades da nova responsabilidade. "Aguardamos que se concretize a transferência dos palácios da Vila e de Queluz", sublinha este responsável, em entrevista exclusiva ao Jornal da Região. O novo desafio vai trazer receitas, dado o volume de visitantes que demandam os dois palácios, mas também alguns custos, atendendo à necessidade de investimento. "Os dois palácios estão a precisar de muitas obras, de muitos restauros, de muita revitalização", frisa António Lamas. Ainda sem noção do investimento a despender em obras, o presidente da PS-ML sublinha que "apenas há a noção de que Queluz precisa de mais investimento do que o da Vila, até porque Queluz precisa de ser revitalizado, porque tem menos visitantes do que seria desejável". Neste caso, uma das principais prioridades reside em prosseguir a requalificação dos jardins e, por outro lado, melhorar as condições de acolhimento da Escola Portuguesa de Arte Equestre. Na Vila de Sintra, o palácio necessita de ser dotada de algumas infra-estruturas e de "um restauro contínuo, mas exige um esforço menos forte". Além de ser encarada como uma prova de confiança na gestão da empresa, a transferência de tutela, decidida pela Secretaria de Estado da Cultura, vai permitir beneficiar dos meios da empresa de capitais públicos. "Os dois palácios vão beneficiar da experiência e meios que temos para acudir a diversos aspectos, seja ao nível da segurança, limpeza, as componentes técnicas de obras ou manutenção de jardins", salienta este responsável. Por outro lado, beneficia da definição de um roteiro cultural integrado. "Uma das queixas de Queluz, por exemplo, é que a Pena canibalizou Queluz, ou seja, os visitantes vão a correr para a Pena, passam no IC19 e não param ali", revela António Lamas, que indica como estratégia "arranjar percursos integrados, em que as pessoas possam visitar, numa ‘navete’, os vários palácios e pólos patrimoniais". "Vamos, sobretudo, poder oferecer a Sintra uma animação diferente", salienta. Questionado sobre a realidade financeira da empresa de capitais públicos, António Lamas salienta que é possível constatar a tendência de crescimento, "em número de visitantes e de receitas", com boas perspectivas em termos de sustentabilidade. "É sustentável se estivermos sempre atentos a esta realidade: os visitantes vêem se tiverem coisas interessantes para ver, ou seja, há necessidade de criação de novos pólos de atracção", sublinha este responsável, dando conta que nessa estratégia se insere a abertura, no próximo Verão, da Quinta da Pena. Em 2011, os parques históricos de Sintra receberam a visita de um milhão e 70 mil visitantes, um crescimento de 10 por cento, "o que é um valor muito significativo". A esmagadora maioria dos visitantes são estrangeiros, com os nacionais a ficarem diluídos nas estatísticas (cerca de 12% do total de visitantes dos parques). Uma tendência que resulta da postura dos portugueses de que, visitado uma vez um determinado monumento, a visita é para toda a vida. Os eventos realizados nos parques históricos, ou em espaços pedagógicos como a Quintinha de Monserrate, esses, são, predominantemente, dirigidos ao público nacional. "Os portugueses são mais atraídos por eventos de animação", sublinha. António Lamas salienta que, nos últimos quatro anos, a empresa investiu, em termos de reabilitação do património à sua guarda, cerca de quatro milhões e meio/cinco milhões de euros por ano, com recurso a programas de apoio financeiro, desde o Programa Operacional de Ambiente, fundos do Turismo e o mecanismo europeu EEA Grants, que viabilizou a recuperação do Palácio de Monserrate e do Chalet da Condessa. Além da necessidade de novos programas para continuar a investir na reabilitação, o presidente da PS-ML adverte que é necessário afectar recursos para a manutenção. "O crescimento dos nossos investimentos corresponde também a uma subida das verbas de manutenção. Haveremos de chegar a um ponto em que os investimentos começam a diminuir e passam a crescer as verbas de manutenção", acentua António Lamas. O investimento passa, também, pela limpeza das manchas florestais, nomeadamente as que foram adquiridas pela empresa na zona de protecção da Paisagem Cultural de Sintra. Como financiamento do PRODER, será concretizada a "limpeza das parcelas adquiridas e a sua reflorestação", em especial na Tapada do Saldanha que é "a floresta mais degradada da Serra de Sintra". A área adquirida totaliza cerca de 160 hectares, num total de 372 ha que compõem a tapada, e vão representar um investimento de limpeza e requalificação florestal a rondar um milhão de euros, ao longo de dois anos. João Carlos Sebastião

TAPADA DAS MERCÊS Nova unidade de saúde

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Sete médicos vão servir cerca de 12 mil utentes Indiferente ao frio que se fazia sentir na manhã da passada sexta-feira, Maria Fernanda Neves subia apressada as escadas que separam a Rua Professor Rui Luís Gomes da Avenida Embaixador Aristides de Sousa Mendes, na Tapada das Mercês. Passavam poucos minutos das 10 da manhã e D. Maria foi a primeira utente a inscrever- se na nova Unidade de Saúde da Tapada das Mercês, um anseio de há muitos anos da população local. Ameio caminho da sua residência, D. Maria encontrou a vizinha Virgínia Lemos e o motivo de conversa foi espontâneo: "A Tapada das Mercês já tem unidade de saúde". D. Maria é uma das milhares de utentes inscritas no Centro de Saúde de Algueirão-Mem Martins sem médico de família. Na passada quinta-feira, por mero acaso, ao recorrer às urgências na unidade de saúde, foi informada que, a partir do dia seguinte entre as 10h00 e as 16h00, já se podia inscrever no n.º 40 da Rua Professor Rui Luís Gomes. Assim fez logo no momento da abertura, mas carecia da apresentação de um comprovativo de residência e, por isso, a deslocação até à sua casa. À reportagem do JR, D. Maria não esconde a satisfação por, finalmente, passar a dispor de assistência médica na zona de residência. "Já vivo na Tapada das Mercês há 15 anos e nunca tive médico de família, andava de porta em porta", confessa esta freguesa de Algueirão-Mem Martins, de 55 anos, obrigada a recorrer à unidade de saúde da sede de freguesia. "Tinha de ir às seis da manhã para a porta, para ter uma vaga", lamenta-se. A partir desta segunda-feira, dia 6 de Fevereiro, D. Maria passou a ter médico mesmo ao pé da porta. Numa primeira análise, afiança que "as instalações são muito boas e, além disso, a Tapada merece todo o respeito". Ainda sem saber, nesse preciso momento, o nome do profissional de saúde, já tem a garantia de que "para a semana (esta semana) tenho médico permanente". Mas, não deixa de lamentar a fraca divulgação da boa-nova para a população da Tapada. Se não tivesse recorrido ao atendimento complementar, não sabia de nada. À porta do Centro de Saúde de Algueirão-Mem Martins, um simples aviso alerta que, "se não tem médico de família; é residente na Tapada das Mercês", deve inscrever- se na nova unidade de saúde. "As pessoas que moram na Tapada devem ir a Mem Martins buscar os processos e vir para aqui, que é a nossa zona e é aqui que merecemos ser assistidos", reforça esta moradora na Tapada das Mercês. A vizinha Virgínia ouve a conversa com muita atenção, mas ainda não sabe que também vai beneficiar da entrada em funcionamento da nova unidade de saúde. Residente na Tapada há mais de 20 anos, Virgínia tem médico na Unidade de Saúde Familiar instalada nas instalações de Ouressa. Neste caso, um aviso à porta adverte que "os utentes pertencentes à lista da dr.ª Filomena Viegas passam, a partir de 6 de Fevereiro, a ser assistidos pela própria" nas novas instalações da Tapada das Mercês. Confrontada com o aviso pelo JR, esta utente frisa que "tenho que ir ver isso". "Quando para cá vim, fui para o Centro de Saúde de Algueirão-Mem Martins, mas, quando abriram aquela unidade de saúde em Ouressa, a minha médica foi para lá e tive que ir para lá", relata Virgínia Lemos. E, vai para Ouressa em transporte próprio? "Não, vou a pé... Vou e venho a pé... Mas, custa-me muito porque tenho muitos problemas de ossos. Quando está a chover muito, ainda apanho aqui o comboio até Algueirão-Mem Martins e depois vou a pé", lamenta-se, enquanto não esconde a expectativa de poder confirmar a notícia dada pela equipa de reportagem do JR de que a sua médica de família vai assentar arraiais na Tapada das Mercês. Uma urbanização que, segundo esta moradora, já merecia uma unidade de saúde. "Era mesmo o serviço que nos fazia mais falta", conclui Virgínia Lemos. Há dois anos, pelo menos, que a população da Tapada das Mercês aguardava pela entrada em funcionamento da unidade de saúde, após a realização de obras de adaptação do imóvel onde já funcionou o Gabinete de Apoio ao Munícipe e mesmo uma escola primária. Após várias reclamações do poder autárquico, com particular ênfase para a Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins, a Tapada das Mercês já tem, finalmente, a sua unidade de saúde. João Carlos Sebastião

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ALMADA Comércio local perde lojas históricas

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Comerciantes criticam as alterações de trânsito Algumas das lojas de referência do centro de Almada já fecharam e outras estão a passar por grandes dificuldades. Para o presidente da Delegação de Almada da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal (ACSDS), Gonçalo Paulino, o aumento das dificuldades económicas das famílias não é a única razão para explicar a quebra no negócio das lojas e reafirma que "a grande culpa está nas alterações de trânsito". “Já alertámos a Câmara, por diversas vezes, que este modelo não funciona, pelo que é urgente alterá-lo”. Entretanto, a autarquia está a avaliar o Plano de Acessibilidades XXI e o representante dos comerciantes afirma que a Delegação de Almada não foi chamada para integrar a equipa que está a efectuar este trabalho. “Já contactámos, por carta, os departamentos e a Divisão de Trânsito da Câmara que estão a fazer esta avaliação, mas não recebemos qualquer resposta”. Aliás, acresce que os comerciantes “nunca foram ouvidos” para a elaboração deste plano. “Estranhamos que essa análise seja unicamente sobre o tráfego e estacionamento e não contemple a componente socioeconómica”. Gonçalo Paulino diz que a Delegação “está disponível” para fornecer dados sobre quantas lojas fecharam desde as alterações de trânsito no centro de Almada e quantas pessoas perderam o emprego. Pelos seus cálculos, só no centro da cidade “já encerraram cerca de 200 lojas” e foram extinguidos “700 postos de trabalho no comércio”. Tudo isto depois das obras para implementar o Metro Sul do Tejo, e “nunca foi criada uma comissão para avaliar esse impacto”. Segundo o representante dos comerciantes, a autarquia “tem a obrigação” de promover um estudo sobre a opinião do comércio relativamente às alterações de trânsito, mas à falta do mesmo a Delegação avançou ela própria com uma auscultação, esta semana. “É um questionário a todos os comerciantes de Almada para avaliarmos o efeito que as obras e as alterações de trânsito tiveram na sua vida, e dos seus funcionários, em termos económicos”. O resultado desta análise deverá ser apresentado aos vereadores das diferentes forças políticas, em Março. Relativamente ao protesto dos comerciantes por não serem ouvidos na avaliação do Plano de Mobilidade, a autarquia afirma ao Jornal da Região que este “está a ser revisto no que respeita aos seus vários regulamentos”. Após este trabalho técnico, “haverá lugar à discussão pública onde todas as entidades serão consultadas”. Mas, para Gonçalo Paulino, existem outros motivos de descontentamento, como a actuação da Ecalma e a “falta de promoção dos parques de estacionamento”. Segundo este responsável, a Ecalma “tem de actuar mais pela pedagogia e menos pela caça à multa”. É que “as pessoas têm medo de vir a Almada” e pior ainda quando “os parques de estacionamento estão mal sinalizados”. Sobre esta matéria, refere que a Delegação propôs à Ecalma, “há cerca de ano e meio”, que o acordo para as senhas de estacionamento a adquirir pelo comércio local, para oferecer aos clientes, não seja apenas para o parque de estacionamento da Avenida D. Afonso Henriques, mas seja alargada aos outros parques. Além da própria promoção dos referidos parques, mas “mais uma vez não tivemos resposta”. Em resposta a esta questão, a Câmara de Almada afirma que “a tarifa especial de estacionamento aplicada no Parque da Avenida D. Afonso Henriques está também a ser aplicada no Parque da Rua Capitão Leitão”. Quanto ao alargamento a outros parques de estacionamento, “poderá ser equacionado quando houver uma revisão do contrato de gestão estabelecido entre o município e a Ecalma". Para Gonçalo Paulino é essencial que a Câmara se preocupe com os comerciantes até porque “quanto mais comércio existir e mais actividade económica, mais a Câmara ganha”. Por isso, “é vital que a autarquia ponha em prática políticas para atrair ao centro de Almada as lojas âncora”, mas para isso também tem de manter o sector dos serviços a funcionar. “O centro de Almada já perdeu a EDP, já ficou sem o Tribunal, agora se a Câmara concretiza a mudança dos Paços do Concelho para o Centro Sul será a machadada final no comércio”. Por isso, diz, a autarquia “tem de ter uma estratégia para o comércio local” de modo a que “as pessoas voltem a ter o hábito e gosto de vir a Almada”. Em contraponto, a Câmara de Almada garante que está preocupada com o comércio local,mas “o que se está a passar no concelho com as lojas de referência, e não só, está- se a passar na Área Metropolitana de Lisboa e em todo o país. São perdas irreparáveis, muitas delas de empresas familiares construídas ao longo de gerações. Por isso, encara-se esta questão com apreensão”. Mas, para a autarquia de Almada, o grande problema está na “ausência de políticas nacionais que passem pela dinamização e estímulo da economia. O aumento do desemprego, o corte nos salários, o aumento do IVA(nomeadamente o sector da restauração) entre outras medidas, levam a uma redução do poder de compra das pessoas, com implicações directas na redução das actividades económicas e no sector do comércio em particular”. A isto, adverte a autarquia, que “o Governo assume que está a estudar medidas de incentivo a este sector, mas passado mais de meio ano, ainda não se percebeu quais as medidas de apoio ao comércio local que vai tomar. Esta é uma situação que só poderá ser atenuada com políticas nacionais. Assim, é urgente que haja uma alteração de políticas que travem o desemprego e que dinamizem a economia”. Humberto Lameiras

Obras em Cacilhas recomeçam em Março

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Autarquia consegue evitar atraso de mais sete meses na empreitada da Rua Cândido dos Reis O consórcio que tinha a cargo a requalificação e pedonalização da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas, alegou falta de capacidade financeira e deixou a obra a meio, mas a autarquia diz que os trabalhos serão retomados em "meados de Março" com outro empreiteiro. A responsabilidade de continuar a obra está agora nas mãos da única empresa, entre as cinco que concorreram, que ainda está no mercado. A empreitada vai custar quase 270 mil euros ao qual acresce o IVA. Ao optar pelo ajuste directo a autarquia consegue em cerca de mês e meio resolver uma situação que, em caso de consulta pública, demoraria cerca de sete meses. Isto obrigou ao entendimento entre as várias forças políticas no executivo municipal, mas, apesar de todas darem indicação de estarem de acordo com uma resolução rápida, surgiram diferenças de opinião quanto ao carácter da reunião em que o processo seria aprovado. A maioria CDU decidiu que este processo deveria ser tratado em reunião extraordinária, com carácter privado, mas os vereadores socialistas entenderam que este assunto, a bem da “transparência”, deveria ser levado a reunião pública, o que acabou por acontecer. Mas, pelo meio ficaram algumas trocas de palavras com o PS a ser acusado pelo PSD e CDU de ter atrasado o processo de decisão. “Apesar de ser legítima a posição do PS, os moradores e comerciantes querem urgência na conclusão da empreitada”, referiu o vereador social-democrata Nuno Matias. É que a maioria CDU convocou uma primeira reunião para decidir este processo onde estiveram todos os vereadores menos os do PS. Nesta ocasião, o PS alega que alertou “atempadamente” o executivo que não participava na reunião não pública, mas a CDU e o PSD dizem ter sabido desta posição do PS apenas algumas horas antes. Perante este desacerto a presidente da Câmara Municipal de Almada, Maria Emília de Sousa, decidiu “para que não houvessem dúvidas” convocar nova reunião, desta vez pública. No entanto, justificou que a primeira (não pública) teve este carácter por ser necessária a presença de técnicos da área jurídica e do urbanismo para esclarecerem os vereadores sobre o procedimento para nova adjudicação. E, neste caso, o vereador social- democrata Pedroso de Almeida está também de acordo. “Esta é uma decisão que deve ser por unanimidade, por isso os vereadores precisam de ser esclarecidos pelos técnicos”. Por isto, Pedroso de Almeida considerou que a presidente da Câmara de Almada não devia ter interrompido a primeira reunião. “A CDU e o BE estiveram mal quando a adiaram” e acrescentou que “não são as plateias que tornam as decisões mais claras”. Mas a vereadora do Bloco de Esquerda, Helena Oliveira, considera que a reunião tinha de ser interrompida para se perceber qual a decisão do PS. Mas, para o PS não é entendível que uma autarquia onde as reuniões são públicas, esta tivesse outro carácter. Através do vereador António Mendonça, reiterou que “sempre mostrou disponibilidade para viabilizar uma solução expedita do assunto”. Contudo, o autarca não perdeu oportunidade de apontar o dedo à Câmara por ter “omitido” aos moradores e comerciantes da Rua Cândido dos Reis que a obra estava em risco de atrasar. No final da reunião os socialistas entregaram uma declaração de voto onde vincam que o executivo municipal deveria ter sido mais claro com a população quanto ao andamento da obra e requerem que a autarquia considere medidas “compensatórias” para o comércio afectado por todo este processo. Entretanto, o executivo camarário já reuniu com a população e transmitiu que as obras vão ser retomadas e explicou o motivo que levou à paragem das mesmas. Humberto Lameiras

OEIRAS Parque dos Poetas reduz gastos

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Câmara aprova nova supressão de trabalhos no valor de quase um milhão e meio de euros Porque nem a poesia está imune à realidade da contenção orçamental, a Câmara de Oeiras aprovou, na reunião do passado dia 25 mais um conjunto de trabalhos a suprimir no âmbito da 2.ª fase do Parque dos Poetas. Os cortes agora anunciados permitem elevar a fasquia da poupança dos cerca de 3,2 milhões de euros já anteriormente alcançados – através de decisão camarária datada de Setembro do ano passado – para 4,5 milhões de euros. Segundo esclareceu ao JR a vereadora das Obras Municipais e Espaços Verdes, Madalena Castro, não há eliminação de nenhuma valência prevista inicialmente para aquela empreitada, mas apenas um ajustamento da sua dimensão. “São trabalhos que foram considerados dispensáveis à luz da necessidade de contenção de despesas; não suprimem nada em concreto, eventualmente reduzem a dimensão ou a espectacularidade de algumas obras, mas não implicam, de todo, com a fruição e funcionamento futuro do parque”, especificou aquela responsável autárquica. A retirada de quase 800 mil euros à despesa com o parque de estacionamento avulta entre a lista de cortes agora efectuados, na qual consta, ainda, menos 21% de árvores na zona A e B (240 mil euros, aproximadamente) e reduções de custos em obras como o parque infantil, o anfiteatro, bancos e papeleiras (diminuição do seu número) e o Templo da Poesia. Já antes haviam sido eliminadas despesas relacionadas com a Cascata da Poesia, a escadaria metálica, fontes, pérgulas, candeeiros, tanques e telecomunicações, entre outras. A proposta de deliberação aprovada pelo executivo municipal faz menção, também, aos “sucessivos atrasos não aceitáveis numa obra desta natureza”, com “desvios nos cronogramas físico e financeiro da obra”. Recorde-se que a empreitada da 2.ª fase do Parque dos Poetas foi colocada a concurso público (internacional) em meados de 2008, com preço-base de cerca de 29 milhões de euros. Foi adjudicada, em reunião de Câmara de 23 de Setembro de 2009, ao Consórcio Edifer, S.A. Artemisia, S.A., com o prazo de execução de 36 meses, pelo valor de quase 27 milhões de euros, ou seja, menos dois milhões de euros (cerca de 8% do valor-base de licitação), tendo a consignação sido efectuada em 5 de Abril de 2010. “Constatando-se que os ritmos de execução dos trabalhos por parte do empreiteiro têm sido diminutos, ao ponto de se realizar apenas 7% dos trabalhos previstos – no final de Dezembro existia um atraso global de 10 908 553,12 euros – face ao cronograma aprovado, a signatária encetou outras iniciativas para alertar o conselho de administração da Edifer da presente situação crítica que a obra atravessa”, lê-se na proposta. A lenta progressão dos trabalhos tem sido atribuída às correntes dificuldades de financiamento bancário. A fase B da empreitada, na qual se insere a Ilha dos Amores (homenagem a Camões), deveria estar pronta a inaugurar no próximo dia 21 de Março. Quanto à fase A, que envolve equipamentos de maior dimensão como o Templo da Poesia ou o Garden Center, era suposto estar concluída no final do 1.º trimestre de 2013. Prazos algo ‘poéticos’... Jorge A. Ferreira

OEIRAS ‘Igreja-foguetão’ vai renascer em breve

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Correcção de alterações permite concluir obra polémica do arquitecto Troufa Real em Miraflores Igreja-“foguetão”, “cilindro” ou “paliteiro”… São vários os baptismos informais já feitos pela população a respeito da obra do arquitecto Troufa Real que está parada há cerca de dois anos em Miraflores. Agora que a estátua de Santo Ambrósio foi inaugurada num parque situado ali perto talvez surja o milagre que os fiéis há muito esperam: a conclusão de um projecto que teve o seu início em 2001 e que já absorveu dois dos mais de três milhões de euros previstos! O calvário deverá estar perto do fim. Segundo revelou ao JR o padre Daniel Henriques, que assumiu esta paróquia em 2005 e já apanhou a empreitada em andamento, “têm ocorrido reuniões regulares entre responsáveis da empresa encarregada do projecto de especialidades, os engenheiros da equipa técnica da Igreja e os especialistas da Câmara Municipal com o objectivo de reunirmos os elementos em falta para a obra poder recomeçar, o que deverá acontecer em breve”. Depois, a contagem decrescente para o templo ficar pronto será curta. “A execução será rápida, não mais de seis a oito meses, porque a estrutura está pronta e o resto, no fundo, são apenas acabamentos”, sublinha o responsável pelos “rebanhos paroquiais” de Algés, Miraflores e Cruz Quebrada-Dafundo. A Paróquia de Cristo-Rei de Algés é a adjudicatária da obra, que inclui uma torre destinada a igreja, um auditório e áreas sociais e de apoio. Uma destas componentes, o Centro Pastoral, já está pronto há três anos e tem sido utilizado para a catequese, os escuteiros, reuniões e actividades diversas. Com a construção da Igreja propriamente dita é que tem sido o diabo... Muitos atrasos e muitas mais polémicas, inclusive com ‘galhardetes’ trocados entre o dono da obra e o arquitecto. Há pouco tempo, aquando da inauguração de um outro templo (a ‘Igreja- Caravela’ do Alto do Restelo) que tem merecido, igualmente, debates inflamados a propósito das suas opções, Troufa Real acusou, publicamente, os executores da obra em Miraflores de estarem a desfigurar o projecto inicial e até de colocarem em perigo a segurança estrutural da igreja. O padre Daniel discorda.“ Apenas se alterou a solução estrutural que era em paredes maciças de betão para uma estrutura reticulada com vigas e pilares (estrutura que está executada)”, contrapõe. “Caso existam, as alegadas fragilidades não devem certamente ser atribuídas ao dono de obra, uma vez que construímos de acordo com o projecto entregue pela equipa projectista na área das especialidades”. Sendo que “durante a execução da obra esteve sempre presente nas reuniões semanais uma arquitecta em representação do gabinete do Professor Troufa Real”. O prior reconhece, no entanto, que a razão principal da alteração da estrutura, tornando- a mais leve e barata, “prendeu- se com o elevadíssimo custo da solução inicial, segundo os orçamentos pedidos para o efeito”. Face à reclamação do arquitecto Troufa Real, a Câmara Municipal “sugeriu à Paróquia que fossem suspensas as obras até esclarecimento do assunto e eventual correcção, como forma de evitar um processo mais moroso e de maiores custos que poderia no limite conduzir ao embargo da obra”, conta o clérigo. E a correcção já está no horizonte, segundo revelou ao JR o presidente da autarquia. “Vamos fechar com alvenaria de tijolo os vãos da estrutura de forma a criar uma superfície contínua que permita a aplicação do revestimento final previsto pelo arquitecto Troufa Real, isto é, os azulejos de Querubim Lapa”, informou Isaltino Morais ao JR Quanto ao custo da obra, é certo que já se gastaram dois milhões de euros, mas ainda não é líquido que não se venha a ultrapassar o orçamento estimado de 3,1 milhões (a Câmara comparticipa com um milhão de euros). Já sobre o aspecto da obra, padre Daniel não vê sombra de pecado. “Não é muito comum, de facto, mas eu penso que o arquitecto teve aqui algumas intuições positivas: uma delas é que a igreja não fosse algo atarracado aqui no meio de tantos prédios e que se erguesse, pelo menos, ao nível dos mesmos; outra é a configuração redonda, que também serve de elemento diferenciador”. E conclui: “Não há uma regra canónica do que deve ser uma igreja para além das regras da concepção do espaço em termos litúrgicos e celebrativos. O resto depende da criatividade do arquitecto... sem que este esqueça que existe uma comunidade paroquial que acaba por ser o dono da obra”. Jorge A. Ferreira