sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Orçamento sofre redução de dez por cento

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Educação e Saúde crescem, mas Acção Social e Habitação têm menos dotação A Câmara de Oeiras aprovou, no passado dia 23, o Orçamento para 2012, o qual atinge, praticamente, os 156 milhões de euros. O “bolo” disponível para fazer face a despesas e a investimentos sofre, assim, uma redução de 10,35% relativamente a 2011, ou seja, cerca de 18 milhões de euros a menos. “O esforço de contenção orçamental justificou o comportamento da despesa pública, enquanto a evolução do investimento foi influenciada pela dificuldade de acesso ao crédito, pelas próprias medidas de consolidação orçamental e pelo elevado nível de incerteza dada a actual conjuntura macroeconómica nacional e internacional”, justifica o executivo camarário, autor da proposta que viria a ser aprovada com os votos favoráveis do IOMAF e do PSD, a abstenção do PS e o voto contra da CDU. O documento será agora discutido e votado em sede da Assembleia Municipal, o que acontecerá já na próxima segunda-feira. “As medidas contempladas neste orçamento correspondem a um esforço assinalável de consolidação, actuando, claramente, pelo lado da redução da despesa, num contexto de contenção da despesa e de moderação do consumo, medidas que serão sequência dos alertas e contenções já expressas no último ano de 2011”, salienta o documento da Câmara. O investimento regista um decréscimo de 9,32%. O montante global de quase 112 milhões de euros, corresponde a uma diminuição de 13,39% e 4,45%, respectivamente no Plano Plurianual de Investimento e no Plano de Actividades Municipal. Na análise comparativa 2011/2012, verifica-se que a dotação global nas Funções Sociais decresce 8,77%. Neste âmbito, a Educação sobe 9,6%, a Saúde cresce 2,9%, a Segurança Social e a Acção Social diminuem as suas verbas na ordem dos 13,69%. Mais profundo ainda é o corte na Habitação e nos Serviços Colectivos (-24%). No mesmo sentido vão Indústria e Energia baixam (-36,55%), Transportes e Comunicações (-17,13%), Comércio e Turismo (-14,29%) e em Outras Funções Económicas (-30%). Nas Funções Gerais, verifica-se que Segurança e Ordem Pública recebem menos cerca de 10%. Ainda assim, de acordo com a formulação da autarquia, “a preocupação com a intervenção social foi cirúrgica pelo que não será comprometida a programação definida nas áreas do apoio às populações mais vulneráveis, com especial enfoque ao nível dos alunos carenciados e dos idosos”. Por outro lado, é dada “continuidade”, em 2012, “à valorização da educação e qualificação, para a promoção de estilos de vida saudáveis, para o desenvolvimento de redes de sociabilidade e solidariedade social”. A Reabilitação Urbana, Espaço Público e Escolas “continuam a ser prioridades para 2012”. Naquela componente aponta-se “uma nova política de habitação, orientada para realidades e necessidades habitacionais, sociais, educacionais e urbanas”. No Espaço Público e Espaços Verdes, “o destaque vai para os investimentos na higiene urbana, na reparação de arruamentos e passeios, na recuperação de jardins”, sendo que o investimento nestas áreas inclui o Passeio Marítimo e a 2.ª fase do Parque dos Poetas. Em 2012 arrancará, ainda, garante a autarquia, a construção do Extensão de Saúde de Algés, num investimento global de cinco milhões de euros, a suportar pelo município. Os efeitos da crise económico- financeira acentuaram-se em 2011, com repercussões ao nível das receitas municipais, nomeadamente no que se refere aos impostos directos. São disso exemplos a colecta da Derrama – quebra na ordem dos 16,08%, três milhões e oitenta e cinco mil euros –, do Imposto Municipal Sobre Transacções (o que apresenta maior redução, de 35,19%, correspondendo a menos oito milhões e trezentos e cinquenta e sete mil euros). Por seu turno, o IRS sobe em 6%. Mesmo diminuindo alguns deles, os impostos directos representam a maior das componentes da receita corrente – 60,62% – onde se destacam o IMI, o IMT e a Derrama. Dentro das Transferências Correntes encontra-se o valor da participação fixa no IRS que representa quase 15% da receita corrente. No que diz respeito às transferências do Estado para o Município de Oeiras, o Orçamento de Estado para 2012 retira por completo à autarquia o Fundo de Equilíbrio Financeiro e o Fundo Social Municipal – em 2011 significaram uma verba na ordem de quase 1,1 milhão de euros. “Quanto à dívida a médio e longo prazo, saliente- se que no final de 2005 esta era de cerca de 36,2 M, e, presentemente, é de 34,7 M”, o que significa que “ao contrário da Administração Central, Oeiras tem vindo a pagar a dívida e não a aumentá-la”. Finalmente, refira-se que “na despesa corrente haverá lugar a uma redução de 9,13%, a que corresponde o valor de 9,4 milhões de euros (em 2011 a despesa corrente foi de 103,4 milhões de euros e em2012 será de 93,9 M)”. Jorge A. Ferreira

Comércio está ‘pior do que nunca’

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Estragos da crise vêem-se e ouvem-se pelas ruas da amargura do consumo, de Algés a Oeiras Paralisado! Este é o diagnóstico mais vezes proferido pelos comerciantes nos dias que correm. Em 2010, o comércio “já estava mau, mas ainda mexia”. Agora “está pior do que nunca”. Num curto périplo feito pelo JR, seja no enorme centro comercial a céu descoberto imbricado na malha urbana da Baixa de Algés ou no reduzido conjunto de lojas do Centro Histórico de Oeiras, as perspectivas apontadas para 2012 são negras ou pouco menos. E nem o Natal dá ânimo, com o respectivo subsídio cortado pela metade, deixando antever que ficará a meio, também, o sapatinho das prendas e o cabaz com os produtos típicos desta altura festiva(?). O presidente da Associação Comercial e Empresarial dos Concelhos de Oeiras e Amadora (ACECOA) concorda com o cenário traçado pelos lojistas. “Há um medo real de que muitos estabelecimentos não voltem a abrir as portas em Janeiro!”, avisa João Antunes, considerando que as coisas só não estão piores porque “têm sido feitas, com sucesso, renegociações ao nível do pagamento das rendas aos senhorios”. Circulando pela Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, principal artéria algesina de comércio, é fácil encontrar sinais de que o dinamismo da oferta e da procura já conheceu melhores dias… Aqui é um espaço desocupado, ali um negócio que já ostenta a placa de uma agência imobiliária, acolá uma porta fechada por causa de um gozo de férias que deixa muitas dúvidas... Situações tanto mais frequentes quanto mais o passeio se afasta dos pontos de maior afluência de transeuntes. Enquanto umas lojas fazem os descontos e promoções que podem para se manterem à superfície, outras já têm o destino traçado. É o caso do estabelecimento onde Teresa Fernandes (nome fictício) trabalha há vários anos, que está a vender os últimos produtos para fechar portas. A nossa interlocutora pede anonimato para poder desabafar a "depressão" em que anda, com vários meses em atraso de um salário que é mínimo desde há demasiados anos. “Na prática, ando a pagar para trabalhar!...”, queixa-se, com o sofrimento estampado no rosto, não só pela situação profissional, mas porque esta veio “piorar e muito” factores de ordem pessoal. Muito conhecedora do tecido comercial em Algés, aponta várias situações parecidas à sua para, de seguida, prognosticar: “Em Janeiro, muitas lojas já não reabrem as suas portas”. Mais abaixo, um estabelecimento informa estar de férias. Mas ali ao lado, alguém opina que as férias vão ser para sempre. “Os donos têm outra loja em Lisboa e como precisam lá de um empregado, em vez de contratarem um novo, vão levar o que aqui estava para lá e aproveitam para fechar esta loja”. Rumores por confirmar, mas que não surpreendem... Confirmado está o fecho da mercearia Horta das Beiras, “até ao final do ano”. Informa-o, sem peias, o proprietário, Luís Cabral, de 56 anos, que a tinha adquirido há um ano para fazer valer a qualidade dos produtos de Penalva do Castelo, de onde é natural. “Estávamos a conseguir uma clientela certa, mas a despesa com electricidade era muito pesada, chegou a 400 euros mensais, porque também vendia frangos assados”, queixa-se. Acabou a assadura, mas não o fardo financeiro resultante de haver adquirido mercadorias ao anterior proprietário e, ainda, novas máquinas. “Com esta crise não dá para aguentar”, conclui. Os hortícolas e as batatas já só os trará da terra para consumo próprio, mas para os queijos, vinhos e outros artigos mais requintados tem uma alternativa: “Vou tentar abrir um cantinho ‘gourmet’ em Belém, que é outra coisa em termos de clientela, e lá vou ter o melhor da região de Penalva e da Serra da Estrela”, perspectiva o comerciante. Manterá, no entanto, um outro negócio que tem na mesma Avenida dos Combatentes, de venda e reparação de electrodomésticos e execução de variadas obras em casa. Uma diversidade importante nesta altura. “As reparações e obras estão a dar alguma coisa porque se fosse só pelas vendas também não valia a pena...”, dá conta. No Algés Shopping Center Avenida o discurso é o mesmo, com a agravante de as lojas fechadas serem muito numerosas, sobretudo no piso inferior onde resistem apenas duas ou três. Uma delas é o serviço de florista de Rosa Fernandes, onde a beleza das Estrelas-do-Natal não combinam nada com um comércio cada vez mais “murcho”. “Este ano está a ser mau sem comparação possível”, resume a comerciante, que ali se mantém há 28 anos. No Centro Histórico de Oeiras, o talho e charcutaria Alves & Serrão dá nas vistas pelas prateleiras repletas de pequenas embalagens de bombons, encomendadas à medida e com decoração personalizada feita pelo talhante, António Dias. “É um passatempo de que eu gosto muito e que dá um toque personalizado aos nossos produtos de Natal”, explica o profissional, satisfeito pelo sucesso das peças originais. “São pequenos mimos que servem de prenda e que têm, também, preços pequenos, mais baratos até que nos hipermercados”, frisa. A seu lado, Fernanda Dias, de 75 anos, também está contente pela variedade conseguida entre as carnes e os artigos de charcutaria,mas recorda com saudade as filas até para lá da porta... “O centro histórico continua a ter pouca gente, sobretudo ao fim-de-semana”, diz. “Havia aqui uma loja de electrodomésticos onde as pessoas podiam pagar luz e água e que era um chamariz, mas também fechou”, acrescenta. O filho de Fernanda Dias vê esta questão de forma mais optimista. “Acho que está em fase de transição, há lojas que fecham, outras que abrem...”. Mas concorda numa coisa: “As pessoas andam apavoradas com a crise”. Jorge A. Ferreira

Orçamento da Câmara mantém apoio social

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Bloco e PSD viabilizam orçamento de 84 milhões, com menos 10% de transferências do Estado As Opções do Plano e o Orçamento para 2012 para o município de Almada foram aprovadas na última reunião de câmara com os votos a favor da maioria CDU, abstenção do BE e PSD e votos contra dos vereadores do PS. O documento será agora submetido à votação da Assembleia Municipal, marcada para este mês, onde tudo indica que será aprovado com a maioria de deputados da bancada CDU. Mas a manter-se o clima da reunião de câmara, é de esperar uma forte oposição por parte do PS. Os socialistas viram a sua proposta fora da discussão em sessão de câmara, alegadamente por não cumprir os trâmites técnicos legais, mas não desistiram de fazer reflectir o conteúdo da mesma que, entre várias questões, contesta a diminuição de verbas a transferir em 2012 para as freguesias. “As freguesias vão receber menos dinheiro porque a Câmara de Almada está a gastar mais do que devia em estudos, pareceres e consultoria e também em publicidade”, afirmava o vereador socialista António Mendes. “A proposta do PS é equilibrada e lamento que tenha sido recusada na discussão”, afirmou. Apesar da discórdia da oposição sobre algumas das propostas introduzidas pela maioria comunista no Plano e Orçamento da Câmara, que apresenta um montante global na ordem dos 84,3 milhões, uma das rubricas que mereceu consenso é a promoção de um Plano de Emergência Social para apoiar as IPSS para fazer frente às dificuldades crescentes das famílias neste momento de crise nacional. Apesar do Orçamento de Estado cortar em 2012 na transferência para a autarquia almadense 844 279,00 euros, a presidente da Câmara garante que “o plano social é uma das nossas grandes preocupações”. Outra das matérias que Maria Emília de Sousa afirma que vai ter continuidade é a democracia participativa. “Vamos continuar a ouvir as instituições e as populações” e, em resposta a António Mendes, lembrou-lhe que o corte de verbas para as freguesias teve o “consenso” dos presidentes das juntas. Aliás, a edil diz que as freguesias, através do ajuste de competências, “vão receber mais do que no ano passado”. É que o plano “não pode ser visto só a somar parcelas”, comentou. Entre as várias rubricas o Plano compromete-se a manter o apoio alimentar às crianças que frequentam a escola pública, alargar a rede escolar, rever a mobilidade no concelho e manter o apoio ao movimento associativo e criação de apoio às pequenas e médias empresas. Algumas destas matérias foram apresentadas pelos vereadores do PSD nas reuniões prévias para a proposta de orçamento, o que levou o vereador social-democrata, Pedroso de Almeida a afirmar a sua satisfação pela “abertura da CDU”, mas também expressou o receio de “algumas das propostas fiquem apenas no plano das intenções”. Por seu lado o BE, através da vereadora Helena Oliveira, lembrou que apesar do Plano “não reflectir” algumas das propostas do seu partido, considera que o mesmo permite à autarquia “assumir respostas e responsabilidades sociais que farão a diferença e contribuirão positivamente para a qualidade de vida das pessoas”. Humberto Lameiras

Amigos do HGO querem alargar apoio social

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‘Segurança Social devia alargar apoio às valências de fisioterapia e acompanhamento psicológico’ O presidente da Liga dos Amigos do Hospital Garcia de Orta (LAHGO), Fernando Neves, considera que os serviços prestados à população pelas instituições particulares de solidariedade social (IPSS) podem ser ampliados a mais valências, com “mais benefícios financeiros” para as mesmas e para o Estado e “melhor qualidade de vida para o utente”. Um desafio que afirma já ter lançado à Segurança Social e que gostaria que fosse reforçado pelas outras instituições do concelho. Actualmente as IPSS que prestam serviços de apoio aos utentes no domicílio abrangem as áreas da alimentação, higiene pessoal, higiene ambiental e lavagem de roupa. Serviços que são protocolados com a Segurança Social que participa com uma verba por utente à instituição. Ora Fernando Neves entende que este protocolo deve ser estendido ao serviço de fisioterapia ao domicílio e acompanhamento psicológico. “Se as verbas forem bem geridas todas as instituições podem prestar estas duas valências”, afirma. Aliás, a Liga “já o está a fazer assumindo todos os encargos,mas a Segurança Social tem obrigação de apoiar e ao mesmo tempo reduz encargos do Estado”. No caso da fisioterapia, explica o presidente da Liga, o utente, que normalmente se desloca de ambulância, “paga 21 euros se o serviço for feito dentro do concelho”, para além disto “tem ainda de pagar a sessão de fisioterapia que custa cerca de 15 euros, já com a comparticipação do Estado”. Um tratamento que “em muitos casos pode ser feito em casa do utente”, afirma Fernando Neves. Desta forma “baixam os custos de deslocação e aumenta a comodidade do utente”. Neste momento a LAHGO tem três fisioterapeutas, com equipamento transportável, que se deslocam a casa das pessoas. “Suportamos o ordenado das fisioterapeutas e as deslocações”.Ou seja, na Liga, esta valência no total custa ao utente entre “4 a 14,4 euros”. Mas se a Segurança Social “pudesse suportar uma parte do valor que o utente paga segundo o seu rendimento, este serviço seria mais económico para ambas as partes”. O mesmo é válido para o serviço de acompanhamento psicológico, uma área “cada vez de maior importância porque muitos dos utentes ou têm os parentes longe ou já não os têm”. Diz Fernando Neves que a Liga presta este serviço “gratuitamente”, mas as outras instituições não têm base económica para isso. “Nós conseguimos rendimento através das máquinas de venda automática no hospital e também da parafarmácia, das duas lojas de artigos ortopédicos e uma pequena cafetaria”, mas também diz que a comparticipação da Segurança Social “é suficiente”, o necessário é “alterar a fórmula de gestão”, e acrescenta: “Tem de haver uma maior abertura”. Com a Liga a assegurar apoio a 105 utentes através do acordo com a Segurança Social na sua área de influência, Fernando Neves revela que consegue estender este apoio a mais utentes. “Quando há pessoas fragilizadas temos obrigação de as ajudar”. É esta mesma lógica que o presidente da Liga pretende que aconteça nas áreas da fisioterapia e apoio psicológico. “A Segurança Social devia apoiar também estas valências”, reafirma, um apoio que deve abranger “não só a Liga, mas todas as IPSS”. Isto “com vantagem financeira para todas as partes”. A questão já foi colocada à Segurança Social, mas “ainda não obtivemos resposta”, diz. Humberto Lameiras

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Câmara compensa aumento da factura de água com descida de impostos

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Pacote Fiscal responde a aplicação de tarifa de resíduos Descida da taxa de IRS, isenção de pagamento de Derrama às novas empresas criadas no concelho, corte no valor da Derrama para PME, isenção da Taxa Municipal de Direitos de Passagem, não aplicação da taxa máxima de IMI para o próximo ano fiscal são as linhas de força de um Pacote Fiscal proposto no Orçamento Municipal de 2012 que foi aprovado em reunião de Câmara, na segunda-feira, com as abstenções da CDU e PS. Estas medidas vêm compensar o aumento na factura de água que vai passar a incluir a tarifa de resíduos sólidos urbanos, que até ao momento era pago pela autarquia sem pesar no bolso dos munícipes e cujo valor da despesa está orçado em 6,8 milhões por ano. Este Pacote Fiscal constitui uma das novas propostas de combate à crise social que a Câmara de Cascais vai integrar no seu Orçamento para 2012, que ascende a 170,5 milhões de euros, e que prevê “a criação de um novo Fundo de Solidariedade e o reforço de investimento no Orçamento Participativo (que passou de 1,5 para 2,1 milhões de euros)". Em reunião de executivo, o presidente da Câmara justificou a aplicação do Pacote Fiscal como resposta ao novo tarifário de resíduos sólidos urbanos (RSU). "Estamos a actualizar o tarifário por imposição da entidade reguladora. Tivemos a preocupação de fazer uma análise das facturas da água e posso garantir que ainda assim Cascais ficará abaixo de municípios como Sintra, Oeiras, Odivelas e Loures. Com esta actualização ficamos abaixo do que é o custo de água noutros concelhos”, garantiu Carlos Carreiras. Segundo o documento submetido ao executivo municipal, o encargo mensal com a nova tarifa, para um agregado familiar com um consumo médio mensal de 10 m3, vai fixar- se nos 3,41 euros, sendo 2,5 euros resultante de um valor fixo e 0,91 euros de uma parcela variável, em função do consumo de água facturada. "Quando nos vimos confrontados com esta imposição, tivemos a preocupação de verificar o quanto esta tarifa ia onerar as famílias e, por isso, foi feito um estudo sobre a carga que as famílias pagam com os encargos municipais. Nesse sentido, decidimos reforçar a tarifa social para a água para 250 mil euros. Decidimos também baixar a Derrama e o IRS, além da isenção da Taxa Municipal de Direitos de Passagem. Estas reduções terão um valor de 8,6 milhões de euros e permitem o equilíbrio com o acréscimo da tarifa de resíduos, que será na ordem dos 6,8 milhões de euros”, frisou o edil. Em relação ao IRS, o município vai reduzir a sua participação de 5% para 3,75%, o que se traduzem4,6milhões de euros, montante do qual vão beneficiar os munícipes. O município decidiu, ainda, abdicar da cobrança da Taxa Municipal de Direitos de Passagem que os operadores de comunicações têm incidido sobre os munícipes. Com esta isenção, os munícipes vão ter as facturas desagravadas em um milhão e 800 mil euros. Feitas as contas, o autarca conclui que, “no final, temos um saldo positivo para as famílias, mesmo tendo em conta o acréscimo da tarifa de resíduos sólidos urbanos, na ordem de um milhão e 800 mil euros em função deste Pacote Fiscal". As principais medidas deste Pacote Fiscal foram apresentadas, esta terça-feira, nos Paços do Concelho, em conferência de imprensa. Na reunião do executivo, as bancadas da oposição justificaram a abstenção. Pedro Mendonça, vereador da CDU, disse que “não podemos deixar de observar que o conteúdo do Pacote Fiscal irá beneficiar os munícipes, mas estamos preocupados com o novo tarifário dos resíduos que irá onerar as famílias”. Por seu turno, Leonor Coutinho, do PS, disse que “é um enorme aumento que vai para a factura da água. Os munícipes de Cascais vão ver reflectidos no seu bolso um custo que não sabiam que existia”. Francisco Lourenço

CASCAIS Academia Sénior tem novas instalações

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Intervenção da Delegação da Costa do Estoril da CVP contemplou, ainda, a criação de clínica de fisioterapia A Delegação da Costa do Estoril da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) inaugurou, na manhã da passada segunda-feira, a nova Academia Sénior e Clínica de Fisioterapia no edifício daquela instituição, situado na Parede, que foi alvo de uma profunda requalificação. A cerimónia contou com a presença de Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade Social, Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, Mercedes Balsemão, vice-presidente da Delegação da Costa do Estoril da CVP, e Maria Barroso, ex-presidente da CVP. O edifício requalificado reúne, assim, um conjunto de valências que até há pouco eram desenvolvidas em espaços precários pela dedicação dos professores voluntários e pela energia dos alunos seniores. “Viver bem, envelhecer melhor” sempre foi o lema da Academia Sénior que agora viu concretizado o sonho de melhorar as condições das suas instalações. O equipamento conta com salas de aulas amplas para a actividade da Academia Sénior, gabinetes para consultas médicas, para análises clínicas, fisioterapia, podologia, um auditório e ainda um cabeleireiro, num investimento global estimado em cerca de 500 mil euros. Um sonho que estava distante, referiu a presidente da Delegação da CVP da Costa do Estoril, “quando em 1998 iniciámos o nosso trabalho no edifício antigo”. Depois de agradecer o apoio da Câmara de Cascais, assim como de vários empresários, Manuela Filipe frisou que “a inauguração destas instalações constitui um salto qualitativo e vai permitir receber alunos que se encontram em listas de espera”. “Nestes tempos difíceis que atravessamos, o projecto que temos vindo a desenvolver constitui muito mais do que um sinal de esperança e que quando queremos somos capazes de encontrar forças”, acrescentou esta responsável. Carlos Carreiras salientou “as excelentes condições” que os alunos da Academia Sénior passaram a ter e realçou que estas obras “só se conseguem, não com dinheiro, mas com homens e mulheres que têm esta dedicação e entrega”. O edil adiantou ainda que “será aprovado pela Câmara a possibilidade da Academia Sénior se instalar na Ribeira dos Mochos para desenvolver as suas actividades”. O presidente da CVP, Luís Barbosa, reconheceu que “a Delegação da Costa do Estoril dá mais um passo em frente em prol dos seniores” e deixou "uma palavra de louvor à Manuela Filipe pela sua capacidade de resposta". A Academia Sénior tem cerca de 1500 alunos e 78 professores voluntários. O ministro da Solidariedade Social salientou que “estas instituições só são grandes quando temos pela frente grandes pessoas. É o que acontece com esta em que a Manuela Filipe é uma mulher de armas. Obras como estas, em que se transforma um edifício antigo nestas instalações, sem a liderança da Manuela Filipe não seria possível”. Francisco Lourenço

Centro de Ciência Viva fecha em definitivo

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Falta de financiamento leva ao despedimento de cinco funcionários. Ex-directora foi para Sintra Encerrou para férias, em Julho, e nunca mais voltou a abrir portas. O Centro de Ciência Viva da Amadora (CCVA), espaço que pretendia divulgar a ciência e tecnologia junto do público mais jovem do concelho será agora extinto. Cinco dos trabalhadores que ainda se mantêm em actividade serão indemnizados e enviados para o fundo de desemprego. A Câmara Municipal da Amadora (CMA) aprovou na semana passada uma proposta que visa o fim da actividade do CCVA que funcionou até Julho na recuperada casa Aprígio Gomes, situada na Venteira. A decisão autárquica contempla ainda a indemnização aos cinco trabalhadores que ainda se mantinham no local, assim como, o fim de qualquer actividade no centro. O CCVA, que abriu portas em 2003, era dirigido pela associação que tinha como únicos associados a CMA e a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. Ao JR, a vice-presidente da Câmara Municipal da Amadora, Carla Tavares, explicou que “devido à situação que tinha vindo a assistir nos últimos tempos, numa decisão conjunta entre a agência e a Câmara, entendeu-se terminar com qualquer actividade naquele espaço”. Três meses depois de terminadas as férias de Verão, mantinha-se a expectativa quanto ao assunto, mas o desfecho era previsível, uma vez que todos os pedidos de agendamento de visitas por parte das escolas eram sistematicamente recusados. Entretanto, a transferência da anterior directora do centro, Adelina Machado, para a unidade congénere de Sintra deixava antever o pior. O presidente da autarquia, Joaquim Raposo, já tinha esclarecido que “problemas de financiamento” estavam na origem da suspensão da programação daquele equipamento. O autarca defendeu, porém, que “perante a indefinição” em relação ao futuro do centro, seria melhor a sua suspensão. Aberto ao público desde Setembro de 2003, o CCVA era um espaço interactivo dedicado à ciência e tecnologia, fazendo parte da Rede de Centros Ciência Viva. Milene Matos Silva