quarta-feira, 13 de julho de 2011

AMBIENTE Transformar resíduos em energia

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Nova central anaeróbia recebe lixo de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra Produzir energia eléctrica para abastecer cerca de 2500 famílias é uma das mais-valias da Central de Digestão Anaeróbia (CDA) que se encontra em fase de testes na Abrunheira, concelho de Mafra, e vai receber os resíduos sólidos urbanos (RSU) indiferenciados dos concelhos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra. O último grande investimento da Tratolixo, na ordem dos cem milhões de euros (com 25 milhões de financiamento comunitário), foi apresentado, na passada semana, à comunicação social, mas só estará a funcionar em pleno no início de 2012. A partir dessa ocasião, a CDA tem capacidade para receber 200 mil toneladas de resíduos, que vão permitir a produção de energia, através de biogás, e de composto agrícola e a valorização de materiais recicláveis (plástico, resíduos biodegradáveis, papel-cartão, vidro,metais ferrosos e alumínios). "Esta unidade será a maior do país, com capacidade para receber 160 mil toneladas de recolha indiferenciada, aquilo que pomos no caixote de lixo sem qualquer separação, e 40 mil toneladas de recolha selectiva de resíduos biodegradáveis, que têm a sua origem nos restaurantes, nas cantinas, nos mercados", salienta Domingos Saraiva, presidente do conselho de administração da Tratolixo, dando conta que estão a ser construídas unidades similares em Coimbra e Aveiro. "Temos aqui, em Mafra, tecnologia de ponta que está em pé de igualdade como que de melhor se faz na Europa no tratamento de resíduos", reforçou o administrador da Tratolixo, empresa intermunicipal de capitais públicos (detida a 100% pela AMTRES– Associação de Municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra para o Tratamento de Resíduos Sólidos). A CDA é uma das componentes do Ecoparque da Abrunheira, que estará totalmente executado em final de 2011, composto ainda por um Ecocentro, para receber resíduos de alguma dimensão (monos) dos munícipes de Mafra; três Células de Confinamento Técnico, vulgarmente conhecidas por aterros e que servem para receber o refugo do processo de tratamento e valorização, que ocupam cerca de 11 hectares; e uma Estação de Tratamento de Águas Residuais Industriais, que visa o tratamento das águas provenientes da CDA e das Células de Confinamento Técnico, com as águas a serem reutilizadas no próprio ecoparque. A nova infra-estrutura, cuja construção arrancou em Agosto de 2008, vai criar cem postos de trabalho, "a maioria delas com formação, não só externa como interna, porque estamos perante uma unidade industrial", sublinha Domingos Saraiva. ACDA recebe os lixos indiferenciados, depositados nos normais contentores de recolha de resíduos, que são sujeitos a uma separação dos materiais ainda recicláveis e ao isolamento do orgânico que "por processo químico, através do sistema de digestão anaeróbia, produz biogás que faz accionar motores que produz em energia e que é lançada na rede pública". Outro processo mecânico permite a produção de composto, "que se destina à agricultura, devidamente controlado, que pode ser utilizado em vinhas, árvores de fruto e outras aplicações desde que não tenha contacto directo com o produto". O material rejeitado poderá, no futuro, ser aproveitado como combustível nas unidades de produção de cimento, em vez de ser encaminhado para aterro. A produção de energia na CDA da Abrunheira na ordem de 18,3 Gigawatt hora/ano, o suficiente para abastecer cerca de 2500 famílias, soma-se ao biogás já produzido no Aterro de Trajouce, esgotado desde 2003, que origina energia para cerca de 700 famílias. Recorde-se que, desde o encerramento do Aterro de Trajouce, parte dos resíduos são encaminhados para outros sistemas de tratamento de resíduos,como a Valorsul, Amarsul e Valnor. A Tratolixo tem em carteira o projecto de reabilitação do Ecoparque de Trajouce, incluindo a remoção de 150 mil toneladas de resíduos indevidamente depositados. Os quatro concelhos produzem, anualmente, 480 mil toneladas de RSU.

Esquadra da Reboleira está em estado de degradação

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A esquadra da PSP na Reboleira, Amadora, apresenta “elevado estado de degradação”, segundo revela a Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), após uma inspecção realizada em 2010 a várias instalações das forças de segurança. O relatório de actividades do ano passado daquele organismo, agora divulgado, refere que as 27 instalações policiais visitadas, no ano passado, pela IGAI "sem aviso prévio", apresentam, de um modo geral, “condições boas ou razoáveis de conservação e de adequação à função”. No entanto, os inspectores da IGAI identificaram duas situações de instalações da GNR “bastante críticas”. De acordo com o documento, as instalações do posto da GNR da Moita, pertencente ao Comando Territorial de Setúbal, “não reúnem as condições mínimas de funcionamento” devido ao “mau estado de conservação geral” e “pela sua exiguidade e disfuncionalidade”. Também o posto da GNR do Cadaval, do Comando Territorial de Lisboa, apresenta “um deficiente estado de conservação ao nível da cobertura superior e em toda a sua estrutura externa, bem como nos interiores, cujas paredes e tectos ostentam infiltrações várias e de significativa dimensão”. Os inspectores da IGAI encontraram a esquadra da Reboleira da PSP com instalações em “situação precária”, no Comando Metropolitano de Lisboa. As instalações desta esquadra apresentam “um elevado estado de degradação”, existindo “múltiplas infiltrações de águas que afectam a instalação eléctrica e colocam em causa o funcionamento de todo o serviço interno”. No ano passado, a IGAI visitou "sem aviso prévio" 16 postos da GNR e onze esquadras da PSP, um total de 27 unidades. O organismo refere que as unidades policiais observadas têm um “adequado serviço de atendimento ao público”, apesar de terem sido encontradas algumas celas com “pequenas irregularidades” e algumas das instalações não terem as condições físicas que permitam o acesso às pessoas com deficiência. Embora tenham sido “identificadas, nos diferentes domínios de averiguação, situações que carecem de rectificação”, a IGAI concluiu que se registou, em 2010, “uma evolução positiva muito significativa” na PSP e GNR em comparação com anos anteriores.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Reforço de vigilância na Serra de Sintra

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Parques de Sintra comparticipa o dispositivo de prevenção contra os fogos florestais A empresa Parques de Sintra- Monte da Lua (PS-ML), que gere os parques históricos classificados como Património da Humanidade, vai comparticipar, em cerca de 50 mil euros, o reforço da vigilância contra os fogos florestais. Em colaboração com a Protecção Civil Municipal, a empresa vai financiar a presença em permanência de dois veículos de bombeiros na zona dos Capuchos, um de combate a incêndios e um autotanque táctico urbano/ rural, além de comparticipar no funcionamento dos postos de vigia da Pedra Amarela, Alcoitão e Nafarros, a cargo da GNR. Para o efeito, além da parceria com a força de segurança, foram celebrados protocolos, na passada quarta-feira, com as associações de bombeiros de Algueirão-Mem Martins, Almoçageme, Montelavar e São Pedro de Sintra, numa parceria que se estendia ainda a Colares e Sintra. Um esforço financeiro suportado pela PS-ML no âmbito da sua missão de preservação da Paisagem Cultural. "Depois de termos limpo as propriedades que gerimos, depois de termos adquirido algumas propriedades que estavam por limpar, acabámos por concluir que o grande risco, remanescente, é o da zona periférica, sobretudo a zona sul: Tapada do Saldanha, zona de baldios e alguns proprietários particulares", frisou António Lamas, presidente do conselho de administração da empresa, que, recorde-se, adquiriu em 2009 a Tapada das Roças e parte da Tapada do Saldanha em 2010, numa área de 160 hectares. Após uma avaliação com a Protecção Civil Municipal, a Parques de Sintra chegou à conclusão de que "era importante apoiar, por carência de recursos das entidades no terreno, a manutenção de vigilância em todas as torres de vigia da serra e, ao mesmo tempo, apoiar as corporações de bombeiros para estarem em permanência no terreno", revelou o responsável, tendo ainda presente na memória o incêndio que ameaçou a Paisagem Cultural em 2008. A empresa está a apoiar igualmente a permanência de equipas do Exército na Serra de Sintra, durante o período nocturno, através da cedência de um imóvel. António Lamas advertiu, ainda, para a necessidade de recuperação do caminho entre Santa Eufémia e a Estrada dos Capuchos, como alternativa ao atravessamento do Centro Histórico, e para a sensibilidade do património edificado. Nesse sentido, alertou para a obrigatoriedade de salvaguardar o Convento dos Capuchos, por exemplo, aquando do combate aéreo a fogos florestais na Serra de Sintra. Em 2008, lembrou António Lamas, "caiu um daqueles despejos de água a 50 metros do Convento do Capuchos" e, se fosse em cima da construção, poderia ter consequências gravosas no edificado. Como alternativa, "instalámos nos Capuchos, no Palácio de Monserrate e no Chalet da Condessa um sistema para minimizar o risco de incêndios nestes edifícios: aspersores colocados nas coberturas que, em situações de emergência, molham todos os telhados e zonas circundantes". A parceria agora estabelecida foi saudada pelo presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara. "O esforço municipal, da Parques de Sintra, da GNR, do Exército, e a disponibilidade permanente das diferentes associações de bombeiros, merece ser realçado", frisou o edil, para quem "este património, que é Paisagem Cultural da Humanidade, envolve e implica um esforço permanente". O autarca fez votos para que "todas as ignições sejam, como nos anos anteriores, eliminadas até aos 50 minutos, porque significa êxito na actuação, eficiência e excelência". Segundo Pedro Ernesto Nunes, comandante operacional municipal, este protocolo vai permitir "posicionar mais meios das corporações de bombeiros na Serra de Sintra para uma primeira intervenção", entre as 9h00 e as 20h00, reforçando o dispositivo já delineado. À semelhança de anos anteriores, a Serra de Sintra está, assim, sob vigilância 24 horas por dia, com o envolvimento de bombeiros e de outros agentes da Protecção Civil.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mais fácil estacionar em Almada

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Câmara inaugura mais 146 lugares em Almada Velha Foi inaugurado a 1 de Julho o último dos cinco parques de estacionamento que a Câmara de Almada se comprometeu construir na sequência do Metro Sul do Tejo. Com o Parque da Rua Capitão Leitão, em Almada Velha, a área urbana da cidade passa a dispor de 816 lugares para estacionamento subterrâneo, o que implicou um investimento de 15 milhões de euros, “assumidos integralmente pela Câmara”, afirma o vereador da Mobilidade, Rui Jorge Martins. Este novo parque de estacionamento, com capacidade para 146 lugares, para além de servir os residentes, foi pensado “para revitalizar o comércio local” e a contar com os muitos jovens que procuram Almada à noite, diz o vereador voltando a insistir na possibilidade dos comerciantes adquirirem, a um custo mais baixo, estacionamento por duas horas para oferecerem aos seus clientes. Ficou ainda o desafio aos investidores locais para explorarem a praça criada com este parque, por exemplo para uma esplanada. Durante a inauguração, Rui Jorge Martins não perdeu a oportunidade para, em público, recuperar um dos temas quentes que tem agitado a cidade. A Ecalma, que também vai gerir o novo parque da Rua Capitão Leitão “é fundamental para ordenar o trânsito”, por isso "tem lugar na cidade". Uma afirmação que surge na altura em que o PSD de Almada pretende colocar em debate a extinção da Empresa Municipal de Estacionamento e Circulação de Almada. Aliás, esta proposta dos social-democratas era para ter sido discutida ontem, dia 6, na Sessão de Câmara mas, segundo o Jornal da Região soube, esta, depois de ter sido analisada pelos serviços jurídicos da edilidade, o que acontece com todas as propostas, não foi considerada devido a insuficiências legais. Mas a presidente da Câmara de Almada já tomou posição sobre esta proposta do PSD. Para Maria Emília de Sousa a ideia de extinguir a Ecalma e criar uma Polícia Municipal “é um devaneio”. E, contrariamente ao que o PSD alega, a criação de uma Polícia Municipal iria trazer mais custos para a autarquia uma vez que este organismo teria apenas a função de passar multas, enquanto a Ecalma acresce a este trabalho a gestão do trânsito e do Flexibus. Depois de lembrar que em Almada “não existe a prática de criar empresas municipais para tudo e para nada, como se faz noutros concelhos”, a presidente justificou a necessidade desta empresa pela “agilidade”, uma vez que as divisões da Câmara estão obrigadas a cumprir formalidades que não se ajustam a este tipo de desempenho. “O trânsito precisa de uma gestão fina”, argumenta. Para além disso, “os parques de estacionamento têm de ser geridos numa lógica de empresa”. Quanto à acusação de que a Ecalma não é sustentável, como tem sido apontado pelos partidos da oposição, Maria Emília de Sousa não só garante que a seu tempo esta terá rentabilidade, como lembra que esta é uma empresa de “carácter social”, portanto “não funciona na lógica do lucro”. Por outro lado, como o investimento para esta empresa municipal vem da Câmara, “sem recurso a créditos”, “todo o seu património é municipal”. Por isso afirma: “Isto é uma gestão de cinco estrelas”.

CRUZ QUEBRADA E ALGÉS Boa onda nas praias ‘periféricas’

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Análises confirmam boa qualidade das águas Há uma boa onda a varrer as praias até agora menos cotadas de Oeiras. Análises efectuadas, recentemente, pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS), apresentaram valores bacteriológicos sem riscos para a saúde nas colheitas realizadas em Abril, Maio e na primeira quinzena de Junho, para todas as zonas balneares examinadas (dez). Resultados inéditos, relacionados, sobretudo, com a entrada em funcionamento da ETAR de Alcântara, e que já estão a ter reflexos no número de pessoas que tem optado pelos areais menos na moda, como Algés e Cruz Quebrada. Precisamente, a maior pacatez que estas praias ainda permitem, bem como o facto de serem mais acessíveis de comboio (em termos de custo do bilhete, para quem vem de Lisboa) são outras razões invocadas pelos veraneantes destas praias “periféricas”. “Dantes eu também ficava admirada como é que as pessoas tomavam banho em águas que tinham muita sujidade, mas agora vê-se que estão mais limpas”, diz Rosa Craveira, de 50 anos, a apanhar banhos de sol, essencialmente, na Praia da Cruz Quebrada. Moradora nos Olivais, em Lisboa, estando de férias, resolveu ficar ali mesmo em vez de seguir até Paço de Arcos, onde trabalha e de que cuja praia é fã. “Mas esta fica mesmo junto à estação e, além disso, é muito pacata, as pessoas que cá vêm é só para banho e descanso, sem algazarra”, justifica a veraneante, concluindo: “Não é por acaso que já se nota muito mais gente a frequentar esta praia do que antes”. Quem também ficou muito satisfeito com a boa-nova trazida pelos SMAS foi o presidente da Junta da Cruz Quebrada-Dafundo. “Quem viu a nossa praia no ano passado e a vê este ano... é uma grande diferença!”, resume Paulo Freitas do Amaral. O autarca salienta que, para além da entrada em funcionamento da ETAR de Alcântara, a melhoria de condições também passou pelo fim das barracas e respectivos esgotos que ali existiam, o que sucedeu por acção do mar, primeiro, e de várias entidades públicas, a seguir, com “o trabalho de alerta” da Junta de Freguesia em plano de destaque. Assim, o autarca vê as boas notícias dos SMAS como mais uma motivação para continuar a pressionar as entidades públicas sobre o que falta ali fazer. Sobretudo, a reconstrução do pontão parcialmente destruído desde 1983 e que, dizem muitos dos habitantes da zona e utentes da praia, leva a que as areias, através dessa falha, se vão depositar mais à frente, já no Dafundo, não permitindo que o areal da Cruz Quebrada se torne maior. “Temos tido várias comunicações com o Porto de Lisboa sobre essa questão e a resposta é que está quase, que já existe orçamento, mas o certo é que tem sido adiado o lançamento do concurso para a reconstrução e, ultimamente, deixámos de ter notícias”, informa Paulo Freitas do Amaral, que também já contactou a Refer para a remoção dos tijolos e outros escombros que ainda se vêem num canto da praia. Um esforço de que já participou a Câmara de Oeiras. Para além de ter realojado um dos habitantes das barracas antes ali existentes, recentemente “responderam positivamente ao nosso pedido de colocarumtractor a limpar a praia e, ainda, sacos de lixo”, reconhece o autarca que, entretanto, também promoveu uma acção de limpeza no areal, com base no voluntariado, que juntou cerca de 15 munícipes. Nome feio vira cisne em Algés Na fronteira entre os concelhos de Oeiras e Lisboa, o desgraçado epíteto de nome malcheiroso que era dado ao areal de Algés é cada vez mais injustificado. As análises do SMAS deram, igualmente, luz verde aos banhos. Pelo menos, por enquanto, pois há que aguardar – tal como em relação a outras praias – por confirmações regulares. Quem não está para esperar mais é, entre muitos outros banhistas, Paula Peixoto, 42 anos, moradora na Ajuda (Lisboa), para quem, aliás, se trata de um nostálgico reencontro com a infância. “Quando eu era pequena vinha para cá com os meus pais, mas deixei de vir desde então. Mas este ano disseram-se que a água estava melhor e já cá vim quatro vezes este Verão”, diz a veraneante, que trouxe a filha pequena consigo. Infelizmente, esta munícipe também tem outros motivos, menos agradáveis, para este regresso ao passado. É que, desempregada “há bastante tempo”, acaba por encontrar no areal de Algés uma forma económica de lazer. “O ano passado ainda tinha carro e podia ir para outras praias, mas tive de o vender... não está fácil”, assume Paula Peixoto, garantindo que, por estes ou outrosmotivos, certo é que “esta praia fica cheia ao fim-de-semana quando está bom tempo”. Ainda que o areal esteja pejado de avisos do Porto de Lisboa alertando que se está perante um “local interdito para fins balneares por a qualidade da água comportar riscos para a saúde pública”, ou uma “área não concessionada, sem nadador-salvador” e, ainda, proibida para cães...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Loja Amiga abre portas na Adroana

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Conferência Vicentina Nossa Senhora da Paz inaugura Loja Amiga no bairro da Adroana “Aqui há de tudo” é o nome da “Loja Amiga” da Conferência Vicentina Nossa Senhora da Paz, inaugurada na passada sexta-feira, no Largo Amor Perfeito, na Adroana. Há roupa de criança e adulto, calçado, artigos para casa. Há mesmo um pouco de tudo e a valores verdadeiramente especiais. Com preços de amigo, o objectivo da loja solidária não é o lucro, mas angariar dinheiro para ser investido em detergentes e produtos de limpeza, assim como leite em pó para bebé e trazer de volta a moda das fraldas de pano. Situada no bairro social da Adroana, o novo estabelecimento está aberto a toda a comunidade (segundas, terças e quintas-feiras das 15h00 às 17h00) e, além da venda de produtos novos ou em segunda mão, outro dos grandes objectivos é ser um ponto de encontro entre vendedores e compradores. Maria Odete Valério, responsável da "Loja Amiga", abriu as portas ao JR e contou o que lá existe. “Há de tudo, desde roupa, a sapatos, talheres e outros artigos para o lar”. Porquê Amiga? “Porque atribuímos valores que não são verdadeiros. As pessoas podem comprar uma camisola a 50 cêntimos”. Sem preços fixos, esta responsável explicou como funcionam as compras. “Estamos a vender conforme achamos que as pessoas podem pagar. Podemos vender um fato a 20 euros e uma camisa a 20 cêntimos.Mas uma coisa é certa: não é por as pessoas serem pobres que são agraciadas. As pessoas têm de ter a noção de que as coisas têm um valor”. A conversa merece também destaque, disse. “É muito importante que seja um local de conversa, como antigamente existia nas farmácias, por exemplo. Queremos desta forma abrir o bairro à comunidade”. O dinheiro angariado na loja será utilizado para benefício da população. “Queremos aplicar o dinheiro das vendas em bens que eles mais procuram como detergentes, produtos de limpeza, leite em pó para bebés e queremos trazer de volta as fraldas de pano”, sublinhou Maria Odete Valério que espera reforçar o número de voluntários para a Loja Amiga estar aberta mais dias por semana. A inauguração contou com a presença do presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, e da vereadora da Acção Social, Mariana Ribeiro Ferreira. “A Câmara de Cascais disponibilizou o espaço”, explicou ao JR Mariana Ribeiro Ferreira. “Aderimos de imediato quando o projecto foi apresentado. Do ponto de vista da reutilização dos bens é um bom exemplo. Com preços acessíveis as pessoas podem ter bens de qualidade”, disse. Carlos Carreiras realçou que “na loja existe um conjunto de bens que não nos faz falta, mas para outras pessoas são muito importantes”. Para quem vai utilizar este estrutura, realçou o edil, “é uma loja que vai beneficiar muita gente e por isso deve ser reconhecida por todos. Como tal, é importante viabilizar o funcionamento desta loja”.

COMÉRCIO NA AMADORA Promoções para iludir a crise

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Saldos antecipados não garantem mais vendas
A abertura oficial da época de saldos só está prevista para 15 de Julho. Todavia, no centro da Amadora “as promoções”, que variam entre os 10 e os 60 por cento, já decoraram as montras da maior parte das lojas ali instaladas. É assim desde meados de Junho. Sinais da crise ou, simplesmente, porque atrás de uns vão os outros, o que é certo é que no centro da Amadora já se podem comprar artigos, desde sapatos, bijutaria, passando por electrodomésticos, a preços mais reduzidos. Cada vez mais cedo os comerciantes da Amadora vêem-se forçados a aderir às promoções que antecipam a época de saldos. Em muitos casos, as reduções chegam aos 50 por cento. No centro da cidade, nas imediações da estação de comboios da CP, junto ao parque Delfim Guimarães, a grande maioria das montras está decorada com “promoções”, sob forma de cartazes ou autocolantes colocados nas vitrinas, que vão dos 10 aos 60 por cento. “As coisas estão muito fracas e esta é uma forma de atrair mais clientes”, refere Maria Lúcia Braga, funcionária de um pronto-a-vestir de cerimónia de senhora, no centro da cidade. “Nós nunca fazemos promoções ou saldos, mas este ano, devido à crise e porque os restantes estabelecimentos também fazem, resolvemos promover alguns artigos”. Apesar de reconhecer que na Amadora o comércio tradicional é forte e de trabalhar num sector onde não há concorrência das grandes superfícies, “as pessoas estão assustadas com a crise e não consomem”, considera. Esta funcionária, há 40 anos no sector, sublinha ainda que “nunca estivemos tão mal de vendas como nos últimos dois anos. Tínhamos clientes que não olhavam ao preço, mas agora já não é assim e mesmo com promoções há poucas pessoas a comprar”. Do mesmo se queixa Fátima Carvalho. Recorda os tempos em que nos saldos não havia mãos a medir. “Trabalhei numa loja na baixa de Lisboa e quando era a época dos saldos, que começavam ao mesmo tempo em todas as lojas, havia filas para entrar”, lembra. Queixa-se, por isso, que “cada vez há promoções mais cedo, os clientes estão cada vez mais habituados a elas. A grande maioria só vem comprar mesmo no fim dos saldos, porque procuram o mais barato”. Também ali, num pronto-a-vestir situado no centro, “a clientela acaba por ser sempre a mesma” e conclui que “cada vez mais, as pessoas da Amadora estão a perder o poder de compra”. Ora, numa das sapatarias da Avenida Santos Matos, Ruy Raimundo também aderiu às chamadas “promoções” que antecipam os saldos. Mas nem assim as vendas estão melhores. “Entendi baixar um pouco os preços para ver de conseguimos escoar alguns ‘stocks’ e fazer algum dinheiro, porque as contas continuam a ser as mesmas no final do mês”, refere. No entanto, afirma que “nem assim se consegue vender mais”. “As coisas estão muito mal e embora não seja pessimista, acredito que metade destas lojas vai desaparecer dentro de anos”, acrescenta. Contra a abertura de novos centros comerciais Para Associação Comercial e Empresarial dos Concelho de Oeiras e Amadora (ACECOA) este é mais um sinal da crise, provocada não apenas pela situação financeira das famílias, mas também pela a abertura de grandes espaços comerciais, em particular na Amadora. “Somos contra a abertura indiscriminada de grandes centros comerciais, porque há uma apetência muito grande por parte dos clientes pelas grandes superfícies, devido à oferta de muitas lojas e de estacionamento gratuito”, refere João Pedro Rodrigues, vice-presidente da ACECOA. Este responsável, também comerciante do centro da Amadora, garante que “até eu fui forçado a aderir às promoções, uma antecipação dos saldos que tenta atrair mais clientes”. “O poder de compra caiu muito e as promoções sempre ajudam a escoar o produto”, considera, acrescentando que “as promoções são um mal necessário”.