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Junta da Cruz Quebrada propõe execução de parque de merendas e estacionamento
A requalificação da mata situada entre a margem esquerda do Jamor e a Estrada da Costa, na Cruz Quebrada, onde os eléctricos terminavam a sua carreira e davam a volta, poderá estar para breve, dando lugar a um parque de merendas e a um pequeno parque de estacionamento. Esse é, pelo menos, o objectivo da proposta apresentada, na semana passada, pelo presidente da Junta de Freguesia da Cruz Quebrada/Dafundo, Paulo Freitas do Amaral, ao Instituto do Desporto de Portugal (IDP), a qual terá recebido bom acolhimento por parte do interlocutor. “Não tem grandes custos e acabará com o aspecto de abandono há muito ali existente”, sublinhou aquele autarca ao JR. Na verdade, aquele espaço tem sido ocupado para estacionamento desordenado e como local para deposição de materiais diversos, desde os usados pelas empresas que colocam infra-estruturas no subsolo aos que resultam dos trabalhos por conta do próprio Estádio Nacional, incluindo pedras, tubos e ferros... Segundo Paulo Freitas do Amaral, o assunto já havia sido mencionado com o presidente do IDP, Luís Sardinha, em reuniões de trabalho, tendo aquele responsável solicitado à Junta a elaboração de um projecto. “Foi o que fizemos recorrendo à nossa bolsa de voluntários, com destaque para uma arquitecta da freguesia que muito nos ajudou”, enaltece o autarca. Um dos problemas a resolver com esta medida é a grande quantidade de carros que ali pára, ao final da tarde dos dias da semana, trazidos por pessoas que se deslocam ao Jamor para fazerem o seu exercício físico. “O projecto procura dar resposta aos moradores que têm dificuldades em encontrar lugar ao chegarem a casa, o que só conseguem mais tarde, quando quem vem fazer a sua corrida se vai embora. Assim, está previsto um miniparque de estacionamento, devidamente ordenado, numa faixa de apenas cerca de 35 metros, o qual servirá, à noite, para os moradores e, de dia, os actuais utilizadores do Jamor e os do futuro parque de merendas”, elucida Paulo Freitas do Amaral. Entretanto, de uma outra reunião, havida com a Carris, resultou a autorização para demolir um casebre em ruínas, localizado à entrada da mata em questão (início da Rua da Costa, em direcção à Faculdade de Motricidade Humana). “Em tempos serviu de lavabos para os motoristas e chegou a um ponto de degradação extremo, com o tecto a cair, muita bicharada e, infelizmente, alguns sem-abrigo a usarem-no de quando em vez”, dá conta o presidente da Junta da Cruz Quebrada. A vocação de parque de merendas para aquela área será, assim, um regresso aos tempos idos em que aquele recanto natural era ponto de encontro de muitos dos frequentadores da praia da Cruz Quebrada, quando esta podia ser usada para banhos. “Não era propriamente um parque de merendas, mas as pessoas usavam-no para fazerem o seu piquenique depois de uma manhã na praia”, confirma António Ramos, gerente do 'snack-bar' “Mira Verde” que tem vista sobre a mata em questão. “Depois estiveram aí ciganos instalados durante vários anos”, adianta o empresário. Na sua opinião, a requalificação só peca por tardia. “Eu até costumo dizer que este bocado aqui nem parece pertencer ao concelho de Oeiras que é, em geral, tão arrumadinho e limpo”, diz aquele munícipe. Um ar de abandono que “custa a aceitar porque passa aqui muita gente a caminho das faculdades e das instalações desportivas”. Já Luísa Martins, que mora ali perto, aproveita para pedir sanitários no lugar do casebre a demolir. “Faz muita falta, às vezes as pessoas têm que se ir desenrascar onde calha”, diz. O projecto apresentado pela Junta de Freguesia inclui piso apropriado no parque de merendas, mesas e bancos, nivelamento do terreno, reforço de iluminação, percursos pedonais e arranjo paisagístico. Da parte do IDP, Carlos Afonso, coordenador do Centro Desportivo Nacional do Jamor, confirmou ao JR a entrega da proposta de requalificação. “É uma zona sobre a qual também é do nosso interesse que haja uma intervenção”, salientou aquele responsável, adiantando que não havia nenhum projecto na forja para aquele espaço, pelo que a sugestão de Paulo Freitas do Amaral “está para apreciação pelo IDP”.
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Há 21 anos que assim é: entre Outubro e Novembro, a Amadora transforma-se na capital da nona arte. Este ano, como não poderia deixar de ser, o tema central do festival é dedicado ao Centenário da República, “um momento importantíssimo para a história da BD”, afirma Nelson Dona, director do Festival da Amadora. Entre 22 de Outubro e 7 de Novembro é isso que se vai poder ver nos vários locais da cidade. Assinalando o Centenário da República, a 21.ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora vai centrar-se neste período histórico, dedicando uma grande parte das exposições aos autores portugueses. Trata- se de “um olhar sobre o período histórico muito importante para a história de arte”, como sublinhou Nelson Dona, director do Festival de BD da Amadora, no decorrer da conferência de imprensa de apresentação do certame, que inaugura no dia 22 de Outubro, sexta-feira. Este ano, a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR) estabeleceu uma parceria com a Câmara Municipal da Amadora (CMA) e o Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI), com o objectivo de apoiar a realização do Festival. “Entendemos que valia a pena olhar de forma mais aprofundada, com o apoio que recebemos da CNCCR, para os artistas portugueses da I República, mas também para artistas que pudessem demonstrar o que poderá vir a serem termos artísticos o futuro desta República”, sublinhou Nelson Dona. Motivos que levaram a organização a apostar durante esta edição em artistas nacionais, mas também devido “aos tempos de crise que se vivem é importante olharmos para nós próprios”, acrescentou o director do festival. No entanto, Nelson Dona lembra que “este é um festival internacional e não nos esquecemos disso, por isso, iremos contar com a presença de muitos autores estrangeiros”. “A Banda Desenhada é um elemento muitíssimo rico para percebermos a I República quer pelos seus autores, quer pelo património iconográfico que ajuda a perceber com um sentido de humor a história da I República”, adiantou Fernanda Rolo, comissária da CNCCR. O Festival Internacional de BD da Amadora está orçado em cerca de 700 mil euros. “Apenas metade são custos com a programação, o restante são custos de logística, como a montagem, etc.”, sublinha Nelson Dona, referindo que o apoio financeiro dado pela CNCCR foi de 38 mil euros. “I República na Génese da Banda Desenhada e no Olhar do Século XXI” é a exposição central do Festival. A imagem desta edição foi feita por Richard Câmara, autor que é também responsável pela reinvenção de “Quim e Manecas”, de Stuart de Carvalhais. Para além das várias exposições dedicadas à Banda Desenhada, no decorrer do certame será ainda editado um álbum sobre a história da I República, intitulado “É de noite que faço as perguntas”, de David Soares com ilustrações de Richard Câmara, André Coelho, Daniel Silvestre Silva, Jorge Coelho e João Maio Pinto. O núcleo central do Festival, que este ano celebra 21 anos, volta a ser no Fórum Luís de Camões, na Brandoa. Mas a nona arte espalha-se, uma vez mais, com diversas exposições por vários locais da Amadora. Assim a Galeria Municipal Artur Bual, a Casa Roque Gameiro, os Recreios da Amadora e o Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem terão núcleos expositivos. Este ano, será ainda alargado ao espaço comercial Dolce Vita Tejo, com uma exposição na Kidzania. Os bilhetes custam 3 euros, sendo gratuito até aos 12 anos. Há ainda descontos para escolas, que pagam apenas 5 euros por turma. Os estabelecimentos de ensino da Amadora têm entrada gratuita. O Festival abre portas todos os dias às 10h00. Dias úteis, domingos e feriados encerra às 20h00, às sextas e sábados encerra às 23h00. A organização está à espera de alcançar o mesmo número de visitantes do que no ano passado. “Em 2009, conseguimos ultrapassar a barreira dos 30 mil visitantes, com 31 mil e 200 entradas. É pelo menos essa afluência que esperamos ter este ano”, revela Nelson Dona. Longe vão os tempos em que o Festival de BD da Amadora que se realizava na mítica Fábrica da Cultura chegava a ter cerca de 34 mil visitantes por edição. Desde a mudança para outros locais da Amadora, o Festival começou a perder visitantes. “A conjuntura era outra, não existiam tantos Centros Comerciais, nem tanta oferta cultural na Grande Lisboa”, recorda Nelson Dona.
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Criar duas entradas principais no Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC): Uma na sede em Sintra e outra no LINEU – Centro de Estudos e Interpretação da Natureza, situado no Pisão de Baixo (em Alcabideche); organizar caminhos de visitação concentrados num espaço contido com programas distintos; dispor de seis núcleos de interpretação (Crismina, Abano, Biscaia, Cabo da Roca, Peninha e Adraga), oferecer percursos pedonais, cicláveis e equestres e uma gestão integrada em rede com monitorização da capacidade de suporte do território, é o que pretende fazer a Cascais Natura (CN) no PNSC. O objectivo da estratégia de visitação e interpretação, numa parceria que envolve a CN, as Câmaras de Cascais e de Sintra e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, foi apresentada na passada sexta-feira, na Peninha, por ocasião do Dia Aberto do Parque. Na ocasião, foi revelado que a aposta passa por disciplinar os acessos à área protegida com vista a preservar o seu espaço natural e a fauna. Este sistema, que já está a ser implementado como é visível através da actual regeneração das dunas do Guincho e da Crismina, está orçado em 3.6 milhões de euros que serão comparticipados em 50% com verbas do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional, 22,5% pelo Instituto Turismo de Portugal e o restante pela Câmara de Cascais. De acordo com João Melo, administrador da agência municipal, “pretende-se implementar um plano de visitação integrado num sistema de rede com base num centro de interpretação da natureza (LINEU) e em núcleos de interpretação específicos, com uma rede de equipamentos e infra-estruturas de apoio ao visitante”. O LINEU, espaço com 110 hectares, servirá como porta de entrada no parque. Situado na Quinta do Pisão de Baixo, próximo da Pedra Amarela, “será constituído por uma exposição interpretativa, espaços multimédia activos, percursos pedonais, observatório de faunas, oficinas, centro de estudos e biblioteca”, informou João Melo. “Os núcleos interpretativos serão dinamizados por privados empreendedores e devem seguir um protocolo de negócio, definido pelos parceiros (Cascais Natura) tal como um ‘franchising’”, disse João Melo, com os privados a serem responsáveis ainda pela sinalética informativa dos diferentes espaços. O concelho de Cascais terá três núcleos interpretativos: Crismina terá uma exposição interpretativa das dunas; Abano, uma exposição interpretativa vocacionada para fenómenos geológicos e a Biscaia (núcleo construído em terreno particular – pedreira abandonada) para a geomorfologia e observação da avifauna. No concelho de Sintra, haverá núcleos interpretativos no Cabo da Roca – dirigido a uma interpretação da paisagem e dinâmica da vegetação; na Peninha – interpretação vocacionada para a fauna e flora; na Adraga – para a paisagem dinâmica da vegetação. Nestes serviços, os visitantes vão ter acesso, além da exposição interpretativa, a espaços multimédia, percursos pedonais, miradouros virtuais e cafetarias de apoio. Em declarações ao JR, Maria de Jesus Fernandes, directora-adjunta do Departamento de Gestão das Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, disse que “este projecto é importante para ajudar à restituição das visitas no Parque. É uma alavanca que ajuda a reutilizar e potenciar a utilização deste património natural e edificado”. O primeiro núcleo interpretativo a estar disponível será o da Crismina. Tem a sua inauguração prevista para 5 de Junho de 2011 (Dia Mundial do Ambiente). “Os restantes serão inaugurados até ao final do próximo ano”, revelou João Melo ao JR.
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Autarcas reivindicam policiamento para evitar constrangimentos viários
A Assembleia de Freguesia de Queluz (AFQ) quer um reforço dos agentes da PSP ao nível do trânsito, para melhorar a circulação automóvel nas principais artérias. Em causa está, sobretudo, "o estacionamento abusivo" nas avenidas Elias Garcia, António Enes e Miguel Bombarda, onde nada escapa à fúria devoradora dos automobilistas: "Nas passadeiras de peões, à entrada e saída de curvas, em segunda fila". Um problema assumido por viaturas ligeiras e também por pesadas que efectuam as cargas e descargas, para os estabelecimentos comerciais da zona. Para colocar um ponto final na confusão, a AFQ preconiza que a Divisão de Trânsito da PSP esteja em permanência em Queluz "e assegure o cumprimento das regras de trânsito". A proposta da bancada socialista envolve o município e a Junta de Freguesia de Queluz, no sentido de efectuarem diligências que conduzam ao reforço de efectivos policiais. Uma situação que poderia pôr cobro à actual realidade de "falta de civismo e de total irresponsabilidade de muitos condutores que criam muitos obstáculos à circulação pedonal e automóvel, de forma reiterada e sem qualquer constrangimento, em flagrante infracção ao Código da Estrada, sem que a PSP actue e lhes venha a ser aplicada qualquer sanção". Classificando a circulação rodoviária na freguesia, em especial nas horas de ponta, como caótica, os autarcas de Queluz reconhecem que o problema resulta, em grande medida, da escassez de estacionamento. Mas, também acentuam que a falta de efectivos da PSP, cuja Divisão de Trânsito está sedeada em Agualva-Cacém, contribui para este caos rodoviário. Na mesma reunião da Assembleia de Freguesia, realizada em final de Setembro, os autarcas insurgiram-se, no entanto, contra a actuação da Polícia Municipal de Sintra (PMS) por ter multado, ‘a torto e a direito’, os moradores do Bairro de São Francisco que tinham os seus carros estacionados junto dos passeios. Em jeito de "nem tanto ao mar, nem tanto à terra", como diz o povo, os eleitos da freguesia de Queluz consideram que a PMS deve privilegiar a recolha de veículos em estado de abandono, para aumentar o número de lugares de estacionamento em áreas residenciais.
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Percurso dos medicamentos dentro do Garcia de Orta com maior controlo
O Hospital Garcia de Orta (HGO) reforçou as medidas de controlo no percurso dos medicamentos dentro da unidade até serem administrados aos utentes. A medida foi tomada na sequência do acidente que em Junho deste ano afectou duas crianças, uma de três anos e outra de 18 meses, com a troca de medicamentos enquanto realizavam um exame de diagnóstico no serviço de Otorrinolaringologia. Às apertadas regras de rotulagem dos medicamentos exigidas pelo Infarmed, a unidade de Almada acrescentou “uma medida proactiva que permite distinguir através de cores os selos externos e alertas relativos à administração do medicamento”, refere Ana França, directora clínica do HGO.Ao mesmo tempo foi reforçada a actuação dos grupos de trabalho que “observam todos os serviços para detectarem possíveis anomalias”, acrescenta. Estas medidas foram referidas pela directora clínica na conferência de imprensa, de terça- feira, onde foi apresentado o resultado do inquérito que apurou responsabilidades no acidente da troca do medicamento administrado às duas crianças. Apesar de considerar “exemplar” a competência profissional da médica e da técnica de audiologia envolvidas, o conselho de administração da unidade entendeu que foi “violado o dever de cuidado a que estavam adstritas no desempenho das suas funções”. A consequência foi a punição com penas de repreensão escritas, que passam a acompanhar o seu currículo. Questionado sobre a possibilidade dos familiares das duas crianças avançarem para tribunal, como aliás já foi aludido, o director do conselho de administração do HGO, Daniel Ferro, afirmou desconhecer que exista qualquer acção neste sentido. Decidido está que a unidade de Almada irá compensar as famílias por causa deste acidente. “Sempre dissemos que o hospital assumia a responsabilidade por estes acidentes. As famílias serão compensadas financeiramente ou através de serviços”, garante. Por agora o HGO aguarda que as famílias tomem uma decisão. Quanto ao estado de saúde das duas crianças, diz Ana França que o quadro está a evoluir favoravelmente. A mais velha que sofreu lesões no esófago, “está completamente recuperada” e a outra, com lesões ao nível do intestino, “ainda requer alguns cuidados”. Ambas estão a ser observadas dentro de uma periodicidade semanal.
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Campanha de angariação de fundos a favor do bairro
“Mais valia ter ficado na Pedreira, ao menos lá tinha companhia!”, atira Maria Luísa Veduias, de 86 anos, ao aperceber- se de que as condições (ou falta delas) do Bairro dos Navegadores, freguesia de Porto Salvo, é tema de conversa. “Este bairro não tem coisa nenhuma para as pessoas, por isso, fico em casa o dia todo”, queixa-se a idosa, sugerindo que “no mínimo, podiam mandar uma assistente social uma vez por semana para ver o que os velhotes precisam…”. Assim como está “é um inferno”, conclui, antes de seguir caminho para o seu lar. Quebrar este ciclo de isolamento é um dos objectivos que o Projecto Pobreza Zero pretende alcançar, nomeadamente através de apoio à criação de uma Universidade da Terceira Idade adaptada ao perfil do bairro, que é, reconhecidamente, um dos aglomerados do concelho onde há menos qualidade de vida para os seus moradores, que são perto de quatro mil, muitos dos quais oriundos do antigo bairro da Pedreira dos Húngaros. Ciente da precariedade que ali se vive em múltiplas áreas, apesar dos investimentos dos últimos anos – como o centro de convívio e o campo polidesportivo – os responsáveis do projecto Pobreza Zero, criado, em 2005, pela Oikos (ONG para o Desenvolvimento sedeada em Linda- a-Pastora), desafiaram, o ano passado, a agência In Events a juntar-se ao programa. O resultado foi o Pobreza Zero – Conceito Urbano, programa com um mês de duração – iniciou-se a 17 de Setembro e termina este domingo, Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza – durante o qual é realizado um conjunto de eventos de responsabilidade social para angariar fundos com fins solidários e de transformação social. O cartaz de iniciativas tem-se repartido entre festas em restaurante e discotecas e acções em bairros carenciados da região de Lisboa. No passado sábado, o projecto esteve no Bairro dos Navegadores e levou consigo alguns jovens actores (António Camelier e Tiago Teotónio Pereira), além do ex-jogador de futebol de praia Alan, em representação da academia que fundou como seu colega de goleadas Madjer. Para Joaquim Tavares, presidente da Associação de Moradores local, uma das entidades a abranger pelo Conceito Urbano, toda a ajuda é bem-vinda num bairro onde o que não falta são carências. “Faltam casas!”, começa por destacar o dirigente, dando o exemplo “agudo” de um T3 que acolhe três agregados familiares, num total de 16 pessoas. Os transportes são outro problema. “Um autocarro vem até ao bairro, mas só até às 20h30, outra carreira fica à entrada, a cerca de um quilómetro, obrigando as pessoas a caminhar ao sol e à chuva; agora vêm mais vezes porque há escola, mas no Verão chega-se a esperar mais do que uma hora”. A falta de uma sede condigna é outra desvantagem. A que existe é uma sala a que Joaquim Tavares chama, com ironia, multiusos: atravessa-se em meia dúzia de passos e serve de cozinha nos momentos festivos, armazém, escritório... Ao fundo, em pouco mais do que um cubículo, há um computador que não tem Internet porque é antigo e não há dinheiro para o actualizar. “Não recebemos nenhum subsídio”, explica o presidente, embora frisando que a câmara “sempre nos apoiou, mas não em subsídios”. Ainda assim, “com os mil e poucos euros que conseguimos juntar este ano levámos idosos a Sines, jovens às piscinas de Montemor, crianças ao Portugal dos Pequenitos (Coimbra)... E em Novembro queremos levar um grupo de mães solteiras ao Alqueva para passearem e adquirirem algumas noções de planeamento familiar”, diz Joaquim Tavares, adiantando, ainda, a intenção de criar um grupo de batuques e outro de capoeira. “Com um pequeno apoio, ou com a gestão do Centro de Convívio do bairro, sozinhos ou em parceria, muito mais faríamos”, garante, aludindo a uma questão polémica, ainda por resolver (ver caixa). Para já, no entanto, há muita animação no bairro: este fim-de-semana, decorre ali a Festa de Nossa Senhora da Paz, com a exibição de grupos de dança, batuques, e alguns cantores, além de muita cachupa, claro.
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Projecto Amadora Empreende ajuda jovens a criar a sua própria empresa
Para fomentar o emprego e em época de crise, a Câmara Municipal da Amadora (CMA) criou há três anos o projecto Amadora Empreende que ajuda jovens, mas também grupos minoritários, a criar o seu próprio negócio. Na segunda edição, que terminou em Setembro, das 174 candidaturas apresentadas, sete projectos chegaram à etapa final de criar uma empresa. A terceira edição prepara- se agora para arrancar com 41 ideias de negócio. Os candidatos que passaram à segunda fase da 3.ª edição do programa Amadora Empreende vão integrar um curso de formação para definir o seu plano financeiro e plano de negócios. Os nomes foram conhecidos na quinta-feira, dia 7 de Outubro, num evento onde foram também apresentados os projectos finalistas da 2.ª edição, que arrancou em 2009. Num total de 174 candidaturas apresentadas no ano passado, resultaram em sete projectos implementados e 11 em fase de implementação. “Era melhor termos 20 ou 30, mas sete já é uma vitória. Não vamos salvar o mundo, mas vamos permitir que estes projectos tenham esperança”, salientou a vereadora responsável pelo pelouro da Acção Social na CMA, Carla Tavares, durante a cerimónia que decorreu no Centro da Juventude da Brandoa. A responsável acrescentou ainda que em tempos difíceis, “pior do que não conseguir, é não tentar”, e prometeu um apoio de todos os parceiros no desenvolvimento dos seus projectos. Os sete projectos que estão já transformados em empresas serviram de exemplo para aqueles que vão dar início ao processo de formação e selecção levado a cabo pela autarquia, em parceria com o ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa), com o apoio da fundação Gulbenkian e do Dolce Vita Tejo. A terceira edição irá ter também a colaboração da Empresa Municipal Escola Intercultural das Profissões e do Desporto que se dedica à formação. Reparação de estores, soluções de electricidade e poupança de energia, um café que disponibiliza acesso à Internet, uma mercearia com produtos oriundos de África e da Europa, ateliês de artes plásticas para crianças e um projecto para recuperar a tradição de conceber vitrais, foram alguns dos projectos apresentados perante uma plateia de futuros empreendedores. No final estes jovens empresários puderam mostrar os seus produtos numa pequena exposição realizada no Centro da Juventude. O projecto Amadora Empreende divide-se no programa Quick destinado a jovens, entre os 18 e os 30 anos, e no programa “Quem não arrisca não Petisca”, destinado a população minoritária e muitas vezes excluída do mercado trabalho, como emigrantes, ex-presidiários e mulheres. Na segunda edição, a Câmara cedeu cinco lojas nos bairros sociais Casal da Mira (Brandoa) e Casal do Silva (Falagueira) e disponibilizou 14 ilhas na incubadora Quick, um espaço situado no Centro da Juventude da Brandoa, onde as empresas dispõem de um computador, fax e telefone. Na 1.ª edição do projecto Amadora Empreende foram criadas 20 empresas.