sexta-feira, 18 de março de 2011

LINDA-A-VELHA Uma escola ‘quase nova’

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EB1 D. Pedro V tem melhores condições e mais espaço “Agora temos um recreio maior para brincar, um ginásio melhor que o outro que era pequeno e não podíamos fazer barulho porque havia salas de aula mesmo ao lado. E está tudo mais bonito...”. Deitados num pavimento que agora é de material sintético e antes era de terra batida (e lama no Inverno), as crianças que estudam na EB1 D. Pedro V, em Linda-a-Velha, tomaram contacto com todos os espaços, parte deles vedados até agora, da sua “quase nova” escola, esta terça-feira, após a cerimónia de inauguração das requalificadas e ampliadas instalações daquele estabelecimento de ensino. A obra, realizada no âmbito do Plano Estratégico de Equipamentos Educativos e que orçou em 1,2 milhões de euros, transfigurou edifícios e espaços exteriores. Os trabalhos decorreram em duas fases, a 2.ª das quais terminou no início desta semana e incluiu a construção de um novo edifício (em substituição de dois prefabricados de madeira que serviam de salas de aulas e de parte do campo de jogos em cimento ) dotado de duas salas de aula, ginásio e instalações sanitárias, para além da construção de um parque infantil, de utilização mista, pela Escola e aberto à comunidade. Na 1.ª fase – realizada no período de férias escolares do Verão de 2010 e terminada a tempo do início do presente ano lectivo, estando a escola em funcionamento desde 22 de Outubro – foi concluída a requalificação do edifício previamente existente, bem como os arranjos exteriores na sua zona envolvente. Nesta intervenção foi criada uma cozinha que permite a confecção local, um refeitório e instalações sanitárias das funcionárias, biblioteca/centro de recursos e zona de exposições, foi ampliada a sala de professores e as suas instalações sanitárias, bem como requalificado o pátio interior, substituídas as coberturas metálicas dos recreios cobertos, as chapas de fibrocimento na cobertura e os pavimentos, para além da pintura exterior, por sinal colorida. Para os petizes, porém, tudo isto se traduziu em sorrisos e correrias. E na experimentação das novidades, desde as mesas e bancos de repouso ao recanto nascido no antigo campo de jogos (que era de cimento) onde as regras de vários jogos tradicionais (como a cabra-cega ou o lenço...) foram escritas em azulejos como forma de incentivar à prática destes divertimentos intemporais, sem esquecer a pequena horta pedagógica. Em sinal de apreço e contentamento, as crianças ofereceram ao presidente da Câmara e à comitiva de vereadores e técnicos da autarquia, presidente da Junta de Freguesia de Linda-a-Velha, Carlos Moreira, e director do Agrupamento de Escolas Amélia Rey Colaço, Augusto Pissarreira, um pequeno espectáculo de variedades, para além de muitos aplausos e gritos de “Isaltino!, Isaltino!”, coroada por uma imensa foto de grupo... Para o edil, o momento foi de “imensa alegria” por uma obra que permite “resgatar a cidadania de uma comunidade” e “trazer a esperança de um futuro melhor para as gerações mais jovens”. O edil acentuou que 2010 “foi mais um exemplo do significativo esforço que a Câmara tem denotado na requalificação do parque escolar concelhio”, o que sustentou com dados concretos: mais de dois milhões de euros gastos em obras de requalificação em 13 estabelecimentos de ensino durante as férias de Verão; o início da construção da EB1/JI Gomes Freire Andrade em Oeiras; a par da construção, já em fase de acabamentos, das novas EB1/JI do Alto de Algés e de Porto Salvo. Recorda-se que a empreitada na Escola EB1 D. Pedro V obrigou à deslocação de duas turmas para a EB1 Armando Guerreiro. Na mesma escola foi criada, entretanto, uma Unidade de Ensino Estruturado para suporte à actividade de crianças com necessidades de psicomotricidade específicas.

quarta-feira, 16 de março de 2011

CASCAIS Regeneração urbana em bairros sociais

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Câmara vai avançar com obras de requalificação nos bairros Marechal Carmona e Cruz Vermelha A Câmara de Cascais vai recuperar alguns bairros sociais e dar-lhes uma nova vida através da requalificação de imóveis, destruição de alguns lotes, novos espaços ajardinados e a criação de mecanismos de atracção empresarial. Os bairros Marechal Carmona e da Cruz Vermelha são alguns dos aglomerados habitacionais visados. No final do mês de Dezembro foi dado um importante passo para esse objectivo, a que a autarquia apelida de “programa de regeneração urbana”: A Câmara de Cascais celebrou um contrato-promessa com a Santa Casa de Misericórdia de Cascais, no qual o município se comprometeu a comprar 33,3% dos imóveis do sítio dos Murtais ou Cúcia, mais conhecido por Bairro Marechal Carmona, por dois milhões de euros, pagos numa escritura a celebrar dentro de cinco anos. Segundo a autarquia, “o conceito de regeneração urbana respeita a um conjunto de intervenções sócio-urbanísticas em áreas urbanas marcadas pela degradação do património edificado e do espaço público, pela insuficiência de equipamentos sociais elementares e por processos de exclusão social”. A revitalização urbana, considera o município, permite fazer face a “problemas que, de um modo geral, estão associados em matérias de falta de coesão ou integração social”. No caso do Bairro Marechal Carmona, o consenso entre a autarquia e a Santa Casa da Misericórdia de Cascais, na prossecução da regeneração urbana, visa também desonerar a Santa Casa de mais encargos, como ficou assente na deliberação camarária aprovada por unanimidade em 23 de Novembro de 2010, que antecedeu o contrato promessa de compra e venda. “No contexto desta proposta, também não pode ser olvidada a precária situação financeira da Santa Casa de Misericórdia de Cascais, a qual não lhe permite, isoladamente, intervir no processo de regeneração urbana dos seus bairros”. O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, criou o pelouro horizontal da Regeneração Urbana e explicou ao JR que o que se visa “é usar e dar funções novas ao próprio desenho do concelho de Cascais”. Contudo, para os bairros Marechal Carmona e Cruz Vermelha, que serão alvo desse programa, o edil não quis adiantar os projectos da autarquia. “Há uma filosofia em que quisemos apostar. As pessoas estão fartas de promessas, por isso, primeiro vamos planear e depois anunciar; é a fazer que a gente se entende”, justificou-se. Sem apontar projectos, admite que está prevista a demolição de dois edifícios no Bairro da Cruz Vermelha e acentuou que “a regeneração urbana pode passar por novas funções ao bairro, novos usos, a implementação de redes inteligentes que os tornem mais atractivos para trazer valências que nos garantem competitividade”. “A função meramente habitacional pode passar a ter a função empresarial”, concluiu o edil.

BOMBEIROS DE SÃO PEDRO DE SINTRA Novo quartel vai entrar ao activo a 1 de Abril

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Investimento ascende a dois milhões e meio de euros Um quartel a pensar no futuro. É assim que o comandante Pedro Ernesto Nunes classifica as novas instalações dos Bombeiros Voluntários de São Pedro de Sintra, que estão concluídas e devem receber a corporação em pleno a partir de 1 de Abril. A mudança de instalações, do exíguo quartel em São Pedro de Sintra com mais de 50 anos de actividade, está já em marcha, mas falta a ligação de infra-estruturas básicas, ao nível da energia eléctrica e das telecomunicações, para acelerar o processo. Para trás fica um longo caminho, de 15 anos de avanços e recuos, mas que começou a ganhar forma em Janeiro de 2009, com o arranque das obras em terreno da Quinta do Anjinho, junto à EN9, num investimento de cerca de dois milhões e meio de euros. Um sonho com 15 anos, mas que constituia um anseio de muitas décadas numa corporação que comemora, este ano, 105 anos. As limitações físicas das instalações situadas no centro de São Pedro de Sintra, tanto para efectivos como para viaturas, eram evidentes e condicionavam a operacionalidade da corporação. No novo quartel, "os bombeiros de São Pedro de Sintra ganham condições para poder desempenhar as suas funções, camaratas e balneários em condições, além de áreas específicas para formação". No velhinho quartel, a falta de espaço obrigava a estacionar as viaturas nas artérias adjacentes, também elas estreitas e que dificultavam as saídas para as ocorrências de emergência. "A mudança está a decorrer aos poucos. Esperamos que, até ao final deste mês, seja concretizada", avança ao JR Pedro Nunes, que revela que, se tudo correr bem com a instalação das telecomunicações e a vistoria da electricidade, "é natural que, a partir de 1 de Abril, a corporação possa funcionar a tempo inteiro no novo quartel". A inauguração, essa, fica reservada para mais tarde e até poderá ocorrer no âmbito da comemoração do aniversário da associação, que se assinala a 6 de Junho. "Não queremos inaugurar paredes, mas que a inauguração seja feita pelos próprios bombeiros e a festa será mais tarde", enuncia Pedro Nunes, que não esconde que, apesar da conclusão das obras, ainda há muitas missões a cumprir. "Ainda há muito trabalho por fazer e só a força de vontade do pessoal do corpo de bombeiros, que tem sido extremamente dedicado, vai permitir ter tudo operacional", salienta o comandante. Uma grande parte das 25 viaturas que integram o dispositivo da corporação de São Pedro de Sintra já ocupam os seus lugares, num parque coberto com capacidade para 30 veículos de emergência. A ampla parada interior permite o acesso à Casa-Escola (formação) e à zona de oficinas, outras vertentes que vão beneficiar, em muito, das novas instalações. Na área operacional do novo edifício, a moderna central de comunicações aguarda a mudança de equipamentos do antigo quartel, mas, mesmo esses, serão renovados a muito curto prazo, já que a associação se candidatou a financiamento comunitário, no montante de 90 mil euros, para adquirir material de última geração. Nesta área, vai funcionar uma Sala de Crise e um posto do Serviço Municipal de Protecção Civil, uma central de apoio às instalações da estrutura camarária situada na Portela de Sintra. Pedro Nunes, que integra o comando da corporação há 25 anos (primeiro como adjunto de comando e, desde 1989, como comandante), não esconde o orgulho com que apresenta as novas camaratas, vestiários e balneários para um corpo activo de 97 elementos. Com infantes, cadetes, fanfarra e quadro de reserva, o contingente aumenta para 148 elementos. Os cacifos já ostentam os nomes dos operacionais e as camaratas começam a ficar equipadas. As femininas, por exemplo, são uma necessidade cada vez maior em qualquer corporação de bombeiros. "Nos últimos anos, tem havido um reforço muito grande do corpo feminino. Temos, neste momento, cerca de 30 elementos", adianta Pedro Nunes. O ‘recheio’ do quartel, estima o comandante, poderá ascender a mais 70/80 mil euros. Uma tarefa que, além da direcção liderada por Joaqui mDuarte, mobilizou toda a corporação. "Um grupo de voluntários, que se intitulou ‘Por um Futuro Melhor’, empenhou-se arduamente para podermos arranjar algumas receitas. Muito do equipamento já instalado no quartel, a nível de mobiliário, cacifos, armários para equipamentos de protecção individual, deve-se a esse grupo de bombeiros que promoveu várias iniciativas de angariação de verbas", realça Pedro Nunes, que também louva o papel e a contribuição dos associados e da população em geral, como aconteceu por ocasião das últimas Eleições Presidenciais, junto das secções de voto. Para o grosso da obra, a associação contou com financiamento de 630 mil euros da Autoridade Nacional de Protecção Civil, 500 mil do município de Sintra, que adquiriu ainda o quartel no centro de São Pedro de Sintra, por 87o mil euros, que se revelou essencial para permitir a conclusão dos trabalhos no prazo de dois anos.

terça-feira, 15 de março de 2011

AMADORA ‘Falta diálogo entre a Câmara e as juntas’

Ver edição completa Afilhado Rodrigues, presidente da Junta da Falagueira, assume discurso muito crítico Foi eleito pela primeira vez como presidente da Junta de Freguesia da Falagueira no acto eleitoral de 2005 e reconduzido no cargo em 2009. Apesar de candidato pelo Partido Socialista, Manuel Afilhado Rodrigues mantém-se como independente. No entanto, numa freguesia envelhecida, onde não existem equipamentos, mostra-se “desiludido” com “a falta de diálogo com a Câmara Municipal da Amadora”, também socialista. Entre os onze presidentes de junta do concelho da Amadora, é umas das vozes mais críticas em relação à actuação da CMA, “não pelas grandes obras que este executivo tem realizado, mas pela falta de diálogo com as juntas de freguesia”. Talvez por ser independente e fazer questão de continuar a ser, sente-se mais livre para dizer o que pensa. “Às vezes tenho vontade de sair porque considero que o relacionamento entre a Câmara e as juntas de freguesia poderia ser melhor. Há falta de diálogo. As pessoas estão convencidas que o poder lhes é inerente, quando na verdade são eleitos pelo povo”, afirma Manuel Afilhado Rodrigues. O autarca dá como exemplo as verbas destinadas às freguesias, que não representam mais de 3,6 por cento do bolo geral do Orçamento Municipal. Um valor que para a Falagueira “não chega a 0,5 por cento, representando 525 mil euros”, adianta. Afilhado Rodrigues salienta, no entanto, o facto de não ter “recusado as descentralizações feitas pelo executivo municipal” e mostra-se orgulhoso por liderar “a junta de freguesia que na Amadora tem mais competências delegadas”. Porém, “essa transferência de competências deveria ser acompanhada de verbas”, critica. Esclarece que só votou favoravelmente o Orçamento porque, apenas está contra a parte destinada às freguesias. “De um modo geral é um bom documento, seria demasiado egoísta votar contra por causa de 3,5 por cento destinado às freguesias”. O autarca considera, por isso, que “no primeiro mandato as coisas correram melhor porque tínhamos grandes obras a decorrer na freguesia, como o melhoramento do Aqueduto das Águas Livres ou a construção do Parque Aventura, e houve outras preocupações. Estou também convencido que a crise tem levado a Câmara a retrair-se, mas as juntas, pelo contrário continuam a gastar e cada vez mais”. Manuel Afilhado Rodrigues acredita que “as juntas de freguesia são as que mais ouvem as queixas da população” e, por isso, defende “um maior diálogo e abertura da Câmara”. Numa freguesia envelhecida, o autarca queixa-se: “Se um dos nossos idosos quiser levantar a pensão de reforma tem de se deslocar a outra freguesia. Se tiver de ir às Finanças, também terá de o fazer noutro local. O Centro de Saúde fica na Venda Nova e a PSP, que tem delegações em quase todas as freguesias da Amadora, apenas faz um patrulhamento de proximidade na Falagueira”. Garante que uma das prioridades é a erradicação das barracas,“ em particular no bairro da Quinta da Lage onde as construções clandestinas têm vindo a crescer”. Também defende uma melhor articulação com a autarquia ou com a Polícia Municipal, que “neste momento está transformada em moço de recados da autarquia”. Uma outra necessidade que a freguesia tem é a falta de equipamentos destinados a idosos. “Houve um grande investimento com a construção de um pavilhão desportivo e de uma creche e jardim-de-infância, mas falta- nos um centro de dia para idosos. Já temos um projecto, numa parceria com uma associação de reformados”, refere.

sexta-feira, 11 de março de 2011

TRAFARIA Paróquia entra na luta

Ver edição completa Igreja de luto contra porto de contentores A Trafaria está a unir forças contra a construção de um porto de contentores e de um ramal ferroviário de mercadorias com ligação à plataforma logística do Poceirão. Desde a passada semana que a igreja da localidade exibe uma faixa negra em sinal de protesto contra estas opções previstas no Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROT-AML), ao mesmo tempo que está a decorrer um abaixo-assinado a ser entregue à Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e ao primeiro-ministro. A ideia partiu do padre da paróquia, Sérgio Quelhas, que afirma ser “mil por cento contra” a transferência dos contentores de Lisboa para a Trafaria, numa estratégia de expansão do Porto de Lisboa, e junto à faixa negra fez afixar um pano, também negro, onde se lê: “A margem Sul não é o caixote do lixo de Lisboa. A Trafaria não é cemitério”. E termina com um grito de protesto: “Não nos esmaguem”. Quem passa olha, mas nem todos entendem o futuro que está reservado para a Trafaria. “Ouvi falar de uns contentores, mas não sei o que se passa. Só sei que a Trafaria foi esquecida, e há muitos anos”, comenta um homem sentado num banco no Largo da República. Um outro diz que não tem a certeza se vale a pena protestar. “Quem manda faz o que quer”, lastima. Mas a presidente da Junta de Freguesia da Trafaria tem outra ideia. Francisca Parreira lembra que o poder político local “fez o que tinha a fazer contra” esta opção do PROT-AML durante o período de consulta pública, e que “agora é a vez dos cidadãos fazerem ouvir a sua voz”. E acrescenta: “Estou de acordo com o esforço da paróquia. É um movimento paralelo àquele que os autarcas fizeram”. E ao que parece o padre Sérgio Quelhas não vai desistir de defender a Trafaria como futura zona de desenvolvimento turístico. “Construir aqui um porto de contentores é uma visão portuguesinha não iluminada”. No seu entender, depois desta localidade frente ao Tejo ter recebido os silos, a vinda dos contentores e da linha férrea vai ditar a sua desertificação, e isso as pessoas daqui “não querem”. Pena é que “tenham dificuldade em se organizar e defender a sua própria terra”. Da Trafaria até Madrid numa noite Aliás, o pároco defende que esta luta deve ser extensiva a todas as freguesias e concelhos da Margem Sul, porque “quem olhar para aqui do lado de Lisboa vai ver uma frente de contentores e não terá interesse em atravessar o rio”. E o primeiro passo nesta junção de esforços “deve começar entre as onze freguesias de Almada” que, inclusivamente, já votaram em Assembleia Municipal, através dos seus presidentes, contra os contentores. Pronto para reforçar este protesto está o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica. António Neves só lamenta que quando “há muito tempo” alertou que estava a ser preparado “despejar os contentores de Lisboa na Trafaria, não quiseram acreditar”.Agora o projecto “já está a ser feito e vai ser muito difícil parar”. É que para o autarca, por detrás do porto de contentores e da linha férrea até à plataforma logística do Poceirão está a estratégia “de transformar a Trafaria no porto de Madrid”. E lembra que “a maioria dos contentores que estão em Alverca, são espanhóis”. Ou seja, com o porto de contentores na Trafaria e um ramal ferroviário de mercadorias ligado à rede nacional associado ao TGV entre Poceirão e Badajoz, “no espaço de uma noite um contentor vai da Trafaria a Madrid”, diz António Neves. Uma tese pouco credível para João Joanaz de Melo, presidente do Geota. “Não faz sentido investir tanto dinheiro numa obra dessas numa altura em que faltam dinheiros públicos”, diz o ambientalista. Na sua opinião, a rota dos contentores “faz sentido a partir do porto de Sines”, e acrescenta: “É preciso explicar se é mesmo necessário expandir o porto de Lisboa para a Trafaria, o que vai ter impactes ambientais”. Fim dos bancos de amêijoa E um destes impactes ambientais é directamente apontado pelo padre Sérgio Quelhas. “O porto de contentores vai acabar com os bancos de amêijoa na Trafaria”, afirma. E aponta aquilo que considera ser um contra-senso. “Neste momento temos a Polícia Marítima a perseguir os pescadores de amêijoa para que não destruam estes bancos e ao mesmo tempo quer construir- se aqui uma infra-estrutura que vai poluir toda esta zona”? Por isso, Sério Quelhas não entende o silêncio das organizações ambientalistas sobre este assunto. Ao que o Jornal da Região conseguiu apurar, tanto o Geota como a Quercus alegam que, pela sua condição de voluntariado, “não conseguem chegar a todas as questões”.

Pais ameaçam fechar escola secundária

Ver edição completa Falta de funcionários em Linda-a-Velha Os encarregados de educação dos alunos da Escola Secundária Professor José Augusto Lucas, em Linda-a-Velha, continuam “preocupados” com a falta de funcionários, admitindo vir a fechar o estabelecimento no 3.º período lectivo, caso o Ministério da Educação (ME) não contrate uma empresa de limpeza conforme acordado. Este era o estado de espírito reinante após a Assembleia-Geral de Pais realizada na passada quinta-feira à noite e que juntou mais de 100 pessoas para debater o “mau funcionamento da escola”. Pavilhão gimnodesportivo encerrado por falta de limpeza, apenas duas casas de banho disponíveis para quase 1100 alunos, alguns professores a limparem sanitários e alunos a limparem salas de aula, bem como o aumento de assaltos, são os principais problemas atribuídos à falta de auxiliares de acção educativa. “Desde 2008, a escola perdeu 12 funcionários. Desde então que a direcção da escola tem pedido ao ME a colocação de novos funcionários, mas a tutela nunca autorizou. Os pais e os alunos mandaram cartas, e só com este aviso de encerramento da escola [por parte das associações de pais, estudantes e antigos alunos] é que o Governo deu uma resposta”, salientou Viriato de Sousa, porta-voz dos encarregados de educação. Entretanto, no próprio dia da Assembleia-Geral de Pais, na sequência de uma reunião havida entre a direcção da escola e a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), ficou “assegurada a contratação [através de concurso público] de uma empresa de limpeza da escola a partir do 3.º período”. Até lá, a escola tem autorização para “contratar quatro funcionários, no máximo de quatro horas diárias, a três euros por hora”. Quanto à insegurança (nas últimas semanas, ainda segundo Viriato de Sousa, foram encontradas armas brancas), o Gabinete de Segurança do ME deslocou um piquete de três elementos para vigiar a escola, mas rotativo, já que é responsável por outras escolas da zona. Mesmo assim, os pais “não ficaram muito sossegados”, disse Viriato de Sousa: “Temos boa-fé nas intenções, mas se isto não ficar resolvido até ao início do ano lectivo fechamos mesmo a escola”. Muitos pais declararam-se “desconfiados”, considerando que até ao início do 3.º período lectivo (a 26 de Abril) “não há tempo suficiente para contratar uma empresa”. Outro encarregado de educação disse que as soluções apresentadas “mais parecem um balde de água fria para desmobilizar os pais”, e não faltou mesmo uma proposta a exigir que “a situação tem de estar resolvida antes do terceiro período”. A Associação de Pais convocou nova reunião para o próximo dia 7 de Abril.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ciclistas e peões convivem no Paredão

Ver edição completa Amigos do Paredão sensibilizam utilizadores do passeio marítimo para uma sã convivência “O Paredão é lindo demais para não ser de todos”. Foi com base nesta ideia que dezenas de ciclistas se juntaram aos utentes do passeio marítimo que liga Cascais à Praia da Azarujinha, numa iniciativa da Associação dos Amigos do Paredão (AAP), que decorreu no passado sábado. “Potenciar a boa convivência entre ciclistas e peões no primeiro Verão de existência do corredor ciclável no Paredão Estoril- Cascais” foi o objectivo do encontro que contou com os apoios institucionais da Junta de Freguesia do Estoril e da Câmara de Cascais. Tendo como ponto de partida a Praia da Poça, em S. João do Estoril, este foi o primeiro movimento de "Cidadania em Roda-Pé", um passeio conjunto (bicicletas e peões ) com o objectivo de passar a mensagem de articulação positiva entre as diferentes formas de passeio, explicou Sofia Meneses da AAP. “Em primeiro lugar, queremos fazer um exercício físico aliado à cidadania, que é também um exercício social, sob o cenário do mar. Depois queremos também informar todas as pessoas envolvidas sobre a regulamentação do corredor ciclável porque ainda é desconhecida entre vários utentes, principalmente como será a circulação nos meses de Verão. O terceiro objectivo deste encontro é passar uma mensagem de cidadania activa com a interacção de todos os que usam o Paredão, porque se todos cuidarmos dele e chamarmos a atenção a quem o queira danificar, de certo que a polícia tem o trabalho facilitado”. Defendendo inicialmente a interdição de bicicletas no Paredão, a AAP constata que “a proibição total das bicicletas no Paredão não seria funcional. Mas a regulamentação sim”, defende Sofia Meneses, que considera ser uma “inevitabilidade” conciliar os peões e os ciclistas. Contudo, sublinha, “o peão deve ter prioridade e o ciclista deve ter essa atenção”. “A circulação das bicicletas deve ser um passeio e não uma corrida”, reforça Sofia Meneses. “Os ciclistas devem pedalar a uma velocidade não muito superior à de um peão a andar. Se uma pessoa andar de bicicleta devagar não constitui perigo”, frisa esta responsável, que encara a possibilidade de, mais tarde, bicicletas andarem fora do corredor ciclável. A ciclovia existente apresenta-se dividida em quatro troços: 1 – entre o Escotilha Bar e Bar Baiuca (270 m); 2 – entre o Bar Pica e o Jonas Bar (480 m); 3 – entre os Bares do Tamariz e Restaurante Bolina (190 m); e 4 – entre o Restaurante Bolina e o Snack-Bar Surpresa (290m), não podendo circular as bicicletas em frente aos concessionários. Segundo o regulamento aprovado pela autarquia, “Na ‘época alta’, de 1 de Abril a 31 de Outubro, não é permitida a circulação de bicicletas aos fins- -de-semana e feriados, enquanto nos dias úteis será possível fazê-lo a partir das 18h00 e até às 10h00. Na ‘época baixa’, de 1 de Novembro a 31 de Março, nos dias úteis, a circulação de bicicletas pode efectuar-se a qualquer hora, sendo que aos fins-de-semana e feriados só é possível fazê-lo entre as 18h00 e as 10h00”. Celisa Guedes participou no encontro e fez o passeio a pé: “Acho bem que as bicicletas também possam andar no Paredão. Temos é que nos respeitar uns aos outros porque há lugar para todos”, disse. Jorge Palha apareceu de bicicleta. Este munícipe considera que “não devia haver nenhuma proibição. A proibição é um disparate que só serve para criar um fosso. As pessoas só se entendem se conviverem umas com as outras. Esta proibição e limites que são impostos seriam impensáveis em países modernos como a Holanda ou Paris onde há ciclovias em toda a parte”. Participaram ainda neste encontro o presidente da Junta de Freguesia do Estoril, Luciano Mourão, e o director municipal do Ambiente, José Nunes de Carvalho, que optaram por usufruir do Paredão a pé.