terça-feira, 15 de março de 2011

AMADORA ‘Falta diálogo entre a Câmara e as juntas’

Ver edição completa Afilhado Rodrigues, presidente da Junta da Falagueira, assume discurso muito crítico Foi eleito pela primeira vez como presidente da Junta de Freguesia da Falagueira no acto eleitoral de 2005 e reconduzido no cargo em 2009. Apesar de candidato pelo Partido Socialista, Manuel Afilhado Rodrigues mantém-se como independente. No entanto, numa freguesia envelhecida, onde não existem equipamentos, mostra-se “desiludido” com “a falta de diálogo com a Câmara Municipal da Amadora”, também socialista. Entre os onze presidentes de junta do concelho da Amadora, é umas das vozes mais críticas em relação à actuação da CMA, “não pelas grandes obras que este executivo tem realizado, mas pela falta de diálogo com as juntas de freguesia”. Talvez por ser independente e fazer questão de continuar a ser, sente-se mais livre para dizer o que pensa. “Às vezes tenho vontade de sair porque considero que o relacionamento entre a Câmara e as juntas de freguesia poderia ser melhor. Há falta de diálogo. As pessoas estão convencidas que o poder lhes é inerente, quando na verdade são eleitos pelo povo”, afirma Manuel Afilhado Rodrigues. O autarca dá como exemplo as verbas destinadas às freguesias, que não representam mais de 3,6 por cento do bolo geral do Orçamento Municipal. Um valor que para a Falagueira “não chega a 0,5 por cento, representando 525 mil euros”, adianta. Afilhado Rodrigues salienta, no entanto, o facto de não ter “recusado as descentralizações feitas pelo executivo municipal” e mostra-se orgulhoso por liderar “a junta de freguesia que na Amadora tem mais competências delegadas”. Porém, “essa transferência de competências deveria ser acompanhada de verbas”, critica. Esclarece que só votou favoravelmente o Orçamento porque, apenas está contra a parte destinada às freguesias. “De um modo geral é um bom documento, seria demasiado egoísta votar contra por causa de 3,5 por cento destinado às freguesias”. O autarca considera, por isso, que “no primeiro mandato as coisas correram melhor porque tínhamos grandes obras a decorrer na freguesia, como o melhoramento do Aqueduto das Águas Livres ou a construção do Parque Aventura, e houve outras preocupações. Estou também convencido que a crise tem levado a Câmara a retrair-se, mas as juntas, pelo contrário continuam a gastar e cada vez mais”. Manuel Afilhado Rodrigues acredita que “as juntas de freguesia são as que mais ouvem as queixas da população” e, por isso, defende “um maior diálogo e abertura da Câmara”. Numa freguesia envelhecida, o autarca queixa-se: “Se um dos nossos idosos quiser levantar a pensão de reforma tem de se deslocar a outra freguesia. Se tiver de ir às Finanças, também terá de o fazer noutro local. O Centro de Saúde fica na Venda Nova e a PSP, que tem delegações em quase todas as freguesias da Amadora, apenas faz um patrulhamento de proximidade na Falagueira”. Garante que uma das prioridades é a erradicação das barracas,“ em particular no bairro da Quinta da Lage onde as construções clandestinas têm vindo a crescer”. Também defende uma melhor articulação com a autarquia ou com a Polícia Municipal, que “neste momento está transformada em moço de recados da autarquia”. Uma outra necessidade que a freguesia tem é a falta de equipamentos destinados a idosos. “Houve um grande investimento com a construção de um pavilhão desportivo e de uma creche e jardim-de-infância, mas falta- nos um centro de dia para idosos. Já temos um projecto, numa parceria com uma associação de reformados”, refere.

sexta-feira, 11 de março de 2011

TRAFARIA Paróquia entra na luta

Ver edição completa Igreja de luto contra porto de contentores A Trafaria está a unir forças contra a construção de um porto de contentores e de um ramal ferroviário de mercadorias com ligação à plataforma logística do Poceirão. Desde a passada semana que a igreja da localidade exibe uma faixa negra em sinal de protesto contra estas opções previstas no Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROT-AML), ao mesmo tempo que está a decorrer um abaixo-assinado a ser entregue à Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e ao primeiro-ministro. A ideia partiu do padre da paróquia, Sérgio Quelhas, que afirma ser “mil por cento contra” a transferência dos contentores de Lisboa para a Trafaria, numa estratégia de expansão do Porto de Lisboa, e junto à faixa negra fez afixar um pano, também negro, onde se lê: “A margem Sul não é o caixote do lixo de Lisboa. A Trafaria não é cemitério”. E termina com um grito de protesto: “Não nos esmaguem”. Quem passa olha, mas nem todos entendem o futuro que está reservado para a Trafaria. “Ouvi falar de uns contentores, mas não sei o que se passa. Só sei que a Trafaria foi esquecida, e há muitos anos”, comenta um homem sentado num banco no Largo da República. Um outro diz que não tem a certeza se vale a pena protestar. “Quem manda faz o que quer”, lastima. Mas a presidente da Junta de Freguesia da Trafaria tem outra ideia. Francisca Parreira lembra que o poder político local “fez o que tinha a fazer contra” esta opção do PROT-AML durante o período de consulta pública, e que “agora é a vez dos cidadãos fazerem ouvir a sua voz”. E acrescenta: “Estou de acordo com o esforço da paróquia. É um movimento paralelo àquele que os autarcas fizeram”. E ao que parece o padre Sérgio Quelhas não vai desistir de defender a Trafaria como futura zona de desenvolvimento turístico. “Construir aqui um porto de contentores é uma visão portuguesinha não iluminada”. No seu entender, depois desta localidade frente ao Tejo ter recebido os silos, a vinda dos contentores e da linha férrea vai ditar a sua desertificação, e isso as pessoas daqui “não querem”. Pena é que “tenham dificuldade em se organizar e defender a sua própria terra”. Da Trafaria até Madrid numa noite Aliás, o pároco defende que esta luta deve ser extensiva a todas as freguesias e concelhos da Margem Sul, porque “quem olhar para aqui do lado de Lisboa vai ver uma frente de contentores e não terá interesse em atravessar o rio”. E o primeiro passo nesta junção de esforços “deve começar entre as onze freguesias de Almada” que, inclusivamente, já votaram em Assembleia Municipal, através dos seus presidentes, contra os contentores. Pronto para reforçar este protesto está o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica. António Neves só lamenta que quando “há muito tempo” alertou que estava a ser preparado “despejar os contentores de Lisboa na Trafaria, não quiseram acreditar”.Agora o projecto “já está a ser feito e vai ser muito difícil parar”. É que para o autarca, por detrás do porto de contentores e da linha férrea até à plataforma logística do Poceirão está a estratégia “de transformar a Trafaria no porto de Madrid”. E lembra que “a maioria dos contentores que estão em Alverca, são espanhóis”. Ou seja, com o porto de contentores na Trafaria e um ramal ferroviário de mercadorias ligado à rede nacional associado ao TGV entre Poceirão e Badajoz, “no espaço de uma noite um contentor vai da Trafaria a Madrid”, diz António Neves. Uma tese pouco credível para João Joanaz de Melo, presidente do Geota. “Não faz sentido investir tanto dinheiro numa obra dessas numa altura em que faltam dinheiros públicos”, diz o ambientalista. Na sua opinião, a rota dos contentores “faz sentido a partir do porto de Sines”, e acrescenta: “É preciso explicar se é mesmo necessário expandir o porto de Lisboa para a Trafaria, o que vai ter impactes ambientais”. Fim dos bancos de amêijoa E um destes impactes ambientais é directamente apontado pelo padre Sérgio Quelhas. “O porto de contentores vai acabar com os bancos de amêijoa na Trafaria”, afirma. E aponta aquilo que considera ser um contra-senso. “Neste momento temos a Polícia Marítima a perseguir os pescadores de amêijoa para que não destruam estes bancos e ao mesmo tempo quer construir- se aqui uma infra-estrutura que vai poluir toda esta zona”? Por isso, Sério Quelhas não entende o silêncio das organizações ambientalistas sobre este assunto. Ao que o Jornal da Região conseguiu apurar, tanto o Geota como a Quercus alegam que, pela sua condição de voluntariado, “não conseguem chegar a todas as questões”.

Pais ameaçam fechar escola secundária

Ver edição completa Falta de funcionários em Linda-a-Velha Os encarregados de educação dos alunos da Escola Secundária Professor José Augusto Lucas, em Linda-a-Velha, continuam “preocupados” com a falta de funcionários, admitindo vir a fechar o estabelecimento no 3.º período lectivo, caso o Ministério da Educação (ME) não contrate uma empresa de limpeza conforme acordado. Este era o estado de espírito reinante após a Assembleia-Geral de Pais realizada na passada quinta-feira à noite e que juntou mais de 100 pessoas para debater o “mau funcionamento da escola”. Pavilhão gimnodesportivo encerrado por falta de limpeza, apenas duas casas de banho disponíveis para quase 1100 alunos, alguns professores a limparem sanitários e alunos a limparem salas de aula, bem como o aumento de assaltos, são os principais problemas atribuídos à falta de auxiliares de acção educativa. “Desde 2008, a escola perdeu 12 funcionários. Desde então que a direcção da escola tem pedido ao ME a colocação de novos funcionários, mas a tutela nunca autorizou. Os pais e os alunos mandaram cartas, e só com este aviso de encerramento da escola [por parte das associações de pais, estudantes e antigos alunos] é que o Governo deu uma resposta”, salientou Viriato de Sousa, porta-voz dos encarregados de educação. Entretanto, no próprio dia da Assembleia-Geral de Pais, na sequência de uma reunião havida entre a direcção da escola e a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), ficou “assegurada a contratação [através de concurso público] de uma empresa de limpeza da escola a partir do 3.º período”. Até lá, a escola tem autorização para “contratar quatro funcionários, no máximo de quatro horas diárias, a três euros por hora”. Quanto à insegurança (nas últimas semanas, ainda segundo Viriato de Sousa, foram encontradas armas brancas), o Gabinete de Segurança do ME deslocou um piquete de três elementos para vigiar a escola, mas rotativo, já que é responsável por outras escolas da zona. Mesmo assim, os pais “não ficaram muito sossegados”, disse Viriato de Sousa: “Temos boa-fé nas intenções, mas se isto não ficar resolvido até ao início do ano lectivo fechamos mesmo a escola”. Muitos pais declararam-se “desconfiados”, considerando que até ao início do 3.º período lectivo (a 26 de Abril) “não há tempo suficiente para contratar uma empresa”. Outro encarregado de educação disse que as soluções apresentadas “mais parecem um balde de água fria para desmobilizar os pais”, e não faltou mesmo uma proposta a exigir que “a situação tem de estar resolvida antes do terceiro período”. A Associação de Pais convocou nova reunião para o próximo dia 7 de Abril.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ciclistas e peões convivem no Paredão

Ver edição completa Amigos do Paredão sensibilizam utilizadores do passeio marítimo para uma sã convivência “O Paredão é lindo demais para não ser de todos”. Foi com base nesta ideia que dezenas de ciclistas se juntaram aos utentes do passeio marítimo que liga Cascais à Praia da Azarujinha, numa iniciativa da Associação dos Amigos do Paredão (AAP), que decorreu no passado sábado. “Potenciar a boa convivência entre ciclistas e peões no primeiro Verão de existência do corredor ciclável no Paredão Estoril- Cascais” foi o objectivo do encontro que contou com os apoios institucionais da Junta de Freguesia do Estoril e da Câmara de Cascais. Tendo como ponto de partida a Praia da Poça, em S. João do Estoril, este foi o primeiro movimento de "Cidadania em Roda-Pé", um passeio conjunto (bicicletas e peões ) com o objectivo de passar a mensagem de articulação positiva entre as diferentes formas de passeio, explicou Sofia Meneses da AAP. “Em primeiro lugar, queremos fazer um exercício físico aliado à cidadania, que é também um exercício social, sob o cenário do mar. Depois queremos também informar todas as pessoas envolvidas sobre a regulamentação do corredor ciclável porque ainda é desconhecida entre vários utentes, principalmente como será a circulação nos meses de Verão. O terceiro objectivo deste encontro é passar uma mensagem de cidadania activa com a interacção de todos os que usam o Paredão, porque se todos cuidarmos dele e chamarmos a atenção a quem o queira danificar, de certo que a polícia tem o trabalho facilitado”. Defendendo inicialmente a interdição de bicicletas no Paredão, a AAP constata que “a proibição total das bicicletas no Paredão não seria funcional. Mas a regulamentação sim”, defende Sofia Meneses, que considera ser uma “inevitabilidade” conciliar os peões e os ciclistas. Contudo, sublinha, “o peão deve ter prioridade e o ciclista deve ter essa atenção”. “A circulação das bicicletas deve ser um passeio e não uma corrida”, reforça Sofia Meneses. “Os ciclistas devem pedalar a uma velocidade não muito superior à de um peão a andar. Se uma pessoa andar de bicicleta devagar não constitui perigo”, frisa esta responsável, que encara a possibilidade de, mais tarde, bicicletas andarem fora do corredor ciclável. A ciclovia existente apresenta-se dividida em quatro troços: 1 – entre o Escotilha Bar e Bar Baiuca (270 m); 2 – entre o Bar Pica e o Jonas Bar (480 m); 3 – entre os Bares do Tamariz e Restaurante Bolina (190 m); e 4 – entre o Restaurante Bolina e o Snack-Bar Surpresa (290m), não podendo circular as bicicletas em frente aos concessionários. Segundo o regulamento aprovado pela autarquia, “Na ‘época alta’, de 1 de Abril a 31 de Outubro, não é permitida a circulação de bicicletas aos fins- -de-semana e feriados, enquanto nos dias úteis será possível fazê-lo a partir das 18h00 e até às 10h00. Na ‘época baixa’, de 1 de Novembro a 31 de Março, nos dias úteis, a circulação de bicicletas pode efectuar-se a qualquer hora, sendo que aos fins-de-semana e feriados só é possível fazê-lo entre as 18h00 e as 10h00”. Celisa Guedes participou no encontro e fez o passeio a pé: “Acho bem que as bicicletas também possam andar no Paredão. Temos é que nos respeitar uns aos outros porque há lugar para todos”, disse. Jorge Palha apareceu de bicicleta. Este munícipe considera que “não devia haver nenhuma proibição. A proibição é um disparate que só serve para criar um fosso. As pessoas só se entendem se conviverem umas com as outras. Esta proibição e limites que são impostos seriam impensáveis em países modernos como a Holanda ou Paris onde há ciclovias em toda a parte”. Participaram ainda neste encontro o presidente da Junta de Freguesia do Estoril, Luciano Mourão, e o director municipal do Ambiente, José Nunes de Carvalho, que optaram por usufruir do Paredão a pé.

Educação ambiental em Monserrate

Ver edição completa Quintinha Pedagógica na Tapada de Monserrate No próximo domingo, dia 13, a Quintinha Pedagógica de Monserrate vai receber uma viagem pelos usos e costumes saloios,numa recriação promovida pela empresa Parques de Sintra-Monte da Lua e pela Lua Singular-Associação Cultural. A partir das 14h30, tendo como principais destinatários as famílias com crianças a partir dos quatro anos, um casal de saloios vai convidar os mais pequenos a participar nas tarefas da quinta, desde a confecção do pão até aos jogos tradicionais. A requerer inscrição prévia, através do Núcleo de Programação e Ambiente da PSML (21 923 73 00 ou npa@parquesdesintra.pt), o recuo ao passado custa oito euros por participante. No fim-de-semana seguinte, dias 19 e 20, é tempo para um curso básico de ecomicologia, com os cogumelos como protagonistas, a cargo dos formadores Rui Oliveira Costa e Rui Simão (EcoFungos). Taxa de Inscrição: 50 euros por participante. Além destes eventos, a Quintinha Pedagógica de Monserrate está particularmente vocacionada para receber grupos escolares por se tratar de um espaço que concilia uma componente de educação ambiental e sensibilização para o património. Nascida em 2010, a Quintinha Pedagógica de Monserrate surgiu numa pequena propriedade, adjacente à propriedade principal que integra o Parque e o Palácio de Monserrate e situada a menos de três quilómetros do Centro Histórico de Sintra. Neste espaço, foi implementado um projecto de quinta pedagógica onde se recria o tradicional e o pitoresco da região saloia, com a finalidade de dar a conhecer a herança cultural local. Com uma área de cerca de dois hectares, árvores autóctones e uma refrescante linha de água, a Quintinha Pedagógica oferece condições ímpares para a recriação de uma pequena exploração agrícola, com áreas destinadas a diferentes tipos de plantações e animais domésticos. A antiga casa do caseiro do séc. XIX, que se encontrava em ruínas, foi recuperada com o objectivo de proporcionar espaços adequados para o desenvolvimento de actividades temáticas. Está dotada de uma sala ateliê e de uma cozinha com lareira e forno de pão que permite recriar a atmosfera da cozinha tradicional em ateliês que utilizam os produtos da quinta. As plantações incluem zonas distintas de pomar, plantas silvestres e de baga, hortícolas, cereais e plantas aromáticas. Na envolvente existe um cercado para cavalos, burros e ovinos, uma coelheira e um abrigo para aves de capoeira. O espaço está, ainda, dotado de uma zona de piquenique, de um anfiteatro ao ar livre, de um celeiro com alfaias agrícolas e de um abrigo para produção de cogumelos. Igualmente recuperada e beneficiada, a linha de água que atravessa a Quintinha é alimentada pelas nascentes naturais e minas de água da Tapada de Monserrate e tem condições para o desenvolvimento de espécies ripícolas, constituindo, assim, um habitat privilegiado para anfíbios e animais aquáticos. A experiência de aprendizagem proporcionada pela participação dos alunos nas tarefas diárias e sazonais da Quintinha permite cumprir uma ampla variedade de requisitos programáticos. Acompanhados por monitores que orientam a sua observação e interacção com o espaço, os jovens visitantes da Quintinha Pedagógica de Monserrate têm, assim, uma oportunidade única de contacto com a Natureza.

quarta-feira, 9 de março de 2011

APOIO A IDOSOS Linha de combate ao isolamento

Ver edição completa Autarquia apoia serviço de teleassistência O Sistema Telefónico de Assistência Permanente da Amadora (STAPA), em funcionamento no concelho desde 2007, permite acompanhamento permanente aos idosos, em caso de acidente ou doença súbita, através do simples carregar num botão.Neste momento, 84 utentes dispõem do serviço, que resulta de uma parceria entre a Câmara e a Santa Casa da Misericórdia da Amadora. Natália Filipe, 79 anos, está viúva há 16 anos e perdeu a mãe há nove. Transporta consigo um colar, cuja medalha foi substituída por um botão de controlo remoto para accionar o aparelho que estabelece contacto telefónico coma central. Do outro lado há sempre uma voz que, prontamente, chama a utente pelo seu nome e pergunta se há algum problema. Natália não tem nada, nenhuma dor e até se sente “feliz”. Tratava-se apenas de um teste para mostrar aos repórteres do JR como funciona este sistema. Foi das primeiras a aderir ao STAPA e admite que carrega todos os dias no botão. “Às vezes apenas para dizer que estou viva”, ou simplesmente para “conversar”, conta. A sua energia é contagiante, mas tem algum receio de sair de casa sozinha, em particular para trazer as compras do supermercado. Vive num terceiro andar e, apesar de isso não a incomodar, espera sempre por Cristina Mateus, do Apoio Domiciliário da Santa Casa da Misericórdia da Amadora, para ir ao Centro de Saúde, ao supermercado ou simplesmente para “passear um pouco em dias de Sol”, sempre a par de “uma boa conversa”. Apesar de já nada ser como quando se mudou para a Amadora, com apenas 12 anos, tem boas relações com a vizinhança, praticamente, toda da sua geração.No prédio de três andares todos falam com Natália e, em caso de emergência, quem tem a chave do seu apartamento são os vizinhos do rés-do-chão. Tem três filhos, uma está emigrada em França e dois deles até vivem perto. “Têm a sua vida, trabalham o dia todo e não têm tempo”, explica em tom de lamento. Mais para ela do que para eles, o STAPA é um motivo de alívio, pois sente-se “segura e acompanhada”. Em particular na freguesia da Venteira, onde Natália reside, a população é muito envelhecida. “Um serviço deste género é um grande complemento ao Apoio Domiciliário”, refere Alexandra Andrade, da Santa Casa da Misericórdia da Amadora, responsável pelo STAPA. Esta é entidade mediadora entre os utentes e a empresa Help Phone que presta o serviço, disponibilizando a central telefónica. Os aparelhos são instalados na casa dos utentes e são pagos de acordo com os rendimentos, sendo que a CMA comparticipa com o montante em falta. Mas, neste momento, apenas 20 por cento dos utilizadores tiveram de pagar pelo serviço. Por pertencerem ao primeiro escalão, que corresponde a um rendimento mensal até 342 euros, os restantes utentes tiveram comparticipação total por parte da edilidade. Aurélia Gomes, de 95 anos, vive na Venteira e também beneficia deste serviço. Viúva desde 1994, foi das primeiras a aderir ao projecto, em 2007. Antes já dispunha de um sistema semelhante fornecido pela Cruz Vermelha Portuguesa. Apesar de ser beneficiária, quando caiu, o sistema não lhe serviu de muito, pois era de manhã e ainda não tinha colocado o colar.No entanto, para a família, o uso deste sistema é um alívio. Na vivenda onde vive está praticamente isolada.Avizinha do lado morreu há pouco tempo. Nas redondezas apenas existe comércio, como cabeleireiros e pouco mais. Se durante o dia a rua é muito movimentada por ser central, à noite não se vê ninguém. Esta antiga professora e escritora lembra os tempos em que na Amadora as pessoas viviam todas em moradias. “Existia apenas um prédio na Freguesia da Mina e outro na Falagueira”, adianta. Sem descendência directa, esta idosa lá vai recebendo a visita dos primos que, embora afastados, lhe vão prestando algum apoio. Ela que também é beneficiária no Serviço de Apoio Domiciliário da Santa Casa da Misericórdia, é ajudada nos pequenos afazeres do dia-a-dia. Mas, os 38 degraus da sua casa já lhe trazem transtorno, assim como o corredor com 26 metros. “Quando caí tive que me arrastar pelo corredor que é o meu calvário”, adianta. Para a responsável da Santa Casa da Misericórdia da Amadora, este projecto já salvou vidas. “Temos muitas situações de pessoas que caem e só se consegue chegar até elas desta forma, porque basta carregar num botão. Às vezes o telemóvel não é tão intuitivo. Através do STAPA, do outro lado da linha, o operador tem acesso à ficha do utente e contacta de imediato a instituição ou a família”, conclui Alexandra Andrade.

sexta-feira, 4 de março de 2011

CERCIOEIRAS Aposta forte na qualidade

Ver edição completa Primeira instituição social de Oeiras com certificação Foi “mais um dia extremamente importante”, entre vários outros já vividos pela CERCIOEIRAS em cerca de 35 anos de história feita de “enormes dificuldades que foram sendo vencidas”, como frisou o presidente daquela instituição, Mário Aboim. No entanto, este em particular teve direito a bandeira nova hasteada ao lado das habituais à entrada das instalações da cooperativa, em Barcarena. A certificação de qualidade para os serviços ali prestados foi o motivo de regozijo que juntou, no passado dia 24, muitos amigos da instituição, dirigentes de unidades congéneres, e vários representantes do Estado ligados ao processo de certificação agora alcançado pela CERCIOEIRAS, com destaque para a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Salvador Serrão. No final de um exigente processo realizado pela entidade APCER, a Cooperativa de Educação e Reabilitação dos Cidadãos com Incapacidade de Oeiras recebeu (a 6 de Janeiro) a certificação da Norma ISO, e, ainda, das respostas sociais Centro de Actividades Ocupacionais (CAO), Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) e Lar Residencial, de nível A – a mais alta emitida pelo Instituto da Segurança Social (ISS) – tendo sido a primeira organização do sector social a terminar o processo com este nível de excelência. “É um momento muito significativo também para o trabalho que o Instituto da Segurança Social tem vindo a fazer”, salientou, a propósito, António Lemos, do conselho directivo daquela entidade, referindo o esforço feito com as instituições desta área para implementar um programa de qualidade e segurança nas respostas sociais, o qual compreende três vectores: qualidade do edificado, gestão e funcionamento das instituições, e gestão de qualidade. “Está de parabéns esta instituição por ter atingido tal nível de qualidade; já tinha havido certificações de outras instituições mas não a este patamar de excelência”, concluiu António Lemos, durante a cerimónia de entrega dos certificados. Por seu turno, a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação frisou que o patamar agora alcançado pela CERCIOEIRAS “não é um ponto de chegada, é um ponto de partida”. Depois de visitar a Cooperativa de Educação e Reabilitação, Idália Serrão participou no hastear da bandeira que representa a certificação obtida. Já na cerimónia de entrega dos títulos de qualidade, aquela governante destacaria os méritos desta instituição “filha de Abril”, surgida da liberdade e da vontade de fazer algo mais pelas pessoas com limitações físicas e/ou psíquicas. Mas também fez questão de alertar, com grande ênfase, para os perigos que ameaçam actualmente o sector social. “Há a ideia muito difundida de que o Estado nada faz para apoiar quem precisa e de que se não fossem as Instituições Particulares de Solidariedade Social, coitadinhas das pessoas…”, disse Idália Serrão, considerando ser este um pensamento perigoso “porque se um dia o Estado se retirar efectivamente, a generalidade das pessoas irá que já não estranha porque, afinal, isso já assim acontecia”. Para concluir: “Mas quem está nas IPSS sabe bem que na sua retaguarda está o Estado”. Mencionando os milhões de euros que todos os dias a Segurança Social transfere para instituições sociais, a secretária de Estado reiterou a sua convicção de que aos exemplos de sucesso, como a CERCIOEIRAS, não será alheia a visão de um triângulo virtuoso composto pela Segurança Social, IPSS e autarquias. “Esta é uma grande angústia minha, tão grande que tenho de a partilhar convosco, até porque estão aqui muitos dirigentes de instituições de solidariedade social: É que hoje achamos que as IPSS é que fazem tudo e o Estado nada e um dia, tal como na história do Pedro e o lobo, um dia isso poderá mesmo ser verdade e quando formos a dar por ela o lobo já está a abocanhar a presa indefesa...”, alertou Idália Serrão. Por fim, em representação da Câmara de Oeiras, a vereadora da Acção Social Elizabete Oliveira recordou que a autarquia cedeu terrenos e apoiou a construção da CERCIOEIRAS na sua actual localização – concluída em Abril de 2002 e a funcionar desde Dezembro desse mesmo ano. Uma “aposta ganha”, pois “temos acompanhado a evolução e, hoje, estes certificados são mais uma prova de que a CERCIOEIRAS faz notável trabalho e mantém-se atenta aos tempos que correm”.