quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Moradores da Estrada dos Salgados à espera

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Os moradores da Estrada dos Salgados, na Venda Nova (Amadora), queixam-se que as obras de construção da CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) provocaram danos dentro das suas habitações, nomeadamente fissuras nas paredes das casas e destruição de equipamentos eléctricos. Depois de terem recebido em suas casas, uma equipa técnica que avaliou a situação, ficaram à espera. No entanto, até à data, não voltaram a ser contactados, apesar de terem interpelado por várias vezes a direcção das Estradas de Portugal (EP). Lá passaram mais de seis meses desde a conclusão da CRIL e na Estrada dos Salgados ainda se aguarda pelas indemnizações referentes aos danos provocados pela obra. Edgar Figueiredo tem dado a cara pela Estrada dos Salgados, uma zona que diz “em muito beneficiou com a minha luta”. Ao longo dos últimos anos, este morador tem vindo a defender os interesses dos habitantes daquela zona da Venda Nova, após o início das obras para a conclusão da CRIL, no troço entre a Pontinha e a Buraca. Mas depois da obra ter sido concluída, Edgar Figueiredo contesta que “não nos têm dito nada, temos as nossas casas danificadas, escorrendo água pelas paredes e não podemos fazer nada porque estamos a aguardar as indemnizações”. Este morador acrescenta: “Já fomos muito prejudicados no decorrer das obras e continuamos a ser porque não podemos resolver o nosso problema”. Com fissuras na sua casa, garante que “escorre água pelas paredes” e “depois dos trabalhos de terraplanagem na rua fiquei sem máquina de lavar a roupa”. Diz terem sido múltiplos os seus pedidos atendidos ao longo do processo de construção da CRIL e salienta o apoio de que tem vindo a beneficiar da Câmara Municipal da Amadora (CMA). No entanto, critica que “as Estradas de Portugal depois de terem terminado a obra abandonaram-nos”. OJR tentou obter uma reacção das Estradas de Portugal sobre esta situação, mas sem sucesso até ao fecho desta edição. VENTEIRA Associação dá apoio alimentar Natal reciclado em Alfornelos REPÓRTER JR Natacha Brigham Natacha Brigham Gonçalo Português As decorações de Natal de Alfornelos foram feitas a partir de materiais reciclados pelos alunos das escolas de primeiro ciclo da freguesia. Esta iniciativa partiu da Junta com o objectivo de promover uma aproximação da comunidade aos estabelecimentos de ensino, assim como sensibilizar para as questões ambientais. O desafio foi lançado pelo pelouro de Ambiente da Junta. A Campanha “Eco- rotundas de Natal” foi criada, tendo como desafio “associar Natal e o Ambiente, promovendo a decoração de algumas rotundas, uma por cada escola de Alfornelos, sendo decoradas com material reciclado”, como referiu Filipa Albino, responsável pela área de Ambiente da Junta de Freguesia de Alfornelos. Em duas rotundas da Rua Luís Gomes podem ver-se os efeitos de Natal. Junto ao Centro de Saúde é visível a frase “Feliz Natal”, feita a partir de CD reciclados. Já junto à Igreja de Alfornelos foi colocada uma árvore feita a partir de garrafas de plástico. “O objectivo foi embelezar na época de Natal as ruas de Alfornelos, aproveitando os materiais reciclados, contribuindo simultaneamente para a sensibilização ambiental, mas também colocar as crianças a trabalhar para a comunidade”, conclui a responsável.

VENTEIRA Associação dá apoio alimentar

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Famílias carenciadas recorrem à Recolha Solidária O Natal fortalece o espírito de solidariedade entre as pessoas, mas não é só nesta quadra festiva que a Recolha Solidária, recentemente criada na Venteira, realiza as suas campanhas. Todavia, para ajudar cerca de 100 famílias carenciadas, é nesta época que a associação aproveita uma maior predisposição para aumentar os bens armazenados, através de várias campanhas realizadas em locais “onde há mais gente”. Estações da CP ou do Metro, supermercados e centros comerciais são alguns dos locais onde a Associação Recolha Solidária monta a sua banca e promove a angariação de fundos através da venda ao público da sua mascote, mas também da recolha de roupas, calçado, brinquedos e géneros alimentares. Tudo é bem-vindo para ajudar as cerca de 100 famílias que estão a ser apoiadas pela associação. “A ideia é ajudar estas pessoas resolvendo o problema imediato de alimentação, enquanto não encontram uma solução para as suas vidas. A ideia não é criar dependência, mas ajudar numa fase menos boa destas famílias”, adianta António Carvalho, director-geral da associação sem fins lucrativos, fundada em Setembro de 2010. As famílias são encaminhadas através dos serviços sociais da Junta de Freguesia, Câmara Municipal e da Santa Casa da Misericórdia da Amadora, sendo-lhes distribuídos, duas vezes por mês, cabazes alimentares. “Alguns alimentos são provenientes do Banco Alimentar, instituição com a qual somos parceiros, outros são doados através das nossas campanhas”, refere ainda o responsável. Se os alimentos são recolhidos junto das bancas na altura das campanhas, assim como as verbas, já a roupa, calçado e brinquedos têm que ser entregues num armazém da associação, situado na Tapada das Mercês (Sintra). “Este Natal estamos a preparar uma festa, onde serão distribuídos os bens que dispomos nesse armazém, em Sintra”, avança António Carvalho. Para já a recolha de fundos vai continuar em várias iniciativas espalhadas na grande Lisboa, onde voluntários ajudam a recolher os bens doados. Para além da venda da mascote, os voluntários fazem também a medição da tensão arterial. Milene Matos Silva

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Jovens sintrenses juntam forças

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1.º encontro da Rede Juvenil “foi um sucesso” Lutar para que os jovens alcancem um papel mais activo nos processos de tomada de decisões em assuntos que lhes dizem respeito é o pano de fundo sobre o qual está a ser criada a Rede Participação Juvenil de Sintra, iniciativa da Associação Dínamo lançada com financiamento do Programa "Juventude em Acção", da Comissão Europeia. Após um período de capacitação de um grupo de oito elementos, o passo germinador do conceito foi dado no passado dia 26 de Novembro através do primeiro encontro local de jovens, organizações juvenis, educadores, técnicos de instituições/entidades, grupos informais e trabalhadores socioeducativos, realizado na Casa da Juventude,Tapada das Mercês, e que acolheu dezenas de participantes. Foi um dia inteiro dedicado ao fundamental acto de conhecimento recíproco, mas em que também se procedeu ao levantamento de necessidades e dificuldades, além de uma primeira abordagem a possíveis soluções para aumentar a participação juvenil. Actualmente, está a ser elaborado um relatório com os dados apurados no encontro do passado dia 26, o qual começará a ser divulgado ainda antes do final deste mês. Ao mesmo tempo, avança uma plataforma ‘online’ que servirá a futura rede. “Foi um sucesso”, resumiu ao JR Sérgio Xavier, responsável da Dínamo, sobre a forma como decorreu o primeiro encontro da Rede. “Ganhámos um espaço aberto de discussão, descomprometido, do qual sairá aquilo que os participantes quiserem que saia, de acordo com as necessidades e as potencialidades identificadas”. Entretanto, o 2.º encontro da Rede Participação Juvenil de Sintra está já marcado para 3 de Março de 2012. Nessa altura, será lançada, oficialmente, a plataforma ‘online’, a qual pretende “não só informar sobre as acções de juventude no concelho, mas também manter os jovens informados sobre os processos de tomada de decisão, bem como facilitar a sua participação nesses mesmos processos”. Por outro lado, será apresentado “um conjunto de recomendações aos decisores políticos, a todos os actores activos no território na área da juventude, e aos próprios jovens também”. Sublinhando que “a grande conquista deste projecto é estar a ser feito por jovens”, Sérgio Xavier confirma que o trabalho da rede não terá limites em termos dos destinatários da sua mensagem e acções. Até mesmos os partidos políticos irão, em breve, ouvir falar da novel estrutura de participação juvenil. Por exemplo, a propósito da composição actual dos Conselhos Municipais de Juventude. “Não se percebe que seja o presidente de Câmara o responsável máximo por este órgão, seja em que concelho for… Porquê? Não seria muito mais natural e indicado que fosse um jovem a liderar um conselho municipal dedicado aos jovens?!”, questiona Sérgio Xavier, que também contesta o papel e o poder dos partidos dentro daqueles órgãos: “Cada partido presente na Assembleia Municipal tem direito a um assento no Conselho Municipal e a presença no Parlamento nacional dá direito a mais um lugar. Enquanto isso, as associações juvenis, os grupos informais de jovens, etc., ficam de fora. Não é que os partidos devam ser afectados, trata-se, antes, de dar voz e um papel activo, também, às organizações de jovens, em plano de igualdade com os partidos, o que ainda hoje não se verifica”. Jorge A. Ferreira

CONCELHO DE SINTRA Nova estrutura social para carenciados

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Associação Juvenil Ponte vai criar pólo social nas Mercês, com balneário, lavandaria e loja solidária A partir de Março de 2012, o concelho de Sintra vai dispor de um novo pólo social, o Manto, em instalações situadas nas Mercês. Uma iniciativa da Associação Juvenil Ponte que pretende responder aos problemas dos mais carenciados,mas rejeitando o assistencialismo puro, já que os seus utentes vão ser convidados a prestar serviços a favor da comunidade. A nova estrutura social, que irá ocupar instalações cedidas pela União Recreativa das Mercês, na Rua João de Barros, vai estar dotado de balneário, lavandaria e loja solidária, para dar resposta às necessidades essenciais de qualquer ser humano: alimentação, higiene e vestuário. O projecto pretende beneficiar, mensalmente, cerca de 440 pessoas, em especial na área da higiene e alimentação, e muitas outras centenas em termos de atendimento social. "O projecto visa contribuir para uma melhor qualidade de vida daqueles que se encontram numa situação de maior fragilidade", explica Susana Ramalho, presidente da direcção da Associação Juvenil Ponte. "Mas, também a integração social dos indivíduos, através da valorização das suas competências pessoais", salienta esta responsável. Baseada na economia da comunhão, o projecto prevê a contribuição de cada beneficiado, através da sigla 25/25/50. "Se um banho custar um euro, então o utente vai pagar 25 por cento em dinheiro. Outros 25% serão oferecidos pela estrutura e os restantes 50 por cento serão pagos pela pessoa em trabalho a favor da comunidade", sublinha Susana Ramalho. Conforme as suas competências, os utentes poderão efectuar pequenos trabalhos de costura, por exemplo, na roupa vendida na Loja Solidária, ou ensinar a tocar viola a quem queira aprender. Em Março, quando o projecto abrir portas, estarão definidos os serviços a disponibilizar pela estrutura à comunidade, que poderão ir da "lavagem de carros a engraxar sapatos", que serão prestados pelos utentes, como forma de pagamento do que beneficiam, mas também como contributo para a sustentabilidade financeira do projecto social. Que tipo de utente será beneficiado por esta estrutura? "Provavelmente, não serão as pessoas que estão habituadas a ir à igreja e a ser-lhes dada roupa, que estão habituadas a receber sem mais...", revela Susana Ramalho, em declarações ao JR, após a apresentação do novo pólo social, que decorreu, no passado dia 6 de Dezembro, no Palácio Valenças, em Sintra. "Mas, temos consciência de que há muitas famílias que tinham uma vida equilibrada e tranquila, e que por via do desemprego, enfrentam agora situações de ruptura", acentua a presidente da direcção da Associação Juvenil Ponte, convicta que, nestes casos, "a essas pessoas poderá fazer mais sentido continuarem a ser úteis à comunidade e, em contrapartida, receberem a ajuda da estrutura". Até ao final do ano ou no início de 2012, vão arrancar as obras de adaptação do imóvel, situado na proximidade da estação de comboios das Mercês, que contam, desde já, com um contributo financeiro da Fundação EDP, na ordem dos "20 a 30mil euros", mas ainda insuficiente para concretizar a remodelação das instalações. "Creio que mais 10 mil euros serão necessários para que a estrutura fique condigna", adianta Susana Ramalho. Inicialmente, o projecto abrangia mesmo um refeitório, para servir almoços nas próprias instalações, mas a grandeza do investimento obrigou a alterar essa valência alimentar. As refeições serão disponibilizadas "de uma forma ‘take away’", na ordem de uma centena por dia. O projecto está cotado na Bolsa de Valores Sociais (BVS), que se destina a apoiar e viabilizar projectos de luta contra a pobreza e a exclusão social, através do financiamento de qualquer interessado que poderá investir em acções que custam um euro, com um mínimo de aquisição a cifrar-se em cinco acções. Susana Ramalho quantifica em 100 mil euros os custos com o funcionamento anual da estrutura social, que vai implicar a criação de dois a três postos de trabalho, e que, além de estar aberto a todo o tipo de apoios, conta com a Câmara de Sintra como parceiro activo. Com quase 20 anos de existência, a Associação Juvenil Ponte dispõe de um ATL para crianças do 1.º Ciclo, que acolhe 50 petizes em instalações cedidas pelo município na Serra das Minas, além de proporcionar apoio psicológico a crianças e adolescentes em articulação com as comissões de protecção de menores e instâncias judiciais. A associação coordena, ainda, a agência do Banco do Tempo de Sintra e desenvolve outras actividades pontuais, "que servem sempre para construir um mundo melhor". As instalações que vão receber o novo pólo social já acolheram um ATL para adolescentes e serviu para germinar o projecto. "Quando tínhamos essa estrutura, iam lá perguntar ao João, o nosso monitor, se podiam tomar banho e isso chocou-nos um pouco... Há pessoas que até têm casa, mas não têm água ou gás para poder tomar um banho. E também houve o caso de dois homens, que pareciam de Leste, que iam ter uma entrevista de emprego e não tinham como tomar banho", recorda Susana Ramalho, dando conta que, apesar de não se constatar a existência de sem-abrigos nas ruas do concelho de Sintra, "há pessoas que passam necessidades e podem ser dignificadas na lógica do nosso projecto". João Carlos Sebastião

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Orçamento sofre redução de dez por cento

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Educação e Saúde crescem, mas Acção Social e Habitação têm menos dotação A Câmara de Oeiras aprovou, no passado dia 23, o Orçamento para 2012, o qual atinge, praticamente, os 156 milhões de euros. O “bolo” disponível para fazer face a despesas e a investimentos sofre, assim, uma redução de 10,35% relativamente a 2011, ou seja, cerca de 18 milhões de euros a menos. “O esforço de contenção orçamental justificou o comportamento da despesa pública, enquanto a evolução do investimento foi influenciada pela dificuldade de acesso ao crédito, pelas próprias medidas de consolidação orçamental e pelo elevado nível de incerteza dada a actual conjuntura macroeconómica nacional e internacional”, justifica o executivo camarário, autor da proposta que viria a ser aprovada com os votos favoráveis do IOMAF e do PSD, a abstenção do PS e o voto contra da CDU. O documento será agora discutido e votado em sede da Assembleia Municipal, o que acontecerá já na próxima segunda-feira. “As medidas contempladas neste orçamento correspondem a um esforço assinalável de consolidação, actuando, claramente, pelo lado da redução da despesa, num contexto de contenção da despesa e de moderação do consumo, medidas que serão sequência dos alertas e contenções já expressas no último ano de 2011”, salienta o documento da Câmara. O investimento regista um decréscimo de 9,32%. O montante global de quase 112 milhões de euros, corresponde a uma diminuição de 13,39% e 4,45%, respectivamente no Plano Plurianual de Investimento e no Plano de Actividades Municipal. Na análise comparativa 2011/2012, verifica-se que a dotação global nas Funções Sociais decresce 8,77%. Neste âmbito, a Educação sobe 9,6%, a Saúde cresce 2,9%, a Segurança Social e a Acção Social diminuem as suas verbas na ordem dos 13,69%. Mais profundo ainda é o corte na Habitação e nos Serviços Colectivos (-24%). No mesmo sentido vão Indústria e Energia baixam (-36,55%), Transportes e Comunicações (-17,13%), Comércio e Turismo (-14,29%) e em Outras Funções Económicas (-30%). Nas Funções Gerais, verifica-se que Segurança e Ordem Pública recebem menos cerca de 10%. Ainda assim, de acordo com a formulação da autarquia, “a preocupação com a intervenção social foi cirúrgica pelo que não será comprometida a programação definida nas áreas do apoio às populações mais vulneráveis, com especial enfoque ao nível dos alunos carenciados e dos idosos”. Por outro lado, é dada “continuidade”, em 2012, “à valorização da educação e qualificação, para a promoção de estilos de vida saudáveis, para o desenvolvimento de redes de sociabilidade e solidariedade social”. A Reabilitação Urbana, Espaço Público e Escolas “continuam a ser prioridades para 2012”. Naquela componente aponta-se “uma nova política de habitação, orientada para realidades e necessidades habitacionais, sociais, educacionais e urbanas”. No Espaço Público e Espaços Verdes, “o destaque vai para os investimentos na higiene urbana, na reparação de arruamentos e passeios, na recuperação de jardins”, sendo que o investimento nestas áreas inclui o Passeio Marítimo e a 2.ª fase do Parque dos Poetas. Em 2012 arrancará, ainda, garante a autarquia, a construção do Extensão de Saúde de Algés, num investimento global de cinco milhões de euros, a suportar pelo município. Os efeitos da crise económico- financeira acentuaram-se em 2011, com repercussões ao nível das receitas municipais, nomeadamente no que se refere aos impostos directos. São disso exemplos a colecta da Derrama – quebra na ordem dos 16,08%, três milhões e oitenta e cinco mil euros –, do Imposto Municipal Sobre Transacções (o que apresenta maior redução, de 35,19%, correspondendo a menos oito milhões e trezentos e cinquenta e sete mil euros). Por seu turno, o IRS sobe em 6%. Mesmo diminuindo alguns deles, os impostos directos representam a maior das componentes da receita corrente – 60,62% – onde se destacam o IMI, o IMT e a Derrama. Dentro das Transferências Correntes encontra-se o valor da participação fixa no IRS que representa quase 15% da receita corrente. No que diz respeito às transferências do Estado para o Município de Oeiras, o Orçamento de Estado para 2012 retira por completo à autarquia o Fundo de Equilíbrio Financeiro e o Fundo Social Municipal – em 2011 significaram uma verba na ordem de quase 1,1 milhão de euros. “Quanto à dívida a médio e longo prazo, saliente- se que no final de 2005 esta era de cerca de 36,2 M, e, presentemente, é de 34,7 M”, o que significa que “ao contrário da Administração Central, Oeiras tem vindo a pagar a dívida e não a aumentá-la”. Finalmente, refira-se que “na despesa corrente haverá lugar a uma redução de 9,13%, a que corresponde o valor de 9,4 milhões de euros (em 2011 a despesa corrente foi de 103,4 milhões de euros e em2012 será de 93,9 M)”. Jorge A. Ferreira

Comércio está ‘pior do que nunca’

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Estragos da crise vêem-se e ouvem-se pelas ruas da amargura do consumo, de Algés a Oeiras Paralisado! Este é o diagnóstico mais vezes proferido pelos comerciantes nos dias que correm. Em 2010, o comércio “já estava mau, mas ainda mexia”. Agora “está pior do que nunca”. Num curto périplo feito pelo JR, seja no enorme centro comercial a céu descoberto imbricado na malha urbana da Baixa de Algés ou no reduzido conjunto de lojas do Centro Histórico de Oeiras, as perspectivas apontadas para 2012 são negras ou pouco menos. E nem o Natal dá ânimo, com o respectivo subsídio cortado pela metade, deixando antever que ficará a meio, também, o sapatinho das prendas e o cabaz com os produtos típicos desta altura festiva(?). O presidente da Associação Comercial e Empresarial dos Concelhos de Oeiras e Amadora (ACECOA) concorda com o cenário traçado pelos lojistas. “Há um medo real de que muitos estabelecimentos não voltem a abrir as portas em Janeiro!”, avisa João Antunes, considerando que as coisas só não estão piores porque “têm sido feitas, com sucesso, renegociações ao nível do pagamento das rendas aos senhorios”. Circulando pela Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, principal artéria algesina de comércio, é fácil encontrar sinais de que o dinamismo da oferta e da procura já conheceu melhores dias… Aqui é um espaço desocupado, ali um negócio que já ostenta a placa de uma agência imobiliária, acolá uma porta fechada por causa de um gozo de férias que deixa muitas dúvidas... Situações tanto mais frequentes quanto mais o passeio se afasta dos pontos de maior afluência de transeuntes. Enquanto umas lojas fazem os descontos e promoções que podem para se manterem à superfície, outras já têm o destino traçado. É o caso do estabelecimento onde Teresa Fernandes (nome fictício) trabalha há vários anos, que está a vender os últimos produtos para fechar portas. A nossa interlocutora pede anonimato para poder desabafar a "depressão" em que anda, com vários meses em atraso de um salário que é mínimo desde há demasiados anos. “Na prática, ando a pagar para trabalhar!...”, queixa-se, com o sofrimento estampado no rosto, não só pela situação profissional, mas porque esta veio “piorar e muito” factores de ordem pessoal. Muito conhecedora do tecido comercial em Algés, aponta várias situações parecidas à sua para, de seguida, prognosticar: “Em Janeiro, muitas lojas já não reabrem as suas portas”. Mais abaixo, um estabelecimento informa estar de férias. Mas ali ao lado, alguém opina que as férias vão ser para sempre. “Os donos têm outra loja em Lisboa e como precisam lá de um empregado, em vez de contratarem um novo, vão levar o que aqui estava para lá e aproveitam para fechar esta loja”. Rumores por confirmar, mas que não surpreendem... Confirmado está o fecho da mercearia Horta das Beiras, “até ao final do ano”. Informa-o, sem peias, o proprietário, Luís Cabral, de 56 anos, que a tinha adquirido há um ano para fazer valer a qualidade dos produtos de Penalva do Castelo, de onde é natural. “Estávamos a conseguir uma clientela certa, mas a despesa com electricidade era muito pesada, chegou a 400 euros mensais, porque também vendia frangos assados”, queixa-se. Acabou a assadura, mas não o fardo financeiro resultante de haver adquirido mercadorias ao anterior proprietário e, ainda, novas máquinas. “Com esta crise não dá para aguentar”, conclui. Os hortícolas e as batatas já só os trará da terra para consumo próprio, mas para os queijos, vinhos e outros artigos mais requintados tem uma alternativa: “Vou tentar abrir um cantinho ‘gourmet’ em Belém, que é outra coisa em termos de clientela, e lá vou ter o melhor da região de Penalva e da Serra da Estrela”, perspectiva o comerciante. Manterá, no entanto, um outro negócio que tem na mesma Avenida dos Combatentes, de venda e reparação de electrodomésticos e execução de variadas obras em casa. Uma diversidade importante nesta altura. “As reparações e obras estão a dar alguma coisa porque se fosse só pelas vendas também não valia a pena...”, dá conta. No Algés Shopping Center Avenida o discurso é o mesmo, com a agravante de as lojas fechadas serem muito numerosas, sobretudo no piso inferior onde resistem apenas duas ou três. Uma delas é o serviço de florista de Rosa Fernandes, onde a beleza das Estrelas-do-Natal não combinam nada com um comércio cada vez mais “murcho”. “Este ano está a ser mau sem comparação possível”, resume a comerciante, que ali se mantém há 28 anos. No Centro Histórico de Oeiras, o talho e charcutaria Alves & Serrão dá nas vistas pelas prateleiras repletas de pequenas embalagens de bombons, encomendadas à medida e com decoração personalizada feita pelo talhante, António Dias. “É um passatempo de que eu gosto muito e que dá um toque personalizado aos nossos produtos de Natal”, explica o profissional, satisfeito pelo sucesso das peças originais. “São pequenos mimos que servem de prenda e que têm, também, preços pequenos, mais baratos até que nos hipermercados”, frisa. A seu lado, Fernanda Dias, de 75 anos, também está contente pela variedade conseguida entre as carnes e os artigos de charcutaria,mas recorda com saudade as filas até para lá da porta... “O centro histórico continua a ter pouca gente, sobretudo ao fim-de-semana”, diz. “Havia aqui uma loja de electrodomésticos onde as pessoas podiam pagar luz e água e que era um chamariz, mas também fechou”, acrescenta. O filho de Fernanda Dias vê esta questão de forma mais optimista. “Acho que está em fase de transição, há lojas que fecham, outras que abrem...”. Mas concorda numa coisa: “As pessoas andam apavoradas com a crise”. Jorge A. Ferreira

Orçamento da Câmara mantém apoio social

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Bloco e PSD viabilizam orçamento de 84 milhões, com menos 10% de transferências do Estado As Opções do Plano e o Orçamento para 2012 para o município de Almada foram aprovadas na última reunião de câmara com os votos a favor da maioria CDU, abstenção do BE e PSD e votos contra dos vereadores do PS. O documento será agora submetido à votação da Assembleia Municipal, marcada para este mês, onde tudo indica que será aprovado com a maioria de deputados da bancada CDU. Mas a manter-se o clima da reunião de câmara, é de esperar uma forte oposição por parte do PS. Os socialistas viram a sua proposta fora da discussão em sessão de câmara, alegadamente por não cumprir os trâmites técnicos legais, mas não desistiram de fazer reflectir o conteúdo da mesma que, entre várias questões, contesta a diminuição de verbas a transferir em 2012 para as freguesias. “As freguesias vão receber menos dinheiro porque a Câmara de Almada está a gastar mais do que devia em estudos, pareceres e consultoria e também em publicidade”, afirmava o vereador socialista António Mendes. “A proposta do PS é equilibrada e lamento que tenha sido recusada na discussão”, afirmou. Apesar da discórdia da oposição sobre algumas das propostas introduzidas pela maioria comunista no Plano e Orçamento da Câmara, que apresenta um montante global na ordem dos 84,3 milhões, uma das rubricas que mereceu consenso é a promoção de um Plano de Emergência Social para apoiar as IPSS para fazer frente às dificuldades crescentes das famílias neste momento de crise nacional. Apesar do Orçamento de Estado cortar em 2012 na transferência para a autarquia almadense 844 279,00 euros, a presidente da Câmara garante que “o plano social é uma das nossas grandes preocupações”. Outra das matérias que Maria Emília de Sousa afirma que vai ter continuidade é a democracia participativa. “Vamos continuar a ouvir as instituições e as populações” e, em resposta a António Mendes, lembrou-lhe que o corte de verbas para as freguesias teve o “consenso” dos presidentes das juntas. Aliás, a edil diz que as freguesias, através do ajuste de competências, “vão receber mais do que no ano passado”. É que o plano “não pode ser visto só a somar parcelas”, comentou. Entre as várias rubricas o Plano compromete-se a manter o apoio alimentar às crianças que frequentam a escola pública, alargar a rede escolar, rever a mobilidade no concelho e manter o apoio ao movimento associativo e criação de apoio às pequenas e médias empresas. Algumas destas matérias foram apresentadas pelos vereadores do PSD nas reuniões prévias para a proposta de orçamento, o que levou o vereador social-democrata, Pedroso de Almeida a afirmar a sua satisfação pela “abertura da CDU”, mas também expressou o receio de “algumas das propostas fiquem apenas no plano das intenções”. Por seu lado o BE, através da vereadora Helena Oliveira, lembrou que apesar do Plano “não reflectir” algumas das propostas do seu partido, considera que o mesmo permite à autarquia “assumir respostas e responsabilidades sociais que farão a diferença e contribuirão positivamente para a qualidade de vida das pessoas”. Humberto Lameiras