sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

‘Marcou o seu tempo e a vanguarda’

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Oeiras atribui Medalha de Honra a Eunice Muñoz “Obrigado à Eunice Muñoz por simplesmente ser quem é”. Foi assim que o presidente da Câmara de Oeiras, emocionado, deu por terminado o seu discurso na cerimónia de homenagem à actriz, realizada na passada segunda-feira, no auditório com o seu nome, em pleno centro histórico de Oeiras. Num evento a que não faltaram numerosas personalidades da vida artística e figuras públicas do país, Isaltino Morais não resistiu a enquadrar o reconhecimento da actriz no contexto actual nacional. O autarca criticou “o materialismo contabilístico e financeiro desta pós-modernidade que, de tanto querer evitar a pobreza, a todos condena ao miserabilismo serôdio da pequenez Lusitânia, no qual a frugalidade volta a ser a mãe de todas as virtudes, ao passo que a vida nos passa ao lado, sem lugar para nada mais do que o essencial à sobrevivência; como se o Homem não passasse de um primata primário, sem lugar ao saber, sem lugar ao sonho e sem lugar ao estético que sempre faz a vida inteligente”. Mas, guardando um lugar para a esperança em dias melhores, citou Luther King: “É quando a noite é mais escura que melhor se vê a beleza do brilho das estrelas”. Para concluir: “Quis assim o destino que fosse neste tempo de breu que a alma sobressaísse. Foi assim ontem [domingo passado], com o Fado a ser reconhecido como Património Imaterial da Humanidade, e é assim hoje [segunda- feira passada], com esta homenagem a esse imenso astro fúlgido da cultura portuguesa, a Eunice Muñoz, pelos seus 70 anos de carreira”. Sobre a homenageada, Isaltino Morais sublinhou, ainda, que “como todos os gigantes da estética, marcou o seu tempo e marcou vanguarda”, colocando “a maior actriz de teatro que conheci” na “galeria cintilante dos que ensinam a Humanidade a ser humana”. O autarca passou em revista a carreira de Eunice Muñoz, desde o início, aos 13 anos, na peça Vendaval, no Teatro Nacional D. Maria, lembrando as suas interpretações em “Mãe Coragem”, “A Maçon” e “A Casa do Lago”; ou, mais recentemente, em Oeiras, a sua “excepcional” interpretação de “Miss Daisy”. Mas também os filmes “Manhã Submersa”, de Lauro António, e os “Tempos Difíceis”, de João Botelho; ou “A Banqueira do Povo” na televisão. “Foi por esta carreira, e pelo tanto que nos ofereceu, que o município de Oeiras decidiu dar o seu nome ao Auditório Municipal de Oeiras, e que decide agora atribuir-lhe a Medalha de Honra do município”, concluiu Isaltino, recordando que esta distinção apenas foi atribuída por seis vezes em 25 anos. Anteriormente, aquela medalha já agraciara duas instituições com sede no concelho (a Escola Militar Electromecânica de Paço de Arcos e o Instituto Superior de Educação Física) e três personalidades (o ex-Presidente da República, Mário Soares, a primeira mulher campeã olímpica portuguesa, Rosa Mota e, outra grande actriz, Maria Amélia Rey Colaço).

‘Oeiras Está Lá’ ajuda idosos

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Serviço camarário efectua pequenas reparações e tarefas “Eu gostei muito dele… é muito meiguinho”, diz Maria Floripes Coelho, de 80 anos, moradora no centro de Paço de Arcos. Os elogios vão para o técnico do serviço camarário de apoio aos idosos e pessoas com mobilidade reduzida “Oeiras Está Lá”, que se preparava para efectuar mais algumas pequenas reparações na sua casa, depois de uma primeira intervenção duas semanas antes. As loas da inquilina referem-se aos modos afáveis e discretos de Luís Fernandes, de 46 anos, o ‘faz-tudo’ contratado por aquele programa solidário da Câmara, mas não são alheias, de todo, às qualidades técnicas do profissional, que tanto arranja um estore como acaba com os estremecimentos das janelas em dias de tempestade que não deixam dormir a dona da casa, e ainda se prontifica a retirar a sanefa dos cortinados para que os mesmos sejam lavados. “Fez muita falta o serviço”, garante a moradora, viúva, aludindo ao facto de o “Oeiras Está Lá” ter deixado de “lá estar” durante quase ano e meio, devido a problemas processuais com o respectivo concurso público. O programa, iniciado em 2006, regressou ‘ao activo’ apenas em Setembro último e ainda está longe das cifras atingidas noutros anos e que reportam “cerca de 80 intervenções por mês, perfazendo uma média anual de cerca de 1000 acções, distribuídas de forma mais ou menos uniforme por todas as freguesias”. Para retomar a velocidade de cruzeiro, a iniciativa almeja reforçar a sua divulgação entre os potenciais utentes. Tanto mais que, entretanto, passou a haver um número grátis para accionar o serviço: 800 208 301. Na essência, o tipo de serviço prestado mantém-se: mudar uma lâmpada, fechaduras e chaves, substituir uma torneira que pinga, um vidro partido ou uma tomada de electricidade, reparar estores ou persianas, mas também assegurar a recepção em casa de bens de primeira necessidade, sejam medicamentos ou produtos alimentares, ou mesmo o correio, para além da sintonização de televisores, a deslocação de mobiliário pesado, bem como a limpeza de quintais e canteiros… Há, no entanto, duas grandes diferenças a assinalar.Desde logo, pela primeira vez, a condição económica de quem solicita a intervenção será decisiva na apreciação do pedido. De facto, o regulamento passou a estipular que “podem beneficiar deste serviço os munícipes com idade igual ou superior a 65 anos e que se enquadrem no conceito de carência económica ou que sejam portadores de deficiência”, o que significa luz verde imediata apenas para quem tiver rendimentos mensais inferiores a 419 euros. Ainda assim, estão previstas excepções aos limites do rendimento desde que o interessado viva “em situação de comprovado isolamento”. O leque de excepções é, ainda, alargado a “outras solicitações que tenham sido encaminhadas pelos competentes serviços concelhios na área do acompanhamento social”. A segunda grande diferença diz respeito à limitação do número de pedidos, que não poderá exceder a meia dúzia, quando antes era ilimitado. No máximo, poderão chegar à dezena “caso existam vagas”. Elisabete Oliveira refuta que as alterações introduzidas se devam a uma questão de poupar dinheiro aos cofres camarários. “Mais rigor”, isso sim. “Constatámos que havia casos que não se enquadravam em intervenções de primeira necessidade… Havia um certo uso indevido”, aponta a vereadora, que ao limitar o número de pedidos pretende “evitar que aqueles que conhecem o programa o monopolizem gerando uma lista de espera injusta”. As novidades surpreenderam Maria Floripes Coelho. “Ai agora depende de quanto é que as pessoas ganham?!...”, admirou-se, dirigindo-se à técnica do programa presente aquando da intervenção em sua casa. “Então acho que tenho andado a enganar as minhas amigas, que também queriam usufruir do serviço e, se calhar, afinal, não podem…”, concluiu, fazendo as suas próprias contas: duas pensões (sua e do falecido esposo), num total de 428 euros… “O serviço pode abranger pessoas que ganhem um pouco mais do que o limite, desde que apresentem grandes despesas com medicamentos ou rendas, por exemplo…”, comentou a técnica do programa, em jeito de explicação para o diferencial. Floripes Coelho é que não tem dúvidas de que precisava de ajuda. “Com estes rendimentos como é que poderia entrar nestas despesas?! A casa está muito precisada de obras, mas eles (senhorio) dizem que, para isso, teriam de aumentar a renda e eu não posso pagar mais!”, exclama a inquilina, louvando a iniciativa da Câmara de Oeiras que, além do serviço em si, também “tem permitido a detecção de situações de isolamento e/ou carência de outros apoios sociais ou de saúde e a activação dos recursos necessários”. Jorge A. Ferreira

Freguesia da Caparica mais consolidada

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Plano Integrado de Almada vai melhorar a qualidade de vida A freguesia da Caparica está a comemorar o 539.º aniversário(a segunda mais antiga do concelho de Almada), numa altura em que estão a decorrer vários projectos que podem dar uma nova dimensão a esta localidade que, durante anos, foi marcada pela construção de bairros sociais na zona do Plano Integrado de Almada (PIA). Uma perspectiva que começou a ser alterada com a instalação em 1980 da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e mais tarde a criação do Maden Parque pensado para desenvolver indústrias de ponta, o que atraiu população mais jovem à localidade. “Temos uma história grande e cada vez mais afirmamos a nossa centralidade”, refere a presidente da Junta de Freguesia da Caparica. Para Teresa Coelho a conjugação de um território com um núcleo histórico consolidado, o meio multicultural que reside no PIA e o ensino superior traduz-se numa heterogeneidade que “é uma mais-valia” de uma localidade que vai ainda ser alvo do projecto “Almada Poente”, que irá abranger também parte da freguesia do Pragal. Trata-se de um plano em fase de participação pública até 29 de Dezembro, pelo que “neste momento apenas podemos falar em termos de referência”, assinala Teresa Coelho que perspectiva já numa grande transformação da zona do PIA. No total da sua aplicação este plano, que envolve o Ministério das Obras Públicas, a Câmara de Almada e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, irá reabilitar uma área onde vivem mais de 20 mil pessoas, promover um tecido urbano melhor articulado considerando o ‘campus’ Universitário, o Instituto Jean Piaget, o Hospital Garcia de Orta, a Estação Ferroviária do Pragal e o Almada Forum. Entre outras reestruturações, conta ainda com a construção de dois a três mil fogos de densidade moderada. Entretanto na zona do PIA está a ser construído o Parque Urbano de Fróis com a instalação de uma biblioteca e um complexo de piscinas, obras que deverão estar concluídas em Abril do próximo ano. “Hoje podemos falar de uma localidade em grande desenvolvimento”, afirma Teresa Coelho que acredita que em breve a oferta universitária neste território será alargada. “Tenho esperança que a FCT e o HGO estabeleçam um protocolo para a instalação da futura faculdade de medicina”. Humberto Lameiras

ALMADA Natal sem o brilho habitual

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Câmara corta nas luzes, comércio faz contas à vida O Natal de 2011 será o menos iluminado dos últimos anos. A Câmara de Almada cortou na decoração das ruas e a Delegação de Almada da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal (ACSDS) já não conta com as verbas do programa Modcom (incentivo ao comércio local) para animar, pelo menos, as zonas centrais da cidade. “Os comerciantes não têm capacidade financeira própria para dar continuidade ao programa de animação dos últimos anos”, afirma o presidente da delegação local, Gonçalo Paulino. E seja por falta de animação ou iluminação, o certo é que numa altura em que os funcionários públicos já receberam o subsídio de Natal, desta vez diminuído, e muitas empresas privadas já o pagaram, o comércio local ainda não sentiu melhorias no negócio. “Ainda não dá para avaliar realmente qual vai ser o comportamento das pessoas, mas receamos uma grande retracção nas compras”, comenta o presidente da delegação. Mas tendo em conta outros Natais, pode ser que este comportamento entretanto mude. “Cada vez mais as pessoas compram à última da hora”, acrescenta. Mas o dado actual é preocupante: “Nota-se um abaixamento grande”. Para atrair mais clientes ao comércio tradicional, a Delegação de Almada da ACSDS decidiu, esta segunda-feira, lançar o desafio aos proprietários das lojas para durante o mês de Dezembro abrirem as portas aos sábados, domingos e feriados e durante a semana estarem abertos à hora de almoço. “A Delegação de Almada não tem capacidade financeira para organizar eventos, mas sabemos que é preciso repensar a organização do comércio local”. Uma das ideias é criar uma “imagem de marca por zonas”. Um conceito que deu os primeiros passos como programa Almada Centro mas, “tirando o primeiro ano, a autarquia nunca mais investiu na dinamização deste programa”, critica Gonçalo Paulino. “Não podem ser apenas os comerciantes a assumirem este custos, nós pagamos impostos e temos o direito de exigir mais apoio para este tipo de programas”, acrescenta. Mais ainda quando este ano o Modcom foi suspenso. Já quanto à redução da iluminação de Natal, o representante do comércio local até aceita, mas alerta que “deixar cair todos os investimentos é caminhar para a paralisação da economia”, pelo que espera que a autarquia,em matéria de redução de verbas, “tenha uma acção equilibrada” quanto a outros sectores. Metade do orçamento De facto, o corte na iluminação de Natal é bem visível. A exemplo do que já tinha acontecido no ano transacto, apenas o eixo central da cidade de Almada e o Centro Sul vão ostentar esta decoração, mas com uma redução de custos para “quase metade comparativamente com o ano passado”, afirma António Matos. Segundo o vereador da Cultura, em 2010 a Câmara investiu em luminárias de baixo consumo e gastou 70 mil euros na decoração, o que deu uma redução na ordem dos 47 por cento comparativamente com 2009. Feitas as contas, as luzes do Natal de 2011 deverão custar à autarquia cerca de 40 mil euros. “Estamos a reduzir nos custos de energia para podermos responder a outras rubricas muito mais emergentes a nível social das famílias”, realça o vereador. Mesmo assim, o executivo camarário decidiu não seguir a decisão mais drástica, como aconteceu noutras autarquias, em que a quadra natalícia vai ficar às escuras. “Almada optou por uma medida intermédia”. Já quanto a iniciativas como o “Mercado Amigo da Terra”, a “Feira do Livro” e a apresentação de grupos corais em várias praças da cidade vão manter-se. “São pequenas iniciativas mas ajudam a animar esta época”, comenta António Matos que adianta que a redução de verbas vai aplicar-se também às comemorações de Fim de Ano. “Não vamos ter animação de grupos musicais”,mas está decidido que a entrada em 2012 vai ter fogo-de-artifício no rio, embora “com custos mais reduzidos”. É que apesar de “grande contenção é preciso manter alguma esperança”, mais que não seja para “ajudar a ultrapassar este ciclo económico muito difícil”, acrescenta. Humberto Lameiras

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Valorização do património de Cascais

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Palácio da Presidência, na fortaleza da Cidadela, já pode ser visitado pelo público em geral O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, visitou o Palácio da Presidência, localizado na Fortaleza da Cidadela, no passado dia 23 de Novembro, para assinalar a conclusão das obras de requalificação daquele património e inaugurar a exposição “Jogo da Glória – O Século XX Malvisto pelo Desenho de Humor”, organizado a partir da colecção Ricon Peres, que poderá ser vista até 26 de Fevereiro de 2012. Foi residência de veraneio do rei D. Luís e o Marechal Carmona viveu 17 anos no Palácio da Cidadela. Encerrado há mais de 50 anos, o Palácio está aberto ao público desde o passado sábado e vai retomar as suas funções oficiais como residência de Verão do Chefe de Estado, albergar ainda o futuro Museu das Ordens Honoríficas e receber, de acordo com um protocolo celebrado entre a Presidência da República e o município, alguns eventos da Câmara de Cascais. Após a visita ao imóvel, acompanhado da primeira-dama, Cavaco Silva caracterizou a requalificação como uma “extraordinária valorização que se proporciona no coração de Cascais e que pode trazer mais visitantes”. O Presidente da República frisou que “é uma reabilitação do património histórico que temos a obrigação de preservar”. O director do Museu da Presidência da República, Diogo Gaspar, lembrou que “o palácio estava em estado de abandono e, ao fim de sete anos, é para nós uma enorme satisfação abrir ao público este edifício notável. Está a partir de agora aberto a todos através de visitas guiadas, graças ao empenho da Câmara de Cascais e do Instituto de Turismo”. Em recuperação desde 2008, o Palácio da Cidadela de Cascais abriu as portas ao público no passado sábado. O imóvel beneficiou de uma reabilitação de todo o edifício e da Capela de Nossa Senhora da Vitória. O projecto de requalificação foi da autoria do arquitecto Pedro Vaz que explicou, durante a visita, que procurou o ponto de equilíbrio entre o respeito pela arquitectura e materiais da época e as necessidades de conforto, requisitos funcionais e exigências regulamentares contemporâneas. “Procurámos adaptar a recuperação ao programa funcional. Fizemos uma reabilitação integral das coberturas, fachadas e terraços. Foram visadas também as infra-estruturas de subsolo. As caves foram unificadas com uma secção de passagens. Procedeu-se a uma abertura de vãos e à recuperação do lajão original. O que era antigo foi preservado”. “Trabalharam aqui 24 empresas. Fizeram-se 280 mil horas de trabalho para resgatar este património cultural”, salientou Pedro Vaz. Em declarações ao JR, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, considerou que foi feita “uma recuperação extraordinária. Devemos estar agradecidos ao Presidente da República”. “Este é um dia que ficará para a história e para o futuro”, frisou o edil. Francisco Lourenço

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO Câmara atribui mais 600 mil euros

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Dois milhões e 100 mil euros para 12 projectos Já são conhecidos os projectos vencedores do Orçamento Participativo (OP) de Cascais, que foram divulgados, no passado sábado, no Centro de Congressos do Estoril. A Câmara de Cascais deliberou rever em alta os valores destinados ao Orçamento Participativo (OP) e aumentar a dotação de um milhão e meio de euros para dois milhões e 100 mil euros, bem como aumentou o número de projectos elegíveis para a fase de execução: de cinco para doze. Em declarações ao JR, o presidente da Câmara, Carlos Carreiras, justificou o aumento de 30% das verbas destinadas à concretização das propostas dos munícipes: "Temos as contas da Câmara estabilizadas, o que nos permite este aumento. Cascais tem vindo a fazer uma gestão rigorosa das contas municipais, que é dinheiro dos munícipes. Nestes tempos que correm, leva-nos também a ter alguma criatividade e foi o que aconteceu com este mecanismo de democracia participativa que permitiu aos cidadãos decidirem sobre o destino de uma parte do orçamento municipal de 2012-2013 para realização de projectos propostos pela população. Por isso, a Câmara entendeu passar de 1,5 milhões para 2,1 milhões e ter não só cinco, mas doze projectos". "É uma assunção do risco que é assumido face à extraordinária mobilização de quem aqui vive e trabalha e da importância dos projectos que nos foram apresentados, e estou certo que temos a capacidade de os concretizar em 2012 e alguns em 2013”, frisou o edil. Este é o segundo maior Orçamento Participativo, em termos absolutos, no país (Lisboa é o primeiro e disponibiliza cinco milhões de euros) e o maior a nível nacional numa análise ‘per capita’. Foram apresentados pelos munícipes 30 projectos para execução, dos quais 12 foram vencedores. As votações decorreram entre 27 de Outubro e 24 de Novembro de 2011, tendo votado quase sete mil munícipes. Carlos Carreiras adiantou ainda que “a Câmara de Cascais não deixará cair as restantes propostas mais votadas, caso a execução orçamental nos permita. Mais projectos, de entre os 30 mais populares, poderão ainda ser executados”. O município definiu, assim, uma verba de 2,1 milhões de euros para a concretização de doze projectos apresentados por munícipes. Sem ainda estar definido o valor de cada projecto, o que se sabe é que o valor máximo destinado a atribuir a cada iniciativa não deverá exceder os 300 mil euros. O Projecto 14, relativo à requalificação do Largo de São Brás e passeios – Rua da Areia, foi o projecto mais votado (958 votos). Foram proponentes Luís Miguel Oliveira e Mariana Lemos. Em declarações ao JR, Luís Miguel Oliveira disse que “esta requalificação é necessária porque o largo é o postal da Areia e está mal tratado, está muito confuso, com os ecopontos, caixotes de lixo, mobiliário deteriorado, estacionamento desordenado e quase nem se percebe que existe lá uma capela. O que queremos é requalificar e organizar o largo”. Em segundo lugar ficou o Projecto 19, denominado Parque das Gerações – São João do Estoril, com 832 votos e que visa a construção de um skate parque no terreno por detrás do Centro de Saúde de São João do Estoril. A proposta partiu de Pedro Coriel que disse ao JR que se sente “feliz e aliviado” pela aprovação. “Foi uma longa luta. O OP foi fundamental. O projecto não era novo. Foi apresentado em 2008 e ficou esquecido nos corredores da Câmara. Quando surgiu o OP vi uma oportunidade única para o tirar da gaveta. Pelas regras do OP tem de estar pronto daqui a dois anos, mas com boa vontade podemos estar a inaugurá-lo daqui a seis meses. Não vai ser um parquezinho de skate, vai ser uma coisa séria, com vários tipos de pistas e queremos também receber campeonatos mundiais. A nossa ideia é que seja um parque fechado com manutenção, loja e cafetaria”. A construção de espaço polivalente na Escola Básica de 1.º Ciclo Parede 2 (EB1-P2) foi o terceiro projecto mais votado (692). A proposta veio de Sofia Caetano e Mário Barata: “Quando se unem os professores, encarregados de educação e os pais, somos imbatíveis”, realçou Mário Barata. Francisco Lourenço

EMPREENDEDORISMO SOCIAL Dar emprego às ‘Marias’

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Projecto dá apoio e integração a mulheres residentes nos bairros sociais Para ajudar mulheres desempregadas provenientes de meios desfavorecidos a desempenhar serviços domésticos com segurança e qualidade foi lançado na semana passada o projecto “Marias”. Trata-se de uma aposta no empreendedorismo social por parte da associação com sede na Amadora, Pressley Ridge, que visa o apoio e integração das mulheres, muitas vezes impedidas de ter acesso ao mercado de trabalho devido a dificuldades várias, como a falta de documentação. A Cova da Moura (Buraca) ou Bairro do Casal da Mira (Brandoa) são alguns dos muitos bairros de onde são provenientes as “Marias”. Mulheres que são seleccionadas segundo critérios de exigência e posteriormente enviadas para formação, em várias áreas, como a gestão familiar ou financeira. “Esta aposta surge depois de Gustavo Brito (um colaborador) ter identificado um problema na nossa sociedade que estava a ser negligenciado. Quem recorre a serviços domésticos muitas vezes não cumpre a legalidade, nomeadamente, não efectuando descontos para a Segurança Social ou pagar qualquer tipo de seguros”, explica Kátia Almeida, directora da Pressley Ridge em Portugal. Por isso, esta Organização Não Governamental decidiu actuar nesta área e servirá de ponte, ao longo de dois anos, entre estas mulheres e os clientes. “O Projecto Marias aposta na competência e profissionalismo, procurando criar oportunidades para o enquadramento profissional de uma forma digna e capacitante. A associação tem como função fazer a ponte entre o cliente e as ‘Marias’, facilitando todos os aspectos relacionados ao desempenho das funções destas mulheres, nomeadamente na procura de creches ou ajuda na obtenção de documentação”, explica a responsável. Kátia Almeida acrescenta que “detectámos muitas mulheres que estavam aptas a trabalhar, com uma vasta experiência profissional de qualidade e confiança, mas por serem estrangeiras estavam impedidas de o fazer legalmente e nós ajudamos com a obtenção de documentação”. O projecto, que arrancou no início de Novembro, conta actualmente com 15 mulheres e quatro clientes na Grande Lisboa. Dentro de dois anos, Kátia Almeida espera que sejam 62 “Marias”, estendendo-se a outros locais do país. Nessa altura, admite-se que muitas destas mulheres já estejam autonomizadas sem necessitar de ter a Pressley Ridge como intermediária. Ora, para os clientes esta é “uma forma de actuar responsavelmente porque se está a contribuir para a legalidade destas situações profissionais”, conclui Kátia Almeida. A Fundação EDP é a entidade promotora e mecenas deste projecto e irá financiar as “Marias” enquanto as receitas próprias não forem suficientes para cobrir todas as despesas operacionais.