sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Escola preparada para os novos desafios

Ver edição completa Obras na Secundária Emídio Navarro inauguradas a propósito do centenário da República Novos laboratórios, oficinas e espaço desportivo, salas de aula remodeladas, corredores mais amplos e redesenho do espaço central exterior. Uma reestruturação capaz de fazer perder qualquer ex-aluno da Escola Secundária Emídio Navarro no seu interior. As “novas” instalações foram inauguradas a 5 de Outubro, no âmbito da iniciativa “100 escolas para 100 anos da República”, e contou com a presença do ministro da Economia Vieira da Silva. Do actual edifício, em funcionamento desde 1960, apenas a fachada principal se mantém. Mesmo assim, na lateral do mesmo foi construído um novo pavilhão que veio aumentar significativamente a área efectiva e permitiu a construção de um novo espaço de oficinas. A antiga área central da escola, antes ocupada por um campo de jogos em alcatrão, desapareceu e deu lugar a um espaço ladeado para futura área verde que dá acesso a um pavilhão desportivo com piso sintético e ao refeitório. “Tudo foi construído tendo em conta as condições acústicas, ambiente e poupança energética”, refere Luísa Beato, directora da Emídio Navarro. O investimento de 10 milhões de euros foi da responsabilidade da Parque Escolar e a obra durou cerca de três anos. “Foi um período que causou algum desconforto, mas com o esforço de todos foi possível cumprir sempre o plano lectivo”, afirma a professora. “Hoje temos condições para fazer melhor o que já fazíamos”, acrescenta. Entretanto, depois da obra acabada, a escola aguarda a instalação do equipamento para laboratórios e oficinas. O trabalho de requalificação deste estabelecimento de ensino foi ainda elogiado pelo vereador da Educação, António Matos, que lembrou que desde os 53 anos da sua fundação já ali estudaram 70 mil alunos, por isso “a Emídio Navarro é um contributo líquido para o desenvolvimento regional e mesmo do país”, e quem passou por lá “não esquece esta referência de qualidade no ensino”. No dia de comemoração do Centenário da República e em que os membros do Governo foram destacados para inaugurações de escolas de raiz e remodelações de outras, coube ao ministro da Economia Vieira da Silva estar presente na Escola Secundária Emídio Navarro, onde lembrou o esforço da República para a educação de um povo que, em 1910, atingia os 80 por cento de alfabetismo. A República trouxe quatro anos de ensino obrigatório e hoje essa obrigatoriedade chega ao 12.º ano. “O mundo anda muito depressa. Temos de olhar para os problemas à luz do século XXI”, comentava Vieira da Silva, ao mesmo tempo que destacava o trabalho de rejuvenescimento do espaço físico da Emídio Navarro. “Valeu a pena este investimento para criar melhores condições numa escola dinâmica, integrada na comunidade e com história na batalha pela igualdade de oportunidades”.

‘Uma nova fonte de esperança’

Ver edição completa Zona ribeirinha de Pedrouços acolhe Centro de Investigação da Fundação Champalimaud O Presidente da República classificou a entrada em funcionamento do Centro de Investigação da Fundação Champalimaud como um “marco importante” para o desenvolvimento do sistema científico português e uma “enorme fonte de esperança para milhões de pessoas”. “A entrada em funcionamento deste Centro de Investigação será um marco importante para o desenvolvimento do nosso sistema científico. Muito além disso, será uma enorme fonte de esperança para milhões de pessoas em todo o mundo”, afirmou o Chefe de Estado, na inauguração do Centro de Investigação da Fundação Champalimaud. Considerando a Fundação Champalimaud como “um exemplo de altruísmo cívico e empenho no bem comum”, Cavaco Silva referiu que o novo centro é uma “realização absolutamente notável” que deve ser motivo de orgulho para todos os portugueses. “As doenças malignas e as doenças do sistema nervoso são dois dos grandes flagelos da Humanidade. Portugal conta, a partir de hoje (5 de Outubro), com um centro que, em conjugação com outros que já possuímos, nos pode situar na vanguarda mundial da investigação biomédica”, sustentou. Por outro lado, acrescentou, o Centro de Investigação Champalimaud “será, indubitavelmente, um pólo de captação de talentos vindos de todo o mundo”, bem como “um pólo de fixação de investigadores portugueses”. “Todas as tarefas que o centro se propõe desempenhar serão, seguramente, cumpridas. Olhando o edifício, mais se reforça a convicção de que esta será uma casa de grandes feitos. A imponência da sua arquitectura reflecte bem a força de vontade do seu mentor, António Champalimaud, e o enorme empenho, merecedor da admiração de todos nós, da responsável por esta obra, a dra. Leonor Beleza”, afirmou Cavaco Silva. O edifício doCentro de Investigação Champalimaud vai receber o programa de neurociências em Janeiro, enquanto em Abril de 2011 entra em funcionamento a área clínica e a investigação do cancro, sobretudo de metástases. Segundo disse à agência Lusa a presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, previsivelmente em 2014 ou 2015 o complexo vai contar com uma área de internamento. No edifício A do complexo, na zona ribeirinha de Pedrouços, vão funcionar os centros de diagnóstico e de tratamento, nos pisos inferiores, e os laboratórios e os gabinetes dos investigadores, nos pisos superiores. Ao centro, há um jardim tropical. No edifício B está localizado um auditório, um centro de exposições, um restaurante e os escritórios da Fundação Champalimaud. Entre os dois edifícios uma ponte de vidro faz a ligação e há um passeio público. Da autoria do arquitecto indiano Charles Correa e orçado em 100 milhões de euros, o Centro de Investigação Champalimaud, com uma área de 50 mil metros quadrados, vai dedicar- se à investigação em neurociências e oncologia, contando para isso com centenas de médicos e investigadores nacionais e internacionais. O empresário António Champalimaud deixou parte da sua fortuna para a investigação médica, escolhendo a antiga ministra da Saúde para presidir à fundação com o mesmo nome.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CERCIAMA é exemplo na integração

Ver edição completa Secretária de Estado reconhece trabalho feito pela instituição Idália Moniz, secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, visitou as instalações da CERCIAMA, cooperativa de ensino e reabilitação, que se dedica ao apoio de pessoas com deficiência mental/multideficiência. No local, a responsável do Governo salientou o trabalho levado a cabo no terreno e aproveitou para anunciar a criação deuma aplicação informática que irá acabar com a duplicação de inscrições nas várias instituições. Idália Moniz deslocou-se às instalações da CERCIAMA, na quinta-feira, dia 30, onde ao longo da manhã pôde presenciar como é o dia-a-dia daquela instituição fundada há 34 anos. “Era um compromisso feito há já algum tempo”, justificou acrescentado gostar “de ver boas práticas e esta é uma instituição que trabalha com a comunidade, a base para que as respostas sejam sustentáveis”. Afirmando que “a CERCIAMA trabalha em estreita ligação com a comunidade, a escola e a autarquia”, a governante referiu também que “a escola é para todos e aqui há jovens que vão à escola, mas aqueles que, infelizmente, não podem, as aulas são dadas na instituição”. No que toca às listas de espera que afecta não só a CERCIAMA, mas como todas as instituições do concelho, a responsável adiantou que “não tem havido medidas de controlo daquelas que são as reais listas de espera porque tem havido muitas duplicações de inscrições. Estamos a trabalhar numa aplicação informática que fará a gestão por número de segurança social e não por nome”, adiantou. Embora não tenha adiantado prazos de entrada em funcionamento desta base de dados, a responsável considerou que assim que esteja disponível o sistema “impede a duplicação de nomes” nas listas das várias instituições, entrave para uma real avaliação do problema. A responsável do Governo foi acompanhada pelo presidente da Câmara da Amadora (CMA), Joaquim Raposo, e da restante direcção da CERCI. Idália Moniz teve a oportunidade de conhecer de perto as três valências da instituição, assim como as obras que estão a decorrer. A instituição está a construir um novo edifício, num terreno cedido pela autarquia, contíguo às actuais instalações. A ideia é dotar a unidade residencial com 24 novas camas, que se juntam às 24 já existentes. O projecto está orçado em cerca de 500 mil euros, e não será apoiado pelo Poder Central, “por uma melhor gestão financeira”, justificou Ana Brás, directora da CERCIAMA. A instituição presta apoio a 120 utentes, jovens e adultos portadores de multideficiência, distribuídos pelo centro de actividades ocupacionais, centro educacional e unidade residencial. Esta instituição oferece ainda actividades paralelas, nomeadamente, a hidroterapia e a hipoterapia.

LINHA DE CASCAIS Inovadora à nascença e hoje ‘desalinhada’ com o futuro

Ver edição completa 121 anos da via-férrea de Cascais assinalados com apresentação da obra ‘Os Comboios de Portugal’ Quem a vê hoje, parada no tempo, à espera de modernização e de novos destinos para onde partir, não reconhece a marca inovadora que teve a vários níveis. Falamos da Linha de Cascais que, na passada quinta-feira, completou 121 anos sobre a inauguração, a 30 de Setembro de 1889, dos primeiros 18 km desta “via-férrea única”, entre Cascais e Pedrouços. Uma longa história que dois ferroviários, um deles ainda no activo, se dispuseram a contar e ilustrar na colecção de cinco volumes “Os Comboios de Portugal”, cuja apresentação, realizada no Espaço Memórias dos Exílios, Estoril, serviu na perfeição para assinalar condignamente a efeméride. Lançado pela Editora Terra Mar, o conjunto de livros em questão é uma viagem no tempo dos caminhos-de-ferro portugueses até aos dias de hoje com paragens em todas as linhas criadas ou projectadas no país (incluindo as da Madeira e dos Açores), mostrando trajectos e paisagens envolventes, secções museológicas, obras de arte ferroviárias, eléctricos e ascensores… Sobre a Linha de Cascais, a sua diferenciação em relação às demais foi largamente evidenciada durante o evento, o qual contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, responsáveis da Terra Mar, bem como Rosa Gomes, ex-directora do Departamento de História e Museologia da CP, que se encarregou da apresentação da colectânea, com natural enfoque no volume IV e, mais concretamente, nas páginas dedicadas à vetusta linha aniversariante. A saber: a Linha de Cascais teve o privilégio de ser a primeira a ser electrificada em toda a rede ferroviária de Portugal (15 de Agosto de 1926); foi a primeira a acabar com a 3.ª classe nos comboios; e recebeu sinalização luminosa e bloqueio automático antes de qualquer outra linha. A paisagem foi e é outro factor marcante para a originalidade deste traçado entre Lisboa e Cascais. Como salientou o co-autor José Ribeiro da Silva, responsável pela recolha de informação e compilação dos textos – ainda hoje operador de revisão e venda da CP – “antes de ser construída entre Lisboa e Cascais já a sua paisagem era muito apreciada e publicamente elogiada pelos vários intelectuais da época que faziam regularmente esta viagem de vapor, especialmente ao fim-de-semana”. Faziam os que podiam, acrescentou Rosa Gomes, vincando que “na altura, a Linha de Cascais uniu uma região e permitiu aos lisboetas usufruírem da zona costeira, o que até então não era fácil”. Aliás, recuando mais no tempo e generalizando, pode dizer-se que com “a força do vapor começou a renovação europeia, com a locomotiva a puxar, trazendo a inovação tecnológica que vai alterar a vida e a mente de todos os povos”. Permitiu, por exemplo, “que o Homem se tornasse, outra vez, nómada, mas individualmente”, já que “até ao aparecimento do comboio pouca segurança havia nos transportes, que eram precários”. Para Manuel Ribeiro, que responde pelas fotografias da colectânea, o comboio entre Cascais e o Cais do Sodré foi bem mais do que um passeio, significou o início de uma carreira que chegaria a 2005, ano em que se reformou da CP. “Tenho um amor especial por esta linha, pois foi nela que comecei a trabalhar nos caminhos-de-ferro, ainda na antiga Sociedade do Estoril, primeiro como revisor, só por dois anos, depois como factor [venda de bilhetes] durante um ano, até que, finalmente, acabei por conseguir entrar no Gabinete de Relações Públicas, que era o que eu queria para conciliar com a minha profissão de raiz que era a de fotógrafo”, contou ao JR. Foram quase 25 anos de trabalho nesta função, com viagens por todo o país, de máquina a tiracolo. E, assim, “quando o José Ribeiro me convidou para ajudar na colecção não foi tão difícil a missão porque já tinha fotos de quase todas as linhas, tudo arrumado por pastas e temas…”. O resultado é uma obra vasta e valiosa em textos e imagens, um trabalho “corajoso”, como classificou Rosa Gomes, estendendo o mesmo adjectivo à editora.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A16 aquém das expectativas

Ver edição completa 23 mil carros circulam diariamente em vez dos 26 mil esperados Cascais, Sintra e o nó de Belas da CREL, viu circular, no primeiro ano de existência, menos três mil utentes por dia do que era esperado, o que se deve, segundo a concessionária, aos atrasos na conclusão da CRIL. Inaugurada a 30 de Setembro de 2009, a concessionária da A16, Ascendi, esperava por dia cerca de 26 mil utentes diários a circular na auto-estrada. Um ano depois, segundo a Ascendi, são apenas 23 mil os que diariamente circulam pela A16. Para a Ascendi a queda "apesar de tudo não muito significativa", pode dever-se à interrupção, durante quase dois meses, da circulação na CREL (Circular Regional Externa de Lisboa), após a queda de um talude, mas "principalmente ao atraso na abertura ao tráfego do troço Buraca-Pontinha da CRIL". A concessionária da A16 considera que este troço de via vai "revolucionar a distribuição de tráfego nos acessos a Lisboa garantindo então que a A16 se constitua verdadeira alternativa à A5 e ao IC19, nomeadamente para todo o tráfego que se dirige para as zonas oeste e central da cidade". No entanto, para os utilizadores da auto-estrada, o motivo pode prender-se com "os elevados custos das portagens". Rui Leitão, morador de Rio de Mouro, considera que "a auto- estrada é boa, facilitou muito os acessos, principalmente entre Cascais e Sintra, mas é cara". O utilizador de 39 anos, que trabalha na construção civil, usa "com frequência a A16 para o trabalho", mas considera que a estrada "não é alternativa ao IC19 (que liga Sintra e Lisboa), como se previa, que continua entupido". Também para Sofia Domingues, de 23 anos e residente em Cascais, "a estrada foi óptima para se chegar a Sintra e Mafra, de quem vai de Cascais, menos perigosa, mais rápida e sem trânsito". No entanto, para a jovem, que usa a auto-estrada "sempre que tem de ir a Sintra em trabalho", a A16 "não é cara, em comparação com a A5 (Auto- estrada Lisboa-Cascais)". "Na A5 pago 1,25 euros de portagem. Na A16 pago 0,90¤ e depois apanho o IC19", descreveu Sofia Domingues. A utilizadora admite que "quase compensa, para quem mora na zona de Alcabideche [junto à entrada da A16 em Cascais], ir para Lisboa pela A16 e depois apanhar o IC19". No entanto, Sofia Domingues continua a preferir a conjugação Marginal e A5 para chegar a Lisboa. A circulação nesta auto-estrada que abriu ao tráfego há um ano é paga em parte dos 23 quilómetros de extensão: nó de Sacotes-Telhal, 50 cêntimos; Idanha-IC16/CREL, 50 cêntimos; Ranholas-Linhó, 90 cêntimos. Com um investimento de 256 milhões de euros, a A16 divide-se entre IC16 do nó de Lourel ao nó da CREL, e IC30 entre Lourel e Alcabideche, articulando o IC19 e a A5, ligando Cascais e Sintra ao nó de Belas da CREL.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Cães de Vale Cavala esperam novos donos

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Canil ilegal vai mesmo fechar, mas resta saber qual o destino a dar aos animais O canil de Vale Cavala, na Charneca da Caparica, vai mesmo encerrar por ordem da Direcção-Geral de Veterinária DGV e agora é preciso dar um destino aos muitos cães que ali estavam. Um trabalho que parece não ser fácil e poderá envolver várias associações de protecção animal. Entretanto, há quem acuse a Câmara de Almada de não dar o tempo suficiente para a adopção dos cães e para o proprietário do canil vender alguns. A DGV esteve no Canil de Vale Cavala e, tal como o Jornal da Região adiantou na última edição, decidiu que este não reúne as condições de higiene necessárias e mandou encerrar o espaço. Mais, “queria que o proprietário encerrasse em 24 horas”, diz o vereador responsável pela Veterinária. Uma condição que Rui Jorge Martins não aceitou porque “é impossível dar destino a tantos cães de um dia para o outro”, assim sendo, “comprometemo-nos a conseguir um prazo mais alargado”. Ora também as associações de animais que entretanto se envolveram para ajudar a encontrar novos donos para este cães afirmam precisar de mais tempo. Falam em centenas de animais e pedem “pelo menos dois meses”, refere Patrícia Oliveira, membro do Grupo de Ajuda Animal DOVSKAPETS e uma das várias pessoas que na terça-feira levaram esta matéria à Assembleia Municipal de Almada. Algumas manifestaram mesmo o receio dos animais virem a ser abatidos no canil municipal. O vereador da Veterinária garante que os cães “não serão abatidos” e entende que “não é razoável manter os animais ali por mais dois meses”. “Mesmo que viesse a reunir condições de higiene aquele espaço nunca poderá ser licenciado para canil por estar muito próximo de casas”. No entanto, afirma que os serviços de veterinária da autarquia “vão colaborar com o proprietário”. Entretanto a Câmara vai proceder à limpeza do local, tal como ficou acordado com a DGV. Parte dos cães deverão ser vendidos por José Costa, proprietário do canil, e outros serão dados. Outra hipótese é encontrar novo terreno para instalar o canil. Mantendo este a sua criação de podengo nacional. Tal como José Costa já referiu ao Jornal da Região, apenas pretende continuar com esta espécie. Até porque “muitos dos animais do canil eram ali abandonados e era o sr. José que tratava deles e os vacinava”, afirma Patrícia Oliveira. O problema é mesmo “a falta de higiene”. Entretanto não foi possível saber, em concreto, o que pretende José Costa fazer. Para já reúne o apoio de associações animal e a garantia da Câmara para dar destino aos seus cães. Para já uma coisa é certa "precisamos de pessoas que queiram adoptar este animais", diz Patrícia Oliveira.

Empresas substituem jardineiros camarários

Ver edição completa Funcionários municipais ficam responsáveis por "pequenos trabalhos", acusa o sindicato A maioria dos jardins de Oeiras vão ser mantidos por empresas externas à autarquia, enquanto mais de 200 jardineiros camarários ficam responsáveis por "pequenos trabalhos", uma medida com dez anos, agora contestada pelo Sindicato de Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP). A Câmara de Oeiras aprovou o ‘outsourcing’ para a manutenção dos espaços verdes em sete das dez freguesias do concelho (apenas Algés, Carnaxide e Cruz Quebrada ficam de fora) num valor que, em cinco anos de trabalho, pode chegar aos 13,6 milhões de euros. Em declarações à agência Lusa, o coordenador sindical de Oeiras do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), Hélder Sá, criticou que a autarquia tenha escolhido "esconder" os jardineiros camarários em vez de os colocar a "tratar das grandes obras". Para o sindicalista, "os jardineiros andam escondidos, não se vêem nas grandes obras. Fazem pequenas manutenções dentro de áreas privativas da Câmara, nos serviços técnicos, tudo o que sejam grandes jardins do concelho, Parque dos Poetas, Quinta de Caxias, Quinta dos Sete Castelos são dados a empresas privadas". Hélder Sá afirmou que a autarquia tem mais de 200 jardineiros contratados e sublinhou que "deviam ser esses jardineiros a cuidar dos jardins de Oeiras". Para o coordenador sindical de Oeiras do SINTAP, "os jardineiros da Câmara são suficientes, mas mesmo que não fossem para a totalidade e em tempo inteiro, era possível irem rodando, já que a maior parte dos jardins de Oeiras têm rega automática, a relva não é aparada todos os dias e os arbustos também não são aparados todos os dias". "Numa altura em que só se fala na redução de despesa, a autarquia prefere contratar lá fora em vez de investir nos trabalhadores cá dentro. Tudo isto é gravoso para os cofres da Câmara Municipal", rematou Hélder Sá. Confrontado com a contestação do SINTAP pela Lusa, o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, avançou que a autarquia "tem uma carência de pelo menos mais 200 jardineiros" e que "é pela dificuldade e lentidão burocráticas no contrato de novos jardineiros que a manutenção é feita em ‘outsourcing’". Isaltino Morais "estranha" que "os sindicalistas afirmem que os seus trabalhadores não trabalham. Antes pelo contrário: são eles que estão a construir os jardins, a cuidar de três viveiros, a fazer as podas das árvores e a manutenção dos canteiros". O autarca considerou que "esses pequenos trabalhos não podem ser passados para o ‘outsourcing’ e os grandes para as empresas, isso sairia muito mais caro". Segundo o presidente da Câmara de Oeiras, o município recorre ao ‘outsourcing’ para a conservação dos jardins "há mais de 10 anos", porque é uma solução "mais barata", acrescentou a vereadora dos Espaços Verdes, Madalena Castro, avançando que a autarquia está a fazer um estudo para "compreender as vantagens desta medida". O executivo de Oeiras aprovou no início de Setembro a contratualização de empresas externas para a conservação dos espaços verdes, por cinco anos, em Oeiras Poente (cerca de 2 083 milhões de euros), Paço de Arcos e Caxias (cerca de 3 083 milhões de euros), nos Jardins do Marquês de Pombal (cerca de 362 mil euros) e dos jardins de Barcarena, Porto Salvo e Queijas (quase oito milhões de euros).