quarta-feira, 12 de outubro de 2011

DAMAIA Parque Urbano do Neudel vai finalmente avançar

Ver edição completa
Obra arranca nos próximos 60 dias e está incluída nas obrigações do urbanizador Já há muito que os moradores da urbanização do Neudel, na Damaia, reclamam a construção de um parque urbano em frente aos prédios. Aliás, para quem ali comprou casa, a promessa era essa, mas passados quase dez anos da conclusão da urbanização as obras continuam por fazer. O presidente da autarquia promete agora que a obra irá avançar nos próximos 60 dias. É com desespero que Maria Alice olha para a zona destinada a um parque urbano, agora repleto de ervas daninhas que chegam a atingir um metro de altura. “Quando comprei aqui a minha casa, não era isto que pensava ver aqui. Mas, o que é certo é que há seis anos que aqui vivo e ainda não vislumbrei o tão famoso parque”, lamenta a moradora. Também Paulo Pereira, um outro morador, que questionou o presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, na última Assembleia Municipal, lamenta “estar à janela e olhar para o que poderia ser um parque e, em vez disso, ver ervas daninhas e ratazanas”. O avanço do projecto de construção do parque demorou mais tempo devido ao facto de ali estarem implantadas habitações de duas famílias que reclamavam o direito ao terreno. Como tal, o processo só foi resolvido nos tribunais. No ano passado houve um desfecho para o impasse, com a autarquia a acabar por indemnizar as duas famílias ali residentes, demolindo depois a totalidade das construções. Apesar de não ser ali moradora, Isabel Inácio, que costuma ir passear para o local previsto para acolher o parque, considera “lamentável a situação”. “Demoliram as construções existentes à pressa e agora isto não é nada, nem há casas nem parque”, critica. Esta moradora lembra que nos tempos em que viviam ali famílias “os terrenos estavam mais cuidados e sem sujidade, mas agora, no meio do matagal, encontra-se montes de lixo”. Plano de Pormenor já aprovado O projecto de construção do Parque Urbano resulta de um Plano de Pormenor já aprovado em Conselho de Ministros, para ser implementado numa área de cerca de 40 mil metros quadrados, com espaços públicos de lazer, um edifício multifunções, uma esplanada, um quiosque de apoio e vários equipamentos lúdicos. O mesmo plano prevê ainda a implantação de um posto de combustíveis nas proximidades, mais concretamente na Praceta Irene Lisboa. O projecto deverá estar concluído em 2013. Isso mesmo garante o presidente da autarquia, Joaquim Raposo: “Assumi que as obras começariam até ao final do ano. O processo já está pronto a arrancar, o construtor tem um prazo de 60 dias para iniciar a obra”. Por isso, o autarca não vê necessidade de promover a limpeza dos terrenos, “tendo em conta que vão começar movimentações de terras e nessa altura os problemas das ervas daninhas e das ratazanas vão desaparecer”, considera. Para a população que reside na área envolvente, esta obra é muito aguardada. “A Damaia tem poucos espaços verdes e em particular parques infantis onde as crianças possam brincar”, considera Sandra Pires, moradora nas proximidades, para quem o avanço do esperado projecto "constitui uma boa notícia".

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Obras avançam em zona nobre de Queluz

Ver edição completa
Intervenção de requalificação na Avenida da República ascende a cerca de 610 mil euros Inserida na zona histórica de Queluz, a dois passos do Palácio Nacional, a Avenida da República vai beneficiar de uma intervenção de requalificação, que ascende a cerca de 610 mil euros, que promete mudar o rosto de uma área votada a um certo abandono. As obras, que vão decorrer ao longo dos próximos 12 meses, abrangem, ainda, os largos Mouzinho de Albuquerque e Manuel da Costa. Segundo aCâmara Municipal de Sintra, a empreitada em fase de arranque, a cargo da empresa Sanestradas, visa a "qualificação do espaço público, enfatizando sempre os elementos representativos da história da cidade e a melhoria das condições da circulação pedonal". A intervenção vai beneficiar, assim, não só os residentes da zona, mas também quem acorre ao comércio ali existente e, ainda, os visitantes que demandam o Palácio Nacional e quem se desloca ao Regimento de Artilharia Antiaérea ou à Pousada D. Maria. Para o efeito, dando continuidade ao já executado ao longo do Jardim Conde de Almeida Araújo, será criado um corredor pedonal contínuo, "que permita a segurança e o conforto do peão", a par da requalificação dos largos Manuel da Costa e Mouzinho de Albuquerque. Os estabelecimentos de restauração vão beneficiar da reserva de espaço para esplanadas, "para que as pessoas possam usufruir e fruir da zona do palácio", destaca Barbosa de Oliveira. Para o presidente da Junta de Queluz, a obra em curso "trata-se de uma grande intervenção de requalificação e de recuperação do tecido urbano da freguesia". Abrangendo um conjunto de arruamentos do casco antigo da cidade, os trabalhos compreendem a remodelação das redes de abastecimento de água e de drenagem das águas pluviais, a melhoria da iluminação pública e a plantação de espécies arbóreas, com a criação de mais áreas de sombra. À semelhança do que já sucede no Jardim Conde de Almeida Araújo, Bairro Conde de Almeida Araújo e Largo Ponte Pedrinha, também a deposição de resíduos vai passar a ser efectuada em unidades enterradas. A criação de passeios é uma das conquistas do projecto, já que há zonas emque, actualmente, tanto no caso de residentes como de visitantes do palácio nacional, "as pessoas eram obrigadas a andar no meio do trânsito", alerta o autarca de Queluz. Está projectado ainda, segundo a Câmara de Sintra, um "renovado ordenamento do espaço de confluência das ruas, sobretudo junto à Avenida Eng. Duarte Pacheco", através da criação de uma ‘ilha’ como separador central. "Esta ilha sobrelevada de linhas simples e neutras evitará o atravessamento pedonal fora da passadeira, assim como a inversão de marcha dos automóveis", reforça a autarquia, que enuncia ainda que "a intervenção no Largo Mouzinho de Albuquerque devolve ao local a ambiência de estadia aprazível, incorporando de um modo harmonioso a rua pedonal que nele entronca, ligando o Tanque do Mirante à Avenida da República". As obras abrangem ainda a recuperação do chafariz ali existente, assim como dos bancos em pedra, que serão recolocados em função das novas plantações e do novo desenho do pavimento do largo. Esta área nobre de Queluz vai ser palco, assim, de uma significativa requalificação urbana, que vai acompanhar também algum investimento por parte de privados. "No Largo Mouzinho de Albuquerque, vai abrir uma loja de conveniência, para vender recordações para os turistas e ser palco de exposições", revela Barbosa de Oliveira, que se congratula com "esta nova dinâmica prevista para Queluz, através de privados, e através da iniciativa pública, de investimentos da Câmara de Sintra e da Junta de Freguesia de Queluz, no sentido de requalificarmos aquela zona". Após a requalificação da Avenida da República, o autarca de Queluz faz votos que seja possível concretizar uma intervenção similar na Avenida António Enes, "que pode ficar com passeios mais largos, mais estacionamento, com melhor acesso a quem se dirige para dentro de Queluz e que, agora, não tem as melhores condições dado o desregulamento de trânsito e o estacionamento em segunda fila". Mais célere deverá ser a recuperação do parque infantil do Jardim Conde de Almeida Araújo, cujas obras devem arrancar no início de 2012, para satisfação dos residentes na zona: "Quem ali vive, com mais de 50/60 anos, lembra-se de lá ter brincado em criança e agora vê aquele espaço degradado". Mas, a degradação tem os dias contados, garante o presidente da Junta de Freguesia de Queluz.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

OEIRAS Cortar 'em tudo, menos na Acção Social'

Ver edição completa
Câmara vai reforçar apoio a famílias carenciadas A crise está a obrigar a cortar “em tudo, menos na Acção Social” desenvolvida pela Câmara Municipal de Oeiras. No entanto, não é completamente seguro que este último reduto contra a austeridade consiga manter-se intocável. Elizabete Oliveira, vereadora responsável por este pelouro, garante que está a ser feito um esforço colossal para que não haja desvios aos objectivos traçados para os apoios, mas admite que, se a situação geral continuar a degradar-se, os beneficiários de alguns dos programas de ajuda camarários poderão ver diminuído o nível de auxílio.Ocaso mais preocupante prende-se com a comparticipação de 50% nas despesas com medicamentos para os munícipes mais carenciados. A medida merece todos os elogios em termos sociais, mas pode vir a ter um peso significativo nos cofres da Câmara de Oeiras, que em Junho pagou quase 30 mil euros da sua parte, respeitante a 4200 receitas. E a verdade é que essa fasquia ainda é muito baixa relativamente ao universo possível de beneficiários: 12 640 oeirenses estão sinalizados pelo Serviço Nacional de Saúde ou ADSE com a Letra R (salário mínimo) e têm o Cartão 65+ (mais de 65 anos e residente no concelho), as duas premissas para obter o desconto camarário. “Vamos ver. Pelo menos, até ao final do ano manteremos os 50%. Mas se o Estado diminuir a sua comparticipação, isso significará mais despesa do lado da Câmara…”, conclui Elisabete Oliveira, deixando a questão em aberto. Ainda assim, a intenção é que o programa de comparticipação nas farmácias chegue a mais gente e mais rapidamente. “Queremos divulgar este programa, procurar que as pessoas que podem ter este apoio e ainda o não têm passem a ser uma minoria”, sublinha a vereadora. Entretanto, já se fizeram pequenos ajustamentos noutras vertentes da Acção Social: no Programa 55+ (manutenção física) os utentes passaram a dar uma contribuição pelas actividades e acabaram as viagens para fora do Continente; e o serviço “Oeiras Está Lá”, reactivado após um ano de interrupção por contingências do concurso público, passa a ter um número máximo anual de atendimentos para cada pessoa, embora, neste caso, a medida seja justificada como uma forma de “evitar os usos indevidos que se verificavam por vezes”. Apesar de tudo, a orientação geral continua a ter um só sentido. “Na conjuntura actual temos de poupar, mas não pode ser na Acção Social e na saúde das pessoas”, reitera Elisabete Oliveira, que tem, ainda, as pastas da Saúde e da Cultura, apontando pilhas de papéis à sua frente. “São os orçamentos para o próximo ano: cortei nas bibliotecas, cortei na acção cultural, obras não haverá praticamente nada – claro que é uma pena não se intervir na Cascata do Neptuno (Quinta do Marquês) e parar a recuperação das estátuas de Machado de Castro (já temos sete concluídas, mais as réplicas para colocar nos locais) – mas na Acção Social vamos procurar não cortar... E vamos candidatar- nos a tudo o que seja subsídio!”. Outro programa que ainda está aquém das suas potencialidades e cuja adesão se pretende fomentar, também, é a TeleAssistência Domiciliária (ver caixa). Quanto ao apoio às instituições de solidariedade social (IPSS) “tem sido mantido” e será até aumentado no âmbito do Fundo de Emergência Social. Nesta vertente, a Câmara de Oeiras prepara-se para avançar com o apoio às famílias que possam estar em risco de verem cortados os fornecimentos de água, luz ou gás. Não podendo a autarquia aplicar o dinheiro directamente, o auxílio será prestado através de IPSS, após articulação com as comissões sociais de freguesia. A sinalização dos casos terá fonte diversa, mas “a avaliação e decisão serão nossas”, sublinha Elisabete Oliveira. A cedência de espaços camarários para albergar lojas sociais é outra acção destacada pela vereadora, adiantando que a próxima a ceder será no Bairro do Pombal.

ALMADA Menos luz nas ruas da cidade

Ver edição completa
Câmara justifica corte com o aumento do IVA, PSD contesta medida Almada reduziu o número de horas de iluminação pública e a decisão está a motivar controvérsia entre a população e autarcas. Para além da iluminação ser ligada mais tarde, é também desligada por volta das 6 horas, ou seja ainda durante a noite. Para a autarquia esta é uma medida para fazer frente ao “brutal aumento” que a factura energética sofreu, através da passagem do IVA para a taxa máxima, justifica a presidente da Câmara. Mas os deputados do PSD na Assembleia Municipal acreditam noutras explicações e levaram-nas à discussão na última sessão deste órgão, com a mesma a ser chumbada pela CDU. Para o PSD, a falta de iluminação em Almada, para além de provocar insegurança nos cidadãos também incentiva o aumento de assaltos, mas o problema pode ser resolvido com uma melhor “manutenção da iluminação pública” por parte da EDP, cabendo à autarquia almadense exigir que esse trabalho seja efectuado. A moção apresentada pelo deputado António Salgueiro refere que o trabalho de manutenção desta rede “não segue um critério uniforme” existindo uma maior falha “sobretudo em espaços urbanos já de si bastante degradados”. Perante isto, os social-democratas pretendiam que a Câmara de Almada imponha a renegociação do contrato com a EDP e a revisão do horário de funcionamento da iluminação pública. Mas entretanto o deputado socialista José Joaquim Leitão lembrava que para melhorar a segurança “é importante uma boa iluminação pública”, mas também “é importante o reforço das forças de segurança”. Talvez um recado para os deputados do PSD ajudarem a lembrar o Governo que há muito que o concelho de Almada exige umr eforço do efectivo policial. Mas dar mais luz às ruas do concelho não parece ser matéria fácil de resolver. É que, para além do inflacionamento que a subida do IVA teve nas facturas da EDP e gás, há ainda o problema dos contratos entre as autarquias e a EDP, que as obrigam por 25 anos, lembra a presidente da Câmara de Almada. Já na parte financeira,Maria Emília de Sousa afirma que a nova taxa de IVA levou a uma despesa acrescida em 1,2 milhões de euros. E agora, “o orçamento municipal de 2011 deverá ter que ser reforçado em mais 600 mil euros, só para pagar iluminação pública”. Entretanto, a autarquia decidiu, por conta própria, iniciar em Junho uma experiência para reduzir o período de funcionamento da iluminação pública, com recurso a relógios astronómicos. O objectivo é acertar esta iluminação com a variação das horas solar ao longo do ano. Uma experiência que está já a funcionar no paredão da Costa da Caparica, Avenida Torrado da Silva e Avenida 23 de Julho. “Com isto é possível reduzir a despesa com a iluminação pública em cerca de 40 por cento”, contabiliza Maria Emília de Sousa. Mas para implementar este sistema em todo o concelho o investimento ronda os 14 milhões de euros, devendo o mesmo “ser realizado pela EDP”. A questão é saber se a empresa está disposta a realizar um investimento que, ao reduzir o consumo, vai implicar também uma redução na factura que aplica às autarquias.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

TURISMO America's Cup rende sete milhões

Ver edição completa
Câmara faz balanço muito positivo da época de Verão A realização da America’s Cup concretizou um aumento da estadia média no concelho de Cascais de 7,3%, equivalente a um valor estimado de receita directa de perto de sete milhões de euros, revelou o presidente da Câmara de Cascais num balanço de resultados do Verão de 2011. O investimento da Câmara de Cascais foi de 500 mil euros nesse evento. Carlos Carreiras sublinhou que “é um valor importante e reforçou índices raros como o do emprego”. O autarca adiantou ainda que “nesse valor não estão contabilizadas as receitas dos comerciantes”. Estabelecendo a comparação do concelho com a realidade a nível nacional, Carlos Carreiras distinguiu que, “no último semestre, o país cresceu 9% em termos de dormidas e 6% em termos de turistas, Cascais cresceu, respectivamente, 21% e 36%. Fomos o concelho com o melhor desempenho turístico do país”. Das freguesias que mais contribuíram para atrair turistas, o edil destacou Cascais (com 43% do índice de atractividade em núcleo urbano, equipamento cultural, zona histórica e ampla oferta hoteleira); Estoril (29%) com o equipamento de lazer, história, praia, golfe, oferta hoteleira de elevada qualidade; Alcabideche e Carcavelos (14%) que têm como factor atractivo o autódromo e zonas de comércio. “Queremos introduzir na Parede um turismo de saúde”, acrescentou o autarca. Entre Julho e Agosto, foram registadas 298 730 dormidas (subida de 4%); 84 294 hóspedes (subida de 3,4%) e uma estadia média de 3,05 dias a que corresponde um aumento de 7,3%, relativamente ao ano de 2010. Os hotéis de 3 e 4 estrelas apresentaram uma subida de 6%, tendo havido apenas uma descida de 3% em relação ao ano de 2010 nas unidades de 5 estrelas.O que leva a concluir, segundo Carlos Carreiras, que “apesar da conjuntura económica, o nosso concelho está em contraciclo com a actual crise ao registarmos um aumento de 3% no acumulado na operação de Julho e Agosto”. Houve mais procura de estrangeiros do que nacionais. Nos meses de Julho e Agosto registou-se um aumento do acumulado de dormidas de portugueses no concelho na ordem dos 3,7% (41 160 em 2010 e 42 672 em 2011). O acumulado de dormidas de estrangeiros atingiu aos 3,8% (246 796 em 2010 e 256 058 em 2011). Os espanhóis continuam a ser os turistas que mais visitam Cascais, mas “registou-se um decréscimo de turistas espanhóis este ano e um aumento de holandeses e russos. Estes procuram essencialmente turismo de natureza”, disse Carlos Carreiras. O presidente da Câmara de Cascais considera que os grandes eventos internacionais são a grande âncora para promover Cascais no mundo. “Temos já garantidos alguns eventos de dimensão internacional”, realça o edil, que deu o exemplo do “encontro internacional da HarleyDavidson (em Junho) em que se estima trazer ao concelho cerca de 10 mil pessoas e para o qual os hotéis de 5 estrelas já têm a capacidade praticamente esgotada”.

ORQUESTRAS GERAÇÃO Combate à exclusão social através da música

Ver edição completa
Amadora foi pioneira no arranque de um projecto que já envolve mais de 500 crianças São já mais de 500, as crianças que frequentam as Orquestras Geração criadas em todo o país, mas a Amadora foi pioneira na criação deste projecto, no bairro de realojamento da Boba, em São Brás. O balanço “positivo” feito pela vice- presidente da autarquia, Carla Tavares, já levou a criar mais três orquestras no concelho. O projecto Orquestras Geração surgiu há quatro anos, numa parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Câmara da Amadora, financiado pelo programa comunitário EQUAL. Partindo do modelo do Programa das Orquestras Sinfónicas Infantis e Juvenis da Venezuela, a primeira orquestra surgiu no Casal da Boba. “No início era a Câmara que pagava os professores. Só mais tarde surgiu a parceria com o Ministério da Educação, através do Conservatório de Música, que coloca os professores, e com a fundação EDP”, refere a vice-presidente também responsável pelo pelouro da Educação na Câmara da Amadora. À autarquia cada orquestra custa por ano cerca de 35 mil euros, mas em todos os projectos foram encontrados parceiros para financiar o investimento inicial de aquisição dos instrumentos, alguns dos quais chegam a custar mais de 500 euros. A vereadora lembra o arranque do projecto levado a cabo com muita “carolice”, mas que até agora conseguiu alcançar dois objectivos: “Se, por um lado, melhora o aproveitamento escolar, por outro, criámos na comunidade um sentimento de pertença através do orgulho que sentem quando acompanham as suas crianças nos concertos”. Para Carla Tavares, a entrada do Ministério da Educação neste projecto foi muito importante. “Um dos pressupostos do projecto era dinamizar o espaço escolar, porque oferecer as melhores condições de recursos e de instalações”, afirma. Desde 2007, já surgiram na Amadora as Orquestras Geração da Boba, Zambujal, Casal da Mira (Dolce Vita) e, mais recentemente, no agrupamento de Escolas Pedro D’Orey da Cunha, na Damaia. A orquestra Dolce Vita funciona com um sistema de financiamento à parte, não sendo o Ministério a colocar os professores. No Zambujal, através do agrupamento de escolas Almeida Garrett, a orquestra vai entrar no seu terceiro ano de vida. Ao todo são 46 alunos que frequentam a orquestra, sendo que “o grosso dos alunos é do bairro do Zambujal”, refere Bruno Santos, coordenador da Orquestra. Este responsável acrescenta que o balanço “é muito positivo”.“Em apenas uma semana estas crianças deram três concertos”, acrescenta. Para celebrar o Dia Mundial da Música, que se assinala a 1 de Outubro, a Orquestra Geração do Zambujal deu o seu terceiro concerto da semana, na sexta-feira, 30 de Setembro, na Escola Básica e Jardim-de-Infância Alto do Moinho. Um ligeiro atraso fez com que o público fosse pouco, mas nem assim o entusiasmo foi menor. Maria Costa, 10 anos, foi umas das primeiras crianças a integrar a Orquestra, em 2009. Passou a gostar muito mais de música desde essa altura. Com o seu violoncelo confessa que os melhores momentos “são os concertos”, em particular, “os que acontecem em salas importantes, como a Aula Magna”. Em casa todos gostam de a ouvir tocar, mas reconhece que, se não fosse o projecto, os pais “não teriam dinheiro para comprar este instrumento”. Para o professor Ricardo Tapadinhas o trabalho desenvolvido com estas crianças é muito importante, porque “as crianças reconhecem os valor dos instrumentos e dá-lhes responsabilidade”. O professor acrescenta que, “mais do que ensinar estas crianças a serem génios da música, o que se pretende é que haja uma maior inclusão social”.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

SINTRA Freguesias em reflexão

Ver edição completa
Fusão e extinção de freguesias é uma das medidas em avaliação Após a apresentação por parte do Governo do Documento Verde da Reforma da Administração Local, os autarcas começam a reflectir sobre os contornos da mudança do mapa autárquico nos diferentes concelhos. Em causa está o processo de fusão ou extinção de freguesias, no sentido de reduzir o seu número (actualmente 4259) a nível nacional, mas que deverá passar, também, pelo reforço das suas atribuições e competências. Apresentado no passado dia 26, o documento apresenta alguns critérios para a organização do território, nomeadamente, definindo, nas freguesias de sede de concelho, um mínimo de 20 mil habitantes e nos restantes casos de cinco mil habitantes. No caso de Sintra, além das freguesias da sede de concelho, esta reforma pode motivar a fusão de Montelavar (3544 habitantes) e Pero Pinheiro (4244), num regresso à realidade existente até 1988, marcado pela rivalidade entre as duas populações. Os contornos da reorganização das freguesias, a partir dos critérios enunciados pelo Governo, devem motivar a constituição de uma comissão em sede de Assembleia Municipal de Sintra. O calendário governamental aponta para um processo de discussão pública nas assembleias de freguesia e assembleias municipais, pelo período de 90 dias, que deverá estar concluído no primeiro trimestre de 2012. No corredor urbano, em especial nas cidades de Agualva-Cacém e de Queluz, já se comenta em surdina a possibilidade de se assistir também a uma reorganização de freguesias. Em Agualva-Cacém, o novo mapa poderia passar pela fusão das freguesias de Agualva e Mira Sintra e de Cacém com São Marcos. Questionado pelo JR sobre este processo, o presidente da Junta de Freguesia do Cacém, José Faustino, adoptou um discurso cauteloso e enunciou que qualquer decisão "deve ter em conta dois pressupostos fundamentais: a melhor forma de servir os cidadãos e a melhor rentabilidade económica que possa servir às infra- estruturas locais para servir esses mesmos cidadãos". "Estamos um pouco saturados em Portugal de medidas que são tomadas para ‘português ver’, temos de tomar medidas que, acima de tudo, respeitem os interesses intransigentes das populações, cumulativamente com os interesses económicos de infra-estruturas locais que têm de estar ao serviço dos cidadãos", reforçou o também presidente da Concelhia do PSD, força política que vai promover, já este mês, um debate interno para reflectir sobre o processo de reorganização do mapa autárquico. O eleito reconhece que a divisão da freguesia de Agualva-Cacém "imprimiu uma nova dinâmica à cidade e um conjunto de mais-valias", mas, neste processo, será adoptado "um desprendimento total às questões das quintinhas", o "importante é servir os cidadãos e como podemos servir melhor os cidadãos". Na cidade de Queluz, também já se fala de uma reorganização que reduza o número de freguesias, de três para duas. Mas, voltar atrás, a uma única estrutura autárquica, é que parece não recolher adeptos. "Não faz qualquer sentido a cidade de Queluz voltar a ser uma única freguesia: essa Junta não teria capacidade para tratar uma área tão grande como a que corresponde às actuais três freguesias", alerta Fátima Campos, presidente da Junta de Monte Abraão, que recorda que, aquando da divisão da freguesia de Queluz, foi alcançada uma grande conquista para as populações de Monte Abraão e Massamá. "Foi cinco estrelas quando se dividiu em três freguesias", reforça a autarca socialista. "Voltar a juntar as três era um retrocesso muito mau para as populações". Qualquer autarca não teria capacidade para dar resposta a uma freguesia dessa dimensão. "As horas que aqui estou na Junta, a maior parte das vezes pela noite dentro, não chegam para Monte Abraão, quanto mais para três freguesias", frisa Fátima Campos. A autarca considera que "nas freguesias urbanas, com mais de 15 mil habitantes, não deveriam mexer" e apenas admite uma eventual fusão de Monte Abraão com Massamá, por exemplo, já que esta freguesia, por se tratar de uma área urbana mais recente, não carece de uma intervenção autárquica tão premente. Fátima Campos conclui que qualquer redução do número de freguesias "terá de basear-se em critérios objectivos, como os geográficos e demográficos, mas também outros critérios que garantam que este processo não vá traduzir-se numa reforma cega, feita na base da ‘régua e esquadro’,com fins exclusivamente económicos".