quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

CRIL Obra concluída dentro de quatro meses

Ver edição completa Depois de vários prazos falhados, ministro das Obras Públicas diz que desta vez é que é O último lanço da Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL), numa extensão de 3,6 quilómetros que ligam a Buraca à Pontinha, vai abrir ao público em Abril deste ano e sem a ligação ao bairro de Santa Cruz de Benfica, de acordo com um anúncio feito pela empresa Estradas de Portugal (EP). Depois de muitos avanços e recuos, assim como várias datas apontadas para a conclusão do troço que falta para fechar a CRIL, a abertura da via está agora prevista para Abril deste ano. “Aquilo que estamos a concluir é a montagem do sistema em termos de operação e controlo dos túneis.Há depois um período de testes por mais cerca de dois meses e, logo que estejam concluídos os testes e ensaios finais que garantam segurança, fiabilidade e funcionalidade no túnel, há todas as condições para abrir”, afirmou Rui Dinis, administrador da Estradas de Portugal (EP). O administrador falava ao lado do presidente da EP, no final da visita que se realizou na semana passada ao sublanço Buraca/Pontinha, o último troço que falta para fechar a malha rodoviária da grande Lisboa com a CRIL. Na visita, que decorreu na quarta-feira, dia 6 de Janeiro de 2011, a comitiva percorreu os 3,6 quilómetros deste último troço. “É uma obra importante que vai revolucionar a circulação rodoviária na Grande Lisboa”, afirmou o ministro das Obras Públicas, António Mendonça, que considerou o último troço da CRIL “uma obra notável de engenharia”. Confrontado com as críticas dos moradores do bairro de Santa Cruz de Benfica (Lisboa) aos impactos da obra nesta comunidade, o ministro desvalorizou- as, afirmando: “Tudo o que possa ser dito de menos positivo é incomparavelmente menor relativamente aos benefícios”. “Importa sublinhar que esta obra também vai ter repercussões em matéria de segurança rodoviária em toda a região. Problemas há sempre numa obra desta natureza. É natural que haja problemas e que uma ou outra pessoa possa não estar satisfeita, mas os benefícios são enormes”, acrescentou o governante. Já o presidente da Estradas de Portugal, Almerindo Marques, destacou a complexidade da obra. “É uma obra feita em zona de intensa presença humana e não podia passar pelo ar, tinha de ser por terra. O importante a ponderar era medir os inconvenientes que seguramente terá para algumas pessoas, com a vantagem global que tem para a rede das estradas da Área Metropolitana de Lisboa. A isto chama-se sacrifício por solidariedade”, afirmou o presidente da EP. Confrontado pelos protestos da população afectada por esta obra, Almerindo Marques afirmou: “Quem pensa que pode viver na terra sem fazer esforços de solidariedade com certeza que não está a medir todos os interesses envolvidos. Esta obra não podia fazer-se sem algumas incomodidades. É uma evidência física”. “O Zé e a Zé contribuintes deviam estar gratos à Estradas de Portugal pelo facto de se ter diminuído em milhões de euros os custos de funcionamento da empresa entre 2007 e 2010”, acrescentou. A CRIL desenvolve-se a norte e no limite da cidade de Lisboa, nos concelhos de Oeiras, Amadora e Odivelas, estendendo-se desde Algés, a poente, até à Ponte Vasco da Gama, a nascente. O sublanço Buraca/Pontinha, em fase de construção, tem uma extensão de 3,6 quilómetros.

Polícias mais próximos

Ver edição completa Divisão de Cascais da PSP promove balanço de primeiro ano de actividade do Programa Integrado de Policiamento de Proximidade Menos furtos (no interior de veículos, residências e outros edifícios) e um aumento das denúncias dos crimes de violência doméstica é o principal registo da Divisão de Cascais da PSP, que assinalou, no final do ano de 2010, o primeiro ano de actividade do Programa Integrado de Policiamento de Proximidade – PIPP. O balanço dos resultados do programa foram apresentados durante uma sessão que decorreu no auditório do Centro Comunitário da Boa Nova, na Galiza, Estoril. Segundo os dados estatísticos apresentados pela PSP, “houve uma redução de 37% nos furtos. No período de 1 Novembro de 2008 a 31 de Outubro de 2009, registaram- se 49 furtos no interior de veículos, residências e edifícios. No mesmo período do ano seguinte, ocorreram 31 crimes do mesmo tipo de furto”. No caso da violência doméstica houve um aumento de 200% nas denúncias. Subiu de um caso para três. “Este aumento é devido ao crime de violência doméstica ser público e ser mais fácil a sua denúncia, por qualquer pessoa”, revelou ao JR, a chefe da PSP Ana Ribeirinho, coordenadora do PIPP. A responsável revelou ainda que “nos outros tipos de crimes, como dano, difamação, por exemplo, não houve variação e mantiveram- se nos 33%”. Há um ano em implementação no concelho, o objectivo do PIPP é estar mais próximo do cidadão e em colaboração conjunta com as entidades locais e população, trabalhando, de forma preventiva, para uma maior segurança. Os agentes que exercem funções no âmbito do policiamento de proximidade estão mais próximos da população, nomeadamente de grupos mais frágeis e carenciados (crianças, jovens, idosos, habitantes de bairros problemáticos) e conhecem as fragilidades, necessidades e as potencialidades do meio. Na freguesia do Estoril, o PIPP já existe desde 1 de Janeiro de 2009, com duas equipas compostas por dois agentes cada, um gestor local, um supervisor e uma coordenadora geral. Nas restantes freguesias, o PIPP também já está a ser implementado. Criadas estão também as Equipas do Programa Escola Segura (EPES) e as Equipas de Proximidade e de Apoio à Vitima (EPAV). O JR acompanhou, na primeira semana de Janeiro, a equipa PIPP da esquadra do Estoril numa ronda pela Galiza, com passagem por um estabelecimento comercial, um bairro social e pelo Centro Comunitário da Boa Nova. A equipa da PSP contou com a presença da chefe Ana Ribeirinho, coordenadora do PIPP, que frisou ao JR que este é um policiamento de prevenção em que, voluntariamente, são os agentes que aparecem nos locais e não porque são chamados pelos residentes. “Assim, e de forma a prevenir eficazmente os crimes e as incivilidades que mais afectam o sentimento de segurança dos cidadãos, o PIPP distingue-se do policiamento ‘tradicional’ dirigido para o incidente, adoptando uma abordagem orientada para os problemas, significando que a criminalidade denunciada, as queixas e as chamadas telefónicas deixem de ser os únicos indicadores da acção policial”, sublinhou a chefe Ana Ribeirinho. Esta responsável adiantou que a PSP de Cascais continua a receber as solicitações, mas, através do PIPP, “identifica de forma contínua e sistemática os problemas que mais afectam o sentimento de segurança dos cidadãos e tentar resolvê-los antes que estes assumam ou dêem origem a formas criminais”. No centro comercial Grande Galiza, Miguel Silva, administrador do estabelecimento, disse ao JR que “com a presença da polícia tudo mudou. Há um maior sentimento de segurança nos comerciantes e menos confusão e conflitos. Também na área envolvente, antigamente, havia um grande corrupio”. Agora, diz, “está muito melhor. Já conhecemos os agentes e temos um número para ligar directamente em vez de ligarmos para o geral”. Rogério Martins, comerciante no Grande Galiza, considera que “é muito importante este policiamento, nem que seja só de passagem. Sempre mantém o estabelecimento com mais respeito e dá mais segurança a quem aqui está. É um espaço comercial onde havia muito barulho e má educação”. No bairro social da Galiza, os agentes também já são conhecidos pelos moradores e a relação é de alguma confiança na conversa e muito respeito. A PSP conhece os problemas do bairro e os moradores mais conflituosos. A sua passagem é olhada com expectativa. A conversa é limitada ao essencial: “Há muito racismo e podem pensar que estamos a falar de outras coisas”, diz, de fugida, um habitante de etnia cigana. Apesar dos conflitos no bairro, outra moradora de etnia cigana considera que “há mais segurança e acho bem que a polícia venha cá”. No Centro Comunitário da Boa Nova, a tranquilidade da população sénior assenta também na visita dos agentes da PSP. Maria Regina Soares, de 93 anos, realça que “é muito boa a visita. Dá muito mais segurança”. Ana Ribeirinho adiantou ainda que “com este programa, a PSP pretende desenvolver um estreitamento nas relações que mantém com a população, fomentando uma parceria que fortaleça o ambiente de segurança que todos desejamos”.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ALGUEIRÃO-MEM MARTINS Tapada continua sem unidade de saúde

Ver edição completa Instalações estão disponíveis há cerca de um ano, após obras promovidas pela Administração Regional de Saúde Mais um ano passou e a Tapada das Mercês continua sem uma Unidade de Saúde Familiar (USF). Há muito anunciada pelos responsáveis autárquicos como uma necessidade, para dar resposta a mais de 25 mil pessoas que são obrigadas a acorrer ao Centro de Saúde de Algueirão-Mem Martins, a maioria para obter uma consulta de recurso por não disporem de médico de família. Em Janeiro de 2008, numa das derradeiras acções como ministro da Saúde, Correia de Campos visitou as instalações municipais situadas no rés-do-chão do prédio da Avenida Embaixador Aristides de Sousa Mendes, n.º4, e deu o aval à instalação no local da unidade de saúde. Com acesso pelo n.º 40 da Rua Professor Rui Luís Gomes, o espaço chegou a acolher o Gabinete de Apoio ao Munícipe e, após a mudança de responsável no Ministério da Saúde, com a entrada de Ana Jorge, o processo assistiu a algum impasse. Pelo meio, ainda em 2008, as instalações receberam funcionários e equipamentos da Casa da Juventude que se encontrava em obras. Libertado o espaço, foi possível avançar com as obras de adaptação ao funcionamento de uma USF, a organização implementada ao nível dos cuidados primários de saúde, no sentido de diminuir o número de utentes sem médico de família. Ainda antes do final de 2009, os trabalhos foram concluídos, mas, desde então, as instalações continuam encerradas à espera de profissionais de saúde. Quem mora naquele prédio, não compreende este impasse e recorda os sacrifícios que viveu durante a realização das aludidas obras. “Os martelos pneumáticos começavam a trabalhar às oito da manhã e era até às oito/nove da noite, mesmo aos fins-de-semana, e os condóminos aguentavam, da maneira possível, porque era em benefício da comunidade da Tapada das Mercês”, acentua Rui Farlens, que reside naquele imóvel há 16 anos.Um ano após a conclusão das obras, “a situação é frustrante não só porque a unidade de saúde não abre, como por ali ter sido criado um nicho de delinquência, onde a malandragem se refugia, e cheio de lixo”, lamenta este morador. “Depois das obras estarem prontas, tudo ficou ao abandono e as instalações a degradarem-se”. Manuel do Cabo, presidente da Junta de Algueirão-Mem Martins (JFAMM), aproveitou uma recente deslocação da ministra da Saúde ao concelho e à freguesia, para entregar a Ana Jorge uma carta onde inquiria sobre a entrada em funcionamento da USF da Tapada das Mercês. Na missiva, a que o JR teve acesso, o autarca recorda que “o senhor ministro da Saúde, dr. Correia de Campos, quando na visita que fez ao local e perante a presença dos habitantes, acabaria por dar a sua concordância às obras entretanto feitas e concluídas e essa mesma população está a ficar desesperada, porque a abertura do Posto de Saúde demora demasiado tempo”.Manuel do Cabo frisa que a urbanização da Tapada das Mercês conta com uma população na ordem dos 25 mil habitantes, num universo de 5600 fogos, que muito carece de uma melhor resposta ao nível da prestação de cuidados de saúde. Em declarações ao JR, Manuel do Cabo recorda que “o Centro de Saúde de Algueirão-Mem Martins está completamente esgotado, está saturado com tanta população, mais de 70 mil pessoas”. Além da falta de profissionais de saúde, as instalações, “um prédio de habitação de seis andares”, há muito que não respondem às necessidades da freguesia. “É preciso criar uma unidade de saúde para servir as mais de 25 mil pessoas que residem na Tapada das Mercês”, acentua o presidente da Junta, uma vez que a nova unidade permitiria “proporcionar cuidados de saúde mais próximos dos cidadãos e, por outro lado, evitaria que essas pessoas viessem para o centro da vila, com todas as consequências ao nível do congestionamento de trânsito”. A premência da entrada em funcionamento da USF da Tapada das Mercês é confirmada por Rui Farlens. “Desde que fui para ali morar, há 16 anos, que não tenho médico de família. Como eu, há inúmeros casos”, sublinha este morador, que constata que “o Centro de Saúde de Algueirão-Mem Martins está em ruptura completa, porque a freguesia cresceu de uma forma descomunal, e a unidade não acompanhou esse crescimento”. Ai nstalação da USF na Tapada das Mercês, reforça o munícipe, permitiria que “os cuidados de saúde estivessem mais acessíveis”. “Quando vim para aqui morar, havia uma planta da urbanização que incluía bombeiros, posto de saúde, esquadra de polícia... Escusado será dizer que viver na Tapada das Mercês, para mim, é uma desilusão porque nada disto existe”, remata Rui Farlens. Após a expectativa da entrada em funcionamento da unidade em 2008, na sequência da visita do então ministro Correia de Campos, o presidente da JFAMM lamenta o impasse no processo, com informações apenas “para nos calarem a boca”. “Uma das últimas informações é que a USF, mesmo se corresse tudo mal, estaria aberta antes do final do ano de 2010”. Afinal, tudo correu mal e o imóvel continua de portas fechadas. “Não faz sentido nenhum que esta unidade, depois das obras estarem concluídas, continue sem entrar em funcionamento”, lamenta Manuel do Cabo. “Criaram-se mais de uma dezena de gabinetes médicos, um espaço de enfermagem, uma sala de espera, todas as condições para que aquele serviço possa funcionar”, reforça o autarca, dando conta que a USF vai dispor, numa primeira fase, de oito médicos e deverá funcionar “até às 22h00 ou meia-noite”. Para o final da passada semana, segundo Manuel do Cabo, estava agendada uma visita ao local por técnicos da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, “para uma avaliação das condições em que foram feitas as obras”. Mas, o autarca não quer mais adiamentos. “As obras foram feitas sob responsabilidade da ARS, ou seja, têm de estar bem feitas”, sentencia. “Queremos que sejam lá colocados os equipamentos, os médicos e que se abra a porta”, reforça o presidente da Junta. Rui Farlens também foi informado, por contacto junto da ARS, da visita às instalações. Em relação aos motivos do arrastamento do processo, o morador não tem explicações: “Não me deram justificação, mas também não pedi. Mas, sei que a justificação, que se utiliza para tudo, é a falta de recursos financeiros do país”. “Chegou a hora de dizer que basta de promessas, basta de tempo de espera. Exigimos à senhora ministra da Saúde que intervenha, através de todos os meios ao seu alcance, para que a USF da Tapada das Mercês seja aberta o mais depressa possível”, sublinha Manuel do Cabo, enquanto Rui Farlens também faz votos que a unidade entre em funcionamento a curto prazo. “Espero que, depois do arranjo no exterior das instalações, da limpeza e de pequenos pormenores, não demore muito tempo a abrir a unidade de saúde. Espero que, pelo menos, não demore até ao Verão para abrir”, conclui o morador na Tapada das Mercês.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Boas Festas

Estes são os votos de toda a equipa do Jornal da Região para os seus leitores, anunciantes e amigos. Aproveitando a quadra festiva, efectuamos uma pequena pausa e prometemos regressar a 13 de Janeiro, prontos para um novo ano cheio de grandes notícias.

CORROIOS Ajuda para quem mais precisa

Ver edição completa Projecto solidário garante alimentos a 85 pessoas Enquanto há famílias a passar fome, muitos restaurantes são obrigados, ao fim do dia, a deitarem para o lixo refeições excedentárias. “Sempre me questionei se isto era justo”, lembra Adriana Ribeiro. Entretanto, tomou conhecimento de um projecto em Setúbal que recolhia alimentos nos restaurantes e os distribuía por pessoas carenciadas e foi ver como funcionava. Depois decidiu transportar este apoio solidário para Corroios e, há cerca de um ano, o projecto “Servir um Sorriso” começou a alimentar cerca de 25 pessoas. Hoje são 85 os beneficiários desta medida que conta com o apoio de voluntários, comércio local e várias instituições. “Gostaria que um dia não fosse preciso fazer este trabalho, mas cada vez mais pessoas dependem deste projecto para terem uma refeição”, comenta Adriana Ribeiro, que conta ter ouvido muitos “não” quando começou a contactar com os primeiros restaurantes, pastelarias e minimercados da zona para contribuírem na ajuda a quem passava fome. “Hoje o comércio local está muito mais disponível para contribuir”, e três vezes por semana, cerca de quinze proprietários de lojas de produtos alimentares cedem refeições excedentárias aos voluntários do projecto que fazem a recolha. À segunda, quarta e sexta- feira, grupos de dez voluntários dividem-se, percorrem as lojas para angariar bens destinados a alimentar quem precisa. “Actualmente temos cerca de 50 voluntários que fazem a recolha de alimentos e os distribuem”, explica a coordenadora deste projecto que já abraça outros níveis de apoio social. “Tivemos de alargar a estrutura e prestamos também apoio com distribuição de roupas, apoio psicológico e outros problemas de saúde”. A reinserção no mercado de trabalho tem sido outra das preocupações do “Servir um Sorriso” uma vez que muitos dos que procuram apoio caíram repentinamente no desemprego. “Temos muitas pessoas que trabalhavam na construção civil e até tinham uma vida equilibrada, mas com a quase paragem deste sector ficaram sem meios de subsistência”. Daí “necessitarem de ser orientadas para regressarem ao mercado de trabalho”. Com este esforço a ser cada vez mais conhecido pela comunidade “há quem contacte com o projecto com propostas de emprego”. Esta nova pobreza é também apontada por Nuno Gonçalves, presidente da associação “Ao Encontro de um Sorriso” que, conjuntamente com as paróquias de Corroios e de Vale Milhaços e os escoteiros de Corroios, apoiou o projecto coordenado por Adriana Ribeiro. “Estão a surgir muitas famílias que tinham uma vida estável, mas em consequência da crise económica e financeira do país perderam a capacidade de responder aos seus encargos”. O que se verifica é que as pessoas “para poderem continuar a ter uma casa ficam sem dinheiro para comer, por isso recorrem à ajuda deste projecto”. Aliás, o projecto “Servir um Sorriso” acaba por ser uma resposta mais imediata para pessoas com maior carência, uma vez que a associação mantém em campo o programa “Alimentar um Sorriso”, em conjunto com a Paróquia de Corroios, direccionado para o apoio solidário às famílias. “Uma vez por mês distribuímos um cabaz de alimentos a cerca de 200 pessoas”, refere Nuno Gonçalves, sendo estas “indicadas pela Segurança Social”, que também apoia o programa.

MISERICÓRDIA DE OEIRAS ‘Há cada vez mais pessoas em dificuldades’

Ver edição completa Pedidos de redução e isenção de prestações em crescendo nos jardins-de-infância da instituição Sinal da crise instalada, estão a aumentar significativamente os pedidos de isenção e de redução das prestações nos 16 jardins-de-infância tutelados pela Santa Casa da Misericórdia de Oeiras (SCMO). Há mais de três anos que os “apertos” se fazem notar, mas de 2009 para 2010 o número de pedidos aumentou 10% no primeiro caso e cerca de 25% no segundo. “Era um fenómeno pequeno e já começa a ter algum significado”, reconheceu ao JR Eduarda Godinho, provedora daquela instituição, não escondendo que “a nossa previsão é que 2011 ainda será pior”, ou não fossem as entidades de solidariedade barómetros da situação da sociedade. Além da solicitação para o “alívio” das prestações, há outra situação em crescendo a preocupar quem tem por missão ajudar quem mais precisa. É que esse objectivo é mais difícil de atingir quando os próprios interessados, por vergonha em relação a um quotidiano a que não estavam habituados, fazem o possível por esconder as suas reais necessidades... “Muitas vezes, acabamos por saber desses problemas pelas crianças, pelo seu comportamento, pelo que dizem na sua inocência, pela alteração nas rotinas alimentares”, explica a provedora, adiantando que à ocorrência desse tipo de situações não é alheia a localização de cada um dos jardins-de-infância (JI). “Mas acontecem agora mais onde antes poucos casos se verificavam, enquanto onde não havia nada a registar passaram a surgir algumas situações para resolver”. Refira-se que a SCMO gere 15 JI no concelho de Oeiras e mais um na Amadora, abrangendo um total de 1750 crianças – sendo a Misericórdia do país (não contando com a congénere de Lisboa que tem uma estrutura de gestão diferente) que mais estabelecimentos destes tem a seu cargo. E mesmo assim, mais houvessem... “O concelho de Oeiras é relativamente jovem e onde temos listas de espera grandes é nos jardins-de-infância! Se tivéssemos mais sete ou oito...”, confirma Eduarda Godinho, depositando esperanças na “promessa do presidente da Câmara de que quando forem concluídas as novas escolas, as antigas ser-nos-ão cedidas para podermos aumentar a nossa actividade”. Se para o funcionamento dos JI a SCMO ainda recebe apoios do Estado, já o mesmo não se verifica nos dois centros de acolhimento aos sem-abrigo que a instituição gere, um em Algés e outro em Paço de Arcos, e que representam um gasto anual de 50 mil euros. E também aqui os efeitos da crise se têm notado, sobretudo por via dos cortes do Governo em subsídios de sobrevivência. Outra área em que a SCMO presta auxílio é na distribuição semanal de alimentos do Banco Alimentar Contra a Fome. “Pagar a renda ainda é a última coisa que as pessoas em dificuldades querem deixar de fazer porque é o seu porto de abrigo. Como o rendimento disponível já está canalizado para a renda, água e luz, algumas pessoas ficam mesmo em risco de fome e para o evitar vêm-nos pedir alimentos”, conta a provedora. Ainda assim, não se pode dizer que tenha havido um aumento dos pedidos de alimentos na Misericórdia – que apoia perto de 200 famílias, actualmente – até porque essa distribuição é feita, no concelho de Oeiras, por uma grande variedade de instituições. Quanto à faixa etária mais avançada, a SCMO gere um centro de dia (S. Vicente de Paulo, em Paço de Arcos) e um centro de convívio. A acção social inclui, ainda, um grupo de visitadores no Hospital/ /Prisão S. João de Deus, em Caxias, composto exclusivamente por voluntários (cerca de 50), e a cedência de um espaço, nas instalações da instituição em Paço de Arcos, para acolher mães solteiras no âmbito da cooperação com a Ajuda de Mãe.

Cadeiras mal usadas são um perigo

Ver edição completa Governo Civil e APSI ensinam condutores a transportar crianças Iniciativa do Governo Civil de Lisboa, em parceria com a Associação para a Promoção e Segurança Infantil (APSI), a campanha de sensibilização para o uso correcto de cadeirinhas de bebés e crianças nos automóveis abordou dezenas de pais que visitavam centro comercial Dolce Via Tejo. Porque estamos na época de Natal, em que muitas famílias se deslocam em viagem e numa altura em que se oferecem cadeirinhas de transporte, três técnicas da APSI permaneceram no parque de estacionamento daquele centro comercial, no último fim-de-semana, dando indicações e sugestões para uma viagem mais segura, sobre a correcta instalação de uma cadeira e quais os equipamentos mais adequados a cada criança. De acordo com Sandra Nascimento, presidente da APSI, a divulgação foi feita através de panfletos distribuídos no centro comercial e em creches situadas nas redondezas, assim como através da Internet, no sentido de atrair mais pessoas porque “ao vivo é melhor do que dar uma explicação por telefone”. Esta responsável referiu ainda a importância da sensibilização “numa altura em que se fazem muitas viagens e em que se compram cadeirinhas, nomeadamente para oferecer”. Alessandra Campos pôde testemunhar isso mesmo, com dois filhos, de 4 anos e duas semanas, desconhecia que a cadeira que transporta o mais velho estava mal instalada. “As instruções são insuficientes e nós achávamos que estava tudo bem”, adiantou. Esta mãe, agora com mais certezas quanto ao transporte dos seus filhos, considerou “muito positiva” a iniciativa, entendendo que “se deveria realizar em mais locais e mais vezes”. Patrícia Henriques e Nelson Semedo, respondendo ao apelo dos cartazes da APSI, onde se pode ler “transporta bem as suas crianças no carros?”, resolveram pedir mais informações. “Nunca sabemos se tudo o que fazemos é suficiente e o mais correcto”, afirmou Nelson Semedo, acrescentando que “é muito importante a segurança do nosso filho com dois anos e oito meses, uma vez que fazemos todos os meses viagens de cerca de mil quilómetros”. O governador civil de Lisboa, António Galamba, revelou que esta é “uma campanha inserida num conjunto de iniciativas desenvolvidas pelo Governo Civil, no âmbito da prevenção Rodoviária”. António Galamba acrescentou também que o objectivo da campanha de sensibilização é contribuir para “a segurança no transporte das crianças”. Segundo a APSI, a taxa de eficácia das cadeirinhas, quando bem utilizadas, é superior a 90 por cento e a utilização das cadeirinhas voltadas para trás até aos 4 anos pode salvar a vida de 9 em cada 10 crianças, em caso de acidente.