quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Novo Hospital de Cascais já está superlotado

Ver edição completa Doentes em macas nos corredores é uma imagem que não desapareceu em relação à antiga unidade hospitalar O novo Hospital de Cascais foi inaugurado em Fevereiro e já está “superlotado”, passados que são oito meses, quem o disse foi o director clínico daquela unidade hospitalar, João Varandas Fernandes, durante uma conferência de imprensa, realizada no dia 3 de Novembro, que serviu para fazer o balanço de actividade. O responsável revelou que “as consultas externas aumentaram 52,1% e as urgências tiveram um crescimento de 27,2% desde a inauguração”. O hospital tinha um total de urgências de 66 938 entre Março e Setembro de 2008, de 66 313 no mesmo período de 2009 e de 85 141 em 2010. Desta forma, a urgência geral teve um crescimento de 20,3%, a urgência ginecológica e obstétrica cresceu 94% e a urgência pediátrica 28,6%. João Varandas admite que vão continuar a existir doentes em macas nos corredores e apresentou três factores que conduziram à capacidade esgotada: “Aumento da procura do Serviço de Urgência, que superou as expectativas. Há mais de 25% de pessoas da área de residência que vêm e não vinham antes; Aumento da melhoria substancial das instalações e a credibilidade dos profissionais porque se está a transmitir uma cultura de rigor e profissional que antes não existia”, justificou. O director clínico frisou que “estamos no limite, mas qualquer alteração é o Estado que decide. Nós fazemos a gestão, ao Estado compete decidir a capacidade das camas e isso já foi transmitido (há largas semanas atrás)”. A resposta do Estado passa pela disponibilidade “para equacionar o aumento das camas”. Mas, salientou João Varandas, “isso tem os seus trâmites”. “O que se está a verificar é uma capacidade lotada, superlotada das instalações, cuja responsabilidade não é da competência da unidade hospitalar”. O aumento do número de doentes em macas no corredor já estava previsto. “Entre Março e Setembro deste ano já estava lotado, pouco antes das férias mas com períodos de descompressão, e a partir da primeira quinzena de Outubro está esgotado”, disse João Varandas, que admitiu que “este problema pode obrigar à transferência de doentes para outros hospitais”. “Temos um plano B em que se ultrapassar determinado número vão para o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental. Isso está contratualmente previsto”. Situação transitória “O projecto do hospital é de há seis anos”, constata também João Varandas como justificação para a actual superlotação. Este responsável adianta que não havia possibilidade de alterar o projecto porque “havia um contrato já predeterminado em que não foi possível suprir a previsível capacidade de esgotamento”. As macas no corredor “são ferramentas passageiras que no antigo hospital eram frequentes. Não é do agrado da administração ter doentes nos corredores, mas também não podemos ter doentes nas salas de urgência, não ajudam a agilizar o trabalho a jusante. Estamos a tentar resolver a situação, mas é uma situação transitória”. João Varandas ressalvou ainda que “retirámos as consultas do Serviço de Urgência porque este serviço é onde se salvam vidas e não onde se fazem consultas. As urgências estão cheias porque é aí que vão todas as pessoas que querem ser consultadas”. Segundos os dados apresentados, em termos de lotação, o novo hospital registou um crescimento de 47 camas, passando de 238 no antigo hospital para 285, devido ao aumento do número de valências médicas, como é o caso da neurologia, psiquiatria, urologia, cuidados intermédios/intensivos e cuidados especiais de pediatria e neonatologia, tendo tido, no entanto, uma redução significativa na medicina interna. A taxa de internamento de doentes provenientes da urgência registou um crescimento de 6,4% num total de 5475 doentes entre Março e Setembro de 2010. No que diz respeito ao total de doentes internados, o hospital teve um crescimento de 31,7% entre 2009 e 2010. Quanto ao número de dias destes internamentos, a unidade teve um crescimento na estadia de 21,1%. Relativamente às consultas externas, o hospital registou um crescimento de 52,1% entre 2009 e 2010, passando de 40 893 consultas entre Março e Setembro de 2009 para as 62 188 no mesmo período de 2010. O principal destaque vai para as primeiras consultas, que registaram uma subida de 72,3%. O Hospital de Cascais obteve também um forte crescimento no número de cirurgias, passando de 2927 entre Março e Setembro de 2009 para 3748 no mesmo período de 2010, evidenciando um incremento de 28%. Em termos de recursos humanos, o Hospital tem 1066 profissionais, com 211 médicos, 388 enfermeiros, 314 assistentes operacionais, 82 assistentes técnicos e 71 técnicos de diagnóstico e terapeutas. Em 2009, o total era de 913 e em 2008 de 822.

SINTRA ‘O eterno problema do centro histórico’

Ver edição completa Fernando Pereira reivindica o avanço das intervenções de requalificação, nomeadamente de saneamento básico "O eterno problema do centro histórico, que carece de uma intervenção urgente e profunda". A realidade relatada por Fernando Pereira, presidente da Junta de Freguesia de São Martinho, é elucidativa da sua preocupação com o ‘coração’ da sede do concelho, principal pólo patrimonial e turístico de Sintra. Área classificada como Património da Humanidade, a Vila Velha há muito que aguarda a resolução de problemas que se arrastam no tempo, nomeadamente a reabilitação de edifícios e o défice de estacionamento. Mas, a melhoria do saneamento básico e da higiene pública são outras reivindicações da população local, para que alguns casos, dignos de países do 3.º mundo, não subsistam num postal turístico por excelência. Na área da reabilitação urbana, já se assiste à recuperação de imóveis, por iniciativa privada, mesmo junto às instalações do órgão autárquico. "Mas, é pena que não haja por parte da Câmara uma postura mais forte relativamente à degradação do centro histórico, em relação aos proprietários dos imóveis, e depois à requalificação da rede de esgotos". Torna-se indispensável avançar com uma intervenção ao nível do saneamento básico, já que as infra-estruturas são antigas e atraem alguns visitantes menos próprios. "Temos rataria por tudo quanto é sítio. Estamos permanentemente a alertar os SMAS, que tampam o buraco,mas os ratos acabam por abrir noutro lado", lamenta Fernando Pereira, que também clama por uma maior acção ao nível da higiene pública. O eleito enuncia. aliás, duas situações que não se coadunam com um cartaz turístico PatrimónioMundial. Por umlado, a falta de limpeza que resulta dos trens de Sintra e, por outro lado, as chamadas "Escadinhas da Assembleia", junto à embargada obra da antiga Pensão Bristol, "onde as pessoas vão lá defecar, urinar e apresenta um cheiro nauseabundo". Também a obra da Bristol, um ‘esqueleto’ pouco adequado para uma vila Património Mundial, merece o lamento de Fernando Pereira. "Com o devido respeito pelos processos que estão a decorrer em relação ao embargo da obra, não consigo perceber esta situação porque é uma obra que requalificava este espaço, que não prejudica ninguém e criaria postos de trabalho", sentencia o autarca de São Martinho. Por cima do Café Paris, durante o mês de Agosto, desapareceu uma estrutura que fazia parte dos postais ilustrados da Vila Velha. Fernando Pereira considera que a Câmara de Sintra deve impor ao proprietário do imóvel que reponha a situação. "Há documentos históricos, a cobertura é feita com estas características, façam o favor de repor", adverte o autarca. Segundo as informações recolhidas, a retirada da estrutura foi justificada por "estar na iminência de ruir e que iria cair para dentro do edifício". O autarca de São Martinho compreende a justificação, mas considera que a importância da Vila de Sintra, área classificada como Património da Humanidade, pressupõe uma acção de reabilitação. Também o antigo Hospital de Sintra, motiva a preocupação do autarca. Para o eleito, seria desejável que aquele edifício, que já começa a apresentar sinais exteriores de degradação, fosse destinado ao Centro de Saúde de Sintra, até para substituir as actuais instalações, junto à estação de Sintra, que não têm as mínimas condições para atender os utentes e "até para os bombeiros transportarem um doente numa maca". SRU deve avançar "Temos de pensar, de uma vez por todas, o que pretendemos para o centro histórico. Isto é o cartão de visita da Vila de Sintra. E as pessoas não podem olhar para o Palácio Nacional de Sintra e, depois em seu redor, verem edifícios devolutos e completamente degradados", reforça o autarca. Fernando Pereira considera que, para o efeito, seria importante avançar, de uma vez por todas, com a Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) há muito anunciada. "Já deveria estar em funcionamento há muito tempo", sublinha o autarca, para quem "o centro histórico seria, certamente, diferente". Fernando Pereira enuncia, ainda, a necessidade de aumentar a capacidade hoteleira "para fixar os turistas que, actualmente, se limitam a um regime de passagem e ficam hospedados em Lisboa". Estacionamento e insegurança O problema do estacionamento é outra das preocupações da Vila Velha. Segundo Fernando Pereira, não há meias-medidas a este nível. "A solução tem de passar, como acontece com os outros centros históricos da Europa, por uma medida radical: o carro não entra no centro histórico e ponto final". Para esse efeito, é necessário dotar a Vila de Sintra de um sistema de transportes rápido e eficiente, complementado por um parque de estacionamento na periferia. "Se é no Vale da Raposa, na Quinta do Anjinho (São Pedro de Sintra), ou na Portela, é indiferente; agora, criem as condições para que a pessoa possa deixar o automóvel e deslocar-se de transporte público ao centro histórico". Ainda na área do trânsito, Fernando Pereira manifesta a sua preocupação sobre a segurança na Rua Sotto Mayor e, por outro lado, na Estrada do Macieira, "onde aquelas muralhas de suporte nos preocupam porque, devido a um acidente, uma parte do muro caiu mesmo". Na Rua Sotto Mayor (conhecida por Estrada do Arraçário), a preocupação é uma constante por ser, devido à inclinação acentuada, propícia a excesso de velocidade. "Há cerca de um mês, houve mais um acidente com consequências muito gravosas em termos de danos materiais. Não houve danos físicos porque foi às quatro da manhã, mas, se tivesse sido na hora de saída da escola, teria consequências graves", alerta o eleito, que clama por uma medida urgente por parte da Câmara de Sintra. Uma das possibilidades reside na colocação de lombas, "embora já nos tenham dito que, tecnicamente, não é viável", e a substituição do pavimento, "que é extremamente polido e não tem a mínima aderência".

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CONCELHO ALMADA Lixeiras na mira de autarcas

Ver edição completa Freguesias criticam sistema de recolha A limpeza urbana e recolha de lixo têm sido tema constante com várias freguesias a apontarem deficiência neste serviço camarário. Localidades como a Trafaria, Charneca da Caparica, Sobreda e Costa da Caparica são das que mais se queixam e o próprio vereador responsável pelo pelouro, Rui Jorge Martins, admite existirem problemas ao nível da frota, mas “com a contenção financeira a que os municípios estão obrigados não há capacidade para fazer mais investimentos”, afirma. Mas a presidente da Junta de Freguesia da Trafaria, Francisca Parreira, acredita que este problema pode ser resolvido com uma “reorganização e planificação do serviço”. “Há zonas como o bairro social e a Corvina em que a recolha de resíduos sólidos é feita apenas uma vez por semana, e em muitas outras também não é diária”, afirma a autarca que aponta ainda que os contentores e ecopontos “nunca são lavados”. “E as pessoas pagam a taxa de resíduos como todas as outras”, acrescenta. A deficiente recolha de resíduos urbanos é também apontada pelo presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica. Para António Neves o problema passa pela “falta de meios”, mas isto “não é bem aceite por uma população que paga uma taxa de IMI mais elevada que os outros residentes do concelho”. Contudo, reconhece que muito do problema de limpeza deve- se à “falta de civismo, essencialmente de quem não é da Costa da Caparica”. “Despejam lixo onde lhes apetece”, diz. Também na Charneca de Caparica têm chegado várias queixas ao presidente da Junta de Freguesia, de tal modo que Fernando Jorge Fernandes diz que a assembleia de freguesia aprovou uma moção onde “exige uma maior intervenção do serviço camarário de limpeza urbana”. O problema é que “a Câmara de Almada trata todos os territórios do concelho de igual modo, sem considerar as suas características geográficas, tipologia de habitação e população”, diz. Um argumento usado também pelos presidentes de junta da Costa da Caparica e Trafaria. Estas são questões que têm estado em cima da mesa em reuniões entre o vereador responsável pela limpeza urbana e os presidentes das onze freguesias do concelho. “Está a ser feito um estudo relativo aos processos de recolha de resíduos urbanos e varredura”, afirma o vereador Rui Jorge Martins que aponta as freguesias rurais como aquelas onde existem mais dificuldades. Nomeadamente por causa da deposição de entulhos. É o que acontece na Rua Quinta da Cerieira na Sobreda, num terreno aberto junto à moradia de Maria de Fátima onde constantemente são vazados “todo o tipo de entulhos”. Diz esta munícipe que é frequente camionetas carregadas de entulho despejarem naquele terreno. “Quando protestamos ainda nos ameaçam”, afirma. Para esta moradora, uma das soluções seria a Câmara de Almada, em zonas de moradias, substituir os contentores de rua por contentores individuais. Uma proposta que já foi feita ao presidente da Junta de Freguesia da Sobreda. “Já fomos contactados pela Câmara para estudarmos a zonas onde podem ser colocados contentores individuais”, avança António Abrantes de Almeida. Mas o receio do autarca é se os moradores vão respeitar as regras de uso destes contentores que “são para serem colocados à porta segundo a calendarização de recolha de lixo urbano”.

Exigências ‘apagam’ chama do voluntariado

Ver edição completa Faltam recursos humanos e viaturas na corporação de bombeiros de Paço de Arcos Aos 117 anos de vida, comemorados no passado sábado, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários dePaço de Arcos evidencia empenho e dedicação à prova de fogo, mas não esconde que precisa de mais meios materiais e humanos para melhor desempenhar a sua missão. Desde que os quartéis de voluntários perderam a sua atracção de convívio social e passaram a reflectir as exigências legais cada vez mais apertadas sobre quem pretende dar um contributo a esta força de socorro, que se verifica uma diminuição do fluxo de candidatos a "soldados da paz". Já quanto a viaturas, o que tem valido é omercado alemão em 2.ª mão... Foi, sobretudo, em torno destas linhas basilares da actividade da corporação cuja área de intervenção abarca as freguesias de Paço de Arcos e de Caxias que o JR conversou com o comandante Luís Silva. Mas, num dia marcado pelas intempéries (sexta-feira passada), não faltaram os conselhos aos munícipes no sentido de se prevenirem para estas situações de risco, tanto mais que o nosso interlocutor é, igualmente, coordenador da Protecção Civil. "A nossa missão é socorrer e não limpar algerozes, ou vedar janelas. Isso é o que as pessoas deveriam fazer antes das chuvas", admoestou o responsável. Cenas que se repetem ano após ano e já são 34 desde que Luís Silva entrou para a corporação, quanto tinha 14 anos. Nessa altura, o dia-a-dia no quartel era muito diferente. "Não havia centros comerciais, ia-se ao cinema a Oeiras, passava-se nos bombeiros primeiro, no regresso passava-se por lá outra vez... Via-se o voluntariado como uma casa de convívio; agora têm de vir quase por obrigação, sabendo que há regras para cumprir e sem nunca esquecer que há pessoas cuja vida depende do nosso socorro". O problema – conclui – é que "cada vez há menos espírito de solidariedade e muita gente pensa: Vou ajudar e ainda estão com exigências?!...". E, de facto, não é qualquer um que chega ao fim do curso indispensável para se ser bombeiro, o qual demora cerca de seis meses, três dias por semana, em horário pós-laboral e fins-de-semana. "Não é por acaso que os cursos iniciais de bombeiro que começam aqui com 10, 15, 20 elementos acabam sempre com metade", confirma Luís Silva. Reflexo dessa escassez de recursos humanos, não é raro que as equipas de prevenção se apresentem algo desfalcadas. "Por vezes, tenho aí piquetes sócomdois ou três voluntários de reforço ao pessoal assalariado, quando o razoável seria ter umaguarnição para umpronto-socorro e para uma ambulância, ou seja, sete a oito elementos. Porque se há um acidente saem logo nove pessoas e se, entretanto, aparecer aqui uma urgência eu tenho de recorrer a outro corpo de bombeiros do concelho", expõe o comandante. Sendo certo que com a Marginal e a A5 por perto é normal haver dias de dois, três, quatro acidentes num curto espaço de tempo. Actualmente, a corporação tem cerca de 90 bombeiros, de todos os quadros, além de 23 assalariados na parte operacional. Quanto a meios materiais, a situação também não é a melhor. A frota de viaturas vai sendo renovada a conta-gotas e muito graças ao mercado alemão, onde se podem comprar pechinchas “em muito bom estado”. É o caso da auto-escada que a Associação Humanitária adquiriu o ano passado com dinheiro próprio. "É um carro com 15 anos e estava como novo, já que os alemães normalmente abatem estes veículos após 25, 30 anos de uso. Teve problemas numa peça e eles foram logo comprar uma mais moderna", conta Luís Silva, satisfeito: "Um carro destes novo custa 600 mil euros, nós demos 30 mil por ele". Por ora, o que faz mais falta é um novo veículo urbano de combate a incêndios. "O único que temos é pequeno e está desajustado à nossa área de intervenção", diagnostica Luís Silva, lembrando que a corporação acorre, em média a quatro, cinco incêndios urbanos por mês. Mas se, apesar de tudo, este veículo está em bom estado, já a viatura que no Verão combate fogos florestais em vários pontos do país revela muito "cansaço", mesmo que tenha 15 anos e apenas 20 mil km. "Sai excepcionalmente do distrito de Lisboa, mas já tem muitas horas de bomba e ainda este ano aconteceu falhar quando estava em acção em Arcos de Valdevez, foi preciso mandar vir peças da Alemanha, esteve parado bastante tempo...". O que é de lastimar, pois trata-se de um carro muito versátil, também usado em cenário de inundações, pois pode circular com água pelas portas e até no interior. Ao todo, a corporação de Paço de Arcos tem 16 viaturas. Além das acima referidas, existem quatro ambulâncias de socorro, três de transporte múltiplo, um auto-tanque, uma viatura de comando, um veículo desencarcerador, dois carros auxiliares, bem como um carro específico para suportar a logística dos oito mergulhadores que fazem parte da corporação e, ainda, três barcos que, no Verão, fazem vigilância às praias. Quanto a receitas, “vamos sobrevivendo com apoios da Câmara e com os serviços prestados (transporte de doentes e as emergências médicas)”, explica Luís Silva. Bailes é que não. “Até temos um bom salão para isso, mas não vale a pena tanto trabalho e tantas despesas para, no final, ter um lucro de 100 ou 200 euros”...

AMADORA Escola no fundo do ‘ranking’

Ver edição completa ‘Recebemos alunos que outras escolas rejeitam’ A Escola Secundária Dr. Azevedo Neves, que tem também 3.º Ciclo, situada no Alto da Damaia, nas imediações da Clínica de Santo António, ocupa este ano o último lugar do ‘ranking’ das escolas do Ensino Básico, com uma média de 1,7 valores nos exames de Matemática do 9.º ano. Um resultado que se vai “inverter”, no final deste ano lectivo, garante o director do agrupamento, José Biscaia, sublinhando que ali “aceitam-se jovens que são recusados por outras escolas”. Para perceber o contexto em que esta escola obteve a pior nota a Matemática, é preciso saber que se trata de um estabelecimento de ensino com características especiais. “Aceitamos todo o tipo de alunos, muitos são rejeitados por outras escolas, trata-se de alunos com problemas sociais, de outras zonas da Amadora e até mesmo dos concelhos de Sintra e Odivelas, que muitas vezes as escolas querem ver-se livre deles, outros são recém-chegados de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) com parâmetros pedagógicos diferentes, e não entraram no 5.º ano, para que nós os pudéssemos acompanhar, mas chegaram no 8.º ou 9.º ano”, explicou o director do agrupamento, José Biscaia. O responsável acrescentou que “os resultados já eram previstos”, isto porque a escola não teve tempo para acompanhar estes alunos “residuais”. No sentido de tornar o projecto pedagógico mais eficiente, a escola adoptou há cinco anos um novo sistema, agrupando os alunos por competências ou pela falta delas. “É um sistema de diferenciação psicológica, antes de integrarmos o aluno numa turma fazemos um diagnóstico e em função dessa análise, vamos ver a que turma se adapta melhor. Pretendemos tirar os proveitos máximos das capacidades pedagógicas de cada aluno”, refere José Biscaia. Um conceito que não é inovador, estando já a ser desenvolvido por países do norte da Europa. O professor exemplifica: “Os alunos com mais dificuldades a Matemática ficam na mesma turma, onde é feito um reforço de professores nessa disciplina”. José Biscaia vai mais longe e explica que “se colocarmos um jogador da 3.ª na 1.ª divisão da liga de futebol, o que acaba por lhe acontecer é a sua não evolução, vai ficar sempre no banco. O mesmo acontece nas aulas, o aluno com fracas competências a Matemática, ao lado de bons alunos, vai acabar por desistir”. Um processo que irá dar frutos pela primeira vez no final deste ano lectivo. Este projecto pedagógico arrancou há cinco anos com alunos do 5.º ano de escolaridade. No final do ano lectivo, a maioria destes estudantes termina o 9.º ano, logo o professor prevê: “Teremos resultados inversamente aos alcançados este ano. Não tenho dúvidas disso”. Combate à exclusão O agrupamento de escolas Dr. Azevedo Neves, que integra também a Escola EB1 Condes da Lousã e a Escola Básica do 1.º Ciclo com Jardim-de-infância José Ruy, tem como política “o combate à exclusão social e ao abandono escolar” desde a sua criação, como refere o José Biscaia. Devido à especificidade da sua população, com alunos oriundos de bairros, como o 6 de Maio, a Estrada Militar da Damaia e a Cova da Moura, ao longo dos tempos, a escola tem vindo a tentar implementar projectos inovadores. “Os nossos alunos são acompanhados pelo professor durante a hora de refeição, desenvolvendo competências quer ao nível dos hábitos alimentares, higiene e aprendem ainda a comer de faca e garfo”, exemplifica o director do agrupamento. De acordo com José Biscaia, “aqui todos são chamados pelo nome e não o número. Todos têm o mesmo tratamento e não importa a proveniência ou a cor da pele”. Uma escola que está a sofrer grandes obras de recuperação, com a construção de novos pavilhões e salas de aula.

Prevenção contra sismos

Ver edição completa Protecção Civil avalia capacidade de resposta Estamos preparados para os sismos? Esta foi a questão que esteve subjacente à “Conferência Prevenção e Segurança”, organizada pela Associação de Bombeiros Voluntários de Carcavelos e São Domingos de Rana (ABVCSDR), que teve lugar nos dias 29 e 30 de Outubro, no auditório da Boa Nova, no Estoril, e que contou como alto patrocínio da Presidência da República. Portugal não é um país de risco sísmico elevado. Contudo, na passada segunda-feira, assinalaram-se 255 anos sobre a maior tragédia colectiva do povo português, de que há registo, ao longo de toda a sua história: o sismo de 1755. Como resposta às consequências de 1755, sobre “o que podemos fazer agora?”, reza a frase famosa de Marquês Pombal: “Enterrem os mortos e cuidem dos vivos”. Interrogações lembradas, na sessão de abertura, pela presidente da ABVCSDR, Glória Reino, que lembrou que “255 anos depois este sismo pode ser considerado a génese do que é hoje designado por gestão de risco”. Embora exista em Portugal regulamentação anti-sísmica, a responsável considera que “o risco sísmico, em Portugal, não tem constituído uma questão de relevante interesse político e social, apesar de existirem áreas de elevado potencial sísmico, como os Açores, Lisboa e Algarve”. Em face do grau de incerteza que a natureza impõe ao trabalho de previsão, diz a anfitriã do evento, “torna-se, assim, necessário, muito mais do que prever, deve ser desenvolvida a gestão do risco de uma forma preventiva no sentido de preservar vidas e património cultural e ambiental, assim como reduzir os custos económicos no caso de eventos que provoquem danos”. O presidente da Câmara, António Capucho, considerou a conferência de “absoluta necessidade para enfrentar catástrofes como estas. Nestes casos, estamos muito à mercê do inesperado”, frisou. O autarca salientou a importância de uma articulação com os bombeiros e demais agentes da Protecção Civil e lembrou o que já tinha prometido nas comemorações do Dia Municipal do Bombeiro: “Apesar de todos os cortes financeiros em Cascais, as corporações do concelho não serão afectadas pela crise”. O evento abriu ainda com a presença do secretário de Estado da Protecção Civil. Vasco Franco disse que “esta é uma terra comum a probabilidade reduzida de sismos. Como tal, temos a frequência de os ignorar. O tema escolhido foi uma boa opção. É uma questão que pode pairar nos nossos espíritos frequentemente. Nunca estamos preparados. Podemos estar num estado de preparação, mas a capacidade de resposta é insuficiente”. “Hoje temos um estado de preparação muito mais avançado do que há uns anos. Foi feito e bem o Plano de Emergência Sísmica para Lisboa e esse plano já foi testado, e está disponível, e devemos trabalhar com ele. Também o plano do Algarve foi feito e devemos trabalhar nele. Temos 21 pólos de mobilização de meios (18 distritais e 3 nas ilhas) para socorrer qualquer localização do país, com boa preparação. Portugal esteve presente em todos os sismos, o que permite às equipas que são mobilizadas para esses cenários uma boa preparação”, disse Vasco Franco. “Preocupa-me não haver um sistema de fiscalização das normas anti-sísmicas em vigor. O responsável é o técnico que assina o projecto e não há uma fiscalização para ver se as normas estão a ser cumpridas com rigor”, referiu, concluindo ainda que “temos de olhar para os planos que existem e vê-los como processos dinâmicos. Os planos devem ser instrumentos de trabalho”.