sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amigos do HGO querem alargar apoio social

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‘Segurança Social devia alargar apoio às valências de fisioterapia e acompanhamento psicológico’ O presidente da Liga dos Amigos do Hospital Garcia de Orta (LAHGO), Fernando Neves, considera que os serviços prestados à população pelas instituições particulares de solidariedade social (IPSS) podem ser ampliados a mais valências, com “mais benefícios financeiros” para as mesmas e para o Estado e “melhor qualidade de vida para o utente”. Um desafio que afirma já ter lançado à Segurança Social e que gostaria que fosse reforçado pelas outras instituições do concelho. Actualmente as IPSS que prestam serviços de apoio aos utentes no domicílio abrangem as áreas da alimentação, higiene pessoal, higiene ambiental e lavagem de roupa. Serviços que são protocolados com a Segurança Social que participa com uma verba por utente à instituição. Ora Fernando Neves entende que este protocolo deve ser estendido ao serviço de fisioterapia ao domicílio e acompanhamento psicológico. “Se as verbas forem bem geridas todas as instituições podem prestar estas duas valências”, afirma. Aliás, a Liga “já o está a fazer assumindo todos os encargos,mas a Segurança Social tem obrigação de apoiar e ao mesmo tempo reduz encargos do Estado”. No caso da fisioterapia, explica o presidente da Liga, o utente, que normalmente se desloca de ambulância, “paga 21 euros se o serviço for feito dentro do concelho”, para além disto “tem ainda de pagar a sessão de fisioterapia que custa cerca de 15 euros, já com a comparticipação do Estado”. Um tratamento que “em muitos casos pode ser feito em casa do utente”, afirma Fernando Neves. Desta forma “baixam os custos de deslocação e aumenta a comodidade do utente”. Neste momento a LAHGO tem três fisioterapeutas, com equipamento transportável, que se deslocam a casa das pessoas. “Suportamos o ordenado das fisioterapeutas e as deslocações”.Ou seja, na Liga, esta valência no total custa ao utente entre “4 a 14,4 euros”. Mas se a Segurança Social “pudesse suportar uma parte do valor que o utente paga segundo o seu rendimento, este serviço seria mais económico para ambas as partes”. O mesmo é válido para o serviço de acompanhamento psicológico, uma área “cada vez de maior importância porque muitos dos utentes ou têm os parentes longe ou já não os têm”. Diz Fernando Neves que a Liga presta este serviço “gratuitamente”, mas as outras instituições não têm base económica para isso. “Nós conseguimos rendimento através das máquinas de venda automática no hospital e também da parafarmácia, das duas lojas de artigos ortopédicos e uma pequena cafetaria”, mas também diz que a comparticipação da Segurança Social “é suficiente”, o necessário é “alterar a fórmula de gestão”, e acrescenta: “Tem de haver uma maior abertura”. Com a Liga a assegurar apoio a 105 utentes através do acordo com a Segurança Social na sua área de influência, Fernando Neves revela que consegue estender este apoio a mais utentes. “Quando há pessoas fragilizadas temos obrigação de as ajudar”. É esta mesma lógica que o presidente da Liga pretende que aconteça nas áreas da fisioterapia e apoio psicológico. “A Segurança Social devia apoiar também estas valências”, reafirma, um apoio que deve abranger “não só a Liga, mas todas as IPSS”. Isto “com vantagem financeira para todas as partes”. A questão já foi colocada à Segurança Social, mas “ainda não obtivemos resposta”, diz. Humberto Lameiras

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Câmara compensa aumento da factura de água com descida de impostos

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Pacote Fiscal responde a aplicação de tarifa de resíduos Descida da taxa de IRS, isenção de pagamento de Derrama às novas empresas criadas no concelho, corte no valor da Derrama para PME, isenção da Taxa Municipal de Direitos de Passagem, não aplicação da taxa máxima de IMI para o próximo ano fiscal são as linhas de força de um Pacote Fiscal proposto no Orçamento Municipal de 2012 que foi aprovado em reunião de Câmara, na segunda-feira, com as abstenções da CDU e PS. Estas medidas vêm compensar o aumento na factura de água que vai passar a incluir a tarifa de resíduos sólidos urbanos, que até ao momento era pago pela autarquia sem pesar no bolso dos munícipes e cujo valor da despesa está orçado em 6,8 milhões por ano. Este Pacote Fiscal constitui uma das novas propostas de combate à crise social que a Câmara de Cascais vai integrar no seu Orçamento para 2012, que ascende a 170,5 milhões de euros, e que prevê “a criação de um novo Fundo de Solidariedade e o reforço de investimento no Orçamento Participativo (que passou de 1,5 para 2,1 milhões de euros)". Em reunião de executivo, o presidente da Câmara justificou a aplicação do Pacote Fiscal como resposta ao novo tarifário de resíduos sólidos urbanos (RSU). "Estamos a actualizar o tarifário por imposição da entidade reguladora. Tivemos a preocupação de fazer uma análise das facturas da água e posso garantir que ainda assim Cascais ficará abaixo de municípios como Sintra, Oeiras, Odivelas e Loures. Com esta actualização ficamos abaixo do que é o custo de água noutros concelhos”, garantiu Carlos Carreiras. Segundo o documento submetido ao executivo municipal, o encargo mensal com a nova tarifa, para um agregado familiar com um consumo médio mensal de 10 m3, vai fixar- se nos 3,41 euros, sendo 2,5 euros resultante de um valor fixo e 0,91 euros de uma parcela variável, em função do consumo de água facturada. "Quando nos vimos confrontados com esta imposição, tivemos a preocupação de verificar o quanto esta tarifa ia onerar as famílias e, por isso, foi feito um estudo sobre a carga que as famílias pagam com os encargos municipais. Nesse sentido, decidimos reforçar a tarifa social para a água para 250 mil euros. Decidimos também baixar a Derrama e o IRS, além da isenção da Taxa Municipal de Direitos de Passagem. Estas reduções terão um valor de 8,6 milhões de euros e permitem o equilíbrio com o acréscimo da tarifa de resíduos, que será na ordem dos 6,8 milhões de euros”, frisou o edil. Em relação ao IRS, o município vai reduzir a sua participação de 5% para 3,75%, o que se traduzem4,6milhões de euros, montante do qual vão beneficiar os munícipes. O município decidiu, ainda, abdicar da cobrança da Taxa Municipal de Direitos de Passagem que os operadores de comunicações têm incidido sobre os munícipes. Com esta isenção, os munícipes vão ter as facturas desagravadas em um milhão e 800 mil euros. Feitas as contas, o autarca conclui que, “no final, temos um saldo positivo para as famílias, mesmo tendo em conta o acréscimo da tarifa de resíduos sólidos urbanos, na ordem de um milhão e 800 mil euros em função deste Pacote Fiscal". As principais medidas deste Pacote Fiscal foram apresentadas, esta terça-feira, nos Paços do Concelho, em conferência de imprensa. Na reunião do executivo, as bancadas da oposição justificaram a abstenção. Pedro Mendonça, vereador da CDU, disse que “não podemos deixar de observar que o conteúdo do Pacote Fiscal irá beneficiar os munícipes, mas estamos preocupados com o novo tarifário dos resíduos que irá onerar as famílias”. Por seu turno, Leonor Coutinho, do PS, disse que “é um enorme aumento que vai para a factura da água. Os munícipes de Cascais vão ver reflectidos no seu bolso um custo que não sabiam que existia”. Francisco Lourenço

CASCAIS Academia Sénior tem novas instalações

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Intervenção da Delegação da Costa do Estoril da CVP contemplou, ainda, a criação de clínica de fisioterapia A Delegação da Costa do Estoril da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) inaugurou, na manhã da passada segunda-feira, a nova Academia Sénior e Clínica de Fisioterapia no edifício daquela instituição, situado na Parede, que foi alvo de uma profunda requalificação. A cerimónia contou com a presença de Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade Social, Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, Mercedes Balsemão, vice-presidente da Delegação da Costa do Estoril da CVP, e Maria Barroso, ex-presidente da CVP. O edifício requalificado reúne, assim, um conjunto de valências que até há pouco eram desenvolvidas em espaços precários pela dedicação dos professores voluntários e pela energia dos alunos seniores. “Viver bem, envelhecer melhor” sempre foi o lema da Academia Sénior que agora viu concretizado o sonho de melhorar as condições das suas instalações. O equipamento conta com salas de aulas amplas para a actividade da Academia Sénior, gabinetes para consultas médicas, para análises clínicas, fisioterapia, podologia, um auditório e ainda um cabeleireiro, num investimento global estimado em cerca de 500 mil euros. Um sonho que estava distante, referiu a presidente da Delegação da CVP da Costa do Estoril, “quando em 1998 iniciámos o nosso trabalho no edifício antigo”. Depois de agradecer o apoio da Câmara de Cascais, assim como de vários empresários, Manuela Filipe frisou que “a inauguração destas instalações constitui um salto qualitativo e vai permitir receber alunos que se encontram em listas de espera”. “Nestes tempos difíceis que atravessamos, o projecto que temos vindo a desenvolver constitui muito mais do que um sinal de esperança e que quando queremos somos capazes de encontrar forças”, acrescentou esta responsável. Carlos Carreiras salientou “as excelentes condições” que os alunos da Academia Sénior passaram a ter e realçou que estas obras “só se conseguem, não com dinheiro, mas com homens e mulheres que têm esta dedicação e entrega”. O edil adiantou ainda que “será aprovado pela Câmara a possibilidade da Academia Sénior se instalar na Ribeira dos Mochos para desenvolver as suas actividades”. O presidente da CVP, Luís Barbosa, reconheceu que “a Delegação da Costa do Estoril dá mais um passo em frente em prol dos seniores” e deixou "uma palavra de louvor à Manuela Filipe pela sua capacidade de resposta". A Academia Sénior tem cerca de 1500 alunos e 78 professores voluntários. O ministro da Solidariedade Social salientou que “estas instituições só são grandes quando temos pela frente grandes pessoas. É o que acontece com esta em que a Manuela Filipe é uma mulher de armas. Obras como estas, em que se transforma um edifício antigo nestas instalações, sem a liderança da Manuela Filipe não seria possível”. Francisco Lourenço

Centro de Ciência Viva fecha em definitivo

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Falta de financiamento leva ao despedimento de cinco funcionários. Ex-directora foi para Sintra Encerrou para férias, em Julho, e nunca mais voltou a abrir portas. O Centro de Ciência Viva da Amadora (CCVA), espaço que pretendia divulgar a ciência e tecnologia junto do público mais jovem do concelho será agora extinto. Cinco dos trabalhadores que ainda se mantêm em actividade serão indemnizados e enviados para o fundo de desemprego. A Câmara Municipal da Amadora (CMA) aprovou na semana passada uma proposta que visa o fim da actividade do CCVA que funcionou até Julho na recuperada casa Aprígio Gomes, situada na Venteira. A decisão autárquica contempla ainda a indemnização aos cinco trabalhadores que ainda se mantinham no local, assim como, o fim de qualquer actividade no centro. O CCVA, que abriu portas em 2003, era dirigido pela associação que tinha como únicos associados a CMA e a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. Ao JR, a vice-presidente da Câmara Municipal da Amadora, Carla Tavares, explicou que “devido à situação que tinha vindo a assistir nos últimos tempos, numa decisão conjunta entre a agência e a Câmara, entendeu-se terminar com qualquer actividade naquele espaço”. Três meses depois de terminadas as férias de Verão, mantinha-se a expectativa quanto ao assunto, mas o desfecho era previsível, uma vez que todos os pedidos de agendamento de visitas por parte das escolas eram sistematicamente recusados. Entretanto, a transferência da anterior directora do centro, Adelina Machado, para a unidade congénere de Sintra deixava antever o pior. O presidente da autarquia, Joaquim Raposo, já tinha esclarecido que “problemas de financiamento” estavam na origem da suspensão da programação daquele equipamento. O autarca defendeu, porém, que “perante a indefinição” em relação ao futuro do centro, seria melhor a sua suspensão. Aberto ao público desde Setembro de 2003, o CCVA era um espaço interactivo dedicado à ciência e tecnologia, fazendo parte da Rede de Centros Ciência Viva. Milene Matos Silva

AMADORA Iluminações de Natal chegam tarde para revitalizar o comércio

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Câmara reduziu investimento, mas manteve animação nas ruas, apesar das queixas Com o Natal à porta, em época de crise, o comércio tradicional da Amadora vive momentos difíceis, que se têm vindo a confirmar nos últimos tempos. No entanto, nunca se esteve tão mal como este ano, confirma quem faz o seu dia-a-dia no centro do concelho. A falta das tradicionais iluminações, que costumam antecipar a época em cerca dois meses, apelando ao espírito natalício, também contribuiu para a fraca afluência. Este ano, pela primeira vez, a Câmara Municipal da Amadora (CMA) decidiu ligar as luzes de Natal, que decoram as principais ruas de comércio da cidade, praças e jardins, apenas no passado dia 1 de Dezembro. Por norma, o concelho da Amadora é dos primeiros municípios a ligar as luzes, logo na primeira semana de Novembro. Este ano a autarquia decidiu atrasar a sua ligação, no entanto, considerou importante “manter a iluminação de Natal, já que a mesma é dinamizadora do comércio local, além de influenciar a auto-estima de todos no período difícil que o nosso país atravessa”, adiantou em comunicado. Tratou-se de “uma decisão política”, explicou o vereador responsável pelo pelouro, Gabriel Oliveira, acrescentando que “este ano fizemos um investimento de 135 mil euros, menos do que no ano passado, porque voltámos a usar as mesmas luzes, embora colocadas em locais diferentes”. Ora, no ano passado a autarquia tinha conseguido reduzir o investimento em luzes em cerca de 25 por cento. Este ano poupou cerca de 15 mil euros, reduzindo cerca de 7 por cento. Apesar de não existirem cálculos ao nível dos custos de energia eléctrica, a redução em cerca de um mês no funcionamento das luzes, segundo o vereador, “possibilita consumos muito reduzidos, tendo em conta que quase a totalidade do equipamento é em LED”. Porém, para os comerciantes, embora a crise esteja na origem da redução das vendas deste ano, o facto das luzes só terem sido ligadas na semana passada também não ajudou a melhorar a situação. Para Maria Elisa Gaiola, funcionária há cerca de 28 anos num pronto-a-vestir no centro da cidade, “embora não seja pelas luzes ligadas que as pessoas compram mais, só a partir do dia 1 que notámos mais movimento no centro da Amadora”. Mas, lamenta que “nem por isso as vendas estejam a melhorar”. Esta funcionária garante que “o comércio local tem sofrido muito com a crise e com a abertura de grandes superfícies, mas nunca esteve tão mal como este ano”. Ana Silva, empregada de uma loja de roupa para bebés, considera que “está tudo relacionado com a crise”. Embora reconheça que as luzes fazem falta, “não é por isso que se deixa de vender, o problema é que as pessoas não têm dinheiro”. Já a empresária Joana Pires é mais pragmática: “nem oito nem oitenta”, referindo-se à data de inauguração das iluminações nos anos anteriores. “Todos os anos é cedo demais, mas este ano foi um pouco tarde demais. Talvez este investimento tivesse tido mais efeitos a partir de meados de Novembro”, assegura. A proprietária de uma Ourivesaria, situada no centro da Amadora, afirma que por ali "a crise tem sido sentida nos últimos anos, mas agora as pessoas estão ainda mais retraídas". Em contrapartida, "as luzes não ajudam a vender, só por si, mas têm um efeito psicológico”. Por isso, a empresária conta que a partir de agora possa cativar a atenção de maior número de clientes, aumentando o débil volume de negócios registado nas últimas semanas. Milene Matos Silva

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Parques históricos de Sintra atingem um milhão de visitantes num só ano

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Aposta em obras de requalificação e diversificação de actividades pode estar na base do crescimento da procura E se, de repente, algumas dezenas de pessoas saltassem para a sua frente com balões, confetis, máquinas fotográficas, palmas e gargalhadas, quando fosse a entrar no Parque da Pena? Isso seria sinal que era, no mínimo, um visitante especial. Foi isso que aconteceu, no passado dia 28 de Novembro, a Galina Zagaikan Projorova, uma turista russa completamente apanhada de surpresa, aliás como pretendia a Parques de Sintra- Monte da Lua (PS-ML). A tarde foi de festa e há muito que a equipa da PSML ensaiava o momento. Faltavam poucos minutos para as quatro da tarde quando a excursão em que estava previsto estar o visitante ‘um milhão’ chegou às bilheteiras do Parque da Pena. Assim que Galina atravessou o portão, uma série de confetis coloridos rebentaram por cima da sua cabeça. Emocionada, a turista repetiu vezes sem conta ser “uma surpresa real caída do céu”. Com 50 anos, Galina estava de visita a Sintra, “e a Portugal também”, pela primeira vez, como fez questão de nos contar num espanhol perfeito, de quem vive há 20 anos na Catalunha onde, aliás, tem um restaurante. Talvez por isso, foi com visível à-vontade que cortou o bolo 3D que representava o Palácio da Pena, “o espaço mais visitado dos parques históricos de Sintra”, como destacou António Lamas, o presidente do conselho de administração da PSML. António Lamas estima que, até ao final do ano, sejam contabilizados um milhão e 70 mil visitantes, “até porque Dezembro é um mês especial, festivo, de maior procura”. No últimos anos, o número de visitantes nos parques históricos de Sintra tem vindo a demonstrar um crescimento muito acentuado, algo que para este responsável se deve à política que a empresa tem vindo a desenvolver. “O turismo no geral tem crescido e aqui mais do que na média e mais do que no concelho. Para mim, isso é a prova de que a política que temos é a acertada: fizemos mais restauros completos; abrimos mais pólos de interesse, as obras são feitas à vista do público e tudo isso atrai mais visitantes”. António Lamas relembrou que este crescimento é ainda mais importante quando a Parques de Sintra não recebe dinheiro algum por parte do Governo, sendo as receitas das bilheteiras o sustento daquele património e, por isso, “a chave” para a manutenção dos espaços. A grande maioria dos visitantes são estrangeiros e daqui sobressaem os espanhóis e os brasileiros. “O número de visitantes portugueses não tem diminuído, mas como cresce o número total de visitantes, acaba por diminuir esta percentagem”. António Lamas considera que os os monumentos sintrenses são, normalmente, visitados uma vez na vida, "geralmente, na altura da escola e parece que são arrumados: ‘a Pena já vi’”, mas este responsável alerta que essa postura não é a correcta, visto estarem constantemente a ser criados novos atractivos, como a recente demonstração do trabalho dos cavalos belgas em curso no Parque da Pena. Ana Raquel Oliveira

Estrada Nacional 117 continua votada à degradação

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Últimas chuvadas agravaram sinais de insegurança Quase quatro anos após a morte de duas pessoas, cuja viatura foi arrastada para o Rio Jamor na sequência da intempérie que assolou a região de Lisboa a 18 de Fevereiro de 2008, a Estrada Nacional (EN) 117, no troço entre Belas e o Pendão, continua com o mesmo cenário... de degradação. Mas, as condições de insegurança foram mesmo agravadas nos últimos meses, com as fortes chuvadas que se fizeram sentir, que ameaçam a estabilidade dos muros que delimitam a via rodoviária. O presidente da Junta de Freguesia de Belas, Guilherme Dias, está apreensivo com a situação e aponta para um dos muros que ladeia a estrada. "A estrutura metálica que está a aguentar isto, já está mesmo a ceder. Se houver uma desgraça, se não forem tomadas as devidas providências, quem será o responsável?", questiona o autarca, já cansado do jogo do empurra que impede, há largos anos, o avanço dos trabalhos de requalificação da EN117. "Os pontos perigosos continuam na mesma, não se mexeu uma palha... a Estradas de Portugal empurra para a Câmara, a Câmara para a Estradas de Portugal e não saímos disto", lamenta. O muro em risco, situado por debaixo do viaduto da CREL, acaba por suportar o peso da escorrência das águas e, nas últimas semanas, os sinais de degradação estão a acentuar-se a olhos vistos. No passado dia 18 de Novembro, "a carga de água foi de tal ordem que arrastou muito peso sobre esta zona", frisa Guilherme Dias, que recorda que o trânsito chegou mesmo a estar cortado,em função do caudal de água que se avolumou na EN117. Carlos Gaspar, proprietário de um estabelecimento comercial situado na Rua Alexandre Herculano, a denominação toponímica daquele troço da EN117, confirma que a última grande chuvada foi muito sentida na zona. "Nem no dia em que morreram as senhoras, havia tanta água na estrada como a que caiu na última intempérie", salienta este comerciante, instalado na zona desde 2004. A falta de escoamento das águas, associado à inexistência de passeios, tornam aquela estrada um verdadeiro perigo para automobilistas e, acima de tudo, para os peões. Utilizada por inúmeras pessoas para efectuar a ligação a pé de Belas até à estação da CP, através da Avenida Miguel Bombarda, a segurança não é devidamente acautelada. "Cada vez mais as pessoas não têm dinheiro para andar de autocarro", acentua Guilherme Dias, dando conta do aumento do número de pessoas que recorrem àquela estrada, mesmo sem passeios, para palmilhar a distância até à estação de Queluz-Belas. "Até me admiro como é que ainda não morreu aqui ninguém atropelado", alerta Carlos Gaspar, que confirma que, "logo às seis da manhã", há muitas pessoas que utilizam a EN117 em direcção à estação de comboios. "Na freguesia de Belas, é a estrada em pior estado", sentencia. "Pelo menos, façam passeios em condições e garantam o escoamento das águas em condições para o Rio Jamor", desafia o presidente da Junta de Freguesia, cansado de ouvir falar na requalificação da EN117, com duas vias em cada sentido, e complementada por uma via alternativa à Avenida Miguel Bombarda. "Não se admite que a entrada na nobre vila de Belas esteja neste estado", conclui Guilherme Dias. Questionado na última Assembleia Municipal sobre a requalificação da EN117, o vice- presidente da Câmara de Sintra, Marco Almeida, sublinhou que, apesar de se tratar de uma competência exclusiva da Administração Central, "o município tem-se disponibilizado para comparticipar as obras de requalificação, mas cada parte tem de fazer aquilo que lhe é devido". "A Câmara não assumirá, por si só, os custos inerentes a esta requalificação", salienta o autarca. João Carlos Sebastião