quarta-feira, 9 de novembro de 2011

POLÉMICA NOS TRANSPORTES Redução no horário do Metro será ruinosa para a Amadora

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As propostas anunciadas para o sector dos transportes na Área Metropolitana de Lisboa por um grupo de trabalho nomeado pelo Governo são “muito gravosas para a Amadora”, classifica Gabriel Oliveira, responsável pelo pelouro da mobilidade na edilidade amadorense. Os utilizadores dos transportes públicos na Amadora sentem-se penalizados. O documento intitulado “Simplificação tarifária e reformulação da rede de transportes da Área Metropolitana de Lisboa”, elaborado por um grupo criado para estudar a reestruturação dos transportes em Lisboa, foi apresentado na semana passada às autarquias. A redução do horário do Metropolitano de Lisboa para as 23 horas e o fim de mais de uma dezena de carreiras diurnas da Carris são algumas das propostas apresentadas pelo grupo. Em cima da mesa está a redução dos horários de funcionamento do Metropolitano em duas horas em quase toda a rede, com a passagem do encerramento da 01h00 para as 23h00, excepto no caso das ligações entre Pontinha e Amadora (Linha Azul) e entre o Campo Grande e Odivelas (Linha Amarela), para as quais se sugere o encerramento às 21h30. Para a Carris, o grupo de trabalho propõe a reformulação da oferta actual, com a supressão total de 15 carreiras da rede diurna, afectando as penetrações suburbanas e nos limites da cidade. Outros percursos sofrem alterações de horários ou encurtamentos. Para os comboios da CP são sugeridos novos horários. Quando há menor procura, o grupo refere a circulação de apenas uma unidade motora, quando actualmente durante o dia os comboios circulam com duas unidades acopladas. Gabriel Oliveira diz que estas propostas são “um verdadeiro desastre” e acusou o grupo de trabalho de apresentar um documento “sem pés nem cabeça”, de “gente que não sabe o que está a fazer”. Para o vereador, o encerramento do metro da Amadora mais cedo três horas e meia terá várias consequências na oferta. “A estação Amadora-Este é um dos maiores interfaces da região, onde muitas pessoas estacionam o carro para se deslocarem até Lisboa, se não houver Metro deixará de haver autocarros e também estacionamento”, garante Gabriel Oliveira, acrescentando: “Isto vai contra a filosofia de transportes em toda a Europa, uma vez que obriga as pessoas a recorrerem mais ao transporte privado”. Para quem circula na linha azul do Metro, o encerramento mais cedo da estação da Amadora pode vir a ser uma dor de cabeça. “Eu sou trabalhadora-estudante, há dias que saio da universidade às 23 horas, se o metro encerrar mais cedo terei de planear outro trajecto para chegar a casa, talvez tenha que mudar de passe e, seguramente, irei demorar mais tempo”, afirma Susana Carvalho, moradora em São Brás. José Levi é motorista de umas das carreiras que parte do Colégio Militar, em Benfica, com destino ao Casal da Mira, adianta que “esta carreira, que passa pela estação de Metro Amadora-Este tem sempre muitas pessoas depois das 21h30. Com o encerramento mais cedo do Metro, provavelmente ter-se-á de repensar todos estes transportes. Mas vai prejudicar as muitas pessoas que deixam o carro no interface da Amadora”. Este grupo de trabalho foi constituído para analisar os transportes das Áreas Metropolitanas, devido à “situação económico-financeira debilitada, os avultados défices operacionais crónicos e crescente endividamento das empresas públicas” do sector, com vista ao cumprimento do memorando de entendimento da ‘troika’ e atingir o equilíbrio operacional das empresas “racionalizando custos e promovendo a eficiência”. O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, quando apresentou o Plano Estratégico dos Transportes na Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas, afirmou que caso o sector não fosse reestruturado a dívida das empresas públicas atingiria 20 mil milhões de euros em 2015 e as empresas entrariam em falência. O Governo está ainda a estudar formas alternativas de financiamento dos transportes públicos. Em cima da mesa está a possibilidade de atribuir aos serviços uma parte do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). A Plataforma das Comissões de Utentes da Carris já veio contestar “o Plano Estratégico dos Transportes”, acusando de ser “um verdadeiro plano de privatizações”.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crise leva a penhora de centenas de casas

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Cerca de 900 processos ao longo do primeiro semestre de 2011 no Tribunal da Comarca Ao longo dos anos, João P. viu nos sucessivos créditos a solução para adiar os efeitos da crise. Hoje, protagoniza um dos mais de 800 casos de famílias do concelho de Sintra que viram os seus imóveis penhorados em 2011. O empresário tinha um salário que rondava os quatro mil euros. Depois do encerramento da empresa que demorou anos a consolidar no mercado, a expropriação da residência onde vivia com a família fechou o capítulo iniciado com o acesso fácil ao crédito. "Era a única solução que tinha. Os clientes não pagavam e eu para pagar a fornecedores e aos empregados tive que recorrer ao crédito. Agora perdi tudo. Casa, carros e a qualidade de vida que tinha", disse o empresário à agência Lusa. De acordo com dados fornecidos à Lusa pela juíza presidente do Tribunal de Comarca da Grande Lisboa Noroeste, Ana de Azeredo Coelho, de Janeiro até Junho deste ano foram feitas 883 diligências públicas de execução e em 2010 o número atingiu as 988 diligências. A responsável estima que 90% destes números corresponda à venda de imóveis. Segundo um relatório dos magistrados do Juízo de Execução da Grande Lisboa Noroeste de Março de 2011, relativamente ao valor dos créditos bancários em cobrança, sem incluir juros, o valor global dos processos a correr neste tribunal ascendia aos dois mil milhões de euros. Este valor engloba um período de 2003 até ao presente ano, estando pendentes 62 747 processos de execução. Presidentes de juntas de freguesia do concelho de Sintra mostram-se preocupados com o aumento das penhoras de imóveis, adiantando já não terem condições para ajudar todas as pessoas que vão bater às portas das suas autarquias. Segundo a autarca de Monte Abraão, Fátima Campos, as dificuldades económicas são cada vez mais sentidas na sua freguesia e, se até há meses atrás a Junta se envolvia no processo de ajudar as pessoas a encontrar uma solução, agora, dado o aumento de pedidos de ajuda, já não é possível fazer esse trabalho. "Antigamente vinham cá de seis em seis meses pessoas que já não conseguiam pagar as suas casas, entretanto penhoradas pelos bancos.Agora temos pelo menos dois casos por mês", disse. Segundo o presidente da Junta de Freguesia do Cacém, José Faustino, a penhora de casas nesta freguesia está a atingir números bastante elevados, comparativamente a outros anos. "Tenho sentido muito esse aumento porque os funcionários de execução vêm cá publicar os editais. Este ano tem sido fora do normal",disse, adiantando que os efeitos da crise se fazem sentir ao nível dos atendimentos, uma vez que há um aumento do pedido de respostas ao nível de alimentação e medicamentos. Filipe Santos, autarca de Rio de Mouro, adiantou que todos os dias recebe editais do tribunal relativos a despejos e penhoras de habitações e de lojas. O autarca lamentou que neste período de crise a Segurança Social apenas disponha de uma técnica para trabalhar nesta freguesia, onde moram 50 mil pessoas, 30% das quais com baixos rendimentos. Em Massamá, este ano houve um "grande aumento" de casos de penhoras de imóveis, contou o presidente José Pedro Matias. Em 2011 já foram "penhoradas 91 casas", enquanto que em 2010 foram 60. "Temos ainda um dado novo que não tivemos o ano passado. Recebemos editais do tribunal relativos a 17 processos de insolvências de pessoa singular ou colectiva. Estes são os sinais da crise", adiantou.

'Lobinhas' somam novo título

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Campeãs juntam Supertaça às conquistas da época anterior e prometem continuar a ganhar A viver um período de sonho na sua história, o Grupo Desportivo e Recreativo "Os Lobinhos", de Vale de Lobos, conquistou mais um troféu nacional, a Supertaça Feminina de hóquei em patins. As actuais campeãs nacionais e detentoras da Taça de Portugal voltaram a enfrentar o Hóquei de Turquel, principal adversário da época transacta, reeditando a final de 2010, então favorável às leirienses. Desta vez, as "lobinhas" desforraram-se e venceram por 3-2, para gáudio das dezenas de adeptos que se deslocaram ao novo pavilhão do Sporting de Torres, inaugurado no passado domingo. A dez minutos do final, o Lobinhos perdia por 2-1, mas dois golos de Rita Paulo proporcionaram a reviravolta no marcador. Porém, os corações dos entusiastas adeptos do clube da freguesia de Almargem do Bispo ainda resistiram a um lance polémico, a onze segundos do fim, quando o Turquel beneficiou deumlivre directo. Valeu a excelente prestação da guardiã Débora Gonçalves, a evitar que o jogo fosse decidido em prolongamento. "Estamos muito satisfeitas, pois foi um jogo muito difícil, contra as principais adversárias da época transacta. Como tivemos várias jogadoras na Selecção Nacional, não tínhamos ainda muitos treinos de conjunto, mas superámo-nos e tudo correu da melhor forma", afirmou a capitã de equipa Inês Raimundo. Para a camisa dois do Lobinhos, a conquista desta Supertaça abre excelentes perspectivas para uma época que "será ainda mais difícil" para as campeãs nacionais. "Todas vão querer ganhar ao Lobinhos, pelo que cada jogo será uma final. Porém, o nosso objectivo é vencer e revalidar o título nacional", afirmou. Pela primeira vez a dirigir uma equipa feminina, o treinador Carlos Pantana, que já levou a Física de Torres à I Divisão e que na época transacta orientou a equipa sénior do Nafarros, também não escondia a sua satisfação. "Naturalmente que estou muito satisfeito, pois esta vitória segue-se à do Torneio Internacional de Noisy le Grand, em França, e abre caminho para uma época positiva". O técnico admite que o jogo de domingo "não foi nada fácil", frente a um Turquel "que melhorou em relação à época anterior", facto "que valoriza a nossa vitória". "Fizemos um jogo inteligente e conseguimos dar a volta ao marcador. O que reforça o espírito vencedor destas jogadoras", salientou ainda. Sobre a nova época, Carlos Pantana admite que "a responsabilidade vai ser maior", devido ao estatuto de campeã que a sua equipa ostenta, mas garante estar preparado para "vencer mais este desafio".

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Parques Tejo avança com dois novos silos

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Com verbas próprias, empresa municipal concretiza obras em Linda-a-Velha e Alto de Algés Apesar da crise geral no país, a Parques Tejo prepara-se para avançar com mais oferta de estacionamento em Oeiras nos próximos anos. Recorrendo a meios financeiros próprios, a empresa municipal tem, para já, dois novos parques em perspectiva: um silo vertical no Largo da Pirâmide (Linda-a-Velha) e outro na Avenida da República (Alto de Algés). Quanto a ir mais longe no seu plano estratégico de desenvolvimento, a Parques Tejo está, digamos assim, com as rodas bloqueadas: pela dificuldade de acesso ao crédito bancário que afecta toda a economia, por um lado, e, por outro, pela incerteza gerada, a nível do Poder Central, quanto ao futuro das empresas municipais. “Mas quando houver possibilidades para aplicar as suas conclusões, estaremos bem preparados”, contrapõe Luís Roldão, em entrevista concedida, recentemente, ao JR. Na verdade, ironicamente, agora que a Parques Tejo temem seu poder um estudo minucioso – realizado entre 2009 e 2010 por especialistas do Instituto Superior Técnico – com tudo o que é preciso saber para expandir a actividade, desde os fluxos de estacionamento nas diferentes horas do dia às implicações financeiras dos investimentos previstos, passando pelo grau de estacionamento ilícito, é precisamente quando nada pode fazer, pelo menos enquanto a crise não der tréguas. O documento aponta, em termos estratégicos, para a necessidade de mais interfaces, de mais parques de estacionamento, do alargamento de algumas zonas e criação de outras, num todo em que haja complementaridade entre as partes. E, embora se haja concluído que a “elasticidade” da relação entre preço e procura não favorece que se avance para uma distinção entre zonas mais e menos onerosas para o utente (como em Lisboa), também não se exclui a hipótese de serem criadas microzonas com preços mais caros (uma delas deverá ser lançada em Algés, junto ao centro de autocarros e estação de comboios). Esta última medida é de molde a levar muita gente a pensar que, afinal, a crise até pode ter efeitos positivos. Mas Luís Roldão já está habituado a esse pensamento e lembra a história do Velho, do Rapaz e do Burro… “Façamos o que fizermos haverá sempre alguém a discordar e nós cá estamos para ouvir toda a gente… e depois decidir de acordo com o que é do melhor interesse para a qualidade de vida em Oeiras, para quem vive e para quem trabalha no nosso concelho”, limita-se a responder. De resto, realçando que o referido estudo – já entregue ao accionista (Câmara Municipal de Oeiras) – era fundamental para “não se fazerem as coisas de forma desgarrada ou intempestiva”, Luís Roldão resume, em jeito de missão cumprida, mas também de aceitação de uma outra diferente: “Fizemos variadíssimos investimentos, estamos bem apetrechados para ir a outros desafios e queremos assumi-los”. O facto de liderar uma organização que, “em termos de registo de dados financeiros, deve ser a melhor empresa municipal do país”, é um dado fundamental para explicar, não só o optimismo, mas também os investimentos em contraciclo que estão programados, sem recorrer à banca. No caso do parque do Largo da Pirâmide, será gasta uma quantia a rondar os 1,2 milhões de euros. O projecto, que chegou a estar previsto no âmbito de uma parceria público-privada, mas foi retirada dessa opção, pretende, “em primeiro lugar, ajudar a resolver alguns problemas de estacionamento dos residentes e, em segundo, dar suporte à actividade do Auditório Lourdes Norberto”.Naquela zona “muito carente de estacionamento ordenado”, surgirá, assim, um silo vertical, num edifício revestido de vegetação vertical nas suas paredes e também devidamente ajardinado à superfície. “Quem olhar de fora sentirá que corta muito aquela grande densidade de betão que ali existe”, congratula-se Luís Roldão, adiantando que só falta a licença da Câmara para lançar o concurso da empreitada. Quanto ao parque da Avenida da República, no Alto de Algés, irá ocupar todo o espaço da antiga Escola Básica Sofia Carvalho, já desactivada. “Com algum apoio da banca, vamos também concretizar nós mesmos esse projecto, que está a ser elaborado e custará dois milhões”, diz o presidente da empresa Parques Tejo. Igualmente em silo, terá, porém, uma componente de comércio no rés-do-chão (ao que tudo indica, um supermercado). Aqui o objectivo é “tentar aliviar a pressão numa zona populacional muito densa” e onde os passeios estão pejados de carros parados em cima dos passeios, ocupando-os quase totalmente. Em banho-maria ficam vários outros projectos. Entre eles, os parques subterrâneos da Tapada do Mocho (Paço de Arcos), suspenso há cerca de dois anos; do Largo Rui Pereira (Linda-a-Velha) “em fase de estudo preliminar, já foram feitos estudos geológicos que recomendam cuidado com algumas habitações no fundo do largo porque é uma zona com muitas minas de água”; junto ao edifício dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos; e, ainda, os projectos para o terminal de autocarros de Algés e, ali perto, para a zona de estacionamento contígua à bomba de combustível Cipol (em frente ao Palácio Anjos). São projectos que necessitam de muito suporte financeiro, razão pela qual Luís Roldão não prevê o seu arranque tão cedo. “Eu diria que antes de 2014 ou 2015 nada será feito, porque não perspectivo crescimento económico e fluidez financeira no país que permita aos bancos emprestar dinheiro e aos privados que sobrevivam à crise terem interesse em se associarem connosco para essas obras”, resume este responsável, sem rodeios. Já quanto à expansão das Zonas de Estacionamento de Duração Limitada, recomendada no estudo mencionado, também não será para já, mas poderá acontecer mais depressa, ainda que o preço de cada parquímetro (mais de quatro mil euros) seja pesado. “Penso que nunca acontecerá antes do 2.º semestre de 2012 ou até mesmo apenas em 2013”, calcula Luís Roldão.

Cada vez mais pobres a pedir ajuda

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Centro Porta Amiga da AMI, em Almada, sem mãos a medir O número de pedidos de ajuda feitos ao centro Porta Amiga de Almada da Assistência Médica Internacional (AMI), no Monte de Caparica, aumentou cerca de 30 por cento comparativamente com o ano passado. Segundo a directora técnica do centro, até Setembro foram atendidas 1322 pessoas. Maria da Luz Cachapa referiu ainda à Lusa que este aumento “é preocupante”, mais ainda quando “vai ao encontro da tendência registada em todos os centros da AMI do país”. Apesar do número de sem-abrigos que procuraram a AMI ser “significativo”, perto dos 140, este número acaba por estar ao nível dos referenciados em 2010, mas a directora do centro de Almada receia que estes casos “aumentem” dado o actual contexto de crise económica com implicação no desemprego de longa duração. Considerando que entre 2009 e 2010 o centro registou uma subida de 900 para 1268 pedidos de ajuda, sendo mais de 150 feitos por pessoas com mais de 60 anos, Maria da Luz Cachapa põe o desemprego e as carências alimentares no topo das suas preocupações. “A chave para resolver os problemas da maioria das pessoas que nos procuram é terem um emprego”, mas também diz que esta é uma solução “cada vez mais difícil de encontrar”. O contacto com quem procura o apoio da AMI permite a esta responsável concluir que “a classe média está fragilizada”, isto porque “não estava habituada a poupar; tinha créditos. As pessoas chegam aqui endividadas, o que quer dizer que, a médio prazo, correm risco de desalojamento”. Entretanto relativamente à ajuda alimentar, Maria da Luz Cachapa começa a revelar algumas preocupações com o Programa Comunitário de Ajuda a Carenciados (PCAAC), que fornece ao centro a maior parte dos alimentos distribuídos às famílias. O problema é que este programa começa a estar em risco devido a uma minoria de sete estados-membros que entendem que o serviço deve ser competência de cada país. “Se houver um corte no PCAAC teremos muito menos géneros para distribuir e os agregados familiares vão ficar muito prejudicados”. É que se a Áustria, Dinamarca, Holanda, Suécia, Reino Unido, Alemanha e República Checa não revirem a sua posição, a partir de Janeiro o orçamento do PCAAC será reduzido em dois terços: de 500 milhões para 113 milhões de euros.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

AMOREIRA (ESTORIL) Associação Mimar inaugura centro de acolhimento

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Novo equipamento vai receber 18 crianças em risco A Associação Mimar inaugurou, no passado dia 25 de Outubro, na Amoreira (Estoril), a sua casa de acolhimento temporário que tem capacidade para acolher 18 crianças, até aos seis anos de idade (com a possibilidade de ir até aos 12 anos para evitar a separação de irmãos). O novo equipamento, construído de raiz, teve um custo global de mais de um milhão de euros e contou com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Cascais não só para a sua construção, mas também para os três primeiros meses de funcionamento. Em declarações ao JR, Maria João Lois, vice-presidente da Mimar (Instituição Particular de Solidariedade Social desde Janeiro de 2004), explicou que “este é um centro de acolhimento temporário de crianças em perigo, que recebemos por ordem do Tribunal. Funciona como uma casa que as acolhe e trabalha com a família, visando a reintegração da criança na família biológica, a sua inserção numa família de adopção ou a colocação numa instituição adequada. As crianças vão à escola e fazem uma vida normal. O período normal é de seis meses, mas há situações que podem ficar até um ano”. A Casa Mimar vai acolher 18 crianças e, para isso, dispõe de 15 vagas para crianças dos zero aos 6 anos e três vagas para crianças dos 6 aos 12 (estas, apenas para irmãos de alguma criança do grupo dos zero aos seis). Maria João Lois descreveu que “a casa de acolhimento é composta por um salão de actividades, cinco quartos duplos, dois berçários e uma copa e conta ainda com um jardim com baloiços”. Na inauguração, Sofia Pombo e Costa, presidente da Mimar, sublinhou que este momento “é o início de um percurso em que esperamos cumprir com todas as expectativas das famílias e dos parceiros”. A placa de inauguração foi descerrada pelo ex-presidente da Câmara de Cascais, António Capucho, e pela ex-vereadora da Acção Social,Mariana Ribeiro Ferreira, por terem acompanhado o projecto desde o seu início. O actual edil, Carlos Carreiras, lembrou as dificuldades que a Associação Mimar teve para erguer a Casa de Acolhimento e disse que “mesmo em tempos menos fáceis, temos de fazer tudo para não deixar nenhum dos nossos para trás”. “Estes momentos fazem-nos acreditar que somos capazes de mudar qualquer coisa”, frisou, salientando ainda o “grande património” que Cascais tem com “a Mimar e outras instituições que colocam o eu e o nós no sentido de comunidade”. Neste âmbito, a autarquia pretende reforçar a capacidade de resposta, já que das 31 crianças a quem a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens aplicou a medida de acolhimento institucional em 2010, apenas 26% foram colocadas no próprio concelho de Cascais.

Utentes da Damaia voltam a protestar no Centro de Saúde

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Dezenas de pessoas voltaram a protestar, na semana passada junto ao Centro de Saúde da Damaia contra a transferência de oito mil utentes desta unidade de saúde para a Buraca. A comissão de utentes promete novos protestos até que a situação fique resolvida. "A população da Damaia é obrigada a sair do seu centro de saúde que tem óptimas instalações, para ser assistida na Buraca, num espaço que não tem quaisquer condições, a funcionar num prédio de habitação", contestou José Flores, porta-voz da Comissão de Utentes do Centro de Saúde da Damaia. Os manifestantes voltaram a reunir-se, na quarta-feira, 26 de Outubro, à porta das instalações do Centro de Saúde da Damaia, dado que a data para a integração dos oito mil utentes naquela unidade, “não foi cumprida”. “Esgotou-se a dia 15 de Outubro, o prazo estabelecido em compromisso escrito da directora executiva do Agrupamento dos Centros de Saúde da Amadora, para o regresso à unidade da Damaia dos oito mil processos de utentes da freguesia, enviados sem aviso prévio para o Centro de Saúde da Buraca”, referiu em comunicado a comissão. De um equipamento construído recentemente, os oito mil utentes estão a ser enviados para o “velhinho” Centro de Saúde da Buraca, motivando a acusação por parte da comissão à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), por esta pretender privatizar as instalações da unidade de saúde da Damaia. A comissão considera que estas medidas visam "uma estratégia governamental de esvaziamento gradual do centro de saúde, de que esta maciça transferência de utentes seria a primeira fase, com vista à cedência a prazo das instalações, as mais modernas do concelho, e das valências de saúde para uma exploração privada", refere ainda o comunicado. Por isso, “a contestação não vai parar”, como assegurou José Flores, acrescentando “vamos fazer de tudo para travar esta mudança”. Para já a comissão de utentes solicitou uma reunião com a directora do Agrupamentode Centros de Saúde da Amadora, em conjunto com o executivo da Câmara Municipal da Amadora. “Pretendemos logo de seguida reunir com a ARSLVT”, adianta ainda José Flores concluindo que “os protestos irão continuar até que seja suspensa a transferência de utentes”.