quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

PORTELA DE CARNAXIDE Loja Solidária é fonte de receitas

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Projecto Família Global lança iniciativa na Portela de Carnaxide para compensar perda de financiamento Casacos de pele à venda por 75 euros numa Loja Solidária é uma proposta que causa estranheza, à partida. Mas a situação financeira da Associação Projecto Família Global, responsável por serviços de berçário, creche, ATL, apoio domiciliário, formação, distribuição alimentar, entre outras vertentes de custo reduzido para o utente, não permite “dar de mão beijada o que a seguir poderia ser vendido ao lado sem qualquer benefício comprovado para a comunidade da Portela de Carnaxide", justifica Carlos Ribeiro, presidente da direcção desta IPSS. Com uma gestão “cada vez mais difícil” devido à diminuição de verbas provenientes da Segurança Social e da própria Câmara de Oeiras, a PFG vai inaugurar a sua Loja Solidária, no próximo dia 20, assumindo que esta será uma fonte de receita importante para manter a instituição à superfície enquanto aguarda que seja retomada a construção do Centro Multiusos da Outurela, no mesmo bairro, onde ficarão as suas novas instalações. A futura sede e espaços, obra de iniciativa camarária – no âmbito de parceria público-privada que engloba outras empreitadas (como o Centro de Congressos) actualmente paradas por razões às quais a edilidade se declara alheia – deverão marcar, quando concluídos, o início de uma etapa de maior desafogo financeiro para a Família Global. Até lá, porém, sobreviver é a palavra de ordem. “A Segurança Social, que pagava uma quantia por cada refeição que nós dávamos aqui aos alunos da escola, invocou duplicação de gastos para nos retirar 1600 euros argumentando que eles podem comer no estabelecimento de ensino; por outro lado, o subsídio anual que a Câmara costuma atribuir, na ordem dos 8000 euros, baixou este ano para apenas dois mil e tal euros”, expõe Carlos Ribeiro, sem peias, adiantando, pela positiva: “O que nos tem valido são as doações de mecenas, que até aumentaram”. Foi, aliás, através de uma dessas dádivas, particularmente generosa, da parte de “uma empresa amiga” do ramo têxtil, que surgiu a ideia de avançar com a Loja Solidária. A doação de produtos de elevada qualidade (e preço) levou os dirigentes da PFG a optarem pela venda dos mesmos por valores fora do habitual neste tipo de iniciativas. “Tem que ser assim”, não hesita Carlos Ribeiro. “Porque, desta forma, estamos a garantir que esse dinheiro será reinvestido no apoio social em prol da comunidade, coisa que não poderíamos assegurar se vendêssemos a preços simbólicos”, justifica. O receio é que, por falta de controlo eficaz, os artigos acabassem por ser vendidos, logo de seguida, pelo preço real ou perto disso, perdendo-se os efeitos socialmente positivos da venda. “Não podia ser de outra maneira, a instituição precisa de compensar a perda de verbas para poder manter a qualidade dos seus serviços”, reforça Anabela Fonseca, tesoureira da instituição. De qualquer maneira, é de salientar que além dos referidos casacos de pele, dos fatos “totalmente novos” a algumas dezenas de euros, das camisas a 10 euros, luvas de boa qualidade a cinco e botas infantis de uma marca muito conhecida no mercado a “4,5 ou 7,5 euros”, também não faltarão os artigos e os preços mais “normais”, desde 50 cêntimos a dois ou três euros para peças de roupa e não só. Aparelhagens de som, um frigorífico, candeeiros e brinquedos fazem parte, igualmente, do recheio... A loja da Projecto Família Global – Associação para a Inserção Sociocultural e Profissional da Família situa- se na Alameda João da Mota Prego, ocupando uma sala que era usada para diversos cursos de formação profissional que a PFG deu ao abrigo do Programa Operacional Potencial Humano (POPH), com fundos nacionais e, sobretudo, europeus. Finaram- se os cursos, os computadores estão encaixotados e as secretárias dos antigos alunos encavalitadas a um canto ou a servirem de expositores para os artigos da novel loja. Esta estará aberta às terças e quintas- feiras, entre as 10 e as 17h00. Jorge A. Ferreira

Monte Estoril aposta na requalificação

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Diversas entidades reiteram propostas apresentadas à Câmara de Cascais em 2002 A requalificação do Monte Estoril ganha novas forças. Diversas entidades da sociedade civil cascalense, entre as quais a ALA – Academia de Letras e Artes, a Associação de Moradores do Monte Estoril (AMME), o Movimento Cidadania Cascais, a Junta de Freguesia do Estoril e o Movimento Ser Cascais, deliberou recentemente, por unanimidade, ratificar o Projecto Integrado de Requalificação do Monte Estoril (PIRME), elaborado em 2002 pela AMME e, dessa maneira, responder ao repto público lançado pelo presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, na sessão de lançamento do livro “Turismo do Estoril”. Regressar ao ambiente romântico que caracterizou o Monte Estoril no início do Séc. XX, com árvores e bancos, preservar o património e respeitar o passado do Monte Estoril é o que defendem aquelas entidades. Apresentam como projectos específicos a requalificação da Alameda Columbano – Jardim da Estação; da Rua e Escadinhas de Santa Cruz; do Jardim Carlos Anjos – Monte Estoril Centro; das Cocheiras do Monte – Avenida de S. Pedro; de requalificação do Cruzeiro – Estoril Praia –Mercado. Propõe também que a AMME seja uma parceira da Junta de Freguesia do Estoril e da Câmara Municipal de Cascais e funcione, no âmbito do Monte Estoril, como uma gestora de condomínios global em consonância com as administrações dos vários condomínios e com os restantes moradores. Segundo o projecto, a requalificação dos Estoris (troço compreendido entre Cascais e S. João do Estoril) implica, entre outros factores, que “seja impedida toda e qualquer construção nova, interditando a divisão dos lotes actualmente existentes; sejam tomadas medidas incentivadoras ao restauro de imóveis degradados e penalizadoras para os imóveis em estado de abandono; seja impedido todo e qualquer abate de árvores; se proceda a uma exaustiva classificação do património histórico, arquitectónico, paisagístico, ecológico, cultural e ambiental; se definam os princípios de uma política clara de recuperação, revitalização e requalificação do edificado e dos espaços existentes; se estabeleçam regras estritas de circulação automóvel e de estacionamento, tendo em conta o princípio da prioridade total ao peão; seja delineado um projecto integrado e coerente de arquitectura paisagística; sejam tomadas medidas tendentes a uma drástica diminuição dos fluxos de trânsito, de atravessamento e mesmo local”. A segurança pública é também uma das exigências invocadas pelas forças vivas. O documento que, agora, recebe a concordância das várias entidades foi assinado por uma comissão promotora de que fazem parte Alfredo Dias Valente de Carvalho, António Aguiar, Diogo Pacheco de Amorim, Jaime Roque de Pinho de Almeida (Lavradio), João Aníbal Henriques, Joaquim Cardoso Mendes, José Santos Fernandes, José Luís de Athayde, Luís Lupi Alves Caetano, Manuel Pinto Barbosa, Paulo Maia de Loureiro e Salvador Correia de Sá. Este documento já tinha sido entregue à Câmara de Cascais pela AMME em 2002. Confrontado com esta posição relativa à requalificação do Monte Estoril, o presidente da Câmara de Cascais revelou ao JR que está disponível para ouvir todas as propostas. “Já me reuni e tenho vindo a trabalhar com a AMME sobre a anulação do Plano de Pormenor do Hotel Miramar. Recentemente, a associação teve a amabilidade de me enviar um ‘e-mail’ onde solicitava uma reunião no âmbito da discussão do PDM. Terei, como já o manifestei em resposta, toda a disponibilidade para ouvir os moradores do Monte Estoril, algo que presumo possa acontecer até ao final da primeira quinzena de Janeiro", salienta Carlos Carreiras. "Terei todo o interesse em reunir com os moradores do Monte Estoril, bem como com todas as associações de defesa do bem comum, da qualidade de vida e das políticas de desenvolvimento do concelho”, concluiu o edil. Francisco Lourenço

CASCAIS Reorganização das empresas municipais avança em Janeiro

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‘Cascais Ambiente’, ‘Cascais Próxima’ e ‘Cascais Dinâmica’ são as novas estruturas Ano novo, vida nova. A Câmara de Cascais vai implementar, já a partir de Janeiro de 2012, o novo modelo de organização administrativa que contempla uma concentração das empresas municipais, mas também uma mudança visual, onde a marca “Cascais” se vai destacar. Em declarações ao JR, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, explicou que a reorganização administrativa passa pela fusão ou integração das empresas municipais em estruturas existentes. “A ampla reforma do sector empresarial local, uma obrigação de todas as autarquias que decorre dos acordos que o Estado celebrou no âmbito do programa de resgate, já aprovada pela Assembleia Municipal e alvo de amplo consenso político também no executivo, passa por dois eixos: fusões ou integrações das estruturas existentes.As agências Cascais Natura e a Cascais Atlântico são incorporadas na EMAC, em virtude da natureza do seu objecto social, dando origem à “Cascais Ambiente”. Pelo mesmo motivo, a Agência Cascais Energia é integrada na ESUC e dá origem à “Cascais Próxima”. A fusão por integração da Fortaleza de Cascais e da Ar Cascais na Ar Cascais dará origem à “Cascais Dinâmica”, adianta Carlos Carreiras. No caso da remoção do lixo, desaparecerá das ruas e dos olhares dos munícipes, a sigla EMAC, mas os serviços prestados serão os mesmos: “Os munícipes sabem com o que contam quando se fala da EMAC. Numa palavra: competência. A EMAC assumiu-se, em apenas cinco anos, como uma referência na prestação de serviços públicos no espaço urbano. A EMAC é uma marca de excelência. Isto é o essencial. Quanto ao resto, falamos de pequenas diferenças de semântica numa empresa que mantém o mesmo gene. A ‘Cascais Ambiente’ não é mais nem menos do que a EMAC, agora com competências mais alargadas”. Carlos Carreiras fundamentou as vantagens na fusão das empresas municipais: “Note-se que foram eliminadas 50% das entidades empresariais locais e que isto é feito sem criar ou eliminar um único posto de trabalho"."Do ponto de vista organizacional, ficamos com uma estrutura mais musculada e ágil para enfrentar as dificuldades do presente e do futuro. Ganhámos escala através de processos de fusão/integração. Daqui decorrem naturalmente todos os benefícios ligados às economias de escala e à eliminação de custos de contexto”, revela o autarca. Francisco Lourenço

Moradores da Estrada dos Salgados à espera

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Os moradores da Estrada dos Salgados, na Venda Nova (Amadora), queixam-se que as obras de construção da CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) provocaram danos dentro das suas habitações, nomeadamente fissuras nas paredes das casas e destruição de equipamentos eléctricos. Depois de terem recebido em suas casas, uma equipa técnica que avaliou a situação, ficaram à espera. No entanto, até à data, não voltaram a ser contactados, apesar de terem interpelado por várias vezes a direcção das Estradas de Portugal (EP). Lá passaram mais de seis meses desde a conclusão da CRIL e na Estrada dos Salgados ainda se aguarda pelas indemnizações referentes aos danos provocados pela obra. Edgar Figueiredo tem dado a cara pela Estrada dos Salgados, uma zona que diz “em muito beneficiou com a minha luta”. Ao longo dos últimos anos, este morador tem vindo a defender os interesses dos habitantes daquela zona da Venda Nova, após o início das obras para a conclusão da CRIL, no troço entre a Pontinha e a Buraca. Mas depois da obra ter sido concluída, Edgar Figueiredo contesta que “não nos têm dito nada, temos as nossas casas danificadas, escorrendo água pelas paredes e não podemos fazer nada porque estamos a aguardar as indemnizações”. Este morador acrescenta: “Já fomos muito prejudicados no decorrer das obras e continuamos a ser porque não podemos resolver o nosso problema”. Com fissuras na sua casa, garante que “escorre água pelas paredes” e “depois dos trabalhos de terraplanagem na rua fiquei sem máquina de lavar a roupa”. Diz terem sido múltiplos os seus pedidos atendidos ao longo do processo de construção da CRIL e salienta o apoio de que tem vindo a beneficiar da Câmara Municipal da Amadora (CMA). No entanto, critica que “as Estradas de Portugal depois de terem terminado a obra abandonaram-nos”. OJR tentou obter uma reacção das Estradas de Portugal sobre esta situação, mas sem sucesso até ao fecho desta edição. VENTEIRA Associação dá apoio alimentar Natal reciclado em Alfornelos REPÓRTER JR Natacha Brigham Natacha Brigham Gonçalo Português As decorações de Natal de Alfornelos foram feitas a partir de materiais reciclados pelos alunos das escolas de primeiro ciclo da freguesia. Esta iniciativa partiu da Junta com o objectivo de promover uma aproximação da comunidade aos estabelecimentos de ensino, assim como sensibilizar para as questões ambientais. O desafio foi lançado pelo pelouro de Ambiente da Junta. A Campanha “Eco- rotundas de Natal” foi criada, tendo como desafio “associar Natal e o Ambiente, promovendo a decoração de algumas rotundas, uma por cada escola de Alfornelos, sendo decoradas com material reciclado”, como referiu Filipa Albino, responsável pela área de Ambiente da Junta de Freguesia de Alfornelos. Em duas rotundas da Rua Luís Gomes podem ver-se os efeitos de Natal. Junto ao Centro de Saúde é visível a frase “Feliz Natal”, feita a partir de CD reciclados. Já junto à Igreja de Alfornelos foi colocada uma árvore feita a partir de garrafas de plástico. “O objectivo foi embelezar na época de Natal as ruas de Alfornelos, aproveitando os materiais reciclados, contribuindo simultaneamente para a sensibilização ambiental, mas também colocar as crianças a trabalhar para a comunidade”, conclui a responsável.

VENTEIRA Associação dá apoio alimentar

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Famílias carenciadas recorrem à Recolha Solidária O Natal fortalece o espírito de solidariedade entre as pessoas, mas não é só nesta quadra festiva que a Recolha Solidária, recentemente criada na Venteira, realiza as suas campanhas. Todavia, para ajudar cerca de 100 famílias carenciadas, é nesta época que a associação aproveita uma maior predisposição para aumentar os bens armazenados, através de várias campanhas realizadas em locais “onde há mais gente”. Estações da CP ou do Metro, supermercados e centros comerciais são alguns dos locais onde a Associação Recolha Solidária monta a sua banca e promove a angariação de fundos através da venda ao público da sua mascote, mas também da recolha de roupas, calçado, brinquedos e géneros alimentares. Tudo é bem-vindo para ajudar as cerca de 100 famílias que estão a ser apoiadas pela associação. “A ideia é ajudar estas pessoas resolvendo o problema imediato de alimentação, enquanto não encontram uma solução para as suas vidas. A ideia não é criar dependência, mas ajudar numa fase menos boa destas famílias”, adianta António Carvalho, director-geral da associação sem fins lucrativos, fundada em Setembro de 2010. As famílias são encaminhadas através dos serviços sociais da Junta de Freguesia, Câmara Municipal e da Santa Casa da Misericórdia da Amadora, sendo-lhes distribuídos, duas vezes por mês, cabazes alimentares. “Alguns alimentos são provenientes do Banco Alimentar, instituição com a qual somos parceiros, outros são doados através das nossas campanhas”, refere ainda o responsável. Se os alimentos são recolhidos junto das bancas na altura das campanhas, assim como as verbas, já a roupa, calçado e brinquedos têm que ser entregues num armazém da associação, situado na Tapada das Mercês (Sintra). “Este Natal estamos a preparar uma festa, onde serão distribuídos os bens que dispomos nesse armazém, em Sintra”, avança António Carvalho. Para já a recolha de fundos vai continuar em várias iniciativas espalhadas na grande Lisboa, onde voluntários ajudam a recolher os bens doados. Para além da venda da mascote, os voluntários fazem também a medição da tensão arterial. Milene Matos Silva

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Jovens sintrenses juntam forças

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1.º encontro da Rede Juvenil “foi um sucesso” Lutar para que os jovens alcancem um papel mais activo nos processos de tomada de decisões em assuntos que lhes dizem respeito é o pano de fundo sobre o qual está a ser criada a Rede Participação Juvenil de Sintra, iniciativa da Associação Dínamo lançada com financiamento do Programa "Juventude em Acção", da Comissão Europeia. Após um período de capacitação de um grupo de oito elementos, o passo germinador do conceito foi dado no passado dia 26 de Novembro através do primeiro encontro local de jovens, organizações juvenis, educadores, técnicos de instituições/entidades, grupos informais e trabalhadores socioeducativos, realizado na Casa da Juventude,Tapada das Mercês, e que acolheu dezenas de participantes. Foi um dia inteiro dedicado ao fundamental acto de conhecimento recíproco, mas em que também se procedeu ao levantamento de necessidades e dificuldades, além de uma primeira abordagem a possíveis soluções para aumentar a participação juvenil. Actualmente, está a ser elaborado um relatório com os dados apurados no encontro do passado dia 26, o qual começará a ser divulgado ainda antes do final deste mês. Ao mesmo tempo, avança uma plataforma ‘online’ que servirá a futura rede. “Foi um sucesso”, resumiu ao JR Sérgio Xavier, responsável da Dínamo, sobre a forma como decorreu o primeiro encontro da Rede. “Ganhámos um espaço aberto de discussão, descomprometido, do qual sairá aquilo que os participantes quiserem que saia, de acordo com as necessidades e as potencialidades identificadas”. Entretanto, o 2.º encontro da Rede Participação Juvenil de Sintra está já marcado para 3 de Março de 2012. Nessa altura, será lançada, oficialmente, a plataforma ‘online’, a qual pretende “não só informar sobre as acções de juventude no concelho, mas também manter os jovens informados sobre os processos de tomada de decisão, bem como facilitar a sua participação nesses mesmos processos”. Por outro lado, será apresentado “um conjunto de recomendações aos decisores políticos, a todos os actores activos no território na área da juventude, e aos próprios jovens também”. Sublinhando que “a grande conquista deste projecto é estar a ser feito por jovens”, Sérgio Xavier confirma que o trabalho da rede não terá limites em termos dos destinatários da sua mensagem e acções. Até mesmos os partidos políticos irão, em breve, ouvir falar da novel estrutura de participação juvenil. Por exemplo, a propósito da composição actual dos Conselhos Municipais de Juventude. “Não se percebe que seja o presidente de Câmara o responsável máximo por este órgão, seja em que concelho for… Porquê? Não seria muito mais natural e indicado que fosse um jovem a liderar um conselho municipal dedicado aos jovens?!”, questiona Sérgio Xavier, que também contesta o papel e o poder dos partidos dentro daqueles órgãos: “Cada partido presente na Assembleia Municipal tem direito a um assento no Conselho Municipal e a presença no Parlamento nacional dá direito a mais um lugar. Enquanto isso, as associações juvenis, os grupos informais de jovens, etc., ficam de fora. Não é que os partidos devam ser afectados, trata-se, antes, de dar voz e um papel activo, também, às organizações de jovens, em plano de igualdade com os partidos, o que ainda hoje não se verifica”. Jorge A. Ferreira

CONCELHO DE SINTRA Nova estrutura social para carenciados

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Associação Juvenil Ponte vai criar pólo social nas Mercês, com balneário, lavandaria e loja solidária A partir de Março de 2012, o concelho de Sintra vai dispor de um novo pólo social, o Manto, em instalações situadas nas Mercês. Uma iniciativa da Associação Juvenil Ponte que pretende responder aos problemas dos mais carenciados,mas rejeitando o assistencialismo puro, já que os seus utentes vão ser convidados a prestar serviços a favor da comunidade. A nova estrutura social, que irá ocupar instalações cedidas pela União Recreativa das Mercês, na Rua João de Barros, vai estar dotado de balneário, lavandaria e loja solidária, para dar resposta às necessidades essenciais de qualquer ser humano: alimentação, higiene e vestuário. O projecto pretende beneficiar, mensalmente, cerca de 440 pessoas, em especial na área da higiene e alimentação, e muitas outras centenas em termos de atendimento social. "O projecto visa contribuir para uma melhor qualidade de vida daqueles que se encontram numa situação de maior fragilidade", explica Susana Ramalho, presidente da direcção da Associação Juvenil Ponte. "Mas, também a integração social dos indivíduos, através da valorização das suas competências pessoais", salienta esta responsável. Baseada na economia da comunhão, o projecto prevê a contribuição de cada beneficiado, através da sigla 25/25/50. "Se um banho custar um euro, então o utente vai pagar 25 por cento em dinheiro. Outros 25% serão oferecidos pela estrutura e os restantes 50 por cento serão pagos pela pessoa em trabalho a favor da comunidade", sublinha Susana Ramalho. Conforme as suas competências, os utentes poderão efectuar pequenos trabalhos de costura, por exemplo, na roupa vendida na Loja Solidária, ou ensinar a tocar viola a quem queira aprender. Em Março, quando o projecto abrir portas, estarão definidos os serviços a disponibilizar pela estrutura à comunidade, que poderão ir da "lavagem de carros a engraxar sapatos", que serão prestados pelos utentes, como forma de pagamento do que beneficiam, mas também como contributo para a sustentabilidade financeira do projecto social. Que tipo de utente será beneficiado por esta estrutura? "Provavelmente, não serão as pessoas que estão habituadas a ir à igreja e a ser-lhes dada roupa, que estão habituadas a receber sem mais...", revela Susana Ramalho, em declarações ao JR, após a apresentação do novo pólo social, que decorreu, no passado dia 6 de Dezembro, no Palácio Valenças, em Sintra. "Mas, temos consciência de que há muitas famílias que tinham uma vida equilibrada e tranquila, e que por via do desemprego, enfrentam agora situações de ruptura", acentua a presidente da direcção da Associação Juvenil Ponte, convicta que, nestes casos, "a essas pessoas poderá fazer mais sentido continuarem a ser úteis à comunidade e, em contrapartida, receberem a ajuda da estrutura". Até ao final do ano ou no início de 2012, vão arrancar as obras de adaptação do imóvel, situado na proximidade da estação de comboios das Mercês, que contam, desde já, com um contributo financeiro da Fundação EDP, na ordem dos "20 a 30mil euros", mas ainda insuficiente para concretizar a remodelação das instalações. "Creio que mais 10 mil euros serão necessários para que a estrutura fique condigna", adianta Susana Ramalho. Inicialmente, o projecto abrangia mesmo um refeitório, para servir almoços nas próprias instalações, mas a grandeza do investimento obrigou a alterar essa valência alimentar. As refeições serão disponibilizadas "de uma forma ‘take away’", na ordem de uma centena por dia. O projecto está cotado na Bolsa de Valores Sociais (BVS), que se destina a apoiar e viabilizar projectos de luta contra a pobreza e a exclusão social, através do financiamento de qualquer interessado que poderá investir em acções que custam um euro, com um mínimo de aquisição a cifrar-se em cinco acções. Susana Ramalho quantifica em 100 mil euros os custos com o funcionamento anual da estrutura social, que vai implicar a criação de dois a três postos de trabalho, e que, além de estar aberto a todo o tipo de apoios, conta com a Câmara de Sintra como parceiro activo. Com quase 20 anos de existência, a Associação Juvenil Ponte dispõe de um ATL para crianças do 1.º Ciclo, que acolhe 50 petizes em instalações cedidas pelo município na Serra das Minas, além de proporcionar apoio psicológico a crianças e adolescentes em articulação com as comissões de protecção de menores e instâncias judiciais. A associação coordena, ainda, a agência do Banco do Tempo de Sintra e desenvolve outras actividades pontuais, "que servem sempre para construir um mundo melhor". As instalações que vão receber o novo pólo social já acolheram um ATL para adolescentes e serviu para germinar o projecto. "Quando tínhamos essa estrutura, iam lá perguntar ao João, o nosso monitor, se podiam tomar banho e isso chocou-nos um pouco... Há pessoas que até têm casa, mas não têm água ou gás para poder tomar um banho. E também houve o caso de dois homens, que pareciam de Leste, que iam ter uma entrevista de emprego e não tinham como tomar banho", recorda Susana Ramalho, dando conta que, apesar de não se constatar a existência de sem-abrigos nas ruas do concelho de Sintra, "há pessoas que passam necessidades e podem ser dignificadas na lógica do nosso projecto". João Carlos Sebastião