quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PAREDE Rotunda da discórdia

Ver edição completa Regularização de tráfego no Bairro das Caixas desagrada a moradores A obra de regularização do tráfego, a cargo da ESUC (Empresa de Serviços Urbanos de Cascais), que está a decorrer na rotunda a norte do Bairro das Caixas, na Parede, não está a deixar satisfeitos alguns moradores que consideram que a intervenção “está a espartilhar o trânsito em toda a zona” e o que antes era “uma área ampla e arejada está a transformar- se num rendilhado, fazendo lembrar uma construção da Lego”. A intervenção em curso já lesou algumas pessoas, diz o munícipe Mário Barata: “É incompreensível a eliminação de quatro lugares de estacionamento, em frente ao n.º1 da R. Prof. Agostinho da Silva, que são indispensáveis aos moradores (pessoa com deficiência, idosos, crianças). Este prédio não só vai ficar sem qualquer lugar de estacionamento à sua frente, como vai ser impossível parar para recolha ou largada de passageiros, dado o afunilamento da rua no local”. Este morador admite que “a rotunda estava mal sinalizada. Mas na Rua Prof. Agostinho da Silva não havia qualquer problema. As pessoas estacionavam de um lado e do outro e agora ficou estreita junto à rotunda, em frente de habitações”. O problema, diz, “é que para acabar com os acidentes quase diários que ocorriam no cruzamento entre a Melvim Jones e a Gago Coutinho, optou-se por espartilhar o trânsito em toda a zona, através da ampliação de passeios e criação de separadores”. Este residente já comunicou esta situação à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal, “porque considero que há nitidamente um erro de projecto na rotunda,mas ainda não obtive resposta e já me iam rebocando o carro que estava estacionado em frente à minha casa, como sempre esteve”.

PARQUE DA PENA Chalet da Condessa em fase final de reconstrução

Ver edição completa Intervenção da Parques de Sintra-Monte da Lua promete devolver esplendor original a imóvel que ardeu em 1999 Quinze anos após a colocação de uma estrutura de protecção, que não evitou o incêndio de 1999, o Chalet da Condessa vai voltar a sobressair na zona ocidental do Parque da Pena. Até ao final do mês, a empresa Parques de Sintra-Monte da Lua vai concluir os trabalhos de reconstrução do imóvel, ao nível de paredes, pavimentos e cobertura, e de execução de infra-estruturas básicas (água, esgotos e electricidade). O exterior do edifício, construído em 1870 por D. Fernando II para a sua segunda mulher, Elise Hensler, vai ficar totalmente reabilitado, perdendo, de uma vez por todas, a envolvência de andaimes. Ao redor do imóvel, está ainda em curso a reabilitação dos Jardins da Condessa, que promete proporcionar momentos únicos de contacto com a Natureza já a partir do próximo Verão. "Estamos a concluir uma intervenção de reconstrução: é muito autêntica nos materiais, nas técnicas, nas soluções construtivas. Fizemos uma reprodução fiel de tudo aquilo que cá estava e melhorámos as condições de segurança; o edifício passa a ter detecção de incêndios e um método preventivo de combate a incêndios", salienta o arquitecto José Maria Lobo de Carvalho, responsável pelo restauro do Chalet da Condessa, durante uma visita exclusiva para o JR. "Houve um cuidado muito grande em refazer o edifício, sem alterar a imagem, mas dotá-lo das condições actuais de conforto e de funcionalidade", reforça. No exterior, um batalhão de trabalhadores, alguns deles autênticos artífices, estão a recuperar o esplendor do imóvel, revestido por amplas zonas de cortiça. Uma missão que não constituiu tarefa fácil. "Tivemos de trabalhar a chamada cortiça virgem, a casca da árvore, que é grossa e tosca, e para este tipo de trabalho, muito pormenorizado, tivemos que pedir a uma empresa que agarrasse na casca e a cortasse em fatias fininhas", sublinha aquele responsável. Com estas lâminas de cortiça, após ser cozida em água quente para ficar mais maleável, foi possível concretizar o trabalho rendilhado no exterior do edifício. José Maria Lobo de Carvalho estima que foi necessário "uma tonelada e meia a duas toneladas de cortiça" para concretizar esta reabilitação. Se parte do material foi adquirido no Algarve, uma parceria com a Força Aérea Portuguesa permitiu aproveitar cortiça proveniente do Campo de Tiro de Alcochete. As obras incluíram o sistema de drenagem das águas pluviais, no sentido de não degradar a cortiça, uma situação que, aliás, terá motivado obras no edifício logo 15 anos após a sua construção. "O edifício manteve-se enquanto D. Fernando teve o cuidado da sua manutenção regular e contínua, mas depois houve aquele período da queda da Monarquia, da entrada na posse do Estado, do abandono progressivo que conduziu ao seu incêndio em 1999", acentua o arquitecto. Com a reposição dos elementos decorativos em cortiça, a imagem do Chalet vai recuar um século no tempo. "A partir da queda da Monarquia, não há fotografias com o trabalho decorativo dos beirados", ou seja, "em 40 anos, grande parte do rendilhado, do trabalho de cortiça que caracteriza a imagem exterior, desapareceu". Ao subir os andaimes que envolvem o imóvel, podemos observar melhor os ornamentos em cortiça, mas, acima de tudo, constatar a reabilitação da pintura decorativa das fachadas. Para o efeito, foi necessário vários ciclos de "aplicação de biocida para remover a presença orgânica porque no ambiente da Serra, muito húmido, a colonização biológica, com líquens e fungos, é brutal", alerta. Mas, o que mais chama a atenção é a reposição da cobertura. Com o incêndio de 1999, o edifício ficou sem cobertura, "estava totalmente a céu aberto". Mais uma vez, não foi fácil manter a autenticidade da intervenção. As telhas foram adquiridas a proprietários rurais, já que não foi possível reproduzi-las, "ninguém faz esta telha hoje em dia", salienta o arquitecto. "Fizemos um seguro de saúde que consiste no revestimento de zinco. Temos uma cobertura de zinco, e, sobre essa, estão as telhas como camada de superfície", realça o técnico da PSML. O revestimento de zinco impede assim as infiltrações em caso de se partir uma telha. Nos próximo dias, vai ser colocada a nova varanda que assenta numa estrutura de metal de reforço. "Houve um cuidado muito grande na estrutura geral que depois a arquitectura tapa, para apresentar uma construção sólida". Amenos de um mês da conclusão das obras, a azáfama é grande no exterior. José Maria Lobo de Carvalho recorda "a energia" que esteve sempre presente ao longo da empreitada. "Esta obra chegou a ter um pico de 57 operários no terreno, quase 60 pessoas para cima, para baixo, para a esquerda, para a direita...". A reconstrução do Chalet da Condessa, tal como acontece com o restauro do património em geral, implicou "um trabalho muito intensivo do ponto de vista da mão-de-obra". "A conservação do património tem um acréscimo, quer de custos, quer de trabalho, muito grande e este ‘chalet’ tem, de facto, uma quantidade de trabalho aqui incorporado que não é compreensível", salienta o arquitecto. Após esta fase, a PSML vai dar sequência às empreitadas de restauro do interior, "que vão continuar com um ritmo próprio", em função do financiamento a obter, que deverá estar próximo da verba já investida na fase de toscos e de infra- estruturas. Desde 2007, os trabalhos de reconstrução implicaram um investimento de cerca de um milhão de euros, com financiamento de 85% de um mecanismo europeu (EEA Grants), e tendo como parceiros o The Norwegian Institute for Cultural Heritage Researche (NIKU), Instituto de Museus e Conservação, Universidade Nova de Lisboa e Instituto Superior Técnico. José Maria Lobo de Carvalho acredita que o restauro do interior poderá ser concretizado entre "um a dois anos", mas tudo depende das verbas angariadas. "É interesse da Parques de Sintra continuar imediatamente com os restauros. Não vamos deixar cair o assunto e vamos continuar", assegura o arquitecto. "Mas, também uma obra destas requer tempo para pensar, para não fazer qualquer coisa de forma precipitada", reforça. Ao longo dessa segunda fase, à semelhança do que aconteceu desde 2007, os trabalhos podem ser alvo de algumas visitas, no quadro da filosofia "aberto para obras",mas limitadas em termos numéricos. "Com os trabalhos de restauro a decorrerem, as visitas ainda serão muito limitadas. Há, certamente, um interesse grande em visitar o Chalet, e é compreensível e legítimo, e nós queremos mostrá-lo,mas também não queremos comprometer os trabalhos", salienta José Maria Lobo de Carvalho. Mas, quando o restauro estiver concluído, o Chalet vai afirmar-se como um novo pólo de visita do Parque da Pena (ver caixa). "O restauro do interior é muito exigente", reconhece o arquitecto, que já começou a preparar o caderno de encargos para o restauro da Sala das Heras. "E, certamente, haverá um efeito de contágio e à medida que se for fazendo uma, vai-se fazendo outra", acrescenta, sem esconder a sua predilecção pelo Salão Nobre. "Tenho muita vontade de fazer o restauro deste salão, porque a pintura decorativa é magnífica e o incêndio comeu as cores, tinha azuis, encarnados, tons muito bonitos", salienta este responsável, que aponta para a única parede interior que sobreviveu ao incêndio de 1999. "Foi preservada com pinças, ou melhor com uma estrutura brutal de protecção para que não desaparecesse durante as obras". Com esta acção, será possível ainda recolocar nessa parede uma área de 10/15 metros quadrados de pintura decorativa original, que se encontra actualmente no centro de acompanhamento do projecto, situado junto ao portão adjacente à Casa do Guarda. Também a Sala de Jantar promete um amplo trabalho de restauro, já que se apresentava totalmente revestida a painéis de cortiça. O tecto desvenda a estrutura original em madeira, sem reboco, "o que também serve para mostrar às pessoas as fases intermédias de restauro". Quanto ao investimento em falta, para concretizar o restauro do interior, é difícil quantificar. "Uma obra destas é muito complexa e, embora nesta primeira fase tenha corrido muito bem, sem qualquer tipo de derrapagem financeira, já percebemos que a fase de restauro é mais delicada. Por exemplo, na Sala das Heras, o facto de não haver objectos originais, ter que se fazer de fotografia, traz um acréscimo de falta de conhecimento e, por consequência, de custos", conclui o arquitecto José Maria Lobo de Carvalho.

DAMAIA Casal Popular atende 320 pessoas

Ver edição completa Nova direcção aposta na continuidade e em novos projectos A prestar apoio à população há quase 36 anos, a Associação de Solidariedade Social Vencer Casal Popular da Damaia está num ponto de viragem com as suas cinco respostas sociais a obterem certificação de qualidade. O acto eleitoral, que decorreu há um mês, reelegeu a única lista, encabeçada por João Caixado, que pretende “dar continuidade às actividades da instituição”, mas também “apostar em novos projectos”. O Casal Popular, criado em Março de 1975, tem neste momento em funcionamento nas suas instalações, na Damaia, cinco respostas sociais. Pela Creche, Jardim-de-Infância, Serviço de Apoio Domiciliário, Centro de Dia e Centro de Actividades de Tempos Livres (CATL) passam, diariamente, cerca de 320 pessoas, entre crianças e idosos. A direcção pretende “dar continuidade às actividades até aqui desenvolvidas mas também melhorar os serviços aos utentes, que passam pela melhoria das instalações, dar formação aos funcionários, procurando a melhoria progressiva do nosso trabalho”, refere João Caixado, que exerce o cargo de presidente desde 1991. “Temos projectos antigos, como o da reestruturação da cozinha de acordo com as novas exigências de segurança alimentar, transformar o antigo espaço de ATL (Actividades de Tempos Livres) numa Creche e alargar o Serviço de Apoio Domiciliário aos feriados e fins-de-semana”, acrescenta o responsável. No entanto, estes são projectos que embora já tenham tido o parecer favorável de várias autoridades, nomeadamente da Segurança Social e da Câmara, aguardam agora a afectação de verbas. Uma outra aspiração antiga desta instituição passa pela construção nos próprios terrenos de um lar para idosos. “Existe uma grande necessidade de termos uma resposta social para esta população. Esta é a segunda freguesia mais envelhecida do concelho e não existe nada”, refere Elvira Pereira, a directora técnica da instituição. Existe espaço nas próprias instalações para avançar com o projecto, mas “estamos a tentar arranjar uma arquitecto que elabore o projecto para podermos avançar com o pedido de apoios para a sua construção”, afirma João Caixado. Serviços certificados Mas antes da concretização dos projectos, a Associação de Solidariedade Social Vencer Casal Popular da Damaia destacou- se por ter sido a primeira instituição do país a obter esta certificação de serviço, nas valências de Creche, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, através do sistema de Gestão da Qualidade, certificado pela EIC (Empresa Internacional de Certificação) da Segurança Social. As valências de Jardim-de-infância e de Centro de Actividades de Tempos Livres (CATL) foram certificadas por uma outra entidade. “Nós somos os mesmos, mas o processo da certificação é reconhecimento de uma entidade externa sobre as nossas práticas, que nos diz o que está bem e o que está mal. É uma mais-valia, na medida em que temos pessoas especializadas que nos avaliam e ajudam a corrigir eventuais problemas”, refere João Caixado, acrescentando que “o nosso objectivo não é ter o diploma e a certificação em si, mas o que ela nos traz, por uma lado, a nossa busca pela excelência e, por outro, o reconhecimento de entidades exteriores perante a certificação”. “Estamos, neste momento, a colaborar com outras instituições, fazemos visitas e fazemos acções de sensibilização para ajudar no processo de qualificação dessas instituições”, acrescenta Ana Margarida Pinto, responsável pela Qualidade. Associação de origem popular O Casal Popular da Damaia teve origem na vontade popular, depois de um grupo de moradores da Damaia se ter reunido em Plenário no Cinema D. João V, em Março de 1975, com o objectivo de discutir os problemas sentidos na região. Nasceu então a Cooperativa Vencer, caracterizada por englobar no seu seio, actividades dirigidas ao apoio às crianças, jovens e idosos, este projecto fomentou e promoveu o relacionamento entre gerações. Em 1986, a Cooperativa Vencer, é extinta e é criada a Associação de Solidariedade Social Vencer Casal Popular da Damaia. Nesta nova fase da vida do Casal Popular foram estabelecidos protocolos com a Segurança Social para as várias valências.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

TAGUSPARK Autonomia dispara salários

Ver edição completa Câmara garante que aumentos de ordenados já voltaram atrás Os salários de gestores do Taguspark foram “regularizados” após intervenção da nova administração do pólo tecnológico sediado no concelho de Oeiras, na sequência de uma auditoria que revelou aumentos entre “50 a quase 100 %”. Questionado na última reunião da Assembleia Municipal de Oeiras da passada segunda-feira, o vice-presidente da autarquia, Paulo Vistas, respondeu que a Câmara “tinha conhecimento de um conjunto de práticas menos correctas do ponto de vista da gestão, nomeadamente no vencimento de alguns gestores e administradores” e salientou que “os vencimentos estão agora a ser aplicados de acordo com indicações da equipa de auditoria”. “Os salários foram reduzidos aos valores em que estavam antes do incremento apontado pela auditoria”, resumiu aquele responsável, lembrando que a autarquia, “enquanto accionista de referência do Taguspark, manifestou- se contra [aqueles aumentos] e deixou bem vincada a sua posição em sede de assembleia-geral”. No entanto, “a Câmara desconhecia, na altura, que haviam sido incrementados os salários nessas percentagens...”, pois estes são assuntos habitualmente tratados a nível da Comissão de Vencimentos sob proposta da Comissão Executiva. “A Câmara é apenas accionista, embora de referência, e importa perceber que a administração da Taguspark tem autonomia na sua gestão. A Câmara pronuncia-se em assembleia-geral no que toca a decisões estruturantes do ponto de vista estratégico”, justificou Paulo Vistas, adiantando que, em breve, serão tornados públicos os resultados da referida auditoria, cuja “súmula aponta diversas matérias que têm de ser revistas”. Aumentos salariais superiores a 98% autorizados pela ex-administração do Taguspark terão sido referenciados na auditoria ao exercício do Taguspark no biénio 2008/2010, segundo noticiou , no mesmo dia, o matutino “Correio da Manhã”. Segundo aquele jornal, o anterior conselho de administração, liderado por Américo Thomati, Rui Pedro Soares e João Carlos Silva, terá autorizado, no ano passado, aumentos salariais para nove quadros em valor superior a 10%– incluindo um assessor que teve uma subida de 98% no ordenado, passando a receber 5893 euros por mês. O conselho de administração foi dissolvido no início de Maio, apesar de ter mandato até 2011, depois de os accionistas terem decidido por unanimidade afastar aqueles administradores, constituídos arguidos pelo Ministério Público por suspeita de corrupção passiva para acto ilícito. A nova administração, liderada pelo matemático Nuno Crato, foi conhecida em Junho.

CACILHAS Mais verde e voltada para o rio

Ver edição completa Plano de reabilitação apresentado à população Fazer de Cacilhas “um ponto de encontro e uma porta para o rio” é a ideia base do Plano de Pormenor da Reabilitação Urbana e Funcional desta localidade, concebido pelo gabinete de arquitectura de Vasco Massapina. Há cerca de um ano a equipa responsável pelo estudo de enquadramento estratégico desta área do concelho traçou as primeiras linhas do projecto e, no passado dia 28 de Janeiro, deu a conhecer num encontro aberto à população o que poderá ser Cacilhas no futuro. “Cacilhas tem de ter um equilíbrio de usos”, afirma Vasco Massapina. “Para além de um espaço habitacional e comercial, tem de ser de lazer”, define. Ou seja, trata-se de dar “primazia ao espaço público através de uma praça e de um parque de fruição paisagística ao ar livre”, assegurando “uma relação de continuidade entre o Ginjal e a área do Plano de Urbanização Almada Nascente”. Tudo isto garantindo a “relação física entre o parque de fruição paisagística e Cacilhas histórica”. Isto obriga a retirar grande parte da carga de transportes do Largo Alfredo Diniz, à pedonalização da Rua Cândido dos Reis (cuja obra está prevista para o início deste ano) e à construção de uma grande zona de estacionamento no morro de Cacilhas. O projecto contempla ainda algumas hipóteses de edificação, sendo de definir se a opção será construir em altura ou em extensão. Bastante penalizada será a circulação automóvel e essa é a parte que menos agrada aos moradores. Mesmo com o projecto a promover a articulação dos transportes colectivos, continuam a colocar-se questões sobre os impedimentos às cargas e descargas para o comércio e acesso dos moradores às habitações, uma vez que grande parte são idosos. Esta foi a grande questão colocada por moradores como Manuel Baptista. “A pedonalização é importante mas é preciso pensar em toda a envolvente, nomeadamente no comércio local”. A isto Orlando Gervásio coloca outro receio: que a retirada da circulação automóvel do centro da localidade afaste as pessoas e “crie problemas de segurança”. Contudo ambos felicitam o projecto por pensar uma grande área de estacionamento no morro de Cacilhas. Mas a ideia de uma nova Cacilhas sem movimento de pessoas é precisamente aquilo que o plano pretende combater, comenta a presidente da Câmara de Almada. “Temos Lisboa do outro lado do rio e queremos que Cacilhas chame a atenção”. Maria Emília de Sousa lembra que a necessária indústria de construção naval levou ao afastamento entre a cidade e o Tejo mas agora é tempo de “retomarmos a ligação com o rio”. Assim, onde era a Lisnave irá nascer a Cidade da Água (em fase de projecto) e, no largo de Cacilhas, abrangendo a antiga Parry & Son, uma grande zona de lazer com espaços verdes. Aliás, uma das ideias que a edil deixou patente é que não haverá edificação na área dos antigos estaleiros da Parry & Son, onde neste momento está a fragata D. Fernando II e Glória. Portanto novos prédios só mesmo na zona do morro de Cacilhas, o que para além de responder a compromissos com o proprietário do antigo estaleiro (a Atlântico) irá recompor o remate entre a Avenida 25 de Abril e a Praça Alfredo Diniz. Acrescenta a autarca que este plano promove a ligação do largo de Cacilhas com toda a zona do Ginjal, um das zonas de elevado potencial turístico. “É preciso termos a ambição de ter em Cacilhas um grande hotel”, afirma.

Videovigilância pronta para avançar

Ver edição completa Autarquia reformula projecto e espera pela sua aprovação para reforçar segurança nas ruas A 9 de Fevereiro, Polícia de Segurança Pública (PSP),Ministério da Administração Interna (MAI) e Câmara Municipal da Amadora (CMA) vão apresentar o novo projecto de instalação de câmaras de videovigilância na Amadora. Após o parecer negativo da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), a autarquia continuou a defender o recurso a esta tecnologia para “prevenir a criminalidade” e propôs a reformulação do projecto inicialmente apresentado. As alterações propostas pela autarquia em colaboração com a PSP, passam pela “colocação de câmaras de forma faseada e através de um novo planeamento dessa mesma colocação”, esclareceu Joaquim Raposo, presidente da CMA. As alterações ao projecto vão ser apresentadas numa conferência de imprensa conjunta que envolve o MAI, a PSP e a autarquia. “Acredito que com as alterações que foram efectuadas o novo projecto tem condições para ser aprovado pelo CNPD, uma vez que protege as pessoas de bem e não os criminosos”. Joaquim Raposo acrescentou ainda que “uma das questões levantadas pela CNPD era a inexistência de um estudo de opinião e isso está neste momento a ser elaborado”. Em Agosto, a autarquia da Amadora viu chumbado, pela CNPD, o projecto apresentado ao MAI, para a instalação de 113 câmaras de vigilância nas zonas onde a criminalidade é mais frequente, por considerar que sistema era “altamente intrusivo”. Depois de se ter reunido com o MAI pouco depois do chumbo, o presidente da autarquia manifestou, desde logo a intenção de reformular e entregar uma nova proposta para a instalação do sistema de videovigilância na Amadora. Mas apesar da reformulação, a Câmara da Amadora mantém a instalação das mesmas 113 câmaras, em zonas críticas da cidade, com o objectivo de “dissuadir, prevenir, reprimir e punir a prática de ocorrências ilícitas, nas referidas zonas, através da captação e gravação de imagens”.

Câmara de Cascais entrega 44 casas

Ver edição completa Empreendimento de Campos Velhos contempla mais 20 habitações A Câmara de Cascais entregou, no passado sábado, no Centro Cultural de Cascais, chaves de novas habitações municipais a 44 famílias carenciadas. A cerimónia correspondeu à primeira fase de entrega de 64 fogos no Empreendimento de Campos Velhos. A entrega foi, ainda, presidida por António Capucho, na sua última cerimónia pública antes de suspender o mandato, por razões pessoais. “É com alegria que termino este mandato com a possibilidade de atribuir habitação condigna a 44 famílias. Esta foi a prioridade da Câmara com a demolição dos bairros degradados. Desejo muito sinceramente, apesar da crise, que estas pessoas possam ser muito felizes”. realçou o autarca. Com a atribuição destas novas habitações, “44 famílias passam a ter uma casa condigna, com a qualidade de vida a que todos os munícipes de Cascais têm direito”, salientou a vereadora da Habitação e Acção Social. Mariana Ribeiro Ferreira frisou que, “desde o início do programa PER, foram realojadas mais de 1700 famílias, o que resulta de um grande investimento desta autarquia, nos últimos anos. Esta entrega de chaves, por ser uma das últimas que vamos realizar, é o concretizar de um compromisso municipal de realojar as famílias que ainda residem em núcleos degradados do concelho”. Felizes estavam os munícipes que ficaram com uma nova habitação. Foi o caso de Maria Isabel Fernandes: “Sinto-me muito feliz. É uma grande emoção. Estava na casa de outras pessoas e agora tenho a minha”. Andradina Monteiro, mão de duas meninas, foi outras das contempladas. Contou ao JR que “morava em Matarraque numa barraca, há 10 anos. Agora, com uma casa nova, não sei o que dizer. Estou muito feliz. É a primeira vez que tenho uma casa”. Os agregados familiares agora realojados são oriundos de núcleos de barracas já extintos na sua maioria, como o Bairro do Fim do Mundo (Galiza, Estoril), Alapraia (Estoril), Matarraque (São Domingos de Rana) e de outros pequenos núcleos degradados ainda dispersos e que aguardavam apenas pela conclusão das infra-estruturas de acesso ao novo empreendimento, bem como a ligação à rede viária envolvente. Segundo a autarquia, as habitações degradadas, que ficam agora livres, serão demolidas de modo a prevenir quaisquer intenções de ocupação e recuperação. O empreendimento habitacional de Campos Velhos foi adquirido pelo município de Cascais em Dezembro de 2010, através de um concurso público lançado em 2005 no âmbito do Programa Especial de Realojamento, e representou um investimento global de 4,7 milhões de euros.