quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Menos carbono, mais Sintra

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Parques de Sintra promove projecto BIO+Sintra até ao final de Agosto de 2013 Como objectivo de reduzir a pegada de carbono dos visitantes e valorizar a biodiversidade, a Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML) está a desenvolver o projecto BIO+Sintra, uma das acções financiadas pelo Programa Life da Comissão Europeia que, através de plataformas inovadoras de comunicação e informação, pretende mudar atitudes que conduzam à preservação do ambiente e contribuir para a diminuição das emissões de carbono na Serra de Sintra. Com um investimento na ordem de um milhão de euros, financiado a 50% pela CE e o restante pela PS-ML, o projecto arrancou em Setembro de 2010 e decorre até ao final de Agosto de 2013. "O objectivo geral deste projecto é o de desenvolver na Paisagem Cultural de Sintra uma experiência-piloto que possa ser utilizada noutros locais, que resulte numa mudança de atitudes de forma a diminuir as emissões de carbono, sob o lema ‘menos carbono, mais Sintra’", explica Maria Inês Moreira, coordenadora do projecto. O BIO+Sintra pretende assim, segundo esta técnica,melhorar a compreensão da comunidade para as questões relacionadas com a biodiversidade, as alterações climáticas e as emissões de carbono. "As pessoas aprendem e depois ficam sensíveis aos problemas" e para a importância de uma dezena de valores naturais da Paisagem Cultural de Sintra. Após a aprendizagem e a sensibilização, é tempo de fazer. "Tomar atitudes de forma a contribuir para a valorização desta biodiversidade", reforçou esta responsável. Tendo como públicos-alvo os visitantes e os alunos de escolas de Sintra e Cascais, o projecto pretende alcançar uma redução de 128 mil toneladas de carbono, através da mudança de atitudes, como sejam, por exemplo, uma maior utilização dos transportes públicos na visita aos parques históricos ou no dia-a-dia. Está previsto ainda que 20 hectares de floresta sejam adoptadas, simbolicamente, por empresas e associações para acções de sequestro de carbono. Como principais acções a desenvolver nos próximos dois anos, estão a realização de ‘workshops’ e saídas de campo, nos parques da Pena e de Monserrate e na área do Convento dos Capuchos,"com objectivos tão diversos como a colocação de rampas para que os anfíbios não se afoguem, a colocação de abrigos para o escaravelho Vaca-Loura, a instalação de comedouros para as aves e acções de reflorestação". O projecto contempla, ainda, os percursos Talking Nature, "dando ilusão de que ‘a natureza fala connosco’", com a disponibilização de informações multimédia sobre os ‘habitats’ e as espécies em destaque em diferentes itinerários nos parques de Monserrate e da Pena. Para reduzir a pegada de carbono na deslocação à área classificada como Património Mundial, o ‘website’ do projecto, assim como quiosques multimédia instalados em pontos-chave dos parques históricos, vão permitir calcular a pegada de carbono que resulta da visita a Sintra. "A pessoa faz esse cálculo e recebe sugestões: em vez de vir de carro, venha de autocarro". Em alternativa, será recomendada ainda a utilização de uma nova rede de percursos pedestres, devidamente sinalizados e infra-estruturados com casas de banho e locais de abrigo e descanso. "A ideia é que a pessoa possa ir da Pena até aos Capuchos sempre a pé", salienta Maria Inês Moreira. "Não queremos vender a ideia de que a natureza é intocável, antes pelo contrário, venham, conheçam mas de forma sustentável". Os visitantes vão ser convidados, também, a participar em oito concursos e exposições de fotografia, alusivos aos temas da biodiversidade em cada estação do ano. O projecto BIO+Sintra revela-se importante para fazer face às alterações climáticas, que já motivaram a realização de um plano estratégico por parte da Câmara de Sintra, que perspectivou as consequências do fenómeno sobre, por exemplo, a biodiversidade. O plano alerta para o aumento da vulnerabilidade dos ecossistemas, com espécies em perigo como os répteis (lagarto-de-água), anfíbios (sapo-parteiro), peixes de água doce (boga-portuguesa) e invertebrados (escaravelho Vaca-Loura), enquanto a maior ameaça de fogos florestais, também em consequência do aumento médio da temperatura, faz prever uma maior proliferação de espécies invasoras como acácias. João Carlos Sebastião

Transportes escolares na mira dos bombeiros

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Câmara avalia forma de compensar a perda de receitas das corporações Para fazer face à crise que assola as associações de bombeiros, resultante das novas regras de transporte de doentes, a Câmara de Sintra está a estudar a possibilidade de entregar às corporações de bombeiros, já no decurso de 2012, o transporte de alunos. A autarquia é responsável pelo transporte de 6700 alunos, o que representa um investimento de cerca de dois milhões de euros, recorrendo, para isso, a empresas privadas. As associações de bombeiros, por seu turno, dispõem de viaturas que adquiriram ao longo dos últimos anos, mas que, agora, face às mudanças decretadas pelo anterior governo e reforçadas pelo actual executivo, têm assistido a uma crescente redução de serviços.Um decréscimo que se evidencia na tesouraria das associações humanitárias e que pode implicar o recurso à dispensa dos profissionais ao serviço, tal como já aconteceu em outros pontos do país. A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) estima que, desde o início do ano, as associações tenham dispensado cerca de 300 colaboradores. Em Sintra, apesar da redução do volume de serviços do transporte de doentes, as corporações vão evitando, até ao limite, adoptar medidas radicais. Para além do apoio financeiro que, todos os anos, a Câmara de Sintra atribui aos bombeiros, o vereador responsável pela Protecção Civil, Marco Almeida, admitiu dotar as nove corporações de mais receitas, como compensação pela redução do financiamento a nível governamental. No passado dia 13, nas comemorações do 80.º aniversário da Associação dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém (ABVAC), Marco Almeida frisou que "as associações de bombeiros podem fazer mais do que aquilo que têm feito, no âmbito da prestação de alguns serviços que a Câmara contrata a entidades externas". O autarca salientou, assim, que "os recursos humanos e materiais das corporações" podem ser utilizados para o transporte de alunos. "As corporações têm, hoje em dia, recursos humanos e materiais que podem integrar a rede de transporte de alunos do concelho de Sintra". Marco Almeida adianta que, também em articulação com o pelouro da Acção Social, o serviço de transporte da população com mobilidade reduzida, "o Transporte Acessível", poderá ser, já no primeiro trimestre de 2012, entregue às associações de bombeiros, "que têm muitas viaturas completamente adaptadas e em melhores condições do que a própria viatura da autarquia que está esgotada do ponto de vista do tempo e da disponibilidade". O eleito municipal lançou o repto às associações de bombeiros para afirmarem a sua disponibilidade para assumirem o transporte de alunos, junto do Serviço Municipal de Protecção Civil, e reiterou a vontade de "encontrar outras colaborações que visem compensar a perda de financiamento por via da perda de transporte de doentes". Marco Almeida recordou que, em 2003, a colaboração se estendeu à inclusão das piscinas das corporações de Agualva-Cacém e de Colares no Programa de Natação para os alunos do 1.º Ciclo. Para 2012, apesar de restrições orçamentais na esfera dos municípios, Marco Almeida está convicto que "será possível manter um bom sistema de financiamento às corporações de bombeiros". A proposta das associações de bombeiros assumirem os transportes escolares foi recebida com satisfação, para ultrapassar os sinais de crise nas nove corporações. Luís Silva, presidente da direcção dos BVAC, mostrou a disponibilidade da sua associação para "abraçar novas áreas de actuação que venham a colmatar a perda de receitas com a alteração das regras de transporte de doentes". Em declarações ao JR, Luís Silva frisa que "já manifestámos à Câmara a nossa disponibilidade" para assumir o transporte de alunos, até por disporem de meios excedentários à actual realidade do transporte de doentes. Também Ramiro Ramos, presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Queluz, vê com bons olhos "o desafio" da Câmara de Sintra. "Consideramos essa proposta como muita positiva, mas temos de a estudar e de nos adaptar", frisa Ramiro Ramos, para quem esta medida revela-se fundamental para evitar a dispensa de colaboradores que acabam por ser essenciais, por outro lado, na vertente operacional de socorro e emergência. "Estamos com uma redução de 25% no transporte de doentes", concretiza o dirigente da corporação de Queluz, responsável pelo transporte, até à implementação das novas regras, de cerca de 40 mil doentes por ano. João Carlos Sebastião

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Parque de Santa Cruz reclama autocarros

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Moradores e utentes de novos serviços precisam de transportes públicos mais próximos Têm a Avenida João Paulo II a passar de um lado e, do outro, a Rua Irmã Lúcia, mas não há maneira de acontecer o milagre por que esperam desde há muito: verem concretizado o simples direito a terem algum transporte público a passar perto das suas casas. Habitado por largas dezenas de famílias desde que foi inaugurado, há cerca de seis anos, o condomínio Parque de Santa Cruz tem piscina, ‘court’ de ténis, salão de festas e parque infantil. Mas o luxo existente por dentro não impede que, fora de portas, subsistam alguns problemas, o maior dos quais a falta de autocarros, que afecta o quotidiano de quem não conduz, sobretudo idosos e crianças. Sem carro ou boleia, as opções são alcançar a pé as carreiras que partem do Hospital de Santa Cruz – a cerca de 800 metros de distância – ou a paragem do 114, na Estrada da Amadora, a qual, além de ser desabrigada, obriga a percorrer uma distância considerável e por caminhos sem protecção para os peões. Em dias de chuva ou sol intensos, tudo piora, mais ainda para quem tem dificuldades de locomoção. “Haverá a tendência para dizer que são pessoas ricas que moram aqui e, portanto, têm carro… Mas o facto é que nem toda a gente aqui tem carro, nem toda a gente pode conduzir, há pessoas idosas, há jovens estudantes já com o seu grau de independência, há empregadas de limpeza, pessoas que têm direito à sua autonomia e que acabam por estar dependentes de quem os possa ir buscar ou levar até à paragem de autocarro”, salienta Filomena Figueiredo, uma das moradoras mais inconformadas com uma situação que dura há demasiado tempo, apesar das diversas solicitações feitas chegar à Vimeca por parte dos moradores, mas também da Câmara de Oeiras e da Junta de Freguesia de Carnaxide. “Parecendo que estamos perto de tudo – o Continente, o Alegro, empresas como a Media Markt, a Moviflor, o próprio centro de Carnaxide, o centro de saúde … – acabamos por estar longe de tudo… se não tivermos carro”, diz Filomena Figueiredo. Para quem tem boas condições de saúde, as distâncias em causa cumprem-se em 15 ou 30 minutos. Mas para os outros... “Para chegar ao Hospital de Santa Cruz é preciso trilhar largas centenas de metros ao longo de uma avenida que é muito ventosa e desabrigada, em que quase não se consegue manter um guarda-chuva aberto no Inverno, e que, por oposição, é um suplício de percorrer nos dias de maior calor, pois não tem sombras”. Para o lado contrário, tentando apanhar o 114, rumo à Amadora, “é preciso caminhar em troços sem qualquer berma ou resguardo para os peões”. Acresce o factor insegurança, pois o isolamento da zona pode ser um convite a eventuais actos de criminalidade… “Porque é que não esticam um pouco mais a carreira 7 da Vimeca, que começa e acaba no Hospital de Santa Cruz, de maneira a virem servir estes bairros?”, questiona Filomena Figueiredo, juntando na mesma causa os moradores do Casal da Amoreira, que sofrem de mal semelhante, pelo menos os que habitam áreas mais distantes dentro do bairro. Em breve, abrirá, naquela mesma zona, o Lar de Idosos de São Vicente de Paulo e, logo adiante, já funcionam as novas instalações do Colégio Monte Flor. “Há empregados do colégio e até pais que fazem o caminho desde o Hospital a pé; será que os idosos vão ter o mesmo castigo?”, interroga- se ainda a nossa interlocutora. Novos factores que poderão levar a Vimeca a equacionar uma resposta diferente daquela que tem dado de forma repetida, nomeadamente em face das solicitações da Câmara de Oeiras: “Sempre disseram que não punham autocarros naquela área porque, simplesmente, a procura não o justificava em termos de exploração económica”, confirmou a vereadora da Mobilidade, Madalena Castro. Entretanto, a resposta da transportadora privada às questões colocadas pelo JR, apesar de muito sucinta, permite esperar alguma mudança positiva, embora sem horizonte temporal definido. De facto, Fernando Santos Costa, director do sector de Planeamento e Produção da Vimeca, esclarece que “faz parte do nosso plano estratégico a análise às condições de circulação para transportes públicos no que se refere às acessibilidades rodoviárias para aquelas novas zonas do concelho de Oeiras, não havendo, no entanto, ainda uma data prevista para conclusões dos estudos em curso”. Será desta?...

Loja Solidária aberta a todos em Linda-a-Velha

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Novo estabelecimento vende a preços simbólicos e dá a quem não pode comprar Aberta a todos os fregueses, com preços simbólicos e cartão de descontos em múltiplos estabelecimentos comerciais, a Loja Solidária de Linda-a-Velha, inaugurada no passado sábado, pretende dinamizar e centralizar os mecanismos de distribuição de artigos e géneros alimentares a quem mais precisa. Anseio antigo, a criação deste novo instrumento de coesão social tornava-se cada vez mais premente devido à crise. Mais recentemente, à urgência juntou-se a oportunidade, quando o posto de atendimento da Câmara de Oeiras mudou de local deixando vago o espaço que ocupava no Mercado Municipal. Rapidamente, um grupo de cerca de 20 voluntários – do Banco de Voluntariado daquela freguesia – assumiu grande parte do trabalho de adaptação da sala, transformando-a, em menos de dois meses, numa loja semelhante a qualquer outra... excepto nos preços: muitas peças a um euro, algumas a três euros e cinco euros para excepções (como uma televisão ou carrinhos de bebé). Produtos que o cidadão comum é convidado a adquirir, assim contribuindo para amealhar verbas a usar em acções de solidariedade, mas que terão preços ainda mais reduzidos (a metade) para as famílias carenciadas sinalizadas pelos técnicos de Acção Social. Em última instância, serão mesmo cedidos gratuitamente às pessoas que não possam, de todo, adquiri-las pelo menor custo. “Optámos por dar apenas em último caso porque o acto de compra valoriza os produtos e responsabiliza mais todos os intervenientes”, explicou ao JR, Carlos Moreira, presidente da Junta de Freguesia, uma das três entidades que estão a gerir a novel estrutura, criada no âmbito da Comissão Social de Freguesia (CSF) – as outras duas são a Academia Recreativa e o Banco de Voluntariado local. “O que nos faltava era o espaço, cedido pela Câmara, o resto foi rápido”, resume aquele autarca, mostrando, com orgulho no trabalho dos voluntários, os móveis fornecidos por duas 'boutiques' da freguesia, mais um pequeno vestiário, uma casa de banho, um gabinete e um armazém no piso superior, tudo pintado de fresco em tons claros e onde os produtos estão expostos com dignidade. “Fizemos questão de que quem entra se sinta numa loja perfeitamente igual às outras...”. Para valorizar o gesto solidário de fazer compras naquela loja, foram criados o cartão Cidadão Solidário e o dístico Empresa Solidária, destinados às pessoas e aos estabelecimentos que ajudem com produtos ou dinheiro – no primeiro caso a partir de 10 euros por ano e no segundo desde 30 euros – proporcionando um sistema de descontos nas lojas aderentes e a estas um reconhecimento como empresa solidária. Para além de receber doações de roupas, brinquedos ou livros, a Loja Solidária terá, também, uma componente de recolha e distribuição de géneros alimentares às famílias sinalizadas na freguesia. Estas são, de momento, “cerca de 200, mas com tendência a aumentar”. “O objectivo é distribuir um cabaz de alimentos mensalmente”, adianta Carlos Moreira, destacando o “papel primordial” da Nestlé e da Sumol/Compal nesta vertente. “Além destes cabazes regulares, estamos já a preparar um cabaz de Natal, brinquedos para as crianças, e uma ceia natalícia inédita entre nós (a realizar na Escola Prof. José Augusto Lucas) para a qual vamos convidar todas as famílias carenciadas e idosos que vivem sozinhos”. No dia de inauguração ficou, desde logo, visível a capacidade de mobilização da nova Loja Solidária, pois cada convidado trouxe um produto alimentar, originando uma recolha significativa. Estiveram presentes, entre outros, a presidente do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, Elza Chambel, os vereadores Ricardo Barros e Ricardo Rodrigues, os presidentes das juntas de freguesia de Queijas e Oeiras, para além de representantes de empresas e de quase todas as instituições da CSF. A Loja Solidária estará aberta às terças-feiras, das 16 às 20h00, e aos sábados, das 10 às 13h00.

Corte de subsídios alarma Banco Alimentar

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O Banco Alimentar vai promover, nos próximos dias 26 e 27 de Novembro, mais uma campanha de recolha de alimentos para ajudar as famílias mais necessitadas. No distrito de Setúbal os voluntários da instituição da luta contra a fome vão estar em 174 superfícies comerciais, sendo 48 delas em Almada. Um concelho onde o trabalho do Banco Alimentar consegue apoiar cerca de 3800 pessoas, através do acordo estabelecido com mais de 30 instituições locais de solidariedade. “A população de Almada e Seixal, no distrito, são das que mais contribuem”, diz António Alves, presidente do Banco Alimentar da região. Na campanha que decorreu em Maio deste ano, os cerca de 2500 voluntários, em 164 superfícies do distrito, conseguiram recolher 224 toneladas de alimentos com a população destes dois concelhos a contribuírem com 47,3 toneladas (Almada) e 32,8 toneladas (Seixal). Um índice que o responsável distrital gostaria de ver aumentado, mas não esconde a preocupação com a situação de crise actual. “São dois concelhos populosos,muito solidários, onde existem muitas pessoas com estabilidade financeira, mas também muitas famílias em grande situação de carência”. Só que a instabilidade económica pode implicar uma quebra na dádiva de alimentos. “Há muitas empresas a fechar e outras a diminuírem o número de trabalhadores”, comenta António Alves que antevê um país “com mais desempregados e um Estado sem capacidade para criar empregos”. E com isto, “cada vez temos mais pedidos de ajuda e não temos alimentos para dar”. Através das instituições de solidariedade do distrito, que duas vezes por semana recolhem alimentos no armazém de Palmela do Banco Alimentar, tem sido possível dar de comer a quase 25 mil pessoas, mas “temos quase 50 instituições em lista de espera” o que significa “cerca de 5 mil pessoas” que anseiam por ajuda alimentar, diz o responsável distrital, um número que tende a “aumentar”. A própria presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, recentemente mostrou- se preocupada que as medidas do actual Governo impliquem uma quebra no sistema de solidariedade das populações. Na altura em que foi anunciado o corte nos subsídios de Natal, de Férias e aumento de impostos, Jonet afirmou que estas medidas eram “muito duras”. Para além de afectarem as famílias com pequenos ordenados, vão limitar a classe média “ou remediada”. Com esta “penalização”, também a possibilidade de participar em acções solidárias acaba por ser dificultada, acrescenta António Alves. “A conjuntura nacional dificulta o sistema de solidariedade, apesar de existir muita generosidade na população do distrito”. Com as superfícies comerciais a venderem menos, o Banco Alimentar do distrito tem procurado outras soluções, e uma delas passa pelo contributo dos reclusos dos estabelecimentos prisionais de Setúbal e Pinheiro da Cruz. Em cada uma, a instituição conta com dois hectares de terreno onde são plantados produtos hortícolas para serem distribuídos às pessoas com mais carências. “É gratificante ver que os reclusos sentem-se úteis quando trabalham para ajudar quem mais necessita”. Mas também há o reverso da medalha: o armazém do Banco Alimentar de Palmela, que funciona maioritariamente em voluntariado, “não tem acesso por transportes públicos”, o que “obriga os voluntários a terem de assumir os custos de deslocação em viatura própria”.

ALMADA Oferta reforçada na reabilitação cardíaca

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Instituto de Cardiologia Preventiva inaugura nova sede com uma vasta área de especialidades O Instituto de Cardiologia Preventiva de Almada (ICPA), presidido pelo professor Manuel Carrageta, inaugurou formalmente, no passado dia 11 de Novembro, o novo edifício sede, no Monte de Caparica. Um equipamento que vem reforçar a oferta à população na área da reabilitação cardíaca, envolvendo uma vasta área de especialidades médicas e valências. Iniciado em 2009, o novo edifício desta IPSS representou um investimento de 6 milhões de euros, financiado por capitais próprios, ocupando um espaço com 8200 m2, composto por 21 gabinetes de consultas e exames, 4 áreas de reabilitação e ginásios, uma área de colheitas para análises, uma sala de conferências, uma cafetaria, uma biblioteca, parque de estacionamento, um SPA Médico e uma Cozinha Pedagógica. A Cozinha Pedagógica, um espaço de aprendizagem aberto à população, é uma das valências significativas entre o conjunto de serviços inovadores para esta área da saúde, onde se realçam as vantagens da alimentação mediterrânica para a saúde, um tema largamente defendido pelo professor Manuel Carrageta. Curiosamente, todo o edifício é rodeado de oliveiras numa referência às vantagens do uso do azeite na alimentação. Construído em terreno cedido pela autarquia, a sede do ICPA pretende ser o edifício de saúde mais completo e inovador com um vasto conjunto de serviços diferenciados, mas “a situação actual é difícil”, referia o professor Manuel Carrageta durante a inauguração. “Temos um conjunto de projectos já pensados, mas neste momento o mais importante é consolidar o que temos”. Na mesma altura o presidente do ICPA elogiava o trabalho da secretária-geral do instituto, Rita Andrade, e a cooperação da presidente da Câmara de Almada, Maria Emília de Sousa. “Sem o seu apoio nada disto seria possível”, e apontava-lhes o “optimismo, energia e humanismo” que permitiram por este projecto de pé. “É com este optimismo moderado que haveremos de conseguir que os portugueses tenham uma vida melhor”. Para Maria Emília de Sousa o esforço e dedicação de um conjunto de médicos do antigo Serviço de Cardiologia do Centro Policlínico de Almada, deu ao concelho “um recurso médico e científico de referência nacional”. E mais importante ainda quando isto acontece numa época “quase só preenchida por momentos de profunda angústia e depressão que resultam da crise que se instalou”. Mas para a edil o esforço do ICPA é “uma resposta positiva às dificuldades que nos são impostas”, e constitui, do mesmo modo, “um extraordinário exemplo do caminho que deve ser percorrido para combater de forma eficaz e séria os efeitos nefastos que as dificuldades económicas e financeiras produzem em toda a sociedade”.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Realizadora russa vence Estoril Film Festival

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Longa-metragem de estreia de realizadora russa, Angelina Nikonova, convence júri A longa-metragem "Twilight Portrait", de Angelina Nikonova, conquistou o Prémio de Melhor Filme do Lisbon & Estoril Film Festival 2011, revelou, no domingo, a organização, em Lisboa. O filme, que constitui uma estreia da realizadora russa, retrata a história de Marina, uma assistente social que decide enfrentar o próprio passado traumático. O júri da edição de 2011 do Lisbon&Estoril Film Festival foi composto pelos escritores John M. Coetzee, Nobel da Literatura, e ainda Don DeLillo, Paul Auster e Siri Hustvedt, o violinista Gidon Kremer e o artista plástico José Barrias. "Une Vie Meilleure", do realizador francês Cédric Kahn, conquistou o Prémio Especial do Júri – João Bénard da Costa. Esta película é protagonizada por Guillaume Canet e Leïla Bekhti e conta a história de Yann e Nadia, que decidem abrir um restaurante, mas cujo sonho ameaça ruir quando ela decide aceitar um emprego no estrangeiro. A decorrer desde 4 de Novembro, em Lisboa e no Estoril, o festival, dirigido por Paulo Branco, encerrou com o anúncio dos premiados, no Cinema São Jorge, em Lisboa, e com a exibição do filme, em ante-estreia nacional, de "La piel que Habito" ("A pele onde eu vivo"), do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. O júri decidiu ainda atribuir duas Menções Especiais às longas-metragens "Amnesty", de Bujar Alimani, filme albanês sobre um homem e uma mulher que se apaixonam enquanto os respectivos companheiros se encontram presos, e a "Oslo, August 31st", de Joachim Trier, que acompanha um dia na vida de um jovem toxicodependente em reabilitação, enquanto vagueia pela capital norueguesa. "Une Vie Meilleure", de Cédric Kahn, também conquistou o Prémio Cineuropa, atribuição decidida por Cristina Soldano, dramaturga, cenógrafa e directora Artística do Festival de Cinema Europeu de Lecce. O Encontro de Escolas Europeias promovido pelo Lisbon & Estoril Film Festival 2011 reuniu igualmente um júri para premiar curtas- metragens do certame, o Prémio MEO. Este galardão foi atribuído ‘ex aequo’ às curtas-metragens "Here I am", de Bálint Szimler, da University of Theatre and Film, de Budapeste, e "Aman (Safe and Sound)", de Ali Jaberansari, da London Film School. O júri deste prémio foi constituído pela actriz e realizadora Valeria Bruni-Tedeschi, o director de fotografia Peter Suschtizky, o escritor e dramaturgo Peter Handke e o coreógrafo Rui Horta. O júri atribuiu ainda Menções Honrosas aos filmes "Frozen Stories", de Grzegorz Jaroszuk, da Polish National Film Television and Theater School, em Lodz, e a "L’Estate che non Viene", de Pasquale Marino, do Centro Sperimentale di Cinematografia – Scuola Nazionale di Cinema, de Roma. O Prémio L’Oreal, que distingue os mais promissores talentos do cinema nacional, foi entregue este ano ao actor Miguel Nunes. O Prémio Canon foi atribuído à curta-metragem "Encadeados", realizada por Ana Delgado Martins.