quinta-feira, 28 de julho de 2011

‘Com ou sem troika haverá festa rija’

Ver edição completa
Bairros da Pedreira Italiana e de Leceia requalificados Quem os viu e quem os vê... Os antigos bairros clandestinos de Oeiras vão ganhando outra dignidade – e até outro valor, patrimonialmente falando. “Já se vêem aqui casas muito bonitas!”, notou o presidente da Câmara, na passada sexta-feira, em plena Pedreira Italiana (Caxias), durante a inauguração de obras relativas à 1.ª Fase de Reconversão da zona C daquela Área Urbana de Génese Ilegal (AUGI). A juntar ao esforço dos moradores em melhorarem as suas casas, a autarquia vai fazendo a sua parte em relação aos espaços exteriores, no seu reordenamento, requalificação e infra-estruturação, incluindo a construção de equipamentos sociais, culturais e desportivos. A 1.ª fase de obras, agora concluída com a realização de novos arruamentos, decisivos para a mobilidade de peões e carros, teve o valor de 360 mil euros. A seguir, continuarão os trabalhos de construção de um caminho pedonal, dos actuais 80 metros para mais 150, até chegar ao largo que era o ponto de encontro principal no bairro, o qual, por seu turno, também será requalificado. Noutra zona, a do antigo parque infantil (entretanto, desactivado, mas que voltará a funcionar), passará um outro percurso que, vindo do centro cultural, irá ligar-se ao trajecto acima descrito. Mas a intervenção da Câmara na Pedreira Italiana – que também tem um recinto polidesportivo e uma unidade residencial – “não ficará por aqui”. E a última fase será mesmo a cereja no bolo: um parque urbano de cerca de 4 hectares, ao longo da Ribeira de Barcarena. “O que vai acontecer, daqui a três ou quatro anos, é que serão os moradores daqueles prédios além, possivelmente, a virem passear para o parque urbano que vai ser aqui criado”, disse Isaltino Morais, apontando para os edifícios do outro lado da ribeira. “Quem diria, há vinte e tal anos, que um dia ia ser assim?!”, questionou o edil, perante os populares presentes aquando da inauguração de arruamentos, animada pelo rancho folclórico local. Para a inauguração do futuro parque urbano fica prometida "festa rija, com ou sem ‘troika’". Por agora, fica o bairro mais acessível a peões e carros, e mais agradável à vista após a demolição de várias casas degradadas no caminho das novas vias. A Pedreira Italiana tem 168 lotes com construção, 93 dos quais ainda não tem processo de legalização iniciado. No mesmo dia em que a Pedreira Italiana e os membros da Câmara assinalaram as obras ali concluídas, também a zona de Leceia (Barcarena) registou a inauguração de novos empreendimentos, concretamente o segundo troço da Rua Luís de Camões, o qual marcou a conclusão da 1.ª fase do Plano de Ordenamento e Reconversão de Leceia.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Dador-Salvador em Carcavelos

Ver edição completa
Unidade móvel vai receber dádivas de todo o distrito de Lisboa, durante a época estival Sensibilizar os jovens para dar sangue e garantir um volume elevado de colheitas durante o Verão, é o objectivo da Campanha Dador-Salvador, que vai estar disponível durante o mês de Agosto, na praia de Carcavelos, para todos os dadores do distrito de Lisboa. “Esta campanha visa atenuar o défice de colheitas no período estival (especialmente durante o mês de Agosto). No período de férias, como é sabido, não só desacelera o número de dádivas de sangue, como sobem as necessidades, devido aos muitos acidentes de viação”, informou o Instituto Português de Sangue (IPS), que associou a esta campanha o surfista Tiago Pires e a consagrada judoca Telma Monteiro. Na praia de Carcavelos vai estar uma unidade móvel do IPS para efectuar as colheitas de sangue e fornecer a mais variada informação sobre a dádiva. Em conferência de imprensa, realizada no passado dia 22 de Julho, na praia de Carcavelos, Álvaro Beleza, presidente do IPS, justificou a importância da campanha: “Os dadores vão de férias e é preciso cativar mais jovens, principalmente desportistas e com hábitos de vida saudáveis”. Álvaro Beleza salientou a forte participação que Cascais tem tido neste tipo de colheitas, bem como a abertura da autarquia em receber estas campanhas: “É uma Câmara exemplar. Tem realizado campanhas de recolha. Já registámos 1500 colheitas por ano”. “Pretendemos também que a autarquia incentive os seus funcionários para esta prática”, salientou ainda este responsável. Paulo Sousa Costa, embaixador da Campanha Dador-Salvador, frisou também a disponibilidade da autarquia: “É uma Câmara que está sempre predisposta a dar”. Na conferência de imprensa, o presidente da Câmara sublinhou que “em Cascais, os nossos munícipes têm demonstrado que querem ser cidadãos activos. Temos muita força positiva no concelho. Esta disponibilidade já tem uma década e ultrapassa as 11 mil unidades colhidas, o que demonstra que os cidadãos de Cascais têm essa generosidade. Temos total interesse que se desenvolvam mais acções no concelho”. Carlos Carreiras prometeu fazer uma doação de sangue na primeira quinzena de Agosto e também apelou aos “colegas presidentes de câmara” para fazerem o mesmo e incentivarem os seus munícipes. “Têm a possibilidade de contribuir em acções desta natureza que não envolvem encargos financeiros e têm o potencial cívico da população”, disse. Carlos Carreiras concluiu dizendo que, com uma dádiva de sangue, "alguém vai aproveitar o que a nós não nos custa nada”. Por fim, Álvaro Beleza referiu que espera “algumas dezenas de dadores por dia. O autocarro não serve apenas para recolher sangue, mas também para informar”. “A unidade móvel de Carcavelos tem capacidade para recolher, diariamente, sangue de mais de 100 pessoas”, esclareceu.

AMADORA Novo espaço para integrar toxicodependentes

Ver edição completa
Maior capacidade de resposta, numa altura propícia para aumento do consumo de drogas Para aumentar a capacidade de resposta ao número de beneficiários do programa móvel de apoio a toxicodependentes, a Câmara Municipal da Amadora (CMA) e o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) assinaram um protocolo, na semana passada, para o funcionamento de um Centro de Recursos para a Inserção destes utentes, que vai passar a funcionar num espaço fixo. O novo espaço, cedido pela autarquia situado junto ao bairro degradado de Santa Filomena, na freguesia da Mina, já permitiu o aumento de 150 para 250 utentes que, diariamente, solicitam este tipo de apoio. Este acordo resulta da necessidade de “aumentar a resposta” do Programa de Substituição de Baixo Limiar já implementado desde 2009, que funcionava numa carrinha móvel junto ao mercado da Mina. “Era local com muita procura, mas também uma zona central frequentada por muitos idosos e famílias que nem sempre compreendiam o nosso trabalho”, referiu Carlos Gil, coordenador do projecto, para justificar a mudança de local. Ainda de acordo com o responsável “este novo espaço tem uma localização excelente, devido à proximidade da estação de comboios, mas também porque se situa nas imediações do bairro de Santa Filomena”. Desde que a unidade móvel entrou em funcionamento, já passaram pelo Programa de Substituição de Baixo Limiar 353 utentes. Todos realizaram o rastreio de tuberculose. Neste momento, existem 250 pessoas acompanhadas. “Este é um tipo de população mais velha, muitos com consumos muito prolongados e patologias associadas. Cerca de 70 por cento não tinha nunca tido ajuda antes e 34 por cento era sem-abrigo”, acrescentou ainda Carlos Gil. Mas o aumento do apoio prestado por este projecto, que resulta de uma parceria entre a Câmara e o IDT, “não decorre de um aumento dos consumos, conforme nos revelam os números, o que significa que estamos a chegar cada vez mais a esta população”, referiu João Goulão, o presidente do IDT, que se mostrou, no entanto, preocupado com os próximos tempos: “Não tenho dúvidas que temos condições sociais para o aumento dos consumos do álcool e substâncias ilícitas nos próximos tempos devido à conjuntura económica”. O novo Centro permite “aumentar a capacidade de resposta” comum crescimento ao nível dos serviços prestados. No mercado, “havia apenas uma consulta de psiquiatria, mas neste novo espaço temos condições para dar uma resposta integrada, com consultas médicas e de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais e técnicos psicossociais”, referiu Ana Moreno, do Departamento de Intervenção Social da CMA. Para além deste aumento de serviços, o espaço dispõe também de balneários. “No futuro queremos crescer dando, por exemplo, refeições”, acrescentou Ana Moreno.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Campeões mundiais de robótica

Ver edição completa
A Escola EB1 n.º 3 do Cacém (Escola Básica Ribeiro de Carvalho) sagrou-se campeã mundial de robótica, na categoria de Dança Júnior 8-14 anos, no ROBOCUP (Festival Mundial de Robótica) que decorreu em Istambul, na Turquia, entre 5 e 11 de Julho. Depois do apuramento no Festival Nacional de Robótica, que decorreu no Instituto Superior Técnico, em Abril, a escola do Cacém foi representar Portugal em Istambul e o resultado não podia ser melhor. A dança apresentada pelos alunos sintrenses, num projecto que envolve duas turmas do 4.º ano, conta com quatro robôs (um cão, um coelho, um pato e um canteiro de flores). Em palco estão quatro alunos, Beatriz Rosalino, David Fernandes, Inácio Sassinda e Olavo Freitas, que representam uma caçada mal sucedida, "em que o caçador não consegue caçar os animais e o seu próprio cão se vira contra ele. O caçador acaba rendido aos animais em plena harmonia na natureza", explica José Carlos Lavado, professor coordenador/responsável pelo Projecto de Robótica Educativa na Escola Básica Ribeiro de Carvalho. "A nossa equipa ‘Biodiversidade em Perigo’ é ecológica e tentamos mostrar, através da representação em palco, a nossa preocupação com o meio ambiente", salienta o docente, que dá conta que robôs e cenários são construídos a partir de reaproveitamento de materiais como cartões, garrafas e garrafões de plástico, casacos velhos, restos de esponjas e capas de protecção de bancos de automóveis. A construção dos robôs e cenários, para além dos alunos, mobilizou professores, pessoal não docente e encarregados de educação, que viram o seu trabalho distinguido com o primeiro lugar no ROBOCUP 2011, na categoria de Dança Júnior 8-14 anos. Sem esconder a felicidade e o orgulho por esta distinção, a equipa da Escola EB1 n.º 3 do Cacém foi mais longe e, numa prova por equipas, em parceria com uma equipa australiana e uma chinesa, voltaram a conquistar a vitória. Um desafio difícil, já que neste caso "os alunos têm de construir, em menos de 24 horas, uma nova prova, onde é obrigatório usar novas músicas, nova representação, nova apresentação em powerpoint e alterações na programação dos robôs", explica José Carlos Lavado. Também aqui, os jovens sintrenses representaram, ao mais alto nível, o nosso país.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

‘Plano Habitar Oeiras é para cumprir’

Ver edição completa
Paulo Vistas admite que crise possa adiar concretização dos mais de 700 fogos previstos O Plano Estratégico Habitar Oeiras, apresentado em 2006 e que propunha metas a atingir até 2015, “é para cumprir, mas poderá ter que prolongar no tempo algumas das suas concretizações”, admite Paulo Vistas, vice-presidente e vereador com este pelouro na Câmara de Oeiras, em entrevista ao JR. Dos vários projectos previstos naquele documento orientador, o de maior impacto na vida dos cerca de 3000 munícipes que têm pedidos de casa activos pendentes na Câmara – 800 dos quais classificados como urgentes – diz respeito à construção de novos fogos municipais, os chamados bairros de 2.ª geração. São 12 os empreendimentos deste género na forja, num total de mais de 700 fogos, com valor estimado de 58 milhões de euros. Faltam-lhes, no entanto, garantias de financiamento para poderem sair do papel.Algo a que, naturalmente, não será alheia a crise dos últimos anos, com a banca a declarar-se sem liquidez e os municípios limitados por lei na capacidade de endividamento. Ainda assim, PauloVistas não desarma e mostra-se convicto de que, com “criatividade e persistência”, será possível ultrapassar os constrangimentos financeiros. Mais do que isso, considera que aCâmara de Oeiras terá mesmo de o fazer, voltando a assumir a Habitação, como o fez na época da eliminação das barracas, como alavanca de desenvolvimento. “Naminha opinião, esta 2.ª geração de política de Habitação tem de ser uma prioridade na análise do orçamento municipal e respectiva afectação de verbas”, defende o vereador, frisando que os investimentos em novos bairros municipais são necessários, também, na sua estrita dimensão social. “É fundamental que a Câmara avance com estes programas porque ainda existe muita carência habitacional em Oeiras”, admite Paulo Vistas. Confirmam-no as pessoas que em todas as reuniões públicas camarárias pedem a ajuda da autarquia para um novo tecto, seja porque o núcleo familiar original abrangido pelo Plano Especial de Realojamento dos anos 80 e 90 cresceu de membros, havendo já bisnetos a gatinhar pela casa, seja por dificuldades de saúde e mobilidade, ou por zangas entre os ocupantes... Problemas que, independentemente de poderem ser mais ou menos empolados e fiscalizados, exigem respostas sob pena de se agravarem. A construção de novos fogos municipais – a custos controlados, ou seja, inferiores aos domercado – é uma das soluções. Todavia, a meio do período de aplicação estabelecido para o Plano Habitar Oeiras, a verdade é que ainda não há qualquer obra no terreno. Os processos mais avançados são os de Leceia (88 fogos, cerca de seis milhões de euros) e Tercena (72 fogos, cinco milhões de euros), ambos ainda a aguardarem resposta por parte do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana. Na calha estão, ainda, o conjunto habitacional de São Marçal (Carnaxide), para habitação jovem, num total de 40 fogos (3,3 milhões de ¤), todos para venda, com projecto de execução concluído; o Alto da Montanha (Carnaxide), 64 fogos para arrendamento e visando absorver os casos de desdobramento familiar e de carências habitacionais mais urgentes, em estudo prévio; a Quinta das Acácias (Carnaxide), 27 fogos (pouco mais de 2 M¤), em projecto de execução; a Terra do Moinho (Porto Salvo), 17 fogos (1,1 M¤), em projecto de execução; Parque da Junça (Linda-a-Velha), 16 fogos (2,1 M¤), estudo prévio; Quinta dos Aciprestes (Linda-a-Velha), 12 fogos (1,7 M¤), estudo prévio. Um caso à parte é o projecto do Casal doDeserto, apontado como exemplo da nova política de Habitação (ver caixa). Umavez concretizados estes e outros projectos de perfil diferente – comoas duas unidades residenciais para idosos em parceria público-privada previstas para Laveiras, (Caxias, 40 fogos, 5,6 M¤) e para Porto Salvo (20 fogos, 1,4M¤) – haverá, decerto,melhor qualidade de vida em Oeiras. MasPaulo Vistas ressalva que esse objectivo está já a ser atingido porque “não está dependente apenas dos bairros municipais de 2.ª geração”. “O inovador conceito 'Oeiras é a minha casa', que está nos alicerces do Habitar Oeiras, tem uma enorme abrangência, incluindo a atenção dada aos espaços públicos, à construção de equipamentos culturais, sociais e desportivos, sendo que, nestesmúltiplos aspectos, muito já foi feito, está e continuará a fazer-se no concelho”, destaca o vice-presidente da Câmara de Oeiras, satisfeito pelo papel que tem desempenhado na autarquia. “É preciso determinação e saber distinguir a verdade do menos verdadeiro, mas pouca gente tem a felicidade que eu já tive de entregar uma chave a uma família, percebendo que é o começar de uma nova vida para aquelas pessoas e que eu ajudei, o melhor que pude, a que isso acontecesse”, afiança Paulo Vistas.

ALMADA Novo imposto faz tremer comércio

Ver edição completa
Para atenuar quebras do negócio, comerciantes pedem que Câmara devolva o trânsito à cidade O imposto extraordinário anunciado pelo ministro das Finanças vai cortar 50 por cento ao subsídio de Natal dos portugueses e, pelas contas do Governo, vai resultar num encaixe de mil milhões de euros para o Estado. Mas um dos reversos da medalha desta medida de esforço para o país cumprir o défice orçamental de 5,9 por cento, é o comércio perder cerca de 600 milhões de euros no último trimestre deste ano. As contas são feitas pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, que prevê que o maior impacto negativo será no comércio tradicional. “Este imposto vai provocar uma grande desaceleração no consumo”, afirma o presidente da Delegação de Almada da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal (ACSDS). Diz Gonçalo Paulino que os últimos natais não têm sido bons para o comércio e a quebra da procura este ano “será ainda maior”. Para menorizar estes efeitos “é provável que surjam promoções antes da época de Natal”. Com o subsídio de Natal a servir para muitas famílias equilibrarem as suas contas, também os comerciantes contam com esta época para aumentarem a facturação e fazerem frente aos meses mais mortos. Os números têm apontado para uma quebra, a nível nacional, de 40 por cento no negócio e com os clientes agora com menos subsídio de Natal na carteira, praticamente todos os segmentos do comércio serão penalizados. Para tentar evitar a rotura total, os comerciantes vão ter de investir menos na aquisição de ‘stocks’. “É um risco muito grande fazer grandes investimentos quando não se sabe quanto será a diminuição da procura”, refere Gonçalo Paulino. Um corte que poderá reflectir-se na própria animação de Natal nas ruas centrais de Almada. “Vai ser muito complicado”, avança. É que nos últimos dois anos o comércio local pôde contar com o apoio financeiro do MODCOM para promover acções de rua e chamar clientes às lojas, mas este fundo promovido pelo Governo para a revitalização do comércio acabou. “Esperamos que a autarquia possa investir num programa para animar a época de Natal, porque os comerciantes não têm verba disponível”, afirma o presidente da delegação de Almada da ACSDS. Entretanto os comerciantes querem que a Câmara tome medidas para resolver a actual circulação de peões e veículos no eixo central da cidade de Almada e, ao mesmo tempo, crie condições para atrair as grandes marcas a investirem nesta zona. “As lojas- âncora atraem clientes e ajudam a dinamizar o comércio local”, alega Gonçalo Paulino. Por isso, recomendam que a autarquia “isente de taxas as lojas das grandes marcas por um período de 10 anos”. Esta é uma das medidas referidas num documento da delegação de Almada da ACSDS, já apresentado aos vereadores, e que, diz Gonçalo Paulino, “é também do conhecimento da presidente da Câmara”. Trata-se de uma proposta de alteração de acessibilidades e estacionamento em Almada centro. Neste documento a delegação considera que para as pessoas voltarem a frequentar a cidade é preciso que “o eixo central volte a ser aberto ao trânsito” e que a zona pedonal passe a ser “prioritária de peões”. Para isso é preciso “limitar a velocidade do trânsito a 30 quilómetros” e “consolidar o piso existente”, definindo melhor o espaço para veículos e para pessoas. Os comerciantes pretendem ainda que sejam criados “espaços de estacionamento de curta duração” ao longo do eixo central da cidade e que seja redefinida a circulação na Praça do MFA. É ainda sugerido que os táxis voltem a ter praça na Rua Fernão Lopes e que seja reaberto o acesso ao parque de estacionamento da Praça Gabriel Pedro através da praça do MFA. Outra das medidas referidas no documento é o reforço da campanha de informação a promover as novas acessibilidades.

LINHA DE CASCAIS Menos 17 comboios em circulação

Ver edição completa
‘Necessidade de acções de reparação e manutenção’ justifica supressão de comboios A Linha de Cascais conta, desde a passada segunda-feira, com a circulação de menos 17 comboios até ao final de Agosto por “indisponibilidade de material”, uma medida anunciada pela CP e que deixou os utentes daquela linha “muito indignados”. Em declarações à Agência Lusa, o representante da Comissão de Utentes da Linha de Cascais, Filipe Ferreira, disse que a medida é “mais uma má política por parte da CP e do Governo e prova do constante desinvestimento que está a ser feito na Linha de Cascais”. “Repudiamos, de modo veemente, as más políticas que estão a ser implementadas pela CP a mando do Governo que só se preocupa em cortar e cortar sem olhar a meios”, sustentou o representante, sublinhando que a decisão em nada vai resolver os problemas e que “os prejudicados são sempre os mesmos, os utentes”. As composições preteridas foram as que cumpriam o trajecto do Cais do Sodré a São Pedro do Estoril e vice- versa. Insatisfeitos com a decisão, os moradores de São Pedro criaram já uma petição pública a exigir a reposição daquele trajecto, um documento que conta já com mais de 100 assinaturas. De acordo com os moradores, a anulação do percurso supõe “uma demora superior a meia hora de viagem para os utentes que transitam entre São Pedro e Santos, além de obrigar ao transbordo extraordinário em Oeiras e paragens em todas as estações”. “Valendo-se a CP da não existência de outra alternativa a nível de transportes públicos para efectuar este trajecto, dispõe desta forma da vida dos passageiros de forma abusiva, pelo que seria de considerar a hipótese da criação de outro meio de transporte paralelo”, concluem. Segundo António Sousa, um dos subscritores da petição, para quem mora na zona dos Jardins da Parede, como ele, este trajecto é “indispensável”. Também Ana Calheiros considera a decisão “ridícula”, principalmente numa altura em que “é obrigatório cortar nas despesas e os transportes públicos surgem como única alternativa ao carro”. Um comunicado da CP dá conta da necessidade de supressão de comboios na Linha de Cascais por “indisponibilidade de material circulante que tem necessidade de ser objecto de acções de reparação e manutenção”. Contudo, justifica, “face à actual conjuntura, a CP não pode equacionar a aquisição de novo material circulante para reequipar a sua frota de comboios”. Assim, a empresa decidiu imobilizar 17 circulações, entre segunda-feira e 31 de Agosto, no sentido de “garantir a estabilidade de oferta e evitar supressões pontuais” até que a situação esteja resolvida. Também o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF) já contestou a decisão, tendo pedido esclarecimentos à Comissão Executiva da CP-Lisboa e à Administração da CP, mas sem resposta. “Menos comboios em circulação será também uma menor necessidade de trabalhadores, mas até ao momento não se obteve nenhuma resposta”, refere o sindicato em comunicado. Para o SNTSF, esta medida resulta de acções do anterior e actual Governo relativamente às reduções de custos nas despesas públicas. “Devido à suspensão cega dos investimentos, não se vislumbra alternativa e/ou solução a curto prazo. A resolução deste problema agrava-se pelo facto de Portugal ter perdido a sua capacidade na área da produção de material ferroviário", acrescenta. De igual forma, o Bloco de Esquerda de Cascais criticou a medida, apresentando já uma moção de censura, em reunião de Assembleia Municipal de Cascais, sustentada pela “degradação do serviço prestado pela CP aos utentes”. “Em altura de crise, onde se acentua de forma clara a dificuldade de mobilidade rodoviária para Lisboa, a debilitação do transporte ferroviário configura a pior das opções”, conclui o BE.