quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TRANSPORTES ALMADA Governo recua, autarcas e utentes desconfiam

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Ligações fluviais mantêm-se, mas com ajustes. Preocupação está agora na proposta de extinção da Linha 2 do Metro O Governo recuou e vai manter a ligação fluvial entre a Trafaria e Belém, assim como as ligações da Transtejo em Cacilhas, Seixal Barreiro e Montijo. Também no sentido contrário à proposta apresentada pelo grupo de trabalho criado pelo Governo para os transportes, o secretário de Estado que tutela esta pasta deu a saber à Junta Metropolitana de Lisboa (JML) que vai manter a carreira da Carris 753 entre o Centro Sul e a Praça José Fontana, em Lisboa, Para o presidente da JML, Carlos Humberto, isto representa uma “evolução positiva” relativamente ao primeiro documento apresentado pelo grupo de trabalho, mas deixa algumas preocupações no ar. É que apesar do Governo ter dado ouvidos aos protestos dos autarcas e comissões de utentes de transportes, na nova proposta refere a necessidade de serem feitos “ajustes de frequências” e coloca em cima da mesa a possibilidade de acabar com a Linha 2 do Metro Sul do Tejo (MST), entre Corroios e o Pragal. Estes “ajustes” acrescentados ao aumento dos títulos dos transportes já em Fevereiro, leva as comissões de utentes de transportes da Margem Sul, Montijo e Linha do Sado a uma acção junto da população hoje, quinta-feira, no Cais do Sodré. Em seguida pretendem dirigir- se ao Ministério da Economia para protestar contra o aumento dos títulos de transporte e redução de horários. Contactado pelo JR, o Ministério da Economia não deu resposta sobre um eventual corte nas frequências das ligações fluviais e sobre a extinção da Linha 2 do MST. Já quanto à concessionária do Metro, a Metro Transportes do Sul, prefere não comentar a possibilidade avançada pelo Governo. Entretanto Luísa Ramos, da Comissão de Utentes dos Transportes da Margem Sul (CUTMS), afirma estar preocupada também com a hipótese de “corte no número de carreiras no eixo do MST”. Mas a empresa responsável pelo transporte público rodoviário garantiu ao Jornal da Região que “desconhece qualquer plano de redução das carreiras” neste eixo. A porta-voz da CUTMS diz não estar descansada enquanto o Governo não disser quais são os ajustes às frequências, e comenta que “não podemos ter transportes públicos apenas às horas de ponta”. Acrescenta ainda que “não podemos ter umavisão redutora do serviço público”. A hipótese de redução dos horários e o aumento dos títulos de transportes e dos passes sociais leva Luísa Ramos a acreditar que o Governo tem na mira a “privatização dos transportes públicos”, ou seja, “está a aliciar grupos alemães e franceses que já actuam em Portugal”. A hipótese de acabar com a Linha 2 do MST também não faz sentido para o vereador Rui Jorge Martins, responsável pelo pelouro dos Transportes em Almada. Lembra que desde o início do estudo do grupo de trabalho criado pelo Governo que a extinção desta ligação é apontada, mas a autarquia de Almada já informou a JML que não está de acordo com este corte, indicação que será incluída na nova proposta a enviar por este organismo para o Ministério da Economia. Para Rui Jorge Martins, cortar uma das ligações do Metro é uma decisão “contraproducente” à rentabilidade deste transporte pelo que “nem a própria MTS ganha com esta decisão”. Por outro lado, isto obrigaria a que os utentes vindos do lado de Corroios tenham de fazer transbordo na estação da Avenida Bento Gonçalves para seguirem para o Pragal, e esta “não tem condições de segurança para funcionar como plataforma”. Defende o vereador que a rentabilidade do metro está em aumentar o investimento com mais ligações, caso da falada linha para a Costa da Caparica e Seixal. “Quanto mais linhas existirem mais atractivo será este transporte”. Por outro lado, “é necessário que o MST integre a rede do passe social”. Portanto na sua opinião, a hipótese que o Governo está a colocar “é incompreensível”. Humberto Lameiras

OEIRAS Deputados municipais avaliam Tratolixo

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Integração da empresa em nova estrutura multimunicipal apontada como solução A resolução dos problemas da Tratolixo passa por retomar o processo de decisão da sua integração num sistema multi-municipal a criar com a participação da EGF (Empresa Geral de Fomento, sub-holding para a área dos resíduos do grupo Águas de Portugal, na esfera do Estado), seguindo- se, mais tarde, a sua adesão à Valorsul (que gere os resíduos de 19 câmaras da Grande Lisboa). Este é o rumo que o presidente da Câmara de Oeiras voltou a defender perante os jornalistas, à margem da última reunião da Assembleia Municipal de Oeiras (AMO), realizada na passada terça-feira e onde este assunto esteve em destaque. A estratégia, definida desde Março do ano passado com a anterior ministra do Ambiente (Dulce Pássaro), acabaria por sofrer os atrasos inerentes à posterior evolução política, com a mudança de Governo e o facto de ainda não estar nomeado o conselho de administração da Águas de Portugal ou da própria EGF. Aposição é comum aos presidentes de câmara dos quatro municípios que constituem a Tratolixo – Mafra, Cascais e Sintra – os quais se reuniram no passado dia 20 para discutir os planos futuros daquela empresa e os problemas mais imediatos, entre os quais a falta de financiamento que está a atrasar a entrada em pleno funcionamento da nova central de tratamentos e gestão de resíduos da Abrunheira, em Mafra. Desse encontro resultou a decisão de solicitar uma reunião com a actual ministra do Ambiente (Assunção Cristas) para “dar seguimento ao processo e assegurar o financiamento que falta” no projecto, orçado em cerca de 100 milhões de euros. “O sindicato financeiro que financiava as obras suspendeu o financiamento e faltam ainda 24 milhões”, concretiza Isaltino Morais. “Quanto mais tarde entrar em funcionamento maior é a nossa tarifa”, fez notar o edil, especificando o que está em causa: “Os municípios da Tratolixo pagam quase 50 euros por tonelada, enquanto os municípios integrados na Valorsul pagam 24!”. A discussão deste assunto na reunião da AMO seguiu-se, precisamente, a uma visita recente às instalações da nova estrutura na Abrunheira (concelho de Mafra), a qual inclui uma estação de tratamento de águas residuais e uma central de digestão anaeróbia (solução técnica que permite reaproveitar os resíduos para produzir energia renovável e composto agrícola e recuperar materiais recicláveis na fase do pré-tratamento). A gestão municipal nesta área não escapou a críticas contundentes. Sobre eventuais responsabilidades a apurar, o presidente da Câmara de Oeiras lembrou aos jornalistas que foi sua a iniciativa de, em 2006, substituir a administração de então daquela empresa. “Foi pedida uma auditoria, que vai ser feita agora, justamente à forma como funcionou o desenvolvimento do projecto, quer ao nível dos fundos comunitários quer ao nível do sindicato bancário”, informou, ainda o autarca. Para já, reforçou Isaltino, “o essencial é que surja a decisão política de avançar para a criação do sistema multimunicipal com a EGF (esta com 51% do capital e os municípios com 49)”. Recorde-se que a EGF integra 11 empresas de tratamento e de valorização de resíduos que prestam serviços a 174 municípios, abrangendo 60% da população do território continental. Jorge A. Ferreira

OEIRAS Contra a crise: investir na música

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Festival Optimus Alive aposta em cartaz ainda mais forte para chamar público estrangeiro A missão está definida: “Pôr Portugal no mapa internacional e ajudar a economia nacional”. As palavras são de Álvaro Covões o responsável pelo festival Optimus Alive, que na semana passada reuniu os jornalistas para apresentar a edição 2012, agendada para os dias 13, 14 e 15 de Julho, no Passeio Marítimo de Algés. Com um cartaz ainda mais forte do que as edições anteriores, e onde saltam à vista nomes como “The Cure” e “Radiohead” que há muito tempo estão no topo dos desejos do público do Alive para ver em Portugal,Álvaro Covões garante que só comum cartaz imponente como este é que consegue atrair o público internacional. “Neste momento, já temos três mil estrangeiros garantidos, mas só do Reino Unido queremos cinco mil”. O responsável confessou que este ano, pela primeira vez, a organização recorreu a uma empresa de relações públicas inglesa para fazer a divulgação do festival no exterior. “Não basta fazer bons eventos, temos que divulgá-los bem lá fora. A disponibilidade financeira interna não é a melhor, por isso temos que apostar noutros públicos. A esta distância de seis meses do festival, já 600 ingleses compraram o passe de três dias e também perto de 500 espanhóis”. Confiante no sucesso de mais uma edição, sobretudo nesta altura em que o evento já está entre os 12 Melhores Festivais da Europa, Álvaro Covões anunciou também que está a trabalhar com a “TAP com vista a conseguir trazer todo esse público para cá”. Por vários países europeus existe à venda um ‘pack’ que integra o bilhete para o festival e passagem de avião e outro que acrescenta ainda a estadia em hotel. Álvaro Covões não tem medo da crise: “As pessoas continuam a viver e precisam desta terapia de grupo. Todos temos necessidade de fazer férias, de fazer desporto, de ir a espectáculos”. Também para os responsáveis autárquicos, “o Optimus Alive é sinónimo de desenvolvimento económico e toca a todos os oeirenses, desde o proprietário do hotel ao dono da mercearia”, enfatizou Paulo Vistas, o vice-presidente da Câmara de Oeiras, que não tem dúvidas que, a propósito do Optimus Alive, “Oeiras será visitado por milhares de pessoas”. Paulo Vistas deixou claro o orgulho de ver “Oeiras como um destino cultural a nível internacional”, tanto mais que, como diz, “é um concelho paredes- meias com a capital e tem esta visibilidade”. Novidade nesta edição do Alive é também a existência de um bilhete que integra a viagem de ida e volta na Linha de Cascais. Até ao momento, o cartaz, sempre em actualização, já tem confirmados os nomes de Radiohead, The Cure, Snow Patrol, Stone Roses, Justice (em estreia em Portugal), Florence and The Machine, Metronomy e Caribou. Ana Raquel Oliveira

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CASCAIS Moradores preocupados com o futuro das Grutas da Alapraia

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Câmara não avança com prazo para concretizar musealização que custa 1,6 milhões de euros Moradores da Alapraia estão preocupados com o futuro das grutas locais e da zona envolvente. Dizem que aquele perímetro “está esquecido pela Câmara de Cascais que garantiu que ia investir muito dinheiro nesta zona, mas o que vemos é que taparam duas grutas e fecharam as outras. Ninguém as pode visitar”. Também o Largo das Grutas deveria ser requalificado, defende Nísia Blanco, que classifica como “triste” o estado de degradação em que está o largo com um fontanário que remonta a 1943. Também “um museu, que iria servir para documentar as grutas, nunca chegou a avançar”. A munícipe manifesta-se “indignada” com a situação actual das Grutas da Alapraia: “Taparam duas grutas que era possível visualizar e constatar a sua profundidade e fecharam uma outra (gruta 1) que já não deixam visitar. Antes vinham cá escolas e turistas. Agora estão abandonadas”. As Grutas Artificiais de Alapraia, identificadas como “Necrópole de Alapraia”, enquadram-se num conjunto de vestígios arqueológicos pré-históricos que apresentam um novo conceito aplicado na época a este tipo de monumento: o de escavar em vez de construir. São ao todo quatro, descobertas em fases diferentes, sendo que as grutas II, III e IV foram objecto de estudo na primeira metade do século XX. Confrontado pelo JR com as queixas dos moradores da Alapraia, a Câmara de Cascais, através do Gabinete de Imprensa, esclarece que as grutas III e IV foram tapadas “no âmbito de uma intervenção de conservação e restauro, uma vez que, tratando-se de concavidades, estavam a ser utilizadas como lixeira apresentando já danos nas paredes”. Por seu turno, a gruta I está vedada ao público por “motivos de salvaguarda para prevenir a entrada de pessoas e animais, sendo aberta sempre que tal é solicitado no âmbito de programas de divulgação do património”. Sobre as intervenções realizadas nas Grutas da Alapraia e zona envolvente, o município esclarece que já foram investidos 320 mil euros, incluindo o projecto de musealização da autoria do arquitecto João Mendes Ribeiro. O investimento municipal já realizado contempla “o valor investido na aquisição do casal saloio na década de 80; a aquisição de outro casal saloio em 2005, a adjudicação do projecto de arquitectura e especialidades do futuro pólo museológico, e ainda trabalhos de consolidação estrutural de uma das casas do Largo e trabalhos arqueológicos e estudo/publicação de espólio”. Envolvendo um investimento de um milhão e 600 mil euros, o projecto prevê a criação de um centro interpretativo com as vertentes arqueológica e etnográfica, “estabelecendo uma continuidade entre a vivência pré-histórica do local e a comunidade rural que nele habitou tantos séculos depois”. Se um dos casais saloios será adaptado a núcleo etnográfico, a vertente arqueológica será assegurada através da construção de um edifício contemporâneo que “virá dar resposta às exigências das novas funcionalidades do espaço, nomeadamente no que diz respeito às imprescindíveis condições de recepção dos visitantes, cuidando, contudo, para que as estruturas pré-existentes possam ser mantidas e valorizadas”. A autarquia esclarece, no entanto, que não está , “fruto das contenções orçamentais”, definido um prazo para a concretização da musealização das Grutas da Alapraia. Francisco Lourenço

CARCAVELOS Câmara compra antigo Hospital Ortopédico Dr. José de Almeida

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Investimento de 6,15 milhões de euros na unidade de saúde e no Quartel da Parede A Câmara de Cascais vai comprar os edifícios do antigo Hospital Ortopédico Dr. José de Almeida, em Carcavelos, e do Quartel da Bateria da Parede à Estamo (Imobiliária do Estado) por 6,15 milhões de euros. A autarquiapre tende recuperar o património e dar-lhe novos usos na área da Saúde e da Segurança. Os contratos de compra e venda foram aprovados no dia 9 de Janeiro em reunião de Câmara e viabilizados, esta segunda-feira, em sede de Assembleia Municipal de Cascais. Vão ser enviados agora para o Tribunal de Contas para fiscalização prévia. No antigo Hospital Ortopédico Dr. José de Almeida, o município de Cascais vai instalar o Centro de Saúde de Carcavelos, actualmente a funcionar em condições precárias no piso inferior das instalações da Junta de Freguesia. Em declarações ao JR, o presidente da Câmara de Cascais explicou que o município comprou a totalidade do antigo hospital ortopédico – dois prédios urbanos rústicos, um com 25mil m2 e outro com 18 500 m2 – e também uma parcela do ex-Forte da Junqueira, onde se insere o Jardim do Junqueiro. “Tanto no caso do Hospital como da Bateria falamos de imóveis classificados de interesse municipal”, destaca Carlos Carreiras. O montante investido nesta compra é “3,55 milhões de euros, pagos ao longo de seis anos”, pormenorizou. O edil explica o objectivo do negócio: “No caso do Pinhal do Junqueiro, será mantida e até melhorada a sua componente de espaço verde destinado aos moradores. No caso do hospital, iremos disponibilizar ao Ministério da Saúde uma das edificações para que possa acolher a extensão do Centro de Saúde da Parede, em Carcavelos, que funciona hoje numa situação precária, dando assim uma resposta urgente a uma ambição antiga da população”. “Dado o bom estado das instalações, serão realizadas apenas obras decorrentes da adaptação e que se estima serem de pouca magnitude”, salientou Carlos Carreiras que não avançou datas para a instalação da unidade de saúde no edifício do antigo hospital: "Estamos numa fase em que é precoce avançar datas até porque este processo não depende exclusivamente da Câmara de Cascais e há outras entidades envolvidas ao nível central". Aproveitando o espaço deste equipamento, pretende também a edilidade ali criar um pólo de investigação ligado à saúde. Francisco Lourenço

Utentes preparam protesto na Damaia

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A Comissão de Utentes do Centro de Saúde da Damaia (CUCSD) convocou uma concentração para dia 9 de Fevereiro em protesto contra a transferência de utentes sem médico de família para a unidade da Buraca. “Enquanto a situação não ficar resolvida não vamos arredar pé da porta do Centro de Saúde da Damaia”, promete José Flores, porta-voz da comissão de utentes. “Na reunião, que tivemos em Outubro com a directora do agrupamento dos centros de saúde da Amadora, foi-nos prometida a reintegração de pelo menos 15 mil utentes. No entanto, num documento que nos foi fornecido, apenas admite um total de 14mil. Neste momento só estão a ser reintegradas as crianças até aos 6 anos e os idosos a partir dos 80 anos”, lamenta o responsável. José Flores vai mais longe e acrescenta que “queremos a reintegração de todas as pessoas da Damaia, não se justifica que estejam a ser enviadas para a Buraca, um centro de saúde que não tem condições e tem neste momento 34 mil utentes, enquanto a Damaia tem menos de 15 mil e num novo edifício”. Todas as pessoas sem médico de família (cerca de 8 mil) inscritas no Centro de Saúde da Damaia foram transferidas em Outubro para o “velhinho” Centro de Saúde da Buraca, que funciona num prédio de habitação, sem elevadores. Uma das soluções apontadas pela comissão de utentes é a “actualização e limpeza dos ficheiros”, defende José Flores admitindo que “neste momento, há 24 mil utentes inscritos no Centro de Saúde da Damaia, mas de acordo com os últimos dados dos Censos, na freguesia residem apenas cerca de 21 mil habitantes”. Com a actualização dos ficheiros, “estaria garantida a reintegração de mais utentes”, conclui.

AMADORA Dúvidas sobre TDT mantêm-se

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Apagão da emissão analógica a 1 de Fevereiro Apesar de preparados para a chegada da Televisão Digital Terrestre (TDT), os habitantes da Amadora são bastante críticos em relação à forma como tem sido conduzido o processo por parte das entidades oficiais. Há quem já tenha televisão paga, há quem já tenha comprado o aparelho descodificador, mas há também quem ainda não esteja preparado para o apagão da emissão analógica, previsto para 1 de Fevereiro. Porém, todos partilham da mesma opinião: a forma como tem sido conduzido o processo de introdução da TDT não tem sido clara, nem favorece os telespectadores. Avelino Ramos, morador na freguesia da Mina há cerca de 40 anos, sente-se desiludido porque “pensava que a introdução do sinal digital viesse servir para retirar as antenas do topo dos telhados”. Mas, em vez disso, “está tudo na mesma”. Este morador diz-se preparado para receber o novo sinal, embora o tenha feito em apenas dois dos seus quatro televisores. No entanto, o que mais o preocupa é o facto de “a população idosa, que tem uma reforma mínima e está pouco informada, está mais vulnerável às burlas”. Também residente na Mina, Maria Otília diz não estar preocupada com o apagão feito a partir do emissor do Monsanto. “Não vejo muita televisão, prefiro ler um livro e ouvir os noticiários na rádio”, refere a educadora de infância, reformada há um ano, acrescentando que “quando for introduzida a mudança deixarei de ver a pouca televisão que via”. Maria Otília critica também o facto de “a introdução destas inovações, na maioria dos casos, só servir para enganar as pessoas”. Conclui, por isso, que “quando acabar, acabou”. Por outro lado, para evitar o apagão em sua casa, José Luís Teixeira aderiu à televisão paga ainda durante o mês de Novembro. “Tenho três televisores e para evitar comprar três aparelhos descodificadores, decidi subscrever um serviço de televisão paga para ficar com TV”, adianta. Actualmente paga cerca de 10 euros por mês pelos quatro canais e telefone fixo. Sem querer pagar para ver televisão, Joaquim José preparou-se para o apagão do sinal analógico com a compra de descodificadores para os seus televisores, mas reconhece que “muitas pessoas não estão preparadas por falta de informação e porque não querem pagar mais”. Este morador da freguesia da Venteira reconhece que o novo serviço tem mais qualidade, mas esperava dispor de mais canais. Embora não tenha que se preparar para o apagão do dia 1 de Fevereiro, uma vez que tem televisão paga há vários anos, João Afonso, também morador da Venteira, lamenta que “se as coisas funcionassem neste país, seriam libertados mais dos canais de sinal fechado”. E lembra que na sua terra de origem, perto da fronteira com Espanha, já passou pelo mesmo processo, mas neste momento tem “muitos mais canais e de qualidade”. O administrador da Autoridade Nacional das Comunicações (ANACOM), Eduardo Cardadeiro, em declarações, na semana passada, à agência Lusa, adiantou que mais de 400 mil lares, em todo o país, ainda não migraram para a televisão digital terrestre (TDT), cuja introdução no país arrancou no dia 12 de Janeiro. Segundo o administrador daquele organismo com o pelouro da TDT, dos 1,2 milhões de famílias que necessitavam de fazer a migração, "cerca de 90 por cento já o terão feito e as restantes têm até 26 de Abril para aderirem ao novo sistema". A primeira fase de introdução da TDT em Portugal arrancou no dia 12 de Janeiro, na faixa litoral de Portugal continental, com os emissores a serem desligados de uma forma faseada. No dia 1 de Fevereiro será desligado o emissor de Monsanto e os retransmissores do Areeiro, Barcarena, Caparica, Carvalhal, Cheleiros, Estoril, Graça, Montemor-o-Novo, Odivelas, Sintra, Malveira, Sobral de Monte Agraço, Coruche e Cabeção. A partir de 22 de Março arranca a segunda fase, com a cessação dos emissores e retransmissores das regiões autónomas dos Açores e da Madeira. A última fase acontece a 26 de Abril, altura em as transmissões analógicas do restante território continental serão desligadas. Milene Matos Silva