terça-feira, 12 de abril de 2011

ESTRADA MILITAR DA DAMAIA Bairro à espera de condições dignas deste século

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Com o PER em ‘banho-maria’, moradores exigem melhor qualidade de vida Quem passa na Reboleira, junto à estação da CP, nem se apercebe do aglomerado de barracas que povoa a Estrada Militar da Damaia, entre as duas freguesias. Trata-se de um dos bairros integrados no Programa Especial de Realojamento (PER), mas o processo tarda em avançar. Até lá, a Comissão de Moradores apela a que “se melhorem as condições dos seus habitantes”. Ruas esburacadas, árvores que brotam do meio das casas, lixo que invadiu as ruas e entulho a cobrir aquilo que já foram habitações. A contribuir para o mau cheiro há ainda contentores do lixo por lavar e que nem tampas têm, dado o avançado estado de degradação. Estas são algumas das queixas da Comissão de Moradores do bairro, constituída em 2009, para “fazer valer as reivindicações junto do poder local, como a Junta de Freguesia da Damaia e a Câmara Municipal”, refere Anabela Cunha, actual presidente da Comissão de Moradores da Estrada Militar da Damaia. Andar pelas ruas do bairro é, muitas vezes, uma aventura. A única rua de ligação à escola primária, não é mais do que um morro coberto de entulho. Quando chove “fica transformadonumaribeira” e no Verão não é melhor, “enchendo-se de bicharada”, refere, Armindo Cunha, também elemento da Comissão deMoradores. Mas, para além do lixo acumulado em todos os cantos do bairro, também os buracos da Estrada Militar, alcatroada em meados da década de 80 do século passado a expensas dos moradores, vão sendo cada vez maiores. “De vez em quando vêm cá tapar um ou outro, mas depois volta tudo ao mesmo, especialmente com as fortes chuvadas”, reconhece Anabela Cunha. Os camiões do lixo lá vão passando no bairro para efectuar a recolha, mas Anabela queixa-se que “de pouco ou nada serve” porque os contentores estão sem tampas. “Podemos estar sempre a pedir desratizações para o bairro que volta tudo ao mesmo”, considera. A imagem do bairro não é a melhor e a comissão de moradores sente-se “sozinha”. Caso houvesse uma intervenção “por parte da autarquia, que lavasse a cara do bairro, a população que aqui reside também acabaria por cooperar”, afiança Anabela Cunha, acrescentando ainda: “Não há previsões para o início do processo de realojamento do bairro, podendo ser mais cinco, dez, 20 ou 30 anos de espera, por isso queremos ter condições enquanto aqui estivermos”, adianta. Maria José Costa vai mais longe nas críticas. Ali residente há cerca de 20 anos, lembra que “a imagem degradada que o bairro tem, tem vindo a aumentar nos últimos dez anos”, em particular quando “se começaram a centrar as atenções no bairro da Cova da Moura”. Queixa-se de “assaltos a toda a hora e em vários locais do bairro”. Sendo que, para melhorar os níveis de segurança, a Comissão de Moradores pede um reforço de iluminação pública. A comissão garante já ter reunido com a vereação da Habitação para levantar estes problemas, “mas até agora pouco ou nada foi feito”. Desde que foi constituída a comissão, em Maio de 2009, “temos vindo a tentar que sejam feitos melhoramentos”, refere Anabela Cunha. O bairro da Estrada Militar da Damaia cresceu ainda antes do 25 de Abril de 1974. No entanto, depois dessa altura começou a ganhar outra dimensão. Francisca Silva é uma das mais antigas moradoras do bairro, onde vive desde 1975. Lembra-se de como no início as habitações eram verdadeiras barracas feitas de madeira e zinco, que depois vieram a dar lugar a casas de tijolo. “As casas estão melhores agora, já temos água canalizada e electricidade, mas as exigências deste século são outras”, refere. Carla Tavares, vereadora da Habitação na Câmara Municipal da Amadora (CMA), adiantou já ter recebido as queixas dos moradores, mas por este ser um bairro PER "as intervenções estão limitadas, não havendo para já uma data para a sua demolição".

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lago do Parque da Paz perde água mas não seca

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Água tem dado lugar à lama e ao mau cheiro Nos últimos dias, o lago principal do Parque da Paz tem estado meio vazio, o que levantou algum descontentamento em quem procura este pulmão verde para passar algumas horas afastado do reboliço da cidade. Muitos são também os pais e avós que aproveitam para passear com as crianças e divertirem-se com as muitas aves que frequentam este espelho de água. Mas a água tem dado lugar à lama, muitas das aves aquáticas afastaram-se e instalou-se o mau cheiro. “Frequentemente, à tarde, eu venho para aqui passear com a minha neta, dar de comer aos patos e vê-la divertir-se. Mas com o lago quase sem água fica muito triste”, lamenta a avó Natália. Tal como esta residente no Feijó, o casal Fernandes costuma aproveitar algumas das tardes para brincar com o seu filho de dois anos. “Tenho medo que este lodo possa causar problemas. Os patos andam aqui pela relva com as patas sujas e receio deixar o meu filho andar aqui a brincar”, diz a mãe Fátima. “Estamos ambos desempregados, pelo menos vir para aqui ajuda a esquecer um pouco os problemas”. A solução tem sido procurar a zona interior do Parque da Paz, mas “o Ivo só quer estar ao pé dos patos”, acrescenta. Apesar de ser triste ver o lago principal deste espaço verde quase sem água, o certo é que esta situação “é normal” em períodos sem chuva, esclarece o vereador responsável pela Valorização Urbana.Na verdade aquele lago “é uma grande bacia de retenção das águas pluviais”, criada para evitar cheias, nomeadamente na Cova da Piedade. Outro motivo para haver menos água é “quando se prevê que vá chover com intensidade. As comportas são abertas para baixar o nível da água e receber a pluviosidade”, diz Rui Jorge Martins. A realçar que a intenção da autarquia não foi criar ali um grande espelho de água para recreio, o vereador diz que as aves aquáticas ali existentes não resultaram de um povoamento programado. “Foram surgindo aos poucos, talvez alguém as tenha trazido”, e o mesmo aconteceu com os peixes. Seja, como for, “ainda bem que isso aconteceu”, comenta Rui Jorge Martins. Entretanto o recente abaixamento do nível das águas tem outra explicação. “Regularmente é necessário fazer a limpeza das comportas para garantir o funcionamento do sistema de elevação e nessa altura o lago tem de estar mais vazio para se poder executar a obra”. Mas, Rui Jorge Martins descansa as muitas centenas de pessoas que procuram o Parque da Paz por lazer ou exercício físico. “No Verão o lago vai continuar com água”.

PROTECÇÃO DE MENORES Risco de maus-tratos está a subir

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Crise pode traduzir-se em aumento de novos casos São várias as novidades que marcam o relatório da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras referente a 2010: pela primeira vez, o número de novos processos diminuiu; os pais e familiares mostram-se mais actuantes e passaram para uma inédita terceira posição na lista das entidades que mais sinalizam casos; e foi introduzida uma nova problemática – a dos comportamentos de risco – que logo se destacou no seu impacto, sobretudo nos jovens com mais de 15 anos. Quanto ao maior factor de surpresa, Luísa Costa, presidente da CPCJ de Oeiras, mantém, todavia, uma atitude de prudência quanto à continuidade desta tendência. “A diminuição do número de processos novos – de 419 em 2009 para 327 em 2010 – poderá querer dizer que as entidades de 1.ª linha, que fazem de tampão, conseguem resolver o problema antes de ele chegar cá, que é o que a lei diz que deve acontecer e é bom sinal que assim seja!”. No entanto, com a crise instalada não será de estranhar que comecemos agora a ver os seus efeitos acumulados e é sabido que "à medida que as famílias começam a ter problemas económicos gravíssimos também aumenta o risco de maus-tratos. Vamos a ver…”. Ainda assim, para já, a diminuição de novos casos abertos é um facto a celebrar. Entre as explicações conta-se o “muito trabalho” das entidades reunidas na modalidade alargada da CPCJ de Oeiras – onde estão reunidas variadas instituições que, numa 1.ª linha de actuação, podem resolver os problemas na origem antes de a sua gravidade obrigar à intervenção da Comissão. É o caso da recente constituição dos núcleos de Apoio à Criança e Jovem em Risco (NACJR) no ACES (Agrupamento de Centros de Saúde) de Oeiras, Oriental e Ocidental, e no Hospital de São Francisco Xavier, o que “veio constituir um factor facilitador da articulação e da agilização de procedimentos”. Sem esquecer o trabalho com as escolas e outras entidades. “Esta tendência positiva da redução dos novos processos evidencia o reconhecimento pela comunidade das suas funções na 1.ª linha da protecção da criança, assim como uma abordagem e um trabalho de proximidade com as famílias mais vulneráveis”, conclui Luísa Costa, repetindo, porém, “o risco de a lógica da crise vir a afectar esses resultados…”. Outra nota de realçar é a passagem das sinalizações feitas por pais e familiares do 4.º para o 3.º lugar (com 13,5%) na lista de agentes sinalizadores, igualmente pela primeira vez, ultrapassando o sector da Saúde (que se ficou pelos 7,4%). A maior fonte de sinalizações continua a ser a escola, seguido das forças de segurança. “Significa, por um lado, que os pais sentem a necessidade de apoio e, por outro, que os pais foram ganhando o conhecimento – seja pelos vizinhos e amigos ou pela comunicação social – de que nós podemos mesmo ajudar”, regozija-se a presidente da CPCJ de Oeiras. “Penso que é já um bocadinho o começar, apenas o começar, da inversão daquele preconceito de que a comissão significa retirar as crianças”. Quanto à introdução de uma nova categoria de problemática – a dos comportamentos de risco – Luísa Costa informa que a mesma particulariza “situações de risco de crianças e jovens, às quais os pais não conseguem opor-se de modo a removerem essa ameaça geradora de perigo para os menores”. É sobretudo no escalão etário entre os 11 e os 14 que se verifica a maior subida das novas sinalizações feitas no ano passado. Nesta franja etária, de 2009 para 2010 aumentou a prática de acto considerado crime, os comportamentos de risco atinge mais de 15%, o abandono escolar baixou moderadamente e o abandono das crianças, que não existia em 2009 subiu para quase 5% dos casos sinalizados. No escalão dos 0 aos 5 anos, mantém-se a negligência como a primeira causa de sinalização, destacando-se o aumento dos maus tratos físicos e psicológicos. No escalão dos 6 aos 10 já surge a problemática dos comportamentos de risco, que se evidencia no escalão dos 11 aos 14 anos e que assume o seu maior valor nos jovens com mais de 15 anos (perto de 26%). É também neste último escalão que o abandono escolar assume o seu valor mais elevado (31%). Os processos reabertos em 2010 baixaram muito relativamente a 2009 (de 116 para 67) e corresponderam, na sua maioria (68%), a uma nova situação de perigo. Foram mais numerosos nos escalões 6 aos 10 e 15 aos 17 anos.Quanto aos motivos de reabertura, verifica- se no escalão 0 aos 5 um valor de 82% para a negligência parental, no 6 aos 10 são os maus-tratos físicos (30%) e nos jovens os comportamentos de risco assumem valor de 62%. Na análise por freguesias, do relatório 2010 da CPCJ de Oeiras destaca-se a posição preocupante de Algés, “a única que apresenta tendência crescente desde 2007, tanto na percentagem de novos processos como no valor de permilagem por número de crianças residentes”, em que é segunda classificada com 13,1%o. Carnaxide continua a ter o maior número de novos processos instaurados (60, correspondendo a 18,4%), mas desde 2009 que mostra tendência decrescente: -6,3 % nesse ano e -1,2%em2010. A freguesia de Porto Salvo está em 2.º e também baixou em relação a 2009 (-3,6%). Em 3.º na lista vem Oeiras, também com tendência de baixa. Cruz Quebrada-Dafundo está a crescer desde 2007 nesta contagem, mas na relação como número de crianças residentes, até decresceu em 2010. As freguesias de Barcarena e Queijas inverteram a sua tendência decrescente e, em 2010, subiram para 6,4% e 3,7%, respectivamente. Finalmente, Caxias, Linda- a-Velha e Paço de Arcos baixaram face a 2009.

SÃO DOMINGOS DE RANA Centro Social e Paroquial apresenta melhores condições

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Obras, no montante de 600 mil euros, beneficiam cerca de 350 crianças
As cerca de 350 crianças do Centro Social e Paroquial de S. Domingos de Rana (CSPSDR) já beneficiam do espaço requalificado por aquela instituição junto ao actual edifício. A sua inauguração decorreu no passado dia 30 de Março, no âmbito das comemorações dos 50 anos da sua fundação, e contou com a presença do presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, e do bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos de Azevedo, que o visitou e abençoou. A requalificação, que abrangeu igualmente o edifício existente, vem criar melhores condições para as 350 crianças que frequentam as respostas proporcionadas pelo CSPSDR, como sejam as actividades de tempos livres (100 crianças dos 6 aos 10 anos), de enriquecimento curricular da Escola Básica n.º 1 de S. Domingos de Rana (200 crianças), e ensino pré-escolar (seis salas frequentadas por 50 crianças). Em declarações ao JR, Maria Amélia Cabrita, da direcção do CSPSDR, salientou que “estávamos perante um edifício que já tinha chegado ao fim de vida e o Centro Social e Paroquial resolveu requalificar este espaço para as valências que já existiam terem melhores condições para as crianças que estão inscritas. Mas, não dá para recebermos mais”. A responsável explicou que “o recreio foi aproveitado a partir de um espaço aparentemente invisível e no edifício aproveitámos a cave para o apoio técnico, equipamentos, vestuário e uma sala do pessoal. No rés-do-chão ficámos com duas salas de pré-escolar e um espaço polivalente que também servirá para reuniões. No terraço, está a parte técnica”. Maria Amélia Cabrita frisou que “tudo foi feito com muito carinho para proporcionarmos às crianças um melhor ambiente”. O novo edifício foi financiado maioritariamente com capitais próprios. “Teve um custo de cerca de 600 mil euros”, sublinhou Amélia Cabrita e contou ainda com o apoio do Ministério da Educação, no âmbito do alargamento da rede do Ensino Pré-Escolar (117 mil euros). Na Infância, para além das AEC e Ensino Pré-Escolar, o CSPSDR integra a plataforma "Crescer melhor em Cascais" e tem ainda em funcionamento cinco salas de creche frequentadas por 86 crianças, às quais acrescem mais duas: uma no Bairro do Zambujal e outra no Bairro de Brejos, apoiando um total de 16 crianças dos 4 meses aos três anos. Ao nível da 3.ª Idade, o Centro Social e Paroquial de S. Domingos de Rana dá resposta em Centro de Dia a 35 idosos e de Centro de Convívio (durante a parte da tarde) a 46 munícipes, distribuídos entre os espaços de S. Domingos de Rana e Arneiro. Acrescem a estas respostas, ainda ao nível da idade maior, o Apoio Domiciliário prestado a 48 pessoas, bem como apoios diversos no âmbito das Ajudas Técnicas e Desenvolvimento Social, protocolos em que esta entidade é parceira da Câmara de Cascais e que têm como objectivos auxiliar as pessoas dependentes residentes no concelho, assegurando a satisfação das suas necessidades básicas.

‘Amigos sem Fronteiras’

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Alunos e professores da EB2,3 de Albarraque felizes por auxiliarem a Ajuda de Berço Na Escola EB2,3 de Albarraque, há alunos que estão a dar uma lição à sociedade consumista e anestesiada: afinal, os jovens podem entusiasmar-se mais a dar do que a receber, podem discutir e ter ideias que vão para além do futebol e das séries televisivas, e até podem agir em vez de cruzarem os braços, pondo a render, em favor de quem mais precisa, acções plenas de criatividade, empreendedorismo e de sensibilidade social. É o que têm feito os alunos que passam pelo ‘Clube Amigos sem Fronteiras’, criado naquele estabelecimento de ensino há cerca de três anos. Neste período, já auxiliaram associações que apoiam animais em risco (como um canil em Tercena e a Associação de Protecção de Cães Abandonados de Sintra) e, ainda, a Ajuda de Berço. Para o fazerem habituaram-se a planear os passos a dar, analisar os problemas, descobrir soluções. Estas podem ser, por exemplo, a organização de uma caminhada com inscrições a preços simbólicos e venda de ‘t-shirts’ no local, ou o sorteio de um mp3. No caso desta última iniciativa, os alunos desenvolveram mesmo artes de empreendedor: com o dinheiro das rifas – e ainda sobrou – mandaram imprimir um desenho (também executado pelos jovens) em sacos de tecido numa pequena gráfica de Belas; depois, venderam-nos, a pais e amigos, na festa de Natal do ano passado, conseguindo uml ucro assinalável. Resultado: em breve, os ‘Amigos sem Fronteiras’ e os professores que os enquadram vão deslocar-se, uma segunda vez, à Ajuda de Berço, para entregar em cerca de 500 euros em dinheiro e um vasto conjunto de produtos para bebé que, entretanto, os alunos têm andado a recolher!... Ainda não se sabe ao certo quando será feita a entrega, mas já todos sabem como vai terminar o passeio àquela instituição, em Lisboa… “Vai ser uma choradeira pegada”, antecipa Marta Ramos, uma das duas professoras que têm acompanhado desde o início as actividades do Clube. A docente de Ciências recorda como a emoção tomou conta dos miúdos aquando da primeira visita, no ano lectivo 2008/2009. “Eles fizeram lá uma peça de teatro e ficaram muito comovidos com as reacções dos pequeninos, os seus sorrisos e a sua alegria, apesar das histórias de vida tristes…”, recorda Marta Ramos, frisando que esse é um dos principais impactos do projecto. “No início, havia quem estranhasse: ‘Então vamos dar coisas aos outros e não recebemos nada em troca?’. Mas, no fim, quando estiveram com os bebés, tal como, antes disso, quando puderam passear os cãezinhos que também ajudaram, nessas alturas, eles percebem que, afinal, recebem muito em troca”. Algo que consegue cativar mesmo alguns dos miúdos mais rebeldes. “Esses, aliás, acabam por ser dos mais entusiastas”, confirma Marta Ramos, acentuando as potencialidades do projecto: “Surgiram obstáculos, sobretudo no início,mas até isso é bom porque permite aos miúdos perceberem que nem tudo é fácil e que vale a pena não desistir logo perante as dificuldades”. Lançado pela docente de Educação Musical Catarina Crespo – ao pretender ir mais além do que a recolha de produtos para o Banco Alimentar que a escola costuma realizar - o Clube está vocacionado para os 5.º e 6.º anos, mas actualmente conta com a colaboração de alunos do 7.º ano. Além disso, as turmas 5.º A e 5.º B aderiram a esta iniciativa no âmbito da disciplina de Área Projecto, tendo já criado folhetos, cartazes e até um blogue. Por outro lado, também as escolas do 1.º Ciclo do Agrupamento Alfredo da Silva (com sede na EB2,3 de Albarraque) estão a participar na recolha de bens para aAjuda de Berço. “Não tem sido fácil, pois até nesta micro-sociedade que é a nossa escola se nota a crise, mas é gratificante ver que todos se unem por uma mesma causa! E para nós professoras o mais importante é a experiência devida que estas iniciativas proporcionam às crianças”, conclui Marta Ramos. Moral da história: professoras mais realizadas profissionalmente, apesar da sobrecarga horária; alunos mais solidários, apesar do bombardeamento consumista. E muito mais esperança em dias melhores…

CRIL Obra quase pronta para a inauguração

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Data de abertura está para breve mas ainda não foi definida. Decisão nas mãos do Governo Com ano e meio de atraso em relação ao tempo previsto para a execução da obra, está tudo a postos para a abertura dos 3,6 quilómetros que vão permitir fechar a CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa), no troço entre a Pontinha e a Buraca. Tal como a empresa Estradas de Portugal (EP), dona da obra, tinha anunciado em Janeiro, a via fica pronta este mês. Durante esta semana, estão a ser realizados os testes em todo o sistema eléctrico, desde a ventilação, passando pela sinalética, mas ainda não há data de inauguração. A abertura da CRIL está agora nas mãos do Governo, uma vez que “está tudo praticamente pronto, mas a marcação do dia já não depende das Estradas de Portugal”, explica José Faleiro, engenheiro da EP responsável pela obra, acrescentando que “estamos a proceder aos testes globais, colocando todo o sistema eléctrico em funcionamento”. Mais de três anos depois de ter sido adjudicada, por 111,6 milhões de euros, a obra do troço que falta para fechar a CRIL e cerca de 15 anos de vários avanços e recuos, num projecto bastante contestado pelas populações da evolvente à via, a CRIL pensada há mais de 40 anos vai finalmente entrar em funcionamento. Quando for aberto o troço que falta para a sua conclusão, a CRIL vai permitir ligar Algés a Sacavém, numa extensão de 21 quilómetros. Esta estrada terá um perfil de duas faixas de rodagem, cada uma delas com três vias, sendo que a quarta via aparece sempre que há uma entrada e uma saída. Tem dois túneis, um deles sob os aquedutos das Águas Livres e das Francesas, o outro debaixo do caneiro de Alcântara. Dispõe de quatro nós de acesso a vias locais, mas também ao IC16. No entanto esta última ligação ainda está por fazer, mas a EP espera vê-la concluída ainda este ano. A par dos 3,6 quilómetros, foram construídos mais 16 quilómetros em ligações e vias secundárias. Uma obra “complexa”, reconhece José Faleiro, não pela sua extensão,mas pela malha urbana onde se insere, abrangendo nove freguesias dos concelhos de Amadora, Odivelas e Lisboa, onde residem cerca de 600 mil pessoas. Mas, as razões para que os trabalhos tenham atrasado um ano e meio e derrapado cerca de 5 por cento do valor inicialmente previsto, estiveram relacionadas com “dificuldades de execução da obra, associadas a dificuldades técnicas, como vencer as questões colocadas pelas existência dos dois caneiros e dos aquedutos, assim como a libertação das parcelas necessárias à obra”, refere José Faleiro. Aos 111 milhões de euros, valor da adjudicação da obra, somam- se ainda cerca de 70 milhões de euros usados para as expropriações dos terrenos. Mais de 1600 pessoas foram realojadas, quatro edifícios de oito andares e seis moradias tiveram que ser demolidos. Durante todo o processo, a EP enfrentou 11 acções judiciais, das quais ainda uma está a decorrer em tribunal. De acordo com um estudo recente, está prevista a circulação de cerca de 100 mil veículos por dia apenas no troço agora concluído. Dada a sua complexidade o limite de velocidade será de 70 quilómetros por hora e haverá um radar por cada via, num sistema inédito no país, que será monitorizado pela Polícia de Segurança Pública (PSP). Para além deste sistema de controlo de velocidade, a CRIL será um verdadeiro ‘big brother’, pois “não terá ângulo morto, toda a via estará sobre vigilância das câmaras que serão monitorizadas pela Ascendi, a concessionária da Grande Lisboa”, refere ainda o responsável.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Costa aplaude interesse público da via 377-2

Ver edição completa CDS-PP considera que estrada é um atentado ambiental e recorre à Comissão Europeia A Estrada Regional 377-2, que irá assegurar a ligação entre a Costa da Caparica e a Fonte da Telha, acabou de ser considerada como de “relevante interesse público” pelo secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Rui Barreiro, em redacção publicada em Diário da República, a 24 de Março. Uma decisão que agrada ao presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica. Há muito que António Neves vinha alertando para a necessidade da construção desta via que irá retirar do centro da cidade atlântica o trânsito que se dirige às praias. “A 377-2 é fundamental para a Costa da Caparica”, reafirma o autarca ao Jornal da Região, lembrando, no entanto, que é preciso salvaguardar as questões ambientais que a obra implica. Esta via, integrada no lote de obra do IC32, vem ainda ajudar a descongestionar a A2 e o IC20 (Via Rápida da Costa da Caparica), mas tem levantado alguns receios de impacte ambiental negativo por atravessar uma parte significativa de terrenos classificados como Reserva Agrícola Nacional (RAN), nas chamadas Terras da Costa. Uma questão levantada pela Entidade Regional da Reserva Agrícola de Lisboa e Vale do Tejo que chegou a dar parecer desfavorável à construção da 377-2, mas que posteriormente a Entidade Nacional da Reserva Agrícola entendeu ser de “relevante interesse público”. Com isto o projecto foi sujeito a Avaliação de Impacte Ambiental, na fase de estudo prévio, tendo sido emitida a respectiva Declaração de Impacte Ambiental, com despacho do Secretário de Estado do Ambiente, a 26 de Janeiro de 2008. A obra ficou, no entanto, condicionada a uma solução que minimizasse o impacte sobre os solos agrícolas. Ora esta argumentação não convence o CDS-PP que considera que as Terras da Costa vão sofrer um “atentado ambiental, paisagístico e natural”. Ainda antes da publicação em Diário da República do interesse público desta estrada regional, já o eurodeputado centrista Nuno Melo questionava a Comissão Europeia sobre o impacte negativo que a mesma iria provocar nos solos agrícolas daquele território e na zona da Mata dos Medos, considerada na Reserva Ecológica Nacional. Para além de pedir a “reavaliação do projecto”, Nuno Melo defende que existem “alternativas” para que os primeiros quatro quilómetros da via não tracem as Terras da Costa. No seu alerta em Bruxelas o eurodeputado acrescenta que a obra pode vir a “violar” directivas comunitárias no que se refere à preservação das aves selvagens, fauna, flora e habitats naturais. No global, acusa que a construção da ER377-2, que terá uma extensão de 17 km, “não prevê alternativas que preservem os 200 hectares de área agrícola das Terras da Costa, cuja exploração permite atingir até quatro colheitas por ano, sempre com escoamento assegurado, quer no concelho de Almada, quer na Área Metropolitana de Lisboa”. Ao mesmo tempo alerta que serão “destruídos mais de seis hectares de dunas e habitats naturais situados na Mata Nacional dos Medos”, inserida no perímetro da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, considerada de grande interesse botânico e paisagístico. A argumentação de Nuno Melo é apoiada pelo CDS-PP de Almada que, através do seu grupo municipal, tem vindo a afirmar que a construção desta vai destruir área protegida. O mesmo tem dito o deputado centrista Nuno Magalhães na Assembleia da República. Perante isto, o partido não aceita o parecer do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural. Em desacordo com os deputados do CDS-PP está o social-democrata António Neves. Para o presidente da Junta da Costa da Caparica as questões ambientais “podem ser ultrapassadas com um projecto coerente”. Para além disso, reafirma a necessidade de ordenar as Terras da Costa da Caparica. É que por entre os terrenos agrícolas “existem muitas casas clandestinas”, ou seja: "É preciso salvaguardar os interesses dos verdadeiros agricultores locais", afirma.