sexta-feira, 2 de setembro de 2011

OBRAS NO JAMOR Férias agravam tormento de peões e carros

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Trabalhos de requalificação do acesso ao estádio só vão estar prontas em Dezembro Montes de terra e pedras nas bermas, pó por todo o lado e buracos na estrada em número que permite ao automobilista usufruir das emoções de uma pista todo-o-terreno, assim tem estado, em versão agravada no último mês, a estrada entre as piscinas do Jamor e a ponte velha situada à entrada/saída da Cruz Quebrada. A obra já vem de longe e teve vários contratempos, o mais recente dos quais uma canalização não sinalizada, proveniente de um pavilhão que a Faculdade de Motricidade Humana tem naquela zona, e que obrigou a nova orçamentação e renovada aprovação camarária. O último prazo estabelecido para o fim dos trabalhos é Dezembro deste ano. O que significa que, por fim, já não falta muito para acabar o tormento para condutores e peões, numa zona muito concorrida pelos utentes das piscinas e de outras estruturas desportivas do Complexo do Jamor. O presidente da Junta de Freguesia da Cruz Quebrada e Dafundo tem levantado o problema, periodicamente, nas reuniões da Assembleia Municipal de Oeiras. “A obra arrasta-se há demasiado tempo e verifica-se algum desleixo da parte do responsável pelos trabalhos, não se garantindo o mínimo de condições para quem ali passa, sobretudo os peões, sempre mais desprotegidos até porque não têm bermas”, critica Paulo Freitas do Amaral, adiantando que a Junta chegou a colocar alcatrão nos buracos e a encher os blocos de plástico que fazem de separador central e que voavam com o vento. O estado do piso piorou nas últimas semanas, por causa do período de férias, geralmente sinónimo de menos trabalhadores em actividade. Isso mesmo confirmou ao JR a engenheira Cristina Infante, chefe da Divisão de Infra-estruturas Municipais. A boa notícia é que, segundo aquela mesma responsável, o ritmo normal dos trabalhos foi já retomado esta semana. No terreno já se notam as meias-luas de onde nascerá a nova rotunda, pois a actual, precária e provisória, será deslocalizada do lugar que ocupa para alguns metros ao lado em direcção à Cruz Quebrada. A embelezar e dignificar a nova rotunda ficará um escudo, elemento escultórico que terá pertencido à antiga estação de caminho de ferro anteriormente erguida naquele local. A empreitada – adjudicada à empresa Pavilancil, pelo valor de quase 477 mil euros – inclui, ainda, a reperfilagem da Avenida Pierre de Coubertin, com duas faixas em cada sentido, a criação de uma zona de estacionamento defronte da piscina e a implementação de um separador central arborizado,para além do arranjo paisagística de toda a área e da execução de infra-estruturas de drenagem pluvial, eléctricas e de telecomunicações. Esta última componente, alias, “é a mais pesada da empreitada, trabalhos muito importantes, que no final não se vêem, mas que causam muitos incómodos”, reforçou ao JR a vereadora com o pelouro das Obras Municipais, Madalena Castro, ressalvando que tem pedido “cuidado” ao empreiteiro para minimizar os impactos, embora reconheça a complexidade no terreno. Contudo, garante, os transtornos serão compensados pelo resultado final.

ALMADA E SEIXAL Troca de livros nas escolas

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Iniciativa reduz encargos na compra de manuais De mão em mão, os manuais escolares na Escola Secundária Emídio Navarro passam a ser partilhados entre os alunos, através do projecto “O meu livro para ti”. Uma ideia que surgiu na Associação de Pais da escola e arrancou este ano lectivo. “Para além da questão económica, mais ainda neste momento difícil para muitas famílias, este projecto tem uma perspectiva ecológica e de formação para a cidadania”, avalia a presidente da associação. “É um incentivo para os alunos conservarem os manuais escolares para que possam ser reutilizados”, acrescenta Áurea Faria. Com os manuais entre o 7.º e o 12.º ano em vigor, à excepção dos das disciplinas de Português e Matemática que tiveram alterações, esta “é a altura ideal para arrancar com um projecto de partilha”, diz Áurea Faria. A ideia que teve o apoio da direcção da escola e conta com o envolvimento do Centro de Recursos começou a ser divulgada em Maio, teve uma paragem em Agosto, sendo agora retomada. “Até ao início das aulas mais manuais serão bem-vindos”, diz Rute Navas, responsável pelo Centro de Recursos, que vê nesta iniciativa uma forma de contribuir para “apoiar o sucesso das aprendizagens”. A entrega dos manuais aos encarregados de educação e alunos é da responsabilidade da Associação de Pais entre as 18h30 e as 20h00, todos os dias úteis. Por sua vez, a entrega dos livros por parte dos alunos pode ser feita a qualquer momento na portaria da escola. “Nada justifica que, fora das fases de alteração, os manuais escolares sejam usados um ano e depois deitados no lixo”, comenta Áurea Faria. Este projecto arranca numa altura em que, também pela primeira vez, a Rede Municipal de Biblioteca de Almada aderiu ao projecto que nasceu no Seixal, “Dar de Volta”, que conta já com o apoio da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS). Ao todo, no distrito, estão já envolvidos dez dos treze concelhos: Alcácer do Sal, Alcochete, Almada, Barreiro,Moita, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal e Setúbal. Em Almada este projecto abrange os alunos do 5.º ao 12.º ano de escolaridade e mantém a base de ajudar as famílias a nível económico, apesar de não depender de qualquer comprovativo de rendimentos, racionalizar recursos e preocupações ecológicas. A doação dos manuais pode ser feita na Biblioteca Municipal José Saramago, no Feijó. São aceites os que foram editados no ano lectivo 2009 / 2010 e estejam em bom estado de conservação. Quanto à entrega às famílias, começa também hoje, dia 1 de Setembro na mesma biblioteca. Todo este sistema de troca de base gratuita arrancou na Biblioteca Pública Municipal do Seixal em 2006 e já permitiu a muitas famílias pouparem milhares de euros. “A ideia foi tida como boa, e é neste momento apoiada pela AMRS, entretanto há escolas já a seguirem o mesmo sistema de troca de manuais”, comenta Cláudia Brites, chefe de divisão da Biblioteca do Seixal. “Tem sido um sucesso”, acrescenta, tanto mais que só entre 2009 e 2010 “registou- se um aumento de 300 por cento". Com algumas famílias a pouparem cerca de 200 euros com manuais escolares, esta ideia sem troca financeira nem implica prova de rendimentos das famílias, rapidamente começou a ser divulgada entre a comunidade escolar. No ano de arranque do projecto, no Seixal foram recebidos 615 livros, entregues 400 o que resultou numa poupança para os pais de 7200 euros. Logo no ano seguinte foram recebidos 3899 livros, entregues às famílias 1626 o que significou uma poupança de 29 268 euros. “Este ano, ainda a meio do processo que vai durar até ao final de Outubro, já estamos quase ao nível de todo o ano passado”, avança Cláudia Brites. Em 2010, foram entregues na biblioteca do Seixal 19 502 manuais e entregues 12 760 o que somou um total de poupança de 255 200 euros. Agora, os dados apurados até 27 de Agosto, já contabilizam 15 500 manuais recebidos, 11 300 entregues e as famílias já pouparam 226 000 euros. “Para além das vantagens financeiras e ecológicas, este projecto de partilha estimula a cidadania entre a comunidade escolar. Cada aluno sabe que ao estimar o seu livro, vai permitir que o mesmo seja usado por um colega no ano seguinte”, infere Cláudia Brites.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Carlos Carreiras cumpre promessa

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Presidente da Câmara de Cascais foi dar sangue no âmbito da campanha Dador-Salvador O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, doou sangue, no passado dia 26 de Agosto, cumprindo o que tinha prometido no início do mês, aquando do início da campanha Dador-Salvador, uma colheita de sangue que termina esta quarta-feira, dia 31 de Agosto, na Praia de Carcavelos. Com o pequeno-almoço tomado, o edil de Cascais apareceu no autocarro estacionado na Praia de Carcavelos com alguns funcionários da Câmara, que tinha desafiado no dia anterior para também doarem sangue. Chegado à unidade móvel do Instituto Português de Sangue (IPS), houve tempo ainda para fazer um breve diagnóstico médico para apreciar a possibilidade de fazer a doação. Depois de aprovado, houve tempo para beber um sumo de laranja com vista a favorecer a hidratação durante o processo de recolha de sangue. Bem-disposto, Carlos Carreiras estendeu o braço esquerdo e deu-se início à recolha de sangue. Durante a doação, Carlos Carreiras revelou ao JR que se sentia bem e que “esta não é a primeira vez” que doava sangue: “Que eu me lembre foi na tropa a primeira vez”. Feita a actualização como doador, Carlos Carreiras adiantou que “não custou nada” e que pondera “dar mais vezes”. “Tinha-me comprometido vir, quando esta campanha teve início, e estou a cumprir. Também fiz um desafio a todos os colaboradores para cá virem”, frisou o edil, satisfeito por “os munícipes terem aderido de uma forma bastante positiva. Face à generosidade dos munícipes de Cascais, não fazia sentido que o presidente da Câmara também não viesse fazer a sua doação”. No final, houve ainda tempo para mais um sumo e uns bolinhos para manter a forma. Dos funcionários da Câmara que se apresentaram para doar sangue houve quem já seja presença assídua nas colheitas de sangue, mas também quem doou pela primeira vez, como aconteceu com Dulcineia Rodrigues: “É a primeira vez que dou sangue. Faço-o por solidariedade, porque é necessário e amanhã posso eu precisar”.

Moradores queixam-se de maus cheiros

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Valorsul garante que odores provocados pela ETVO de A-da-Beja são pontuais Os moradores das freguesias da Mina e de São Brás continuam a sentir os odores provenientes da Estação de Tratamento e Valorização Orgânica (ETVO) da Valorsul, que efectua o tratamento dos resíduos de vários concelhos da Grande Lisboa. No entanto, a empresa garante “não existir perigo para a saúde da população”. Ricardo Girão, morador na urbanização do Alto da Mira, foi pai há pouco tempo e teme pela saúde do seu filho sempre que sente os odores provenientes da ETVO. “Gostaria que o meu filho pudesse respirar ar puro quando abro uma janela ou quando venho com ele a rua”, afirma. Este morador acrescenta ainda que três anos depois da inauguração da Estação, situada em São Brás, “o mau cheiro persiste”. No entanto, de acordo com uma explicação da Valorsul, “o eventual mau cheiro sentido, proveniente da Estação de Tratamento e Valorização Orgânica, não tem consequências para a saúde da população”. Numa nota enviada à redacção do JR, a Valorsul explica que “estes odores, assim caracterizados, têm um carácter pontual”. Ainda segundo a empresa, “foram realizados vários estudos relacionados com a actividade da instalação, nomeadamente com a avaliação da distribuição dos odores e com a percepção que a população tem dos mesmos, que nos tranquilizam quanto aos seus resultados. De facto, e em determinadas condições (estação do ano, direcção do vento, períodos de manutenção, entre outros), existe uma maior probabilidade destes odores serem sentidos, situação à qual a Valorsul intervém com as medidas possíveis de redução da incomodidade”. A empresa intermunicipal adianta ainda que adoptou “medidas e procedimentos operacionais para reduzir a incomodidade”. Para tal, dispõe de “um equipamento móvel desodorizador, que é colocado na zona da instalação onde foi detectada a emissão pontual de odor”. Uma outra medida para minimizar os impactos sentidos junto da população foi a conclusão da obra de florestação da envolvente da ETVO. Será criada “uma cortina arbórea à unidade, e contribuirá para a minimização da dispersão do eventual odor na área envolvente. Foi também criado especificamente o Programa Sentido Apurado, o qual consiste numa rede de voluntários, que residem ou trabalham em várias zonas em redor desta unidade operacional, que nos informam sobre a presença destes odores, permitindo uma mais rápida e eficaz actuação”, refere ainda a nota.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Algueirão-Mem Martins quer Loja do Cidadão

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Governo avalia abertura de unidades na periferia Algueirão-Mem Martins reivindica a instalação de uma Loja do Cidadão no seu território. Na sequência do anúncio do Governo, que pretende descentralizar equipamentos para a periferia de Lisboa, a Junta de Algueirão-Mem Martins já fez saber que exige a abertura de uma Loja do Cidadão na "maior freguesia do país" que peca pela oferta de serviços públicos. A freguesia de Algueirão-Mem Martins tem "muita procura de serviços públicos e muito pouca oferta desses mesmos serviços", lamenta Manuel do Cabo, presidente da Junta, para quem "há necessidade de dotar a maior freguesia do país com uma estrutura que corresponda aos interesses dos seus munícipes, criando um espaço onde possam funcionar, em simultâneo, diversos serviços públicos". Partindo do pressuposto de que "os serviços devem estar ao serviço da população e nunca distantes de quem deles necessita", o autarca deAlgueirão-Mem Martins cita o caso da Segurança Social que obriga os utentes da freguesia a deslocarem-se à sede do concelho. "Quem se dirige, por norma, à Segurança Social, é porque está a atravessar uma situação social e económica difícil. Muitas vezes são pessoas carenciadas, desempregadas ou doentes, sem recursos financeiros. Estes utentes adquirem o bilhete de comboio, ou utilizam outro meio de transporte nas suas deslocações, muitas vezes só para marcar uma reunião com a assistente social", alerta Manuel do Cabo. "Esta diligência pode e deve ser feita num organismo oficial a instalar na freguesia", adverte o autarca, que cita ainda o caso da obtenção do Cartão do Cidadão ou de qualquer assunto relacionado com a EDP. Perante esta realidade, o presidente da Junta de Algueirão-Mem Martins apela ao Governo para que, na hora de decidir sobre a localização de novas Lojas do Cidadão, contemple esta freguesia com uma destas estruturas. Recorde-se que o Governo anunciou, através do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que está a estudar a reestruturação da rede de Lojas do Cidadão. Segundo o governante, mais importante do que concentrar serviços na capital é notar onde "reside um número muito significativo de portugueses", citando as áreas da Amadora, Sintra, Almada, Pontinha e Cacém. Na sequência deste anúncio governamental, também os vereadores do PS na Câmara de Sintra, em comunicado, recomendam ao edil Fernando Seara que diligencie, junto do Governo, "a rápida instalação de, pelo menos, duas Lojas do Cidadão na área do município". Para os eleitos do PS, "importa que a Câmara de Sintra não perca mais tempo e passe à acção", no sentido de "indicar ou facultar" instalações, em zonas de maior densidade populacional, mas também de fácil estacionamento e acessibilidade através de transportes públicos. "A instalação em Sintra de Lojas do Cidadão facilitaria grandemente a vida dos sintrenses, representaria um passo significativo para a reorganização da rede de Lojas do Cidadão, no sentido de melhor servir os concelhos mais populosos, e implicaria um novo modelo de relacionamento dos sintrenses com a Administração Pública", concluem os autarcas socialistas no executivo municipal sintrense.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

ALGÉS Zona ribeirinha renasce com Centro Náutico

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Investimento de 2,7 milhões de euros, apto a dar resposta às necessidades de embarcações de recreio Dentro de ano e meio, previsivelmente, já deverá estar a funcionar o Centro Náutico de Algés. O concurso para a construção e concessão do projecto, lançado pela Administração do Porto de Lisboa (APL), foi ganho pelo consórcio constituído entre a MSF e a Sopromar – Estaleiro Naval de Lagos. O contrato de concessão foi assinado no início deste mês e prevê a exploração da futura infra-estrutura pelos privados durante 27 anos, ficando estes obrigados a pagar uma renda à APL. De acordo com Martinho Fortunato, administrador da Marina de Lagos e do grupo MSF, as obras devem começar dentro de dois a três meses, com o objectivo de que o CNA “comece a funcionar em pleno o mais breve possível”. O investimento orça em 2,7 milhões de euros, numas aposta que deverá trazer consigo a oportunidade de emprego para 35 a 40 pessoas. O consórcio criou, entretanto, a Cnalgés – Centro Náutico, S.A., que ficará responsável pela construção e exploração de um empreendimento que se pretende capaz de dar resposta a todas as necessidades das embarcações de recreio no estuário do Tejo e todas as que passam anualmente ao largo da nossa costa. Os serviços a criar incluem o estacionamento de embarcações a seco, carpintaria, serralharia, fibra, electrónica, ‘rigging’ (actividade de elevação ou suspensão de materiais e objectos), bem como uma loja náutica, havendo também a intenção de cativar equipas de competição de vela para a realização de estágios. Segundo destacou aos jornalistas Martinho Fortunato, o projecto do CNA será muito importante em termos de desenvolvimento económico. “É uma infra-estrutura que não existia em Lisboa, que é uma das principais regiões náuticas, e terá um impacto significativo na economia local e no próprio turismo da capital”, salientou o empresário. A propósito do mesmo assunto, em declarações ao “Jornal de Negócios”, aquele responsável adiantou mais algumas considerações sobre este sector. “Há muito a fazer neste sector. O mercado de reparação naval em Portugal e, mais especificamente, na região de Lisboa, precisava de uma nova aposta. Há um número de embarcações bastante elevado, e que ninguém consegue estimar, que passam ao largo da nossa costa e não param por duas razões: ou porque não têm uma assistência técnica que lhes dê garantias de obter um trabalho de excelência, ou porque não há marinas com qualidade suficiente”. O Centro Náutico de Algés ficará situado no enfiamento da Torre VTS(coordenação e controlo marítimo) com a praia de Algés. Na vizinhança terá a companhia ilustre da futura Marina de Pedrouços, que está a ser construída a partir das antigas instalações da Docapesca, visando albergar “grandes eventos náuticos”, a começar por uma etapa europeia da prestigiada VolvoOcean Race, marcada para o Verão do próximo ano.

Governo baralha projectos na Margem Sul

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Suspensão da Concessão do Baixo Tejo e fim da sociedade Arco Ribeirinho Sul deixam autarcas em polvorosa Em menos de uma semana o Governo deixou os autarcas da Margem Sul sem saber se as obras previstas no quadro de desenvolvimento estratégico da península e nacional avançam, ou não. Depois de anunciar a extinção da Parque Expo, a 19 de Agosto a ministra do Ambiente, Mar e Ordenamento do Território ditava o fim da sociedade Arco Ribeirinho Sul e o fim dos projectos para a antiga Lisnave (Almada), Siderurgia Nacional (Seixal) e Quimiparque (Barreiro). “Neste momento não há condições para avançar”, afirmava Assunção Cristas alegando questões financeiras. Contudo, admitia que estes podiam ser reavaliados, mas “demorará décadas” dado o “contexto de grande constrangimento do País”. Dias depois, a 22 de Agosto, o Ministério da Economia decidia cancelar o investimento na subconcessão de seis dos dez troços da Baixo Tejo. Ou seja, a ER377-2 entre a Costa de Caparica e a Fonte da Telha ficava no papel e o lanço da auto- estrada IC32 que vai do Montijo à Trafaria, já com troços construídos, parava. Ao mesmo tempo acabava com a manutenção de vias já em serviço, o que deixa o IC20 (via rápida da Costa da Caparica) no vazio relativamente à reparação de pavimento. Para além dos autarcas, que mais uma vez afirmaram não ter sido ouvidos nestas decisões com forte impacto regional. Também a empresa Lena Construções, que integra o consórcio que está a executar obras da Baixo Tejo, afirmava não ter sido notificada sobre a suspensão. Fonte da empresa, apesar de reconhecer as dificuldades financeiras do país, avisava o Governo para a necessidade da “revisão de projectos” dada a importância destes para as empresas e desenvolvimento nacional. Entretanto o presidente da Câmara do Seixal e da Associação de Municípios da Região de Setúbal,Alfredo Monteiro, lembrava que “o Estado vai ter de indemnizar as empresas contratadas”, situação que “vai implicar custos muito fortes”. E à Lusa dizia que esta decisão implica ainda que “todo o dinheiro já investido terá rentabilidade zero”, por isso exige uma clarificação da situação. O mesmo diz o vice-presidente da Câmara de Almada, José Gonçalves, ao mesmo tempo que não entende como pode o Governo “tomar decisões de importância regional e nacional sem ouvir quem está no terreno com os processos”. E acrescenta: "Os autarcas têm de ser ouvidos nestas decisões”. E, de facto, os autarcas decidiram pedir à ministra Assunção Cristas uma reunião para saberem das razões sobre a suspensão de projectos. “Talvez o Governo não esteja na posse de todos os elementos, porque estas decisões não fazem sentido”. Até ao fecho da edição, o Governo mantinha a decisão sobre o fim da concessão da Baixo Tejo, alegando poupar 270 milhões de euros. Uma poupança que não colhe justificações para o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica. António Neves, eleito pelo PSD, garante que vai pedir esclarecimentos ao ministro da Economia e mostrar o seu desagrado ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Há muito que o autarca exige a construção da 377-2 e vinca a importância desta via para o desenvolvimento da cidade da Costa da Caparica. “Não podemos continuar a viver como vivíamos há 50 anos”, afirma. Entretanto os deputados do PSD e CDS eleitos pelo distrito de Setúbal reuniram com Assunção Cristas e ouviram a ministra garantir que os projectos do Arco Ribeirinho serão reavaliados e ficaram “satisfeitos”. Bruno Vitorino, afirmava mesmo que o Governo “está preocupado com a necessidade que existe em que aquele espaço seja requalificado”. O que está em causa será assim a requalificação da Arco Ribeirinho Sul e não os projectos. Já o presidente da Federação do PS de Setúbal, Vítor Ramalho, exige que o Governo se explique melhor sobre o destino dos projectos e obras já anunciados para o país, ou em fase de construção. “Não se entende o que vai ser suspenso ou o que deixa de ser suspenso”. A 23 de Agosto o presidente da Câmara do Barreiro (CDU), Carlos Humberto, reuniu com a ministra e não parece ter ficado esclarecido. Assunção Cristas terá garantido que os projectos não estão em causa mas, à saída do encontro, Carlos Humberto afirmava que as suas preocupações relativamente à Arco Ribeirinho Sul se mantinham. Para o Governo, não está, agora, em causa a requalificação dos 900 hectares de terrenos industriais nos três concelhos, mas sim a sociedade, que será substituída por um organismo onde estará o Governo, a Baía do Tejo, a CCDR-LVT, Direcção- Geral de Ordenamento do Território e câmaras. Mas os autarcas não estão descansados e continuam a aguardar que a ministra agende uma reunião com os três presidentes.