quarta-feira, 8 de junho de 2011

DAMAIA E FALAGUEIRA Comerciantes fazem contas às cheias

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Obras da CRIL e do Metro vistas com desconfiança No espaço de apenas um mês, as zonas da Damaia de baixo e do bairro do Bosque, na Falagueira, foram fustigadas pelo mau tempo. Mas há já muitos anos que as águas das chuvas não inundavam com tanta gravidade aquelas duas zonas da cidade da Amadora. Motivo que leva comerciantes e moradores a desconfiar das obras da CRIL, no caso da Damaia, e as do Metro na Falagueira. Vítor Monteiro é comerciante há 9 anos na rua Elias Garcia, junto ao bairro do Bosque. Desde que tem o seu estabelecimento comercial aberto não se lembra de nenhuma inundação, como aquelas que afectaram aquela zona da Amadora no último mês. “À porta do meu estabelecimento formou-se um rio com quase meio metro de altura. Mas, se da primeira vez houve a desculpa de que o granizo entupiu os sumidores, nas últimas chuvadas, não se compreende como é que as caves dos edifícios da rua ficaram todas inundadas”, referiu. Este empresário vai mais longe, acrescentando que “apesar de ter chovido muito intensamente durante pouco tempo, há pelo menos 15 anos que não tínhamos inundações nesta zona, o que leva a crer que as obras do metro possam estar relacionadas com as últimas inundações”. Durante o último Inverno, a Câmara da Amadora (CMA), em parceria com os SMAS, levou a cabo uma intervenção no caneiro da Falagueira que escoa as águas pluviais daquela zona. Também para Maria de Lurdes Godinho “tudo leva a crer que algo de errado se passa aqui”. Esta comerciante adianta que “não é a chuva em si que provoca a inundação, mas sim a água que brota das saídas de esgotos que faz saltar as tampas”. Maria de Lurdes Godinho, proprietária de uma loja de lãs, confessa ter tido um prejuízo “na ordem dos 30 mil euros porque a água chegou a atingir dois palmos dentro da sua loja”. Na Damaia de baixo os estragos ainda eram visíveis uma semana depois da água ter voltado a formar uma piscina na rua de Goa. Na loja de colchões a indignação era muita. “Isto está cada vez pior, nem há um mês tive um prejuízo de cerca de 20 mil euros, fiquei sem o material que tinha na loja, entretanto, fiz obras e uma chuva que embora tenha sido intensa não deveria ser motivo para isto acontecer”, afirma Orlando Rebelo. Este empresário chega mesmo a questionar “será que as obras da CRIL interferiram com os escoamentos das águas da zona?”. Orlando Rebelo considera ainda que não teve o apoio de ninguém, “nem sequer para remover o entulho que aqui ficou arrastado com as forças das águas”. Também Isabel Marcelino e Tânia Rodrigues, ambas funcionárias de uma óptica, consideram que “a segunda cheia veio destruir o pouco que restou da primeira vez”. Na loja onde trabalham o cenário é desolador: os móveis incharam, todo o material ficou danificado e a máquina que faz os testes oculares deixou de funcionar. “Os prejuízos são incalculáveis”, refere Isabel Marcelino. Câmara promete obras Gabriel Oliveira, vereador na CMA pelo pelouro das Obras Municipais, adiantou que “na zona da Damaia de baixo já estava prevista uma intervenção, mesmo antes da queda de granizo”. “Vamos aumentar a drenagem com a introdução de novas caleiras, mas para que a obra fique completa é necessário que a Estradas de Portugal proceda, simultaneamente, a continuação do caneiro da Damaia que irá ligar a Benfica. Com estas duas intervenções acreditamos que o problema naquela zona fique resolvido”, refere o vereador, acrescentando que “a câmara e os SMAS vão iniciar a obra dentro de um mês”. Quanto ao bairro do Bosque, o vereador garante que aos serviços dos quais é responsável não chegou qualquer reclamação. “Houve apenas cheias na altura da queda de granizo, porque o gelo entupiu os sumidores, mas desta vez não houve qualquer problema”. Uma versão que contraria a posição do comandante dos Bombeiros Voluntários da Amadora que, na semana passada, tinha apontado a zona do bairro do Bosque, como uma das zonas mais afectadas pelas chuvas, assim como a zona da Damaia.

Cascais celebra Dia do Município

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Comemorações dos 647 anos de vila prolongam-se até ao feriado municipal, dia 13 A Câmara de Cascais procedeu, esta terça-feira, em que se assinalam os 647 anos sobre a outorga da carta de foral de vila, à entrega de Medalhas de Mérito Municipal aos munícipes e instituições que se destacaram pelas suas acções e iniciativas. Este ano, o município decidiu ser mais comedido nas distinções e atribuiu apenas onze medalhas. A Medalha de Honra do Município de Cascais foi atribuída, a título póstumo, à escritora Matilde Rosa Araújo, que viveu em Cascais uma boa parte da sua vida e que tem o seu nome perpetuado em vários estabelecimentos de ensino do concelho. A comemorar o seu centenário, a 2 de Julho de 2011, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos e São Domingos de Rana foi também distinguida com a Medalha de Honra. No Mérito Cultural, a autarquia reconheceu a acção de António José Correia Brito, mais conhecido por Tozé Brito, o compositor e cantor que vive em Cascais há 42 anos. Similar reconhecimento municipal foi extensível ao fadista Rodrigo que, além da forma genuína como entoa a canção nacional, está profundamente ligado a Cascais, onde vive há mais de 40 anos, e que já foi proprietário de uma Casa de Fados de sucesso: Forte D. Rodrigo. À Gelataria Santini, que abriu as suas portas em 26 de Agosto de 1949, na praia do Tamariz, foi atribuída a Medalha Municipal de Mérito Empresarial, enquanto a equipa sénior feminina de Basquetebol da Quinta dos Lombos, que este ano conquistou a Taça da Liga, a Taça de Portugal e o Campeonato Nacional, viu reconhecido o seu Mérito Desportivo. Na Solidariedade, o município destacou a missão da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, que fundaram, em 1904, o Sanatório de Sant’Ana, que em 1961 passou a ser reconhecido como hospital. Na Defesa da Natureza e do Meio Ambiente, coube tal honra à Fundação São Francisco de Assis, entidade criada, em 1997, para a protecção de animais de companhia, abandonados ou perdidos. A Sociedade de São Vicente de Paulo foi distinguida pelo Mérito e Dedicação que se traduz no apoio, através de 141 voluntários, a 1274 famílias em 2010, tanto em termos alimentares como de medicamentos ou de contribuição para pagamento de despesas inadiáveis. Finalmente, o município prestou homenagem à ‘prata da casa’, com a entrega da Medalha de Serviços Distintos às funcionárias municipais Maria Ortélia Almeida e Anabela Pissarra. As comemorações do Dia do Município vão prolongar- se até à próxima segunda- feira, dia 13, consagrado a Santo António, num programa que vai contar com a presença de associações concelhias e figuras públicas como Miguel Ângelo, Maria João, Olavo Bilac, Maria Viana e Cuca Roseta. Esta quarta-feira, pelas 18h00, Rão Kyao vai actuar na Igreja Matriz de Cascais, e volta a actuar no dia 10, à mesma hora, na Igreja de Tires. Para a tarde de domingo, pelas 18h00, o Mercado Municipal de Cascais recebe um arraial de Santo António. As comemorações começaram esta terça-feira, dia 7, com uma recriação histórica na Praia da Rainha, intitulada "A Rainha vai a Banhos".

terça-feira, 7 de junho de 2011

ALGUEIRÃO-RIO DE MOURO Unidade de saúde na comunidade

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Antigo Catus adaptado para novas funções Para prestar um melhor serviço aos seus utentes, a Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) Cruzeiro do Algueirão e Rio de Mouro inaugurou, na passada quarta-feira, as suas novas instalações na Avenida Chaby Pinheiro 9, em Mem Martins. AUCC passou a ocupar as instalações onde funcionou o Catus e que beneficiaram de obras de adaptação, para proporcionar melhores condições de trabalho aos seus profissionais. Aliás, o espaço serve como pólo administrativo da unidade que, como a denominação indica, exerce a sua missão no seio da própria comunidade. Integrada na reforma dos cuidados primários de saúde, as UCC estão vocacionadas para, por exemplo, o acompanhamento no domicílio de doentes em situação de dependência física ou psicológica e até o seu encaminhamento para a rede de cuidados continuados que, na área do concelho de Sintra, já totaliza 92 camas (a mais recente unidade da CERCITOP no Algueirão, com 49 camas, entrou em actividade na passada semana). As UCC actuam, ainda, na área da educação para a saúde, nomeadamente junto da comunidade escolar e de camadas populacionais vulneráveis, como na área do planeamento familiar ou do acompanhamento a recém- nascidos. Criada em Dezembro de 2010, a UCC Cruzeiro do Algueirão e Rio de Mouro ocupava, até agora, exíguas instalações no edifício sede do Centro de Saúde de Algueirão-Mem Martins. A partir de agora, passa a dispor de instalações renovadas para cumprir a missão de "promoção da saúde e de cuidar de utentes na comunidade", como frisou ao JR a enfermeira Helena Bica, coordenadora desta UCC que integra o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Algueirão-Rio de Mouro. No mesmo edifício (2.º andar) funciona, ainda, um outro pólo da UCC, o espaço Sorri Jovem, um centro de atendimento a adolescentes, entre os 12 e os 21 anos, que desenvolve a sua actividade, todos os dias úteis, entre as 8h30 e as 16h30, e que neste caso está aberto a qualquer jovem sem obrigatoriedade de residirem nas freguesias de Algueirão-Mem Martins e Rio de Mouro. Para concretizar a sua actividade, a UCC conta com um conjunto de parceiros, ou seja, instituições que desenvolvem a sua acção na área de influência da unidade, com vista à prestação de cuidados médicos, sociais, psicológicos e de enfermagem. A UCC Cruzeiro do Algueirão-Rio de Mouro conta com uma equipa fixa de dez elementos, "entre médicos, enfermeiros, psicólogo, fisioterapeutas e assistentes sociais", adianta Helena Bica. Em termos de domicílio, a UCC presta apoio, actualmente, a 130 utentes, "uns que precisam de cuidados diariamente, outros em dias alternados e outros só uma vez por semana". As novas instalações são uma mais-valia para as duas freguesias servidas por este ACES, realçou Luís Afonso, vice-presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que marcou presença na inauguração. Através destas unidades, "aumentamos os cuidados de proximidade junto dos utentes que têm necessidade desses cuidados, ou seja, utentes que têm dependências, quer pontuais, quer permanentes, em que a equipa se desloca ao domicílio". No seio da UCC, concretizou este responsável, existe a Unidade de Cuidados Continuados Integrados, "que vai prestar assistência aos utentes com maior dependência, quer física, quer psíquica, em parceria plena com outros parceiros da comunidade". A inauguração das instalações, que representaram um investimento na ordem dos 50 mil euros, de acordo com Luís Afonso, contou com a presença dos presidentes das juntas de Algueirão-Mem Martins, Manuel do Cabo, e de Rio de Mouro, Filipe Santos. O autarca de Algueirão-Mem Martins questionou mesmo o vice- presidente da ARSLVT sobre as expectativas em relação à melhoria das condições das instalações de saúde na freguesia. Se Rio de Mouro dispõe de um imóvel de raiz, Algueirão-Mem Martins há muito que luta por um novo centro de saúde, para substituir o actual edifício de habitação que serve os utentes da freguesia, e continua a desesperar pela abertura de uma unidade de saúde familiar na Tapada das Mercês.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Praia pouco recomendável

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A autarquia alerta: Praia da Ponta dos Corvos não é zona balnear O areal da Ponta dos Corvos, banhado pelo rio Tejo, está a ser cada vez mais procurado como zona de praia pela população de Almada e Seixal, apesar de não ser recomendada a sua utilização para este fim. Segundo o departamento de Ambiente do município do Seixal, onde se integra este território, a qualidade das águas melhorou mas “não são consideradas águas balneares”. Acresce a isto o problema da zona não ter estruturas de vigilância, pelo que “todos os anos há problemas”, afirma o comandante dos Bombeiros do Seixal, António Matos. “É frequente haver pessoas apanhadas por correntes e, quando não sabem nadar, ficam aflitas”, acrescenta.A sorte tem sido a intervenção dos bombeiros, apesar da dificuldade de acesso ao local, por uma única estrada em terra batida ou pelo rio. “Desde há muitos anos que venho para a praia da Ponta dos Corvos”, afirma um morador do Laranjeiro. “Fica mais perto de casa, é mais sossegado e mais barato do que ir para a Costa da Caparica”, acrescenta. E como “nunca tive qualquer problema, vou continuar a vir”. E o mesmo diz uma jovem do Feijó. “Quando está calor e venho mais cedo da faculdade, aproveito esta praia para umas horas de sol”. E, de facto, o trajecto é rápido. “Deixo o carro junto à estação da Fertagus em Corroios e, em cinco minutos, estou na praia". Estes banhistas procuram o Tejo porque “a água está muito mais limpa”. O que é confirmado pelo pelouro do Ambiente seixalense. Em nota enviada para o Jornal da Região, é referido que apesar do controlo de qualidade destas águas ser da “responsabilidade da Administração da Região Hidrográfica do Tejo e dos Serviços de Saúde Pública”, a Câmara do Seixal “também realiza análises periódicas” na Ponta dos Corvos. Nas duas últimas amostras realizadas pela autarquia, em Agosto de 2010, os resultados dão estas águas, no parâmetro conformidade parcial, como de “qualidade aceitável”. Por sua vez, as sete amostragens feitas pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo em 2009, ao abrigo do programa de vigilância sanitária de águas balneares, dão classificações entre boa qualidade e qualidade aceitável. Para a autarquia estas amostras espelham que “já não existe qualquer descarga directa de águas residuais para o Rio, na zona do município do Seixal, situação que contribui em muito para esta melhoria”. Entretanto, com a entrada em funcionamento da ETAR do Seixal, recentemente inaugurada, “é expectável que durante o decorrer do próximo ano sejam verificadas grandes melhorias na qualidade da água na Baía do Seixal e na Praia da Ponta dos Corvos”. Para o comandante António Matos, é uma verdade que “a água está mais limpa”, mas seja como for, “as pessoas não devem fazer da Ponta dos Corvos uma praia de utilização normal”. “É perigoso”, alerta. Mas também diz que com o aumento das dificuldades financeiras das pessoas, o mais provável é esta praia ser ainda mais procurada neste Verão.

Combus limitado a quatro freguesias

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Câmara invoca reduzida procura e custos elevados Linda-a-Pastora fica mesmo ao lado de Queijas, mas para Maria Assunção Sequeira, de 88 anos, a distância não se mede em quilómetros, antes em dores que a bengala procura atenuar, e em euros, que é coisa que lhe faz muita falta. Não é por acaso que utiliza o serviço de minibus Combus de forma gratuita. Mas, lá está, para poder usufruir desse transporte sem pagar tem que se deslocar a Queijas para obter a respectiva senha. Tal como é ali que faz as compras...“Em Linda-a-Pastora não há nada...”, justifica. Na verdade, esta munícipe é uma utilizadora assídua do Combus, que usa, ainda, para ir ao Centro de Saúde de Carnaxide. “Ando nele quase todos os dias e há outras pessoas que fazem o mesmo”, assegura, à saída do minibus de cor verde clara, numa paragem que é também local de recolha e largada de passageiros da Vimeca, a empresa privada de transportes com quem a Câmara de Oeiras tem um protocolo que assegura este serviço de cariz social nas dez freguesias do concelho desde 2009 (mas com início gradual desde 2007). No entanto, esta terá sido uma das últimas viagens que aquela munícipe fez a bordo do Combus. Na verdade, na última reunião de Câmara, foi aprovada, por maioria (voto contra da CDU), uma proposta no sentido de eliminar o Combus nas freguesias de Barcarena, Caxias, Oeiras, Paço de Arcos, Porto Salvo e Queijas, bem como a alteração dos percursos nas restantes freguesias (Carnaxide, Algés, Linda- a-Velha e Cruz Quebrada). Uma notícia que Maria Assunção Sequeira desconhecia e que lhe arrancou, de imediato, uma reacção de lamento: “Vai fazer-me muita falta”, disse, salientando não ter alternativa, já que “os preços cobrados pela Vimeca são caros para a minha bolsa, pago tanto de Linda-a-Pastora para Queijas como se viesse de Linda-a-Velha”. O presidente Isaltino Morais, na referida reunião de Câmara, anteviu que “certamente irão aparecer reclamações” e mostrou-se disposto a encontrar alternativas para os casos mais problemáticos e comprovados de carência e urgência social, desde um sistema de táxis pagos à utilização de uma carrinha de nove lugares e com espaço para cadeira de rodas, entre outras soluções. Mas reiterou que a decisão é para seguir em frente porque os números da procura não justificam manter uma despesa de 550 mil euros por ano, que é quanto a Câmara paga no âmbito do protocolo com a Vimeca, cuja vigência expirou a 31 de Maio. “Tal como está o Combus, o próprio cidadão poderá comentar: então a Câmara tem dinheiro para sustentar autocarros que circulam vazios?!”, frisou Isaltino Morais, para concluir não ter dúvidas de que, actualmente, o grande beneficiário é a própria Vimeca. Nuno Patrão, responsável da Câmara de Oeiras na área dos transportes, detalhou que se pretende “centrar a oferta do Combus em quatro freguesias que representam mais de 50% dos passageiros transportados (Algés, Carnaxide, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada)”. Localidades onde “a procura tem sido estável, à excepção da freguesia de Algés, onde tem crescido bastante”. Baseando-se em dados 2.º semestre de 2009 e dos dois semestres de 2010, aquele técnico salientou que “o custo de transportar um passageiro em Barcarena custa à Câmara mais de 7 euros, enquanto que em Algés, por exemplo, custa 1,63 euros”. Com a pretendida centralização de meios, deverá também aumentar a frequência de passagem dos minibus, da actual hora a hora para 35 minutos de intervalo. Por outro lado, está previsto que o serviço deixe de se efectuar aos sábados, o que “permitirá redução de cerca de8%nos custos”. Uma “espinha de horário, que permita aos utentes ter uma noção mais fiável e real de quando terão disponível o próximo autocarro”, é outro objectivo. Mas nas freguesias em que se manterá o Combus, as inquietações também subsistem. É que os trajectos vão ser alterados e ainda não se sabe ao certo por onde vai passar o Combus reformulado, sabendo- se, porém, que as quatro localidades terão um circuito comum, servido pelos três autocarros, de um total de sete até há pouco em funcionamento, que se vão manter no activo. Uma motorista da Vimeca, desde há um ano a guiar estes minibus (mas há dez ao serviço da empresa), diz que o novo percurso irá da Cruz Quebrada a Barronhos/Nova Carnaxide. Mas adianta que deixará de passar em muitos dos locais a que os utentes estavam habituados. “Espero que continuem a passar junto às escolas!...”, comenta, a propósito, uma das passageiras, quando o autocarro passa na Escola Básica e Secundária Amélia Rey Colaço (Alto de Santa Catarina, Linda-a-Velha) onde entram uma aluna e a sua mãe. “Com a minha reforma de 400 e poucos euros, dava muito jeito pagar só 50 cêntimos por bilhete”, desabafa outra utente. Embora disposta a procurar solução para os casos mais pertinentes em termos sociais, a Câmara vê agora aquele serviço por outro prisma e considera que os tempos difíceis aconselham a fazer melhor as contas à relação custo-benefício. “Houve aqui, se calhar, algum excesso de voluntarismo”, conclui Isaltino Morais.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Manchas florestais sob vigilância

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Reunião em Cascais para analisar capacidade do dispositivo de combate a incêndios florestais A articulação entre as várias entidades para enfrentar a época crítica de fogos florestais, entre Maio e Outubro, foi um dos propósitos da reunião realizada no passado dia 23 de Maio, na sede do município de Cascais, que contou com a presença do governador civil de Lisboa, António Galamba. A reunião serviu ainda para identificar as situações que carecem de intervenção, no sentido de minimizar o risco de incêndio florestal durante a época estival. Entre outras, foram debatidas questões relacionadas com a Fase Charlie e o Dispositivo Distrital de Protecção Civil. À semelhança do que já tinha acontecido no ano passado, pela mesma altura, os intervenientes elogiaram a abertura para o diálogo. Em declarações ao JR, o vereador da Protecção Civil, Pedro Mendonça, disse que “é sempre positivo receber o governador civil de Lisboa e ter estas trocas de impressões sobre assuntos tão delicados”. Contudo, o autarca considera importante a regularidade do diálogo entre o Governo Civil e as entidades que fazem parte da Protecção Civil: “Às vezes, esquecem-se deste diálogo”. Na reunião, “foram ouvidas as diferentes entidades para ter conhecimento do que pensam sobre o assunto e o que pretendem fazer. O que ficou assente é que deve haver uma parceria com Sintra (no que respeita, sobretudo, ao Parque Natural) porque o dispositivo de Cascais não poderá diminuir a sua actuação no concelho para intervir em áreas também da competência do município de Sintra”. Por isso, “foi defendido que tem de haver uma cooperação Sintra/ Cascais com vista a uma actuação conjunta”. O fogo controlado foi outro dos aspectos a ter em conta para evitar maiores danos no Parque Natural, disse Pedro Mendonça: “Focou-se a necessidade deste instrumento porque não pode haver os problemas que já se registaram, em que nas vésperas de o accionar uns disseram que não”. Estiveram presentes as juntas de freguesia, corporações de bombeiros, agência municipal Cascais Natura, Misericórdia, PSP, Polícia Municipal e GNR.A iniciativa inseriu-se no ciclo de encontros que o governador civil teve nos municípios do distrito de Lisboa. Em declarações ao JR, António Galamba considerou serem importantes as reuniões com os vários elementos da Protecção Civil Municipal para “melhorar a eficácia do dispositivo de combate a incêndios”. Servem também para “apelar a um esforço mais integrado entre os participantes”. No que respeita a Cascais, o governador civil salientou que “temos que trabalhar mais na prevenção. É notório que tem havido trabalho neste sentido, mas a prevenção deve continuar na ordem do dia”. Ao nível do combate, “já superámos muitas situações e é evidente que temos uma capacidade integrada”, contudo, reforçou que, “ao nível da prevenção, temos que superar alguns bloqueios” e deu o exemplo do “fogo controlado para criar com que os riscos que existam sejam eliminados”. António Galamba realçou ainda a responsabilidade dos cidadãos no combate aos incêndios: “Deve ter uma atitude responsável de autoproteger-se, mas também de não fomentar riscos no território”.

População exige recuperação da duna

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Amigos do Magoito’ reúnem meio milhar de pessoas e reivindicam reabertura do principal acesso Com a época balnear a dar os primeiros passos, a população do Magoito não se conforma com o encerramento do principal acesso à sua praia e pondera, no próximo domingo, dia das Eleições Legislativas, voltar à rua para clamar por uma intervenção da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Tejo. A concretizar-se, será o segundo protesto público após a concentração que, no passado domingo, reuniu cerca de meio milhar de pessoas, que expressaram a sua indignação pelo abandono a que está votado a Praia do Magoito. Uma faixa preta, com os dizeres "Atenção à duna do Magoito/Recuperação é solução/Hoje!! Sempre!", retratava o estado de espírito dos "Amigos do Magoito".Um movimento cívico que reivindica a recuperação e preservação da Duna Consolidada, cuja instabilidade levou a ARH a fechar o acesso principal à zona balnear. Após uma grade em ferro, ali instalada desde o último trimestre do ano passado, agora é um portão que impede a descida e obriga os banhistas a utilizarem uma longa escadaria que, para quem tem dificuldades de locomoção, constitui um obstáculo impossível de superar. A colocação do portão tem por objectivo permitir que, pelo menos, os veículos de emergência possam prestar assistência aos banhistas em caso de algum acidente grave na praia. A concentração surge na sequência de uma série de iniciativas em defesa daquela zona litoral da freguesia de São João das Lampas. Após a criação de uma página no Facebook, um abaixo-assinado (com mais de 1100 assinaturas) e uma intervenção na Assembleia Municipal, a concentração deste domingo foi um passo natural no alerta às entidades oficiais, em especial à ARH. No local, foi lançado o desafio aos participantes para, durante esta semana, ‘entupirem’ o ‘e-mail’ da ARH com uma demonstração de "descontentamento pelo encerramento da rampa de acesso à Praia do Magoito". As razões de queixa, contra a ARH, começam a subir de tom, tanto entre os populares como nas autarquias locais, porque esta entidade tem inviabilizado algumas soluções. Durante a concentração, o presidente da Junta de Freguesia de São João das Lampas, Guilherme Ponce de Leão, revelou que "a Câmara propôs-se fazer uma pequena intervenção na duna e a colocação de uma rede de sustentação e a ARH não permitiu". Em contrapartida, esta entidade informou a Junta que, a partir desta semana, "iria fazer um acesso por cima da chamada Casa das Freiras, um acesso em madeira". O autarca lamentou, ainda, a passividade demonstrada pela ARH: "Há oito meses foi proibido o acesso, com toda a razão porque a duna apresenta graves problemas, mas não se pode admitir que, ao fim deste tempo, não tenha sido feito absolutamente nada para a resolução do problema". Os populares defenderam uma intervenção de consolidação e preservação da duna, para permitir a reabertura do acesso principal. "O nosso apelo é no sentido da recuperação e preservação da Duna Consolidada, porque todos temos direito a usufruir desta praia", frisou Paula Pinto, uma das impulsionadoras dos ‘Amigos do Magoito’. Esta moradora acredita que "com boa vontade da ARH, porque a Câmara e a Junta estão disponíveis para ajudar, seria possível fazer uma intervenção a tempo desta época balnear". Os participantes na concentração, ao mesmo tempo que destacavam as potencialidades da zona balnear, lamentavam que as situações de instabilidade da faixa costeira sintrense continuem sem acções concretas no terreno. Isaura Monteiro recordou que os problemas em torno da instabilidade da Duna do Magoito são frequentes, "como já aconteceu há seis/sete anos atrás e ninguém fez nada pela duna". O único acesso existente, uma íngreme escadaria com uma centena de degraus, acaba por não servir as pessoas com dificuldades de locomoção. Segundo Júlio Rodrigues, concessionário da Praia do Magoito, "torna-se urgente arranjar um acesso para deficientes, idosos e crianças que frequentam esta praia". Este responsável apontou o dedo às entidades da Administração Central, que tutelam a faixa costeira. "Temos um balneário e uma praia arranjada à conta das entidades locais, porque as entidades nacionais têm-nos ignorado, colocado tabuletas e fechado acessos", lamentou Júlio Rodrigues.