quinta-feira, 18 de novembro de 2010

OEIRAS Menos luzes e mais pessimismo

Ver edição completa Investimento reduzido de 300 para 70 mil euros Com uma diminuição do investimento camarário que passou de cerca de 300 mil euros, em 2009, para apenas 70 mil, este ano, bem se pode dizer que não será graças às luzes de Natal mandadas colocar pela autarquia que a situação do comércio tradicional no concelho ficará mais brilhante do que tem estado nos últimos tempos. O corte, no entanto, já era esperado, como diz João Antunes, da Associação de Comerciantes dos Concelhos de Oeiras e Amadora (ACECOA), revelando que as primeiras abordagens sobre o assunto até seguiam no sentido de um “apagão” total. Mesmo assim, é a primeira vez que se verifica um corte abrupto nas verbas atribuídas para este efeito, o que, naturalmente, não deixa de causar apreensão junto dos comerciantes, sobretudo de Oeiras, Algés e Paço de Arcos, locais onde habitualmente era mais visível a aposta nas luzes natalícias por serem pólos comerciais por excelência. “Claro que os nossos associados preferiam que não tivesse de ser assim, porque sabemos que as iluminações de Natal e a animação inerente sempre ajudam a trazer mais pessoas para a rua e para as lojas”, analisa aquele responsável, conformado: “É a crise, é preciso cortar em todo o lado”. A situação económica e financeira do país reflecte-se nos cofres municipais e obrigam a este tipo de medidas. Isso mesmo não deixou de ser salientado pelo presidente da autarquia, Isaltino Morais, aquando da inauguração das luzes de Natal, ocorrida na passada quinta-feira, no Largo 5 de Outubro, no centro da vila, aproveitando o embalo festivo do magusto oferecido pela Câmara (ver texto abaixo). Se no concelho vizinho da Amadora, cujos comerciantes a ACECOA também representa, a opção foi no sentido de utilizar as mesmas iluminações usadas em 2009, o que permitiu poupar 50 mil euros (o investimento do executivo liderado por Joaquim Raposo neste capítulo foi, este ano, de 150 mil euros) mantendo a mesma área iluminada, já Oeiras “terá bastante menos visibilidade das iluminações de Natal e, consequentemente, os seus comerciantes verão menos os seus efeitos positivos”, admite João Antunes, embora “compreenda” a medida. Assim, no concelho “várias ruas deixaram de ter luzes este ano e noutras zonas apenas foram feitos apontamentos”. O presidente da associação destaca Algés, que teve no Natal transacto “mais do dobro das ruas iluminadas”, limitadas este ano praticamente à Avenida dos Combatentes e à Rua Damião de Góis, sem esquecer o Palácio do Marquês de Pombal. Mas também Paço de Arcos, Carnaxide e Linda-a-Velha dão nas vistas pela menor visibilidade de arranjos natalícios na via pública. Nada que ajude a aumentar o movimento nas lojas do comércio tradicional, é certo. Sobretudo numa altura em que o sector enfrenta, além da crise, a concorrência da abertura das grandes superfícies aos domingos e feriados. Um impacto, de resto, ainda por medir. “As grandes superfícies já podiam abrir nesses dias, excepcionalmente, por isso o balanço desse impacto só poderá ser feito mais tarde”, diz João Antunes, contrapondo, no entanto, a força dada ao comércio tradicional de Oeiras pelas várias iniciativas organizadas este ano no âmbito dos apoios do programa de apoio ModCom (Sistema de Incentivos a Projectos de Modernização do Comércio), num total de 100 mil euros. As luzes de Natal estarão ligadas até ao dia 7 de Janeiro.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

AMADORA Munícipes vão pagar menos IRS

Ver edição completa Câmara abdica de receita em favor dos cidadãos Os munícipes da Amadora vão poder beneficiar, no próximo ano, da redução de um por cento no IRS quando apresentarem a declaração referente a 2010. A decisão “política” de baixar este imposto é assumida pelo presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, e já foi aprovada pela Assembleia Municipal, com os votos da maioria socialista, CDU e Bloco de Esquerda. O CDS-PP e o PSD, que se abstiveram na votação, criticaram a opção de baixar o IRS em vez do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), explicando que “não vai beneficiar a maioria dos contribuintes residentes na Amadora”. Com o objectivo de “aliviar” as famílias residentes na Amadora devido ao agravamento fiscal previsto para o próximo ano, levado a cabo pelo Governo, a CMA decidiu abdicar de um por cento da receita da participação variável no IRS a que as autarquias têm direito. Assim, os contribuintes com residência fiscal na Amadora vão pagar menos de imposto no próximo ano quando for feita a devolução do IRS. De acordo com a Lei das Finanças Locais, aprovada em 2007, cada Município tem direito, em cada ano, a uma participação variável até cinco por cento do IRS cobrado no seu concelho. A Câmara Municipal da Amadora vai prescindir de uma parcela fixando em quatro por cento esse valor. Uma medida que de acordo com o presidente da autarquia, “representa uma redução de 20 por cento na receita da Câmara”, embora vá beneficiar “todos os munícipes, quer tenham rendimentos baixos ou elevados, tenham casa ou não”. Joaquim Raposo, durante a discussão da proposta na Assembleia Municipal, respondia assim às bancadas do PSD e CDS-PP que se abstiveram na votação da proposta, defendendo que a aplicação da taxa de IMI igual à do ano anterior afecta uma maior percentagem de população da Amadora. “Este desagravamento social não deve ser em sede de IRS. 50 por cento dos munícipes da Amadora pagam zero deste imposto. As taxas de IMI praticadas no concelho não são as máximas, mas são quase. Deveria ser em sede de IMI que essa redução se deveria sentir porque é este imposto que melhora a condição de vida das pessoas, sendo de maior justiça social”, alegou Martinho Caetano, em nome da bancada do PSD. Também João Paulo Castanheira, deputado eleito pelo CDS-PP, afirmou que “dada a boa liquidez financeira da autarquia” e “estando supridas as suas necessidades, a autarquia poderia ter ido mais longe”. O deputado democrata- cristão questionou ainda, “se não é agora, em situação de crise, quando é que a Câmara irá baixar o IMI e a Derrama?”. O presidente da autarquia afirmou que a redução de IRS se tratou de uma “opção política” que “abrange uma percentagem mais elevada da população que vai sofrer com o agravamento fiscal previsto para o próximo ano”. Joaquim Raposo justificou que a manutenção das taxas de IMI e Derrama para o próximo ano se vão manter porque “a Câmara terá que continuar a investir na área social”. Em ano de crise as necessidades de dar resposta à população crescem. E exemplificou: “Há um conjunto de instituições, como a Cerciama, a Amorama, a Santa Casa da Misericórdia da Amadora e a AFID que apresentaram candidaturas para a construção de equipamentos socais, que viram as suas candidaturas recusadas. Teremos que colocar 650mil euros por ano no orçamento, durante três anos consecutivos, para apoiar estas instituições”. Carlos Almeida, da CDU, salientou que “ponderar em não aplicar taxas máximas é uma questão de política social porque elas beneficiam as pessoas que vivem no município”. A proposta da Derrama, imposto sobre o lucro das empresas, de 1,5 por cento a aplicar às entidades com um volume de negócios a partir de 150 mil euros, e de um por cento aos que não ultrapassem os 150 mil euros, foi igualmente aprovada pela Assembleia Municipal pela maioria PS, com a abstenção da CDU e as votações contra dos restantes partidos da oposição. Em relação ao Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), a proposta foi aprovada com as mesmas votações da proposta anterior. Assim, vão ser taxados em 0,68 por cento os prédios urbanos não arrendados e não transmitidos, e em 0,38 pontos percentuais os proprietários que vendam ou aluguem as suas casas não destinadas a habitação.

GUINCHO Dunas consolidadas no Verão

Ver edição completa Investimento ronda um milhão e meio de euros Até ao Verão de 2011, a intervenção no sistema dunar Cresmina-Guincho, que está a decorrer em cerca de 66 hectares, deverá estar concluído, garantiu o vice-presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, possibilitando assim, a estabilização das dunas, menos areia na estrada e evitar o avanço da duna da Cresmina, cerca de 10 metros por ano, para o parque de campismo e Clube D. Carlos. Também o enquadramento paisagístico do local, o acesso pedonal e a recuperação da fauna e flora serão beneficiados com este projecto que resulta de uma candidatura ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), com um custo total de 1 519 322,31 euros e uma comparticipação comunitária de 663 721,15 euros. A intervenção nas dunas do Guincho e da Cresmina estão inseridas na criação de uma Rede de Visitação e Interpretação do Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC), que está a ser desenvolvida pela Cascais Natura e pelo ICNB (Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade), juntamente com as câmaras de Cascais (CMC) e de Sintra. “Esta rede está orçamentada em 3,6 milhões de euros, sendo que metade será financiada pelo QREN, 22,5 por cento pelo Instituto Turismo de Portugal e o restante pela CMC”, disse Carlos Carreiras. O autarca vê o Parque Natural como um património estratégico: “Quer o parque natural, quer a frente litoral são patrimónios que nos diferenciam e o sistema dunar tem estado abandonado há muitos anos.Os restaurantes, os hotéis, as estradas alteraram o curso e a velocidade das areias. Neste momento, o próprio parque de campismo está inundado de areia”. A intervenção em curso, explicou, “serve para conter os areais, mitigar os seus efeitos, regenerar todo o sistema e travar o vento. Temos a possibilidade de reactivar as dunas com a fauna e flora do local”. Sobre as garantias do projecto, o vice-presidente camarário disse que “só o tempo vai resolver. Acreditamos que no fim desta intervenção (no Verão de 2011), teremos em Cascais um património ainda mais enriquecido”. Sofia Castel-Branco, do ICNB, acompanhou a conferência de imprensa, realizada na passada sexta-feira, e visitou o local. Segundo esta responsável do Ministério do Ambiente, “temos um Parque Natural notável. Podemos tornar esta zona numa oportunidade para o desenvolvimento local”. A responsável considera a regeneração das dunas “uma acção prioritária na defesa dos habitats”. Núcleos de interpretação As intervenções que começaram na frente mar implicaram, numa primeira fase, a remoção manual de espécies exóticas invasoras. De seguida, a instalação, perpendicularmente à direcção do vento predominante, de paliçadas de material vegetal morto com vista a propiciar a deposição de areias. Mais tarde, segue- se a plantação de espécies para favorecer a acumulação de areias. Posteriormente, será criado um núcleo interpretativo, que disponibilizará um quiosque multimédia, um miradouro virtual e uma cafetaria de apoio. Neste espaço, os visitantes poderão conhecer a fundo as características únicas do sistema dunar Cresmina-Guincho, bem como do Parque Natural. João Cardoso, administrador da Cascais Natura, frisou que “é importante dar orientações para os turistas. Porque se não sabem onde vão, podem estragar os habitats. Temos uma grande diversidade de paisagem, por isso é importante criar núcleos interpretativos para explicar o que podem visitar”. Após a consolidação das dunas, na praia do Guincho será instalado um passadiço, nas proximidades da paragem de autocarros, na subida para a Areia (para descongestionar a área de entrada na praia pelo Muchaxo), que irá contornar as dunas até entrar na praia. Na zona da casa da guarda da Duna da Cresmina, será construído um núcleo interpretativo e demolido o edifício. Também serão implementados dois passadiços: um que desce directamente para a Praia da Cresmina e outro mais cumprido que servirá de percurso interpretativo. Ainda na Cresmina, “o estacionamento será organizado e terá a capacidade para 100 viaturas, com acessos ao concessionário e à praia mais confortáveis do que os que existem”, disse João Cardoso. “Não vamos construir mais do que existe, vamos apenas requalificar”. Até ao final de 2011, além do núcleo da Cresmina, Cascais contará também como núcleo interpretativo do Abano, que terá uma exposição interpretativa vocacionada para fenómenos geológicos e o da Biscaia (núcleo construído empedreira abandonada de cinco hectares) para a geomorfologia e observação da avifauna. A Rede de Visitação e Interpretação do PNSC, além de três núcleos em Sintra, contempla ainda um grande Centro de Interpretação da Natureza, o LINEU, na Quinta do Pisão de Baixo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sede já há, agora só falta campo

Ver edição completa Grupo Desportivo de Rio de Mouro continua a jogar em casa alheia Privado de instalações próprias há quase três anos, o Grupo Desportivo de Rio de Mouro tem agora uma nova sede social. O aluguer de uma loja, na Avenida do Parque, na Rinchoa (Fitares), foi a solução encontrada pela direcção do popular clube para dispor de um espaço em que os sócios se possam encontrar. "Durante todo este tempo estivemos instalados na Junta de Freguesia de Rio de Mouro, cuja colaboração, a todos os níveis, foi exemplar, mas necessitávamos de um local próprio que estivesse aberto aos sócios", explica Carlos Pereira, presidente do GDRM. Já decorado com dezenas de troféus conquistados ao longo do imenso historial do clube, o novo espaço tem, assim, "as condições mínimas para a actividade administrativa e social" do GDRM. Porém, falta o mais importante: um local próprio para jogar e treinar. Isto porque o antigo campo foi completamente destruído para dar lugar a um posto de combustíveis, sendo que as contrapartidas por tal obra seriam aplicadas na construção de um novo estádio. Só que o processo tem encontrado diversos entraves, o último dos quais relacionado com a necessidade de instalação nos terrenos em causa de uma grande conduta de águas pluviais por parte dos SMAS. "Sem essa obra não podemos avançar com o campo, mas já estamos cansados de esperar", alerta Carlos Pereira, lembrando os prejuízos decorrentes de tal situação: "Há três anos que recorremos ao aluguer de campos para os treinos e jogos das nossas equipas, tivemos de investir em novas carrinhas para o transporte de atletas e, como tal, temos encargos superiores a 4000 euros mensais. Ora, com tudo isto, as verbas atribuídas pela Repsol já foram consumidas, pelo que teremos de encontrar outra forma de financiar a construção do novo campo", orçada em 900 mil euros. O líder directivo do GDRM espera agora que a Câmara de Sintra lhe ceda o terreno em termos de direito de superfície, para que o clube possa angariar parceiros privados para a obra. É que, "se não houver uma solução até final desta época, só nos resta fechar portas, pois não teremos capacidade para manter em actividade estes mais de cem jovens", alerta o dirigente, lembrando que no início do processo, o Rio de Mouro tinha mais de 400 atletas, equipas de futebol em todos os escalões, e ainda modalidades como o futsal, andebol e atletismo. "Hoje, e com muito custo, só temos quatro escalões jovens no futebol, mas uma freguesia como Rio de Mouro precisa de mais actividade desportiva para manter os seus jovens ocupados", conclui.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ALMADA ‘Câmara tem excelente estratégia’

Ver edição completa Aproveitamento de fundos europeus motiva elogio Directiva do Programa Operacional Regional de Lisboa (POR Lisboa) está satisfeita com o índice de candidaturas dos municípios da Área Metropolitana e destaca a “excelente estratégia” da Câmara de Almada no aproveitamento dos fundos comunitários. “É gratificante perceber que as candidaturas são bem agarradas e que Almada não quer deixar um único cêntimo por aproveitar”, afirmava Teresa Almeida ao Jornal da Região, depois de ter reunido terça-feira com a presidente da Câmara, Maria Emília de Sousa. O objectivo desta visita da Comissão Directiva, que já vai na décima reunião com presidentes das autarquias, foi “agilizar” o cumprimento de candidaturas, visitar áreas destinatárias, “prestar esclarecimentos” para aplicação deste programa operacional e conhecer alguns dos projectos já concretizados. Um deles é o Flexibus, um mini-autocarro amigo do ambiente que desde Julho percorre várias artérias da cidade, e que agora serviu de transporte a Teresa Almeida e Maria Emília de Sousa na visita ao concelho. “Almada é dos municípios com mais projectos aprovados”, refere a presidente do POR Lisboa. Nomeadamente no Eixo 3, onde cabem os equipamentos educativos, em que já foram concretizadas cinco candidaturas de centros escolares e jardins-de-infância. Segundo Teresa Almeida, Almada tem sabido ainda aproveitar este programa em matéria de reabilitação urbana quer na zona histórica da cidade, quer na frente ribeirinha. Aliás, “Almada apresentou candidaturas aos quatro eixos do POR Lisboa”, acrescenta. E Maria Emília de Sousa confirma. “No que cabe à autarquia, temos quase 50 por cento do programa realizado”. Ao mesmo tempo “estão obras no terreno e outras a concurso”, acrescenta. Um dos projectos na calha é o Centro Cívico da Caparica, o qual vai constituir “um ponto de mudança” para a localidade, gerando “emprego e qualificação urbana”. No total de obra, aproveitando o programa POR Lisboa, a Câmara de Almada em conjunto com os parceiros locais já atingiu um investimento de 36,7 milhões de euros comparticipados em 13,7 milhões de euros pelos fundos comunitários. Ou seja, no que cabe à parte local, representa um esforço de 23 milhões de euros. Para Maria Emília de Sousa este é um investimento “necessário para dar trabalho às empresas e garantir a sobrevivência de muitas famílias”, mais ainda num momento de crise em que “não podemos perder o estímulo e abandonar projectos prioritários para manter muitos empregos”, afirma. Por isso, a edil defende que o Governo “tem de reconsiderar a comparticipação” que dá aos municípios da Área Metropolitana de Lisboa. “Temos uma comparticipação de apenas 37,5 por cento. Esta devia aumentar ao nível do que acontece com o resto do país”, afirma. Mas, ao mesmo tempo também elogia o pagamento a tempo e horas das verbas vindas do programa operacional. “As contas estão em dia”, afirma, “neste momento só nos falta receber 150mil euros do FEDER”. Ou seja, pelo menos ao nível do POR Lisboa a crise ainda não chegou. Teresa Almeida garante que da parte deste programa ainda não houve cortes. “O POR Lisboa tem dinheiro e os municípios têm assegurada a comparticipação financeira atribuída”. Em termos globais o montante de investimento previsto no Programa Operacional Regional de Lisboa é de 681,36 milhões de euros, ao qual está associado um financiamento comunitário (FEDER) de 306,68 milhões de euros. Entretanto o ciclo de vistas da Comissão Directiva do POR Lisboa vai continuar e a próxima está marcada para a Câmara de Sesimbra.

OUTURELA/PORTELA Projecto Bairro agarra juventude

Ver edição completa Novo espaço junta apoio ao estudo e estúdio Um estúdio de gravação de música e de videoclips, uma rádio comunitária, informática lúdica ou com fins mais sérios, formação e emprego, pingue-pongue, aulas de ténis com profissionais dos ‘courts’, uma sala de estudo apoiado… A descrição de oportunidades parece apontar para outras paragens, mas a verdade é que estamos no bairro Outurela/Portela, em Carnaxide, conhecido pelas dificuldades socioeconómicas da grande maioria da sua população. Mesmo assim, não há favores sem algumas contrapartidas: mostrar empenho na procura de soluções, respeito por regras indispensáveis e vontade de mudar o quotidiano para melhor são condições exigidas a quem queira receber apoios. É esse, também, o mote do projecto “Bairr@ctivo”, ali implantado desde o início deste ano, correspondendo à 4.ª geração do Programa Escolhas (financiado com verbas públicas e fundos comunitários). A iniciativa viria a receber um impulso decisivo em Julho, com a abertura de um segundo espaço que permitiu aos responsáveis do Clube de Jovens da Outurela separar as várias actividades desenvolvidas, entre a vertente lúdica (no anterior espaço) e a vertente de formação/emprego, concentrada nas novas instalações, que passaram a acolher os mais importantes passos, recentes e futuros, do “Bairr@ctivo”. Um dos que promete dar mais nas vistas (e nos ouvidos) é o estúdio de gravação. Este tanto pode ser ponto de encontro de quem quer apenas compor umas batidas “na descontra” como ponto de partida para mais altos voos no mundo da música. Nesta, como noutras iniciativas, os jovens foram chamados a ter um papel fulcral, desde o início. “Em tudo o que fazemos a ideia é que eles participem o mais possível. Pode até não ficar a 100%, mas ganha-se muito na valorização da obra feita e na aprendizagem ao longo do processo”, destaca Hélder Delgado, coordenador do “Bairr@ctivo”. De facto, a sala audiovisual surgiu a partir de reuniões feitas com os jovens no sentido de ouvir os seus anseios e problemas, mas também ideias para os resolver ou atenuar. “Falaram na hipótese de um estúdio de gravação, nós apoiámos a candidatura ao Programa Juventude em Acção em Abril, dois meses depois tivemos resposta positiva, iniciámos as obras em Setembro”, resume aquele responsável, adiantando que os trabalhos passaram, sobretudo, por “insonorizar o espaço e comprar equipamento”. Uns trazem os ritmos já feitos e querem juntar a voz por cima, outros “sacam” sonoridades na mesa de som e no computador… O importante é dar resposta à vontade de expressão musical dos jovens do bairro. “Há quem tenha cursos de música, outros estão mais virados para o marketing ligado ao agenciamento de artistas e à produção musical. Alguns deles já tinham estúdios improvisados em casa, mas fazia falta um espaço com qualidade aceitável (entre o amador e o semiprofissional) e onde pudessem partilhar experiências…”. Para já, apenas uma mão-cheia de jovens dá uso regular ao equipamento, mas as portas estão abertas a todos. O acompanhamento do projecto é assegurado pelo Clube de Jovens da Outurela. E já se fala em “lançar um CD em Janeiro que vem”. Uma rádio comunitária é outra ideia que também já está a dar que falar. Resultado do intercâmbio entre vários jovens de Outurela, Lisboa (Anjos) e Arrentela (na Margem Sul) – locais que têm em comum a entidade gestora de projectos do Escolhas, a Solidariedade Imigrante – esta é uma iniciativa “para arrancar o quanto antes”, diz Hélder Delgado. Se cada geração do Programa Escolhas traz consigo respostas adaptadas aos novos diagnósticos de problemas e anseios, a necessidade de apoio escolar tem sido uma constante ao longo dos anos naquele bairro. “Temos uma elevada taxa de insucesso escolar”, confirma o coordenador do Bairr@ctivo. Para contrariar essa tendência foram criadas várias actividades, tais como a Oficina Sabiá – uma sala de estudo onde diversos voluntários dão explicações às crianças (incluindo quatro trabalhadores da empresa Colt, de Carnaxide, no seu horário laboral), com um resultado “muito positivo” nas notas escolares – ateliês de informática, acções de educação pela arte, futebol, e agora até o ténis foi chamado a ajudar a melhorar as notas escolares (ver caixa). Tud oem nome da esperança de que, um dia, sejam muitos mais os moradores do bairro a poderem fazer “Escolhas” para além da oferta de emprego patente no referido novo espaço do Clube de Jovens da Outurela: distribuidores, part-time em lojas para reforço no Natal, ou “pessoa com disponibilidade para fazer trabalhos pontuais, sem dia certo, cargas e descargas, avisada um dia antes”…

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

AMADORA Tradição das luzes de Natal é para manter

Ver edição completa Amadora antecipa quadra natalícia com o objectivo de apoiar o comércio local mas reduz custos da iniciativa As principais ruas, praças e jardins do concelho da Amadora já se encontram decoradas com as tradicionais luzes de Natal. Trata-se do primeiro município da Grande Lisboa a accionar o dispositivo que, este ano, por causa da crise, volta a repetir as mesmas decorações do ano passado, permitindo à edilidade uma redução de 25 por cento na verba investida. Assim, para iluminar as onze freguesias do concelho, a autarquia vai poupar cerca de 50 mil euros, investindo um total de 200 mil euros. “Aproveitámos todo o material usado no ano passado, apenas tivemos gastos na mão-de-obra e em pequenas reparações”, explica o vereador Gabriel Oliveira, responsável pelo pelouro.O dinheiro poupado reverterá para “a área social”, como adiantou o autarca. A Associação Comercial e Empresarial dos Concelhos de Oeiras e Amadora (ACECOA), num protocolo estabelecido com a Câmara da Amadora há cerca de 8 anos, é a entidade responsável pela colocação das decorações de Natal. Para o presidente da ACECOA, João Antunes, é importante que a autarquia continue a investir na iluminação natalícia das principais ruas das onze freguesias, porque “atrai mais visitantes ao comercial tradicional”. O responsável considera ainda que o facto da Câmara ter reduzido a verba, optando por colocar as decorações usadas no ano passado, “não deixará de atrair pessoas”, e confessa que “pior seria se alguns locais deixassem de ser iluminados”. Mas há quem defenda que é cedo para iluminar as ruas com motivos de Natal. Arminda Cavaco, comerciante junto à estação da CP da Amadora há mais há 40 anos, considera que “gasta-se muito dinheiro em electricidade com as iluminações, por isso, acho que deveriam ser ligadas mais tarde”. No entanto, esta empresária considera que “as luzes estão bonitas e ajudam a fomentar o espírito natalício, muito embora sejam pouco coloridas”. Segundo Diogo Augusto, um outro comerciante, “embora o centro da cidade fique mais bonito, as iluminações de Natal não trazem mais segurança, que tanta falta nos faz. As pessoas têm medo de andar nas ruas à noite”. Tal como no ano passado, uma árvore de Natal com cerca de 25 metros de altura foi erguida junto ao Ski Skate Amadora, o sino gigante mantém-se junto ao Parque Aventura, uma vela de 15 metros de altura decora a praça junto à estação de metro Amadora-Este e uma árvore de Natal de 15 metros de altura ilumina o Alto Maduro, junto à Academia Militar.