quarta-feira, 18 de maio de 2011

Aldeias SOS têm modelo de sucesso

Ver edição completa Apoio de beneméritos minimiza dificuldades de financiamento nas três estruturas a nível nacional
O maior risco das aldeias, bem se sabe, é a desertificação induzida pelo abandono por parte de quem deveria promover a coesão social e territorial. Em contraponto, o seu maior atractivo é o laço familiar dentro de cada casa, facilmente alargado à vizinhança, assegurando um desenvolvimento equilibrado dos mais novos (e, por arrasto, também dos mais velhos). Nas Aldeias SOS – movimento internacional que há mais de 40 anos acolhe crianças órfãs, abandonadas ou pertencentes a famílias que não podem cuidar delas, dando-lhes um lar, amor e segurança, bem como uma educação com vista à sua autonomia e integração plena na sociedade – luta- se diariamente para que não faltem as condições de apoio essenciais à manutenção do sucesso desta rede de instituições. Isso mesmo constatou o JR em visita recente à aldeia de Bicesse, a primeira a ser construída em Portugal (1967) e também a maior das três estruturas criadas no nosso país – as outras estão localizadas em Gulpilhares (Vila Nova de Gaia) e na Guarda. Uma vez que o apoio do Estado, através da Segurança Social, nos últimos anos, deixou de acompanhar a subida do custo de vida, permitindo apenas cobrir40%das despesas fixas, os responsáveis da Aldeia têm procurado colmatar essa lacuna com um apelo a uma maior abertura de coração – e de bolsa – por parte dos seus mecenas, amigos, sócios, beneméritos, entre particulares e empresas. De momento, aquela estrutura tem a funcionar apenas sete das 12 casas existentes no recinto, acolhendo 51 crianças (de um total de 120 nas três instituições). A taxa de ocupação actual é considerada circunstancial pela direcção, mas o certo é que o ritmo de entradas revela uma quebra de quase o dobro quando comparados os anos de 2009 (21) e de 2010 (11). “O ano de 2009 já foi mais difícil. Temos a consciência de que o nosso modelo de acolhimento é mais dispendioso do que outros tipos de acolhimento, mas como acreditamos que é de facto um modelo diferenciador, temos que o manter e para o manter temos de procurar mais ajudas”, reconhece Maria Antónia Saldanha, enquanto serve de cicerone ao JR numa visita às agradáveis instalações de Bicesse, marcadas pela Natureza, pelas casas bem cuidadas e por dois campos de jogos. Há um ano que a nossa interlocutora se dedica mais intensamente ao voluntariado nesta instituição, à frente do gabinete de marketing e comunicação. Mas a sua experiência neste mundo de afectos e emoções fortes remonta à infância, quando ali passava parte das férias, em virtude de a sua mãe ter sido uma sócia-fundadora da instituição. “Habituei-me, desde muito nova, a partilhar os meus livros, roupas e brinquedos com as crianças da aldeia, que eram meus companheiros de brincadeiras; ainda hoje não é sem emoção que vejo os meus antigos livros na biblioteca”, salienta. Mas não é só por esta nota nostálgica e emotiva que Maria Antónia Saldanha defende com unhas e dentes o trabalho que se faz nas Aldeias SOS. “Temos um modelo de inspiração familiar que outras instituições – como os centros de acolhimento temporário ou os centros de reinserção social – não têm porque são, precisamente, instituições no sentido mais literal do termo, enquanto nós apresentamos uma proposta em tudo equivalente a uma família. É nesse aspecto fulcral que somos completamente inovadores… apesar de existirmos há mais de 45 anos!”, enfatiza. Por isso, aquela responsável não tem dúvidas em reclamar créditos para as Aldeias SOS: “Quando se percebe que a criança não pode continuar no seu núcleo biológico e que terá de ser acompanhada e acolhida noutro espaço há que apurar qual é o espaço que melhor se adequa à vivência daquela criança. E nesses casos, honesta e assumidamente, nós queremos e merecemos ser a primeira escolha!”.Claro que a decisão final dependerá, também, do perfil de cada jovem. “Se já tem antecedentes criminais ou situações de toxicodependência requer acompanhamento distinto do que aqui se faz”. E o que se faz em Bicesse, Gaia e Guarda é tudo menos uma missão fácil: trata-se de lidar com situações traumáticas a nível familiar, desde crianças órfãs a vítimas de maus tratos. “Há sempre uma tristeza e uma sensação de desconforto por não estarem a viver com a família biológica. Acima de tudo, o que criança tem de perceber aqui é que a vida não é fácil, infelizmente, e nós não escondemos isso”. Para controlar todos esses factores, a Aldeia conta com o contributo indispensável de três psicólogos, mas também de assistentes sociais e auxiliares. Todos ajudam a manter o bom funcionamento daquele que é, literalmente, o ‘coração do sistema’: as mães sociais. “Não são mães emprestadas, são pessoas que dão a sua vida por esta causa”, sublinha Maria Antónia Saldanha. Cada uma das mães sociais tem a seu cargo uma família numerosa de filhos, entre os quais se podem contar irmãos biológicos ou crianças que foram chegando de forma isolada. Em geral, têm entre os 30 e os 50 e poucos anos e a maior parte delas não tem filhos biológicos. São remuneradas e, também, têm dias em que precisam de dar atenção à sua vida fora da Aldeia, sendo então substituídas, pontualmente, por outras colaboradoras devidamente seleccionadas. Por regra, as mães sociais acompanham as crianças largos anos, até à sua autonomização e integração na sociedade, gerando, é claro, vínculos muito fortes.Não é, por isso, de estranhar que as crianças assim criadas lhes chamem, espontaneamente, apenas de “mãe”...

SÃO PEDRO DE SINTRA Bombeiros concretizam sonho

Ver edição completa Ao fim de 15 anos, novo quartel foi inaugurado Operacional desde o início do passado mês, o novo quartel dos Bombeiros Voluntários de São Pedro de Sintra foi oficialmente inaugurado no passado domingo, com a presença do ministro da Administração Interna, Rui Pereira. A escassos dias de completar os 105 anos de actividade, que se assinalam a 6 de Junho, a corporação de São Pedro de Sintra comemorou, com pompa e circunstância, a concretização de um sonho com mais de 15 anos. Um quartel a pensar no futuro, com todas as condições para receber o corpo activo, constituído por 90 elementos, e as 25 viaturas que integram o respectivo dispositivo de socorro e emergência. As novas instalações, situadas junto à Estrada Nacional 9, com designação oficial de Avenida de Cascais, representam um investimento de dois milhões e meio de euros, com comparticipação de 630 mil euros da Autoridade Nacional de Protecção Civil e 500 mil euros da Câmara de Sintra, que adquiriu ainda, por 870 mil euros, o antigo quartel no centro de São Pedro de Sintra. Um espaço que, com mais de meio século ao serviço da corporação, há muito não respondia às suas necessidades. As limitações físicas eram penalizadoras para os recursos humanos, com camaratas exíguas e salas improvisadas para formação, mas também para as viaturas... estacionadas, a esmagadora maioria, nas estreitas ruas adjacentes. "Uma parte do quartel dos bombeiros é na rua", aludia o comandante dos Bombeiros de São Pedro, Pedro Ernesto Nunes, em declarações ao JR em Janeiro de 2009, quando começava, finalmente, a ver a luz ao fundo do túnel, com o arranque das obras de construção do quartel na Quinta do Anjinho. Com um parque coberto com capacidade para 30 viaturas, uma ampla parada interior que permite o acesso à Casa- Escola e à zona de oficinas, acabam por ser as instalações reservadas aos elementos operacionais ‘a encher as medidas’ de quem visita o novo quartel. Camaratas, vestiários, balneários, zona de refeições e espaços de convívio, oferecem todas as condições para que os ‘Soldados da Paz’ de São Pedro de Sintra cumpram a sua missão de forma mais eficaz. Avertente associativa também sai reforçada no novo quartel, através do espaço reservado aos serviços administrativos e aos corpos sociais, mas, em especial, pela existência de uma piscina, um restaurante eumginásio (que vai ocupar o Salão Nobre), valências imprescindíveis para a obtenção de receitas que assegurem a sobrevivência da associação. O novo quartel vai oferecer "maior espaço para os sócios poderem conviver entre si e com os bombeiros", realça Pedro Nunes que, desde 1989, assume o comando do corpo de bombeiros. Mas, acima de tudo, o novo quartel "reúne todas as condições para que os homens e mulheres, que servem esta associação, possam continuar a prestar o socorro às populações". Pedro Nunes frisa que não há comparação possível entre as novas instalações e o velhinho quartel, mas não esconde "uma profunda tristeza" ao deixar para trás o imóvel situado na Rua Álvaro dos Reis. Um turbilhão de emoções na vida do comandante a quem todos enalteceram pelo árduo combate em prol da concretização do sonho. O presidente da assembleia-geral da associação, Silvano Inácio, salientou que, ao longo da vigência de vários órgãos sociais, o principal "impulsionador deste projecto" foi, sem dúvida, o comandante da corporação. "Para além do justo mérito da direcção, o comandante Pedro Ernesto foi o grande obreiro deste quartel, empenhando, ao longo de muitos anos, a sua vida particular em prol da associação, quase como numa guerra... não sem quartel, mas sim por um quartel". Para Pedro Nunes, "valeu a pena o esforço e a dedicação despendidos", até porque "vale sempre a pena quando os homens sonham e as obras nascem". Uma obra que começou a ser sonhada há 30 anos, em que os últimos 15 anos foram marcados por "avanços e recuos, dificuldades e alegrias" e só chegou a bom porto com "a força de vontade, espírito combativo e força tenaz de vencer" que caracteriza o corpo de bombeiros. Aliás, uma referência especial mereceu a comissão de voluntários "Por um Futuro Melhor", "que tudo fez para a aquisição de diversos equipamentos como mobiliário e de lavandaria". O novo quartel foi, também, "um sonho de muitos homens e mulheres dos órgãos sociais", frisou Joaquim Duarte, presidente da direcção da associação, que recordou quatro momentos que se revelaram decisivos para o avanço do processo: "A regularização jurídica das antigas instalações" em 1996; a cedência do terreno por parte da Autoridade Nacional de Protecção Civil; a celebração do protocolo de financiamento e a alienação das antigas instalações. "Sem a venda deste património não seria possível ter os recursos financeiros suficientes para realizar esta importante obra", realçou Joaquim Duarte.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Radares da CRIL já somam 2500 multas

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Recorde de velocidade batido por motociclista apanhado a 283 quilómetros/hora Nas primeiras três semanas de funcionamento do último troço da CRIL, que liga Pontinha à Buraca, foram detectadas 2500 infracções de excesso de velocidade, uma das quais foi uma mota a 283 quilómetros/ hora, de acordo com a empresa Estradas de Portugal (EP). “Nas primeiras três semanas de funcionamento tivemos cerca de 2500 infracções, das quais uma parte significativa devem ser qualificadas como infracções graves ou muito graves”, disse Rui Dinis, administrador da EP. Em declarações à Agência Lusa, o responsável ressalvou que o “recorde negro” pertence a um motociclista que atingiu os 283 quilómetros/hora. “Têm de ter cuidado, a via tem alta capacidade, tem muita segurança e muito confortável, mas as pessoas têm de utilizá-la com precaução e prudência”, alertou. Quanto a acidentes, Rui Dinis não hesitou em dizer que têm “sinistralidade zero”. “Sinistros com mortos ou feridos é zero. Já houve incidentes. Um ou dois, mas foi só chapa”, disse. Rui Dinis disse ainda que os radares de velocidade instalados no último troço da CRIL estão a trabalhar. Naqueles 3,6 quilómetros foram instalados quatro radares de velocidade, dois em cada sentido, que têm a particularidade de estarem equipados com um sistema que permite identificar os veículos faixa a faixa. O último troço da CRIL foi inaugurado a 17 de Abril. Um mês depois, é utilizado diariamente por cerca de 35 mil carros. Apesar de afirmar que ainda é cedo para se ter a real percepção dos benefícios da CRIL no trânsito em Lisboa, Rui Dinis disse que já são visíveis as reduções do tráfego na 2.ª Circular e no Eixo Norte-Sul.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Praias com qualidade garantida

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Bandeira Azul atribuída a todas as candidaturas apresentadas pela Câmara de Almada Todas as praias candidatadas este Verão pelo município de Almada à Bandeira Azul vão hastear o galardão europeu de qualidade balnear. Santo António, São João da Caparica, Serena e Mata mereceram o comprovativo de que esta extensão de areal cumpre os critérios de natureza ambiental, segurança, informação ao utente e conforto. Incluindo as praias da cidade da Costa da Caparica, foram galardoadas esta época 47 zonas balneares da Região de Lisboa e Vale do Tejo e duas marinas, Oeiras e Parque das Nações. Isto no ano em que a Associação Bandeira Azul da Europa comemora o 25.º aniversário e bateu o recorde de areais azulados a nível nacional, 271. “Pela primeira vez ultrapassámos as 250 praias”, referiu José Archer, presidente da associação, na apresentação dos galardões. Há assim a registar a entrada de 12 novas praias, 28 regressos à Azul e 10 praias que perderam a bandeira. A frente atlântica do Algarve continua a ser a zona mais qualificada com 74 praias a içarem o galardão, seguida da zona Norte (63), zona do Tejo (45), Alentejo (22) e Centro (18). A zona autónoma dos Açores recebeu 33 bandeiras e a da Madeira 14. “Isto coloca-nos largamente à frente de todos os outros países com Bandeiras Azuis, em termos percentuais”, afirma José Archer. Na sua opinião estes resultados são uma oportunidade para Portugal mas também uma maior responsabilidade, mais ainda quando está em curso uma proposta de alargamento da Zona Económica Exclusiva Nacional. Se assim se verificar, Portugal “passará a ser, em termos de superfície, um dos dez maiores países do mundo. Isto obriga-nos a olhar para o mar com maior responsabilidade, pelos recursos económicos que podem advir”. Para Francisco Ferreira, da associação ambientalista Quercus, o balanço deste quarto de século de trabalho desenvolvido pela Associação Bandeira Azul da Europa tem sido “extremamente positivo”. No entanto, ainda é preciso “melhorar” ao nível da “monitorização dos critérios” de atribuição do galardão. Em declarações à Lusa o ambientalista apontou problemas ao nível da limpeza do areal, presença de animais de estimação e estacionamento impróprio junto às praias. Quanto à polémica que tem surgido entre a Bandeira Azul e alguns municípios, que não concordam com os critérios de atribuição do galardão, o ambientalista diz que, na maior parte das vezes, a Quercus concordou com a posição da Associação Bandeira Azul.

Reforço do rastreio ao cancro da mama

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Ministério da Saúde estabelece parceria com Fundação Champalimaud A parceria entre o Estado e a Fundação Champalimaud vai permitir aumentar o rastreio, diagnóstico e tratamento dos doentes com cancro da mama, que poderão ser encaminhados para aquele centro de investigação a partir de Junho. A ministra da Saúde, que assinou recentemente um protocolo com a Fundação, afirmou que o cancro da mama é uma das áreas prioritárias desta parceria, aumentando rastreios e melhorando diagnósticos. “Se aumentarmos o rastreio, nomeadamente na região de Lisboa e Vale do Tejo onde o rastreio é muito incipiente, poderemos dar uma resposta muito maior, beneficiando as mulheres com um diagnóstico precoce”, declarou a ministra aos jornalistas. O Centro de Investigação Champalimaud, que contará também com um hospital, poderá ajudar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) com o diagnóstico e tratamento da doença, que é um dos tumores mais frequentes em Portugal. No entanto, a ministra admite que ainda não está definido quanto é que cada doente encaminhado para a Fundação custará ao Estado. “Depois terá de ser obviamente estabelecido os custos que o SNS gasta com o tratamento dos doentes, o que será feito instituição a instituição, com a supervisão da Coordenação Nacional para as Doenças Oncológicas”, disse a ministra. Os investigadores da Fundação Champalimaud vão ter acesso aos bancos de tumores dos hospitais públicos para ajudar na investigação científica, revelou ainda a ministra da Saúde. Na sua primeira visita ao Centro para o Desconhecido da Fundação Champalimaud em funcionamento, a ministra Ana Jorge revelou que os investigadores da Fundação vão passar a ter acesso aos bancos de tumores que existem em alguns hospitais portugueses. “Os bancos de tumores existem nas instituições do Serviço Nacional de Saúde e foi muito conquistado pelos profissionais portugueses, porque necessitam deles para os processos de investigação. Aquilo que o protocolo permite é que pode haver processos de investigação em conjunto”, referiu Ana Jorge aos jornalistas. Também a presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, sublinhou que os investigadores precisam de ter acesso a doentes e a material que possa ser estudado. Em contrapartida, “a fundação também abre as portas aos investigadores e aos médicos do SNS” para um trabalho conjunto. “O protocolo também possibilita fazermos, em conjunto com outras instituições, investigação clínica, incluindo doentes que estão em instituições do SNS ou aqui”, afirmou. Globalmente, o protocolo assinado abre a porta a que os doentes com cancro seguidos no SNS tenham acesso aos tratamentos e à investigação do Centro Champalimaud. Contudo, a percentagem de doentes a serem tratados e os custos que este encaminhamento envolve para o Estado ainda não estão definidos.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Cascais conquista recorde

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Litoral do concelho vai hastear, este ano, 12 Bandeiras Azuis O litoral de Cascais vai hastear, esta época balnear, 12 Bandeiras Azuis em igual número de zonas caracterizadas como balneares. Um resultado histórico, já que o anterior máximo foram seis (em 2006 e 2009), o que deixa “orgulhoso” o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, que promete “continuar a assumir a responsabilidade de manter e garantir as condições que alcançámos”. Guincho, Crismina, Moitas, Tamariz, Poça, S. Pedro do Estoril, Parede, Conceição Carcavelos, Rainha, Duquesa e Avencas vão ostentar o galardão, atribuído pela Associação Bandeira Azul da Europa, instituição formada por um júri internacional. O ano passado não foram formalizadas candidaturas, no caso do concelho de Cascais, à Bandeira Azul. Para a obtenção desse galardão era necessário cumprir um conjunto de critérios (Informação e Educação Ambiental; Qualidade da Água; Gestão Ambiental e Equipamentos; Segurança e Serviços), alguns dos quais não estavam dependentes da autarquia. Depois de alertar as entidades competentes de que existiam condições que não dependiam do município, como o elevado grau de pluviosidade que enchia as ribeiras e causava situações negativas nas praias e ter-se comprometido a realizar análises a seguir às chuvas, a autarquia avançou ainda com os perfis da praia (exigência da ARH Tejo) a 6 de Dezembro passado. Carlos Carreiras adiantou ao JR que, às vezes, “temos que arriscar e todos os riscos que se corram a favor do Ambiente são sempre positivos”. “O ano passado, as autoridades apresentaram regras muito rígidas para a realidade das praias de Cascais e isso estava a tirar competitividade ao concelho e, por conseguinte, ao país. Com a revisão dessas regras, uma vigilância das ribeiras do concelho e as negociações com a ARH Tejo, Sanest e Águas de Cascais foi possível este resultado de 1 2 Bandeiras Azuis, que é um motivo de orgulho municipal e de reconhecimento dos concessionários de praia”. Carlos Carreiras considera que “a Bandeira Azul é um símbolo de excelência. Excelência das nossas praias, das nossas águas e do nosso ambiente. E, no caso de Cascais, as Bandeiras Azuis são também um reconhecimento de que as nossas políticas ambientais nos últimos anos têm caminhado no sentido certo. Este número mostra que vale sempre a pena correr riscos em nome do Ambiente”. Para o edil, “Cascais volta assim a um lugar que é seu por direito próprio: um lugar de reconhecimento da qualidade e da primeira grandeza das nossas praias a nível nacional e internacional”. Para os próximos anos, o presidente da Câmara de Cascais quer manter a qualidade das praias. “Esta atribuição também significa o assumir de uma responsabilidade de manter e garantir as condições que alcançámos, mas também a responsabilidade de prestar um serviço de qualidade aos munícipes e aos visitantes”. O Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal foi, ainda, um dos oito centros nacionais reconhecidos com o galardão “Bandeira de Centro Azul”.

Chalet da Condessa recupera esplendor

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Parques de Sintra-Monte da Lua ‘devolve’ imóvel histórico aos visitantes do Parque da Pena Renascido das cinzas, do incêndio que o consumiu em 1999, o Chalet da Condessa volta a exibir o seu esplendor na zona ocidental do Parque da Pena. Juntamente com a requalificação dos jardins envolventes, o imóvel deixou para trás os andaimes que, após mais de uma década, ensobravam a arquitectura de um edifício construído pelo Rei D. Fernando II, em 1870, para a sua segunda mulher, Elise Hensler. A Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML) assinalou, esta terça-feira, a conclusão dos trabalhos de consolidação e reforço estrutural, reconstrução até à fase de toscos (paredes, pavimento e coberturas, vãos e varanda) e instalação de infra-estruturas (electricidade, comunicações, segurança, água e esgotos), numa cerimónia que contou com a presença da ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, do secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, do presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, assim como da embaixadora da Noruega, Inga Magistad. Esta primeira fase dos trabalhos, que arrancou em 2007, representou um investimento de cerca de um milhão e meio de euros, comparticipados em 840 mil euros pelo mecanismo europeu EEA Grants. A partir de agora, o investimento de reabilitação do interior, sala a sala, poderá ascender a igual montante e durar mais "um a dois anos". Durante a realização dos trabalhos, à semelhança do que aconteceu nesta primeira fase, os visitantes são convidados a visitar a realização das obras e constatarem o andamento da intervenção. O objectivo é, a par da reabilitação de um património único, ao estilo dos ‘chalets’ de montanha das regiões alpinas do Norte da Europa,criar um novo pólo de atracção do Parque da Pena. Uma alternativa de visita ao Palácio da Pena, que surge no horizonte ao visitante da zona de envolvência do Chalet da Condessa. Um imóvel que poderá acolher "pequenas exposições, lançamento de livros, pequenos eventos culturais ligados a D. Fernando, à Condessa, ao Romatismo, a Sintra", como salienta o arquitecto José Maria Lobo de Carvalho, responsável pelo restauro do Chalet. O espaço vai acolher um espaço multimédia, uma sala de apoio ao visitante, para as pessoas serem enquadradas na realidade do tempo de D. Fernando, da Condessa d’Edla e da construção do imóvel. Na cerimónia de inauguração, António Lamas, presidente do conselho de administração da PSML, recordou que "recuperar o Chalet e o Jardim da Condessa era uma prioridade há muito reivindicada por todos os que se interessam pelo património de Sintra e pela própria UNESCO", Trata-se de "um edifício muito simples, mas com uma forte carga cénica, não só pelo local e pelas vistas que dele se avistam, mas também pelo reboco exterior, em massa, pintada a fingir um revestimento em madeira e pelo uso exaustivo da cortiça como elemento decorativo". O revestimento exterior da cortiça, aliás, volta agora a ser uma das principais imagens demarca do imóvel. Para trás ficou uma imagem de completa degradação, que ainda estava visível em 2006. "Os escombros estavam no chão e esta zona envolvente estava quase impenetrável, com a queda de ramos e o crescimento do coberto vegetal ao longo de mais de 50 anos", frisou António Lamas. Desde 2007, a PSML tem promovido um árduo trabalho de reabilitação, marcado pelo rigor histórico e autenticidade histórica. "A recuperação do Chalet da Condessa assumiu-se, desde o início, como uma reposição de uma perda cultural por acto humano e, portanto, como reconstrução de um imóvel classificado, em 1993, e de grande importância histórica e artística em contexto paisagístico no Parque da Pena", reforçou o presidente do conselho de administração da PSML. Além do Chalet, também o jardim envolvente foi alvo de profundo restauro, com a reposição e introdução de espécies botânicas oriundas de várias espécies do mundo, num investimento que ascendeu a cerca de um milhão e 350 mil euros (600 mil do EEA Grantes). Coordenado pelo engenheiro Nuno Oliveira, o programa de restauro devolveu ao espaço, na zona ocidental do Parque da Pena, todo o carácter romântico dos jardins. "Na valorização da colecção botânica, removeram-se as espécies infestantes e, após uma aprofundada pesquisa histórica, procedeu-se à plantação de mais de oito mil plantas", realçou António Lamas. A intervenção de requalificação do Chalet da Condessa contemplou, ainda, a requalificação do portão e da casa do guarda, que serve agora como bilheteira, "nas traseiras da qual será construída uma cafetaria e instalações sanitárias para toda a zona".