quarta-feira, 9 de março de 2011

APOIO A IDOSOS Linha de combate ao isolamento

Ver edição completa Autarquia apoia serviço de teleassistência O Sistema Telefónico de Assistência Permanente da Amadora (STAPA), em funcionamento no concelho desde 2007, permite acompanhamento permanente aos idosos, em caso de acidente ou doença súbita, através do simples carregar num botão.Neste momento, 84 utentes dispõem do serviço, que resulta de uma parceria entre a Câmara e a Santa Casa da Misericórdia da Amadora. Natália Filipe, 79 anos, está viúva há 16 anos e perdeu a mãe há nove. Transporta consigo um colar, cuja medalha foi substituída por um botão de controlo remoto para accionar o aparelho que estabelece contacto telefónico coma central. Do outro lado há sempre uma voz que, prontamente, chama a utente pelo seu nome e pergunta se há algum problema. Natália não tem nada, nenhuma dor e até se sente “feliz”. Tratava-se apenas de um teste para mostrar aos repórteres do JR como funciona este sistema. Foi das primeiras a aderir ao STAPA e admite que carrega todos os dias no botão. “Às vezes apenas para dizer que estou viva”, ou simplesmente para “conversar”, conta. A sua energia é contagiante, mas tem algum receio de sair de casa sozinha, em particular para trazer as compras do supermercado. Vive num terceiro andar e, apesar de isso não a incomodar, espera sempre por Cristina Mateus, do Apoio Domiciliário da Santa Casa da Misericórdia da Amadora, para ir ao Centro de Saúde, ao supermercado ou simplesmente para “passear um pouco em dias de Sol”, sempre a par de “uma boa conversa”. Apesar de já nada ser como quando se mudou para a Amadora, com apenas 12 anos, tem boas relações com a vizinhança, praticamente, toda da sua geração.No prédio de três andares todos falam com Natália e, em caso de emergência, quem tem a chave do seu apartamento são os vizinhos do rés-do-chão. Tem três filhos, uma está emigrada em França e dois deles até vivem perto. “Têm a sua vida, trabalham o dia todo e não têm tempo”, explica em tom de lamento. Mais para ela do que para eles, o STAPA é um motivo de alívio, pois sente-se “segura e acompanhada”. Em particular na freguesia da Venteira, onde Natália reside, a população é muito envelhecida. “Um serviço deste género é um grande complemento ao Apoio Domiciliário”, refere Alexandra Andrade, da Santa Casa da Misericórdia da Amadora, responsável pelo STAPA. Esta é entidade mediadora entre os utentes e a empresa Help Phone que presta o serviço, disponibilizando a central telefónica. Os aparelhos são instalados na casa dos utentes e são pagos de acordo com os rendimentos, sendo que a CMA comparticipa com o montante em falta. Mas, neste momento, apenas 20 por cento dos utilizadores tiveram de pagar pelo serviço. Por pertencerem ao primeiro escalão, que corresponde a um rendimento mensal até 342 euros, os restantes utentes tiveram comparticipação total por parte da edilidade. Aurélia Gomes, de 95 anos, vive na Venteira e também beneficia deste serviço. Viúva desde 1994, foi das primeiras a aderir ao projecto, em 2007. Antes já dispunha de um sistema semelhante fornecido pela Cruz Vermelha Portuguesa. Apesar de ser beneficiária, quando caiu, o sistema não lhe serviu de muito, pois era de manhã e ainda não tinha colocado o colar.No entanto, para a família, o uso deste sistema é um alívio. Na vivenda onde vive está praticamente isolada.Avizinha do lado morreu há pouco tempo. Nas redondezas apenas existe comércio, como cabeleireiros e pouco mais. Se durante o dia a rua é muito movimentada por ser central, à noite não se vê ninguém. Esta antiga professora e escritora lembra os tempos em que na Amadora as pessoas viviam todas em moradias. “Existia apenas um prédio na Freguesia da Mina e outro na Falagueira”, adianta. Sem descendência directa, esta idosa lá vai recebendo a visita dos primos que, embora afastados, lhe vão prestando algum apoio. Ela que também é beneficiária no Serviço de Apoio Domiciliário da Santa Casa da Misericórdia, é ajudada nos pequenos afazeres do dia-a-dia. Mas, os 38 degraus da sua casa já lhe trazem transtorno, assim como o corredor com 26 metros. “Quando caí tive que me arrastar pelo corredor que é o meu calvário”, adianta. Para a responsável da Santa Casa da Misericórdia da Amadora, este projecto já salvou vidas. “Temos muitas situações de pessoas que caem e só se consegue chegar até elas desta forma, porque basta carregar num botão. Às vezes o telemóvel não é tão intuitivo. Através do STAPA, do outro lado da linha, o operador tem acesso à ficha do utente e contacta de imediato a instituição ou a família”, conclui Alexandra Andrade.

sexta-feira, 4 de março de 2011

CERCIOEIRAS Aposta forte na qualidade

Ver edição completa Primeira instituição social de Oeiras com certificação Foi “mais um dia extremamente importante”, entre vários outros já vividos pela CERCIOEIRAS em cerca de 35 anos de história feita de “enormes dificuldades que foram sendo vencidas”, como frisou o presidente daquela instituição, Mário Aboim. No entanto, este em particular teve direito a bandeira nova hasteada ao lado das habituais à entrada das instalações da cooperativa, em Barcarena. A certificação de qualidade para os serviços ali prestados foi o motivo de regozijo que juntou, no passado dia 24, muitos amigos da instituição, dirigentes de unidades congéneres, e vários representantes do Estado ligados ao processo de certificação agora alcançado pela CERCIOEIRAS, com destaque para a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Salvador Serrão. No final de um exigente processo realizado pela entidade APCER, a Cooperativa de Educação e Reabilitação dos Cidadãos com Incapacidade de Oeiras recebeu (a 6 de Janeiro) a certificação da Norma ISO, e, ainda, das respostas sociais Centro de Actividades Ocupacionais (CAO), Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) e Lar Residencial, de nível A – a mais alta emitida pelo Instituto da Segurança Social (ISS) – tendo sido a primeira organização do sector social a terminar o processo com este nível de excelência. “É um momento muito significativo também para o trabalho que o Instituto da Segurança Social tem vindo a fazer”, salientou, a propósito, António Lemos, do conselho directivo daquela entidade, referindo o esforço feito com as instituições desta área para implementar um programa de qualidade e segurança nas respostas sociais, o qual compreende três vectores: qualidade do edificado, gestão e funcionamento das instituições, e gestão de qualidade. “Está de parabéns esta instituição por ter atingido tal nível de qualidade; já tinha havido certificações de outras instituições mas não a este patamar de excelência”, concluiu António Lemos, durante a cerimónia de entrega dos certificados. Por seu turno, a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação frisou que o patamar agora alcançado pela CERCIOEIRAS “não é um ponto de chegada, é um ponto de partida”. Depois de visitar a Cooperativa de Educação e Reabilitação, Idália Serrão participou no hastear da bandeira que representa a certificação obtida. Já na cerimónia de entrega dos títulos de qualidade, aquela governante destacaria os méritos desta instituição “filha de Abril”, surgida da liberdade e da vontade de fazer algo mais pelas pessoas com limitações físicas e/ou psíquicas. Mas também fez questão de alertar, com grande ênfase, para os perigos que ameaçam actualmente o sector social. “Há a ideia muito difundida de que o Estado nada faz para apoiar quem precisa e de que se não fossem as Instituições Particulares de Solidariedade Social, coitadinhas das pessoas…”, disse Idália Serrão, considerando ser este um pensamento perigoso “porque se um dia o Estado se retirar efectivamente, a generalidade das pessoas irá que já não estranha porque, afinal, isso já assim acontecia”. Para concluir: “Mas quem está nas IPSS sabe bem que na sua retaguarda está o Estado”. Mencionando os milhões de euros que todos os dias a Segurança Social transfere para instituições sociais, a secretária de Estado reiterou a sua convicção de que aos exemplos de sucesso, como a CERCIOEIRAS, não será alheia a visão de um triângulo virtuoso composto pela Segurança Social, IPSS e autarquias. “Esta é uma grande angústia minha, tão grande que tenho de a partilhar convosco, até porque estão aqui muitos dirigentes de instituições de solidariedade social: É que hoje achamos que as IPSS é que fazem tudo e o Estado nada e um dia, tal como na história do Pedro e o lobo, um dia isso poderá mesmo ser verdade e quando formos a dar por ela o lobo já está a abocanhar a presa indefesa...”, alertou Idália Serrão. Por fim, em representação da Câmara de Oeiras, a vereadora da Acção Social Elizabete Oliveira recordou que a autarquia cedeu terrenos e apoiou a construção da CERCIOEIRAS na sua actual localização – concluída em Abril de 2002 e a funcionar desde Dezembro desse mesmo ano. Uma “aposta ganha”, pois “temos acompanhado a evolução e, hoje, estes certificados são mais uma prova de que a CERCIOEIRAS faz notável trabalho e mantém-se atenta aos tempos que correm”.

CARNAVAL EM ALMADA Foliões alheios à crise

Ver edição completa Escolas e colectividades desfilam pela cidade
Os tempos são de crise e não tanto para brincadeiras, mas Almada promete não perder a alegria neste Carnaval e, mesmo com a Câmara a cortar no apoio financeiro, os foliões vão desfilar. “Este ano atribuímos 41 mil e duzentos euros às colectividades para fazerem o Carnaval”, diz o vereador da Cultura, António Matos. “No ano passado foram cerca de 70 mil euros”. As escolas básicas e jardins-de-infância da rede pública também receberam menos verba, doze mil setecentos e oitenta euros, mas “todos compreenderam que é necessária contenção de gastos”, comenta o vereador. E a folia começa já neste dia 3 de Março, com cerca de 2250 crianças e adultos dos vários agrupamentos da comunidade educativa e Instituições Particulares de solidariedade social do concelho a desfilarem pela Avenida Rainha D. Leonor, junto ao Parque Urbano Comandante Júlio Ferraz. A explosão de cor e alegria está marcada para as 14h30 e, este ano, o corso da miudagem vai apelar às consciências para as questões relacionadas com o ambiente, reciclagem, floresta, trânsito e solidariedade. Pelo meio vão relembrar algumas histórias tradicionais infantis. A festa vai assim ser feita pela Creche 1.º de Maio, Externato Tim-Tim, Centro Social Paroquial de Vale Figueira, Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro, Externato Paulo VI, Agrupamento de Escolas do Monte, Agrupamento de Escolas Miradouro de Alfazina, Agrupamento de Escolas Ruy Luís Gomes, Agrupamento de Escolas Francisco Simões, Associação Almadense Rumo ao Futuro, Agrupamento de Escolas Comandante Conceição e Silva, Agrupamento de Escolas Anselmo de Andrade, Agrupamento de Escolas. D. António da Costa e Agrupamento de Escolas da Trafaria. Ao todo vão estar envolvidos cerca de 30 estabelecimentos de ensino. Dia 8 de Março é a vez dos adultos saltarem para a rua e animar a cidade. “Almada é a cidade do trabalho e da alegria”, qualifica António Matos que diz ainda que a diminuição de verbas “não se fez sentir muito em cada uma das colectividades”. E pelas 15 horas são sete as colectividades que vão brincar ao Carnaval no Parque Urbano, junto à Praça S. João Baptista. Com o Metro Sul do Tejo o desfile teve de sair do eixo central da cidade o que acaba por “quebrar um pouco a animação”, admite o vereador da Cultura, mas por outro lado o público “tem agora um local privilegiado, em anfiteatro natural, para assistir à festa”, acrescenta. “Vai ser uma experiência nova”. Este ano a terça-feira de Carnaval coincide com o Dia Internacional da Mulher e a proposta é que os foliões façam paródia sobre isso. Aliás, a proposta é mesmo que o tema do Carnaval 2011 seja “A Mulher”. Será curioso descobrir o que vão fazer as colectividades participantes. São cerca de 650 participantes no corso da Associação de Imigrantes Concelho de Almada, Associação Intercultural Brasílica de Portugal, Associação Cultural Capa Rica, Beira Mar Atlético Clube de Almada, Clube Recreativo União Raposense, Sport Almada e Figueirinhas e Lifeshaker. Para além do desfile, o público pode saltar ainda ao ritmo dos Melech Mechaya. A proposta é uma fusão de ritmos ciganos e sons judaicos tradicionais que vão invadir o centro de Almada na tarde de 8 de Março. A música prolonga-se durante a tarde com o concerto do Quinteto Almadense.

quarta-feira, 2 de março de 2011

LOJA CASCAIS Mais de 200 atendimentos

Ver edição completa Loja do Cidadão será uma realidade ainda no primeiro semestre Com mais de 200 atendimentos presenciais por dia, aos quais se juntam, em média, 408 registos mensais, na sua maioria por correio electrónico (60%), mas também por telefone, fax ou carta, realizados entre Abril e Dezembro de 2010, o serviço de Atendimento Municipal de Cascais registou ao longo de 2010 um vasto conjunto de alterações. Medidas que reforçam um novo conceito de serviço público: orientado para o cidadão e para a transparência de procedimentos. Desde a implementação do conceito de Balcão Único, ocorrida a 1 de Março de 2010, à mudança de instalações para a nova Loja Cascais, no Edifício Cascais Center (junto aos CTT e Finanças), com melhorias ao nível da qualidade das instalações, serviço prestado e alargamento do horário de atendimento (de 2.ª a 6.ª entre as 8h30 e as 19h30 e aos sábados das 9h30 às 15h00), a Câmara de Cascais dá assim resposta às exigências dos cidadãos e empresas. A alteração mais recente prende-se com a entrada em funcionamento do serviço de Atendimento Personalizado que visa contribuir para a diminuição de tempos de espera, principal causa das 41 reclamações do Livro Amarelo, em média 20 minutos, permitindo programar o atendimento presencial nos casos mais complexos em termos burocráticos. De salientar que a espera é consideravelmente menor de 2.ª a 6.ª-feira ao início da manhã (8h30-10h00), e ao final da tarde (17h00-19h30), bem como ao sábado, alturas em que a Loja Cascais regista menor procura por parte dos cidadãos. De acordo com o relatório de dados estatísticos apresentado em recente reunião camarária, ao longo do ano 2010 (Abril a Dezembro) foram registados 41 363 atendimentos, o que significa mais de 200 atendimentos por dia com uma duração média de 11 minutos, sendo a maior parte (61%) de âmbito geral. Os três serviços mais procurados foram na categoria de informações/reclamações – solicitado por cidadãos e empresas que procuraram saber qual o ponto de situação de processos em curso nas áreas do Urbanismo e Actividades Económicas, reclamando sobre prazos demasiado longos; junção de elementos, para complementar processos; e pedido de certidões de naturezas diversas. Vinte e cinco por cento dos cidadãos que se deslocaram à Loja Cascais – Atendimento Municipal procuravam o Posto de Atendimento ao Cidadão (segunda a sexta-feira das 9h00 às 18h00) onde são disponibilizados serviços da Administração Central, nomeadamente os pedidos de substituição, alteração de dados ou revalidação da Carta de Condução (18%), pedidos de Registo Criminal e do Cartão Europeu de Seguro de Saúde, entre outros. Serviços que durante o ano em curso vão integrar o leque de oferta pública da Loja do Cidadão de Cascais, cuja abertura está prevista para este primeiro semestre de 2011, também no Edifício Cascais Center.

Carnaval do MTBA assinala dez anos

Ver edição completa Quatro dias de folia nas aldeias de Magoito, Tojeira, Bolembre e Arneiro dos Marinheiros O Carnaval vai voltar a sair à rua nas aldeias de Magoito, Tojeira, Bolembre e Arneiro dos Marinheiros, na freguesia de São João das Lampas, reunidas em torno do Grupo União Recreativo e Desportivo MTBA. Este ano, os festejos carnavalescos assinalam a 10.ª edição e prometem muita animação ao longo de quatro dias (entre 5 e 8 de Março). O evento vai envolver 400 participantes, juntamente com12 carros alegóricos, com o ponto alto a residir nos desfiles do Corso no domingo, a partir das 15h00, em recinto fechado nas ruas de Magoito, e na terça-feira de Carnaval, pelas quatro aldeias (também a partir das 15h00), com término no pavilhão do MTBA, às 18h00, com apresentação de coreografias. Nas últimas semanas, têm-se intensificado os preparativos para que tudo esteja pronto no fim-de-semana de Carnaval. "O trabalho de campo, como os ensaios, estão a decorrer desde finais de Janeiro", acentua Henrique Manuel, presidente da direcção do MTBA, que realça que alguns ensaios, oito para cada aldeia, têm lugar mesmo no pavilhão da instituição. Este ano, Arneiro dos Marinheiros apresenta a temática de "O Amor anda no ar", que convida os foliões a deixarem- se levar pela magia do dito, "do enamoramento ao namoro passando pela paixão", até acabar no casamento. Magoito aposta no tema "Doce como o Mel", "para adoçar estes tempos de mudança e de crise", coma presença garantida da Rainha Abelha-Mestre e da Abelha Maia. Bolembre, por sua vez, promete trocar os ‘b pelos v’ e vice-versa, com inspiração no filme "Do Cabaré para o Convento". Neste caso, à moda do Carnaval do MTBA, será do "Conbento para o Cavaré", com a presença do Papa e da freira Mary. Os foliões de Tojeira vão brincar com coisas mais sérias... com a Tropa, que no caso de Portugal, nos últimos séculos, se envolveu na I Guerra Mundial e na Guerra do Ultramar. Rangers, Comandos, Fuzileiros e Pára-quedistas vão ser retratados de mil e uma maneiras. Em tempo de crise, os festejos carnavalescos do MTBA não ficam à margem da situação económica do país, mas tudo está a ser feito para que a qualidade não seja prejudicada. "Temos apertado um pouco em termos de custos", reconhece o presidente da direcção, que sublinha a carolice que caracteriza o Carnaval do MTBA: "São noites e noites de trabalho a custo zero". "Não é como o Carnaval de Loures ou de Torres Vedras, em que as câmaras municipais põem lá os funcionários a trabalhar", adverte Henrique Manuel. Como os apoios não abundam, embora contem com o envolvimento do município e da Junta de Freguesia de São João das Lampas, a aposta continua a residir na "consolidação do projecto". O futuro é encarado com optimismo, "quando mais de 50% dos participantes tem idade inferior a 24/25 anos", e o ‘bichinho’ do Carnaval começa logo desde tenra idade. Uma das aldeias, destaca Henrique Manuel, conta mesmo com a adesão de cerca de 70 crianças. Mas, para quando ‘dar o salto’, ou seja, aumentar a projecção do Carnaval do MTBA? "Precisamos de apoios", acentua Henrique Manuel. "Mas, é sempre uma situação que está no nosso pensamento". E, ‘dar o salto’ significa o quê? "Partilhar o Carnaval do MTBA com toda a freguesia" e, até quem sabe, promover desfiles na própria sede do concelho. Para já, o objectivo é animar as hostes e atrair a população, se possível com a colaboração de São Pedro, para que não volte a pregar a partida do mau tempo.Os preços de acesso (três euros para associados e quatro para não sócios) vão manter-se na abertura do Carnaval no pavilhão (sábado, dia 5, a partir das 22h00), e no desfile em recinto fechado no Magoito (domingo). Para reforçar a moldura humana no baile nocturno de 2.ª-feira, que conta com a Banda ‘Os Bacanos’ e concursos de máscaras, foi decidido proporcionar entrada livre para senhoras e "só os homens que não sejam sócios é que pagam".

terça-feira, 1 de março de 2011

Sinalização insuficiente no Borel

Ver edição completa Peões contestam insegurança na principal entrada da cidade A ocorrência constante de acidentes de viação na avenida Condes Castro Guimarães, junto ao cruzamento do Borel, entre as freguesias da Reboleira e da Venteira, envolvendo muitas vezes não apenas veículos, mas também transeuntes, levam a população a questionar a autarquia sobre a sinalização ali existente. Depois de ter sido abandonado o projecto de construção de uma passagem superior para peões, o vereador responsável pelo pelouro na Câmara Municipal da Amadora (CMA), Gabriel Oliveira, garante que “a solução adoptada é das mais evoluídas do país”. Apesar de já ter sido pior o índice de sinistralidade do cruzamento do Borel, situado na entrada sul da Amadora, há quem ainda tenha dúvidas em relação à sua sinalização. E não são raras as semanas em que os bombeiros são chamados ao local para a acudir a mais uma emergência. Idalina Custódio lembra-se dos tempos em que os acidentes eram constantes, mas considera que “neste momento, está muito melhor, talvez porque as pessoas já conheçam o trajecto que devem fazer”. Mas esta moradora vai lembrando que “se todos cumprissem a sinalização era bem mais positivo”. Uma opinião também partilhada por Alice Guerreiro, moradora há 22 anos no Borel, que acrescenta que “a sinalização é muito má, só não existem mais acidentes porque muitos dos moradores da Amadora já conhecem o cruzamento, mas às vezes vimos carros a entrar em contra-mão”. Alice Guerreiro considera mesmo que “o cruzamento é muito confuso e a sinalização não é boa”. A questão dos atropelamentos é também levantada por esta moradora que chega mesmo a considerar que “às vezes assiste-se a muitas asneiras, muitas vezes não são respeitados os semáforos, quer por parte de peões, quer por parte de automobilistas”. A passagem superior para peões no nó que faz a ligação ao bairro do Borel foi prometida pela autarquia em 2004, no entanto, um projecto que foi abandonado porque, de acordo com o vereador Gabriel Oliveira, “a obra tinha um impacto muito grande naquela zona, mas também porque sabemos que muitos peões não a iriam usar”. O responsável lembra ainda que “ali há controlo do limite de velocidade, semáforos e é dos cruzamentos mais evoluídos tecnicamente em Portugal, cabe aos condutores e peões respeitarem a sinalização existente, porque se ela for respeitada o cruzamento é seguro”. A promessa da autarquia, agora abandonada, chegou mesmo a apontar para 2005 a sua conclusão e surgiu como resposta a um abaixo-assinado que reuniu perto de 700 assinaturas de moradores do bairro. Alice Guerreiro também tem dúvidas sobre a eficácia de uma passagem superior, tendo em conta que “existem muitos moradores com idade avançada a quem custa subir as escadas”, no entanto, considera: “A autarquia deveria fazer alguma coisa, como por exemplo, colocar mais sinalização”.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TRAFARIA População recusa contentores

Ver edição completa Expansão do Porto de Lisboa pode destruir vila A população da Trafaria quer decidir sobre o seu território, pelo que exige a extinção da reserva de terreno e de espaços canais para aproveitamento da localidade como alternativa ao Porto de Lisboa, tal como prevê o Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROT-AML), que esteve em discussão pública até 31 de Janeiro. Na passada sexta-feira, dia 18, o executivo da Câmara de Almada e a presidente da Junta de Freguesia da Trafaria participaram numa reunião alargada com a população onde foi aprovado um documento a repudiar as opções previstas pelo plano de ordenamento regional que “contraria a estratégia de desenvolvimento” para a localidade, afirma a presidente da Câmara. Para Maria Emília de Sousa o futuro da Trafaria passa pelo turismo e a tradicional actividade piscatória, o que é “incompatível com um terminal de contentores”. Aliás, diz a edil que o próprio porto de pesca há muito reclamado pelos pescadores locais “fica em causa” caso o Conselho de Ministros aprove o PROT-AML na sua versão actual. Daí moradores e autarcas estarem numa corrida contra o tempo para que a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) atenda aos contributos dados pelos órgãos autárquicos nos vários contactos institucionais durante a fase de discussão pública do plano de ordenamento, em defesa de uma Trafaria de turismo e pesca. “Tudo o que os eleitos podiam fazer já foi feito, agora cabe à população dizer que rejeita esta visão do PROT-AML”, comenta a presidente da Junta da Trafaria. Para Francisca Parreira a aplicação deste plano de ordenamento vai transformar a localidade em “duas ruas com uma linha ferroviária no meio e um porto de contentores”. A passagem de uma linha férrea nesta localidade com apenas 5 quilómetros quadrados, é outra das razões que levam populares e eleitos a protestar contra o PROT-AML.Mas o Governo parece não querer desistir desta opção. Maria Emília de Sousa diz ter aproveitado uma reunião entre o secretário de Estado dos Transportes e vários presidentes de câmara da Área Metropolitana de Lisboa, na mesma sexta-feira, para dizer a Carlos Correia da Fonseca que a linha férrea e o porto de contentores vão “destruir a Trafaria”, mas este “entende que o uso portuário deve constar no PROT-AML”. Ou seja, “existe uma divergência de fundo”, comenta. Para Maria Emília de Sousa “Lisboa está a limpar a sua margem”, mas a Trafaria “não pode ser sacrificada com isso”, pelo que “não pode ser considerada como área de expansão do Porto de Lisboa". A edil chega a admitir que houve intenção de “limitar a participação” dos trafarienses sobre o PROT-AML. É que sendo esta localidade a que recebe mais impacto deste plano, “não se percebe porque as sessões de esclarecimento (durante o período de discussão pública) se realizaram em Mafra e Seixal”. Isto quando o município propôs uma sessão na Trafaria. “Agora está do lado da população fazer ouvir a sua voz de protesto. Nós já fizemos o que tinha de ser feito do ponto de vista formal”, alegava a edil durante o encontro. E, de facto, este processo está a irritar a população local. “O PROT- -AML não só é um erro ambiental, como irá destruir a tradição da Trafaria e inviabilizar o seu desenvolvimento turístico”, afirmava um dos moradores. E o descontentamento popular poderá tomar outras formas e já se fala em formar um movimento cidadãos, a exemplo do que aconteceu em Lisboa sobre a expansão de Alcântara, para defender a Trafaria. O documento aprovado pela população vai agora ser enviado para os vários órgãos do poder local de Almada, CCDR-LVT, Governo Civil, Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território e primeiro-ministro.