quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CACILHAS Bombeiros recusam cortes

Ver edição completa
Transporte de doentes volta a estar em causa Os bombeiros estão zangados com o Ministério da Saúde e não aceitam os cortes nas verbas aplicados ao transporte de doentes. “Todos os poderes têm obrigação para com as pessoas. Não podem estar ao lado dos bombeiros em dias de festa e depois esquecerem que têm de os apoiar”, afirmava em tom crispado o presidente da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP), no dia da comemoração do 121.º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas Para Jaime Silva, recentemente eleito presidente da Liga, as questões da saúde “não se resolvem com cortes e mais cortes”, para além disso “não podem ser os bombeiros a pagar o transporte de doentes”. A questão, acrescentava, é que para o Ministério da Saúde as pessoas que precisam desse transporte são encaradas como utentes, enquanto os bombeiros as vêem como doentes. O passado domingo ficava assim marcado com o murro na mesa do presidente da LBP contra o Governo. Um protesto que foi acompanhado pelo também recém-eleito presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Setúbal, Eduardo Carreira, que acredita que o Ministério irá perceber que esta decisão irá ter custos acrescidos. Aliás, para o presidente dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas, Clemente Mitra, já está à vista o resultado desta “má gestão” dos dinheiros públicos. A redução de verbas para o transporte de doentes levou a corporação a decidir não fazer este serviço nas freguesias da Cova da Piedade, Cacilhas, Laranjeiro e Feijó, todas elas zonas dentro de um raio de 16 quilómetros das instalações da corporação. Por isso, o Ministério da Saúde diminuiu o apoio na taxa de saída das viaturas. Mas parece ter-se esquecido que as despesas com a saída de cada viatura não podem ser vistas nesta perspectiva e os bombeiros “não têm capacidade financeira para assumir este serviço”, afirma Clemente Mitra. Contudo, fora deste perímetro o Ministério paga ao quilómetro o que já permite aos bombeiros enfrentarem os custos. “Se for preciso transportar doentes para a Charneca de Caparica já o podemos fazer”, diz Clemente Mitra. Com a confusão de verbas, o serviço nas freguesias vizinhas às instalações dos Bombeiros de Cacilhas “está a ser feito por corporações do Seixal e Sesimbra” e, com isto, o Ministério da Saúde “gasta mais”. Mas a indignação dos bombeiros de Cacilhas não se fica por aqui. O comandante da corporação, Miguel Silva, apontou críticas à Escola Nacional de Bombeiros, que não se fez representar na comemoração, por estar a travar a possibilidade de progressão na carreira de alguns dos bombeiros da corporação. Ao mesmo tempo lembrava que “desde 2007” que aguardam pela “formação de condutores de ambulância”, isto quando asseguram cerca de 700 emergências hospitalares por mês. Aliás os números de acção, em 2011, desta corporação com um quadro activo de 130 elementos são expressivos. Combateram 440 incêndios, actuaram em 65 fugas de gás, 176 quedas de árvores e estruturas, fizeram 8323 emergências pré-hospitalares, transportaram para consultas e tratamentos 19 113 doentes e estiveram presentes em 1382 outras actividades. Entretanto os Bombeiros Voluntários de Cacilhas vão assinar em breve um protocolo com a Marinha Portuguesa para formação. “Será um grande benefício”, afirma Miguel Silva. “Orgulhosa” com o trabalho dos bombeiros de Cacilhas está a presidente da Câmara de Almada. Para além de elogiar uma corporação que promoveu neste dia de aniversário uma mulher a 2.º comandante, Sónia Jesus, “exemplo talvez único no país”, Maria Emília de Sousa deu projecção aos protestos do presidente da LBP quando este dizia que os bombeiros “são soldados da paz, mas não tenho receio algum de fazer a guerra àqueles que puserem a nossa paz em causa”. Jaime Silva dava mostras de que os bombeiros podem vir para a rua em protesto e Maria Emília de Sousa dizia que gostaria não ter de desfilar ao lado dos bombeiros em protesto, mas se for necessário “é preciso mostrar ao poder central que tem de ter a mentalidade aberta e perceber a realidade do país”. Da parte da Câmara de Almada, diz a edil que tem respeitado todos os compromissos assumidos com as três corporações de bombeiros do concelho: piquetes de intervenção, seguros e manutenção das viaturas. “Nós em primeiro lugar olhamos para as pessoas e vamos resistir à repressão colectiva”, dizia a autarca lembrando que os bombeiros “não têm culpa da crise”. Humberto Lameiras

COSTA DA CAPARICA Marés vivas causam receio

Ver edição completa
Obras de enchimento artificial das praias ficaram a meio As marés de Fevereiro costumam ser de grandes preocupações para a Costa da Caparica, principalmente para as praias a norte, entre o parque do Clube de Campismo de Lisboa e o INATEL. Há cerca de 5 anos esta zona foi varrida pelas ondas que destruíram as dunas de defesa costeira arrastando alguns apoios de praia e ameaçando inclusivamente casas. Este ano, diz o presidente da Junta, o perigo mantém-se. Segundo António Neves, o Instituto da Água (INAG) comprometeu-se com obras de enchimento artificial com areia das praias, mas a operação que deveria durar 4 anos ficou pelo meio. “Este ano devia ter sido colocado mais um milhão de metros cúbicos de areia e nada foi feito”. E diz o autarca que não tem conhecimento de ter sido feita qualquer monitorização da situação actual. A semana passada, após uma conferência de imprensa com a presidente da Câmara e o presidente da Assembleia Municipal de Almada, o autarca da Costa da Caparica voltou a relembrar a sua preocupação com a subida do mar e chegou a afirmar que, através da Junta de Freguesia já requereu ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para questionar o INAG sobre as obras de defesa costeira da Costa da Caparica. Após este alerta público do autarca, o Governo veio garantir através da Secretaria de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território que as estruturas de defesa “estão a ser monitorizadas” e que “numa eventual situação de risco envolvendo a segurança de pessoas e bens, o Instituto da Água não deixará de intervir nos termos que se mostrarem necessários e convenientes para a sua salvaguarda”. No entanto, António Neves garante ao Jornal da Região que “ainda ninguém do Governo ou do INAG falou comigo sobre as obras de defesa costeira”. Aliás, para o autarca é estranho que “após pedidos de reunião com o INAG e com a Capitania do Porto de Lisboa” e depois de “ter escrito à ministra do Ambiente a pedir esclarecimento”, ter ficado agora a saber através da imprensa que a defesa costeira está a ser monitorizada. “O que vejo é que os esporões estão a ficar destruídos e não sei o que irá acontecer se tivermos novamente marés grandes”. A tese de António Neves é que o INAG, “por indicação do Governo”, não teve capacidade financeira para continuar a obra de enchimento das praias da Costa da Caparica, e interroga-se se esta verba não terá ido para preencher as praias do Algarve. Caso seja essa a razão, exclama: “Não me agrada que a Costa da Caparica tenha ficado para trás”. Mais ainda quando “existem casas a cerca de trezentos metros da zona de defesa de costa que não está consolidada”. Humberto Lameiras

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

REBOLEIRA Mercado renovado para atrair população

Ver edição completa
Vendedores aproveitam visita de Joaquim Raposo para expressar alguns receios Depois de obras de renovação, o Mercado da Reboleira passou a funcionar no primeiro piso do mesmo edifício que ocupa há cerca de 25 anos. Os comerciantes encaram com expectativa esta nova fase da vida daquele equipamento, embora reconheçam ser difícil retomar as vendas de outros tempos. Maria Lopes é uma comerciante, entre os seis que ainda mantêm actividade no Mercado da Reboleira. Para ela as obras de recuperação podem vir a atrair mais clientela. Porém, lamenta a falta de outro tipo de produtos. “Não temos florista, nem outras especialidades que poderiam atrair mais pessoas”, refere. Esta vendedora recorda os tempos em que não havia mãos a medir. “Na altura éramos muitos comerciantes, mas chegávamos ao meio-dia sem uma única alface”, afirma, acrescentando que “agora, apesar de sermos poucos, temos uma forte concorrência na zona envolvente“, diz a vendedora de produtos hortícolas. Lamenta ainda que autarquia tenha contribuído para a redução dos vendedores do mercado, tendo em conta que “ao longo de vários anos não abriram concurso para a ocupação das bancas”, conclui Maria Lopes. Também Fernanda Barros, comerciante há 25 anos, aguarda o aumento do número de clientes, apesar de saber que “a vida alterou-se muito nos últimos anos”. A forte concorrência dos hipermercados e supermercados “infelizmente tem afastado a clientela”, afirma. Resposta às reivindicações O mercado passou para o primeiro piso, onde foi reformulada a zona de circulação, criadas zonas destinadas à peixaria e produtos de mercearia, assim como construídas bancas de produtos hortícolas. Foi ainda criada uma instalação sanitária para as pessoas com deficiência. De acordo com o presidente da Câmara Municipal da Amadora (CMA), Joaquim Raposo, “as obras são uma resposta às reivindicações da população e dos comerciantes, criando melhores condições de higiene e salubridade”. O autarca fez questão de marcar presença no primeiro dia da nova vida do mercado, onde ouviu mais pedidos por parte dos comerciantes. No final lembrou que “faz parte das políticas da autarquia apoiar os pequenos empresários e esta intervenção vai ao encontro desses objectivos”. Em 2007, os moradores e comerciantes queixavam-se de abandono por parte da autarquia e pediam a revitalização do mercado através da abertura de concursos para a ocupação das bancas e atracção de maior número de clientes. O mercado chegou a funcionar com cerca de duas dezenas de bancas. Neste momento, dispõe apenas de seis contribuintes. No ano passado, a CMA deu início às obras de transferência do mercado do segundo piso, para o primeiro, com o objectivo de intervir no piso superior para aí instalar a nova sede da Junta de Freguesia da Reboleira. No entanto, devido à reorganização administrativa, que prevê a extinção de alguns concelhos e juntas de freguesia, Joaquim Raposo, afirma que “esse projecto está em ‘stand by’ até que haja uma decisão do poder central”. Mas admite que o espaço é grande e pode comportar outros projectos, nomeadamente, “actividades comerciais, desde que não entrem em conflito com as existentes”, sublinha. Milene Matos Silva

AMADORA Contas geram polémica na Académica

Ver edição completa
Bingo do clube com futuro incerto. Actividade desportiva mantém-se, mas dívidas ascendem a 350 mil euros Na última assembleia-geral da Associação Académica da Amadora (AAA), que se realizou na quarta-feira, 11 de Janeiro, o presidente da mesa, Manuel Vieira, apresentou a sua demissão devido a “desentendimentos e quebra de confiança” em relação à actual direcção presidida por Carolina Germano. A reunião serviu também para apresentar o orçamento do clube para 2012. As divergências começaram na reunião magna que decorreu no dia 14 de Dezembro de 2011, onde se debateu o futuro da associação. O presidente da mesa, já nessa altura, mostrava descontentamento quanto ao rumo que estava a ser tomado pela direcção. “Sentimos necessidade de convocar esta assembleia-geral tendo em conta que nenhuma lista se tinha apresentado ao acto eleitoral convocado pela direcção. Em caso de omissão compete à mesa decidir”, justificou Manuel Vieira. Na altura, a actual direcção foi acusada de não prestar contas, por isso, não tinham surgido listas candidatas, visto ser desconhecida a real situação financeira do clube. Após a direcção ter sido confrontada com várias críticas, nomeadamente a de não definir qualquer estratégia quanto ao futuro, ficou decido realizar uma nova assembleia agendada para o início deste ano. O objectivo era dar a conhecer a situação do clube, mas também garantir através da apresentação de um plano e orçamento a manutenção dos acordos com a Câmara da Amadora, no âmbito do projecto “Escola a tempo inteiro” e do PAMA (Programa de Apoio ao Movimento Associativo). A reunião entre sócios ocorreu no dia 11, onde a actual direcção apresentou as contas, identificando 350 mil euros de dívidas, sendo algumas delas relativas a indemnizações a funcionários do clube e do bingo, cuja sala se encontra encerrada desde Abril. A presidente da AAA adiantou ainda que as actividades desportivas do clube “são para manter”, mas referiu que “a sala do bingo manter- se-á encerrada”. Ora, quanto a isso, os cerca de 40 trabalhadores do bingo e alguns do clube que se encontram em suspensão de contrato, prometem não baixar os braços. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul acusa a direcção de estar a funcionar na ilegalidade porque desde Outubro que se encontra expirado o pedido de suspensão da actividade do bingo. Segundo Rodolfo Caseiro, “está a decorrer uma queixa-crime contra a direcção devido a esta situação”. Com cerca de seis meses de salários em atraso, os trabalhadores manifestaram-se por duas vezes à porta das instalações e suspenderam o contrato de trabalho por falta de pagamento. No entanto, Carolina Germano frisou que as actividades desportivas vão continuar e o futuro do bingo ainda é uma incerteza. António Nunes,um dos sócios da AAA, que interveio na última assembleia, admitiu também que muitas hipóteses podem ser estudadas para o bingo, nomeadamente a venda das instalações que são propriedade do clube. Milene Matos Silva

Circuito mundial RC44 regressa a Cascais

Ver edição completa
Prova vai decorrer na Baía entre 28 de Março e 1 de Abril Cascais começa o ano com grandes eventos mundiais de Vela na agenda. A Baía de Cascais vai receber a segunda etapa do circuito mundial de RC44 (entre 28 de Março e 1 de Abril) e a partida da Transat Classique 2012 (2 de Dezembro de 2012), que ligará a vila cascalense à ilha de Barbados. Ambas as provas têm como anfitrião o Clube Naval e o apoio da Câmara Municipal de Cascais. A competição de RC44 é o único circuito em que o comandante é o próprio proprietário (amador). A prova conta com 14 equipas, oriundas de dez nações. Vai reunir uma frota competitiva, em que navegam alguns dos melhores velejadores do mundo e empresários de renome. Os RC44 regressam a Portugal depois de alguns anos de ausência. O norte-americano Larry Ellison, CEO da Oracle Corporation, o neozelandês Russell Coutts, o italiano Vasco Vascotto, o sueco Torbjorn Tornqvist ou o francês Mathieu Richard são apenas algumas das estrelas que estarão em águas cascalenses para regatas emocionantes. Os portugueses Nuno Barreto e Gilberto Conde estiveram recentemente no Mundial da classe, disputado na ilha deLanzarote, e podem repetir presença a bordo do barco austríaco AEZ. Recorde-se que Portugal tem historial nos RC44, graças à vitória do Banco Espírito Santo, de Patrick Monteiro de Barros, no circuito de frota em 2008. Hubert Detrey, director geral da classe, disse ao JR que “Cascais é muito conhecido pelas provas que já se realizaram cá e pela hospitalidade. Estamos convencidos que vai correr tudo bem. É um lugar bom para navegar. Com bom vento, boa hospitalidade e uma prova que será feita perto da costa”. Cascais acompanha assim outros destinos de excelência como Gmundem (Áustria), Marstrand (Suécia) e Rovinj (Croácia) que também serão palco do campeonato RC44. Para o presidente da Câmara, Carlos Carreiras, "o mar de Cascais é um grande património que o concelho tem". "Este é o primeiro de muitos eventos de Vela que se vão realizar e colocam Cascais como a capital de Vela na Europa e no Mundo", reforçou o autarca. Por seu turno, a Transat Atlantique 2012 deverá contar com a participação de três dezenas de iates clássicos, que vão largar, a 2 de Dezembro de 2012, de Cascais rumo à ilha de Barbados. A frota reúne-se em águas cascalenses, depois de efectuar duas regatas de aproximação, com largadas das cidades francesas de Douarnenez (22 Julho de 2012) e St.Tropez (25 Outubro de 2012). Durante a estadia, os clássicos terão provas integradas no Cascais Vela 2012, assim como uma regata e uma parada naval na segunda metade de Novembro 2012, antes da partida para a Transat. A Transat Classique 2012 foi apresentada, oficialmente, nas Voiles de St.Tropez 2011 e durante o Salão Náutico de Paris.

CARCAVELOS Mercado provisório abre portas à requalificação

Ver edição completa
Intervenção vai estar concluída no final do primeiro semestre de 2013 Arrancaram, na passada segunda-feira, as obras de construção da unidade de produção e formação dos tradicionais gelados Santini no Mercado de Carcavelos, que contempla ainda um estabelecimento de comercialização, num investimento de 800 mil euros. Em Junho, deverão estar concluídos os trabalhos. A construção desta unidade insere-se na primeira fase das obras de requalificação do Mercado de Carcavelos, cujas obras vão ter início em Junho deste ano e são suportadas por um investimento público de 950 mil euros, numa primeira fase, e cerca de dois milhões de euros no total. Os trabalhos deverão terminar em Julho de 2013. Até lá, o mercado irá funcionar num recinto provisório que foi visitado, na passada quinta-feira, pelo presidente Carlos Carreiras e pelo vice-presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz. Os autarcas quiseram auscultar os feirantes sobre a nova realidade do mercado. À sua espera estava também o coro do Centro Comunitário de Carcavelos que lhes cantou ‘as Janeiras’. Dona Nazaré vende fruta e disse ao JR que “neste momento (no mercado provisório) não estamos mal. Temos mais vista, mais luz. Quando formos para o outro mercado deve ser melhor. Estávamos muito apagados”. Ana Mafalda, enquanto amanhava o peixe, disse ao JR que “estamos melhor do que estávamos e vamos ficar ainda melhor. Se fizerem como este ficamos melhor de certeza”. O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, realçou que “esta é uma obra já prevista há muito. É uma situação provisória enquanto decorrem as obras do mercado e da unidade de gelados Santini. Visa criar uma centralidade e recuperar a própria vida de Carcavelos”. “No futuro, teremos um mercado que será um espaço de referência não apenas para a freguesia, mas para Cascais. Um espaço que os carcavelenses há tanto tempo legitimamente ambicionam. Este é o primeiro passo para um mercado novo que irá ancorar, potenciar e desenvolver as muitas actividades económicas e sociais da vila”, realça o edil. Zilda Silva, presidente da Junta de Freguesia de Carcavelos, disse ao JR que “apesar de provisórias, estas instalações reúnem todas as condições. O mercado tem uma importância social muito grande. Sempre foi um ponto de encontro das pessoas e, muitas vezes, apercebemo-nos dos problemas sociais dentro do mercado. É também esta realidade que é importante”. O projecto de requalificação do mercado contempla a construção de uma praça urbana, no espaço fronteiro ao actual mercado até agora utilizado como parque de estacionamento. Esse espaço funcionará como local de venda, às quintas-feiras, incluindo a tradicional Feira de Carcavelos, e nos restantes dias da semana pode ser palco para eventos permanentes e temporários, que envolvam a população, atraiam novos visitantes e promovam a criatividade e o investimento. Francisco Lourenço

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sector dos mármores apela ao Governo

Ver edição completa
Secretário de Estado da Economia visita Sintra, promete apoios, mas deixa empresários sem respostas concretas para os seus problemas Os empresários da região de Pero Pinheiro, Montelavar e Terrugem, principal centro transformador de rochas ornamentais do país, entregaram um caderno reivindicativo ao secretário de Estado da Economia, Almeida Henriques, que visitou o concelho de Sintra na passada sexta-feira. Entre outras medidas, os industriais reclamam mais apoios e incentivos para a internacionalização das suas empresas e para formação profissional, acesso a fundos comunitários, pagamento do IVA só após o recebimento de facturas e mais facilidade no acesso ao crédito. O caderno reivindicativo terá sido entregue durante uma reunião com Almeida Henriques, que juntou uma dezena de empresários e que contou ainda com a participação do presidente da Câmara. De resto, Fernando Seara guiou o governante num conjunto de visitas a empresas de média e grande dimensão, de vários sectores de actividade, terminando o périplo, precisamente, em Pero Pinheiro, com uma atenção especial ao sector da pedra, um dos mais afectados pela crise nacional. Naquela região, há quem fale em quebras de produção e facturação de mais de 50 por cento, com consequente reflexo nos níveis de desemprego ali verificados. "Muitas das empresas trabalhavam para o mercado nacional, mas coma crise que afecta o sector da construção civil há uma falta de trabalho gritante", revela Jorge Galrão, líder de uma das maiores empresas da zona. A solução, diz o empresário, "passa pelo reforço das exportações", embora a "instabilidade dos mercados externos" e a "concorrência forte vinda de países emergentes, como a China, Índia ou mesmo o Brasil", apontada por outro industrial, João Américo Urmal, possam colocar em causa todo o esforço de internacionalização das empresas locais. É por isso necessária uma verdadeira estratégia, na qual "os empresários sejam os principais dinamizadores, mas em que o Governo proporcione condições efectivas que permitam dar a volta por cima", sugere Jorge Galrão, apontando a dificuldade no acesso ao crédito por parte das empresas como "grande entrave" ao seu crescimento. Para estas e outras questões, Almeida Henriques não trazia grandes soluções, segundo referiram os participantes na reunião, mas em declarações aos jornalistas o secretário de Estado reconheceu que as empresas da região "têm uma capacidade produtiva superior à sua facturação" e que "necessitam de apoios para poderem exportar". Nesse sentido anunciou a intenção de "colocar os fundos do QREN ao serviço da economia" e prometeu uma linha de crédito destinada às pequenas e médias empresas no valor de 1500 milhões de euros. Por outro lado, o secretário de Estado sugeriu a reabilitação urbana como solução para a revitalização do sector da construção civil, sendo essa uma saída para a indústria das rochas ornamentais, havendo também aí um programa governamental "de mil milhões de euros". Nessa matéria, Fernando Seara aproveitou para destacar o esforço de alguns proprietários do centro histórico de Sintra e da Estefânea, onde o número de edifícios em reabilitação "é significativo". Para além disto, o edil prometeu durante a visita "agilização de procedimentos" e "licenciamentos mais céleres" nos projectos de expansão e ampliação de empresas e apontou a isenção de derrama para empresas com negócios de valor igual ou inferior a 150 mil euros como mais uma ajuda à revitalização da economia: "A Câmara perde três milhões de euros de receitas, mas estes, teoricamente, entram na economia...", salientou. Paulo Parracho