quinta-feira, 15 de julho de 2010

Kitesurf assusta banhistas

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Modalidade radical motiva dezenas de queixas nas praias da Costa A prática de kitesurf entre a praia da Bela Vista e o Terminus (Fonte da Telha) está a gerar um sentimento de insegurança entre alguns banhistas. As queixas já chegaram aos nadadores-salvadores da Caparica Mar que já viram operações de salvamento atrasarem-se por causa das velas e cabos estendidos no areal. Nem mesmo os profissionais deste desporto radical aceitam que esta prática esteja a ser feita de forma desorganizada. Sábado, as praias a sul da Costa da Caparica voltaram a encher-se e, como começa a ser comum, banhistas e praticantes de kitesurf dividiram o areal e o mar. A uma súbita falta de vento, um dos praticantes não conseguiu segurar a vela que veio bater com estrondo na beira-mar, bem junto a uma mãe que acompanhava o filho. Esta protestou, o ‘kiter’ abastou-se uns metros e continuou. “Já fui interpelado por algumas pessoas na zona do Terminus por causa do ‘kite’”, diz o comandante da Caparica Mar. Segundo Luís Vitorino “ainda não foi registado qualquer acidente com banhistas por causa de um ‘kite’”, mas há “várias reclamações”. “As pessoas sentem-se inseguras”, acrescenta. E pelo meio surgem outros problemas. Conta o comandante da Caparica Mar que este domingo uma das moto-quatro ficou enleada nos cabos de um ‘kite’ quando acorria a uma emergência. “Até a nós estão a causar transtorno”, comenta. O Jornal da Região sabe que a Delegação Marítima da Trafaria está atenta a esta actividade nas praias, mas só pode agir caso os praticantes de kitesurf ocupem praias concessionadas, as restantes são consideradas de lazer livre e não são aconselhadas para uso balnear. No entanto, apesar dos agentes não proibirem este desporto radical nestes espaços, recomendam aos praticantes que o façam com o devido cuidado quando há banhistas. Verdadeiramente autorizada para a prática do kitesurf está a Praia Nova Vaga onde funcionam duas escolas legalizadas. Só que “os praticantes já são muitos e por vezes não conseguem ficar dentro desta área”, refere Gustavo Martins, um dos proprietários da Katavento. Mas esta parece ser apenas uma das causas dos ‘kiters’ acabarem perto dos banhistas, outra será os “instrutores sapateiros que não se preocupam em ensinar como deve proceder um praticante”, afirma. Aliás, Gustavo Martins denuncia existirem “escolas ilegais de kitesurf” ao longo da frente de praias a partir da Nova Vaga para sul, e é aqui surgem problemas. “Já falei com a Polícia Marítima para que multe os praticantes que vão para as praias concessionadas”, afirma o responsável da Katavento, que não quer ver o odioso cair sobre os praticantes desta modalidade por causa de quem transgride. Embora ainda não tenha recebido queixas por causa da prática de ‘kite’ nas praias da Costa da Caparica, o presidente da Junta de Freguesia afirma-se preocupado. Para António Neves estes praticantes deviam ficar-se pela zona que lhes está reservada, pelo que vai indagar da situação junto da Delegação Marítima. “As pessoas vão para a praia para se divertirem, não para estar sujeitas a uma série de riscos”, comenta.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Comunidade escolar contra mega-agrupamentos

Ver edição completa Agrupamento João de Deus promove abaixo-assinado contra decisão do Governo
A comunidade escolar de Cascais está contra a criação dos mega-agrupamentos que o Ministério da Educação (ME) quer introduzir a partir de Setembro, com vista a abranger todos os níveis de ensino, do Pré-escolar ao Ensino Secundário, para desenvolver um projecto educativo comum ao longo de toda a escolaridade obrigatória. Os mega-agrupamentos visam uma centralização da gestão administrativa e financeira. No primeiro ano, será eleita uma comissão administrativa provisória. Com esta mudança imposta pelo Ministério da Educação, é o estabelecimento de ensino secundário que vai liderar o agrupamento escolar. Professores e pais criticam esta fusão, considerando que vai gerar uma desordem pedagógica e administrativa. Em Cascais, já estão definidos dois mega-agrupamentos. São eles: o Agrupamento Secundária Ibn Mucana, que aglutina o Agrupamento João de Deus, e o Agrupamento Secundária de S. João que engloba o Agrupamento de S. João do Estoril. Em declarações ao JR, Carlos Silva, adjunto da direcção do Agrupamento João de Deus (Monte Estoril), disse que “com esta decisão, torna-se a gestão muito mais difícil. No nosso caso, estamos a falar de um grande número de escolas com vários níveis. São cinco ciclos de ensino diferentes. O nosso agrupamento já tem cerca de dois mil alunos e prevê-se que após esta fase, com a introdução da Ibn Mucana de Alcabideche, atinja os três mil alunos. Vai ser uma desordem pedagógica e administrativa”, sublinha este responsável. Fernando Carrusca, também responsável por aquele agrupamento escolar, salientou que “o que nos move é um serviço pedagógico de qualidade que poderá ficar em causa. Estamos num patamar qualitativo de sucesso escolar importante e estes resultados estão limitados à dimensão q.b. do agrupamento. Temos um conjunto de respostas que vão ao encontro da população que servimos. A questão de proximidade com os encarregados de educação parece uma mais-valia e com os mega-agrupamentos fica comprometida”. Isto porque, destaca, “todo o nosso projecto educativo assenta na proximidade. Esta fusão é uma coisa feita em cima do joelho contra tudo e contra todos”. Mega-agrupamentos contestados A decisão de criação dos mega-agrupamentos está a ser muito contestada. Fernando Carrusca revela que “o Conselho Nacional de Escolas já se pronunciou contra. A Direcção Nacional de Directores de Escola também está contra. Todos os directores dos agrupamentos e escolas do concelho estão contra. O mesmo acontece com os encarregados de educação deste agrupamento que recolheram cerca de 600 assinaturas (num universo de 850 alunos), num abaixo-assinado que entregaram na autarquia. Foi também entregue outro de professores e funcionários, com mais de 100 assinaturas. O que traduz 80% de adesão (o agrupamento é composto por 110 professores)”, referiu, destacando ainda que esta medida “é também um atropelo à Carta Educativa do Concelho de Cascais”. Câmara Municipal não concorda com fusão Entretanto, a Câmara Municipal de Cascais, em reunião com a Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DREL), também já manifestou o seu desacordo a qualquer proposta de novos agrupamentos, e, ainda por cima, com eficácia já a partir do início do próximo mês de Setembro. Em declarações ao JR, a vereadora da Educação disse que “o município apresentou-se disponível para constituir um grupo de trabalho com os agrupamentos e com as secundárias, a fim de construir uma nova distribuição de agrupamentos, apoiada na Carta Educativa que correspondesse a uma reflexão conjunta, garantindo para Setembro de 2011 uma proposta de reordenamento de rede para a globalidade do território, feita com coerência e tempo”. Ana Clara Justino pormenorizou que “a Câmara fez saber por escrito ao Ministério da Educação a sua posição e solicitou uma reunião urgente, ao mais alto nível com os responsáveis do Ministério da Educação e da DREL”, num encontro que, entretanto, estava agendado para esta terça-feira, com o secretário de Estado da Educação, João Mata.

Obras preocupam Quinta da Carreira

Ver edição completa Moradores reivindicam construção de rampas no âmbito da requalificação da estação de S. João
A Associação de Moradores da Quinta da Carreira (AMQC), emSão João do Estoril, está preocupada com o decurso das obras de reformulação das acessibilidades à estação ferroviária daquela localidade, por não contemplar rampas que permitam o acesso a ambas as margens e por considerar que a segurança do atravessamento, tal como está previsto, não está devidamente acautelada. O projecto, da autoria da Refer, tem como finalidade a supressão da última passagem de nível da Linha de Cascais. Os trabalhos, além de preverem uma rotunda descaída para o mar na zona da Marginal,p erto do centro de saúde, e uma requalificação dos espaços exteriores, assegura ainda duas acessibilidades pedonais, com escadas e ascensores, que funcionam independentemente do horário de funcionamento da estação. A alternativa das rampas não consta do projecto. Carlos Guimarães, presidente da direcção da AMQC, defende que deveriam ser feitas pequenas alterações”. “E se os elevadores variam?”, questionou. “A Quinta da Carreira é um bairro com quarenta anos. As primeiras pessoas que cá vivem são os avós da Quinta da Carreira, têm 60 ou mais anos e dificuldade na mobilidade. Deveriam ter sido introduzidas rampas. Veja-se o que existe na Estação do Estoril: há rampas e mesmo que não satisfaçam os limites legais de inclinação, o que é certo é que os deficientes com rampas ainda sobem, mas com escadas não. O que vai existir aqui é o que os moradores já apelidaram de ‘Muro do Capucho”’. Carlos Guimarães adianta que a AMQC já reuniu com a Refer e alertou a Câmara Municipal de Cascais para a situação. Ao JR, este responsável adianta que “já propusemos à Refer uma rampa de 90 metros, mas temos consciência que no local é difícil”. “Por outro lado, há o centro de saúde. Vejamos o que se passa com uma consulta de pediatria, com um recém-nascido. Há ali um muro”, lamenta este responsável. Carlos Guimarães revela que aRefer refugia-se “dizendo que tem um protocolo assumido com a Câmara de Cascais. O presidente da Câmara de Cascais, por seu turno, diz que não haverá rampas e a situação é irreversível. Consideramos que está a pôr-se à frente o interesse da Refer em detrimento do da população”. O porta-voz dos moradores da Quinta da Carreira critica ainda as actuais acessibilidades com o decorrer das obras. “Hoje,u ma pessoa de cadeira de rodas que chegue de comboio e pare em São João, no sentido Lisboa/Cascais, não consegue passar de um lado para o outro da estação,porque o acesso só é possível através das escadas da passagem superior”. Entretanto, frisa, “as obras da rotunda na Marginal, que foram anunciadas que iam decorrer em simultâneo com as da estação ferroviária, ainda não começaram”. Confrontado com a reivindicação de rampas em S. João, o presidente da Câmara de Cascais, António Capucho, disse ao JR que “a Refer recusa essa rampa, que não está conforme o exigido por lei”.

Sexualidade nas escolas em debate

Ver edição completa Docentes e profissionais de saúde discutem importância de uma educação sexual plena
A criação de uma “via verde” entre as escolas e os centros de saúde foi a medida defendida por Margarida Gaspar de Matos, psicóloga clínica, durante uma oficina sobre educação sexual nas escolas, que teve lugar na semana passada, na Academia Militar da Amadora. Uma iniciativa que teve também a participação do psiquiatra Daniel Sampaio e de Francisco George, director-geral da Saúde. ACâmara da Amadora, em parceria com a Direcção Regional de Saúde de Lisboa e a Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, organizou, entre os dias 8 e 9 de Julho, um ‘workshop’ subordinado ao tema “Educação sexual em meio escolar”. O Auditório da Academia Militar da Amadora recebeu centenas de profissionais ligados à área da saúde e da educação que debateram, ao longo dos dois dias, os vários temas relacionados com as questões da sexualidade na escola. Margarida Gaspar de Matos foi uma das oradoras e depois de ter apresentado um estudo sobre a sexualidade dos jovens e de ter ouvido as várias queixas apresentadas por docentes e profissionais de saúde sobre a abordagem das questões relacionadas com a sexualidade nas escolas, defendeu que “seria interessante pensarmos num protocolo entre as escolas e os centros de saúde para que a resposta seja directa aos problemas levantados pelos professores”, adiantou. Uma ideia que foi avançada depois de professores e alguns profissionais de saúde oriundos de vários concelho vizinhos da Amadora, que também marcaram presença nesta oficina, terem levando algumas questões relacionadas com a falta de informação e de formação nesta área. Francisco George, director-geral da Saúde, lembrou que “estamos num processo de transição de mudança de paradigma na saúde” e “temos 3 mil estabelecimentos de ensino, na Grande Lisboa, e apenas 22 unidades de saúde”. O responsável adiantou também que “cada uma das escolas terá que conhecer qual o seu interlocutor no Centro de Saúde da sua área”. Francisco George acrescentou que “devemos exigir informação e conhecimento”.
O pior é apenas ouvir Com o objectivo de fomentar a partilha e a discussão em torno desta temática, Daniel Sampaio, psiquiatra e professor catedrático, lembrou a importância da discussão das “reais dificuldades encontradas pelos professores na abordagem das questões da sexualidade na escola” e lembrou que “o pior método é colocar os alunos apenas a ouvir”. “Eu costumava dar palestras nas escolas e todos gostavam de ouvir, mas depois de ter realizado inquéritos sobre a minha exposição, apercebi-me que a minha mensagem não chegava aos jovens”. O psiquiatra referiu também a importância da educação sexual na escola e, citando alguns estudos, adiantou que “a educação sexual nas escolas adia a vida sexual activa dos jovens, aumenta o uso do preservativo e diminui as infecções sexualmente transmissíveis”. Daniel Sampaio acredita que a maioria dos pais está a favor da sexualidade das escolas e reconhece a existência de “uma minoria” que está contra, no entanto, diz “não ser expressiva”.

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA AMADORA - ‘Este é o mandato das mulheres’

Ver edição completa Maria Alcide Marques é a primeira a assumir direcção da corporação
Em funções há cerca de três meses, a nova direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Amadora (BVA) é dirigida por uma mulher. Maria Alcide Marques é a primeira a assumir estas funções na associação, fundada há 105 anos, e garante que “este é o mandato das mulheres”. Numa organização tradicionalmente dirigida por homens, como é o caso das corporações de Bombeiros, Maria Alcide Marques tornou-se na primeira mulher eleita para presidente dos BVA. A responsável refere que “neste momento já há muitas corporações de bombeiros dirigidas por mulheres”, em particular, “na área metropolitana de Lisboa”. O convite, para ser n.º 1 dos corpos sociais, surgiu depois de ter estado há vários anos ligada às anteriores direcções. Assegura que “é importante, por vezes, uma opinião de uma mulher” que muitas vezes “tem outra sensibilidade, chegando a outros locais que os homens não conseguem”. Mas, vai adiantado que o importante é “o trabalho em equipa, porque aqui todos têm uma função”. Quanto à sua curta experiência na presidência, garante que “tem sido muito positiva”. Tomou posse em Abril, mas garante que esta é uma “direcção de continuidade em relação à anterior”. Numa altura em que os bombeiros vivem a crise, tal como outras instituições, Maria Alcide não baixa os braços e promete encontrar soluções para a corporação. Crise também afecta corporação “O aumento do preço do gasóleo” é uma das preocupações da direcção, um agravamento que se junta ao facto de todo o equipamento ser “muito caro”. Isto, num concelho que embora seja pequeno em área, “tem muita população e é atravessado por vias muito procuradas por pessoas de outros concelhos, como é o caso do IC19 e, futuramente, da CRIL”. Ou seja, há apenas uma corporação para prestar assistência à cidade, cuja população ronda os 200 mil habitantes, mas que “diariamente recebe ainda muita pessoas em deslocações”, afirma. A associação tem cerca de 120 funcionários, entre bombeiros e administrativos, onde apenas 30 estão em regime exclusivo de voluntariado. Trata-se de quase uma centena de pessoas a quem é necessário garantir os ordenados. Mas mesmo assim, o comandante e vice-presidente da direcção, Mário Conde, assegura que “são necessários mais 35 bombeiros para fazerface às ocorrências na Amadora”. Acrescentando que “muitas vezes temos que pedir ajuda a outra corporações”. No entanto, a contratação de novos bombeiros, para já, está longe dos horizontes desta direcção, uma vez que “não há capacidade financeira”, explica ainda Mário Conde. Para fazer face às dificuldades, a associação organiza formações para empresas e escolas do concelho. “Neste momento estamos a dar formação a funcionários da autarquia e temos um protocolo com a Câmara para o movimento associativo”.
Dinamismo gera receitas A provar o dinamismo dos BVA está a afluência aos bailes, aos domingos à tarde, que se realizam no salão nobre da associação. “Há pessoas que vêm de vários locais da Grande Lisboa que vêm para ouvir os grupos musicais a actuar. Em média recebemos cerca de 250 pessoas, mas chegámos a ter perto de 700 pessoas.Uma actividade cujos lucros servem para comparar equipamento para os bombeiros”, explica Mário Conde. A envolver as escolas, a associação tem a decorrer os projectos “Bombeiro por um dia” e o “Bombeiro vai à escola”. Nas férias de Verão, a corporação abre portas aos jovens em idade escolar que durante as férias pretendam ocupar os tempos livres. “É também uma forma de atraí-los à instituição”, garante Alcide Marques. Também pela primeira vez, é uma mulher a exercer as funções de adjunta do Comando. Fátima Diogo, bombeira há 26 anos, diz que vem de “uma família de bombeiros”. Habituada a exercer funções ligadas ao comando diz que não ter notado “grandes diferenças” em relação às novas funções. O que leva a presidente a considerar este, “um mandato das mulheres”. Os Bombeiros Voluntários da Amadora foram criados, inicialmente, ainda o nome da localidade era Porcalhota, numa freguesia do concelho de Oeiras. A sua criação data de 10 de Janeiro de 1905 e as instalações à época eram situadas numa antiga cocheira.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Amadora nega terrorismo

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Município liderado por Joaquim Raposo responde às críticas de Sintra "A Câmara da Amadora não se prepara para ‘num ataque terrorista, despejar em Sintra as 2300 famílias a viverem ainda em barracas’". É desta forma que o município liderado por Joaquim Raposo responde às críticas da autarquia sintrense, em especial do vice-presidente Marco Almeida, sobre a aquisição de fogos no concelho de Sintra destinados a realojar famílias da Amadora. Em comunicado, a autarquia da Amadora esclarece que foram adquiridos 19 fogos, 11 dos quais em sete freguesias de Sintra, mas que vai assegurar o acompanhamento dessas famílias. "Trata-se de realojamento de famílias acompanhadas pelos técnicos da Amadora, à semelhança do que tem vindo a ser feito ao longo de vários anos, como, por exemplo, no Bairro da Coopalme, em Algueirão, onde habitam há dez anos cerca de 40 agregados familiares realojados pela Câmara da Amadora e devidamente acompanhados pelos nossos serviços técnicos através de um gabinete de atendimento no local", pode ler-se no comunicado. Advertindo que os fogos foram adquiridos "no mercado livre, através de imobiliárias e da banca", a Câmara da Amadora esclarece que apenas está empenhada "em ajudar as suas famílias a encontrar condições dignas de habitação, promovendo a sua inclusão sem qualquer estigma". Numa resposta directa às críticas de autarcas de Sintra, o município vizinho esclarece que, num princípio de "igualdade de oportunidades", está empenhada ainda "em apoiar todos os que residem, trabalham ou estudam no seu território" e cita o exemplo da Escola Seomara Costa Primo que, num universo de 1381 alunos, acolhe 700 jovens oriundos de Sintra, "recebendo desta autarquia (Amadora) o mesmo tratamento e apoio que qualquer outro aluno, independentemente da sua origem". O comunicado do município da Amadora corrige, ainda, os números avançados por Marco Almeida, sobre a existência de 2300 famílias a viverem em barracas, dando nota que existem "apenas 1544 famílias por realojar", 23,14% dos agregados recenseados em 1993 no âmbito do Programa Especial de Realojamento. "Desde então, esta autarquia já resolveu o problema de 5127 famílias não só através do simples realojamento, mas também através do PER-Famílias (413), do Programa de Apoio ao Auto-Realojamento (422) e do Programa Retorno (44)", revela o município da Amadora. Recorde-se que o assunto foi aflorado em recente sessão da Assembleia Municipal de Sintra, com Marco Almeida a acusar a Câmara da Amadora de "agir de má-fé e em forma de emboscada, com uma acção terrorista junto do concelho de Sintra", numa posição convergente com as críticas enunciadas por Fátima Campos, presidente da Junta de Monte Abraão, uma das freguesias onde foram adquiridos dois fogos. A polémica voltou à baila em sessão camarária, com a bancada socialista a partilhar dos reparos à atitude da autarquia vizinha. "O município de Sintra está disponível para receber todos, mas não está disponível para servir de ponto de refugiados ou de exílio de municípios vizinhos", sublinhou a eleita socialista Ana Queiroz do Vale.

SINTRA - Utentes sem médico de família já são 135 mil

Ver edição completa Comissão de Utentes do Concelho de Sintra revela que faltam 74 profissionais de saúde O número de utentes sem médico de família continua a crescer e, segundo o último levantamento efectuado junto dos agrupamentos de centros de saúde, já atinge 135 mil pessoas. Os dados foram revelados pela Comissão de Utentes da Saúde do Concelho de Sintra (CUSCS) que, no passado domingo, promoveu uma tribuna pública em Queluz, no Parque Urbano Felício Loureiro, sob o lema "A Saúde em Sintra, Um Direito de Todos, Uma Exigência Imediata". Além da tribuna pública, a iniciativa contou com a realização de rastreios gratuitos, através da colaboração da Farmácia Baião Santos e da Policlínica de Monte Abraão. Ainda e sempre com a exigência da construção de um hospital público no concelho, dada a sobrecarga populacional sobre o Hospital Fernando da Fonseca, os responsáveis da CUSCS não esquecem a grave situação dos cuidados primários de saúde. Se em 2008 havia 124 mil utentes sem médico de família, os números mais recentes são ainda mais gravosos para a população. Num total de 433 mil inscritos, 134 585 não dispõem de médico, com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Algueirão-Rio de Mouro no topo (70 778 utentes sem médico), seguido do ACES Cacém-Queluz (44 920) e do ACES Sintra-Mafra (18 887). Perante estes números. é possível concluir que faltam 74 médicos de família nos centros de saúde do concelho, que dispõem de 164 profissionais e uma média de 1820 utentes por cada médico. Lacunas que preocupam a CUSCS, como reconhece António Carrasco, que exige uma resposta imediata por parte do Ministério da Saúde para pôr cobro a este drama. "É indispensável modificar esta gravíssima situação do concelho de Sintra em termos de défice de médicos de família", sublinha o responsável da CUSCS, que acusa o Ministério da Saúde de "autismo político". As reivindicações dos utentes do concelho de Sintra são remetidas ao ministério, "mas não há qualquer resposta". Quanto às garantias de que a situação tende a melhorar com o funcionamento das unidades de saúde familiar, como as que existem em Massamá, Mira Sintra ou São Marcos, António Carrasco contrapõe que essas unidades foram apetrechadas de médicos à custa dos tradicionais centros de saúde, ou seja, "a manta é curta: quando se tapa de um lado, vai-se destapar do outro". Após o Verão, a CUSCS vai continuar com a realização de "iniciativas de debate e de discussão dos problemas da saúde em todas as freguesias", no sentido de reforçar ainda a exigência da construção de equipamentos em Queluz, Belas, Agualva, Rinchoa/Fitares, Tapada das Mercês e Almargem do Bispo. Durante essas iniciativas, será promovida a recolha de assinaturas para "a exigência de um calendário objectivo, directo e claro, por parte do Governo e da Administração Regional de Saúde, para a construção de um hospital público no concelho de Sintra, com 350 camas e dotado de todas as valências que permitam dar resposta às carências em termos de cuidados de saúde". "Não podemos continuar a ser indolentes, a fazer de conta que este é um problema que se resolverá em seu tempo", sublinha António Carrasco, que sublinha a premência da unidade hospitalar até pelo envelhecimento da população e consequente agravamento do estado de saúde. Para a CUSCS, a saúde não pode ser olhada como um custo, mas como um factor de investimento no desenvolvimento do país. "Imagine-se a melhoria, por exemplo, ao nível da produtividade, quando as pessoas não tiverem de esperar 12 horas por uma consulta de urgência num hospital. 12 horas são 12 horas de trabalho que se perdem", acentuou ainda António Carrasco.