quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Metro ligeiro pode chegar a Algés e a Loures

Ver edição completa Em 2013 MetroBus vai ligar Reboleira ao Dolce Vita Tejo, num investimento de oito milhões de euros O MetroBus, projecto de um Metro Ligeiro de Superfície, sem carris e utilizando carruagens equipadas com pneus, com um traçado há muito defendido pela Câmara Municipal da Amadora (CMA), foi apresentado na semana passada, numa cerimónia onde esteve presente o secretário de Estado dos Transportes que aplaudiu a iniciativa camarária. Este meio de transporte ligará a estação da CP da Reboleira ao Centro Comercial Dolce Vita Tejo em 2013 e chegará a Odivelas em 2015. Mas, o presidente da Câmara, Joaquim Raposo, quer que a ligação se estenda a Loures (Norte) e a Algés (Sul). Na primeira fase, o projecto está orçado em 8 milhões de euros. A fatia maior do investimento, cerca de 4,5 milhões de euros, é suportada pela Chamartin, empresa que gere o Centro Comercial Dolce Vita Tejo, sendo o valor restante apoiado por fundos comunitários, através de uma candidatura apresentada pela CMA. O MetroBus fará a ligação entre o futuro interface da CP/Metropolitano da Reboleira e o Dolce Vita Tejo, atravessando as freguesias da Venda Nova, Falagueira (estação de metro Amadora-Este), Mina, São Brás e Brandoa. Numa segunda fase, em 2015, prevê-se a extensão da linha do referido centro comercial à estação de Metro de Odivelas, num investimento de 15 milhões de euros. De acordo com a apresentação feita, na terça-feira, dia 22, esta solução “é mais amiga do ambiente porque, a tracção motora é eléctrica o que irá reduzir o consumo de CO2”. Dispõe de rodados com pneus de borracha, o que permite “uma maior flexibilidade e mobilidade”, tornando as “viaturas mais silenciosas”. O MetroBus tem prevista uma utilização diária de cerca de 2500 utentes, num percurso que terá 7 quilómetros, servindo uma população de cerca de 45 mil habitantes. Embora ainda não esteja estabelecido nenhum preço para os bilhetes, o presidente da CMA, Joaquim Raposo adianta dois objectivos: “Queremos que seja barato para uma maior adesão” e que “possa vir a fazer parte do sistema de bilhetes da rede de transportes de Lisboa”. O Metro Ligeiro de Superfície há muito que é defendido pela Câmara da Amadora e chegou mesmo a ser apresentado com a ligação a Algés e a Loures, assim como, de Queluz a Santa Apolónia. No entanto, por falta de financiamento por parte do Estado, a autarquia teve de abandonar o projecto. Agora Joaquim Raposo defende que seja retomado o projecto inicial. “Não abandonei a ideia da concretização de uma terceira fase do projecto que terá de começar em Algés e terminar em Loures”, defendeu o autarca apelando ao apoio do secretário de Estado dos Transportes, Carlos Correia da Fonseca, que esteve presente na cerimónia de apresentação do projecto MetroBus. O responsável do Governo considerou tratar-se de um projecto inovador por ser um “veículo com uma filosofia ferroviária mas que custa um terço, tem grande flexibilidade e é um meio limpo em termos energéticos”. Carlos Correia da Fonseca salientou ainda a importância da parceria entre a autarquia e o investimento privado: “Vamos tentar que este seja um caso de sucesso que sirva de exemplo para o resto do país”. O secretário de Estado dos Transportes referiu também que “projectos deste género serão sempre apoiados pelo governo”, e salientou: “não representam nenhum gasto do orçamento de estado”. Interface no Dolce Vita Tejo Em 2013, o Dolce Vita Tejo passa a estar ligado através do MetroBus à estação da CP da Reboleira, cujo prolongamento da linha Azul do Metropolitano de Lisboa está em fase final e deverá entrar em funcionamento no próximo ano.Em2015, ficará feita a ligação do MetroBus à estação de Metro de Odivelas (linha Amarela). Joaquim Raposo lembrou ainda que o Centro Comercial dispõe de 9mil lugares de estacionamento para receber um interface de transportes públicos. “Quando o projecto do centro comercial foi lançado as exigências da Câmara da Amadora de construir 9 mil lugares de estacionamento pareciam absurdas, mas exigimos para podermos criar aqui um interface”, lembrou o autarca. De resto, os moradores do Casal da Mira há muito que se queixam da falta de transportes. Há uma carreira que faz a ligação do bairro ao Colégio Militar, mas é demorada. “Estamos isolados aqui no bairro, onde quer que vá tenho que apanhar dois transportes que ainda para mais são caros, demorados e pouco regulares”, queixa-se Ana Neves, moradora no Casal da Mira, bairro situado nas imediações do centro comercial. “O novo transporte muito importante para a zona norte do concelho. Espero é que seja acessível a todas as pessoas”, considera Maria Almeida, moradora na urbanização do Moinho do Guizo.

Escola sem funcionários

Ver edição completa EB2,3 António Pereira Coutinho debate-se com falta de auxiliares de acção educativa “É uma vergonha”. As críticas são provenientes de pais que aguardam à porta da Escola EB2,3 Prof. António Pereira Coutinho (sede do Agrupamento de Escolas de Cascais) que o estabelecimento de ensino reúna as condições mínimas para garantir a segurança, vigilância e eficiência no apoio aos cerca de 700 alunos que a frequentam. Uma situação que, só a partir desta quinta-feira, com diligências junto do centro de emprego, poderá ter um epílogo feliz. A escola tem cerca de 700 alunos, dos quais 28 têm necessidades especiais, mas na segunda-feira passada apenas estavam ao serviço três auxiliares e dois funcionários na cantina para assegurar os almoços. Em vez de melhorar a situação, em relação a sexta-feira, ocasião em que os encarregados de educação se concentraram pela primeira vez junto ao portão, com a escola sem funcionar, o número de auxiliares baixou de quatro para três funcionários. O diálogo prossegue entre uma recém-nomeada comissão de pais (que substituiu a demissionária associação de pais) e a direcção da António Pereira Coutinho. Mas, a última palavra e decisão final de disponibilizar mais auxiliares depende da DREL (Direcção Regional de Educação de Lisboa). E essa tarda em chegar para resolver uma situação que remonta ao início do corrente ano lectivo, conforme contou ao JR Sónia Esteves. “O início do ano já começou com os problemas. Os miúdos não têm ninguém para os acompanhar. Há filas intermináveis para os almoços. Houve funcionários que entraram de baixa. Há outros que só saem às 8h00 da noite de rastos. São as salas e as casas de banho que precisam de ser limpas. Estão a tirar daqui funcionários para outras escolas do mesmo agrupamento”, lamentou esta encarregada de educação. Na passada sexta-feira, Ana Filipe, da comissão de pais, pediu calma aos pais e salientou que “a direcção da escola tem as melhores intenções para resolver os problemas”. “As coisas não podem ser levadas nem com gritos, nem com peixeiradas”, frisou. “Aquilo que está proposto à DREL é ser facultado à escola uns quantos funcionários”. Mas, “ainda não está nada decidido”, respondeu a encarregada de educação a um dos pais que a abordou. “Neste momento”, adiantou na altura, “não nos parece que haja condições para a escola funcionar. Aquilo que foi oferecido não garante o funcionamento da escola”, disse, acrescentando que “temos muitos auxiliares em baixa e outra funcionária que está grávida. A situação agravou-se porque o pessoal tentou dar resposta com os meios que tinham e não conseguiram. Se os recursos eram poucos, então agora diminuíram". Na passada segunda-feira, eram esperadas melhores condições. Mas não chegaram, sendo agora remetidas novidades para esta quinta-feira, com a eventual disponibilização de funcionários resultantes das diligências no centro de emprego. Depois de reunir com a direcção, Ana Filipe disse aos pais que o assunto continuava a ser tratado. Esta responsável informou que “vamos fazer uma exposição por escrito aos responsável da DREL e entrar em contacto com uma série de parceiros como o pelouro da Educação da Câmara de Cascais, uma vez que as pessoas responsáveis pela situação não conseguem dar uma resposta”. “A escola precisa de 15 funcionários e só tem três ou quatro”, lamentou esta responsável. Mas, frisou, “a escola tem 718 alunos, são 718 pessoas em permanente agitação, brincadeira e a escola não pode continuar a funcionar nestas condições”. Ana Filipe frisa que, “neste momento, se algum aluno caísse, não haveria ninguém para o levar ao hospital. A escola não está fechada, está interditada e as faltas estão justificadas. Imaginem o que são 718 alunos a utilizar as casas de banho sem funcionários para limpar, e os alunos do ensino especial a andar à balda porque não há quem os leve às salas de aula e à casa de banho”. Entretanto, a vereadora da Educação da Câmara de Cascais vai receber, esta quarta-feira, a comissão de pais. Em declarações ao JR, Ana Clara Justino revelou que conhece "o problema da escola mas tenho zero oportunidades para o resolver. O Ministério demora meses para pagar o que quer que seja. Considero que a melhor solução seria a descentralização de certas competências, como a possibilidade de os agrupamentos fazerem contratações. Enquanto autarquia, estamos preocupados”.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mais 604 fogos na Quinta das Flores

Ver edição completa Empreendimento imobiliário projectado para os limites das freguesias de Agualva e Massamá Na fronteira das freguesias de Agualva e Massamá, poderá vir a nascer mais um empreendimento imobiliário, o Quinta das Flores Residence, da empresa Pimenta e Rendeiro. Durante um mês, entre 25 de Agosto e 28 de Setembro, esteve em curso a consulta pública no âmbito da avaliação de impacte ambiental do empreendimento. O processo podia ser consultado, durante este período, nas juntas de freguesia de Agualva e de Massamá e na Câmara de Sintra. Abrangendo uma área de 12,1 hectares, predominantemente na freguesia de Agualva e apenas "marginalmente" na de Massamá, mas muito mais próximo desta freguesia, o loteamento urbano contempla a construção de 16 lotes residenciais, com edifícios de quatro a sete pisos, com um total de 604 fogos. Segundo o resumo não técnico em avaliação, o empreendimento Quinta das Flores Residence deverá ser habitado por cerca de 1815 pessoas. "Os dois lotes de maior dimensão incluem, para além da ocupação habitacional, áreas destinadas a comércio e serviços, prevendo-se 18 unidades comerciais dentro do loteamento", revela o documento. Um dos lotes, com 8062 m2, destina-se a equipamento colectivo e serviços,com o empreendimento a contemplar, ainda, 1,4 ha para espaços verdes e de utilização colectiva e 3,4 ha de espaços verdes de enquadramento. Situado junto ao futuro Parque Natural e Cultural de Colaride, a área do empreendimento é atravessada pela ribeira do Serrado da Bica, que será atravessada, por sua vez, pela rede viária prevista que vai assegurar a "ligação à Rua Direita de Massamá, ao centro de Massamá e, indirectamente, ao IC19 e à CREL".O projecto prevê a criação de 1211 lugares de estacionamento. O presidente da Junta de Freguesia de Massamá, José Pedro Matias, não esconde alguma preocupação quanto a este loteamento, apesar de reconhecer "os interesses e expectativas por parte do proprietário do terreno". A preocupação assenta sobretudo "em relação à densidade de ocupação" num espaço situado junto ao futuro Parque Natural e Cultural de Colaride, "para o qual existe um compromisso por parte do Câmara, na sequência de movimentos de entidades preocupadas com o ambiente". José Pedro Matias está, aliás, empenhado em preservar uma pedreira que existe nas imediações do terreno abrangido pelo referido loteamento. "Estamos a trabalhar com uma professora da Escola Secundária Stuart Carvalhais para preservar aquela área, porque existem ali terrenos com importância em termos geológicos", salientou o autarca. Mas, as reservas maiores incidem nas consequências de um maior fluxo de tráfego a dirigir- se para o IC19 através da rede viária da freguesia. "Vai complicar, seriamente, os acessos ao IC19", alude José Pedro Matias, que faz votos que, a ser viabilizado, o empreendimento apenas avance quando for uma realidade a Circular Nascente ao Cacém. Também preocupado está o autarca de Agualva, Rui Castelhano, mas que remete uma posição formal para a reunião do executivo da junta de freguesia, que estava agendada para esta segunda-feira, já depois do fecho desta edição.Mas, sempre ressalvou que "há um conjunto significativo de assuntos que nos preocupam, em que o principal tem a ver com o índice volumétrico de construção associado à urbanização". Rui Castelhano não esconde que preferia que aquela zona "não fosse urbanizada ou fosse bem urbanizada", admitindo a existência de constrangimentos, por exemplo, ao nível da circulação automóvel. Quem condena em absoluto o projecto urbanístico é o Bloco de Esquerda de Sintra, que distribuiu mesmo um folheto à população a acenar com as consequências que vão resultar do novo bairro, nomeadamente "mais 1800 habitantes numa zona com centros de saúde e escolas sobrelotados", "aumento da utilização dos comboios e do IC19" e "mais trânsito em localidades onde a mobilidade já não é fácil". Para o BE de Sintra, "mais nenhuma urbanização deve ser autorizada no corredor urbano Queluz/Portela de Sintra" e o projecto em apreciação "mostra bem a necessidade da revisão imediata e célere do Plano Director Municipal, bem como de uma moratória à construção até à conclusão do processo".

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Canil de Vale Cavala indigna populares

Ver edição completa Moradores acusam perigo para a saúde pública e exigem urgente tomada de medidas A falta de higiene no canil de Vale Cavala, na Charneca da Caparica, está a gerar uma onda de protesto por parte de alguns moradores da freguesia que convocaram para este sábado, dia 25, uma concentração que irá rumar ao local para denunciar publicamente a situação. A existência deste canil é do conhecimento da Câmara de Almada e já foi participada à Direcção-Geral de Veterinária (DGV). “Temos a confirmação, ainda que informal, de que a DGV vai notificar o proprietário do canil para o encerrar”, adianta Rui Jorge Martins, vereador responsável pelo pelouro da Veterinária. Entretanto o deputado da Assembleia Municipal de Almada pelo Bloco de Esquerda, Luís Filipe, pretende que situações destas não se repitam e já contactou o partido para que na Assembleia da República questione o Ministro da Agricultura sobre o funcionamento da Direcção Regional dos Serviços de Veterinária de Lisboa e Vale do Tejo. “Tem de haver uma fiscalização efectiva sobre as condições de higiene nestes de espaços”, refere. “Este é um caso que vem alertar para a deficiente estrutura veterinária”. “Uma vez que a Câmara de Almada diz não poder agir”, acrescenta. E de facto o vereador Rui Jorge Martins afirma que a autarquia “não pode intervir em espaços privados”, embora tenha verificado que o canil de Vale Cavala “é ilegal e não cumpre as exigências necessárias para ser legalizado”, pelo que, “tem de ser fechado”. Ora é isso mesmo que pretende Helena Fraga uma das residentes que conhece o canil e denuncia a “falta de higiene” daquele espaço.Durante a semana passada, conjuntamente com várias pessoas esteve no local, onde fotografaram as condições em que e encontram os animais, e diz ter ficado “chocada”. “Há lixo e comida podre pelo chão que atrai imensas ratazanas”, conta Helena Fraga, envolvida na organização da manifestação do próximo sábado. “Não podemos ficar de braços cruzados depois de vermos como os cães ali vivem”. Animais que “são criados para serem vendidos para a caça”, acrescenta. Aliás, o próprio proprietário do canil, José Costa, confirma que cria cães para esta actividade. “Alguns dou, outros vendo”, mas não corrobora que estejam em más condições de higiene. “Pelo menos, de dois em dois dias limpo o canil e substituo a comida”, afirma. Quanto ao controlo sanitário dos animais, garante que “todos têm as vacinas em dia”. Contudo, José Costa admite que os 76 anos já lhe pesam e não é fácil fazer a manutenção do canil. “Estou a dar os cães e só vou ficar com alguns podengos portugueses”, raça de que diz ser um dos “principais criadores do país”. Ao mesmo tempo reitera: “Nenhum dos meus cães está maltratado”. Mais do que isso, garante: “Se me tirarem os meus podengos acabam-me com a vida”. Com a ordem da DGV para encerrar o canil colocam-se entretanto duas questões. Uma delas é a sobrevivência financeira de José Costa, curiosamente uma das figuras emblemáticas da freguesia pelo seu passado desportivo, como ciclista, e a outra qual o destino a dar aos cães. Ao mesmo tempo que afirma que aquele canil não pode continuar nas condições em que está, o deputado Luís Filipe também alerta para a subsistência financeira do seu proprietário, caso perca o rendimento da venda dos cães.Outra questão é o futuro dos animais. Segundo o vereador Rui Jorge Martins “está fora de questão abater os cães”. O que deverá acontecer é o canil municipal “acolher os animais até que estes sejam adoptados”. Entretanto a Câmara aguarda indicação formal da DGV para encerrar o canil. “Vamos actuar conforme formos solicitados” por este organismo.

PAÇO DE ARCOS - Ponto negro na paisagem

Ver edição completa Junto à Avenida Marginal, terreno está votado ao abandono com lixo e em jeito de matagal É um mau cartão de visita para Paço de Arcos. Mesmo à entrada desta freguesia, para quem vem na Marginal, sentido Lisboa-Oeiras, há um troço de espaço público que não faz jus ao jardim municipal que se lhe segue, nem ao largo que o antecede (Praça Guilherme Gomes Fernandes), ou sequer à própria localidade, em geral, aprumada e convidativa. Ao longo de algumas dezenas de metros, salta à vista lixo diverso, uma barreira metálica pelo chão, arbustos próprios de matagal, restos de uma horta com aparência de há muito ter sido abandonada, tal como uma casa de função (onde viveu a família de um ex-funcionário da empresa Estradas de Portugal).A“cereja no bolo” é um pequeno edifício de aspecto clássico, de janelas e porta emparedadas, telhado a cair, e muitas garrafas vazias em toda a volta. O conjunto fica situado entre a Marginal e um empreendimento residencial, cujos moradores e comerciantes convivem há muito com este cenário, no mínimo, deprimente. “Esta coisa horrorosa acho que era um pombal”, diz Maria da Piedade, que ali habita há ano e meio, referindo-se ao imóvel em ruínas, o qual “parece poder cair a qualquer momento”. Apesar disso, é esse o ponto de encontro para a “malta da copofonia”, segundo referiu ao JR outra moradora, revelando que a horta era cultivada por um indivíduo de ascendência asiática, dono de um restaurante situado ali perto. “Até estava bonita, com beringelas, alfaces e tudo, mas tem estado ao abandono, entretanto”. Naturalmente, o pátio da urbanização também se ressente do mau aspecto em frente. Que também não combina nada com um prédio habitacional que até tem piscina no topo e uma vista espectacular para o rio Tejo. Desde que não se olhe para baixo... Nuno Campilho, presidente da Junta de Freguesia de Paço de Arcos, esclareceu ao JR que o terreno em questão pertence à Estradas de Portugal. “Tenho tido o cuidado de ir pedindo à Câmara de Oeiras para lá ir recolher o lixo maior”, diz o autarca, confirmando que o edifício antigo (o tal “pombal”) foi sendo, segundo se conta, utilizado como albergue para delinquentes, razão pela qual foi emparedado. “Estive lá há pouco tempo e, por coincidência, encontrei um funcionário da Estradas de Portugal a fazer a avaliação do terreno com vista à sua colocação em hasta pública”. Um dado positivo, segundo frisou Nuno Campilho, considerando como provável que a Câmara de Oeiras tenha direito de preferência na sua compra. “É um assunto que ultrapassa a Junta e a própria Câmara, mas gostaríamos muito que essa faixa de território viesse a reverter para a autarquia, de maneira a que fosse possível fazer a sua requalificação enquanto espaço verde ou passeio pedonal”, salientou ao JR.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PARQUE CENTRAL - Reformados asseguram vigilância nocturna

Ver edição completa ‘Patrulheiros’ zelam pelo espaço evitando actos de vandalismo. No fim do mês garantem ‘um complemento’ às magras reformas Arrancou no início de Agosto, no Parque Central, junto à estação da CP da Amadora, onde existem novos equipamentos infantis e um lago, um patrulhamento nocturno feito por reformados, tal como já acontece durante o dia em frente às escolas e em outros parques do concelho. Até agora, os “Patrulheiros Nocturnos” tiveram “pouco trabalho”, garante um deles, assegurando que as noites “têm sido tranquilas”. Américo Vilas, 66 anos, faz parte da equipa de dois “Patrulheiros”, ambos reformados que desde o início de Agosto começaram a efectuar a vigilância do Parque Central. Andam sempre juntos e conforme descreve Américo Vilas, “até agora não houve grandes incidentes, excepto quando alguém tenta tomar banho no lago”. No entanto, Américo adianta que através da palavra consegue dissuadir os actos de vandalismo. “Desde que aqui chegámos que a segurança no Parque melhorou muito, isto está muito mais sossegado”, garante. Enquanto Américo vai falando, o seu colega por seu turno, diz que não dá entrevistas e explica que “não somos nenhuns heróis, entende?”. Mas sem receio, Américo vai falando do seu trabalho. “O Jardim está muito melhor desde que começámos e vigiá- lo e até há quem venha para aqui passear depois das 20h00 quando nós chegamos, o que não acontecia anteriormente porque as pessoas tinham medo”, conta. Mas apesar de ter orgulho no seu trabalho, admite “não ser fácil deixar a família à noite para patrulhar o parque”, e acrescenta que “é um trabalho duro, mas a reforma de 500 euros não chega para fazer face às despesas, o nível de vida está cada vez mais caro”. Recorda que quando trabalhava, enquanto chefe de equipa na montagem de andaimes, “fazia muitas horas extraordinárias que eram pagas à parte”. Assim, quando se reformou há dois anos viu o seu rendimento ser reduzido para cerca de metade. Amor ao trabalho O patrulhamento do Parque Central veio a calhar, dando-lhe um vencimento de cerca de 600 euros, que acresce ao da reforma. Apesar das noites serem passadas em branco garante que “compensa o esforço e até já vamos ganhando amor ao trabalho”. Diz ver todos os dias casalinhos no Parque e desde que não perturbem o seu funcionamento, garante não se intrometer. “Para chamar a atenção basta falar com as pessoas sem faltar ao respeito, mas quando as coisas se complicam chama-se a polícia é para isso que eles servem”, assegura. Quanto ao facto de não se verem polícias no Parque, garante que “não é necessário, basta que apareçam quando são chamados”. Lembra as duas vezes que aconteceu desde o início de Agosto: “A primeira vez foi por causa de uma rixa entre jovens brasileiros, na outra foi uma família cigana que tentou tomar banho no lago”. Tirando esses casos pontuais garante que “o parque é tranquilo” e o seu trabalho ajuda a manter essa tranquilidade. “Basta aparecermos”, acrescenta. Reformados mais ocupados Os “Patrulheiros” ajudam as crianças a atravessar as passadeiras junto às escolas e garantem a segurança nos parques e jardins do concelho. Trata-se de um projecto criado pela Câmara Municipal da Amadora (CMA) em 1998, destinado a ocupar o tempo livre da população reformada e é uma forma de garantir alguma segurança nestes locais. Os “Patrulheiros” desempenham uma acção de sensibilização junto das populações. Este ano a autarquia alargou a iniciativa ao período nocturno no renovado Parque Central, entre as 20h00 e as 6h30. Ao todo são 48 reformados que vêem assim o tempo ocupado, junto às escolas e Parques do concelho e agora também durante a noite. “A ideia é ter uma primeira experiência no Parque Central onde existem muitos equipamentos e é frequentado por muitas pessoas mesmo à noite, para depois alargar a outros locais”, garante o vereador responsável pelos Espaços Verdes, na CMA, Gabriel Oliveira. Ao todo o projecto dos “Patrulheiros” ronda um investimento de cerca de 128 mil euros, por parte da autarquia. A verba, gerida pela Associação de Solidariedade Social de Reformados Pensionistas e Idosos da Mina (ASSORPIM), destina-se a efectuar o pagamento de um complemento às suas reformas, rondando os 300 e 600 euros.

COSTA DO ESTORIL - Bicicletas regressam ao passeio marítimo

Ver edição completa Corredor ciclável será inaugurado esta quarta-feira, durante a Semana da Mobilidade A partir desta quarta-feira, dia 22, já é possível a circulação de bicicletas no Paredão. O passeio marítimo que liga Cascais à praia da Azarujinha, em São João do Estoril, conta com um corredor ciclável, pintado na semana passada, que corresponde a uma faixa central com 2,20 m de largura, destinada à circulação de bicicletas, patins, trotinetas e meios afins. Os peões poderão circular de ambos os lados do “corredor ciclável”, em corredores com 2,50 m do lado do mar e um mínimo de 2,00 m de largura do lado oposto. A criação deste corredor permite, assim, o convívio entre ciclistas e peões em algumas partes do Paredão, mediante o respeito do regulamento aprovado e no horário criado para o efeito. De acordo com a autarquia, “na ‘época alta’, de 1 de Abril a 31deOutubro, não é permitida a circulação de bicicletas aos fins-de-semana e feriados, enquanto nos dias úteis será possível fazê-lo a partir das 18h00 e até às 10h00.Na‘época baixa’, de 1 de Novembro a 31 de Março, nos dias úteis, a circulação de bicicletas pode efectuar- se a qualquer hora, sendo que aos fins-de-semana e feriados só é possível fazê-lo entre as 18h00 e as 10h00”. Ciclistas criticam corredor Tendo em conta a existência de apoios de praia já instalados, o corredor ciclável apresenta-se dividido em quatro troços: entre o Escotilha Bar e Bar Baiuca – 270 m; entre o Bar Pica e o Jonas Bar – 480 m; entre os Bares do Tamariz e Restaurante Bolina – 190m; e entre o Restaurante Bolina e o Snack-Bar Surpresa – 290 m. Para uma melhor informação dos diferentes utilizadores, estão disponíveis painéis informativos no início e final de cada troço do corredor ciclável, onde constam as regras de utilização, o mapa e a explicação do grafismo utilizado na demarcação do corredor. No passado fim-de-semana, já houve quem pedalasse na ciclovia do Paredão ou andasse de patins ou segway. As maiores críticas chegaram da parte dos ciclistas que contestam as interrupções feitas no percurso. José Andrade fez o percurso da Praia da Poça até Cascais de bicicleta. Ficou surpreendido com o novo corredor ciclável. “Não estava à espera de encontrar uma ciclovia. Ia distraído. Acho bem fazerem este percurso, mas deveria ser sem interrupções”. A mesma opinião é partilhada por Pedro Machado: “A ciclovia está bem pensada. O problema é as paragens. Quando se anda de bicicleta, só se quer parar quando se chega ao fim e não aos bocejos”. Maria Augusta costuma caminhar ao final de tarde pelo Paredão, e considera que “a ideia da ciclovia parece- me muito bem. Cada um anda no seu lugar e acabam- se as razias. É mais seguro assim”. Solução mais segura Em declarações ao JR, o presidente da Câmara de Cascais disse que “a actual solução, designadamente a implementação de um corredor ciclável dividido em quatro troços, é fruto de um processo participado pelos interessados. Acreditamos que esta será a melhor opção para conciliar os interesses em jogo”. Sobre os critérios tidos em conta na distribuição dos espaços, o autarca adianta que “o critério principal foi delimitar áreas específicas para a circulação pedonal e em bicicleta, de modo a minimizar conflitos. Os peões têm dois espaços exclusivos – um corredor com 2,5 m do lado do mar e outro com uma largura mínima de 2 m do lado contrário.Os ciclistas têm um corredor com 2,20 m de largura, dividido em quatro troços devido a zonas onde a existência de apoios de praia não permite a sua implantação”. O Tamariz continua a ser a zona mais congestionada para a circulação das bicicletas. Aí, os ciclistas “não circularão.A zona é uma das áreas de circulação mista onde as bicicletas só circulam pela mão, pois, o espaço disponível não permitiu a implantação do corredor ciclável neste local”, adianta ainda o edil de Cascais.