quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SEGURANÇA Violência escolar preocupa

Ver edição completa Sintra apresenta o maior número de ocorrências a nível nacional Sintra é o concelho com maior número de ocorrências de violência escolar a nível nacional. Este indicador foi revelado pela directora do Gabinete Coordenador de Segurança Escolar (GCSE), superintendente Paula Peneda, durante o seminário "Cidadania, Justiça e Segurança em ambiente escolar", promovido pela Divisão de Sintra da PSP, na passada quarta-feira, no Centro Cultural Olga Cadaval. "Segundo os dados estatístiscos sobre os incidentes de violência participados pelas escolas portuguesas ao Ministério da Educação, o concelho de Sintra foi o território com maior número de ocorrências, em todo o país, nos últimos anos lectivos", revelou Paula Peneda, dando conta que o Observatório de Segurança Escolar está a efectuar um estudo sobre as escolas sintrenses. Este diagnóstico visa "contribuir para futuras estratégias e mecanismos de intervenção e prevenção sobre a violência na escola". Em primeiro lugar, vai procurar estabelecer uma relação entre as ocorrências de violência e o contexto social. "Sintra afigura-se como um local especialmente pertinente e profícuo de observação e de investigação", salientou esta oficial superior da PSP, requisitada pelo Ministério da Educação para coordenar a estrutura que superintende a segurança escolar. Sintra suplantou mesmo, nos últimos anos lectivos, o número de ocorrências do concelho de Lisboa, com 281 situações em Sintra contra 272 na capital. Paula Peneda adiantou que há um caso de sucesso ao nível da violência escolar, o do concelho de Amadora que, através de "vários mecanismos criados", conseguiu reduzir de forma substancial o número de ocorrências nos estabelecimentos de ensino. Perante uma plateia que reunia responsáveis policiais, autárquicos, sociais e judiciais, Paula Peneda não escondeu que "o concelho de Sintra é uma área que nos preocupa enquanto responsáveis de segurança escolar". O crescimento populacional, na ordem dos 39,4% entre 1991 e 2001, é um factor indissociável dos problemas sociais que afligem o concelho, que tem 75% da sua população a residir no corredor urbano de Queluz à Portela de Sintra. Um factor a ter em conta assenta na capacidade das escolas de 2.º e 3.º Ciclos e Ensino Secundário, com uma taxa de ocupação na ordem dos 126%, "existindo alguns estabelecimentos de ensino que se encontram sobrelotados com valores próximos dos 200%". "Importa ainda referir a forte concentração de alunos carenciados nestas escolas, especialmente nas freguesias de Algueirão-Mem Martins, com 20% do total concelhio, Agualva, Rio de Mouro, Casal de Cambra, Queluz e Belas", sublinhou Paula Peneda. "Sintra surge, efectivamente, como uma das zonas educativas onde se observa uma maior intensidade do fenómeno de violência escolar", reforçou a directora do GCSE, que lançou mesmo um desafio para que o concelho seja palco de "um projecto-piloto de intervenção numa freguesia de Sintra". Mas, apesar destas preocupações, Paula Peneda fez questão de garantir que as escolas são um espaço seguro. Aliás, 93% das escolas portuguesas não registam qualquer tipo de ocorrência. "Se não regista, é porque não precisa de ajuda, é porque, através dos seus mecanismos próprios, consegue resolver os seus problemas", sublinhou a superintendente. Mesmo em zonas consideradas como problemáticas, a escola consegue manter-se à margem do ambiente que a rodeia. "A escola é, por isso, um espaço seguro. Por vezes, o mais seguro em determinadas zonas", concluiu Paula Peneda. Ainda antes dos indicadores revelados por Paula Peneda, Fernando Seara sublinhou, na abertura do seminário, que "Sintra tem de ser um município onde se estudem cientificamente estas matérias", até porque tem mais população do que alguns estados europeus. O edil sintrense recordou que, ainda há poucos dias, uma procuradora-geral da República, na comarca de Sintra, suscitou "as novas angústias da violência doméstica", que "chegam a Sintra aos locais onde estão a surgir os novos pobres".

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

AMADORA Videovigilância avança só durante a noite

Ver edição completa Novo projecto prevê menor número de câmaras a instalar e limita-se às zonas circundantes às estações da CP O novo projecto para a instalação de um sistema de videovigilância na cidade da Amadora prevê a implementação de 61 câmaras, distribuídas por apenas três zonas, circundantes às estações da CP em território do concelho. Vão funcionar entre entre as 20 e as 8 horas. As alterações à proposta inicial, rejeitado pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), resultaram na redução do perímetro de abrangência, no número de equipamentos capazes de recolher imagens na via pública, assim como do horário de funcionamento. Por isso, presidente da Câmara Municipal da Amadora (CMA), Joaquim Raposo, não esconde a sua “meia-surpresa” e alguma desilusão por não ter conseguido fazer vingar o projecto inicial. No primeiro núcleo que abrange as freguesias da Venteira, Mina e Falagueira, junto à estação da CP da Amadora, a PSP defende a colocação do maior número de câmaras, com a presença de 32 equipamentos, colocados nas zonas centrais com mais comércio e de forma a vigiar também o parque Delfim Guimarães (a sul da linha férrea) e o Parque Central (norte). Aliás, para o Parque Central, a proposta da PSP é no sentido da videovigilância funcionar 24 horas sobre 24 horas, sendo a única zona com horário alargado. Para a zona da Reboleira, o segundo núcleo, o estudo da PSP prevê a instalação de 12 câmaras, espalhadas pelos principais acessos à estação de comboios. Assim como, na Damaia os 17 equipamentos estão apontados para as principais artérias de ligação à estação. “Este é um elemento fundamental para a dissuasão da criminalidade, importante para constituir elemento de prova, mas pode também contribuir para que as pessoas se sintam mais seguras”, adiantou o Intendente Luís Elias, do comando distrital da PSP. O presidente da autarquia da Amadora, no final da sessão de apresentação levada a cabo pela PSP, considerou que o projecto, agora apresentado “é insuficiente para o que era esperado para uma cidade como a Amadora” e mostrou-se “meio-surpreendido” com a redução das zonas abrangidas e do horário de funcionamento. No entanto, durante a apresentação, o autarca considerou que a implementação deste projecto “é essencial para que as pessoas se sintam seguras”. O autarca salientou também que, na Amadora, “a maioria da população é favorável ao sistema de videovigilância”. Joaquim Raposo lembrou que “o primeiro projecto apresentado em Agosto previa a colocação de 113 câmaras distribuídas por todas as freguesias, tratando-se de uma cobertura global, mas tendo em conta a redução, foi dada prioridade a zonas de maior circulação de pessoas, onde há comércio e transportes”. Mas, mostrou- se preocupado com a vigilância apenas entre as 20 e as 8 horas. “Para uma maior protecção dos cidadãos preferia que fosse 24 horas, porque todos sabemos que há zonas em que os assaltos ocorrem durante o dia”, considerou. O autarca não esconde estar a pensar em alargar no futuro este projecto a outras zonas da cidade que ficaram de fora, como a o bairro do Zambujal, a Cova da Moura (Buraca) ou até mesmo zonas mais inseguras da Damaia, São Brás ou Mina. “É necessário que primeiro, este projecto seja aprovado e posto em prática”, referiu aludindo ao parecer negativo vinculativo dado pela CNPD ao primeiro projecto apresentado. O autarca mostrou-se, porém, seguro que “depois de se analisarem os resultados da implementação deste projecto poderemos avançar para outras zonas do concelho”. Ainda sem orçamento para o novo projecto, o autarca admite que a instalação das 61 câmaras “ficará abaixo de meio milhão de euros”. Armando Paulino, presidente da Junta de Freguesia da Brandoa, uma das que fica de fora deste projecto, e onde está situado o parque Jardim de Camões, a necessitar de videovigilância, tem esperança no alargamento do projecto no futuro. “Tem que se começar por algum lado”, considerou. Mas acrescenta que “o problema de se escolher ou não viver no Big Brother seria resolvido com a realização de um referendo municipal”. A secretária de Estado da Administração Interna, Dalila Araújo, fez questão de estar presente durante a apresentação do projecto, adiantando que “nos locais onde há videovigilância é notável a redução da criminalidade, mas também a percepção do cidadão em relação ao sentimento de segurança tem melhorado”. A responsável acrescentou, porém, que “estes projectos devem ser implementados pelas autarquias e não devem ser impostos pelo Ministério”, salientando que “compete à PSP analisar os melhores locais para a sua implementação”.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

SAÚDE EM ALMADA Cada vez mais utentes sem médico

Ver edição completa Comissão exige reabertura das urgências nocturnas A ministra da Saúde reafirmou, na segunda-feira, que a reestruturação dos horários dos centros de saúde é para continuar, uma vez que esta medida permite transformar “horas vazias de doentes” em “horas de consultas médicas”. Diz Ana Jorge que “quando se organiza um centro de saúde, reduzindo o tempo nocturno, que não tinha habitualmente procura de doentes, essas horas são transformadas em horas de consulta e isso vai aumentar a capacidade de resposta aos utentes”. Mas este é um argumento que não convence Jorge Fernandes, da Comissão de Utentes de Saúde de Almada (CUSA), que defende que os centros de saúde “têm de funcionar em horário nocturno” para “aliviar a carga de pessoas que acorrem às urgências do Hospital Garcia de Orta” (HGO) que “já não está dimensionado” para responder à população da sua área de influência: Almada, Seixal e Sesimbra, ou seja, quase meio milhão de habitantes. Ora o que se verifica neste momento é que os dez centros de saúde existentes no concelho de Almada – onze freguesias – funcionam entre as 8 horas e as 20 horas. “É claramente insuficiente”, comenta Jorge Fernandes que continua ainda a contestar a decisão do Ministério da Saúde em “acabar com o Serviço de Atendimento Permanente de Almada (SAP). Actualmente só funciona como SAP aos fins-de-semana e feriados, e mesmo assim só até às 22 horas”. Ou seja, “durante a semana a única alternativa dos utentes, se tiverem um problema depois das 20 horas, é irem à urgência do HGO”. A isto acresce o problema da “falta de centros de saúde e falta de médicos”, diz Jorge Fernandes. Um dos casos que aponta é o caso das freguesias do Laranjeiro e Feijó, ambas de grande densidade populacional. Apesar de dispor de uma unidade relativamente recente, esta “já não consegue dar resposta suficiente”, e apesar de existir ainda um centro a funcionar no Laranjeiro, este está instalado no prédio de habitação e “está muito limitado”. De facto, os presidentes das juntas de freguesia do Feijó e Laranjeiro reclamam por um novo centro de saúde na zona. Mara Figueiredo, do Laranjeiro, afirma que as instalações que existem na freguesia, na Rua Luís de Camões, “são inadequadas” e José Pereira lamenta que a ministra Ana Jorge considere que “existem outras prioridades”. É que terreno já existe, disponibilizado pela autarquia, mas da construção nada se sabe. Problemática é também a situação na Charneca de Caparica, a que mais cresceu no concelho nos últimos anos. O responsável da CUSA não só afirma que o centro de saúde da localidade “já não tem condições” como diz que “10 mil dos residentes não têm médico de família”. Aliás, pelas suas contas, no concelho "são 60 mil” os utentes sem médico de família. Um número que o responsável pelos centros de saúde do concelho de Almada considera exagerado. Afirma Luís Marquês que no concelho há “150 mil utentes com médico de família”, isto numa população de 170 mil habitantes, segundo dados o INE.Relacionando os números citados por Jorge Fernandes e os de Luís Marquês pressupõe-se que Almada terá 210 mil habitantes o que “não é de acreditar”, comenta o director dos centros de saúde. Contudo Luís Marquês admite a falta de médicos. “De Março a Dezembro de 2010 o concelho perdeu 12 médicos”, refere. Destes quatro voltaram após se terem aposentado, numa solução prevista pelo Decreto-Lei 89/2010 para resolver a falta de clínicos. Mesmo assim, passaram a existir menos oito médicos de serviço aos centros de saúde. Para já a situação tem sido remediada com a contratação de clínicos através de ‘outsourcing’, o que para Luís Marquês não é solução. E Jorge Fernandes concorda. “É muito mais dispendioso para o Estado”. Contudo a falta de médicos ainda vai levar tempo a ser resolvida. Segundo Luís Marquês vai ser necessário esperar cerca de cinco anos até que novos médicos cheguem ao mercado em número suficiente. Aliás, esta também é a previsão da ministra Ana Jorge, numa semana em que se soube que, a nível nacional, o serviço nacional de saúde vai perder mais 70 médicos. No total, no país conta-se que milhão e meio de pessoas não têm médico de família.

CRUZ QUEBRADA Pista de sobressaltos

Ver edição completa Buracos e passeios estreitos ameaçam peões na Rua Sacadura Cabral Asfalto polvilhado de remendos e de buracos, piso irregular e marcado pelos carris dos eléctricos que já por ali não passam há muitos anos, por um lado, e passeios perigosamente estreitos e sem resguardo, por outro, fazem da Rua Sacadura Cabral, via de grande extensão que vai desde a ponte velha da Cruz Quebrada até ao jardim de Algés, uma artéria muito penosa, seja para peões ou para condutores. “Nem no tempo dos eléctricos a água ficava assim acumulada como fica hoje em dia. É com cada charco de água que a gente leva quando chove...”, lamenta Helena Ribeiro, de 86 anos, moradora na Cruz Quebrada há 60, fazendo esforço para se manter equilibrada num palmo de calçada onde mal cabem os pés. “É um perigo. Se uma pessoa põe mal o pé vai logo parar à estrada”, queixa-se, antes de seguir caminho com os sacos de compras a desafiarem, ao centímetro, a distância para o autocarro que passa em aceleração. Foi o risco de banhos imprevistos que levou a Junta de Freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo a implantar uma vedação metálica num troço de cerca de 35 metros, ao longo do muro da Quinta dos Cedros (n.º 17), onde o passeio tem mais de um metro de largura. Uma segurança que, certamente, também faz falta noutros pontos daquela artéria. Segundo explicou ao JR o presidente da Junta, Paulo Freitas do Amaral, a vedação só foi colocada ali por se tratar de um troço contínuo de grande comprimento e com um muro que “não dá às pessoas qualquer defesa contra a água lançada pelo rodado dos carros”. Noutros pontos também seria preciso uma solução do género, reconhece o autarca. No entanto, “não se pode fazer este tipo de obra em passeios muito estreitos, sob risco de ficarem ainda mais estreitos, e em áreas onde há vários privados que têm uma palavra a dizer”, justificou Paulo Freitas do Amaral. O autarca considera que a resposta necessária para a Rua Sacadura Cabral seria uma intervenção de fundo, o que não acontece há muitos anos. “A Junta tem posto remendos sobre remendos, mas o piso está deplorável, os buracos abrem-se com mais facilidade junto aos carris...”. O autarca entende que se está a atingir uma “situação-limite”. E dá como exemplo a ruptura de água verificada em Dezembro último junto ao Instituto Espanhol. “O caneiro velho que traz águas pluviais para o Tejo entupiu e demorou três ou quatro dias a solucionar o problema por causa das marés vivas que não deixavam os técnicos intervir em segurança. Cheguei a temer que o piso abatesse naquela zona”, conta. Sendo uma via que atravessa toda a freguesia, a requalificação teria toda a pertinência. A vereadora responsável pelo pelouro das Obras Municipais e da Mobilidade, Madalena Castro, concorda, mas referiu ao JR que não está nada previsto nesse sentido em termos de obras camarárias. “Havia a intenção, de facto, de prosseguir, por troços, a requalificação feita em Algés, entre a central de camionagem e o Palácio Anjos, mas esse plano está parado pelas conhecidas razões de contenção orçamental, pois existem outras prioridades”, explicou a vereadora.

AVISO DE FRAUDE

Está a circular um SMS a solicitar o pagamento, em nome do Jornal da Região, para a entidade 20130 oferecendo descontos a quem efectuar o pagamento de valores em dívida até ao dia seguinte. Em caso de dúvida, contacte-nos para o telefone: 21 415 72 00

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PAREDE Rotunda da discórdia

Ver edição completa Regularização de tráfego no Bairro das Caixas desagrada a moradores A obra de regularização do tráfego, a cargo da ESUC (Empresa de Serviços Urbanos de Cascais), que está a decorrer na rotunda a norte do Bairro das Caixas, na Parede, não está a deixar satisfeitos alguns moradores que consideram que a intervenção “está a espartilhar o trânsito em toda a zona” e o que antes era “uma área ampla e arejada está a transformar- se num rendilhado, fazendo lembrar uma construção da Lego”. A intervenção em curso já lesou algumas pessoas, diz o munícipe Mário Barata: “É incompreensível a eliminação de quatro lugares de estacionamento, em frente ao n.º1 da R. Prof. Agostinho da Silva, que são indispensáveis aos moradores (pessoa com deficiência, idosos, crianças). Este prédio não só vai ficar sem qualquer lugar de estacionamento à sua frente, como vai ser impossível parar para recolha ou largada de passageiros, dado o afunilamento da rua no local”. Este morador admite que “a rotunda estava mal sinalizada. Mas na Rua Prof. Agostinho da Silva não havia qualquer problema. As pessoas estacionavam de um lado e do outro e agora ficou estreita junto à rotunda, em frente de habitações”. O problema, diz, “é que para acabar com os acidentes quase diários que ocorriam no cruzamento entre a Melvim Jones e a Gago Coutinho, optou-se por espartilhar o trânsito em toda a zona, através da ampliação de passeios e criação de separadores”. Este residente já comunicou esta situação à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal, “porque considero que há nitidamente um erro de projecto na rotunda,mas ainda não obtive resposta e já me iam rebocando o carro que estava estacionado em frente à minha casa, como sempre esteve”.

PARQUE DA PENA Chalet da Condessa em fase final de reconstrução

Ver edição completa Intervenção da Parques de Sintra-Monte da Lua promete devolver esplendor original a imóvel que ardeu em 1999 Quinze anos após a colocação de uma estrutura de protecção, que não evitou o incêndio de 1999, o Chalet da Condessa vai voltar a sobressair na zona ocidental do Parque da Pena. Até ao final do mês, a empresa Parques de Sintra-Monte da Lua vai concluir os trabalhos de reconstrução do imóvel, ao nível de paredes, pavimentos e cobertura, e de execução de infra-estruturas básicas (água, esgotos e electricidade). O exterior do edifício, construído em 1870 por D. Fernando II para a sua segunda mulher, Elise Hensler, vai ficar totalmente reabilitado, perdendo, de uma vez por todas, a envolvência de andaimes. Ao redor do imóvel, está ainda em curso a reabilitação dos Jardins da Condessa, que promete proporcionar momentos únicos de contacto com a Natureza já a partir do próximo Verão. "Estamos a concluir uma intervenção de reconstrução: é muito autêntica nos materiais, nas técnicas, nas soluções construtivas. Fizemos uma reprodução fiel de tudo aquilo que cá estava e melhorámos as condições de segurança; o edifício passa a ter detecção de incêndios e um método preventivo de combate a incêndios", salienta o arquitecto José Maria Lobo de Carvalho, responsável pelo restauro do Chalet da Condessa, durante uma visita exclusiva para o JR. "Houve um cuidado muito grande em refazer o edifício, sem alterar a imagem, mas dotá-lo das condições actuais de conforto e de funcionalidade", reforça. No exterior, um batalhão de trabalhadores, alguns deles autênticos artífices, estão a recuperar o esplendor do imóvel, revestido por amplas zonas de cortiça. Uma missão que não constituiu tarefa fácil. "Tivemos de trabalhar a chamada cortiça virgem, a casca da árvore, que é grossa e tosca, e para este tipo de trabalho, muito pormenorizado, tivemos que pedir a uma empresa que agarrasse na casca e a cortasse em fatias fininhas", sublinha aquele responsável. Com estas lâminas de cortiça, após ser cozida em água quente para ficar mais maleável, foi possível concretizar o trabalho rendilhado no exterior do edifício. José Maria Lobo de Carvalho estima que foi necessário "uma tonelada e meia a duas toneladas de cortiça" para concretizar esta reabilitação. Se parte do material foi adquirido no Algarve, uma parceria com a Força Aérea Portuguesa permitiu aproveitar cortiça proveniente do Campo de Tiro de Alcochete. As obras incluíram o sistema de drenagem das águas pluviais, no sentido de não degradar a cortiça, uma situação que, aliás, terá motivado obras no edifício logo 15 anos após a sua construção. "O edifício manteve-se enquanto D. Fernando teve o cuidado da sua manutenção regular e contínua, mas depois houve aquele período da queda da Monarquia, da entrada na posse do Estado, do abandono progressivo que conduziu ao seu incêndio em 1999", acentua o arquitecto. Com a reposição dos elementos decorativos em cortiça, a imagem do Chalet vai recuar um século no tempo. "A partir da queda da Monarquia, não há fotografias com o trabalho decorativo dos beirados", ou seja, "em 40 anos, grande parte do rendilhado, do trabalho de cortiça que caracteriza a imagem exterior, desapareceu". Ao subir os andaimes que envolvem o imóvel, podemos observar melhor os ornamentos em cortiça, mas, acima de tudo, constatar a reabilitação da pintura decorativa das fachadas. Para o efeito, foi necessário vários ciclos de "aplicação de biocida para remover a presença orgânica porque no ambiente da Serra, muito húmido, a colonização biológica, com líquens e fungos, é brutal", alerta. Mas, o que mais chama a atenção é a reposição da cobertura. Com o incêndio de 1999, o edifício ficou sem cobertura, "estava totalmente a céu aberto". Mais uma vez, não foi fácil manter a autenticidade da intervenção. As telhas foram adquiridas a proprietários rurais, já que não foi possível reproduzi-las, "ninguém faz esta telha hoje em dia", salienta o arquitecto. "Fizemos um seguro de saúde que consiste no revestimento de zinco. Temos uma cobertura de zinco, e, sobre essa, estão as telhas como camada de superfície", realça o técnico da PSML. O revestimento de zinco impede assim as infiltrações em caso de se partir uma telha. Nos próximo dias, vai ser colocada a nova varanda que assenta numa estrutura de metal de reforço. "Houve um cuidado muito grande na estrutura geral que depois a arquitectura tapa, para apresentar uma construção sólida". Amenos de um mês da conclusão das obras, a azáfama é grande no exterior. José Maria Lobo de Carvalho recorda "a energia" que esteve sempre presente ao longo da empreitada. "Esta obra chegou a ter um pico de 57 operários no terreno, quase 60 pessoas para cima, para baixo, para a esquerda, para a direita...". A reconstrução do Chalet da Condessa, tal como acontece com o restauro do património em geral, implicou "um trabalho muito intensivo do ponto de vista da mão-de-obra". "A conservação do património tem um acréscimo, quer de custos, quer de trabalho, muito grande e este ‘chalet’ tem, de facto, uma quantidade de trabalho aqui incorporado que não é compreensível", salienta o arquitecto. Após esta fase, a PSML vai dar sequência às empreitadas de restauro do interior, "que vão continuar com um ritmo próprio", em função do financiamento a obter, que deverá estar próximo da verba já investida na fase de toscos e de infra- estruturas. Desde 2007, os trabalhos de reconstrução implicaram um investimento de cerca de um milhão de euros, com financiamento de 85% de um mecanismo europeu (EEA Grants), e tendo como parceiros o The Norwegian Institute for Cultural Heritage Researche (NIKU), Instituto de Museus e Conservação, Universidade Nova de Lisboa e Instituto Superior Técnico. José Maria Lobo de Carvalho acredita que o restauro do interior poderá ser concretizado entre "um a dois anos", mas tudo depende das verbas angariadas. "É interesse da Parques de Sintra continuar imediatamente com os restauros. Não vamos deixar cair o assunto e vamos continuar", assegura o arquitecto. "Mas, também uma obra destas requer tempo para pensar, para não fazer qualquer coisa de forma precipitada", reforça. Ao longo dessa segunda fase, à semelhança do que aconteceu desde 2007, os trabalhos podem ser alvo de algumas visitas, no quadro da filosofia "aberto para obras",mas limitadas em termos numéricos. "Com os trabalhos de restauro a decorrerem, as visitas ainda serão muito limitadas. Há, certamente, um interesse grande em visitar o Chalet, e é compreensível e legítimo, e nós queremos mostrá-lo,mas também não queremos comprometer os trabalhos", salienta José Maria Lobo de Carvalho. Mas, quando o restauro estiver concluído, o Chalet vai afirmar-se como um novo pólo de visita do Parque da Pena (ver caixa). "O restauro do interior é muito exigente", reconhece o arquitecto, que já começou a preparar o caderno de encargos para o restauro da Sala das Heras. "E, certamente, haverá um efeito de contágio e à medida que se for fazendo uma, vai-se fazendo outra", acrescenta, sem esconder a sua predilecção pelo Salão Nobre. "Tenho muita vontade de fazer o restauro deste salão, porque a pintura decorativa é magnífica e o incêndio comeu as cores, tinha azuis, encarnados, tons muito bonitos", salienta este responsável, que aponta para a única parede interior que sobreviveu ao incêndio de 1999. "Foi preservada com pinças, ou melhor com uma estrutura brutal de protecção para que não desaparecesse durante as obras". Com esta acção, será possível ainda recolocar nessa parede uma área de 10/15 metros quadrados de pintura decorativa original, que se encontra actualmente no centro de acompanhamento do projecto, situado junto ao portão adjacente à Casa do Guarda. Também a Sala de Jantar promete um amplo trabalho de restauro, já que se apresentava totalmente revestida a painéis de cortiça. O tecto desvenda a estrutura original em madeira, sem reboco, "o que também serve para mostrar às pessoas as fases intermédias de restauro". Quanto ao investimento em falta, para concretizar o restauro do interior, é difícil quantificar. "Uma obra destas é muito complexa e, embora nesta primeira fase tenha corrido muito bem, sem qualquer tipo de derrapagem financeira, já percebemos que a fase de restauro é mais delicada. Por exemplo, na Sala das Heras, o facto de não haver objectos originais, ter que se fazer de fotografia, traz um acréscimo de falta de conhecimento e, por consequência, de custos", conclui o arquitecto José Maria Lobo de Carvalho.