terça-feira, 24 de janeiro de 2012

FREGUESIAS SINTRA Debate sem decisões

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Assembleia Municipal reflecte sobre a alteração do mapa autárquico Acabou como começou a sessão da Assembleia Municipal de Sintra, realizada na passada quinta-feira, dedicada à apreciação do Documento Verde da Reforma da Administração Local: sem uma clarificação do novo mapa de freguesias de Sintra. Uma coisa parece certa: nada ficará igual, já que a maioria dos autarcas rejeitou uma proposta apresentada pela CDU de que nenhuma freguesia sintrense devia ser extinta ou agrupada. Em causa estão as da sede do concelho, Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim, que podem dar lugar a uma única estrutura autárquica; e as de Montelavar e Pero Pinheiro, que, após a sua divisão em 1988, não reúnem o requisito populacional de um mínimo de cinco mil habitantes. A sessão acabou mesmo por não clarificar os contornos do novo mapa autárquico e, entre reivindicações de mais competências e meios para as autarquias locais, apenas foi aprovada uma moção que defende a eleição directa dos órgãos das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e a consagração de um "quadro claro de atribuições, competências e meios". Esta moção da CDU foi aprovada por unanimidade, mas o consenso limitou-se à realidade metropolitana, já que, quanto ao território de Sintra, tudo ficou adiado. As bancadas da Coligação ‘Mais Sintra’ (PSD/CDS-PP) e do Bloco de Esquerda votaram contra a moção da CDU que defendia que tudo devia ficar como está, que mereceu apenas o apoio dos autarcas do PS. Para Lino Paulo, "todas as freguesias do município de Sintra têm plena justificação", de acordo até com os critérios definidos pelo Governo de que as freguesias "servem critérios de proximidade e de descentralização administrativa; servem estratégias de desenvolvimento local; potenciam economias de escala na afectação dos recursos públicos e na sustentabilidade da estrutura autárquica; valorizam a prestação do serviço público; e resultam do respeito pela especificidade local". O autarca comunista rejeitou, mesmo, qualquer regresso ao passado nas cidades de Agualva-Cacém e Queluz. "As freguesias que foram criadas recentemente, no tecido urbano, têm prestado um serviço inestimável às populações", frisou."Também na Vila de Sintra, até pelo carácter específico de freguesias medievais, e que cobrem uma área imensa, nada justifica que essas freguesias sejam extintas ou agrupadas", concluiu Lino Paulo. No caso específico de Montelavar e Pero Pinheiro, o eleito da CDU recordou a "luta intensa" ocorrida em 1988 e, nesse sentido, qualquer recuo constituiria "uma tragédia, com laivos de alguma comicidade". Os argumentos não convenceram os eleitos da maioria PSD/CDS-PP – assim como do BE que, em primeiro lugar, considera ser necessário debater e permitir que as populações sejam ouvidas – mas houve alguns alertas, em particular, quanto à aglutinação das freguesias da sede do concelho. O presidente da Junta de Freguesia de São Pedro de Penaferrim, Fernando Cunha (PSD), advertiu que uma única freguesia, com a dimensão territorial das existentes e reunindo a população das mesmas, cerca de 30 mil habitantes, seria "ingovernável". Também António Luís Lopes, em nome do PS, já havia alertado no mesmo sentido. A concretizar-se a fusão das freguesias da sede de concelho, "ficaríamos comum a freguesia urbana com uma dimensão territorial igual praticamente, ao concelho de Cascais ou de Lisboa, o dobro de Oeiras e o mesmo território de Amadora e Odivelas juntos". "Um absurdo", sentenciou este autarca. "Recusamos, obviamente, uma discussão que se decide pela mera aplicação de fórmulas matemáticas" e que origine "fusões ou extinções a qualquer custo e sem terem conta a identidade dos território sem termos culturais, socioeconómicos e históricos", frisou o eleito do PS, que também desafiou a Câmara a explicitar que "estratégias, soluções e ideias tem sobre um dos eixos essenciais do Documento Verde que se refere ao sector empresarial local". Um pedido de esclarecimentos também solicitado pela bancada do BE, através de João Silva. A bancada bloquista acabou por ver rejeitada a sua recomendação que defendia o envolvimento da população na tomada de decisão sobre a reforma administrativa, com recurso mesmo a referendos locais, e com ponderação. "Precisamos de tempo, não podemos ir à velocidade das ‘troikas’...". Embora sem apontar caminhos em relação ao futuro mapa autárquico de Sintra, o líder da Coligação ‘Mais Sintra’, António Rodrigues, invocou a necessidade de efectuar esta reforma. Mas, alertou, "trata-se de uma reforma que só pode e deve ser feita na conjugação de vontades de todos os partidos, de todos os agentes, mas com uma preocupação: não é uma reforma para atender a interesses individuais, a interesses egoísticos ou para atender aqueles que não conseguem olhar para além do seu umbigo". Em resposta aos pedidos de esclarecimento relativos ao futuro das empresas municipais, Fernando Seara limitou-se a constatar que "estará sujeito às vinculações das leis que forem aprovadas em Assembleia da República". E garantiu que, em caso de extinção de empresas em Sintra, "os mecanismos de salvaguarda dos trabalhadores, do conjunto do universo municipal, estarão sempre acautelados". João Carlos Sebastião

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Portal vai mostrar potencialidades de Oeiras

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Projecto digital dinamizado pela Agência de Desenvolvimento promove Oeiras Valley Para quem pretender vir viver e trabalhar para Oeiras, ou simplesmente está de visita no âmbito de uma conferência, por exemplo, saber quais são os equipamentos de saúde mais próximos, os meios de transporte e mesmo os restaurantes disponíveis será sempre informação valiosa. Se for o caso de um investidor interessado em criar novos negócios, deverá ter conhecimento das principais escolas de ensino superior e institutos de investigação, do seu grau de prestígio, que ‘clusters’ empresariais existentes poderão potenciar o projecto em carteira... É para dar respostas a estas e outras necessidades, proporcionando conteúdos e contactos aos interessados, que nasceu o portal www.oeirasvalley.com. Uma porta de entrada para mostrar o que é o conceito Oeiras Valley: uma “região integrada e sustentável de desenvolvimento económico, social, tecnológico e ambiental que permitirá preparar o concelho de Oeiras para os desafios da competitividade territorial internacional dos próximos anos”, como o define a AITECOEIRAS – Agência de Desenvolvimento de Oeiras, promotora do projecto global. Na sequência de apresentações anteriores (no Taguspark e na Câmara de Oeiras), no passado dia 11 foi a vez de a Oeiras International School (OIS), escola particular localizada em Barcarena, acolher a divulgação do novo portal, tendo em vista a sua promoção entre o meio académico privado. “O prémio de Melhor Concelho para Estudar recebido pelo Município atesta a qualidade das unidades públicas e a excelência e vitalidade das unidades privadas de ensino do Oeiras Valley”, salientaram, a propósito, os responsáveis do Oeiras Valley. O projecto abarca e dá a conhecer um vasto conjunto de instituições oeirenses, que são convidadas a elaborar e actualizar os seus próprios conteúdos. Mas para isso, como explicou ao JR Guilherme Arroz, da direcção da AITECOEIRAS, têm de responder a “critérios de qualidade, de certificação, de reconhecimento público, em suma, têm de estar de acordo com o conceito Oeiras Valley”. A página principal do portal permite navegar em quatro menus distintos – Investir, Trabalhar, Viver, Conhecimento – com informação específica de cada tema. “Pretendemos atrair investimento e, para isso, temos que mostrar que existe qualidade de vida. O que passa pelo equilíbrio social (Oeiras é o concelho com menores índices de criminalidade na AML), a existência de escolas de prestígio em todos os níveis de educação, de equipamentos de saúde de qualidade, de vida cultural relevante, de áreas de recreio (como o Parque dos Poetas ou o Passeio Marítimo), sem esquecer que estamos entre Lisboa e o Estoril”, salientou Guilherme Arroz. Aquele responsável adiantou, ainda, que os restaurantes serão convidados a colocarem as suas ementas na respectiva página, assim como os hotéis deverão ter um ‘link’ que permita fazer reservas. Os promotores do portal – cujo funcionamento custa “um pouco menos de cem mil euros por ano" – vão, também, avançar para o registo de associações que fazem parte da rede solidária de Oeiras. Consultar a magazine digital “Oeiras Valley” ou as publicações da Câmara “Oeiras em Revista” e “Oeiras Actual”, bem como um calendário com os principais eventos das organizações estabelecidas no portal e notícias alusivas ao conceito, são outras possibilidades. Entre os membros estão já organizações bem conhecidas da região e não só, como sejam universidades, centros de investigação e empresas interventivas nos três ‘clusters’ definidos para o conceito: Tecnologias de Informação e Comunicação, Biotecnologias e Tecnologias da Saúde, e Tecnologias Tropicais. Jorge A. Ferreira

Câmara de Oeiras critica redução de transportes públicos

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Executivo municipal aprova moção por unanimidade “Socialmente injusta, ambientalmente errada, urbanisticamente infeliz, e, económica, financeira e orçamentalmente irracional”. É assim que a Câmara Municipal de Oeiras qualifica a anunciada supressão e redução de alguns serviços de transporte público da Carris e da CP no concelho, nomeadamente, a carreira 714 (Praça da Figueira-Outurela) e a 76 (Algés-Cruz Quebrada/Dafundo). Para deixar bem clara a sua perspectiva, a autarquia aprovou, por unanimidade, na reunião realizada no passado dia 11, uma moção condenando as alterações previstas. Dando conta de que foi “recentemente informada” das alterações a efectuar na Carris através da Secretaria de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, a Câmara recorda que as mesmas surgem “na sequência da redução do número de comboios em circulação na Linha de Cascais”, resultando, ambos os cortes, numa “forte diminuição da oferta de transporte público não apenas aos munícipes de Oeiras, mas também a todos aqueles que, trabalhando ou estudando neste município, vêem a sua mobilidade reduzida”. Dado especialmente gravoso “por se verificar numa época de grandes dificuldades económicas”. “Não por acaso, a Câmara tem recebido dezenas de reclamações diárias protestando contra esta decisão”, salienta a autarquia, manifestando, por outro lado, “profundo descontentamento” pelo facto de não ter sido informada nem consultada. A moção, apresentada pelo próprio presidente Isaltino Morais, frisa que “uma rede eficiente de transporte público colectivo é um elemento fundamental da vida da cidade”, sendo função dos agentes políticos “incentivar, e nunca condicionar ou reduzir” a sua procura. O documento lembra, ainda, dados concretos como sejam o compromisso da Carris em manter a carreira 76 após a interrupção de serviço por parte do eléctrico 15 (na sequência das cheias de 1996), a “elevada utilização” daquela mesma carreira (5116 passageiros diariamente) ou o impacto “gravíssimo” no quotidiano dos residentes da Cruz Quebrada-Dafundo e dos estudantes da Faculdade de Motricidade Humana (que deixam de ter acesso àquele trajecto através do passe social, uma vez que o operador licenciado para aquela área, a Vimeca, não utiliza este mesmo sistema de descontos). A falta de explicação plausível para os critérios na base das medidas previstas – “nem mesmo o economicista, que parece estar na base de todas as decisões de agentes públicos hoje (recorde-se a elevada utilização das carreiras em causa)” – e a redução dos comboios que servem as estações do concelho de Oeiras são outras críticas destacadas pela moção, onde a Câmara manifesta, ainda, “a forte determinação em articular com os demais municípios da Área Metropolitana de Lisboa para o desenvolvimento, nesta região, de uma real política de transportes metropolitana”, bem como “instar quem de direito a assumir as suas responsabilidades governativas”. Jorge A. Ferreira

CACILHAS Bombeiros recusam cortes

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Transporte de doentes volta a estar em causa Os bombeiros estão zangados com o Ministério da Saúde e não aceitam os cortes nas verbas aplicados ao transporte de doentes. “Todos os poderes têm obrigação para com as pessoas. Não podem estar ao lado dos bombeiros em dias de festa e depois esquecerem que têm de os apoiar”, afirmava em tom crispado o presidente da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP), no dia da comemoração do 121.º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas Para Jaime Silva, recentemente eleito presidente da Liga, as questões da saúde “não se resolvem com cortes e mais cortes”, para além disso “não podem ser os bombeiros a pagar o transporte de doentes”. A questão, acrescentava, é que para o Ministério da Saúde as pessoas que precisam desse transporte são encaradas como utentes, enquanto os bombeiros as vêem como doentes. O passado domingo ficava assim marcado com o murro na mesa do presidente da LBP contra o Governo. Um protesto que foi acompanhado pelo também recém-eleito presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Setúbal, Eduardo Carreira, que acredita que o Ministério irá perceber que esta decisão irá ter custos acrescidos. Aliás, para o presidente dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas, Clemente Mitra, já está à vista o resultado desta “má gestão” dos dinheiros públicos. A redução de verbas para o transporte de doentes levou a corporação a decidir não fazer este serviço nas freguesias da Cova da Piedade, Cacilhas, Laranjeiro e Feijó, todas elas zonas dentro de um raio de 16 quilómetros das instalações da corporação. Por isso, o Ministério da Saúde diminuiu o apoio na taxa de saída das viaturas. Mas parece ter-se esquecido que as despesas com a saída de cada viatura não podem ser vistas nesta perspectiva e os bombeiros “não têm capacidade financeira para assumir este serviço”, afirma Clemente Mitra. Contudo, fora deste perímetro o Ministério paga ao quilómetro o que já permite aos bombeiros enfrentarem os custos. “Se for preciso transportar doentes para a Charneca de Caparica já o podemos fazer”, diz Clemente Mitra. Com a confusão de verbas, o serviço nas freguesias vizinhas às instalações dos Bombeiros de Cacilhas “está a ser feito por corporações do Seixal e Sesimbra” e, com isto, o Ministério da Saúde “gasta mais”. Mas a indignação dos bombeiros de Cacilhas não se fica por aqui. O comandante da corporação, Miguel Silva, apontou críticas à Escola Nacional de Bombeiros, que não se fez representar na comemoração, por estar a travar a possibilidade de progressão na carreira de alguns dos bombeiros da corporação. Ao mesmo tempo lembrava que “desde 2007” que aguardam pela “formação de condutores de ambulância”, isto quando asseguram cerca de 700 emergências hospitalares por mês. Aliás os números de acção, em 2011, desta corporação com um quadro activo de 130 elementos são expressivos. Combateram 440 incêndios, actuaram em 65 fugas de gás, 176 quedas de árvores e estruturas, fizeram 8323 emergências pré-hospitalares, transportaram para consultas e tratamentos 19 113 doentes e estiveram presentes em 1382 outras actividades. Entretanto os Bombeiros Voluntários de Cacilhas vão assinar em breve um protocolo com a Marinha Portuguesa para formação. “Será um grande benefício”, afirma Miguel Silva. “Orgulhosa” com o trabalho dos bombeiros de Cacilhas está a presidente da Câmara de Almada. Para além de elogiar uma corporação que promoveu neste dia de aniversário uma mulher a 2.º comandante, Sónia Jesus, “exemplo talvez único no país”, Maria Emília de Sousa deu projecção aos protestos do presidente da LBP quando este dizia que os bombeiros “são soldados da paz, mas não tenho receio algum de fazer a guerra àqueles que puserem a nossa paz em causa”. Jaime Silva dava mostras de que os bombeiros podem vir para a rua em protesto e Maria Emília de Sousa dizia que gostaria não ter de desfilar ao lado dos bombeiros em protesto, mas se for necessário “é preciso mostrar ao poder central que tem de ter a mentalidade aberta e perceber a realidade do país”. Da parte da Câmara de Almada, diz a edil que tem respeitado todos os compromissos assumidos com as três corporações de bombeiros do concelho: piquetes de intervenção, seguros e manutenção das viaturas. “Nós em primeiro lugar olhamos para as pessoas e vamos resistir à repressão colectiva”, dizia a autarca lembrando que os bombeiros “não têm culpa da crise”. Humberto Lameiras

COSTA DA CAPARICA Marés vivas causam receio

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Obras de enchimento artificial das praias ficaram a meio As marés de Fevereiro costumam ser de grandes preocupações para a Costa da Caparica, principalmente para as praias a norte, entre o parque do Clube de Campismo de Lisboa e o INATEL. Há cerca de 5 anos esta zona foi varrida pelas ondas que destruíram as dunas de defesa costeira arrastando alguns apoios de praia e ameaçando inclusivamente casas. Este ano, diz o presidente da Junta, o perigo mantém-se. Segundo António Neves, o Instituto da Água (INAG) comprometeu-se com obras de enchimento artificial com areia das praias, mas a operação que deveria durar 4 anos ficou pelo meio. “Este ano devia ter sido colocado mais um milhão de metros cúbicos de areia e nada foi feito”. E diz o autarca que não tem conhecimento de ter sido feita qualquer monitorização da situação actual. A semana passada, após uma conferência de imprensa com a presidente da Câmara e o presidente da Assembleia Municipal de Almada, o autarca da Costa da Caparica voltou a relembrar a sua preocupação com a subida do mar e chegou a afirmar que, através da Junta de Freguesia já requereu ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para questionar o INAG sobre as obras de defesa costeira da Costa da Caparica. Após este alerta público do autarca, o Governo veio garantir através da Secretaria de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território que as estruturas de defesa “estão a ser monitorizadas” e que “numa eventual situação de risco envolvendo a segurança de pessoas e bens, o Instituto da Água não deixará de intervir nos termos que se mostrarem necessários e convenientes para a sua salvaguarda”. No entanto, António Neves garante ao Jornal da Região que “ainda ninguém do Governo ou do INAG falou comigo sobre as obras de defesa costeira”. Aliás, para o autarca é estranho que “após pedidos de reunião com o INAG e com a Capitania do Porto de Lisboa” e depois de “ter escrito à ministra do Ambiente a pedir esclarecimento”, ter ficado agora a saber através da imprensa que a defesa costeira está a ser monitorizada. “O que vejo é que os esporões estão a ficar destruídos e não sei o que irá acontecer se tivermos novamente marés grandes”. A tese de António Neves é que o INAG, “por indicação do Governo”, não teve capacidade financeira para continuar a obra de enchimento das praias da Costa da Caparica, e interroga-se se esta verba não terá ido para preencher as praias do Algarve. Caso seja essa a razão, exclama: “Não me agrada que a Costa da Caparica tenha ficado para trás”. Mais ainda quando “existem casas a cerca de trezentos metros da zona de defesa de costa que não está consolidada”. Humberto Lameiras

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

REBOLEIRA Mercado renovado para atrair população

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Vendedores aproveitam visita de Joaquim Raposo para expressar alguns receios Depois de obras de renovação, o Mercado da Reboleira passou a funcionar no primeiro piso do mesmo edifício que ocupa há cerca de 25 anos. Os comerciantes encaram com expectativa esta nova fase da vida daquele equipamento, embora reconheçam ser difícil retomar as vendas de outros tempos. Maria Lopes é uma comerciante, entre os seis que ainda mantêm actividade no Mercado da Reboleira. Para ela as obras de recuperação podem vir a atrair mais clientela. Porém, lamenta a falta de outro tipo de produtos. “Não temos florista, nem outras especialidades que poderiam atrair mais pessoas”, refere. Esta vendedora recorda os tempos em que não havia mãos a medir. “Na altura éramos muitos comerciantes, mas chegávamos ao meio-dia sem uma única alface”, afirma, acrescentando que “agora, apesar de sermos poucos, temos uma forte concorrência na zona envolvente“, diz a vendedora de produtos hortícolas. Lamenta ainda que autarquia tenha contribuído para a redução dos vendedores do mercado, tendo em conta que “ao longo de vários anos não abriram concurso para a ocupação das bancas”, conclui Maria Lopes. Também Fernanda Barros, comerciante há 25 anos, aguarda o aumento do número de clientes, apesar de saber que “a vida alterou-se muito nos últimos anos”. A forte concorrência dos hipermercados e supermercados “infelizmente tem afastado a clientela”, afirma. Resposta às reivindicações O mercado passou para o primeiro piso, onde foi reformulada a zona de circulação, criadas zonas destinadas à peixaria e produtos de mercearia, assim como construídas bancas de produtos hortícolas. Foi ainda criada uma instalação sanitária para as pessoas com deficiência. De acordo com o presidente da Câmara Municipal da Amadora (CMA), Joaquim Raposo, “as obras são uma resposta às reivindicações da população e dos comerciantes, criando melhores condições de higiene e salubridade”. O autarca fez questão de marcar presença no primeiro dia da nova vida do mercado, onde ouviu mais pedidos por parte dos comerciantes. No final lembrou que “faz parte das políticas da autarquia apoiar os pequenos empresários e esta intervenção vai ao encontro desses objectivos”. Em 2007, os moradores e comerciantes queixavam-se de abandono por parte da autarquia e pediam a revitalização do mercado através da abertura de concursos para a ocupação das bancas e atracção de maior número de clientes. O mercado chegou a funcionar com cerca de duas dezenas de bancas. Neste momento, dispõe apenas de seis contribuintes. No ano passado, a CMA deu início às obras de transferência do mercado do segundo piso, para o primeiro, com o objectivo de intervir no piso superior para aí instalar a nova sede da Junta de Freguesia da Reboleira. No entanto, devido à reorganização administrativa, que prevê a extinção de alguns concelhos e juntas de freguesia, Joaquim Raposo, afirma que “esse projecto está em ‘stand by’ até que haja uma decisão do poder central”. Mas admite que o espaço é grande e pode comportar outros projectos, nomeadamente, “actividades comerciais, desde que não entrem em conflito com as existentes”, sublinha. Milene Matos Silva

AMADORA Contas geram polémica na Académica

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Bingo do clube com futuro incerto. Actividade desportiva mantém-se, mas dívidas ascendem a 350 mil euros Na última assembleia-geral da Associação Académica da Amadora (AAA), que se realizou na quarta-feira, 11 de Janeiro, o presidente da mesa, Manuel Vieira, apresentou a sua demissão devido a “desentendimentos e quebra de confiança” em relação à actual direcção presidida por Carolina Germano. A reunião serviu também para apresentar o orçamento do clube para 2012. As divergências começaram na reunião magna que decorreu no dia 14 de Dezembro de 2011, onde se debateu o futuro da associação. O presidente da mesa, já nessa altura, mostrava descontentamento quanto ao rumo que estava a ser tomado pela direcção. “Sentimos necessidade de convocar esta assembleia-geral tendo em conta que nenhuma lista se tinha apresentado ao acto eleitoral convocado pela direcção. Em caso de omissão compete à mesa decidir”, justificou Manuel Vieira. Na altura, a actual direcção foi acusada de não prestar contas, por isso, não tinham surgido listas candidatas, visto ser desconhecida a real situação financeira do clube. Após a direcção ter sido confrontada com várias críticas, nomeadamente a de não definir qualquer estratégia quanto ao futuro, ficou decido realizar uma nova assembleia agendada para o início deste ano. O objectivo era dar a conhecer a situação do clube, mas também garantir através da apresentação de um plano e orçamento a manutenção dos acordos com a Câmara da Amadora, no âmbito do projecto “Escola a tempo inteiro” e do PAMA (Programa de Apoio ao Movimento Associativo). A reunião entre sócios ocorreu no dia 11, onde a actual direcção apresentou as contas, identificando 350 mil euros de dívidas, sendo algumas delas relativas a indemnizações a funcionários do clube e do bingo, cuja sala se encontra encerrada desde Abril. A presidente da AAA adiantou ainda que as actividades desportivas do clube “são para manter”, mas referiu que “a sala do bingo manter- se-á encerrada”. Ora, quanto a isso, os cerca de 40 trabalhadores do bingo e alguns do clube que se encontram em suspensão de contrato, prometem não baixar os braços. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul acusa a direcção de estar a funcionar na ilegalidade porque desde Outubro que se encontra expirado o pedido de suspensão da actividade do bingo. Segundo Rodolfo Caseiro, “está a decorrer uma queixa-crime contra a direcção devido a esta situação”. Com cerca de seis meses de salários em atraso, os trabalhadores manifestaram-se por duas vezes à porta das instalações e suspenderam o contrato de trabalho por falta de pagamento. No entanto, Carolina Germano frisou que as actividades desportivas vão continuar e o futuro do bingo ainda é uma incerteza. António Nunes,um dos sócios da AAA, que interveio na última assembleia, admitiu também que muitas hipóteses podem ser estudadas para o bingo, nomeadamente a venda das instalações que são propriedade do clube. Milene Matos Silva